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	<title>Arquivos #Amazônia | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>Arquivos #Amazônia | Science Arena</title>
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		<title>“Queremos ciência feita na Amazônia, não só sobre a Amazônia”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>População local deve ser protagonista em estudos feitos na região, afirma Marcel Botelho, presidente da fundação de amparo à pesquisa do Pará</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/queremos-ciencia-feita-na-amazonia-nao-so-sobre-a-amazonia/">“Queremos ciência feita na Amazônia, não só sobre a Amazônia”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>São muitos os possíveis temas para se trabalhar em <strong>projetos científicos na Amazônia</strong>, conhecida por sua imensa biodiversidade e identidade cultural. Criada em 2007 no Pará, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (<strong>Fapespa</strong>) é uma das instituições públicas dedicadas a apoiar a pesquisa e a inovação na Amazônia, tendo em vista o <strong>desenvolvimento econômico, social e ambiental</strong> da região.</p>



<p>À frente da entidade desde 2021, o agrônomo <strong>Marcel do Nascimento Botelho</strong> ressalta a importância de que a pesquisa feita na Amazônia gere <strong>resultados potencialmente benéficos para a população local</strong> – para além dos limites da academia.</p>



<p>O diretor-presidente da Fapespa se diz entusiasta de <strong>pesquisas participativas</strong>, nas quais cientistas e outros atores sociais (como povos originários e gestores públicos) trabalham em parceria em busca de soluções para problemas concretos, como os efeitos da <strong>crise climática</strong>.</p>



<p>“Não podemos mais aceitar apenas uma discussão <em>sobre</em> a Amazônia. Queremos promover uma discussão <em>na</em> Amazônia, envolvendo <strong>conhecimentos ancestrais</strong> e <strong>realidades locais</strong>”, diz Botelho, que foi reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) entre 2017 e 2021.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Botelho fala dos desafios de financiar projetos de pesquisa com foco na região amazônica e de ações como a <a href="blank" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Iniciativa Amazônia+10</a>, que articula cientistas de 25 estados e de outros países. Entre os objetivos da iniciativa estão o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa na Amazônia e a tentativa de fixar pesquisadores na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Quais são as principais demandas de ciência e tecnologia da Amazônia?</strong></h2>



<p><strong>Marcel Botelho</strong> – Estamos diante de um paradigma que precisa ser quebrado. Por muito tempo, a Amazônia foi vista por prismas diferentes e bastante equivocados. Ela já foi chamada de “pulmão do mundo” e sabemos que esse “pulmão” é responsabilidade dos oceanos, não da Amazônia. Sabemos, por sua vez, que a região é indispensável para a estabilidade climática. </p>



<p>No governo anterior [de Jair Bolsonaro], tivemos uma grande escassez de recursos financeiros para ciência e tecnologia em todo o país, especialmente na Amazônia. Justamente em um período de pandemia de covid-19, durante o qual tanto dependemos de investimentos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Se continuarmos olhando por prismas equivocadas do passado, acabaremos vendo a Amazônia como uma reserva ambiental ou uma região rica que precisa ser explorada à exaustão.</p></blockquote></figure>



<p>Se isso seguir, sacrificaremos mais de 35 milhões de pessoas, incluindo os países que fazem fronteira com o Brasil e que são também parte da Amazônia sul-americana, como Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual é a importância das fundações de amparo à pesquisa, como a Fapespa, e o qual o papel delas na Amazônia?</strong></h2>



<p>As fundações têm um papel vital, porque são agências de fomento que atuam de maneira muito próxima dos pesquisadores, isto é, a “ponta final” que executa projetos em laboratórios ou trabalhos de campo.</p>



<p>As agências estaduais de apoio têm condições de dimensionar, avaliar e conduzir o processo de fomento de maneira localizada e customizada para a necessidade daquele estado. O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) tem um papel fundamental de gerenciar e coordenar nacionalmente este trabalho, atuando de forma independente e autônoma, entendendo os diferentes ecossistemas de cada estado ou região. &nbsp;</p>



<p>Em um país com as dimensões territoriais do Brasil e as assimetrias existentes (de nível econômico, educacional ou de desenvolvimento), o conhecimento local é indispensável. A Amazônia é uma região que depende muito de ciência e tecnologia. Reconhecemos que precisamos de ajuda nacional e internacional.</p>



<p>Contudo, é necessário que os povos da Amazônia sejam protagonistas, ou seja, participem ativamente das ações de Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D), e não sejam meros “consumidores” ou observadores passivos da ciência produzida na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os impactos da exploração da Amazônia em detrimento do investimento em inovação local?</strong></h2>



<p>A aposta na exploração irracional e desenfreada dos recursos naturais com o intuito de gerar riquezas (com base no extrativismo de reservas naturais) tem resultado na desertificação e no desflorestamento em toda a Amazônia nos últimos tempos.</p>



<p>Corre-se o risco de extinção da floresta a partir da justificativa da busca por desenvolvimento. Não podemos permitir que isso ocorra na Amazônia.</p>



<p>Precisamos de um modelo novo e, desse propósito, surgiu a Iniciativa Amazônia+10.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do que se trata a Iniciativa Amazônia+10?</strong></h2>



<p>A iniciativa tem este nome, pois começou com os nove estados da Amazônia brasileira e, depois, incorporamos São Paulo, por ter uma instituição [a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP] capaz de aportar muitos recursos ao projeto.</p>



<p>Mesmo com a participação de São Paulo, mantivemos a proposta de valorizar o conhecimento local, as instituições presentes na Amazônia e o protagonismo da região na tomada de decisões.</p>



<p>Atualmente, a Iniciativa Amazônia+10 soma 39 projetos em andamento – 20 deles com participação da Fapespa, do Pará. Estamos com um edital, em vias de lançamento, da seleção final, que é o de Expedições Científicas. Isso motivado pela pergunta: será que a gente realmente conhece a Amazônia? Garanto que não.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As pesquisas feitas na Amazônia, quando não são por satélites, são realizadas nas margens dos rios e das estradas. Pouco se adentra na realidade da Amazônia. Existem muitos vazios científicos na região como todo.</p></blockquote></figure>



<p>Estamos falando de uma região que ocupa mais de 60% do território nacional, e que recebe muito menos recursos proporcionalmente do que, por exemplo, a Mata Atlântica, que ocupa uma faixa estreita do território nacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Houve grande procura a partir da chamada de propostas de Expedições Científicas? &nbsp;</strong></h2>



<p>O número de projetos que recebemos foi absurdamente maior do que estávamos imaginando, por causa da complexidade do tema. Ao todo, foram inscritos 199 projetos. Para atender a essa demanda, precisaríamos do aporte de R$ 500 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como é possível prover mais apoio financeiro para a pesquisa na Amazônia?</strong></h2>



<p>Sabendo onde alocar recursos. Indo para a esfera política, na qual o debate é livre, vemos que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação [MCTI] aprovou a construção e o investimento de R$ 600 milhões no primeiro laboratório de biossegurança de nível 4 (NB4) da América Latina. Batizado de Orion, o laboratório terá sede no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais [CNPEM], em Campinas, São Paulo, e será voltado à pesquisa com patógenos das classes 3 e 4 [isto é, capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade].</p>



<p>A instituição reconhecida mundialmente pelo trabalho com vírus de florestas tropicais é o Instituto Evandro Chagas, no Pará. Ao invés de instalar o laboratório aqui em Belém, o MCTI decidiu construí-lo em Campinas. Nada contra o CNPEM receber este aporte, mas a expertise está em Belém, no Pará. Quem está com a caneta na mão nem sempre toma a melhor decisão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os outros diferenciais da pesquisa feita no Pará?</strong></h2>



<p>Temos no nosso estado os planos de economia e de recuperação de vegetação nativa bem consolidados. Desde 2019, o Pará vem saindo do discurso para a prática. Para isso ir mais longe, precisamos de investimento sério, constante e robusto. Somente assim vamos fortalecer as estruturas de ciência e tecnologia.</p>



<p>Fico tremendamente preocupado quando vejo a criação de um instituto de pesquisa sobre a Amazônia em São Paulo, como o Centro de Estudos da Amazônia Sustentável [Ceas] da Universidade de São Paulo [USP].</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que isso o preocupa?</strong> </h2>



<p>Temos quase 200 instituições de pesquisa na Amazônia, todas precisando de investimento, de apoio para infraestrutura. Nos últimos anos, sofremos com a diáspora científica [perda de cientistas para instituições de outros estados ou países] e o sucateamento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Nossos pesquisadores são capturados por instituições com maior poder aquisitivo e melhores condições de trabalho. Estão levando pessoas que pesquisariam a Amazônia de dentro da Amazônia.</p></blockquote></figure>



<p>Não podemos mais aceitar apenas uma discussão sobre a Amazônia. Queremos promover uma discussão na Amazônia. Queremos ter protagonismo [na pesquisa], com inclusão do conhecimento ancestral e de realidades locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os desafios disso?</strong></h2>



<p>No Brasil, os estados da Amazônia são os que menos investem proporcionalmente em ciência e tecnologia. Precisamos tomar uma decisão estratégica, de realmente preservar a Amazônia com o desenvolvimento social que a população merece.</p>



<p>Não podemos receber a mesma proporcionalidade de recurso que outras regiões recebem. Temos que, pelo menos, colocar o dobro do valor que a Amazônia contribui hoje com o Produto Interno Bruto [PIB] nacional, para ficar dentro de um valor elegível. </p>



<p>Por sua vez, enquanto a Amazônia, como um todo, contribui com cerca de 6,5% do PIB nacional, ela recebe apenas 3% do investimento nacional de ciência e tecnologia. Minha sugestão é que recebamos o dobro de nossa contribuição, ou seja, 13% do recurso de Ciência, Tecnologia e Inovação [CTI] do país.</p>
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		<title>Os desafios de acesso à saúde bucal no Amazonas</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[#odontologia]]></category>
		<category><![CDATA[#ribeirinhos]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde bucal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase um quarto dos ribeirinhos às margens do Rio Negro não foi ao dentista nos últimos três anos; alguns nem sequer tiveram acesso a serviços odontológicos alguma vez na vida, indica estudo</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas/">Os desafios de acesso à saúde bucal no Amazonas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aproximadamente um quarto dos indivíduos que vivem em comunidades ribeirinhas na zona rural de Manaus (AM) não foi ao dentista nos últimos três anos — alguns sequer tiveram acesso a serviços odontológicos alguma vez na vida, apesar dos esforços do governo federal para levar equipes de saúde a áreas remotas e de difícil acesso do Brasil.</p>



<p>A conclusão consta de um <a href="https://www.rrh.org.au/journal/article/8258" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado</a> em janeiro na revista <em>Rural Remote Health</em> por pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e das universidades Federal do Amazonas (Ufam) e do Estado do Amazonas (UEA).&nbsp;</p>



<p>Eles entrevistaram 492 pessoas de 38 comunidades espalhadas pela margem esquerda do Rio Negro. O objetivo era verificar o perfil socioeconômico e de saúde dessas populações, a frequência com que utilizavam serviços odontológicos e as dificuldades que enfrentam para acessá-los.</p>



<p>A identificação dos fatores que afetam o acesso à saúde bucal dessas comunidades é importante porque pode contribuir para o desenvolvimento ou aprimoramento de estratégias de promoção da saúde em outras comunidades que compartilham as mesmas características de isolamento ou semi-isolamento social, cultural e econômico.</p>



<p>As comunidades analisadas estão situadas em áreas de cobertura das Unidades Básicas de Saúde Fluviais, embarcações adaptadas para funcionar como unidades de saúde. De tempos em tempos, elas visitam comunidades dispersas em áreas isoladas e de difícil acesso na <a href="https://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/estrutura_territorial/amazonia_legal/2022/Mapa_da_Amazonia_Legal_2022_sem_sedes.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazônia Legal</a> (que abrange nove estados brasileiros) e no Pantanal Sul Mato-Grossense para realizar atendimentos.&nbsp;</p>



<p>Cada embarcação conta com pelo menos um médico, um enfermeiro, um técnico ou auxiliar de enfermagem, um cirurgião-dentista e um técnico ou auxiliar de saúde bucal.</p>



<p>Lançado em 2004 pelo Ministério da Saúde no âmbito da Política Nacional de Saúde Bucal, esse arranjo organizacional avançou na cobertura da saúde bucal na atenção primária no Brasil, ajudando a reduzir as desigualdades de acesso à saúde nos rincões do país.&nbsp;</p>



<p>Mais do que isso: reforçou a importância de investir em abordagens de saúde direcionadas a grupos específicos e historicamente excluídos dos serviços de saúde.</p>



<p>Ainda assim, aproximadamente 22% dos entrevistados afirmaram ter usado serviços de saúde bucal pela última vez há mais de três anos, ao passo que 3,1% nunca foram ao dentista.&nbsp;</p>



<p>Dos que procuraram atendimento odontológico por conta própria nos últimos anos, 36,9% o fizeram por prevenção; outros 22,4% porque estavam sentindo dores e 20,6% porque precisavam extrair algum dente.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>Os pesquisadores verificaram que 34,4% dos entrevistados tinham perdido mais de 12 dentes e 10,4% já estavam desdentados.</em></p></blockquote></figure>



<p>Os resultados estão em linha com dados nacionais. Um <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cdoe.12753" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado</a> em 2022 na revista <em>Community Dentistry and Oral Epidemiology</em>, com base em dados da população brasileira, constatou que 48,4% das pessoas com 18 anos ou mais foram ao dentista há mais de um ano e 2% nunca utilizaram esse tipo de serviço.</p>



<p>O padrão é diferente em relação ao uso de serviços odontológicos públicos. &#8220;Apenas 23,1% da população brasileira utilizaram serviços públicos na sua última consulta, diferentemente do que foi observado nas populações ribeirinhas&#8221;, destaca a cirurgiã-dentista Maria Helena Rodrigues Galvão, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e uma das autoras do artigo publicado na <em>Community Dentistry and Oral Epidemiology</em>.</p>



<p>&#8220;Isso indica que os serviços públicos são a principal forma de acesso à saúde bucal para essas pessoas, e que, portanto, devem ser reforçados e ampliados&#8221;, diz Galvão. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Problemas bucais têm raízes sociais e econômicas</strong></h2>



<p>No estudo divulgado na <em>Rural Remote Health</em>,<em> </em>mais da metade dos entrevistados (58,7%) relatou ter apenas o ensino primário, enquanto 12% nunca frequentaram a escola. Pouco mais da metade da população vivendo nessas comunidades (53,4%) tinham renda familiar inferior a um salário-mínimo.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Níveis mais baixos de escolaridade e renda costumam estar associados a um baixo uso dos serviços de saúde em geral e há evidências de que essa relação seja ainda mais marcante nas zonas rurais&#8221;, destaca o cirurgião-dentista Diego Cordeiro, doutorando em Saúde Pública na Ufam e um dos autores do estudo.</p>



<p>Na avaliação de Galvão, os achados do estudo reforçam a ideia de que os problemas bucais têm profundas raízes sociais e econômicas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>&#8220;Fatores culturais e geográficos também estão altamente associados a padrões de condições de saúde, bem como ao reconhecimento subjetivo da doença&#8221;, diz a pesquisadora da UFPE.</em></p></blockquote></figure>



<p>No caso das populações ribeirinhas, essa situação se agrava pelo fato de elas viverem em áreas muito isoladas. As pessoas nessas comunidades com frequência precisam se deslocar por até 30 horas — dependendo das condições hidrológicas e meteorológicas — até a cidade mais próxima para conseguir ter acesso a serviços de saúde.</p>



<p>Muitos evitam se aventurar em viagens longas à área urbana em razão dos custos de transporte e do tempo de deslocamento. Os que se arriscam, não raro, atrasam-se para as consultas, baseadas na ordem de chegada, e ainda precisam arcar com os custos extras de transporte, hospedagem e alimentação.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1023" height="802" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha.jpg" alt="Os desafios de acesso à saúde bucal no Amazonas" class="wp-image-3291" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha.jpg 1023w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha-800x627.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha-400x314.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha-768x602.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas-foto-marinha-150x118.jpg 150w" sizes="(max-width: 1023px) 100vw, 1023px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pesquisa entrevistou 492 pessoas de 38 comunidades espalhadas pela margem esquerda do Rio Negro | Foto: Marinha do Brasil</figcaption></figure>



<p>Na maioria das vezes, o que resta são os serviços das Unidades Básicas de Saúde Fluviais. A estratégia tem contribuído para promoção do acesso à saúde bucal e diminuição das desigualdades em saúde nessas regiões.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>&#8220;No entanto, nossos resultados sugerem que os serviços que elas oferecem ainda estão centrados na resolução de problemas, seja uma dor de dente ou uma extração, não na prevenção&#8221;, afirma Cordeiro, da Ufam.</em></p></blockquote></figure>



<p>&#8220;O modelo de atenção à saúde deve ser reorganizado de modo a superar esse modelo tradicional, incorporando estratégias mais abrangentes de promoção da saúde, favorecendo a adoção de escolhas saudáveis, de forma a diminuir a ocorrência dos agravos e transformando a necessidade dos serviços de saúde bucal&#8221;, acrescenta Cordeiro.&nbsp;</p>



<p>Os desafios são enormes, segundo Fernanda Campos de Almeida Carrer, professora da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Observatório de Recursos Humanos em Odontologia e do Observatório Ibero-americano de Políticas Públicas de Saúde Bucal.&nbsp;</p>



<p>&#8220;As Unidades Básicas Fluviais são importantes, mas não dão conta de todas as comunidades&#8221;, afirma. &#8220;Algumas são tão isoladas que é quase impossível acessá-las, sobretudo quando o nível do rio está baixo.&#8221;&nbsp;</p>



<p>A reportagem do <strong>Science Arena</strong> entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Amazonas a fim de saber das iniciativas para ampliar a oferta de unidades fluviais na região, mas não obteve retorno.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dificuldade na retenção de profissionais</strong></h2>



<p>A estratégia também é pouco efetiva quando se trata de casos que requerem tratamento de longa duração, uma vez que estes exigem acompanhamento periódico — o que é quase impossível, pois pode levar até 30 dias para ir e voltar de uma comunidade.&nbsp;</p>



<p>Soma-se a isso as dificuldades para atrair e reter profissionais de saúde nessas áreas, também conhecidas como “<em>vazios sanitários</em>”.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="816" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-1200x816.png" alt="" class="wp-image-3304" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-1200x816.png 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-800x544.png 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-400x272.png 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-768x522.png 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-1536x1044.png 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-2048x1393.png 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/einstein_ribeirinhos_2-150x102.png 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></figure>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>&#8220;Profissionais recém-formados têm mais interesse por trabalhar em locais isolados ou de difícil acesso, mas logo desistem quando percebem que não têm apoio ou orientação técnica para auxiliá-los”, comenta Carrer, da USP.&nbsp;</em></p></blockquote></figure>



<p>Nos últimos anos, ela e outros pesquisadores do Observatório de Recursos Humanos em Odontologia têm se dedicado a levantar evidências que respaldam o desenvolvimento de estratégias para atrair e reter mais profissionais de saúde nessas regiões.&nbsp;</p>



<p>“Temos observado que não adianta apenas oferecer um bom salário. Sem apoio técnico e infraestrutura, continuaremos tendo dificuldade para atraí-los&#8221;, diz a pesquisadora.</p>



<p>O governo, na sua avaliação, precisa investir em pacotes de intervenção mais completos.</p>



<p>&#8220;Estamos falando de cursos de capacitação e apoio técnico, que permita a esses indivíduos recorrer, à distância, a profissionais com mais experiência para tirar dúvidas ou buscar orientação em relação a determinados procedimentos e tratamentos para casos específicos&#8221;, destaca Carrer. </p>



<p>&#8220;Não é só uma questão de salário. Outras coisas é que pesam&#8221;, ressalta a pesquisadora.</p>



<p>Ao mesmo tempo, enfatiza Carrer, é igualmente importante criar condições favoráveis às famílias desses profissionais, de modo que eles se sintam mais confortáveis a mudar para regiões distantes dos centros urbanos.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Alguns países concedem até bolsas de estudo aos filhos desses indivíduos, subsidiam seus custos com moradia, entre outras vantagens&#8221;, destaca.</p>



<p>Tais medidas costumam ter prazo de validade de aproximadamente dois anos. &#8220;Mesmo com incentivos, muitos decidem se mudar ou voltar para centros urbanos com mais infraestrutura”, afirma Carrer.&nbsp;</p>



<p>“Não tem problema que isso aconteça, desde que as políticas públicas estejam preparadas para repor esse profissional e manter a cobertura de saúde na região.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/os-desafios-de-acesso-a-saude-bucal-no-amazonas/">Os desafios de acesso à saúde bucal no Amazonas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Riscos sanitários a partir da Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jan 2024 19:17:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desmatamento pode transformar áreas exploradas em desertos e desencadear surtos de novas doenças</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/riscos-sanitarios-a-partir-da-amazonia/">Riscos sanitários a partir da Amazônia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Amazônia, além de ser a maior floresta equatorial úmida do planeta e a mais preservada, é a região da Terra com a maior biodiversidade, tanto em espécies vegetais e animais quanto em quantidades de espécimes por espécie existente.</p>



<p>Essa impressionante biodiversidade, podemos dizer que é a oitava maravilha do mundo. Toda essa diversidade biológica abriga uma infinidade de espécies de vertebrados incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes – muitas dessas ainda não descritas ou catalogadas, bem como milhares de espécies de insetos habitam a Amazônia, igualmente com muitos sem reconhecimento taxonômico.</p>



<p>Entre os insetos têm papel de destaque os insetos hematófagos, ou seja, aqueles que sugam sangue, e eles podem transmitir agentes infecciosos, principalmente arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) e parasitas.</p>



<p>Portanto, os vertebrados terrestres, especialmente aves e mamíferos, e os insetos hematófagos são importantes fontes de vírus e de outros microrganismos infecciosos como bactérias, fungos e parasitas.&nbsp;</p>



<p>A Amazônia deve e precisa ser protegida não somente pela beleza natural e imensidão de vida que abriga, mas também para a sustentabilidade do clima e da vida no planeta.</p>



<p>Diversos estudos têm mostrado que o desmatamento pode transformar as áreas exploradas em desertos ou, na melhor hipótese, em cerrados ou savanas. Além disso, também altera o regime de chuvas e, portanto, a vida na região, o que muda drasticamente a vida selvagem.</p>



<p>Devido às alterações ambientais promovidas pelos humanos, muitos animais precisam se movimentar e se adaptar a novos ambientes e a novos hospedeiros e vetores.</p>



<p>Nesse sentido, além dos aspectos climáticos, a devastação de grandes áreas da Amazônia, pelos mais diferentes propósitos (como construção de hidroelétricas e atividades agropecuárias), tem enorme potencial de alterar os equilibrados, mas frágeis e instáveis ecossistemas amazônicos.</p>



<p>Esse status, vivido desde sempre que a Amazônia começou a ser explorada, mas intensamente acelerado nos últimos anos, pode resultar em dois cenários possíveis, dentro da lógica epidemiológica infecciosa:</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-purple-color">1.</mark></strong> Se os eventos forem desfavoráveis aos vírus e outros microrganismos, esses vão desaparecer, pois é sabido que os vírus e outros micróbios nativos têm uma distribuição focal com ciclos de manutenção bastante restritos, por vezes tendo apenas um hospedeiro primário. Portanto, é de esperar que ocorra uma perda da biodiversidade com extinção de espécies ainda nem identificadas.</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-purple-color">2.</mark></strong> Se forem favoráveis para os vírus, hospedeiros e vetores, poderá vir a ocorrer a emergência deles e o risco da ocorrência de epidemias é enorme. De fato, isso foi o que ocorreu com todos os principais arbovírus epidêmicos (Chikungunya, dengue, Zika, febre amarela, encefalite japonesa etc.), que se adaptaram a novos hospedeiros (humanos) e vetores (como o mosquito <em>Aedes aegypti</em> e outros insetos hematófagos urbanos ou periurbanos) e, de modo semelhante, iniciar uma epidemia que é difícil de prever o impacto e desfecho para a população.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Casos conhecidos pela ciência</strong></h2>



<p>A combinação de alterações ambientais imensas e prolongadas e a exposição continuada de pessoas em áreas próximas (ou dentro) de florestas – permitindo um maior e mais contínuo contato com a vida e o ambiente silvestre – representam um importante risco para a emergência não somente de novos vírus e outros microrganismos patogênicos para humanos, mas, sobretudo, de essas atividades serem responsáveis pela explosão da transmissão viral em epidemias que não se sabe prever o impacto aos habitantes do planeta.</p>



<p>A ciência já conhece alguns casos de emergência de doenças na Amazônia. Vou citar apenas quatro exemplos:</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">A)</mark></strong> A emergência de malária e leishmanioses cutâneas na periferia de Manaus (AM) durante o processo de expansão da cidade;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">B)</mark></strong> A emergência de epidemias pelo vírus oropouche em área urbanas da Amazônia, principalmente no estado do Pará, devido à ocupação de novos ambientes para estabelecimento de agrovilas, cidades e abertura de estradas. O oropouche se adaptou a um pequeno inseto hematófago, o maruim <em>Culicoides paraensis</em> (também conhecido como mosquito pólvora) causando epidemias em grandes cidades amazônicas como Belém e Manaus, mas também em pequenos aglomerados populacionais;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">C)</mark></strong> A emergência na Amazônia, e em outras regiões, da hantavirose, doença que cursa com quadros de elevada letalidade da síndrome cardiopulmonar por hantavírus. Esses vírus são transmitidos por roedores silvestres, que têm emergido em áreas com intensa plantação de soja, milho e outros grãos e em áreas recém urbanizadas, geralmente fazendas que foram loteadas para construção de novos bairros na periferia das cidades e que têm grande proximidade com as florestas;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">D)</mark></strong> A emergência de mais de 40 tipos diferentes de novos arbovírus isolados durante o enchimento do lago reservatório de Tucuruí e aumento da ocorrência de arboviroses na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vírus desconhecido ou reemergente</strong></h2>



<p>Hoje a ciência sabe que o risco associado à devastação de grandes áreas de floresta na Amazônia pode resultar não somente na emergência de vírus e outros agentes infecciosos, mas principalmente da ocorrência de uma nova epidemia ou pandemia – seja por um vírus emergente desconhecido, seja por um já conhecido e que se torne reemergente.</p>



<p>Esses riscos são enormes e as proporções podem ser devastadoras para a humanidade, os animais domésticos e os de produção. Isso já é consenso entre os cientistas.</p>



<p>Urge, portanto, ações que visem preservar a Amazônia, e financiar mais estudos para avaliar o impacto em um cenário de pandemia.</p>



<p>Finalmente, é preciso que as pessoas acreditem nos resultados dos estudos científicos e nos cenários possíveis com base na ciência, pois sabemos que as agressões à Amazônia e a outros ecossistemas florestais vão continuar. Seria ingênuo pensar que vão ser interrompidos.</p>



<p>É seguro também afirmar que muitas epidemias emergiram devido a alterações ecológicas e de ecossistemas florestais. Devemos, portanto, priorizar estudos de predição e de que epidemias ou pandemias ocorrerão cada vez com maior frequência, originando-se a partir dos ecossistemas naturais que sofreram intensas agressões.</p>



<p>Isso leva a um salto evolutivo com adaptações para a urbanização e a capacidade de causar doenças e mortes – o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, está aí para comprovar essa hipótese.</p>



<p>A Amazônia pode ser a fonte desse caos se políticas públicas visando a preservação da floresta e a produção de estudos voltados para a imediata detecção de epidemias e avaliação dos seus impactos não forem prontamente adotadas.</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Pedro Fernando da Costa Vasconcelos</mark></strong> <em>é médico virologista, professor do Departamento de Patologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), pesquisador do Instituto Evandro Chagas, no Pará, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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