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	<title>#crispr | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Terapias gênicas in vivo prometem corrigir mutações dentro do corpo</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/terapias-genicas-in-vivo-prometem-corrigir-mutacoes-dentro-do-corpo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 16:39:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#crispr]]></category>
		<category><![CDATA[#edição genética]]></category>
		<category><![CDATA[#terapia gênica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nova geração de tratamentos utiliza CRISPR, vetores virais e nanopartículas para modificar genes diretamente no organismo; Brasil amplia pesquisas na área</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/terapias-genicas-in-vivo-prometem-corrigir-mutacoes-dentro-do-corpo/">Terapias gênicas in vivo prometem corrigir mutações dentro do corpo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos prontuários do Children&#8217;s Hospital of Philadelphia (CHOP), nos Estados Unidos, ele era <strong>Patient Eta</strong>. A família ainda não havia autorizado a divulgação do nome, e o recém-nascido já acumulava amônia no sangue em níveis muito acima do normal.&nbsp;</p>



<p>O diagnóstico era <strong>deficiência de CPS1</strong>, uma mutação rara do ciclo da ureia. O tratamento disponível era o transplante de fígado, mas o procedimento só seria possível quando a criança tivesse idade e estabilidade clínica suficientes — e, mesmo bem-sucedido, não garantiria desenvolvimento neurológico normal.&nbsp;</p>



<p>Entre o diagnóstico e essa janela de tempo, havia um intervalo inteiro de risco.</p>



<p>A equipe do hospital desenvolveu uma <strong>terapia gênica in vivo</strong> criada especificamente para essa mutação: um editor de base entregue por nanopartículas lipídicas diretamente ao fígado. Do diagnóstico à primeira dose, o processo levou cerca de seis meses.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da fabricação individualizada à entrega direta no organismo</strong></h2>



<p>A <strong>abordagem in vivo </strong>surgiu como alternativa às terapias <strong>ex vivo</strong>, nas quais as células do paciente são retiradas, modificadas geneticamente em laboratório sob condições rigorosas de fabricação e devolvidas ao paciente; um processo personalizado, demorado e caro, sem economia de escala.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Cada paciente, um produto diferente&#8221;, resume Bryan Strauss, pesquisador do <a href="https://www.intergenbr.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Nacional de Terapia Gênica</a> (Intergen). </p>



<p>Já nas <strong>terapias in vivo</strong>, o componente terapêutico, um vetor viral ou uma nanopartícula lipídica, é <strong>entregue diretamente no organismo</strong>, e a <strong>modificação genética ocorre dentro do próprio paciente</strong>.</p>



<p>A entrega desse componente é o problema central dessas terapias. Os mais consolidados são os <strong>vírus adeno-associados</strong> (AAV), vírus modificados que carregam material genético até células específicas.&nbsp;</p>



<p>Mais recentemente, as nanopartículas lipídicas (LNP), as mesmas plataformas das vacinas de mRNA contra a Covid-19, ganharam espaço como alternativa sintética, por serem mais fáceis de fabricar e permitirem redosagem.&nbsp;</p>



<p>Ricardo Weinlich, pesquisador sênior do Einstein Hospital Israelita, aponta dois grandes desafios da terapia in vivo.</p>



<p>&#8220;O primeiro é a eficiência de você entregar na sua célula-alvo. O segundo é que você não atinja células que você não quer, o que chamamos de targeting&#8221;, explica Weinlich.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Edições em locais errados do genoma podem ter consequências imprevisíveis, e mapear esses efeitos off-target antes da aprovação regulatória é hoje uma das exigências centrais dos órgãos reguladores.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Adicionar genes e corrigir mutações</strong></h2>



<p>A abordagem in vivo não é nova. O <strong>Luxturna</strong> e o <strong>Zolgensma</strong>, primeiras terapias gênicas aprovadas no Brasil, já eram administrados diretamente no organismo, embora utilizassem adição gênica em vez de edição gênica.&nbsp;</p>



<p>O que mudou foi a <strong>tecnologia de modificação</strong>: a nova geração de terapias não apenas entrega um gene funcional, mas pode corrigir diretamente o erro genético que causa a doença.&nbsp;</p>



<p>Ferramentas como o <strong>CRISPR</strong> permitiram demonstrar que é possível <strong>editar genes dentro do corpo humano</strong> com níveis de precisão e segurança suficientes para iniciar aplicações clínicas.</p>



<p>&#8220;Com o CRISPR, não se está adicionando um gene&#8221;, resume Strauss. &#8220;Estamos literalmente corrigindo o defeito.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma equação econômica ainda desfavorável</strong></h2>



<p>A diferença entre in vivo e ex vivo também é econômica. Nas terapias ex vivo, cada ciclo exige <strong>infraestrutura de fabricação individualizada</strong>: salas limpas, equipe especializada e cadeia de frio para um produto feito sob encomenda.&nbsp;</p>



<p>Nas terapias in vivo, o mesmo lote pode servir a muitos pacientes, o que abre uma brecha para <strong>redução de custos</strong>, mas o preço ainda é proibitivo. Terapias baseadas em vetores virais chegam a custar entre US$ 1 milhão e US$ 4 milhões por dose.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Milena Soares, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, diz que manter as boas práticas é caro, principalmente pelo custo do pessoal, com treinamento e retenção de equipe, e dos insumos, muitos deles importados e taxados.</p></blockquote></figure>



<p>Para Weinlich, do Einstein, o custo é alto, mas a conta muda quando se compara a terapia gênica in vivo aos tratamentos já existentes.</p>



<p>&#8220;O que a gente deixa de fazer é calcular quanto custa esse paciente quando ele faz o tratamento normal. Você está curando esse paciente ou pelo menos mudando profundamente o curso da doença&#8221;, diz Weinlich.</p>



<p>Outro empecilho é a <strong>aprovação regulatória</strong>. Soares afirma que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enfrenta o desafio com poucos braços e ressalta que, por se tratar de conhecimento relativamente novo, é preciso capacitar o pessoal da agência.&nbsp;</p>



<p>Ainda assim, ela estima que a aprovação provisória de alguma terapia produzida no Brasil possa ocorrer em dois a três anos. &#8220;Não adianta você fazer um investimento e depois não ter continuidade&#8221;, alerta a pesquisadora da Fiocruz.&nbsp;</p>



<p>Para que isso se concretize, Soares defende que o setor privado brasileiro precisa entrar em campo. &#8220;Por mais que a gente na academia esteja envolvida, nós não somos fábrica. É importante pensar em empresas privadas brasileiras, e isso é fundamental para o desenvolvimento do complexo industrial da saúde.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Brasil na corrida das terapias gênicas</strong></h2>



<p>Em seu ritmo, o Brasil avança na área. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que o país é o 12º com mais estudos clínicos em terapia gênica no mundo e o primeiro entre os latino-americanos.&nbsp;</p>



<p>Na Fiocruz Bahia, Milena Soares e outros pesquisadores desenvolvem terapia gênica para a sequela cardíaca da <strong>doença de Chagas</strong>, condição que afeta milhões de brasileiros.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A gente não está tratando a infecção em si, mas a doença cardíaca causada pela infecção pelo <em>Trypanosoma cruzi</em>&#8220;, diz Soares.&nbsp;</p>



<p>Além do Chagas, o mesmo grupo pesquisa estratégias para eliminar reservatórios virais de HIV e do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV), duas condições sem cura cujo tratamento atual é de manutenção indefinida.</p>



<p>Em janeiro deste ano, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) realizou a primeira infusão do <strong>GB221</strong>, produto de terapia gênica para <strong>atrofia muscular espinhal</strong> (AME) tipo 1, no âmbito do primeiro ensaio clínico em humanos desse produto no mundo, conduzido pela Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, em parceria com a empresa norte-americana Gemma Biotherapeutics, detentora da tecnologia.</p>



<p>O avanço científico, no entanto, não resolve sozinho o problema do acesso. Há um obstáculo que vai além da regulação e da fabricação. Quando as vacinas de mRNA contra a Covid-19 foram lançadas, parte da população temia que o material genético alterasse o DNA humano (algo que não ocorre).&nbsp;</p>



<p>&#8220;As vacinas foram acusadas de fazer alterações genéticas, por exemplo&#8221;, lembra Weinlich.</p>



<p>As terapias gênicas fazem exatamente o que as vacinas foram acusadas de fazer e precisarão de uma sociedade preparada para isso.&nbsp;</p>



<p>O pesquisador do Einstein argumenta que é necessário ter a sociedade ao lado da ciência, de modo que ela compreenda os benefícios que as terapias gênicas in vivo de fato trarão à saúde da população. &#8220;Senão vai ser uma tecnologia morta&#8221;, afirma.&nbsp;</p>
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