<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>#consenso científico | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
	<atom:link href="https://www.sciencearena.org/tag/consenso-cientifico/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link></link>
	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Jun 2025 05:26:37 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.1</generator>

<image>
	<url>https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/06/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>#consenso científico | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
	<link></link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Verdade científica: a jornada em busca de consensos </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 16:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#consenso científico]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#filosofia da ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4789</guid>

					<description><![CDATA[<p>Explicar que fatos científicos não “caem do céu”, mas que são fruto de uma complexa construção do conhecimento, precisa ser parte do combate ao negacionismo, avaliam pesquisadores</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/">Verdade científica: a jornada em busca de consensos </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na Grécia Antiga, o oráculo de Delfos jamais respondia duas vezes à mesma pergunta. Logo, nunca precisou mudar de ideia. Cientistas, por sua vez, questionam-se — e são questionados — quase todos os dias. E suas explicações sobre a natureza tendem a mudar à medida que coletam e analisam novos dados e incorporam novas observações e evidências às suas pesquisas. A <strong>verdade científica</strong> <strong>não é absoluta</strong>, mas temporária e incompleta. Mais como o rio fluindo de Heráclito do que as formas eternas de Platão.</p>



<p>Esse e outros princípios básicos do <strong>fazer científico</strong> pareciam bem acomodados. Nos últimos anos, porém, foram sequestrados por grupos organizados e indivíduos com crenças ou interesses políticos ou econômicos contrariados, ou simplesmente baixo letramento, para disseminar <strong>informações falsas</strong> — ou intencionalmente distorcidas — e teorias da conspiração.</p>



<p>O objetivo? Atacar e <strong>desqualificar a ciência</strong>, e espalhar desconfiança e desprezo pelo pensamento científico, opondo-se a evidências e consensos em tópicos como <strong>mudanças climáticas</strong> e <strong>teoria da evolução</strong>.</p>



<p>Esse fenômeno ganhou força na <strong>pandemia</strong>, com o avanço de <strong>movimentos antivacina</strong> nas plataformas digitais e a institucionalização de <strong>governos negacionistas em vários países</strong>, entre eles o Brasil. Para alguns estudiosos, esses movimentos tendem a ganhar força em <strong>sociedades polarizadas</strong> e que desconhecem o que é a ciência e como ela funciona.</p>



<p>&#8220;É importante deixar claro que a ciência não é uma prateleira de resultados prontos e produtos mágicos&#8221;, comenta Alexandre Meyer Luz, professor de Teoria do Conhecimento do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).</p>



<p>Ele explica que <strong>a ciência é um processo lento e complexo</strong>, e o que está bem estabelecido em uma época pode se revelar provisório em outra, podendo ser derrubado ou reformulado à luz de novas observações.</p>



<p>A ciência moderna pode ser compreendida como um conjunto de métodos que nos permite identificar padrões por trás de fenômenos naturais, sociais e comportamentais, e descrevê-los por meio de leis gerais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O interesse humano em descrever, explicar, prever e intervir no mundo é tão antigo quanto a própria humanidade.</p></blockquote></figure>



<p>Há muito buscamos entender a natureza e usar esse conhecimento para promover nossos interesses: navegar pelos mares, domesticar e modificar plantas para a agricultura, combater doenças etc.</p>



<p>A <a href="https://www.britannica.com/science/Scientific-Revolution" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>revolução científica</strong></a> nos séculos XVI e XVII levou à criação de novos métodos de estudo da natureza. Cada vez mais os cientistas passaram a se apoiar na observação, na <strong>experimentação sistemática</strong> e no <strong>raciocínio indutivo</strong> para questionar seus resultados e os de outrem — uma mudança e tanto em relação à ênfase aristotélica, baseada no raciocínio dedutivo a partir de fatos supostamente conhecidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Ciência segue princípios comuns</mark></strong></h2>



<p>Independentemente da área, ainda hoje os cientistas seguem princípios comuns para desenvolver suas pesquisas: partem de novas ideias ou evidências do passado, coletam e analisam dados, e <strong>desenvolvem hipóteses</strong> sobre possíveis conexões ou padrões na natureza.</p>



<p>“Sempre que um novo problema de natureza científica se apresenta, eles se voltam para o que foi produzido no passado para orientar suas investigações, não raro replicando experimentos anteriores para estabelecer as bases de novas hipóteses&#8221;, explica o filósofo da ciência Ivan Ferreira da Cunha, do Departamento de Filosofia da UFSC.</p>



<p>Embora esses princípios sejam comuns a todos os campos do conhecimento, diferentes disciplinas utilizam ferramentas e abordagens específicas para estudar fenômenos e sistemas próprios de cada área.</p>



<p>No entanto, para que um resultado de pesquisa se transforme em uma <strong>verdade científica</strong>, ele precisa antes passar pelo <strong>crivo de outros pesquisadores</strong> da mesma área e ser publicado em uma revista especializada sob a forma de artigo científico.</p>



<p>Nesse processo, conhecido como <strong>revisão por pares</strong>, dois ou três especialistas designados pela revista avaliam a validade daquilo que está sendo descrito pelos autores no manuscrito.</p>



<p>Eles analisam:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Se a metodologia do trabalho faz sentido;</li>



<li>Se os experimentos necessários foram feitos de forma satisfatória;</li>



<li>Se os resultados obtidos dão suporte às conclusões apresentadas.</li>
</ul>



<p>Os revisores também podem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Requisitar dados adicionais aos autores;</li>



<li>Sugerir novos experimentos;</li>



<li>Solicitar esclarecimentos, sempre se pautando nas evidências, testando as hipóteses e procurando falseabilidades nas ideias alheias — um princípio proposto em 1934 pelo filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994) em <em>A lógica da pesquisa científica</em>.</li>
</ul>



<p>Se os revisores se convencem da validade do trabalho, recomendam ao editor da revista que aceite o artigo para publicação. Isso ajuda a garantir que os artigos publicados sejam baseados em pesquisas bem elaboradas, com metodologia robusta e dados sólidos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="956" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1200x956.jpg" alt="" class="wp-image-4790" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1200x956.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-800x637.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-400x319.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-768x612.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1536x1224.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-2048x1632.jpg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-150x119.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">A verdade científica não é absoluta, mas temporária e incompleta; a imagem é a pintura do artista francês Eugene Delacroix (1798-1863) retratando o Oráculo de Delfos | Imagem: Wikimedia Commons</figcaption></figure>



<p>Muitas vezes achados <a href="https://storage.knaw.nl/2022-08/20180115-replication-studies-web.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aparentemente promissores não se confirmam quando outros cientistas tentam reproduzi-los em seus laboratórios</a>. Isso pode acontecer por motivos diversos, como <strong>erros</strong>, <strong>fraudes</strong> e <strong>falta de transparência</strong> sobre os dados primários e métodos adotados na pesquisa original. Nesses casos, as explicações ou ideias apresentadas no artigo original passam a ser questionadas ou até rejeitadas. Alguns propõem novas hipóteses ou explicações alternativas. O autor original pode testá-las ou fornecer evidências adicionais para sustentar suas alegações.</p>



<p>&#8220;Trata-se de um mecanismo de <strong>autocorreção da ciência</strong>&#8220;, diz Cunha, da UFSC. &#8220;O objetivo final não é discordar ou descredibilizar os colegas, mas revisar seus resultados e métodos para que a comunidade científica possa <strong>chegar a um consenso</strong> sobre a validade de determinada descoberta e explicação.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Passaram-se meses desde o primeiro caso de zika no Brasil até que a comunidade científica chegasse a um consenso de que o vírus estava por trás de parte dos casos de microcefalia identificados no país.</p></blockquote></figure>



<p>Primeiro se verificou que o patógeno conseguia atravessar a placenta humana – o órgão que mantém o feto conectado ao corpo materno durante a gestação. Depois o vírus foi isolado do cérebro de bebês com microcefalia. Experimentos em laboratório feitos por grupos do Brasil e no exterior verificaram então que o vírus podia infectar células humanas precursoras do sistema nervoso central e matá-las.</p>



<p>Em maio de 2016, pesquisadores brasileiros publicaram um <a href="https://www.nature.com/articles/nature18296" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> demonstrando que a variedade do vírus em circulação no Brasil (ZIKV<sup>BR</sup>) era mais agressiva do que a africana.</p>



<p>Essa variedade conseguia atravessar a placenta de fêmeas de camundongo com o sistema imunológico debilitado e prejudicar o desenvolvimento dos filhotes, que nasceram miúdos e com menos da metade do peso normal, além de apresentarem o cérebro menor do que o de filhotes saudáveis.</p>



<p>Da mesma forma, foram necessários muitos anos de observação e análise — e mais de 90 mil artigos científicos publicados — até que os cientistas chegassem a um <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ac2966" target="_blank" rel="noreferrer noopener">consenso</a> de que as atividades humanas estão alterando o clima da Terra.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Campanhas de descrédito</mark></strong></h2>



<p>Durante a <strong>pandemia de covid-19</strong>, pesquisadores do mundo todo tiveram de correr para tentar desenvolver uma estratégia segura e eficaz contra o novo coronavírus. Vários trabalhos foram feitos às pressas e sem o mesmo rigor científico habitual.</p>



<p><a href="https://www.nytimes.com/2020/05/12/magazine/didier-raoult-hydroxychloroquine.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alguns</a> reverberaram com força nas redes sociais, embasando <strong>afirmações sem fundamento</strong> sobre supostos tratamentos contra a doença&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;e estratégias discursivas — como a de autoridade científica — para tentar legitimar a disseminação de informações falsas ou contrapor os cientistas com <strong>argumentos pseudocientíficos</strong>, quase sempre alegando uma outra interpretação.</p>



<p>&#8220;Muitas vezes, a dinâmica de produção de conhecimento científico é usada para reforçar a ideia de que a verdade científica, por ser temporária e incompleta, pode estar errada; logo, minha opinião pode estar correta&#8221;, diz Meyer Luz. &#8220;Trata-se de pura e simples má formação, científica e filosófica.&#8221;</p>



<p>Diversas iniciativas de <strong>divulgação científica</strong> foram criadas para combater o problema, muitas delas baseadas na ideia de explicar à sociedade conceitos científicos básicos e como a ciência funciona.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O problema, diz a bióloga e divulgadora da ciência Ana de Medeiros Arnt, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é que muitas manifestações “anticiência” não são questionamentos científicos propriamente ditos.</p></blockquote></figure>



<p>Tais manifestações acabam sendo investidas no sentido de desconstruir discursivamente a <strong>credibilidade científica</strong> com o objetivo de defender ou reafirmar posições econômicas, políticas e religiosas. &#8220;Nesses casos, qualquer tentativa de trazer ao debate o método científico é inócua”, afirma Arnt.</p>



<p>Na avaliação do sociólogo Rafael Evangelista, do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp, essas iniciativas são válidas, mas insuficientes, pois partem do pressuposto de que as pessoas são sempre racionais e de que há um <strong>déficit de informação científica</strong> na sociedade. O problema, segundo ele, vai além.</p>



<p>Esbarra no <strong>modelo de negócio das plataformas digitais</strong>, essencialmente baseado na promoção de atrito entre grupos com posições opostas para gerar mais engajamento.</p>



<p>&#8220;Conteúdos de procedência duvidosa, divisivo e de ódio tendem a gerar mais comentários e compartilhamentos&#8221;, explica Evangelista. &#8220;O Facebook percebeu isso há algum tempo e ajustou seu algoritmo para oferecer esse tipo de conteúdo a cada vez mais pessoas.&#8221;</p>



<p>O pesquisador explica que as plataformas conseguem captar mais dados dos usuários por meio de <strong>conteúdos viralizantes</strong>, fazendo também com que eles permaneçam mais tempo nas redes sociais produzindo mais conteúdo.</p>



<p>&#8220;É preciso investir em iniciativas de divulgação científica e educação midiática que <strong>expliquem o que é a ciência</strong> e <strong>como se dá a construção do saber científico</strong>”, sugere Evangelista.</p>



<p>“No entanto, isso precisa vir acompanhado de uma <strong>regulamentação das plataformas digitais</strong>. Do contrário, continuaremos enxugando gelo.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/">Verdade científica: a jornada em busca de consensos </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
