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	<title>#diabetes mellitus | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>É preciso mitigar a doença renal do diabetes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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		<category><![CDATA[#terapia celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desenvolver novas terapias é essencial para diminuir impactos do diabetes mellitus em pessoas acometidas pela doença</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <strong>diabetes mellitus (DM)</strong> é uma <strong>doença crônica não-transmissível</strong> que afeta 10% da população mundial, independentemente de idade, sexo ou raça.&nbsp;</p>



<p>Didaticamente, o DM é classificado em tipo 1 (DM1), com componente <strong>autoimune</strong>, e tipo 2 (DM2), de <strong>herança genética</strong> e associada a <strong>fatores de risco</strong> bem conhecidos, como idade, <strong>obesidade e sedentarismo</strong>.&nbsp;</p>



<p>A doença renal do diabetes (DRD) é uma das <strong>complicações crônicas do DM</strong>, fazendo parte do espectro do acometimento sistêmico desta doença juntamente com <strong>alterações da visão e da circulação</strong>, <strong>neuropatia</strong> e eventos <strong>cárdio-cerebrovasculares</strong>.&nbsp;</p>



<p>O <strong>diagnóstico laboratorial da DRD</strong> – principal causa de necessidade de terapia substitutiva da função renal no mundo – está fundamentado na avaliação da redução da taxa de <strong>filtração glomerular</strong> e na presença de <strong>albuminúria</strong>, os quais indicam problemas renais.&nbsp;</p>



<p>Dessa forma, o desenvolvimento de terapias que evitem a progressão da DRD para estágios mais avançados é de suma importância para reduzir o <strong>impacto da morbimortalidade</strong> desta doença.&nbsp;</p>



<p>Dentre as terapias disponíveis atualmente, destacam-se <strong>medidas não-farmacológicas</strong>, como a incorporação de hábitos de vida saudáveis, e <strong>medidas farmacológicas</strong>, que buscam o <strong>controle da glicemia</strong>, da albuminúria, da <strong>pressão arterial</strong> e da <strong>dislipidemia</strong> (desequilíbrio nos níveis de gordura no sangue).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na progressão da DRD, várias vias de sinalização se encontram desreguladas, como <strong>vias de inflamação</strong>,<strong> estresse oxidativo</strong>,<strong> morte celular</strong>,<strong> autofagia</strong>,<strong> fibrose </strong>e <strong>senescência</strong>, o que torna o tratamento da DRD um dos maiores desafios da prática clínica atual. </p></blockquote></figure>



<p>Os pilares da terapia farmacológica para a DRD contemplam suas <strong>bases patofisiológicas</strong>, tendo como alvo o controle das <strong>disfunções metabólicas</strong>, <strong>hemodinâmicas</strong> <strong>e</strong> <strong>inflamatórias</strong>.&nbsp;</p>



<p>Essa terapia inclui a combinação dos <strong>bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona</strong> (SRAA), <strong>inibidores do co-transporte sódio-glicose-2</strong> (iSGLT2), os <strong>agonistas do glucagon-like peptide-1</strong> (GLP-1) e <strong>antagonistas dos receptores mineralocorticoides</strong>.&nbsp;</p>



<p>Esse arsenal terapêutico farmacológico e não-farmacológico contribui substancialmente para mitigar a progressão da DRD e reduzir outras complicações, particularmente os eventos cárdio-cerebrovasculares.&nbsp;</p>



<p>Numericamente, nos pacientes com DRD que utilizam os <strong>bloqueadores do </strong><strong>SRAA</strong><strong> e iSGLT2</strong>, a queda anual da taxa de filtração glomerular reduz de aproximadamente 10 ml/min/1,73 m<sup>2</sup> para 2-3 ml/min/1,73 m<sup>2</sup>. No entanto, esta redução persiste ainda em valores superiores quando comparados à redução da população geral acima de 40 anos (~ 0,7-0,9 ml/min/1,73 m<sup>2</sup>).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Novas terapias</h2>



<p>Nesse cenário, novas terapias são necessárias para diminuir o impacto do DM em diversos órgãos e melhorar a qualidade de vida de pacientes acometidos por esta doença.&nbsp;</p>



<p>Para o DM1, pesquisas envolvendo a diferenciação de células em <strong>embrionárias</strong> e em <strong>pancreáticas</strong> humanas estabeleceram as bases científicas para estudos mais recentes, utilizando <strong>fibroblastos autólogos</strong> reprogramados para se diferenciarem em <strong>células produtoras de insulina</strong>, com resultados iniciais promissores.&nbsp;</p>



<p>O <strong>potencial terapêutico</strong> das células derivadas da <strong>medula óssea</strong>, incluindo <strong>hematopoiéticas</strong> e <strong>mesenquimais</strong>, tem sido avaliado em relação ao seu rico <strong>secretoma</strong> (conjunto de proteínas e moléculas secretadas pela superfície celular) e ao impacto na modulação das vias desreguladas do DM.&nbsp;</p>



<p>No entanto, as análises dos <strong>desfechos de segurança e eficácia</strong> da terapia celular para o DM1, principalmente a longo prazo, estão ainda em fase inicial. Outra abordagem inclui o uso de <strong>ilhotas pancreáticas</strong> de doadores falecidos para restaurar o <em>pool</em> de células produtoras de insulina.&nbsp;</p>



<p>Vários avanços já foram documentados, como adequação do número de ilhotas, seu encapsulamento para mitigar o efeito do sistema imunológico e a avaliação de diversos sítios para sua infusão, dentre outros.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Apesar de ser uma terapia segura e eficaz, o transplante de ilhotas requer o uso de medicações <strong>imunossupressoras</strong> que podem afetar o próprio funcionamento destas ilhotas e causar outros eventos diversos, como infecção e alterações da função renal. </p></blockquote></figure>



<p>Por outro lado, o tratamento do DM1 tem sido amplamente refinado com o uso de esquemas eficazes de <strong>insulina de longa ação</strong> combinada com insulinas de ação rápida ou ultrarrápida e contagem de carboidratos, além da disponibilidade do uso da bomba de insulina.&nbsp;</p>



<p>A verificação em tempo real dos <strong>valores glicêmicos</strong> tem adicionado maiores segurança e eficácia ao controle da glicemia, ao mesmo tempo em que permitem a individualização do tratamento.&nbsp;</p>



<p>Outras inovações tecnológicas incluem a administração semanal de insulina e o uso do sistema automatizado de infusão de insulina, também conhecido por&nbsp;“pâncreas artificial”, o que permite a liberação da dose ideal de insulina para o controle glicêmico.</p>



<p>No caso de pacientes com DM2, existe inicialmente uma resistência à ação da insulina, e antidiabéticos são administrados por via oral ou via subcutânea. Numa fase mais avançada da doença, o esquema terapêutico para esses pacientes passa a incluir insulina.&nbsp;</p>



<p>Em relação às <strong>terapias celulares</strong> para pacientes com DM2, em particular com <strong>células-tronco</strong> mesenquimais, grandes desafios ainda necessitam ser superados.&nbsp;</p>



<p>Essas células podem ser obtidas de diversas fontes, como medula óssea, <strong>tecido adiposo</strong> e <strong>cordão umbilical</strong>, dentre outros. No entanto, pacientes com DM2 geralmente têm idade mais avançada do que os pacientes com DM1, e apresentam múltiplas comorbidades quando a DRD é diagnosticada.&nbsp;</p>



<p>Dessa forma, as <strong>propriedades biológicas</strong> das células-tronco mesenquimais podem encontrar-se reduzidas, limitando seu potencial terapêutico na prática clínica. Além disso, a <strong>hiperglicemia crônica</strong> promove <strong>alterações gênicas</strong>, estruturais e funcionais no nicho das células-tronco mesenquimais, comprometendo ainda mais seu potencial terapêutico.&nbsp;</p>



<p>No entanto, as células-tronco mesenquimais são desprovidas de <strong>antígenos</strong> classe II do <strong>sistema HLA</strong> (<em>human leukocyte antigens</em>), permitindo que elas sejam “imuno-privilegiadas” e não sejam rejeitadas quando obtidas de outro indivíduo saudável, além de não se diferenciarem significativamente em outros tipos celulares quando infundidas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Bancos celulares</h2>



<p>Essas particularidades abrem a perspectiva da criação de <strong>bancos de células-tronco mesequimais</strong>, as quais poderão ser utilizadas para tratamento de diversas doenças de forma “off-the-shelf”.&nbsp;</p>



<p>Estudos iniciais com essas células em pacientes com DRD e DM2 demonstraram segurança e eficácia para preservação da função renal. No entanto, vários aspectos têm sido debatidos na literatura, como os números ideais de células e infusões, o intervalo das infusões e via de administração.&nbsp;</p>



<p>A padronização do uso dessas células por meio de diretrizes tem permitido a comparação adequada entre os estudos e a normatização da análise dos desfechos de segurança e eficácia.&nbsp;</p>



<p>Sendo assim, não apenas <strong>parâmetros de infecção</strong> e <strong>estabilidade cromossômica</strong> são analisados, como também sua caracterização, por meio de <strong>imunofenotipagem</strong>, <strong>diferenciação</strong> e <strong>potência</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Um ponto em comum para o uso da terapia celular em pacientes com DM1 e DM2 é o controle adequado da glicemia durante a infusão das células, para que mantenham um funcionamento eficaz.</p></blockquote></figure>



<p>Além disso, o potencial das células-tronco mesenquimais pode ser incrementado pelo condicionamento <strong>pré-infusão</strong>, incluindo condições reduzidas de oxigênio (<strong>hipóxia</strong>), medicamentos, fatores de crescimento e <strong>transfecção gênica</strong>.&nbsp;</p>



<p>O uso do secretoma dessas células (exossomos e microvesículas) também tem sido explorado no cenário do DM e DRD.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nosso grupo de pesquisa no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein tem investigado o <strong>potencial terapêutico</strong> das células-tronco mesenquimais e de medicações comumente utilizadas em pacientes com DM2 (<strong>empagliflozina</strong> e <strong>semaglutida</strong>) por meio da compreensão da modulação das vias de sinalização de inflamação, estresse oxidativo, morte celular e autofagia.</p>



<p>Para isso, utilizamos um modelo de camundongos geneticamente modificados de DM2 e obesidade, que apresentam alterações estruturais e funcionais renais semelhantes a seres humanos, o que os torna o modelo ideal para avaliação da segurança e eficácia de novas terapias.&nbsp;</p>



<p>Dessa forma, o entendimento biológico da <strong>modulação das vias de sinalização</strong> que se encontram desreguladas no DM2 e obesidade, com o uso da <strong>terapia</strong> <strong>multialvo</strong>, permitirá o avanço dos estudos em seres humanos no cenário da <strong>pesquisa pré-clínica</strong>.&nbsp;</p>



<p>Assim, essa plataforma de pesquisa corrobora a importância dos estudos do tipo <strong>bancada-paciente-bancada</strong> para a definição da melhor <strong>abordagem terapêutica</strong> para doenças complexas e multifacetadas como DM e DRD.</p>



<p><strong>Érika Bevilaqua Rangel</strong> <em>é médica, mestre e doutora em nefrologia e professora do Programa de Pós-Graduação do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, onde realiza pesquisas com células-tronco e coordena o Núcleo de Inteligência Einstein (NIE), criado para gerar informações claras e confiáveis sobre a covid-19 para profissionais da saúde e população. Coordenadora do Departamento de Fisiologia e Fisiopatologia Renal da Sociedade Brasileira de Nefrologia, é também professora adjunta de Nefrologia na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein</strong></p>
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