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	<title>#credibilidade | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Existe mesmo uma crise de confiança na ciência?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 21:36:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em editorial, The Lancet sugere que confiança pública na ciência é relativamente alta, mas divulgação científica ainda é ponto crítico </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/">Existe mesmo uma crise de confiança na ciência?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)02371-2/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">editorial publicado no dia 29 de novembro</a> na revista <em>The Lancet</em>, <strong>Richard Horton</strong>, editor-chefe do periódico, lançou uma <strong>pergunta provocativa</strong> — e a utilizou para virar de ponta-cabeça uma narrativa que se consolidou no debate público: <strong>a ideia de que vivemos uma erosão crescente da confiança na ciência</strong>.</p>



<p>Segundo ele, embora exemplos como movimentos antivacina, negacionismo climático e teorias conspiratórias sobre a pandemia de covid-19 pareçam confirmar esse diagnóstico, os dados mais recentes sugerem exatamente o contrário.</p>



<p>Horton destaca resultados de duas pesquisas amplas – conduzidas, respectivamente, nos Estados Unidos e em 68 países – que indicam <strong>níveis elevados e estáveis de confiança pública na ciência</strong> e nos cientistas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>O problema, enfatiza o editor, não é a <strong>credibilidade da ciência</strong> em si — mas a forma como os próprios cientistas estão comunicando seus <strong>processos</strong>, suas <strong>incertezas</strong> e suas <strong>limitações</strong>.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dados que desafiam o senso comum</strong></h2>



<p>A primeira evidência apresentada no editorial da <em>Lancet </em>é o <a href="https://www.pewresearch.org/science/2024/11/14/public-trust-in-scientists-and-views-on-their-role-in-policymaking/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento realizado em outubro de 2024 pelo Pew Research Center</a> com <strong>9.593 adultos dos EUA</strong>.</p>



<p>O resultado surpreende:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>76%</strong> dos entrevistados afirmaram ter “grande” ou “razoável” confiança de que os cientistas agem no melhor interesse do público.</li>



<li>O número representa um <strong>aumento de três pontos em relação a 2023</strong> e sinaliza uma recuperação após o desgaste observado durante a pandemia.</li>
</ul>



<p>Em 2020, auge da crise sanitária, a confiança havia atingido <strong>87%</strong>, caindo nos anos seguintes. No entanto, conforme Horton ressalta, o movimento agora é ascendente — e especialmente rápido entre republicanos – grupo que apresentou maior deterioração no período.</p>



<p>Os cientistas continuam também a superar outras categorias profissionais, como jornalistas, políticos, líderes empresariais e religiosos.</p>



<p>Em atributos individuais, pesquisadores são vistos como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Inteligentes (89%);</li>



<li>Honestos (65%);</li>



<li>Comprometidos com a solução de problemas reais (65%).</li>
</ul>



<p>O editorial reforça que <strong>esse fenômeno não é uma particularidade dos EUA</strong>. Horton cita outro estudo, coordenado por Victoria Cologna e colegas, <a href="https://www.nature.com/articles/s41562-024-02090-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado na <em>Nature Human Behaviour</em> em janeiro de 2025</a>, que investigou atitudes em <strong>68 países</strong> (dentre eles o Brasil), com mais de <strong>71 mil respondentes</strong>.</p>



<p>O resultado é categórico: a confiança global nos cientistas foi classificada como <strong>“moderadamente alta”</strong>, com média <strong>3,62</strong> em uma escala de 1 a 5. Nenhum país registrou nível “muito baixo” de confiança.</p>



<p>Além disso, <strong>75%</strong> dos participantes concordaram que o método científico é a melhor forma de verificar hipóteses — sinal claro de apoio às bases do pensamento científico.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Para Horton, essas evidências contrariam a ideia disseminada — inclusive dentro da comunidade acadêmica — de que o público se afastou da ciência.</p></blockquote></figure>



<p>Ao contrário, os dados mostram uma atitude predominantemente favorável, com nuances culturais, sociais e políticas que merecem atenção, mas não sustentam um diagnóstico de “crise”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O verdadeiro ponto fraco: divulgação científica</strong></h2>



<p>Se a confiança nos cientistas permanece alta, por que persiste a sensação de distanciamento entre ciência e sociedade? Horton identifica um ponto sensível revelado no estudo do Pew Research Center: <strong>apenas 45% dos americanos consideram os cientistas bons comunicadores</strong> — uma queda significativa em relação a 2019.</p>



<p>É neste ponto que o editorial assinado por Horton muda de tom e passa a discutir a <strong>urgência de repensar como a ciência se comunica</strong>. Inspirado pelo livro “<a href="https://www.penguin.co.uk/books/452042/in-a-flight-of-starlings-by-parisi-giorgio/9781802060881" target="_blank" rel="noreferrer noopener">In a Flight of Starlings</a>” (Penguin Press, 2023), escrito pelo físico italiano e Nobel <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2021/parisi/facts/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Giorgio Parisi</a>, Horton argumenta que <strong>comunicar resultados não é o suficiente</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Giorgio Parisi propõe algo mais ambicioso: <strong>mostrar o processo científico</strong>, com suas incertezas, impasses e surpresas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Principais aspectos sobre comunicação abordados no editorial da <em>Lancet</em></strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Transparência do processo científico:</strong> Parisi defende que cientistas não devem apenas divulgar conclusões, mas explicar como chegaram a elas — e Horton endossa essa visão.</li>



<li><strong>Valorização do inesperado:</strong> O livro de Parisi mostra que o avanço científico é frequentemente guiado por descobertas imprevistas; relatá-las aproxima o público da dinâmica real da ciência.</li>



<li><strong>Reconhecimento de limitações:</strong> Cientistas podem parecer arrogantes quando transmitem certezas absolutas; assumir incertezas fortalece a credibilidade.</li>



<li><strong>Ciência como cultura, não apenas técnica:</strong> Parisi insiste que a ciência deve ser defendida não só pelos benefícios práticos, mas por seu papel cultural, como forma de enxergar e interpretar o mundo.</li>



<li><strong>Risco da “ciência como magia”:</strong> Quando a ciência é apresentada como algo inacessível, o público tende a buscar explicações alternativas — muitas vezes irracionais.</li>



<li><strong>Exemplo pessoal como narrativa:</strong> Parisi usa episódios de sua própria trajetória para explicar conceitos complexos; Horton sugere que mais cientistas adotem estratégias semelhantes para reduzir a distância com o público.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1110" height="666" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg" alt="O físico Giorgio Parisi aparece na imagem usando um terno escuro, discursando atrás de um púlpito transparente decorado com rosas amarelas. Ao fundo, vê se um painel escuro e um arranjo de flores amarelas e azuis desfocado" class="wp-image-7429" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg 1110w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-800x480.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-400x240.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-768x461.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-150x90.jpg 150w" sizes="(max-width: 1110px) 100vw, 1110px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mencionado no editorial de Richard Horton na The Lancet, o físico italiano Giorgio Parisi – em seu livro “In a Flight of Starlings”, de 2023 – critica os cientistas por, às vezes, parecerem arrogantes e superiores ao não reconhecerem as limitações da ciência | Imagem: © Nobel Prize Outreach. Photo: Laura Sbarbori  </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que essa discussão importa?</strong></h2>



<p>O editorial de Horton é, ao mesmo tempo, uma crítica à narrativa de “crise de confiança” e um alerta para um problema real: a divulgação científica ao grande público continua insuficiente para acompanhar as expectativas e os modos de consumo de informação no século XXI.</p>



<p>Ao analisar pesquisas robustas e referências intelectuais contemporâneas, Horton mostra que a confiança existe — o que falta é <strong>aproximação</strong>, <strong>clareza</strong>, <strong>humildade epistemológica</strong> e capacidade de<strong> construir pontes entre ciência e sociedade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os estudos citados no editorial da <em>Lancet</em></strong>:</h2>



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                <h3>Pew Research Center (2024)</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Pesquisa com 9.593 adultos nos EUA. Conclusão: confiança pública em cientistas é alta e está em recuperação após a pandemia. Diferenças partidárias persistem, mas com tendência de recomposição. Atributos de inteligência, honestidade e orientação ao bem público são amplamente reconhecidos.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Cologna et al., Nature Human Behaviour (2025)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Estudo em 68 países com mais de 71 mil pessoas. Confiança global em cientistas foi “moderadamente alta”. Competência recebeu a nota mais elevada; abertura, a mais baixa, mas ainda positiva. A maioria considera o método científico a melhor forma de testar hipóteses.</p>
            </dd>
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                <h3>Giorgio Parisi, In a Flight of Starlings (2023)</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Livro que inspira a discussão final. Defende maior transparência metodológica e crítica ao tom de superioridade ocasional da comunicação científica. Posiciona a ciência como parte essencial da cultura, e não apenas como geradora de tecnologias úteis.</p>
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