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“A IA é uma boa ferramenta para quem sabe usá-la”, diz a especialista em pesquisa Lis Leão
Pesquisadora do Einstein Hospital Israelita discute os desafios de montar equipes multidisciplinares e os limites do uso da IA na ciência
A IA é uma boa ferramenta para quem sabe usá-la", diz Lis Leão,
pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein | Imagem: Unsplash
“Queremos que essas pessoas participem, mas ainda não criamos uma estrutura para isso acontecer de uma forma tranquila para todos.” A frase é de Lis Leão, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita Einstein com atuação em estudos sobre natureza, saúde e bem-estar.
O diagnóstico resume bem o estágio atual da ciência colaborativa no Brasil: a exigência por equipes multidisciplinares cresceu nos editais de fomento, mas a infraestrutura para viabilizá-la ainda patina.
Em entrevista ao Science Arena, Leão discute os desafios práticos de construir esses times e os limites — e possibilidades — do uso da inteligência artificial na pesquisa.
Confira na íntegra a entrevista de Lis Leão ao Science Arena:
O desafio de incluir comunidades na pesquisa
Quando se trata da exigência por times compostos por pessoas de diferentes áreas, Lis Leão afirmou que equipes multidisciplinares não se constroem da noite para o dia.
“Hoje se discute muito a inclusão da comunidade que você está estudando dentro do seu projeto”, disse. Ela também comentou que assistiu a uma discussão a respeito de uma nova lei sobre os Comitês de Ética incluírem um representante da população que uma determinada pesquisa irá estudar.
No entanto, Lis destacou que esse tipo de movimento ainda precisa de ajustes. Por exemplo, ao incluir alguém da comunidade ribeirinha, a pessoa precisa realizar um cadastro na plataforma do Sagem (Sistema de Avaliação e Gestão de Membros de Comitês de Ética). No entanto, muitas vezes, ela mora em local distante e terá dificuldade para concluir esse procedimento.
“Queremos que essas pessoas participem, mas ainda não criamos uma estrutura para isso acontecer de uma forma tranquila para todos”, reforçou.
Outro desafio é a necessidade de ter financiamento para construir essa relação colaborativa com a comunidade. “Hoje existem alguns mecanismos para ampliar essa inclusão. Quando conversamos com as comunidades locais, vemos que vem um aporte de outros saberes muito interessantes. Mas, às vezes, você não tem tempo de fazer isso antes de ter o financiamento, porque é longe”, explicou.
Algo que Lis destacou durante a conversa é que o pesquisador pode ir até o local pesquisado depois e, assim, realizar ajustes no projeto. “Isso é exigido na entrada de uma série de editais, que eu acho que ainda precisa de um ajuste fino”, reforçou.
IA na pesquisa: ferramenta para quem tem domínio
Muitos pesquisadores têm recorrido à inteligência artificial (IA) como um facilitador na jornada da pesquisa. Para Leão, a IA é uma boa ferramenta para a pessoa que sabe como usá-la, como, por exemplo, para agilizar ou refinar processos da própria pesquisa científica. “Ela pode ganhar tempo com isso, mas precisa ter domínio do assunto”, disse.
Para quem está ingressando no campo, o uso da ferramenta é arriscado: sem domínio do tema, o pesquisador não tem base para avaliar a qualidade do que a IA entrega.
Para ler o conteúdo completo sobre a composição de equipes multidisciplinares e o uso da inteligência artificial no projeto científico, veja a entrevista nesta matéria do Science Arena.
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