#Carreiras
Desigualdades na ciência afetam pesquisadores em início de carreira
Editorial da mBio analisa barreiras enfrentadas por cientistas latino-americanos e de pequenas universidades dos EUA
Fatores estruturais e econômicos — como altos custos de publicação em periódicos de alto impacto — limitam a capacidade de cientistas latino-americanos, e de universidades menores dos EUA, de publicar em revistas de maior prestígio, alerta editorial da mBio | Imagem gerada por IA
Um editorial publicado na revista científica mBio, da Sociedade Americana de Microbiologia, traz um alerta sobre as desigualdades enfrentadas por pesquisadores em início de carreira na América Latina e em pequenas universidades dos Estados Unidos.
Publicado no ano passado, o texto chama atenção para a sub-representação de pesquisadores de países de língua espanhola na América Latina e de instituições de menor porte nos EUA nos grandes bancos de dados científicos internacionais, apesar da riqueza de produção científica e relevância regional dessas comunidades.
O texto, intitulado “Common challenges faced by early-career researchers in Latin American and small U.S. universities”, é assinado por Daniela Cejas (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Fatima Rodriguez Acosta (Universidade Nacional de Assunção, Paraguai)e Juan Rivera-Correa (City University de Nova York, EUA).
Para os autores, fatores estruturais e econômicos — como altos custos de publicação em periódicos de alto impacto (que cobram taxas de processamento de artigos, as APCs), sobrecarga de trabalho docente e administrativo e menor acesso a financiamento competitivo — limitam a capacidade desses cientistas de publicar em revistas de maior prestígio.
No caso da América Latina, essa realidade se soma a desafios de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que influenciam diretamente a visibilidade global dos estudos produzidos na região.
Perspectivas excluídas
Os pesquisadores também destacam que essas barreiras não apenas afetam a trajetória individual dos cientistas em início de carreira, mas também têm implicações mais amplas para a ciência global, ao excluir perspectivas científicas importantes, sobretudo em áreas com elevada diversidade biológica e cargas de doenças endêmicas.
Como caminhos para redução dessas desigualdades, o editorial sugere ações como:
- Ajustes em políticas de publicação que considerem contextos econômicos diferenciados;
- Iniciativas colaborativas que ampliem o acesso aos recursos editoriais e às redes científicas internacionais.
“As revistas mais influentes do mundo poderiam fazer chamadas específicas para tópicos de pesquisa internacionais em locais sub-representados, particularmente para cientistas que trabalham em áreas endêmicas de infecções, o que seria uma forma direcionada de abordar essas questões”, sugerem os autores.
“Enfrentar esse problema e apoiar pesquisadores da América Latina e de pequenas universidades dos EUA proporcionará avanços sustentáveis e duradouros para a pesquisa microbiológica global.”
Inserido no debate sobre ciência e equidade global, o editorial do mBio reforça uma discussão urgente: a necessidade de tornar a ciência mais inclusiva e representativa – refletindo a diversidade de contribuições e realidades que existem para além dos centros tradicionais de pesquisa.
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