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	<title>#Alzheimer | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#Alzheimer | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Texas aprova US$ 3 bilhões para criar instituto de pesquisa sobre demência</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/texas-aprova-tres-bilhoes-dolares-para-pesquisa-sobre-demencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 22:37:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativa replica modelo bem-sucedido de financiamento ao combate ao câncer e pode se tornar uma das maiores financiadoras mundiais de estudos sobre doenças neurodegenerativas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O estado norte-americano do <strong>Texas</strong> carrega a ideia de &#8220;Estado mínimo&#8221; em seu discurso político. Sua Assembleia Legislativa se reúne a cada dois anos — um arranjo deliberado para evitar a profissionalização da política.</p>



<p>Na última década, esse curto período legislativo foi suficiente para transformar o estado em laboratório de medidas que flexibilizam exigências de vacinação e impõem restrições severas ao acesso à saúde reprodutiva e materna. Mas esse ambiente político conservador esconde outra realidade. </p>



<p>Em novembro de 2025, eleitores texanos aprovaram, com 68,5% dos votos, a <a href="https://ballotpedia.org/Texas_Proposition_14,_Establish_Dementia_Prevention_and_Research_Institute_of_Texas_Amendment_(2025)" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Proposição 14</a> — que destina US$ 3 bilhões em recursos públicos à criação de um <strong>instituto de pesquisa sobre demência</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um modelo já testado contra o câncer</h2>



<p>O <em><a href="https://www.alz.org/yeson14" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dementia Prevention and Research Institute of Texas</a></em> (DPRIT) amplia uma política já consolidada de financiamento à pesquisa biomédica no estado, inaugurada em 2007 com o <em><a href="https://www.cprit.texas.gov/about-us" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cancer Prevention and Research Institute of Texas</a></em> (CPRIT). </p>



<p>O modelo do CPRIT firmou-se como uma das experiências mais bem-sucedidas de financiamento estadual à pesquisa nos Estados Unidos — desde sua criação, mais de 300 pesquisadores e seus laboratórios se transferiram para o Texas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O DPRIT distribuirá até US$ 300 milhões por ano pelos próximos dez anos, o que pode torná-lo uma das maiores financiadoras globais de estudos sobre doenças neurodegenerativas, atrás apenas dos <em><a href="https://www.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">National Institutes of Health</a></em> (NIH)</p></blockquote></figure>



<p>O instituto parte do <em><a href="https://www.txalzresearch.org/about-tarcc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Texas Alzheimer&#8217;s Research and Care Consortium</a></em> (TARCC), iniciativa estadual criada por lei em 1999 e em operação desde 2005, que reúne 11 instituições médicas do estado, compartilha bases de dados longitudinais para uso científico e posiciona o Texas na liderança nacional em pesquisa sobre transtornos neurocognitivos. </p>



<p>Desde 2005, o TARCC recebeu mais de US$ 60 milhões em financiamento estadual. Com o DPRIT, que utilizará a infraestrutura do consórcio e a rede de centros médicos do estado, esse volume de recursos deverá se multiplicar por cem.</p>



<p>Em termos de estrutura, o DPRIT é quase idêntico ao modelo do CPRIT, inclusive nos valores anuais de financiamento e nos mecanismos de governança e controle público. A principal diferença está na forma de alocação dos recursos. </p>



<p>Enquanto o Legislativo texano financia o CPRIT por meio de títulos públicos emitidos a cada dois anos, o DPRIT receberá uma dotação direta de US$ 3 bilhões transferida da receita geral do estado — já reservada para uso na próxima década.</p>



<p>Pesquisadores em todo o Texas já se preparam para disputar os recursos do DPRIT, mas questões centrais permanecem em aberto. A principal incógnita é quem assumirá a liderança do novo instituto — no caso do CPRIT, a direção foi decisiva para garantir a sustentabilidade da iniciativa no longo prazo. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A nova liderança terá de definir como distribuirá os recursos entre pesquisa básica, translacional e clínica, além de traçar estratégias de recrutamento de talentos. </p></blockquote></figure>



<p>Também caberá a ela delimitar o escopo de atuação do instituto.</p>



<p>A <a href="https://www.texastribune.org/2025/11/04/texas-election-dementia-fund-dprit/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">legislação</a> não especifica o conceito de demência, limitando-se a dizer que o DPRIT se dedicará à &#8220;doença de Alzheimer, Parkinson e distúrbios relacionados&#8221;.</p>



<p>Resta saber quais linhas de pesquisa serão elegíveis ou prioritárias sob o amplo guarda-chuva dos &#8220;distúrbios relacionados&#8221;.</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Dec 2024 16:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[#gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bióloga lidera pesquisa que busca desenvolver método simples e menos invasivo para diagnosticar a doença que acomete sua mãe</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/">Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há três anos, Maria Ivone Valentini Cominetti foi diagnosticada com a <strong>doença de Alzheimer</strong>. “Ela começou com os sintomas típicos de <strong>perda de memória</strong>”, comenta Márcia Cominetti, 49, filha de Maria Ivone. A bióloga é especialista em Alzheimer e coordena o Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior paulista.</p>



<p>“Não sei se foi destino ou coincidência”, diz Cominetti sobre o surgimento da doença da mãe. “Não sei se é bom saber tudo o que pode acontecer com ela, ou se a ignorância seria melhor nesse caso, mas cada pessoa com demência é uma. <strong>A progressão depende de muitos fatores</strong>”, afirma.</p>



<p>No caso de Maria Ivone, ela continua ótima, animada e feliz, segundo a filha. &#8220;Ela está ciente de tudo, tem suas opiniões e se mantém ativa desde o diagnóstico. A doença está progredindo lentamente no caso dela&#8221;, conta.</p>



<p>Entre as investigações mais recentes de Cominetti está a busca por um <strong>método mais certeiro no diagnóstico de Alzheimer</strong>, algo que seja tão simples quanto um exame de sangue.</p>



<p>Atualmente, o Alzheimer é diagnosticado por meio de <strong>questionários sobre cognição e memória</strong>. Se o paciente não atingir uma pontuação esperada para sua idade e escolaridade, o médico pode pedir exames bioquímicos para avaliar se há deficiências nutricionais causando algum tipo de demência, ou exames de imagem, como uma ressonância magnética ou uma tomografia, que podem ajudar a confirmar o diagnóstico.</p>



<p>Outro exame que pode ajudar na detecção é o de <strong>punção lombar</strong>, um tipo de procedimento de coleta de uma amostra de <strong>líquido cefalorraquidiano</strong> (que circula pelo sistema nervoso central).</p>



<p>“Os exames de imagem são caros e nem todo lugar tem os aparelhos”, explica a pesquisadora. “Já a punção lombar é um <strong>exame invasivo</strong> que pode trazer dores e efeitos colaterais, especialmente em pessoas idosas que podem ter outras comorbidades, e os questionários não são suficientes para fechar o diagnóstico.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A possibilidade de um exame de sangue é importante para desenvolver uma maneira mais barata, menos invasiva e mais precisa de diagnosticar o Alzheimer”, diz Cominetti.</p></blockquote></figure>



<p>Em casos de suspeita de Alzheimer, a ideia é que sejam rastreadas <strong>proteínas específicas </strong>relacionadas à doença diretamente no sangue. Há algum tempo as <strong>proteínas tau e beta-amiloide</strong> são relacionadas ao diagnóstico e buscadas por neurologistas em exames de ressonância magnética.</p>



<p>No sangue, elas ficam muito diluídas para serem encontradas, mas <strong>uma terceira proteína pode fornecer pistas importantes</strong>, a chamada <strong>ADAM10</strong>, que impede a formação da beta-amiloide.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg" alt="Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5175" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-600x800.jpg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-300x400.jpg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-768x1024.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1152x1536.jpg 1152w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1536x2048.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-113x150.jpg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>Em altas dosagens no plasma de indivíduos com Alzheimer, pode indicar que ela não está atuando no cérebro e, portanto, facilitando a progressão da doença.</p>



<p>&#8220;Até alguns anos atrás, não existia um equipamento sensível o suficiente para encontrar esses biomarcadores pelo sangue, era só pelo líquor que circula pelo cérebro”, diz Cominetti. </p>



<p>“Agora, porém, existem aparelhos ultrassensíveis que possibilitam exames muito menos invasivos”, comemora a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Validação de biomarcador</mark></strong></h2>



<p>Desde 2017, cientistas do LABEN, sob liderança de Cominetti, têm investigado a ADAM10 e buscado validá-la como <strong>biomarcador do sangue para diagnosticar o Alzheimer</strong>. A pesquisa está na fase de testes com <strong>voluntários acima de 60 anos</strong>.</p>



<p>“Tomamos muito <strong>cuidado na abordagem</strong> com essas pessoas porque, por incrível que pareça, depois dos últimos anos de governo, elas se assustam quando se fala de participar de pesquisa, <strong>se sentem como cobaias</strong>”, conta a bióloga.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="900" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg" alt="Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5178" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-800x600.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-400x300.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-768x576.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-150x113.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>“Então explicamos que vamos fazer uma avaliação de saúde e que estamos trabalhando na busca por um diagnóstico precoce do Alzheimer”, diz.</p>



<p>O segredo, diz Cominetti, é ter sensibilidade e empatia em relação aos voluntários. “Existem formas de conversar com uma pessoa idosa. É preciso ter cuidado, paciência e estudar as melhores estratégias”, aconselha Marcia Cominetti, da UFSCar.</p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-background-color has-background has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Mais informações sobre o Alzheimer</mark></strong></p>



<p><em><strong>Clique nos tópicos abaixo para saber mais:</strong></em></p>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Quantas pessoas vivem com Alzheimer no mundo?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Em todo o mundo, o número chega a 50 milhões de pessoas que vivem com a doença. De acordo com estimativas da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span>, os números podem chegar a 74,7 milhões em 2030, e 131,5 milhões em 2050, em decorrência do envelhecimento da população. A <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.paho.org/en/campaigns/time-to-act-on-dementia" target="_blank" rel="noopener">Organização Pan-americana da Saúde</a></span> (Opas) estima que 10,3 milhões de pessoas vivem com essa doença na região das Américas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>A doença pode ser desacelerada ou até prevenida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Um <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">estudo publicado em agosto na revista <em>The Lancet</em></a> </span>calcula que até 45% de todas as demências poderiam ser retardadas, desaceleradas ou até prevenidas. Lembrando que o Alzheimer é a forma mais comum de demência nos seres humanos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que fazer para reduzir o risco da doença ao longo da vida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">trabalho publicado</a></span> na <em>The Lancet </em>traz recomendações específicas para reduzir o risco de Alzheimer e demências em geral. Muitas delas exigem esforços coletivos e a elaboração de políticas públicas. Algumas medidas são:</p>
<ul>
<li>Garantir educação de boa qualidade para todos e incentivar atividades cognitivamente estimulantes na meia-idade;</li>
<li>Tratar a depressão de forma eficaz;</li>
<li>Incentivar a prática de exercícios físicos;</li>
<li>Reduzir o tabagismo por meio de educação, controle de preços e prevenção do fumo em locais públicos;</li>
<li>Detectar e tratar a elevação do colesterol de baixa densidade (LDL), conhecido como “colesterol ruim”;</li>
<li>Reduzir o alto consumo de álcool por meio do controle de preços e maior conscientização da população sobre os níveis e riscos do consumo excessivo;</li>
<li>Reduzir a exposição à poluição do ar;</li>
<li><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><span style="text-decoration: underline">Entre outras recomendações</span></a>.</li>
</ul>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Por que não podemos mais falar em “mal” de Alzheimer?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com a <span style="text-decoration: underline"><a href="https://febraz.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Federação Brasileira de Associações de Alzheimer</a></span> (Febraz) – que coordena no Brasil a campanha <span style="text-decoration: underline"><a href="https://setembrolilas.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Setembro Lilás – Mês Mundial de Conscientização sobre Alzheimer</a></span> –, o Alzheimer não é um mal, mas uma doença como outras. A entidade recomenda substituir termos como “mal de Alzheimer” e “portadores da doença de Alzheimer” por “pessoas que vivem com Alzheimer”.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que se sabe sobre o estigma associado à doença?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com o <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/u/World-Alzheimer-Report-2024.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório Mundial de Alzheimer de 2024</a></span>, 88% das pessoas que vivem com demência relatam sofrer discriminação.</p>
<p>O relatório é apoiado por uma pesquisa global com mais de 40.000 indivíduos em 166 países.</p>
<p>O estudo indica que a falta de conhecimento também é presente entre profissionais da saúde: 65% deles acreditam incorretamente que o Alzheimer e demências em geral são uma parte ‘normal do envelhecimento’.</p>
<p>Além disso, mais de um quarto das pessoas no mundo todo acredita incorretamente que não há nada que possamos fazer para prevenir a demência, com esse número aumentando de 20%, em 2019, para 37% em 2024 em países de baixa e média renda.</p>
<p>O relatório da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span> alerta que a falta de compreensão sobre a doença pode atrasar o diagnóstico e o acesso ao tratamento.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<p>Para Cominetti, é surpreendente como algumas pessoas que têm a confirmação da doença em estágio inicial mantêm uma vida ativa. “Elas sabem que têm o diagnóstico e vão contornando; se esquecem uma palavra, usam outra parecida”, conta a pesquisadora.</p>



<p>“É bonito ver como as pessoas lidam com a demência sabendo que a têm, como encontram estratégias para continuar vivendo o mais ativamente possível e o melhor que puderem.”</p>



<p>No começo da doença, os pacientes são hábeis para dar opiniões e tomar decisões, “Acham que quando a pessoa tem demência, é o fim, mas não. A pessoa ainda tem opiniões e sentimentos. O que acontece é que, na fase mais grave, fica difícil de interpretar os sinais que ela dá sobre isso”, afirma a bióloga.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Uma trajetória moldada pela ciência</mark></strong></h2>



<p>Cominetti é fascinada pelo <strong>estudo do envelhecimento</strong>, mas nem sempre foi assim. No início de sua carreira, logo após sua formatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1998, trabalhou com biologia celular em um projeto com camarões.</p>



<p>No doutorado, já na UFSCar, a catarinense estudou <strong>serpentes venenosas</strong>. “Existem várias moléculas no veneno das serpentes que produzem hemorragias e inibem a proliferação de algumas células, o que tem relação com o <strong>câncer</strong>, que nada mais é do que uma proliferação descontrolada de células em diferentes tecidos”, conta.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg" alt="Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5180" style="aspect-ratio:3/2;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-600x800.jpeg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-300x400.jpeg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-768x1024.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-113x150.jpeg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae.jpeg 960w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>A pesquisa sobre a função dessas <strong>moléculas em casos de câncer</strong> a levou a viver por um ano em Paris, na França, onde enfrentou dificuldade com o idioma, mas viveu uma experiência marcante – assim como na Irlanda, onde dominou mais facilmente o inglês e fez parte do <a href="https://www.gbhi.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Global Brain Health Institute</a> (GBHI) na Trinity College.</p>



<p>De volta ao Brasil em 2006, continuou a pesquisa com uma bolsa de pós-doutorado por cerca de três anos, até passar em um concurso para lecionar no curso recém-inaugurado de gerontologia na UFSCar.</p>



<p>“Acho que ninguém sabia direito o que era isso”, brinca.</p>



<p>Com a missão de ensinar disciplinas básicas sobre o envelhecimento, Cominetti precisou também estudar. “Como bióloga, eu entendia as bases do envelhecimento, mas tive que aprender muita coisa que estava fora da minha rotina”, relembra.</p>



<p>E quando ela começou a entender mais sobre envelhecimento, apaixonou-se. “Acho que a gente não faz o caminho, mas o caminho vai fazendo a gente, nos moldando.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Prestes a completar 50 anos e com quase 25 de conhecimento acumulado sobre biologia, células, proteínas e envelhecimento, Cominetti espera conseguir preparar sua família para o que está por vir com o avanço do Alzheimer de Maria Ivone, sua mãe.</p></blockquote></figure>



<p>“Faço com ela tudo o que falo nos meus cursos que deve ser feito: <strong>atividade física</strong>, <strong>estimulação cognitiva</strong> – levei materiais de estimulação cognitiva que usamos no laboratório para ela – e digo para ela continuar indo ao supermercado”, diz a pesquisadora, que mora longe da mãe, mas se faz presente e divide o trabalho do cuidado com sua irmã.</p>



<p>“Acho que facilita as coisas, porque eu sei os próximos passos, mas também fica mais difícil porque eu sei”, reflete.</p>
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		<title>Mortes decorrentes do Alzheimer aumentam no Brasil e desafiam a pesquisa</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 11:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#datasus]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#hospitalização]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Doença deve ser um dos principais problemas de saúde pública no mundo, sobretudo em países de baixa e média renda, sobrecarregando sistemas de saúde e famílias de pessoas afetadas</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/">Mortes decorrentes do Alzheimer aumentam no Brasil e desafiam a pesquisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil registrou um aumento expressivo da taxa de mortalidade por doença de Alzheimer nas últimas duas décadas, e é provável que essa tendência se intensifique nos próximos anos, de acordo com um <a href="https://scielosp.org/article/ress/2023.v32n2/e2022886/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento </a>feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Médico da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.</p>



<p>Eles se debruçaram sobre dados de óbitos associados à doença registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) entre 2000 e 2019, e os analisaram por região, sexo e diferentes faixas etárias. A doença em si não mata, mas contribui para o agravamento das condições de saúde dos indivíduos afetados, o que pode matá-los.</p>



<p>“Pessoas com Alzheimer em estágio avançado têm dificuldades para engolir, podendo aspirar pequenas quantidades de alimentos de forma involuntária”, explica o bioquímico Sérgio Teixeira Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estudioso das causas do Alzheimer. “Esse conteúdo pode parar nos pulmões e causar infecções.”</p>



<p>Muitos têm dificuldade para andar, podem cair e sofrer lesões graves. Para evitar esse risco, ficam acamados ou na mesma posição por longos períodos, o que favorece o surgimento de escaras, que também podem causar infecções fatais.</p>



<p>Ao todo, o Brasil registrou mais de 211 mil mortes por complicações associadas à doença entre os anos 2000 e 2019. Ao avaliar a distribuição dessas mortes ao longo do tempo, os autores identificaram uma evolução crescente da taxa de mortalidade em todas as variáveis analisadas.</p>



<p>O aumento mais significativo foi observado em indivíduos com 80 anos ou mais. Em 2001, a taxa de mortalidade por Alzheimer em pessoas nessa faixa etária era de pouco mais de 500 para cada um milhão de habitantes. Em 2019, saltou para quase 4 mil por milhão.</p>



<p>No estudo, publicado na revista <em>Epidemiologia e Serviços de Saúde</em>, os pesquisadores também identificaram um crescimento acentuado na taxa de mortalidade entre mulheres, sobretudo aquelas com 80 anos ou mais vivendo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.</p>



<p>Os achados estão em linha com estudos internacionais. <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30010124/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um deles</a> acompanhou quase 17 mil pessoas na Suécia e constatou que mulheres a partir dos 80 anos tinham maior probabilidade de serem diagnosticadas com Alzheimer do que homens. Uma das possíveis explicações é que as mulheres, em geral, vivem mais.</p>



<p>“Um dos principais fatores de risco associado ao desenvolvimento de Alzheimer é a idade, de modo que quanto mais velho se é, maior será a probabilidade de desenvolver a doença”, explica o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa, no entanto, não é a única explicação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para Caramelli, da UFMG, a alta prevalência do Alzheimer entre mulheres também pode estar ligada a uma combinação de fatores genéticos, hormonais e sociais, os quais ainda estão sendo estudados.</p></blockquote></figure>



<p>O Brasil também vem registrando um aumento no número de hospitalizações por Alzheimer. Um <a href="https://www.scielo.br/j/anp/a/rtpzyRbHSWG3gWkw3q6XBhv/?lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado</a> em junho de 2023 na revista <em>Arquivos de Neuro-Psiquiatria</em> por pesquisadores da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, constatou que o número de internações por Alzheimer passou de 847 em 2010 para 1.212 em 2020, resultando em um aumento dos custos para atender esses pacientes. </p>



<p>Em 2010, eles somaram pouco mais de R$ 1,8 milhões. Em 2020, esse número chegou a aproximadamente R$ 2,9 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Problema de saúde pública</strong></h2>



<p>A doença de Alzheimer deverá ser um dos principais problemas de saúde pública no mundo nas próximas décadas, sobrecarregando os sistemas de saúde e as famílias das pessoas afetadas. Países de baixa e média renda deverão ser os mais afetados, sobretudo em razão do envelhecimento crescente da população.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1.jpg" alt="" class="wp-image-3827" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1-400x400.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Da esquerda para a direita, de cima para baixo, os 12 fatores de risco para o desenvolvimento de Alzheimer <a href="https://www.thelancet.com/article/S0140-6736(20)30367-6/fulltext?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo estudo publicado na The Lancet</a>: (1) baixa escolaridade, (2) perda auditiva, (3) lesão cerebral causada por trauma, (4) hipertensão, (5) consumo de 21 unidades de álcool por semana, (6) obesidade com IMC maior que 30, (7) tabagismo, (8) depressão, (9) isolamento social, (10) falta de atividade física, (11) diabetes e (12) poluição do ar.</figcaption></figure>



<p>“Demorou quase 150 anos para a proporção de idosos com 65 anos ou mais passar de 7% para 14% na França, ao passo que, no Brasil, essa transição deve ocorrer em pouco mais de duas décadas”, diz Caramelli, que é o atual coordenador do conselho consultivo da Sociedade Internacional para o Avanço da Pesquisa e Tratamento da Doença de Alzheimer da <em>Alzheimer’s Association</em>, que conecta cientistas dedicados a ampliar os trabalhos sobre o Alzheimer e outras formas de demência.</p>



<p>De acordo com ele, o pior controle de fatores de risco para a doença também deve contribuir para o aumento do número de novos casos.</p>



<p>Há ainda questões socioeconômicas. “Sabemos hoje que níveis mais baixos de escolaridade são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de Alzheimer e outros tipos de demência, uma vez que diminuem o que chamamos de reserva cognitiva do cérebro”, explica o pesquisador.</p>



<p>Ele afirma que alguns estudos já indicam uma tendência de redução na incidência desse tipo de demência em países da América do Norte e da Europa, o que os cientistas atribuem ao aumento dos níveis de escolaridade e à maior oferta de tratamentos e prevenção de fatores de risco — <a href="https://www.thelancet.com/article/S0140-6736(20)30367-6/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma pesquisa publicada</a> há quatro anos na revista científica <em>The Lancet</em> constatou que 12 fatores de risco estão ligados a 40% dos casos de demência, incluindo Alzheimer, em todo o mundo.</p>



<p>Esses fatores são distribuídos ao longo da vida. “Na infância, a escolaridade reduz esse risco, ao passo que, na meia-idade, deficiência auditiva moderada a grave não tratada é outro fator ligado ao risco maior”, diz Caramelli.</p>



<p>“Há ainda outros fatores que perduram toda a vida, como hipertensão arterial e níveis altos de colesterol, obesidade e diabetes, sedentarismo, tabagismo, que se não forem evitados ou controlados podem aumentar significativamente o risco de desenvolvimento da doença”, completa Ferreira, da UFRJ.</p>



<p>Na avaliação da estatística Camila Bertini Martins, do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Unifesp, uma das autoras do estudo na revista <em>Epidemiologia e Serviços de Saúde</em>, existe um grande potencial de prevenção da doença no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O acesso à educação, aos serviços e às políticas públicas de saúde de prevenção da demência poderia mudar o cenário da doença no país”, diz Martins, da Unifesp.</p></blockquote></figure>



<p>Compreender a extensão do problema é fundamental para que o país consiga se preparar e possa criar serviços adequados para atender às necessidades das pessoas acometidas. Até o momento, no entanto, não se sabe a exata incidência da doença nem a mortalidade no país.</p>



<p>“A subnotificação é alta e a maioria dos estudos epidemiológicos é feita nas regiões Sul e Sudeste”, diz a neurologista Sonia Brucki, coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).</p>



<p>Os pesquisadores estimam que quase 2 milhões de pessoas vivam com algum tipo de demência no Brasil, sendo o Alzheimer a causa mais comum, respondendo por até 60% dos casos. </p>



<p>Muitas sequer foram diagnosticadas, o que as impede de receber tratamento adequado para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da enfermidade.</p>



<p>Para Caramelli, a dificuldade em se avançar no diagnóstico em parte está associada à falta de profissionais capacitados para identificar sintomas iniciais da doença na atenção primária. </p>



<p>“O problema também esbarra na falta de conhecimento da população, o que faz com que perdas de memória sejam vistas como um sinal normal de envelhecimento, o que nem sempre é verdade”, afirma Brucki.</p>



<p>“É preciso educar as pessoas e treinar os médicos e outros profissionais do sistema público, sobretudo o clínico geral, que em muitos lugares é quem tem o primeiro contato com o paciente, para identificar os sintomas, aplicar os instrumentos de diagnóstico e pedir os exames para identificar a doença o mais cedo possível.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estratégias de tratamento</strong></h2>



<p>O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e progressiva causada pelo acúmulo no cérebro de duas proteínas, a beta-amiloide e a tau. Seus primeiros sintomas — falhas recorrentes na recordação de fatos recentes — surgem com mais frequência a partir dos 65 anos. </p>



<p>“Alguns estudos, no entanto, indicam que o desenvolvimento da doença no cérebro pode se iniciar até duas décadas antes”, diz Ferreira.</p>



<p>A doença ainda não tem cura, mas existem alguns medicamentos, disponíveis no sistema público de saúde, que ajudam a atenuar os sintomas, como a perda de memória. </p>



<p>São os chamados inibidores da colinesterase: donepezila, galantamina e rivastigmina, indicados para casos leves e moderados. Eles aumentam a disponibilidade no cérebro do neurotransmissor acetilcolina, importante para a cognição.</p>



<p>“Estudos observacionais sugerem que essas medicações no longo prazo podem alentecer o agravamento dos sintomas e reduzir a mortalidade”, comenta Caramelli.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="714" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936.jpg" alt="" class="wp-image-3829" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-800x571.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-400x286.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-768x548.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-150x107.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para a neurologista Sonia Brucki, da USP, é preciso oferecer mais treinamento a médicos e outros profissionais da saúde para que possam identificar os sintomas do Alzheimer, aplicar os instrumentos de diagnóstico e pedir exames a fim de identificar a doença o mais cedo possível | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<p>Para os estágios mais avançados, a opção é a memantina, que modula a ação de outro neurotransmissor, o glutamato, que, em altas concentrações, é tóxico para os neurônios.</p>



<p>Além de caros, esses medicamentos têm resultados modestos, reduzindo apenas moderadamente o ritmo do declínio cognitivo. “O paciente continua a piorar, mas de forma mais lenta”, diz Ferreira.</p>



<p>Em julho de 2022, a empresa farmacêutica norte-americana Eli Lilly <a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2807533?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anunciou os resultados</a> da fase final de testes clínicos de um medicamento experimental contra a doença. O composto, um anticorpo monoclonal chamado donanemabe, mostrou-se capaz de retardar o declínio cognitivo em até 60% em indivíduos tratados nos estágios iniciais da doença.</p>



<p>A Eli Lilly já havia divulgado resultados parciais de seu estudo dois meses antes, mas alguns pesquisadores ainda tinham dúvidas sobre a segurança e eficácia do fármaco em determinados grupos de pacientes.</p>



<p>O anúncio da nova droga se deu poucas semanas após a agência regulatória de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, ter aprovado o uso de outro fármaco contra a doença, o lecanemabe, da farmacêutica japonesa Eisai.</p>



<p>Um terceiro fármaco, o aducanumabe, já havia sido aprovado para uso em 2021, mas será descontinuado no final deste ano. Todos eles agem da mesma forma no cérebro, eliminando aglomerados de beta-amiloide.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Obstáculos e otimismo</strong></h2>



<p>A chegada desses medicamentos marca um ponto de virada no que tem sido um longo e árduo caminho para se encontrar maneiras de retardar o Alzheimer, “uma doença complexa, desafiadora, com ações biológicas ainda não totalmente conhecidas, o que torna tudo muito mais difícil”, diz Ferreira.</p>



<p>O problema dessas medicações é que, além de caras, podem causar uma condição chamada “anormalidades de imagem relacionadas à amiloide” (ARIA), a qual, ocasionalmente, <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-023-02321-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desencadeia convulsões e hemorragia cerebral</a>.</p>



<p>Cerca de um quarto dos participantes do estudo de fase 3 da Eli Lilly desenvolveu ARIA; três morreram em decorrência do problema. Os casos de ARIA foram mais comuns em participantes portadores da <a href="https://abneuro.org.br/2021/12/22/o-papel-do-gene-da-apoe-na-doenca-de-alzheimer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">variação genética APOE4</a>, que aumenta o risco de desenvolver Alzheimer. </p>



<p>Os indivíduos que carregam esse gene também se beneficiaram menos do donanemabe em comparação com os participantes que não tinham a variante.</p>



<p>Apesar dos obstáculos, Caramelli vê o cenário com otimismo. “Acho que é uma questão de tempo até surgirem novas medicações”, ele diz.</p>



<p>“Uma cura ainda deve estar distante, mas remédios que ajudem no controle dos sintomas e a tornar a evolução mais lenta, acredito que é algo a médio prazo que devemos conseguir.</p>



<p>A prevenção, com o controle dos fatores de risco já identificados, ainda é a melhor estratégia para prevenir a doença, segundo Caramelli, sobretudo pela possibilidade de atuar em diferentes mecanismos de doenças que causam demência e podendo ser integrada em programas de saúde pública de maior alcance populacional.</p>
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		<title>Rastros da poluição no cérebro</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/cerebro-poluido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 14:28:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#expossoma]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#Parkinson]]></category>
		<category><![CDATA[#Poluição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores buscam entender como a exposição a poluentes pode atuar no desenvolvimento de doenças como Alzheimer e Parkinson</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A poluição do ar pode afetar o cérebro, desde o desenvolvimento do feto, passando pela infância, até o aparecimento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Pesquisadores usam até um nome para o campo de pesquisa que faz esse tipo de associação: a &#8216;ciência expossômica&#8217;, ou seja, uma área que tem como objeto de investigação o <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32619912/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expossoma</a>. </p>



<p>O expossoma, por sua vez, é um conceito que se refere à totalidade de exposições a uma variedade de fatores externos e internos, incluindo agentes químicos, agentes biológicos ou radiação, desde a concepção, durante toda a vida.</p>



<p>“A expossômica baseia-se em enormes bancos de dados sobre a distribuição de toxinas ambientais, respostas genéticas e celulares e padrões de comportamento humano&#8221;, explica a jornalista <a href="http://pulitzercenter.org/people/sherry-baker" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sherry Baker</a> em <a href="https://www.openmindmag.org/articles/polluted-minds" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem publicada</a> no portal de jornalismo científico <a href="https://www.openmindmag.org/about" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>OpenMind</em></a>.</p>



<p>De acordo com a publicação, &#8220;existe uma grande quantidade de informação para analisar, então os pesquisadores dessa área estão se voltando para outra ciência emergente, a inteligência artificial, para dar coerência a isso tudo.&#8221;</p>



<p>Em <a href="https://academic.oup.com/exposome/article/3/1/osad009/7424713#433602942" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado</a> em novembro de 2023, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos sugere que a pesquisa em expossômica coloca em contraste o genoma e a genômica, &#8220;fornecendo uma análise complementar e tão compreensiva quanto a dos condutores não-genômicos da biologia, que afetam a população assim como o indivíduo.&#8221;</p>



<p>A relação entre poluentes e Parkinson é fruto do trabalho da geógrafa Brittany Krzyzanowski, especialista em epidemiologia espacial e interação humano-ambiente no Instituto Neurológico Barrow, nos Estados Unidos.</p>



<p>Em um <a href="https://www.neurology.org/doi/10.1212/wnl.0000000000207871" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> do ano passado, publicado na revista <em>Neurology</em>, o grupo de Krzyzanowski demonstrou que cidades localizadas no vale dos rios Mississipi e Ohio, nos Estados Unidos, têm habitantes com 56% mais risco de desenvolver Parkinson quando o nível de poluição é considerado médio. </p>



<p>A comparação foi feita com aqueles que vivem em regiões com o menor nível de poluentes no ar. O estudo mostrou, de modo geral, que pessoas que moram no oeste do país, menos poluído, têm um risco menor de desenvolver a condição do que o resto do país.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Partículas finas</strong></h2>



<p>Neste e em outros estudos, chama a atenção dos pesquisadores as chamadas PM 2,5, isto é, partículas finas, com tamanho inferior a 2,5 micrômetros (um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro).</p>



<p>As partículas finas podem afetar pulmões e coração e são fortemente associadas a danos cerebrais. </p>



<p>Incêndios florestais são grandes geradores destes poluentes. Um <a href="https://acp.copernicus.org/articles/21/11201/2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> de 2021 mostrou que pesticidas, tintas, produtos de limpeza e de higiene pessoal são grandes – e pouco reconhecidas – fontes de partículas finas e podem aumentar o risco de desenvolvimento de uma série de problemas de saúde, incluindo acidente vascular cerebral (AVC).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os dados sobre Alzheimer também são um alerta para a relação entre condições neurológicas degenerativas e poluentes. </p></blockquote></figure>



<p>Ainda que portadores de uma variante genética específica tenham maior propensão a esta forma de demência, ela não é um fator determinante.</p>



<p>Os pesquisadores sugerem que o que pode fazer essas pessoas desenvolverem a doença esteja também no ar que respiram. Um estudo que acompanhou 1.100 homens desde os 56 anos de idade <a href="https://content.iospress.com/articles/journal-of-alzheimers-disease/jad221054" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apontou</a> que, aos 68, aqueles expostos a altas taxas de partículas finas tiveram os piores níveis em fluência verbal.</p>



<p>Os pacientes que tiveram mais contato com dióxido de nitrogênio (NO2), poluente resultante da queima de combustíveis fósseis, foram associados a uma piorada memória episódica, aquela de experiências pessoais passadas que ocorreram em um determinado momento e local.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pautar a agenda científica</strong></h2>



<p>Por conta de resultados como estes, pesquisadores das universidades do Sul da Califórnia e Duke, nos Estados Unidos, propuseram, em 2019, o “Exposoma do Alzheimer”, a fim de pautar a agenda científica sobre os fatores ambientais que interagem com os genes para causar demência. </p>



<p>A ideia é que a expossômica possa ajudar no que os medicamentos &#8220;falharam&#8221; até agora, como apresentando o que pode ser alterado na exposição das pessoas que possa prevenir a doença.</p>



<p>Sabe-se, por exemplo, que toxinas do ambiente podem perturbar mecanismos de proteção e de reparo celular no cérebro. Fatores como obesidade e estresse, por sua vez, contribuem para inflamação crônica, que pode danificar a capacidade dos neurônios de funcionar e se comunicar.</p>



<p>Em <a href="https://www.openmindmag.org/articles/polluted-minds" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entrevista à revista <em>OpenMind</em></a>, Rosalind Wright, professora de pediatria e codiretora do Instituto para Pesquisa em Expossômica da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, e uma das pioneiras nesse tipo de estudo, pontua que fomos programados para ser resilientes.</p>



<p>“O problema ocorre quando as exposições a fatores ambientais são crônicas e cumulativas e superam nossa capacidade de adaptação&#8221;, disse Wright. &#8220;Não vamos consertar tudo, mas se eu sei mais sobre mim mesma do que antes, isso me dá poder para pensar.&#8221;</p>
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