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Clima e saúde: academias de medicina lançam frente internacional para enfrentar impactos climáticos na saúde
Entidades de diferentes países se unem para promover adaptações nos sistemas de saúde frente à crise climática, com base em plano lançado na COP30
Personagem Zé Gotinha, “garoto-propaganda” das campanhas de vacinação no Brasil, participa do BHAP Day, evento da Conferência Global de Clima e Saúde de 2025, promovido durante a COP30 em Belém | Imagem: Rafael Medelima/COP30
Os eventos climáticos extremos, como fortes ondas de calor, e a piora da qualidade do ar são apenas alguns dos efeitos diretos da crise climática na saúde humana. Estudos científicos apontam que mudanças no clima intensificam doenças cardiovasculares e respiratórias, propagam enfermidades infecciosas e agravam transtornos mentais.
A estimativa é alarmante: se não forem adotadas medidas eficazes, os impactos das mudanças climáticas podem causar até 14 milhões de mortes até o fim do século.
Apesar de já discutida por pesquisadores, a conexão entre clima e saúde só recentemente passou a integrar o debate político global. Em 2023, pela primeira vez, a Conferência das Partes da ONU (COP) incluiu o Health Day, espaço dedicado à relação entre clima e saúde. Na COP30, realizada em Belém (PA) em 2025, esse compromisso se fortaleceu com o lançamento do Belém Health Action Plan (BHAP).
O BHAP estabelece metas para adaptar os sistemas de saúde frente aos efeitos das mudanças climáticas. Entre os principais eixos do plano estão:
- Reforço da vigilância sanitária com sistemas de alerta precoce;
- Formulação de políticas baseadas em evidências, incorporando dados climáticos nas decisões sanitárias;
- Inovação e sustentabilidade nas infraestruturas e cadeias de abastecimento do setor.
Ação liderada pelas academias médicas
Atentas à urgência climática, instituições de saúde também vêm assumindo protagonismo. É o caso da Global Coalition of Academies of Medicine on Climate and Health (GCAMCH), coalizão internacional destacada em artigo publicado na seção “Comentário” da revista científica The Lancet, em novembro de 2025.
“Proteger o planeta e proteger a saúde humana são imperativos inseparáveis”, alerta o artigo na The Lancet
Criada por iniciativa da National Academy of Medicine (EUA) e da Academia Nacional de Medicina (Brasil), a GCAMCH articula redes internacionais para acelerar a implementação do BHAP.
O plano é descrito no artigo como “marco fundamental para integrar a saúde às estratégias de adaptação e mitigação da crise climática”.
Compromissos práticos da GCAMCH
Durante a COP30, a GCAMCH já expressou apoio ao BHAP. Agora, busca colocar compromissos em prática por meio de:
- Redução das emissões do setor de saúde;
- Pesquisa sobre vulnerabilidades regionais frente às mudanças climáticas;
- Elaboração de diretrizes baseadas em evidências para adaptação dos sistemas de saúde;
- Capacitação profissional, com oficinas, reuniões e materiais educativos sobre clima e saúde;
- Fortalecimento de redes locais, reconhecendo que os efeitos da crise climática variam conforme o território.
A coalizão ultrapassou as fronteiras de Brasil e EUA: o artigo na The Lancet foi assinado por representantes de 30 academias de medicina de diferentes regiões do mundo.
Em declaração conjunta, essas instituições reafirmaram seu compromisso com o BHAP e com ações coordenadas frente à crise climática.
“Juntos, manifestamos nosso apoio à ação coletiva que salvaguarda a saúde e o bem-estar de todas as pessoas, agora e para as gerações futuras”, dizem as academias signatárias no artigo.
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