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Três fases do impacto da IA na carreira científica

Pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein mapeia como a IA generativa deve transformar a rotina dos pesquisadores

Ilustração digital em tons de azul escuro mostrando um cérebro humano formado por trilhas de circuito eletrônico brancas, sobre um fundo com uma grade de quadrados coloridos em laranja, amarelo e roxo, evocando processamento de dados e inteligência artificial Pesquisadores já usam IA generativa para automatizar tarefas, mas o impacto de longo prazo pode redefinir o próprio papel do cientista | Imagem: Unsplash

A inteligência artificial (IA) generativa já chegou aos laboratórios — e não apenas para automatizar tarefas repetitivas. Os efeitos na carreira científica são mais profundos e, segundo pesquisadores, estão apenas começando.

Em entrevista ao Science Arena, o biólogo Helder Nakaya, pesquisador sênior do Einstein Hospital Israelita, destacou que a humanidade vive um momento histórico, maior, até mesmo, que a Revolução Industrial. 

Nos laboratórios, a IA já era usada há anos para reconhecimento de padrões. O que muda com os modelos generativos é a capacidade de produzir linguagem, território até então reservado ao pesquisador, responsável por contar histórias e elaborar ideias.

Confira na íntegra a entrevista de Jaqueline Ribas ao Science Arena:

O impacto em três fases

Nakaya divide esse impacto em três momentos: o presente, marcado pela adoção crescente; o médio prazo, com agentes mais autônomos; e o longo prazo, quando o próprio papel do cientista pode ser redefinido.

Primeira fase

No presente, a IA atua principalmente como amplificadora de produtividade. De acordo com Nakaya, os modelos já auxiliam na escrita de documentos, edição de textos e execução de tarefas manuais de baixo valor intelectual.

Segunda fase

No médio prazo, os agentes de IA deverão superar humanos em tarefas específicas de pesquisa.

“A IA já vai responder perguntas e, então, sobrará para nós fazer novas”, destacou Nakaya.  

Para ele, a parte mais estimulante da ciência passará a residir justamente aí: na formulação de perguntas, no diálogo e na compreensão dos impasses que surgem ao longo da pesquisa.

Terceira fase

No longo prazo, a motivação para fazer ciência pode mudar de natureza. “Não terá mais aquela pressão de fazer ciência para ser prática ou ajudar alguém, mas sim porque você gosta”, disse Helder. Nakaya, porém, admite incerteza sobre como os cientistas vão lidar com essa transição.

Nesse estágio, a IA não apenas responderá perguntas, mas formulará novas — a partir da análise de dados e da condução de experimentos. Um efeito colateral previsível: a dificuldade crescente de avaliar a contribuição individual do pesquisador diante do trabalho automatizado.

Para ler o conteúdo completo sobre o uso da inteligência artificial (IA) na carreira científica, veja a entrevista nesta matéria do Science Arena.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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