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09.04.2026 Financiamento

Texas aprova US$ 3 bilhões para criar instituto de pesquisa sobre demência

Iniciativa replica modelo bem-sucedido de financiamento ao combate ao câncer e pode se tornar uma das maiores financiadoras mundiais de estudos sobre doenças neurodegenerativas

Modelo anatômico em corte sagital do cérebro humano, em tons de rosa e bege, com estruturas internas visíveis, incluindo corpo caloso e cerebelo. Uma região no lobo frontal aparece destacada em roxo. Ao fundo, ambiente desfocado de laboratório Com US$ 3 bilhões aprovados em plebiscito, o Texas quer liderar globalmente a pesquisa sobre demência e doenças neurodegenerativas | Imagem: Unsplash

O estado norte-americano do Texas carrega a ideia de “Estado mínimo” em seu discurso político. Sua Assembleia Legislativa se reúne a cada dois anos — um arranjo deliberado para evitar a profissionalização da política.

Na última década, esse curto período legislativo foi suficiente para transformar o estado em laboratório de medidas que flexibilizam exigências de vacinação e impõem restrições severas ao acesso à saúde reprodutiva e materna. Mas esse ambiente político conservador esconde outra realidade.

Em novembro de 2025, eleitores texanos aprovaram, com 68,5% dos votos, a Proposição 14 — que destina US$ 3 bilhões em recursos públicos à criação de um instituto de pesquisa sobre demência.

Um modelo já testado contra o câncer

O Dementia Prevention and Research Institute of Texas (DPRIT) amplia uma política já consolidada de financiamento à pesquisa biomédica no estado, inaugurada em 2007 com o Cancer Prevention and Research Institute of Texas (CPRIT).

O modelo do CPRIT firmou-se como uma das experiências mais bem-sucedidas de financiamento estadual à pesquisa nos Estados Unidos — desde sua criação, mais de 300 pesquisadores e seus laboratórios se transferiram para o Texas.

O DPRIT distribuirá até US$ 300 milhões por ano pelos próximos dez anos, o que pode torná-lo uma das maiores financiadoras globais de estudos sobre doenças neurodegenerativas, atrás apenas dos National Institutes of Health (NIH)

O instituto parte do Texas Alzheimer’s Research and Care Consortium (TARCC), iniciativa estadual criada por lei em 1999 e em operação desde 2005, que reúne 11 instituições médicas do estado, compartilha bases de dados longitudinais para uso científico e posiciona o Texas na liderança nacional em pesquisa sobre transtornos neurocognitivos.

Desde 2005, o TARCC recebeu mais de US$ 60 milhões em financiamento estadual. Com o DPRIT, que utilizará a infraestrutura do consórcio e a rede de centros médicos do estado, esse volume de recursos deverá se multiplicar por cem.

Em termos de estrutura, o DPRIT é quase idêntico ao modelo do CPRIT, inclusive nos valores anuais de financiamento e nos mecanismos de governança e controle público. A principal diferença está na forma de alocação dos recursos.

Enquanto o Legislativo texano financia o CPRIT por meio de títulos públicos emitidos a cada dois anos, o DPRIT receberá uma dotação direta de US$ 3 bilhões transferida da receita geral do estado — já reservada para uso na próxima década.

Pesquisadores em todo o Texas já se preparam para disputar os recursos do DPRIT, mas questões centrais permanecem em aberto. A principal incógnita é quem assumirá a liderança do novo instituto — no caso do CPRIT, a direção foi decisiva para garantir a sustentabilidade da iniciativa no longo prazo.

A nova liderança terá de definir como distribuirá os recursos entre pesquisa básica, translacional e clínica, além de traçar estratégias de recrutamento de talentos.

Também caberá a ela delimitar o escopo de atuação do instituto.

A legislação não especifica o conceito de demência, limitando-se a dizer que o DPRIT se dedicará à “doença de Alzheimer, Parkinson e distúrbios relacionados”.

Resta saber quais linhas de pesquisa serão elegíveis ou prioritárias sob o amplo guarda-chuva dos “distúrbios relacionados”.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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