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	<title>#biovigilância | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Transplante de órgãos no Brasil: desafios</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/ensaios/transplante-de-orgaos-no-brasil-desafios/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2024 12:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com elevado custo social e financeiro, melhorias no processo doação-transplante é busca constante tanto para a ciência quanto para o sistema de saúde</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/transplante-de-orgaos-no-brasil-desafios/">Transplante de órgãos no Brasil: desafios</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos 40 anos, a história da doação e do transplante de órgãos no mundo e no Brasil tem sido marcada por avanços e desafios constantes. Muitos profissionais de saúde se dedicaram, ao longo dos anos, para definir e desenvolver processos assistenciais e gerenciais seguros e eficientes, com o objetivo de prolongar a vida e dar esperança àqueles que tinham como última alternativa de tratamento o transplante.</p>



<p>Mas só há transplante se houver um doador, e esse binômio indivisível constrói a relação denominada <em>processo doação-transplante</em>. &nbsp;</p>



<p>O marco para que essa terapêutica doação-transplante se transformasse em possibilidade foi realizado por um Comitê <em>ad hoc</em> da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, para examinar a definição de morte encefálica, no final dos anos 1960.</p>



<p>Além disso, com o avanço das tecnologias que possibilitaram o desenvolvimento das drogas imunossupressoras nos anos seguintes, bem como as descobertas relacionadas ao sistema imunológico, uma terapêutica ainda em desenvolvimento foi transformada em uma alternativa possível e aceita pela sociedade mundial.</p>



<p>Dessa forma, as pesquisas científicas resultaram em seis prêmios Nobel para 11 pesquisadores e consolidaram esse benefício social, representado pelo avanço moral em nossa sociedade, sobretudo ao aceitar a doação de órgãos em casos de morte encefálica, possibilitando a sobrevivência de muitas pessoas.</p>



<p>A evolução do processo doação-transplante ainda contemplou inúmeros desafios e várias fases, tais como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Individualização da terapia imunossupressora;</li>



<li>Avanços na avaliação clínica do doador e receptor;</li>



<li>Técnicas cirúrgicas menos invasivas, nos critérios de alocação, com impacto na sobrevivência dos pacientes;</li>



<li>Sistematização do processo de captação de órgãos, por meio de diferentes ferramentas na comunicação de más notícias e acolhimento das famílias dos doadores.&nbsp;</li>
</ul>



<p>Adicionalmente, pesquisadores ainda respondem a diferentes questões éticas. Estudam e aprofundam o entendimento sobre a segurança do paciente, validam instrumentos de qualidade, propõem ferramentas de gestão para melhorar resultados, analisam informações econômicas para demonstrar os custos diretos e indiretos deste processo e mensuram qualidade de vida e adesão às terapias propostas pela equipe multiprofissional.</p>



<p>Também alteram formatos de análise clínico laboratorial ou de imagem à medida que novas evidências direcionam novas condutas médicas, desenvolvem modelos matemáticos de predição de sobrevivência e, assim, promovem alocação dos órgãos baseados nos melhores resultados entre doador e receptor. Além disso, inovam com desenvolvimento de máquinas de perfusão de órgãos e caixas de transporte.</p>



<p>Porém, com o sucesso dos transplantes refletido em seus resultados, como diminuição da mortalidade e aumento da sobrevivência, houve aumento significativo de pessoas em listas de transplante, e outras ainda sem acesso a esta forma de tratamento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para garantir o acesso equitativo ao transplante, precisamos desenvolver estratégias capazes de identificar as barreiras que impossibilitam o acesso às listas de transplante, para diminuir ao máximo as iniquidades ainda existentes nessa área.</p></blockquote></figure>



<p>Este é um desafio sobre o qual a ciência se debruça a cada dia, pois o processo doação-transplante se insere na alta complexidade no sistema de saúde e, portanto, possui elevado custo social e financeiro. <strong></strong></p>



<p>Assim, para promover equidade, precisamos que todos os níveis de atenção e setores de saúde envolvidos encontrem caminhos para que o transplante possa ser uma alternativa sustentável para todos aqueles que necessitam dessa terapia.</p>



<p>Os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro nos possibilitam desenvolver estratégias aliadas com ferramentas como clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular, entre outras.</p>



<p>Ademais, temos clareza dos desafios que nos são impostos na atenção à saúde, sobretudo na atenção primária, como, por exemplo, a epidemia de diabetes, que consequentemente aumenta o número de pacientes com insuficiência renal, levando-os às listas de transplante.</p>



<p>A ciência, portanto, tem como dever <em>prima facie</em> oportunizar melhoria no processo doação-transplante, propondo constantemente ações efetivas para o aumento no número de doadores e acesso equitativo a transplantes de órgãos, tecidos e células.</p>



<p>Frente a esses desafios, pesquisadores exploram a possibilidade da produção artificial de órgãos, do xenotransplante (uso de órgãos de outras espécies) ou da produção por meio do desenvolvimento da medicina regenerativa.</p>



<p>A chamada medicina regenerativa pode ser uma alternativa para diminuir a desigualdade apresentada entre as taxas de transplantes de órgãos e tecidos e o aumento das listas de pessoas que aguardam essa terapêutica. Mas isso ainda representa um caminho em desenvolvimento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Enquanto alguns pesquisadores correm contra o tempo em busca de alternativas para encontrar possibilidades de aumentar a oferta de órgãos, tecidos e células, outros buscam melhorias no que já está consolidado, construindo processos assistenciais mais eficientes e eficazes.</p></blockquote></figure>



<p>Entre esses processos está o desenvolvimento de sistemas de qualidade e segurança, com indicadores capazes de mostrar caminhos de melhoria, fórmulas matemáticas de alocação de órgãos ou de avaliação de necessidades e oportunidades, com o objetivo de oferecer mecanismos sustentáveis a essa forma de tratamento às autoridades competentes.</p>



<p>Nesse contexto pela busca de melhorias, na 63ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada em 2010 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), foi aprovada a Resolução WHA63.22, com o tema “Biovigilância e seus princípios”, que conta com o seguinte pressuposto:</p>



<p><em>“&#8230;informações apropriadas sobre doação, processamento e transplante de células, tecidos e órgãos humanos, incluindo dados de eventos adversos graves e reações, devem ser comunicados e, posteriormente, analisados pelas autoridades de saúde competentes&#8230;”</em></p>



<p>Dessa forma, precisamos de melhoria de gestão da informação nas atividades de monitoramento, vigilância, avaliação e gerenciamento de riscos em doação-transplante.</p>



<p>Além disso, precisamos construir grupos de indicadores que possibilitem analisar o quantitativo de países que contam com mecanismos de notiﬁcação, vigilância e gestão de eventos adversos (informados ao sistema de biovigilância implantado e coordenado pela autoridade competente de cada país). Esse é o compromisso assumido pelos países membros da OMS.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plano de ação regional</strong></h2>



<p>Outra iniciativa nos últimos anos ocorreu em 2017, na 161ª Sessão do Comitê Executivo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), quando foram estabelecidas estratégias e formulado um plano de ação regional, ao nível das Américas, para o tema da doação e transplante de órgãos, tecidos e células, intitulado “Estratégia e Plano de Ação sobre doação e acesso equitativo a transplante de órgãos, tecidos e células 2019-2030”.</p>



<p>O Brasil é o primeiro país da América Latina e Caribe a implantar seu sistema nacional de biovigilância e contribuir com os organismos internacionais ao iniciar, de forma transparente, o controle das ações em biovigilância, coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, dessa forma, responder a uma das linhas estratégicas.</p>



<p>Por fim, profissionais de saúde, gestores e autoridades de diferentes setores da sociedade devem assumir ativamente o compromisso de combater a comercialização de órgãos no mundo, como demonstrado na última versão da Declaração de Istambul, em 2018.</p>



<p>Adicionalmente a isso, devem considerar a promoção da doação de órgãos, tecidos e células de forma ética, segura e responsável, para garantir o aumento do acesso equitativo e justo, com doação voluntária e gratuita, como preconizado pela OMS. Tal prática asseguraria tratamento adequado a todos aqueles que precisam de um transplante, devolvendo à sociedade o alto investimento público ancorado no SUS, uma política de Estado de sucesso.</p>



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<p><strong>Bartira de Aguiar Roza</strong><em> <em>é professora associada da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), líder do grupo de estudos em Doação e Transplante de Órgãos, Tecidos e Células (GEDOTT/CNPq) e professora-colaboradora do Departamento de Inovação, Acesso a Medicamentos e Tecnologia da OPAS/OMS.</em></em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong></p>
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