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	<title>#cultura científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#cultura científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Equidade de gênero: quando a representatividade transforma trajetórias na ciência</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/ensaios/equidade-genero-representatividade-trajetorias-na-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 21:48:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira]]></category>
		<category><![CDATA[#compromisso social]]></category>
		<category><![CDATA[#cultura científica]]></category>
		<category><![CDATA[#transição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Protagonismo feminino na pesquisa pode ser impulsionado por iniciativas voltadas à inclusão, formação e sororidade envolvendo toda a sociedade</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/equidade-genero-representatividade-trajetorias-na-ciencia/">Equidade de gênero: quando a representatividade transforma trajetórias na ciência</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acredito que experiências específicas de uma área podem servir de parâmetro para profissionais de diferentes áreas. Por isso, penso que <strong>minhas experiências como pesquisadora</strong> podem funcionar como uma espécie de <strong>guia para outras profissionais</strong>.</p>



<p>Afinal, a <strong>representatividade</strong> <strong>feminina</strong> é essencial também na pesquisa, e precisamos de referências.</p>



<p>De modo geral, quando se pensa em um cientista, quase sempre as pessoas imaginam um homem branco de cabelos brancos, mas essa não é a verdadeira imagem de quem faz ciência.</p>



<p>Por isso, além das atividades científicas e tecnológicas, atuo fortemente em iniciativas voltadas à promoção da <strong>equidade de gênero</strong> na ciência e na tecnologia, áreas que considero essenciais para o avanço <strong>sustentável</strong> e <strong>inclusivo</strong> da pesquisa no país.</p>



<p>Sou graduada em Química, com mestrado e doutorado em Ciência dos Materiais. Atualmente, desenvolvo pesquisas na área de Nanotecnologia, com foco em quatro principais linhas de atuação: produção de hidrogênio verde, desenvolvimento de células solares (especialmente as baseadas em perovskitas, materiais de estrutura cristalina relativamente raros), tratamento de efluentes e biomateriais. &nbsp;</p>



<p>Apenas pelas características das áreas em que atuo as dificuldades já seriam muitas, mas o meu <strong>maior desafio</strong>, sem dúvida, é o de <strong>ser mulher</strong> em um <strong>meio científico</strong> no qual a <strong>presença masculina</strong> ainda é bastante <strong>predominante</strong>.</p>



<p>Justamente por isso, por enfrentar também barreiras inerentes à ciência, que em 2012 criei o programa <a href="https://www.futurascientistas.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Futuras Cientistas</a>.</p>



<p>Esse programa, que há três anos alcançou nível nacional, já está presente em todas as unidades federativas do Brasil, incluindo instituições de ciência e tecnologia e empresas.</p>



<p>O programa nasceu como uma forma de <strong>aproximar</strong> meninas e professoras de escolas públicas das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas como <strong>STEM</strong>, na sigla em inglês.</p>



<p>Nessas áreas, nosso maior desafio continua sendo a <strong>baixa representatividade</strong> feminina, mesmo que as mulheres já sejam <strong>maioria</strong> na <strong>pós-graduação</strong> no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>O Futuras Cientistas é, portanto, uma iniciativa para transformar essa realidade, inspirando, formando e criando oportunidades para que mais mulheres possam ocupar seus espaços na ciência e na inovação.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Diversidade na ciência</strong></h2>



<p>A <strong>ciência é diversa</strong>, plural, feita por homens e mulheres, pessoas brancas, pretas, de diferentes origens e trajetórias. E isso é o que a torna mais rica e <strong>transformadora</strong>. Também por isso é tão importante termos mulheres cientistas em posições de <strong>liderança</strong>.</p>



<p>Isso porque o <strong>empoderamento</strong> feminino na pesquisa científica, incluindo nas chamadas ciências duras, acontece quando outras mulheres as veem nesses lugares, atuando e <strong>liderando</strong> <strong>grupos de pesquisa</strong>, e percebem que também podem chegar lá.</p>



<p>A <strong>representatividade inspira</strong>, abre caminhos e <strong>transforma</strong> possibilidades em <strong>realidade</strong>.</p>



<p>E é nesse sentido que minha experiência representa também uma espécie de parâmetro e inspiração para meninas e mulheres que sonham em ser cientistas em um país que ainda valoriza pouco essa presença, seja em laboratórios, seja em empresas.</p>



<p>Sei que o caminho na ciência pode ser difícil, especialmente para nós, mulheres, mas minha mensagem para outras mulheres é que elas não desistam. Afinal, hoje não estamos mais sozinhas.</p>



<figure class="wp-block-image size-medium"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-800x533.jpg" alt="Mulher negra desenvolvendo pesquisa científica em um laboratório" class="wp-image-7472" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-1200x800.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-1536x1024.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-2048x1365.jpg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/diversidade-genero-ciencia-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">Equidade de gênero é uma conquista social indispensável também para o avanço da ciência e da tecnologia | Imagem: National Cancer Institute / Unsplash</figcaption></figure>



<p>Existe uma rede de apoio formada por grupos de mulheres cientistas em todo o país, mulheres que se ajudam, que se fortalecem e abrem caminhos umas para as outras.</p>



<p>A sororidade é necessária, e tem sido crescente também na ciência. A força dessa rede mostra que é possível resistir, persistir e conquistar espaços. &nbsp;</p>



<p>Então, se mesmo em um pequeno ensaio eu puder deixar uma reflexão e um conselho às mulheres, seria: persistam em seus objetivos, encarem as dificuldades e conquistem espaços, porque vale a pena.</p>



<p>Busquem apoio, acreditem no seu potencial e sigam em frente, porque o seu lugar também é na ciência, onde a trajetória de cada uma fortalece a jornada de todas. Nesse contexto, a sororidade é essencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Redes de apoio</strong></h2>



<p>Nenhuma mulher está sozinha nessa caminhada. Estamos aqui para nos <strong>apoiar mutuamente</strong>, porque o que buscamos, de fato, é a <strong>equidade de gênero</strong> na sociedade como um todo, e a ciência é parte desse todo.</p>



<p>Importante lembrar: a equidade de gênero não é uma causa apenas das mulheres, mas de toda a sociedade. Precisamos de homens e mulheres conscientes de que lugar de mulher é onde ela quiser estar, inclusive como líder na ciência e na tecnologia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>A ciência é construída pela diversidade, e é essa pluralidade de mulheres diversas, homens, pessoas de diferentes origens e visões que fortalece a construção de um país com ciência e tecnologia para todos.</p></blockquote></figure>



<p>Para isso, precisamos <strong>ampliar oportunidades</strong>, romper barreiras estruturais e valorizar o talento feminino em todas as etapas da pesquisa, da iniciação científica à liderança.</p>



<p>A equidade de gênero não é apenas um princípio ético: é uma condição indispensável para produzir conhecimento de qualidade, inovar e transformar realidades.</p>



<p>Por isso, mulheres e meninas que desejam trilhar o caminho científico devem saber que há espaço, há apoio e há uma rede empenhada em garantir que seus projetos floresçam. Que cada uma avance com coragem, porque sua presença não é só bem-vinda – é necessária.</p>



<p>Afinal, a ciência só alcança todo o seu potencial quando todos podem fazer parte dela. O futuro que buscamos será construído pela pluralidade, e ele começa com as escolhas que fazemos hoje.</p>



<p>_</p>



<p><strong>Giovanna Machado </strong><em>é química, com mestrado e doutorado em Ciência dos Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisadora titular do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), é integrante da Academia Pernambucana de Ciência e criadora do Programa Futuras Cientistas, vencedor do Prêmio LED – Luz na Educação, da Fundação Roberto Marinho. Também recebeu o Prêmio Women in Action, na categoria Inovação Social (2025), o Prêmio FACEPE/CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação na categoria Pesquisadora Inovadora – setor público (2025) e o Prêmio Mulher Evidência Nacional, em reconhecimento à sua contribuição para uma sociedade mais justa e igualitária (2024).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<title>Existe mesmo uma crise de confiança na ciência?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 21:36:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#credibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[#cultura científica]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em editorial, The Lancet sugere que confiança pública na ciência é relativamente alta, mas divulgação científica ainda é ponto crítico </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/comunicacao-e-crise-de-confianca-na-ciencia/">Existe mesmo uma crise de confiança na ciência?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)02371-2/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">editorial publicado no dia 29 de novembro</a> na revista <em>The Lancet</em>, <strong>Richard Horton</strong>, editor-chefe do periódico, lançou uma <strong>pergunta provocativa</strong> — e a utilizou para virar de ponta-cabeça uma narrativa que se consolidou no debate público: <strong>a ideia de que vivemos uma erosão crescente da confiança na ciência</strong>.</p>



<p>Segundo ele, embora exemplos como movimentos antivacina, negacionismo climático e teorias conspiratórias sobre a pandemia de covid-19 pareçam confirmar esse diagnóstico, os dados mais recentes sugerem exatamente o contrário.</p>



<p>Horton destaca resultados de duas pesquisas amplas – conduzidas, respectivamente, nos Estados Unidos e em 68 países – que indicam <strong>níveis elevados e estáveis de confiança pública na ciência</strong> e nos cientistas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>O problema, enfatiza o editor, não é a <strong>credibilidade da ciência</strong> em si — mas a forma como os próprios cientistas estão comunicando seus <strong>processos</strong>, suas <strong>incertezas</strong> e suas <strong>limitações</strong>.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dados que desafiam o senso comum</strong></h2>



<p>A primeira evidência apresentada no editorial da <em>Lancet </em>é o <a href="https://www.pewresearch.org/science/2024/11/14/public-trust-in-scientists-and-views-on-their-role-in-policymaking/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento realizado em outubro de 2024 pelo Pew Research Center</a> com <strong>9.593 adultos dos EUA</strong>.</p>



<p>O resultado surpreende:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>76%</strong> dos entrevistados afirmaram ter “grande” ou “razoável” confiança de que os cientistas agem no melhor interesse do público.</li>



<li>O número representa um <strong>aumento de três pontos em relação a 2023</strong> e sinaliza uma recuperação após o desgaste observado durante a pandemia.</li>
</ul>



<p>Em 2020, auge da crise sanitária, a confiança havia atingido <strong>87%</strong>, caindo nos anos seguintes. No entanto, conforme Horton ressalta, o movimento agora é ascendente — e especialmente rápido entre republicanos – grupo que apresentou maior deterioração no período.</p>



<p>Os cientistas continuam também a superar outras categorias profissionais, como jornalistas, políticos, líderes empresariais e religiosos.</p>



<p>Em atributos individuais, pesquisadores são vistos como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Inteligentes (89%);</li>



<li>Honestos (65%);</li>



<li>Comprometidos com a solução de problemas reais (65%).</li>
</ul>



<p>O editorial reforça que <strong>esse fenômeno não é uma particularidade dos EUA</strong>. Horton cita outro estudo, coordenado por Victoria Cologna e colegas, <a href="https://www.nature.com/articles/s41562-024-02090-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado na <em>Nature Human Behaviour</em> em janeiro de 2025</a>, que investigou atitudes em <strong>68 países</strong> (dentre eles o Brasil), com mais de <strong>71 mil respondentes</strong>.</p>



<p>O resultado é categórico: a confiança global nos cientistas foi classificada como <strong>“moderadamente alta”</strong>, com média <strong>3,62</strong> em uma escala de 1 a 5. Nenhum país registrou nível “muito baixo” de confiança.</p>



<p>Além disso, <strong>75%</strong> dos participantes concordaram que o método científico é a melhor forma de verificar hipóteses — sinal claro de apoio às bases do pensamento científico.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Para Horton, essas evidências contrariam a ideia disseminada — inclusive dentro da comunidade acadêmica — de que o público se afastou da ciência.</p></blockquote></figure>



<p>Ao contrário, os dados mostram uma atitude predominantemente favorável, com nuances culturais, sociais e políticas que merecem atenção, mas não sustentam um diagnóstico de “crise”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O verdadeiro ponto fraco: divulgação científica</strong></h2>



<p>Se a confiança nos cientistas permanece alta, por que persiste a sensação de distanciamento entre ciência e sociedade? Horton identifica um ponto sensível revelado no estudo do Pew Research Center: <strong>apenas 45% dos americanos consideram os cientistas bons comunicadores</strong> — uma queda significativa em relação a 2019.</p>



<p>É neste ponto que o editorial assinado por Horton muda de tom e passa a discutir a <strong>urgência de repensar como a ciência se comunica</strong>. Inspirado pelo livro “<a href="https://www.penguin.co.uk/books/452042/in-a-flight-of-starlings-by-parisi-giorgio/9781802060881" target="_blank" rel="noreferrer noopener">In a Flight of Starlings</a>” (Penguin Press, 2023), escrito pelo físico italiano e Nobel <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2021/parisi/facts/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Giorgio Parisi</a>, Horton argumenta que <strong>comunicar resultados não é o suficiente</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Giorgio Parisi propõe algo mais ambicioso: <strong>mostrar o processo científico</strong>, com suas incertezas, impasses e surpresas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Principais aspectos sobre comunicação abordados no editorial da <em>Lancet</em></strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Transparência do processo científico:</strong> Parisi defende que cientistas não devem apenas divulgar conclusões, mas explicar como chegaram a elas — e Horton endossa essa visão.</li>



<li><strong>Valorização do inesperado:</strong> O livro de Parisi mostra que o avanço científico é frequentemente guiado por descobertas imprevistas; relatá-las aproxima o público da dinâmica real da ciência.</li>



<li><strong>Reconhecimento de limitações:</strong> Cientistas podem parecer arrogantes quando transmitem certezas absolutas; assumir incertezas fortalece a credibilidade.</li>



<li><strong>Ciência como cultura, não apenas técnica:</strong> Parisi insiste que a ciência deve ser defendida não só pelos benefícios práticos, mas por seu papel cultural, como forma de enxergar e interpretar o mundo.</li>



<li><strong>Risco da “ciência como magia”:</strong> Quando a ciência é apresentada como algo inacessível, o público tende a buscar explicações alternativas — muitas vezes irracionais.</li>



<li><strong>Exemplo pessoal como narrativa:</strong> Parisi usa episódios de sua própria trajetória para explicar conceitos complexos; Horton sugere que mais cientistas adotem estratégias semelhantes para reduzir a distância com o público.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img decoding="async" width="1110" height="666" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg" alt="O físico Giorgio Parisi aparece na imagem usando um terno escuro, discursando atrás de um púlpito transparente decorado com rosas amarelas. Ao fundo, vê se um painel escuro e um arranjo de flores amarelas e azuis desfocado" class="wp-image-7429" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel.jpg 1110w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-800x480.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-400x240.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-768x461.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/12/fisico-giorgio-parisi-nobel-150x90.jpg 150w" sizes="(max-width: 1110px) 100vw, 1110px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mencionado no editorial de Richard Horton na The Lancet, o físico italiano Giorgio Parisi – em seu livro “In a Flight of Starlings”, de 2023 – critica os cientistas por, às vezes, parecerem arrogantes e superiores ao não reconhecerem as limitações da ciência | Imagem: © Nobel Prize Outreach. Photo: Laura Sbarbori  </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que essa discussão importa?</strong></h2>



<p>O editorial de Horton é, ao mesmo tempo, uma crítica à narrativa de “crise de confiança” e um alerta para um problema real: a divulgação científica ao grande público continua insuficiente para acompanhar as expectativas e os modos de consumo de informação no século XXI.</p>



<p>Ao analisar pesquisas robustas e referências intelectuais contemporâneas, Horton mostra que a confiança existe — o que falta é <strong>aproximação</strong>, <strong>clareza</strong>, <strong>humildade epistemológica</strong> e capacidade de<strong> construir pontes entre ciência e sociedade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os estudos citados no editorial da <em>Lancet</em></strong>:</h2>



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                <h3>Pew Research Center (2024)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Pesquisa com 9.593 adultos nos EUA. Conclusão: confiança pública em cientistas é alta e está em recuperação após a pandemia. Diferenças partidárias persistem, mas com tendência de recomposição. Atributos de inteligência, honestidade e orientação ao bem público são amplamente reconhecidos.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Cologna et al., Nature Human Behaviour (2025)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Estudo em 68 países com mais de 71 mil pessoas. Confiança global em cientistas foi “moderadamente alta”. Competência recebeu a nota mais elevada; abertura, a mais baixa, mas ainda positiva. A maioria considera o método científico a melhor forma de testar hipóteses.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Giorgio Parisi, In a Flight of Starlings (2023)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Livro que inspira a discussão final. Defende maior transparência metodológica e crítica ao tom de superioridade ocasional da comunicação científica. Posiciona a ciência como parte essencial da cultura, e não apenas como geradora de tecnologias úteis.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
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		<title>Transição de carreira: um espaço liminar</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/ensaios/transicao-de-carreira-um-espaco-liminar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 15:48:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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		<category><![CDATA[#cultura científica]]></category>
		<category><![CDATA[#transição]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7347</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando seguimos em direção a novas perspectivas profissionais, a complexidade do desconhecido exige diferentes enunciados e conclusões</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/transicao-de-carreira-um-espaco-liminar/">Transição de carreira: um espaço liminar</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Recentemente, dispus de pouco menos de três mil caracteres para descrever minha carreira. Foi um desafio e tanto comprimir 25 anos em pouco mais de 400 palavras. Precisei da metade delas só para os últimos seis meses. Por causa daquele texto, fui convidado para escrever este ensaio sobre transição de carreira.</p>



<p>Depois do convite, revisitei aquele meu texto e olhei mais demoradamente as <strong>transições</strong>, e não a carreira. Relembrei das muitas <strong>mudanças</strong> ocorridas no passado e pensei em como mudei minha <strong>trajetória</strong> – e a mim mesmo –&nbsp; tantas vezes, neste processo.&nbsp;</p>



<p>Tentei reviver aqueles dias e percebi quanta <strong>ambiguidade</strong> uma transição nos impõe. Transitar é mais uma experiência do que um experimento, já que as regras não estão todas postas.</p>



<p>O termo transitar evoca, de sua origem latina, a mesma ideia de <strong>atravessar</strong> algo. É ir de um estado para outro, por meio de alguma coisa. E é dessa alguma coisa que vou falar.</p>



<p>Afinal, se você quer mesmo mudar de caminhos, inclusive dentro de uma mesma carreira, é esperado que sinta alguma insegurança, e busque clareza. É entre esses dois <strong>extremos</strong> que você vai navegar.&nbsp;</p>



<p>E lembre-se, não existem receitas simples para situações complexas – eu pelo menos desconheço. Aqui, podemos perceber que a transição implica o que se chama “<strong>espaço liminar</strong>”.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Segundo a antropologia, o espaço liminar é o lugar simbólico de transição entre dois mundos. Como a arrebentação das ondas numa praia é um espaço liminar entre a areia e o mar, este espaço não é um limite a romper, mas uma experiência pela qual passar.</p></blockquote></figure>



<p>À medida que acumulamos experiências e <em>expertises</em> nas nossas áreas, muito da <strong>complexidade</strong> vai se condensando em processos complicados e mais bem definidos, sobre os quais temos algum domínio.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se você é um cientista <strong>experiente</strong>, por mais complicados que os processos sejam, eles são bem claros: orientar uma pesquisa, elaborar uma tese, desenvolver um projeto e submetê-lo para a apreciação por pares, disputar verbas, obter bolsas, aprovar publicações, apresentar relatórios.&nbsp;</p>



<p>Enfim, os parâmetros estão dados e tudo faz sentido. Espera-se apenas que o cientista bem treinado alinhe os elementos numa <strong>sequência lógica</strong> e <strong>competente</strong>.&nbsp;</p>



<p>Contudo, quando nos aventuramos em direção ao incerto, a complexidade emerge. Mais do que simples análise e resposta, ela exige diferentes enunciados e conclusões, frequentemente obtidos por tentativa e erro.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Ambientes complexos</h2>



<p>David Snowden, pesquisador britânico e ex-executivo da IBM, é o criador da Cynefin, uma&nbsp;estrutura conceitual&nbsp;usada para auxiliar&nbsp;na tomada de decisões em ambientes complexos.&nbsp;</p>



<p>Ao apresentar sua <a href="https://thecynefin.co/library/cynefin-weaving-sense-making-into-the-fabric-of-our-world/?srsltid=AfmBOopDYaSDQBN4zVHbHs4DTDK4LNLcsQ_TFnI88nbnZGDYvJUtdlpm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">metodologia</a>, ele propõe três tipos de sistemas primários: </p>



<p><strong>1.</strong> ordenado (o óbvio e o complicado);<br><strong>2.</strong> complexo e <br><strong>3.</strong> caótico</p>



<p>E é exatamente na <strong>intersecção</strong> desses sistemas que encontramos os <strong>espaços liminares</strong>, através dos quais os elementos transitam, e onde os impactos da transição são acomodados.&nbsp;</p>



<p>Snowden diz que um estado liminar pode ser <strong>desorientador</strong> e <strong>ansiogênico</strong>, mas também é onde emergem as <strong>oportunidades</strong> e opções. A beleza da transição está em saber navegar esta <strong>ambivalência</strong>.</p>



<p>Essa área liminar entre o complexo e o complicado é uma prática iterativa por natureza.&nbsp;</p>



<p>Aqui, somos capazes de suspender <strong>parcialmente</strong> nosso juízo, manter nossas opções abertas e permitir a emergência do novo. É como atravessar um rio tateando as pedras no fundo, sem saber exatamente onde pisar.</p>



<p>Porém, ao contrário do que ocorria antes, hoje, na construção de uma carreira, pode-se mudar de caminho e de direção, sem necessariamente descarrilhar.&nbsp;</p>



<p>Imagino que, se você veio até aqui comigo, esteja pensando – você mesmo –&nbsp; em fazer uma transição de carreira. Mas o que ofereço daqui para o final é apenas minha companhia, enquanto reflito um pouco sobre o que funcionou comigo.&nbsp;</p>



<p>De forma geral, <strong>não aja precipitadamente</strong>. Não se aventure sem antes olhar com atenção o mundo ao redor. Tente desapegar-se das suas certezas (e das suas expectativas) boas e ruins. Use seus sentidos para <strong>experimentar</strong> as sensações.&nbsp;</p>



<p>Pergunte aos que já transitaram sobre suas experiências. Depois, pense no que você já conquistou, não em como te nomearam.&nbsp;</p>



<p>Afinal, não são as <strong>classificações</strong> ou as <strong>nomenclaturas</strong> que vão garantir seu sucesso, quiçá sua <strong>sobrevivência</strong>. Esse talvez seja o mais difícil dos exercícios para profissionais que atuam em ambientes de profunda <strong>dedicação especializada</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A questão é: quais são as chamadas “habilidades transferíveis” que você carrega de onde você está que te levarão para onde você quer chegar? </p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Que habilidades você está disposto a desenvolver? </h2>



<p>Infelizmente, fala-se mais dos sucessos e dos insucessos do que do processo de transição. O <strong>risco</strong> não está no desfecho, mas no processo.&nbsp;</p>



<p>Por isso, tentei convocar suas emoções, seus receios e seus sonhos, porque eles são o aspecto menos falado quando tratamos de carreiras.&nbsp;</p>



<p>Transições profissionais, como qualquer transição na vida, passam por <strong>desconfortos</strong>, <strong>excitações</strong>, <strong>nostalgias</strong>. São erráticas, raramente binárias.&nbsp;</p>



<p>Ainda assim, estamos em constante transição em nossas carreiras, apenas nem sempre admitimos, mas mudamos de <strong>escopos</strong>, de <strong>funções</strong>, de <strong>papéis</strong>, e não apenas de áreas.&nbsp;</p>



<p>Por fim, quero dizer que, dentre tantas emoções, a solidão não precisa ser uma delas. Procure outras pessoas, um mentor, um amigo, um <em>sponsor</em>. <strong>Apoie-se</strong>, abrigue-se.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Se pretende trilhar um caminho pelo qual outros já foram, pergunte e vá. Se não, tenha compaixão por si e vá com calma, abrace suas falhas e aprenda com elas. </p></blockquote></figure>



<p>Busque conforto quando precisar, mas ouse também. Abrace o novo e questione-se:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você consegue nomear as habilidades que já possui? </li>



<li>Tem clareza de como elas podem ser carreadas para te ajudar no novo desafio? </li>



<li>Que novas habilidades você está disposto a desenvolver do zero?</li>
</ul>



<p>Há vários motivos por que alguém queira desistir de um processo <strong>previsível</strong> em construção e fazer outra coisa.&nbsp;</p>



<p>Se é pelo interesse pela coisa nova, eu chamo isso de <strong>motivo positivo</strong>, da vontade. Se é para se afastar de algo que já não inspira, de um lugar tóxico ou de uma decepção, por mais que seja legítimo, é um <strong>motivo evitativo</strong> – que eu chamo de negativo.</p>



<p>Após perguntas e respostas, você não será mais a mesma pessoa do outro lado, mas novamente um novato naquela área, e tem que chegar inteiro.&nbsp;</p>



<p>Cuide-se, nos vemos do outro lado.</p>



<div style="height:22px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Andre Bressan</strong><em> é médico pediatra, com dez anos de experiência na indústria farmacêutica. Atualmente é </em><em>CMIO&nbsp;</em><em>na rapha.health, que desenvolve soluções digitais para conectar pacientes e profissionais de saúde, e atua como consultor, mentor e palestrante de Medical Affairs e saúde digital.&nbsp;</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<title>Comunicar ciência para fortalecer a saúde pública</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 13:37:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#compromisso social]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#cultura científica]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Avanços em tecnologia, alimentação, genética e saúde mental exigem informação de qualidade para proteger direitos, orientar decisões e ampliar o acesso ao cuidado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ciência se relaciona com a saúde pública de múltiplas formas. Da <strong>regulação</strong> de algoritmos usados em diagnóstico de diferentes doenças ao que colocamos no prato; da <strong>prevenção</strong> de sofrimentos psíquicos à <strong>incorporação</strong> de terapias genéticas avançadas.&nbsp;</p>



<p>Essa <strong>amplitude</strong> foi trazida no curso de <a href="https://uspdigital.usp.br/apolo/apoObterCurso?cod_curso=270300035&amp;cod_edicao=25001&amp;numseqofeedi=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Divulgação Científica para Comunicadores e Jornalistas</a>, realizado de 1º de setembro a 3 de novembro pela Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Superintendência de Comunicação Social (SCS) e do Instituto de Estudos Avançados (IEA). </p>



<p>Ao participar como aluno do curso de divulgação científica da USP, com diversas aulas e especialidades, decidi analisar um <strong>recorte</strong> de cinco aulas apresentadas por professores convidados.&nbsp;</p>



<p>Essa é uma escolha narrativa, orientada pela ideia central da aula inaugural, ministrada pelo linguista<strong> Carlos Vogt</strong>: a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m30r9xmdlrA&amp;list=PL_lYB9aUiM8KeByvk3Gi6t3aTin15EzAB&amp;index=7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espiral da Cultura Científica</a>. Quando a ciência <strong>circula</strong> e se torna, ela mesma, <strong>parte da cultura</strong>, ela protege vidas. </p>



<p>Por isso, discutir a espiral com olhar voltado para divulgação científica, inteligência artificial, alimentação saudável, genética e saúde mental é discutir também o que sustenta ou fragiliza a saúde de uma população.</p>



<p>Professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),<strong> </strong>Vogt explicou que a ciência só exerce todo o seu <strong>potencial</strong> quando consegue <strong>representar</strong> como se dá seu próprio <strong>processo</strong> <strong>de comunicação social</strong> e quando se torna “forma de presença social e cultural realmente muito mais fortes”.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A saúde de uma sociedade depende de muito mais do que pronto-socorro, medicamentos e ferramentas de diagnóstico. Ela começa na informação que orienta escolhas, previne riscos, reduz desigualdades e permite compreender tecnologias que, cada vez mais, determinam nossas vidas.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Cultura científica</h2>



<p>Na palestra de Vogt, “vivemos em uma sociedade na qual um dos traços fundamentais é exatamente a presença constante, forte e persistente da <strong>ciência</strong>”. Essa presença, porém, só se converte em <strong>bem-estar</strong> quando se transforma em <strong>cultura</strong>; quando a população compreende seu <strong>significado</strong>.&nbsp;</p>



<p>Por isso, Vogt lembra que, sem comunicação, não há ciência, afinal, é ela o eixo que estrutura o <strong>desenvolvimento</strong> da cultura científica.&nbsp;</p>



<p>Ele explica que a espiral da cultura científica – que nos permite entender sua trajetória – nasceu como esforço de organizar, sistematizar e visualizar o fenômeno da comunicação da ciência sob vários aspectos, incorporando uma <strong>visão</strong> em que a divulgação se torna elemento <strong>estruturante</strong> do mundo contemporâneo, “apreendendo as transformações pelas quais passou o mundo todo, com o conhecimento científico tendo papel fundamental”.</p>



<p>Essa compreensão ganha urgência diante da <strong>aceleração tecnológica</strong> analisada por <strong>Glauco Arbix, </strong>professor do<strong> </strong>Departamento de Sociologia da USP, na aula <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZnAf08RbBx8&amp;list=PL_lYB9aUiM8KeByvk3Gi6t3aTin15EzAB&amp;index=8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Desafios da inteligência artificial no século XXI</a>. </p>



<p>Para ele, a inteligência artificial está aí para ficar, para o bem e para o mal. “O mais razoável é abraçar a inteligência artificial e deixar a nossa <strong>marca</strong> nela”, afirma o professor, para quem não há mais esferas livres dessa tecnologia, nem uma plataforma de mídia digital, tampouco um sistema bancário que não seja movido por <strong>inteligência artificial</strong>.</p>



<p>Em saúde, na qual “pode estar em jogo a vida de pessoas”, a <strong>incorporação tecnológica</strong> esbarra na opacidade dos sistemas. Arbix aponta justamente essa dificuldade ao comentar que as <strong>engrenagens computacionais</strong> que influenciam <strong>diagnósticos</strong> e <strong>decisões médicas</strong> não são compreensíveis para quem delas depende.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Desafios contemporâneos&nbsp;</h2>



<p>No cotidiano mais básico, mas igualmente decisivo para a saúde da população, <strong>Carlos Monteiro</strong>, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS) da USP, apresentou a <strong>revolução</strong> dos ultraprocessados como uma disputa por informação, durante a aula <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AfSOx9ffMfw&amp;list=PL_lYB9aUiM8KeByvk3Gi6t3aTin15EzAB&amp;index=6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Informação nutricional, escolhas alimentares e saúde pública</a>. </p>



<p>Para ele, o que define a saúde é o <strong>padrão alimentar</strong>, pois “a gente não come nutrientes, nem alimentos isolados. A gente faz refeições, combinações de alimentos”.&nbsp;</p>



<p>O problema, conforme suas pesquisas, é que essa <strong>autonomia de escolha</strong> foi reduzida pela modernidade. “Até recentemente, escolher os alimentos adequados não se constituía um grande problema. Isso mudou com a modernidade e os ultraprocessados”, afirma o professor.</p>



<p>Em sua aula <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5DFFydtChTQ&amp;list=PL_lYB9aUiM8KeByvk3Gi6t3aTin15EzAB&amp;index=3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Avanços da genética e seus impactos na contemporaneidade</a><strong>,</strong> <strong>Mayana Zatz</strong>, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, lembrou que o estudo conduzido por ela com mais de 100 mil pessoas de famílias com doenças genéticas possibilita prevenção, diagnóstico e aconselhamento genético. “Os pacientes são protagonistas do conhecimento. Eles originam novas descobertas e as novas descobertas ajudam os pacientes”, comenta.<s> </s></p>



<p>Ela destaca, ainda. a linha do tempo da evolução da <strong>genética</strong>, em que as revoluções recentes incluíram a clonagem da ovelha Dolly, o Projeto Genoma Humano, a reprogramação de células-tronco e a tecnologia <strong>CRISPR</strong>, que permite modificar <strong>sequências de</strong> <strong>DNA</strong> com <strong>precisão</strong>.</p>



<p>Ao olhar para o futuro, a geneticista antecipa que “a medicina de precisão vai permitir envelhecimento saudável, terapia celular, bioengenharia de tecidos e novos desafios éticos com a inteligência artificial”.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Nesse cenário, a comunicação torna-se indispensável para garantir que o avanço científico não aprofunde desigualdades e que a inovação chegue como tratamento, não como privilégio.</p></blockquote></figure>



<p>Como último recorte desta análise, a aula <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-bDuVKiFIRI&amp;list=PL_lYB9aUiM8KeByvk3Gi6t3aTin15EzAB&amp;index=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Crise psíquica na sociedade contemporânea</a><strong>, </strong>ministrada por <strong>Christian Dunker</strong>, do Instituto de Psicologia da USP, mostra que “nossa cultura é de uma sociedade anti-luto, que não gosta da morte e de elaborar coletivamente a perda”. </p>



<p>Segundo ele, quando o <strong>mal-estar</strong> perde lugar na <strong>linguagem</strong> e no <strong>vínculo</strong>, a dor se converte em adoecimento. “Quando nossas narrativas de sofrimento são pobres ou não conseguimos articular do que sofremos, o sofrimento banal pode se transformar em sintoma clínico”, observa o psicanalista.&nbsp;</p>



<p>Dunker afirma também que “abandonamos práticas de recomposição psíquica, como o luto coletivo e a educação que acolhe a subjetividade”.&nbsp;</p>



<p>Cinco aulas com diferentes <strong>temáticas</strong> que, em comum, revelam que a comunicação é parte da boa ciência e da vida saudável.&nbsp;</p>



<p><strong>Informar</strong> não é apenas transmitir dados. É <strong>habilitar</strong> escolhas alimentares conscientes. É <strong>explicar</strong> riscos e benefícios de tecnologias que já decidem vidas. É <strong>democratizar</strong> avanços genéticos que redesenham o futuro. É <strong>proteger</strong> quem sofre em silêncio, nomeando e dando sentido para o sofrimento.&nbsp;</p>



<p>Em um mundo em que a <strong>desinformação</strong> viraliza mais rápido do que qualquer medicamento, <strong>comunicar</strong> ciência com rigor, empatia e responsabilidade pode ser entendido como uma <strong>vacina cultural</strong> contra <strong>manipulações</strong> e <strong>injustiças</strong>.</p>



<p>O curso da USP proporciona um <strong>elo</strong> entre jornalismo, ciência e saúde, promovendo <strong>educação</strong>. A <strong>saúde do futuro</strong>, seja ela física, emocional ou genética, será moldada não apenas nos laboratórios, mas nos espaços onde o <strong>conhecimento</strong> se transforma em <strong>cultura</strong>.&nbsp;</p>



<p>Para isso, é necessário ir além dos muros das universidades, com entrega e comprometimento, furando, de fato, qualquer bolha elitista. Invadir redações, escolas, redes sociais, encontros comunitários e o cotidiano de todos.&nbsp;</p>



<p>Comunicar ciência é um <strong>compromisso social</strong>. <strong>&nbsp;</strong></p>



<div style="height:22px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Moura Leite Netto </strong><em>é jornalista graduado pelo UNIFIEO, pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero, mestre e doutor em Ciências com ênfase em Oncologia pelo A. C. Camargo Cancer Center. Atualmente, é pesquisador de pós-doutorado da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), onde é também professor convidado. É diretor/fundador da SENSU Comunicação e ex-presidente da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein Hospital Israelita&nbsp;</strong></p>
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