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	<title>Conteúdos sobre #ciência de implementação | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>Conteúdos sobre #ciência de implementação | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>Einstein relojoeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2024 11:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#ciência de implementação]]></category>
		<category><![CDATA[#ética]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa orientada à missão]]></category>
		<category><![CDATA[#razão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Refletir sobre as consequências de nossos trabalhos acadêmicos pode evitar práticas antiéticas, embora não garanta que descobertas não resultem em “bombas atômicas”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Baruch Spinoza (1632-1677), um filósofo europeu emblemático da modernidade, vinculava a ética à busca racional pela compreensão da natureza das coisas, incluindo a humana. Assim, a ciência, como investigação metódica dos fenômenos para produzir conhecimento (com toda licença poética necessária) sugere que a razão é essencial para a pesquisa ética.</p>



<p>Vou nessa direção para adicionar valor a um campo já tão explorado pelo viés regulatório – como nos Conselhos de Ética em Pesquisa (CEPs) e na <a href="https://conselho.saude.gov.br/comissoes-cns/conep" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP)</a> –, e amplo no sentido das relações humanas (moral, empatia, responsabilidade, justiça, respeito). A razão permite que cheguemos a conclusões baseadas em evidências e princípios lógicos.</p>



<p>Proponho que, ao entendermos profundamente do que estamos tratando, aonde queremos chegar e quais as consequências dessa produção, teremos uma boa pista para nos relacionarmos melhor com os conceitos éticos e/ou morais na pesquisa de aplicação.</p>



<p>Vale voltar a Spinoza e complementar que, segundo ele, “toda a ética se apresenta como uma teoria da potência, em oposição à moral que se apresenta como uma teoria dos deveres”.</p>



<p>Enfatizo aqui a legitimidade da pesquisa curiosa, que deve ser neutra e isenta de julgamento, demandando validação (ética) somente quanto à sua condução, mas me interessa trazer a reflexão sobre sua implementação. Tive um aluno de doutorado excepcional, Marlon Ribeiro da Silva, historiador preocupado com a ética (social) nos desenvolvimentos tecnológicos. </p>



<p>Em sua tese, ele utilizou a leitura crítica e a reflexão sobre obras clássicas, como <em>Frankenstein</em>, da autora britânica Mary Shelley (1797-1851), para orientar conjuntamente estudantes de tecnologia no desenvolvimento de seus produtos e processos.</p>



<p>O título de sua tese, “<a href="https://repositorio.unifesp.br/server/api/core/bitstreams/4ff239c5-6ae3-4b1f-bdb7-8c2b6bd56f2f/content" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Arte, ciência e tecnologia: um coração partido e a literatura como remédio</a>”, é provocativo e recomendável. </p>



<p>O objetivo de refletir previamente sobre a motivação e as consequências de nossos trabalhos acadêmicos é uma forma de evitar práticas antiéticas, embora não existam garantias de que descobertas significativas, como a fissão nuclear, não resultem em bombas atômicas; e é claro que observar a história pelo retrovisor é sempre mais simples.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Diz-se que o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), um ano antes de morrer, lamentou: “Se soubesse que iam fazer isso, teria me tornado um relojoeiro”.</p></blockquote></figure>



<p>Estou envolvido com pesquisa há décadas, e vejo que a curiosidade do saber científico impede a crença sem explicação – e por isso chamam a ciência de “igreja da razão”.</p>



<p>Quando avançamos para a motivação e o resultado do uso de nossos achados, acoplamos a palavra <em>inovação</em>à pesquisa. Nesse contexto, temos algumas ferramentas que podem auxiliar nosso entendimento e ações mais éticas, como o <em>design</em> médico, a pesquisa orientada por missão, e a pesquisa de implementação.</p>



<p>O <em>design</em> médico envolve o planejamento participativo na definição de problemas, estratégias e autocrítica durante o processo produtivo. Energia com baixo desperdício, luz focada e direcionada. Comparo essa função à de um arquiteto, que estuda o comportamento dos futuros moradores de uma residência antes de propor um projeto adequado.</p>



<p>Aqui, fazemos uso intensivo da razão, conhecendo e analisando cenários previamente, mapeando pontos fortes e fracos, usando as ferramentas de forma isenta e testando as hipóteses rigorosamente, sempre com o usuário envolvido no processo.&nbsp;</p>



<p>A pesquisa orientada por missão, exemplificada pela missão lunar ordenada por John F. Kennedy (1917-1963) em 1961, “Pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra antes do fim desta década”, ao custo de US$ 257 bilhões (valores atualizados), deixou como herança artefatos úteis, como os computadores portáteis, fibras de carbono, educação ambiental, astronáutica e a própria valorização da ciência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Trata-se de, conscientemente, apontar uma direção, criar condições e investir intensivamente em áreas estratégicas para o bem-estar planetário.</p></blockquote></figure>



<p>A ciência da implementação envolve o uso efetivo, por muitas pessoas, de soluções já testadas e aprovadas – baseadas em evidência.&nbsp; As barreiras conhecidas, como as estruturais (falta de acesso e recursos como tempo, fomento e equipamentos), culturais e sociais (resistência à mudança e adoção de novas práticas ou tecnologias), de conhecimento e habilidades (falta de treinamento adequado ou entendimento), legislativas e regulatórias (leis e regulamentos desatualizados ou restritivos) e as relacionadas à comunicação (transmissão ineficaz sobre os benefícios e procedimentos, pós-verdade) devem ser estudadas e consideradas no desenho e condução de nossa pesquisa para aumentar sua chance de adoção. </p>



<p>Esta visão mais holística da ética, que usa a racionalidade para basear suas decisões, deve estar alinhada aos conceitos de moral, responsabilidade, justiça e respeito, não somente para não fazermos o mal para a sociedade, mas para fazermos o bem, para fazermos bem melhor o bem.</p>



<p><strong>Paulo Schor</strong> <em>é médico oftalmologista, foi diretor de inovação tecnológica e social da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde é professor associado livre docente da Escola Paulista de Medicina, e gestor de pesquisa para inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong></p>



<p></p>
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		<title>A caixa preta da ciência de implementação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 17:44:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#ciência de implementação]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#práticas baseadas em evidências]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É preciso lançar luz sobre métodos que ajudem a disseminar práticas baseadas em evidências</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Especialmente a partir do movimento da Prática Baseada em Evidências, iniciado na década de 1990, temos testemunhado a multiplicação de estudos que sistematizam o conhecimento sobre intervenções que são úteis para solucionar problemas e agravos em saúde. Contudo, se, por um lado, temos cada vez mais estudos apontando para novas formas de cuidado (mais benéficas e custo-efetivas), por outro, na prática, ainda vemos frequentemente os usuários recebendo as mesmas ofertas de décadas atrás.</p>



<p>Dessa forma, parece pertinente perguntar o que acontece no meio do processo de tradução da pesquisa para a prática, e porque ele nos prende nesse lugar. É exatamente essa questão que a ciência de implementação busca responder.</p>



<p>A ciência de implementação é definida como o estudo científico de métodos pelos quais é possível promover absorção sistemática de descobertas de pesquisas e outras Práticas Baseadas em Evidências na rotina assistencial – e, portanto, melhorar a qualidade e a eficácia dos serviços de saúde (Eccles; Mittman, 2006).</p>



<p>Embora as bases que serviram para a articulação desse campo datem dos anos 1960, como a Teoria de Difusão da Inovação, de Rogers (1962), é a partir das limitações vivenciadas no escopo da Prática Baseada em Evidências que a ciência da implementação ganha espaço. Foi um período muito singular, em que pesquisadores do mundo todo perceberam que, apesar da comunicação sistemática de seus achados e de reiteradas sínteses de evidências, a inserção prática dos resultados de pesquisa ainda era incipiente.</p>



<p>Embora frente ao persistente distanciamento da academia e da prática clínica seja pertinente antecipar o fracasso de uma “tradução osmótica” das evidências, mesmo em cenários que essas evidências tiveram força para orientar políticas e programas de saúde, vemos que a boa vontade dos tomadores de decisões não é autossuficiente em influenciar o trabalho desenvolvido na ponta dos serviços.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>Quem nunca se deparou com a máxima “no papel o SUS [Sistema Único de Saúde] é lindo”?</em></p></blockquote></figure>



<p>Especialmente a partir do insucesso de políticas públicas em produzir mudanças significativas nos indicadores de saúde, questiona-se como uma intervenção (ou programa), que teve sua efetividade comprovada foi assumida como diretriz para a prática de serviços e teve orçamento empenhado para sua viabilização, pode não estar gerando resultados.</p>



<p>A ciência de implementação insere nessa equação a perspectiva de que uma intervenção só pode produzir os resultados esperados se for efetivamente implementada. Ou seja, para além do conceito de efetividade da intervenção ou do programa, a ciência de implementação cunha o conceito de efetividade da implementação, tomando esse último como seu objeto de interesse, embora reconheça a interdependência de ambos para o alcance dos resultados.</p>



<p>Dessa forma, particularmente no contexto brasileiro, onde a proeminente produção acadêmica dos anos 1980 e 1990 acerca do planejamento em saúde tenha sido radicalmente substituída pela lógica da avaliação nos anos 2000, a ciência de implementação busca “abrir a caixa preta” que se tornou o processo de implementação de políticas públicas na saúde.</p>



<p>Isso significa lançar luz sobre os fatores que afetam a implementação, identificando e comunicando-os de forma sistematizada, não apenas para fins descritivos, mas para de fato trabalhar com eles, modulando o contexto em que as intervenções ocorrem, a fim de que possam ser implementadas.</p>



<p>Reconhecendo que a implementação de intervenções em saúde pode ser afetada por aspectos de diferentes ordens – como as características da própria intervenção, do contexto em que se busca inserir, das pessoas envolvidas em sua execução e do processo em si –, a ciência de implementação procura instrumentalizar pesquisadores e implementadores de políticas para identificar barreiras e facilitadores que se relacionam com cada uma dessas dimensões.</p>



<p>Essa instrumentalização se dá a partir de mais de 60 teorias, estruturas e modelos de implementação já registrados na literatura, que permitem a caracterização das barreiras e de facilitadores sob uma linguagem comum, favorecendo a sistematização desse conhecimento e o acúmulo teórico sobre as formas de lidar com eles.</p>



<p>A partir dessa perspectiva, podemos sintetizar dois dos componentes centrais desse tipo de estudo:</p>



<p><strong>(1)</strong> A identificação das barreiras e dos facilitadores para incorporação da intervenção, política ou programa de saúde em diversos níveis;</p>



<p><strong>(2)</strong> A identificação e o desenvolvimento de estratégias que superem as barreiras e potencializem facilitadores para incorporação da intervenção, política ou programa de saúde.</p>



<p>A premissa fundamental da ciência de implementação é que só a partir da identificação e do trabalho com as barreiras e os facilitadores podemos alcançar os primeiros desfechos de interesse no processo de tradução do planejamento em resultados de saúde: os desfechos de implementação.</p>



<p>Embora possua definições próprias, em uma aproximação prática podemos pensar os desfechos de implementação como os elementos que precisam ser assegurados a fim de garantir a efetividade da implementação, sendo alguns deles, segundo Proctor et al. (2011), a aceitabilidade, a adequação, a viabilidade e a fidelidade.</p>



<p>Grosso modo, pode parecer que para além da preocupação com os desfechos de implementação, isso é o que sempre fizemos – e de certa forma é. Em um contexto marcado muitas vezes pela escassez de recursos, utilizamos dos mais diversos artifícios para “colocar nossas intervenções na rua”.</p>



<p>No entanto, é preciso reconhecer que, frequentemente, esses artifícios ficam à sombra em nossos relatos de intervenção. Geralmente, o artigo científico publicado traz a preocupação em descrever aquilo que implementamos e o resultado obtido. Nos melhores casos, quando damos notícias sobre as estratégias que empregamos no processo de implementação, como a oferta de uma capacitação, por exemplo, as informações não são suficientes para garantir a sua replicação. </p>



<p>A oferta de capacitação pode ser entendida como uma das estratégias de implementação mais empregadas de forma deliberada e planejada nas intervenções em saúde. Talvez compartilhando da mesma ingenuidade do movimento de Prática Baseada em Evidências, nós nos apegamos à crença de que, a partir do momento que as pessoas tiverem conhecimento sobre o que precisa ser feito, como em um passe de mágica elas mudarão toda uma prática que por vezes está cristalizada há anos em um serviço ou instituição.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>Porém, precisamos lembrar que processos multifatoriais precisam de soluções multifatoriais</em></p></blockquote></figure>



<p>Dentro do escopo da ciência de implementação são documentadas mais de 70 estratégias de implementação alocadas em nove categorias distintas: uso de estratégias avaliativas e iterativas; oferta de assistência interativa; adaptação e ajuste para o contexto; desenvolvimento de relações entre as partes interessadas; treinamento e capacitação das partes interessadas; apoio aos profissionais de saúde; engajamento de usuários; uso de estratégias financeiras; e mudança de infraestrutura.</p>



<p>Nesse sentido, além de nos instrumentalizar, a ciência de implementação também oferece um leque diverso de estratégias de implementação organizadas a partir de uma taxonomia comum e uma mesma forma de reportá-las em nossos estudos e comunicações.</p>



<p>Podemos sintetizar que uma das principais ofertas da ciência de implementação é o estabelecimento de uma linguagem comum que possa nos guiar na Torre de Babel que atravessa a implementação de intervenções, políticas e programas de saúde. </p>



<p>Essa oferta que, quando posta assim, parece simples, pode ser a chave para que além de decodificar as necessidades de modulação de nossos contextos, possamos comunicar mais efetivamente os elementos que levam nossas iniciativas ao sucesso ou à falha. A possibilidade que se abre a partir disso, é a de substituição da “caixa preta” da implementação por um acúmulo teórico-prático capaz de orientar iniciativas que encurtem a distância entre a pesquisa e a prática.</p>



<p><a href="http://lattes.cnpq.br/9160518123384012"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Carlos Alberto dos Santos Treichel</mark></strong></a><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color"> </mark><em>é enfermeiro e doutor em Saúde Coletiva na área de Política, Planejamento e Gestão pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atua como professor do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).</em></p>



<p><strong>Saiba mais:</strong></p>



<p>Eccles, M.P.; Mittman, B.S. Welcome to Implementation Science . Implementation Sci 1, 1 (2006). https://doi.org/10.1186/1748-5908-1-1</p>



<p>Proctor, E., Silmere, H., Raghavan, R. et al. Outcomes for Implementation Research: Conceptual Distinctions, Measurement Challenges, and Research Agenda. Adm Policy Ment Health 38, 65–76 (2011). https://doi.org/10.1007/s10488-010-0319-7</p>



<p>Rogers EM. Diffusion of Innovations (1ª ed.), Free Press, NYC. 1962.</p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein</strong>.</p>
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