<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Conteúdos sobre #epidemiologia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
	<atom:link href="https://www.sciencearena.org/tag/epidemiologia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.sciencearena.org/tag/epidemiologia/</link>
	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Thu, 05 Feb 2026 21:15:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.1</generator>

<image>
	<url>https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/06/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Conteúdos sobre #epidemiologia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
	<link>https://www.sciencearena.org/tag/epidemiologia/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Inferência causal para além da estatística</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/inferencia-causal-para-alem-da-estatistica/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/inferencia-causal-para-alem-da-estatistica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 21:36:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#causalidade]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#estatística]]></category>
		<category><![CDATA[#inferência]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7690</guid>

					<description><![CDATA[<p>Artigo clássico mostra que estabelecer relações de causa e efeito exige teoria, contexto e múltiplas evidências — não apenas bons modelos estatísticos</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/inferencia-causal-para-alem-da-estatistica/">Inferência causal para além da estatística</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO?</strong></h2>



<p>O artigo <a href="https://academic.oup.com/ije/article/45/6/1895/2999350?login=false" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Causal inference—so much more than statistics</a>, de 2016, publicado no <em>International Journal of Epidemiology</em> por <strong>Neil Pearce</strong> e <strong>Deborah Lawlor</strong>. O texto oferece uma introdução <strong>à inferência causal</strong> baseada no trabalho do filósofo e cientista da computação israelense-estadunidense <strong>Judea Pearl</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE ARTIGO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p>O artigo discute como a inferência causal, ou seja, como podemos afirmar que X causa Y, vai muito além da estatística utilizada nas pesquisas.</p>



<p>O texto introduz a relação entre estatística e causalidade, conceitos fundamentais de causalidade e DAGs (grafos acíclicos direcionados, do inglês&nbsp;<em>directed acyclic graphs</em>).</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Os autores destacam que o processo de inferência causal depende de múltiplos fatores que transcendem o tipo de análise estatística aplicada a um conjunto de dados.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE ARTIGO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>O texto apresenta conceitos importantes de inferência causal com exemplos familiares a epidemiologistas, especialmente na explicação e aplicação de DAGs. Porém, o que torna esta leitura imperdível é a discussão sobre as limitações dos DAGs.</p>



<p>Atualmente, essa ferramenta é amplamente utilizada na epidemiologia, mas frequentemente tratada como uma “bala de prata” para inferência causal.</p>



<p>O artigo argumenta que DAGs são apenas uma ferramenta — nem necessária nem suficiente para tornar uma pesquisa &#8220;causal&#8221;.</p>



<p>Além disso, o texto introduz o conceito de triangulação: a combinação de evidências obtidas por múltiplos estudos, utilizando diferentes abordagens metodológicas, é fundamental para a construção de teorias e para fornecer respostas causais mais robustas.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/inferencia-causal-para-alem-da-estatistica/">Inferência causal para além da estatística</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/inferencia-causal-para-alem-da-estatistica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Risco ignorado: o alerta do NEJM sobre o tabaco sem fumaça</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/risco-ignorado-o-alerta-do-nejm-sobre-o-tabaco-sem-fumaca/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/risco-ignorado-o-alerta-do-nejm-sobre-o-tabaco-sem-fumaca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 21:35:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde global]]></category>
		<category><![CDATA[#tabaco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7556</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uso de tabaco não fumado responde por parcela significativa de casos de câncer oral no mundo, adverte influente revista médica </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/risco-ignorado-o-alerta-do-nejm-sobre-o-tabaco-sem-fumaca/">Risco ignorado: o alerta do NEJM sobre o tabaco sem fumaça</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDAMOS?</strong></h2>



<p>O artigo <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp2500631">Smokeless Tobacco and Oral Cancer in Global Perspective</a>, publicado na seção Perspective do <a href="https://www.nejm.org"><em>The New England Journal of Medicine</em></a> em janeiro de 2026. O texto é assinado por <strong>Mark Parascandola</strong> (Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos); <strong>Suzanne T. Nethan</strong> (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, na França); e <strong>Kamran Siddiqi </strong>(Escola de Medicina de Hull York, no Reino Unido), que alertam para o aumento do uso de produtos de <strong>tabaco sem fumaça</strong>, especialmente no&nbsp;Sudeste Asiático, correlacionando-os diretamente ao crescimento dos casos de&nbsp;<strong>câncer bucal</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE ARTIGO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p>O texto discute como o <strong>tabaco sem fumaça</strong> contribui de maneira significativa para <strong>câncer oral e mortes em todo o mundo</strong>. A categoria abrange uma ampla gama de produtos industrializados e ou feitos sob encomenda, incluindo tabaco de mascar, rapé, gutka, khaini, toombak e iqmik.</p>



<p>Embora mais de <strong>360 milhões de pessoas</strong> usem esses produtos, em especial em países de <strong>baixa e média renda</strong> (como na <strong>Ásia do Sul</strong>, incluindo Índia, Bangladesh e Paquistão), sua discussão em políticas públicas e pesquisas é <strong>muito menor</strong> que a do <strong>tabaco fumado</strong>.</p>



<p>A relevância do artigo consiste no fato de ele dar visibilidade a um importante problema de saúde pública global que permanece subestimado: o impacto do tabaco sem fumaça.</p>



<p>Ao reunir evidências epidemiológicas e clínicas, o texto demonstra que uma parcela expressiva dos casos de câncer oral no mundo — sobretudo em países de baixa e média renda — está associada a produtos muitas vezes percebidos como menos nocivos do que o cigarro comum. Essa <strong>percepção equivocada</strong> contribui para a manutenção do consumo e para lacunas em políticas de prevenção, vigilância e regulação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Além disso, o artigo é relevante por reposicionar o tema no debate clínico e político, chamando a atenção de profissionais de saúde, gestores e formuladores de políticas para a necessidade de integrar o tabaco sem fumaça às estratégias globais de controle do tabagismo.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE ARTIGO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Ao destacar desigualdades regionais, barreiras culturais e falhas regulatórias, o texto reforça que o câncer oral associado a esses produtos é amplamente <strong>prevenível</strong>, desde que haja maior prioridade em <strong>comunicação em saúde</strong> e <strong>ações regulatórias</strong> baseadas em evidências.</p>



<p>O artigo também apresenta dados concretos sobre o tamanho do problema:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>389.846 novos casos de câncer oral </strong>foram registrados no mundo em 2022, com a incidência crescendo em países onde o uso desses produtos é comum.</li>



<li>Estimativas epidemiológicas relacionadas (embasadas em dados como os do Global Cancer Observatory) sugerem que <strong>aproximadamente 120.200 casos de câncer oral (aproximadamente 30% do total)</strong> em 2022 podem ser <strong>atribuídos ao uso de tabaco sem fumaça ou noz de areca</strong> — um fator crítico de risco prevenível.</li>



<li>A maior parte desses casos atribuíveis ao tabaco sem fumaça ocorreu em <strong>Sul-Central e Sudeste da Ásia</strong>, refletindo padrões regionais de uso e risco.</li>
</ul>



<p>Esses números ajudam a dimensionar <strong>a magnitude global do problema</strong> que o artigo discute: milhões de usuários, centenas de milhares de novos casos de câncer oral por ano e uma grande proporção desses casos diretamente atribuíveis a um fator de risco que, apesar de preveníveis, tem recebido atenção insuficiente em políticas de saúde pública.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/risco-ignorado-o-alerta-do-nejm-sobre-o-tabaco-sem-fumaca/">Risco ignorado: o alerta do NEJM sobre o tabaco sem fumaça</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/risco-ignorado-o-alerta-do-nejm-sobre-o-tabaco-sem-fumaca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O aumento da mortalidade por câncer</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/doencas-cardiovasculares-cancer-transicao-epidemiologica-leandro-rezende/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/doencas-cardiovasculares-cancer-transicao-epidemiologica-leandro-rezende/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#doenças cardiovasculares]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#estilo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=5763</guid>

					<description><![CDATA[<p>Transição epidemiológica de doenças cardiovasculares para câncer desafia pesquisadores e sistemas de saúde, afirma Leandro Rezende (Unifesp)</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/doencas-cardiovasculares-cancer-transicao-epidemiologica-leandro-rezende/">O aumento da mortalidade por câncer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As <strong>doenças cardiovasculares</strong>, como hipertensão e infarto do miocárdio, continuam como a principal causa de morte no Brasil. Entretanto, um <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(24)00231-X/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado recentemente</a> na revista <em>The Lancet Regional Health &#8211; Americas </em>revelou que, entre 2000 e 2019, o&nbsp;<strong>câncer</strong>&nbsp;passou a liderar como a <strong>principal causa de mortalidade</strong> em 727 cidades brasileiras, o equivalente a <strong>13% dos 5.570 municípios do país</strong>.</p>



<p>Em 2000, apenas 7% das cidades brasileiras tinham taxas de <strong>mortalidade por câncer</strong> superiores às taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares.</p>



<p>O educador físico <strong>Leandro Rezende</strong>, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coautor do artigo, explica que <strong>regiões economicamente mais desenvolvidas do país</strong>, como o Sudeste, registraram uma queda mais significativa nas mortes por doenças cardiovasculares.</p>



<p>Já o&nbsp;câncer&nbsp;segue crescendo em todas as regiões, incluindo áreas com menos recursos e menor acesso a serviços de saúde.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Rezende ressalta que a queda nas mortes por doenças cardiovasculares decorre principalmente de políticas contra o <strong>tabagismo</strong> e de avanços na <strong>atenção primária à saúde</strong> – enquanto o aumento de casos de câncer decorre de fatores como envelhecimento populacional e hábitos modernos, entre eles o consumo de <strong>alimentos ultraprocessados</strong> (geralmente ricos em gorduras, açúcares e conservantes).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#8d6fcc" class="has-inline-color">Science Arena – Quais foram os principais fatores responsáveis pelo aumento das mortes por câncer em comparação às doenças cardiovasculares? Há algum fator específico que tenha surpreendido a equipe de pesquisa?</mark></h2>



<p><strong>Leandro Rezende</strong> – Os principais fatores que explicam essa queda exacerbada nas mortes por doença cardiovascular é a redução no tabagismo, fruto de políticas de controle do consumo de tabaco que vêm sendo implantadas no Brasil desde a década de 1990 (como tributação, rotulagem e zonas livres de fumo).</p>



<p>Essa redução é mais mensurável a curto prazo para as doenças cardiovasculares, ao passo que, para os cânceres, nós precisaremos ainda de alguns anos para conseguir observar, por exemplo, uma redução expressiva nas mortes por câncer de pulmão.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O câncer é uma doença heterogênea, o que torna seu tratamento mais desafiador.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#8d6fcc" class="has-inline-color">Esses fatores de risco explicam o fato de os municípios com maior renda per capita apresentarem o maior aumento da mortalidade por câncer?  </mark></h2>



<p>O fato de mostramos que o câncer&nbsp;passou, de forma gradual, a predominar como a principal causa de mortalidade em diversos municípios do país, especialmente naqueles que apresentam maior renda per capita (em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), é reflexo do maior controle de doenças cardiovasculares por parte desta população.</p>



<p>Em municípios com maior renda familiar per capita, também houve aumento dos casos de&nbsp;câncer impulsionados por fatores como o envelhecimento da população e mudanças no estilo de vida moderno – com destaque para o alto consumo de alimentos ultraprocessados.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#8d6fcc" class="has-inline-color">Paralelamente, houve intervenções positivas em cardiologia que contribuíram para a queda de mortalidade por doenças cardiovasculares, em comparação com os óbitos por câncer?</mark></h2>



<p>Com o aumento da cobertura da atenção primária à saúde no Brasil, houve um melhor controle de comorbidades como hipertensão e diabetes, principalmente em municípios de maior renda.</p>



<p>Além disso, os avanços no diagnóstico precoce e no tratamento das doenças cardiovasculares podem ter contribuído para a transição epidemiológica em que há predominância do câncer no que diz respeito à mortalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#8d6fcc" class="has-inline-color">Quais são as principais barreiras, no Brasil, para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado do câncer, especialmente em áreas com infraestrutura de saúde mais limitada?</mark></h2>



<p>Intensificar a prevenção primária do câncer, ou seja, evitar que a doença ocorra, é uma medida fundamental para frear o aumento da mortalidade. Já a prevenção secundária, que consiste no diagnóstico precoce, apresenta gargalos inclusive nos programas de rastreamento da doença no país.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A prevenção e a detecção precoce do câncer são estratégias fundamentais para reduzir a mortalidade de pacientes com tumor.</p></blockquote></figure>



<p>Ao mesmo tempo, políticas abrangentes com foco em fatores de risco modificáveis ​​– [condições ou comportamentos que podem ser alterados com mudanças de hábitos e estilo de vida] – são fundamentais para reduzir substancialmente a mortalidade por todas as doenças crônicas não transmissíveis, incluindo câncer e as cardiovasculares.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#8d6fcc" class="has-inline-color">Com a mortalidade por câncer superando os óbitos por doenças cardiovasculares em uma em cada oito cidades brasileiras, quais são as mudanças estruturais que precisam ser adotadas no sistema de saúde público e privado, levando em consideração as disparidades sociais do país? </mark></h2>



<p>Aproximadamente um terço das mortes por câncer poderiam ser evitadas por meio da redução dos fatores de risco conhecidos. Para tanto, são necessárias políticas públicas e programas que não só incentivem as pessoas a fazerem mudanças individuais, mas que ocorram, de fato, transformações substanciais nos hábitos da população. </p>



<p>Isso significa, por exemplo, realizar a tributação e a regulação da publicidade de alimentos ultraprocessados. São ferramentas que precisam ser acionadas para que consigamos ter um controle efetivo dos fatores de risco.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/doencas-cardiovasculares-cancer-transicao-epidemiologica-leandro-rezende/">O aumento da mortalidade por câncer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/entrevistas/doencas-cardiovasculares-cancer-transicao-epidemiologica-leandro-rezende/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudo revela fatores que aumentam o risco de infecção oral por HPV</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/hpv-cancer-infeccao-estudo/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/hpv-cancer-infeccao-estudo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#oncologia]]></category>
		<category><![CDATA[#vacina]]></category>
		<category><![CDATA[#vigilância]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=5477</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pesquisa aponta comportamentos e características associados ao vírus e reforça a importância da vacinação</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/hpv-cancer-infeccao-estudo/">Estudo revela fatores que aumentam o risco de infecção oral por HPV</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <strong>papilomavírus humano</strong> (HPV) é responsável por até <strong>90% dos casos de câncer orofaríngeo</strong> masculino nos Estados Unidos, <a href="https://www.nature.com/articles/s41564-024-01834-3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo estudo publicado na revista <em>Nature Microbiology</em></a> por pesquisadores do <a href="https://www.moffitt.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Moffitt Cancer Center</a>, na Flórida, Estados Unidos. O trabalho investigou a frequência de novas infecções orais por HPV, fatores de risco associados e diferenças regionais nas taxas de contaminação, analisando dados de homens dos <strong>Estados Unidos</strong>, <strong>Brasil </strong>e <strong>México</strong>.</p>



<p>Entre 2007 e 2016, os pesquisadores coletaram <strong>amostras de tecido da mucosa oral</strong> de 3.137 homens, em intervalos de seis meses, para identificar a presença do vírus e seus genótipos. Essas informações foram cruzadas com <strong>dados sociodemográficos</strong> e <strong>históricos comportamentais</strong> obtidos por entrevistas.</p>



<p>Os resultados mostraram que <strong>19,6% dos participantes </strong>contraíram HPV durante o estudo. </p>



<p>A prevalência de genótipos oncogênicos — aqueles com potencial cancerígeno — foi de 5,9%, com o <strong>HPV-16</strong> como a variante mais comum. A taxa de incidência foi de 2,4 por mil pessoas ao mês, sendo maior nos participantes dos Estados Unidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color"><strong>Fatores de risco destacados</strong></mark></h2>



<p>O estudo identificou comportamentos e características que aumentam a suscetibilidade à infecção oral por HPV:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Educação</strong>:<mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color"> </mark>homens com maior nível educacional apresentaram maior risco.</li>



<li><strong>Consumo de álcool:</strong> associado a taxas mais elevadas de contaminação.</li>



<li><strong>Comportamento sexual:</strong> o risco foi maior entre homens com múltiplas parceiras sexuais femininas, que praticavam sexo oral frequentemente, e entre aqueles com parceiros sexuais masculinos.</li>
</ul>



<p>Em <a href="https://www.moffitt.org/newsroom/news-releases/moffitt-study-reveals-insights-into-oral-hpv-incidence-and-risks-in-men-across-3-countries/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">comunicado</a> divulgado pelo Moffitt Cancer Center, a nutricionista <a href="https://www.moffitt.org/research-science/researchers/anna-giuliano/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Anna Giuliano</a>, diretora do Centro de Pesquisa em Imunização e Infecção da organização, explicou que os achados ressaltam a necessidade de vigilância constante.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“A taxa consistente de aquisição de HPV em diferentes idades e as significativas variações regionais exigem estratégias de vacinação personalizadas e maior conscientização para prevenir tumores orofaríngeos relacionados ao HPV.”</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Crescente incidência global</mark></strong></h2>



<p>A <strong>prevalência de câncer orofaríngeo</strong> relacionado ao HPV está em alta, principalmente no norte da Europa e na América do Norte, com incidência de até 8 novos casos por 100 mil homens. </p>



<p>O estudo reforça a <strong>importância de campanhas de vacinação</strong> neutras em relação ao gênero, incluindo homens de meia-idade não vacinados.</p>



<p>A <strong>vacina contra o HPV</strong> é recomendada para pessoas de 9 a 26 anos, mas também está disponível para adultos de 27 a 45 anos que ainda não foram imunizados.</p>



<p>Racheal Mandishora, do Departamento de Epidemiologia do Câncer do Moffitt, enfatiza a necessidade de iniciativas integradas: “Ao melhorar a educação e ampliar a cobertura vacinal, podemos reduzir significativamente a incidência do HPV oral e seus riscos associados.”</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/hpv-cancer-infeccao-estudo/">Estudo revela fatores que aumentam o risco de infecção oral por HPV</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/hpv-cancer-infeccao-estudo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mortes decorrentes do Alzheimer aumentam no Brasil e desafiam a pesquisa</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 11:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#datasus]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#hospitalização]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3824</guid>

					<description><![CDATA[<p>Doença deve ser um dos principais problemas de saúde pública no mundo, sobretudo em países de baixa e média renda, sobrecarregando sistemas de saúde e famílias de pessoas afetadas</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/">Mortes decorrentes do Alzheimer aumentam no Brasil e desafiam a pesquisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil registrou um aumento expressivo da taxa de mortalidade por doença de Alzheimer nas últimas duas décadas, e é provável que essa tendência se intensifique nos próximos anos, de acordo com um <a href="https://scielosp.org/article/ress/2023.v32n2/e2022886/pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento </a>feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Médico da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.</p>



<p>Eles se debruçaram sobre dados de óbitos associados à doença registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) entre 2000 e 2019, e os analisaram por região, sexo e diferentes faixas etárias. A doença em si não mata, mas contribui para o agravamento das condições de saúde dos indivíduos afetados, o que pode matá-los.</p>



<p>“Pessoas com Alzheimer em estágio avançado têm dificuldades para engolir, podendo aspirar pequenas quantidades de alimentos de forma involuntária”, explica o bioquímico Sérgio Teixeira Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estudioso das causas do Alzheimer. “Esse conteúdo pode parar nos pulmões e causar infecções.”</p>



<p>Muitos têm dificuldade para andar, podem cair e sofrer lesões graves. Para evitar esse risco, ficam acamados ou na mesma posição por longos períodos, o que favorece o surgimento de escaras, que também podem causar infecções fatais.</p>



<p>Ao todo, o Brasil registrou mais de 211 mil mortes por complicações associadas à doença entre os anos 2000 e 2019. Ao avaliar a distribuição dessas mortes ao longo do tempo, os autores identificaram uma evolução crescente da taxa de mortalidade em todas as variáveis analisadas.</p>



<p>O aumento mais significativo foi observado em indivíduos com 80 anos ou mais. Em 2001, a taxa de mortalidade por Alzheimer em pessoas nessa faixa etária era de pouco mais de 500 para cada um milhão de habitantes. Em 2019, saltou para quase 4 mil por milhão.</p>



<p>No estudo, publicado na revista <em>Epidemiologia e Serviços de Saúde</em>, os pesquisadores também identificaram um crescimento acentuado na taxa de mortalidade entre mulheres, sobretudo aquelas com 80 anos ou mais vivendo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.</p>



<p>Os achados estão em linha com estudos internacionais. <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30010124/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um deles</a> acompanhou quase 17 mil pessoas na Suécia e constatou que mulheres a partir dos 80 anos tinham maior probabilidade de serem diagnosticadas com Alzheimer do que homens. Uma das possíveis explicações é que as mulheres, em geral, vivem mais.</p>



<p>“Um dos principais fatores de risco associado ao desenvolvimento de Alzheimer é a idade, de modo que quanto mais velho se é, maior será a probabilidade de desenvolver a doença”, explica o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa, no entanto, não é a única explicação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para Caramelli, da UFMG, a alta prevalência do Alzheimer entre mulheres também pode estar ligada a uma combinação de fatores genéticos, hormonais e sociais, os quais ainda estão sendo estudados.</p></blockquote></figure>



<p>O Brasil também vem registrando um aumento no número de hospitalizações por Alzheimer. Um <a href="https://www.scielo.br/j/anp/a/rtpzyRbHSWG3gWkw3q6XBhv/?lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo publicado</a> em junho de 2023 na revista <em>Arquivos de Neuro-Psiquiatria</em> por pesquisadores da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, constatou que o número de internações por Alzheimer passou de 847 em 2010 para 1.212 em 2020, resultando em um aumento dos custos para atender esses pacientes. </p>



<p>Em 2010, eles somaram pouco mais de R$ 1,8 milhões. Em 2020, esse número chegou a aproximadamente R$ 2,9 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Problema de saúde pública</strong></h2>



<p>A doença de Alzheimer deverá ser um dos principais problemas de saúde pública no mundo nas próximas décadas, sobrecarregando os sistemas de saúde e as famílias das pessoas afetadas. Países de baixa e média renda deverão ser os mais afetados, sobretudo em razão do envelhecimento crescente da população.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="768" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1.jpg" alt="" class="wp-image-3827" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1-400x400.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Alzheimer_Interna_Numeros-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Da esquerda para a direita, de cima para baixo, os 12 fatores de risco para o desenvolvimento de Alzheimer <a href="https://www.thelancet.com/article/S0140-6736(20)30367-6/fulltext?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo estudo publicado na The Lancet</a>: (1) baixa escolaridade, (2) perda auditiva, (3) lesão cerebral causada por trauma, (4) hipertensão, (5) consumo de 21 unidades de álcool por semana, (6) obesidade com IMC maior que 30, (7) tabagismo, (8) depressão, (9) isolamento social, (10) falta de atividade física, (11) diabetes e (12) poluição do ar.</figcaption></figure>



<p>“Demorou quase 150 anos para a proporção de idosos com 65 anos ou mais passar de 7% para 14% na França, ao passo que, no Brasil, essa transição deve ocorrer em pouco mais de duas décadas”, diz Caramelli, que é o atual coordenador do conselho consultivo da Sociedade Internacional para o Avanço da Pesquisa e Tratamento da Doença de Alzheimer da <em>Alzheimer’s Association</em>, que conecta cientistas dedicados a ampliar os trabalhos sobre o Alzheimer e outras formas de demência.</p>



<p>De acordo com ele, o pior controle de fatores de risco para a doença também deve contribuir para o aumento do número de novos casos.</p>



<p>Há ainda questões socioeconômicas. “Sabemos hoje que níveis mais baixos de escolaridade são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de Alzheimer e outros tipos de demência, uma vez que diminuem o que chamamos de reserva cognitiva do cérebro”, explica o pesquisador.</p>



<p>Ele afirma que alguns estudos já indicam uma tendência de redução na incidência desse tipo de demência em países da América do Norte e da Europa, o que os cientistas atribuem ao aumento dos níveis de escolaridade e à maior oferta de tratamentos e prevenção de fatores de risco — <a href="https://www.thelancet.com/article/S0140-6736(20)30367-6/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma pesquisa publicada</a> há quatro anos na revista científica <em>The Lancet</em> constatou que 12 fatores de risco estão ligados a 40% dos casos de demência, incluindo Alzheimer, em todo o mundo.</p>



<p>Esses fatores são distribuídos ao longo da vida. “Na infância, a escolaridade reduz esse risco, ao passo que, na meia-idade, deficiência auditiva moderada a grave não tratada é outro fator ligado ao risco maior”, diz Caramelli.</p>



<p>“Há ainda outros fatores que perduram toda a vida, como hipertensão arterial e níveis altos de colesterol, obesidade e diabetes, sedentarismo, tabagismo, que se não forem evitados ou controlados podem aumentar significativamente o risco de desenvolvimento da doença”, completa Ferreira, da UFRJ.</p>



<p>Na avaliação da estatística Camila Bertini Martins, do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Unifesp, uma das autoras do estudo na revista <em>Epidemiologia e Serviços de Saúde</em>, existe um grande potencial de prevenção da doença no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O acesso à educação, aos serviços e às políticas públicas de saúde de prevenção da demência poderia mudar o cenário da doença no país”, diz Martins, da Unifesp.</p></blockquote></figure>



<p>Compreender a extensão do problema é fundamental para que o país consiga se preparar e possa criar serviços adequados para atender às necessidades das pessoas acometidas. Até o momento, no entanto, não se sabe a exata incidência da doença nem a mortalidade no país.</p>



<p>“A subnotificação é alta e a maioria dos estudos epidemiológicos é feita nas regiões Sul e Sudeste”, diz a neurologista Sonia Brucki, coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).</p>



<p>Os pesquisadores estimam que quase 2 milhões de pessoas vivam com algum tipo de demência no Brasil, sendo o Alzheimer a causa mais comum, respondendo por até 60% dos casos. </p>



<p>Muitas sequer foram diagnosticadas, o que as impede de receber tratamento adequado para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da enfermidade.</p>



<p>Para Caramelli, a dificuldade em se avançar no diagnóstico em parte está associada à falta de profissionais capacitados para identificar sintomas iniciais da doença na atenção primária. </p>



<p>“O problema também esbarra na falta de conhecimento da população, o que faz com que perdas de memória sejam vistas como um sinal normal de envelhecimento, o que nem sempre é verdade”, afirma Brucki.</p>



<p>“É preciso educar as pessoas e treinar os médicos e outros profissionais do sistema público, sobretudo o clínico geral, que em muitos lugares é quem tem o primeiro contato com o paciente, para identificar os sintomas, aplicar os instrumentos de diagnóstico e pedir os exames para identificar a doença o mais cedo possível.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estratégias de tratamento</strong></h2>



<p>O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e progressiva causada pelo acúmulo no cérebro de duas proteínas, a beta-amiloide e a tau. Seus primeiros sintomas — falhas recorrentes na recordação de fatos recentes — surgem com mais frequência a partir dos 65 anos. </p>



<p>“Alguns estudos, no entanto, indicam que o desenvolvimento da doença no cérebro pode se iniciar até duas décadas antes”, diz Ferreira.</p>



<p>A doença ainda não tem cura, mas existem alguns medicamentos, disponíveis no sistema público de saúde, que ajudam a atenuar os sintomas, como a perda de memória. </p>



<p>São os chamados inibidores da colinesterase: donepezila, galantamina e rivastigmina, indicados para casos leves e moderados. Eles aumentam a disponibilidade no cérebro do neurotransmissor acetilcolina, importante para a cognição.</p>



<p>“Estudos observacionais sugerem que essas medicações no longo prazo podem alentecer o agravamento dos sintomas e reduzir a mortalidade”, comenta Caramelli.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1000" height="714" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936.jpg" alt="" class="wp-image-3829" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-800x571.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-400x286.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-768x548.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/shutterstock_700156936-150x107.jpg 150w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para a neurologista Sonia Brucki, da USP, é preciso oferecer mais treinamento a médicos e outros profissionais da saúde para que possam identificar os sintomas do Alzheimer, aplicar os instrumentos de diagnóstico e pedir exames a fim de identificar a doença o mais cedo possível | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<p>Para os estágios mais avançados, a opção é a memantina, que modula a ação de outro neurotransmissor, o glutamato, que, em altas concentrações, é tóxico para os neurônios.</p>



<p>Além de caros, esses medicamentos têm resultados modestos, reduzindo apenas moderadamente o ritmo do declínio cognitivo. “O paciente continua a piorar, mas de forma mais lenta”, diz Ferreira.</p>



<p>Em julho de 2022, a empresa farmacêutica norte-americana Eli Lilly <a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2807533?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anunciou os resultados</a> da fase final de testes clínicos de um medicamento experimental contra a doença. O composto, um anticorpo monoclonal chamado donanemabe, mostrou-se capaz de retardar o declínio cognitivo em até 60% em indivíduos tratados nos estágios iniciais da doença.</p>



<p>A Eli Lilly já havia divulgado resultados parciais de seu estudo dois meses antes, mas alguns pesquisadores ainda tinham dúvidas sobre a segurança e eficácia do fármaco em determinados grupos de pacientes.</p>



<p>O anúncio da nova droga se deu poucas semanas após a agência regulatória de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, ter aprovado o uso de outro fármaco contra a doença, o lecanemabe, da farmacêutica japonesa Eisai.</p>



<p>Um terceiro fármaco, o aducanumabe, já havia sido aprovado para uso em 2021, mas será descontinuado no final deste ano. Todos eles agem da mesma forma no cérebro, eliminando aglomerados de beta-amiloide.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Obstáculos e otimismo</strong></h2>



<p>A chegada desses medicamentos marca um ponto de virada no que tem sido um longo e árduo caminho para se encontrar maneiras de retardar o Alzheimer, “uma doença complexa, desafiadora, com ações biológicas ainda não totalmente conhecidas, o que torna tudo muito mais difícil”, diz Ferreira.</p>



<p>O problema dessas medicações é que, além de caras, podem causar uma condição chamada “anormalidades de imagem relacionadas à amiloide” (ARIA), a qual, ocasionalmente, <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-023-02321-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desencadeia convulsões e hemorragia cerebral</a>.</p>



<p>Cerca de um quarto dos participantes do estudo de fase 3 da Eli Lilly desenvolveu ARIA; três morreram em decorrência do problema. Os casos de ARIA foram mais comuns em participantes portadores da <a href="https://abneuro.org.br/2021/12/22/o-papel-do-gene-da-apoe-na-doenca-de-alzheimer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">variação genética APOE4</a>, que aumenta o risco de desenvolver Alzheimer. </p>



<p>Os indivíduos que carregam esse gene também se beneficiaram menos do donanemabe em comparação com os participantes que não tinham a variante.</p>



<p>Apesar dos obstáculos, Caramelli vê o cenário com otimismo. “Acho que é uma questão de tempo até surgirem novas medicações”, ele diz.</p>



<p>“Uma cura ainda deve estar distante, mas remédios que ajudem no controle dos sintomas e a tornar a evolução mais lenta, acredito que é algo a médio prazo que devemos conseguir.</p>



<p>A prevenção, com o controle dos fatores de risco já identificados, ainda é a melhor estratégia para prevenir a doença, segundo Caramelli, sobretudo pela possibilidade de atuar em diferentes mecanismos de doenças que causam demência e podendo ser integrada em programas de saúde pública de maior alcance populacional.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/">Mortes decorrentes do Alzheimer aumentam no Brasil e desafiam a pesquisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/mortes-decorrentes-do-alzheimer-aumentam-no-brasil-e-desafiam-a-pesquisa/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A produção de sofrimento em mulheres com sintomas estéticos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-producao-de-sofrimento-em-mulheres-com-sintomas-esteticos/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-producao-de-sofrimento-em-mulheres-com-sintomas-esteticos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 11:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[#endocrinologia]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#mídias sociais]]></category>
		<category><![CDATA[#ovários policísticos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3815</guid>

					<description><![CDATA[<p>Para antropóloga Fabíola Rohden, diagnóstico e tratamento da síndrome dos ovários policísticos estão profundamente associados a padrões de beleza tradicionais </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-producao-de-sofrimento-em-mulheres-com-sintomas-esteticos/">A produção de sofrimento em mulheres com sintomas estéticos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em artigo <a href="https://www.scielo.br/j/csc/a/SWynLQ6Fs6JvNppK3TzyR8w/?lang=pt" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado</a> em fevereiro na revista <em>Ciência e Saúde Coletiva</em>, o grupo de pesquisa comandado pela antropóloga Fabíola Rohden, do Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), discutiu, a partir de discursos veiculados em um grupo no Facebook com milhares de membros, o impacto da síndrome dos ovários policísticos (SOP) em adolescentes e mulheres em idade fértil.&nbsp;</p>



<p>A SOP é um <a href="https://vidasaudavel.einstein.br/o-que-e-sindrome-do-ovario-policistico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">distúrbio endocrinológico</a> caracterizado pelo aumento da produção de hormônio masculino em mulheres. O termo ‘policístico’ se refere ao aspecto habitualmente encontrado nos ovários das mulheres com a síndrome, com a presença de diversos pequenos cistos.</p>



<p>A síndrome acomete mulheres que naturalmente produzem uma quantidade maior de hormônios masculinos, os chamados andrógenos. Esse desequilíbrio hormonal interfere na ovulação e eleva a incidência de cistos, resultando de uma pequena falha nos folículos ovarianos, onde são produzidos os óvulos. Entre os sintomas, destacam-se a acne, o aumento de peso e a presença de pelos indesejáveis.</p>



<p>A análise científica dos depoimentos e das imagens publicadas pelas mulheres no Facebook sugere que diagnóstico, tratamento e percepção da SOP estão profundamente associados a fatores estéticos, além de possivelmente se basearem em dados estatísticos distorcidos.</p>



<p>Alinhando o enredo científico que emerge especificamente da análise da síndrome com resultados de outros estudos, Rohden apresenta, nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, um quadro geral que explica como as discussões entre pacientes nas mídias sociais podem estar “revolucionando” a relação entre pacientes e médicos nos consultórios.</p>



<p>São mudanças que, apesar de gerarem uma reação entre os profissionais de saúde, não são de todo ruim, na visão da antropóloga. Além da SOP, a chamada doença do silicone, outra síndrome investigada pelo grupo de Rohden, também revela insights interessantes relacionados à antropologia da saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena &#8211; Por que a escolha da síndrome dos ovários policísticos para este estudo em específico?</strong></h2>



<p>&nbsp;<strong>Fabíola Rohden</strong> &#8211; Este trabalho é um estudo de caso dentro de um conjunto mais abrangente. É um estudo de caso que envolve o desenvolvimento de novas possibilidades de transformação corporal e subjetiva. Ou o que podemos definir como uma busca incessante pelo aprimoramento do corpo.</p>



<p>Os ovários policísticos aparecem, então, porque se trata de um diagnóstico considerado ainda controverso. É um diagnóstico que era feito de uma maneira diferente há 30 anos e, hoje, se faz de outra. Se você for conversar com uma médica ginecologista, ela terá uma percepção do assunto. Já o endocrinologista vai ter outra percepção.</p>



<p>O foco da nossa pesquisa, especificamente, estava em entender como as mulheres se relacionam com o diagnóstico controverso. Para isso, usamos o material publicado por mulheres que discutem o tema no Facebook. Nosso grupo também vem se dedicando a estudar o impacto da produção de autodiagnóstico e como isso influencia na relação com os próprios especialistas de medicina e nos tratamentos em geral.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1038" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-1038x1200.jpg" alt="" class="wp-image-3816" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-1038x1200.jpg 1038w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-692x800.jpg 692w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-346x400.jpg 346w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-768x887.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-1329x1536.jpg 1329w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1-130x150.jpg 130w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/05/Foto-Fabiola-2024-1.jpg 1620w" sizes="(max-width: 1038px) 100vw, 1038px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fabíola Rohden, da UFRGS: “SOP afeta a autoestima da mulher em função da dimensão estética, muito marcada por padrões de feminilidade” | Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Há indícios de como o “Dr. Google” está influenciando a relação médico-paciente?</strong></h2>



<p>&nbsp;Está claro que temos uma democratização relativa da informação de saúde. O relativo é importante porque muitas vezes são informações recebidas sem uma fonte confiável. E são também interpretadas de maneiras muito equivocadas. Portanto, entender como as pessoas se relacionam com esses recursos é absolutamente central para podermos falar sobre saúde.</p>



<p>Em particular, temos também a questão das cirurgias estéticas. As redes sociais têm sido o lugar onde as pessoas buscam compartilhar informações. Entre os objetivos ao fazer isso, está o de checar se a informação dada pelo médico ou médica está fazendo sentido, a partir da opinião de outras pessoas leigas. É uma relação bastante complexa, que precisa ser pensada com muito cuidado.</p>



<p>Temos que ter atenção em relação ao que ocorre nos grupos de redes sociais, entre elas Facebook, Instagram, WhatsApp e TikTok.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Existe uma espécie de intimidade nas redes sociais, em que as pessoas se sentem mais à vontade para falar sobre aspectos íntimos da vida, o que nem sempre ocorre no consultório.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E isso ocorre no caso da Síndrome dos Ovários Policísticos?</strong></h2>



<p>&nbsp;No caso da SOP, percebemos, a partir do estudo com grupos do Facebook, alguns aspectos absolutamente centrais no discurso público. Aparece a questão da fertilidade, entre as mulheres que estão tentando engravidar, e elas atribuem o insucesso à síndrome. Mas o que mais aparece mesmo é a questão do aspecto estético. E foi em função disso que a gente trabalhou mais em relação aos discursos. Para isso, selecionamos um grupo de Facebook com 184 mil membros.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dentro dessa amostragem é que foram feitas as categorizações dos discursos das pacientes?</strong></h2>



<p>Encontramos, podemos dizer, três temas de destaque. O primeiro, sem dúvida alguma, é o do emagrecimento. Existe um imperativo. Uma recomendação extremamente presente de que as mulheres com ovários policísticos precisam emagrecer. É um discurso, como destacamos, para além das necessidades da saúde. Existe o imperativo moral do emagrecimento em uma sociedade que tende a ser gordofóbica, que cultua o corpo magro e a ideia de juventude associada à magreza.</p>



<p>O segundo tópico é sobretudo o problema da acne. E, também neste caso, há toda uma necessidade de produzir intervenções que atenuem ou corrijam o problema. E o terceiro entrave, também de ordem estética, é o do crescimento dos pelos. Ele não tem nenhuma correlação com a saúde, porque o fato de você ter mais ou menos pelo não vai afetar a sua saúde. Mais uma vez, é uma questão de gênero.</p>



<p>As mulheres do grupo se sentem profundamente incomodadas por uma presença mais numerosa de pelos no corpo, especialmente nas partes mais visíveis. Ao somar isso à acne e à “necessidade” de emagrecimento, tem-se a noção de como a SOP afeta muito a autoestima das mulheres, associada a uma percepção mais geral de que é uma condição que afeta a feminilidade como um todo. O que observamos é que a busca com foco na supressão de fatores estéticos indesejáveis, mas que não são necessariamente indicadores de problemas de saúde, pode, em si, se tornar um fator de produção de sofrimento para essas mulheres.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como é possível melhorar a qualidade de vida dessas mulheres?</strong></h2>



<p>É importante demarcar um ponto que julgo muito relevante. O que conseguimos perceber, do ponto de vista de uma antropologia do corpo e da saúde, é como o diagnóstico de SOP está profundamente marcado por imposições sociais associadas a um certo padrão de feminilidade.</p>



<p>E muitas dessas mulheres são adolescentes. Porque a SOP começa a ser percebida e diagnosticada na adolescência. Então, muitas dessas mulheres e adolescentes entram em uma corrida intensa por busca de recursos para tratar essa condição que muitas vezes não tem nenhuma relação com um problema de saúde em si.</p>



<p>Mas, claro, que afeta a autoestima em função da dimensão estética, muito marcada por padrões de feminilidade e por imposição do lado masculino. Esse é o quadro. Nós tentamos compreender e estudar essas situações, mais relacionadas à estética e à questão mental.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Existe um entendimento sobre o tamanho da SOP na população?</strong></h2>



<p>Se o diagnóstico é controverso, as estatísticas também o são. Em termos gerais, se fala que entre 6% e 16% das mulheres em idade reprodutiva teriam a SOP. O que significa muita gente. O que ocorreu historicamente é que a abordagem tradicional da SOP era via perspectiva ginecológica e o tratamento, feito com contraceptivos orais. Vamos deixar assim. É uma questão a ser investigada, apesar de achar que é mais do que isso, mas precisamos investigar quantas mulheres de fato têm SOP. Um contingente muito grande de gerações de mulheres passou a tomar contraceptivos orais muito cedo na adolescência durante um período muito prolongado em função de um diagnóstico de SOP.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sem necessidade?</strong></h2>



<p>&nbsp;Talvez sejam diagnósticos que não foram bem-feitos. Temos sobre isso, hoje, uma série de discussões e controvérsias. O uso do contraceptivo oral não é inofensivo. Ele tem uma série de consequências, pode ter outras interações clínicas e várias contraindicações por causa de efeitos colaterais. Para mim, é uma questão muito importante a ser investigada.</p>



<p>Digamos, um contingente muito grande pode ter tomado contraceptivos e não apenas não ter resolvido nada, mas agravado ou provocado certas consequências.</p>



<p>Não é uma questão de “demonizar” os profissionais, mas entender isso de uma perspectiva mais ampla. Questões de saúde, diagnósticos controversos e indústria farmacêutica operam nesse circuito. A própria internet está dentro desse contexto histórico, ao ajudar a disseminar informações tanto para o bem quanto para o mal.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais para o mal?</strong></h2>



<p>Existem estudos de autores estrangeiros, e nossas pesquisas também caminham para isso, que mostram que podemos observar, hoje, diferentes tipos de pacientes.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Cada vez mais as pessoas vão se tornando uma espécie de “paciente especialista.”</p></blockquote></figure>



<p>Décadas atrás, as pessoas sentiam um problema e procuravam um médico e havia uma relação de autoridade com o médico. Havia uma confiança na ética médica, na ciência. A pessoa dizia que “estava nas mãos daquele médico”.</p>



<p>Hoje em dia, isso é bastante mais disperso e confuso. É muito comum que antes de sair de casa para uma consulta você procure no Google seus sintomas e tente descobrir algo. Ou então converse com outras pessoas pelas redes e já chegue no consultório como um especialista, já sabe até como aqueles sintomas são tratados, quais medicamentos usar e assim por diante.</p>



<p>Por um lado, isso pode ser muito bom e útil. Pode ser interessante as pessoas aprenderem a reconhecer melhor os sintomas. Mas, por outro lado, vai produzindo novas formas de interação, de desconfiança com o diagnóstico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E como os médicos se comportam diante disso? Existe um padrão?</strong></h2>



<p>Temos mapeado isso cada vez mais. Principalmente os médicos mais jovens estão indo para as redes sociais, tornando-se figuras públicas e uma espécie de formador de opinião. E as redes sociais, hoje, também cobram uma mistura entre vida profissional e pessoal. Há toda uma exposição pessoal e profissional também nas redes sociais.</p>



<p>Tem um fenômeno interessante que estamos estudando ainda. Institucionalmente, o que vem ocorrendo é que existem comportamentos mais reativos às redes sociais. Mapeamos alguns congressos e, em um deles, um médico apresentou um <em>print</em> de Facebook e disse, “como é que a gente vai reagir a isso?” O debate era sobre o uso ou não dos contraceptivos hormonais. Existem vários cenários nesse contexto.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cresce a importância da informação de qualidade?</strong></h2>



<p>Exato. Existe uma relação com o Google. Mas o paciente pode também estar em uma rede social, trocando informações com milhares de pessoas, dizendo que tem tal sintoma, e perguntando o que todos acham. Temos visto muito isso nos grupos que estudamos: “Olha, aqui está o meu exame, como eu interpreto isso?” Muitos perguntam nas redes.</p>



<p>E aí aparece um contingente enorme e variado de pessoas dizendo que aquele exame é parecido com o dela e o médico já disse isso ou aquilo sobre aquele problema. Nem todos têm o poder de filtrar tudo isso. Por isso defendo todas as iniciativas de divulgação científica, de comunicação, absolutamente fundamentais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Existem exemplos para ilustrar casos em que a internet ajudou?</strong></h2>



<p>Existe um exemplo interessante a partir de estudos nossos. A Jéssica Brandt da Silva, uma orientada minha, fez sua <a href="https://lume.ufrgs.br/handle/10183/229787" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa de mestrado</a> sobre uma condição que se chama “doença do silicone”. É algo caracterizado por uma série de problemas que mulheres com silicone nos seios passaram a perceber. Não é uma rejeição imediata à matéria-prima, mas uma condição mais complexa, mais geral. As reações vão ocorrendo ao longo do tempo. E, de novo: é um diagnóstico muito controverso.</p>



<p>Existe, por enquanto, uma dificuldade da medicina mais tradicional de encarar que o problema existe. Mas há estudos epidemiológicos sobre isso. E o trabalho da Jéssica mostrou como, por meio das redes sociais, as mulheres que sentem essa condição foram relatando seus problemas e, ao longo dos anos, conseguiram montar uma perspectiva de que, é fato, existem milhares de outras mulheres sentindo sintomas parecidos e, portanto, era preciso lutar para que a síndrome fosse reconhecida.</p>



<p>O relato de experiências que têm muito em comum produz uma espécie de somatório de evidências paralelas. Ao se identificarem com a experiência da outra pessoa, têm o seu sofrimento reconhecido e seguem na busca por um diagnóstico válido. Esse reconhecimento é muito importante para essas mulheres.</p>



<p>É interessante que existam muitos consultórios médicos para ajudar as mulheres a terem o corpo que elas “idealizaram”. O sonho da feminilidade. Mas temos poucos profissionais disponíveis para a retirada das próteses quando isso é desejado e necessário.&nbsp; E assim voltamos à questão de gênero, à relação complexa entre demandas de aprimoramento corporal impostas pela sociedade, a pressão das redes sociais e a associação com os recursos e profissionais médicos e sua responsabilidade ética.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-producao-de-sofrimento-em-mulheres-com-sintomas-esteticos/">A produção de sofrimento em mulheres com sintomas estéticos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-producao-de-sofrimento-em-mulheres-com-sintomas-esteticos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A população negra apresenta os piores desfechos em saúde</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-populacao-negra-apresenta-os-piores-desfechos-em-saude/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-populacao-negra-apresenta-os-piores-desfechos-em-saude/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Apr 2024 16:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#desigualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#população negra]]></category>
		<category><![CDATA[#Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3456</guid>

					<description><![CDATA[<p> Pesquisadora se dedica há 10 anos a comparar dados, avaliar diferenciais em anos potenciais de vida perdidos e identificar iniquidades em saúde no Brasil, sobretudo, sob perspectiva racial.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-populacao-negra-apresenta-os-piores-desfechos-em-saude/">A população negra apresenta os piores desfechos em saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pesquisadora Ionara Magalhães de Souza, doutora em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) com doutorado sanduíche na University of the Western Cape (Cidade do Cabo, África do Sul), se define como “resultado de um arcabouço de adversidades” – e, ao mesmo tempo, como fruto de políticas públicas e oportunidades de mobilidade social.</p>



<p>Coordenadora de políticas afirmativas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a pedagoga e fisioterapeuta explica, nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, que seu interesse por pesquisas em saúde de grupos populacionais específicos nasceu de pura e simples indignação. Ou do “reconhecimento de que estamos envolvidas/os em um sistema eugênico, antinegro, anti-indígena, cis-heteronormativo”.</p>



<p>Seus estudos, amparados no campo da epidemiologia social, envolvem a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, “ignorada na quase totalidade dos municípios brasileiros”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena &#8211;</strong> <strong>Como surgiu seu interesse em trabalhar com temas de&nbsp;desigualdade dentro da saúde?</strong></h2>



<p><strong>Ionara Magalhães &#8211;</strong> O interesse em trabalhar com desigualdades em saúde parte de duas dimensões: uma, dado o processo formativo – educação básica, graduações, pós-graduações, participação em projetos de pesquisa, extensão, comitês, observatórios – e o consequente desenvolvimento de uma consciência ancestral, política e social, compreendo-me como resultado de um arcabouço de adversidades e fruto das políticas públicas e oportunidades que possibilitam mobilidade social.&nbsp;</p>



<p>A outra dimensão parte da indignação, do reconhecimento de que estamos envolvidas/os em um sistema eugênico, antinegro, anti-indígena, cis-heteronormativo, antidemocrático, antidireitos humanos. Em outras palavras, sob vigência de um sistema classista, racista, capacitista, etarista e patriarcal que fundamenta esse país oligárquico, hierárquico, autoritário, meritocrático, patrimonialista e violento.</p>



<p>Daí a necessidade de enfrentamento das iniquidades e de disputa histórica. A população negra e outras populações vulnerabilizadas ocupam os estratos mais pobres, apresentam os piores indicadores sociais e, consequentemente, os piores desfechos em saúde.</p>



<p>Assim, atrelada à dificuldade de acesso à informação, pior qualidade da assistência à saúde, pior prognóstico e piores condições de tratamento e reabilitação, ampliam-se as probabilidades de adoecimento, multimorbidade e morte. </p>



<p>Essa compreensão é basilar no campo das desigualdades em saúde, e todas essas questões requerem intervenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais suas principais contribuições a partir dos estudos que desenvolve na área de&nbsp;epidemiologia das desigualdades em saúde?</strong></h2>



<p>Sou professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e atuo como pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdades em Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) há dez anos. Lá, desenvolvemos estudos destinados a comparar dados, avaliar diferenciais em anos potenciais de vida perdidos e identificar iniquidades em saúde no Brasil, sobretudo sob a perspectiva racial.</p>



<p>Esses estudos&nbsp;se amparam na epidemiologia social, envolvem a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que é transversal, contra-hegemônica e ignorada na quase totalidade dos municípios brasileiros. Também abarcam a análise do preenchimento da variável raça/cor e outros dados oriundos dos sistemas de informação em saúde e versam sobre a atenção à saúde da população negra, análise de indicadores, perfis de morbimortalidade, qualidade da assistência e a intersecção do racismo sobre as práticas de cuidado.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual sua avaliação das políticas afirmativas voltadas a tornar a produção científica “menos branca” e mais inclusiva no Brasil?</strong></h2>



<p>Temos algumas produções científicas sobre políticas afirmativas, mas poucas iniciativas voltadas para as políticas afirmativas no campo da produção científica. Qual o alcance das políticas afirmativas na produção científica? Não existe neutralidade científica na ciência.</p>



<p>A ciência é branca e o racismo científico teve papel preponderante no desenvolvimento de uma sociedade patologizada, pautada na eugenia e na produção sistêmica de atrocidades na medida em que as teorias que remontam ao século XVI enalteciam a superioridade genética, moral, estética, intelectual e cultural de brancos e defendiam a propensão genética de determinadas raças à criminalidade, à marginalidade, à inferioridade, à violência, à decadência civil.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A ciência institucionalizou práticas racistas. O &#8216;epistemicídio&#8217; é uma produção histórica e social.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Inversamente, compete ao campo da produção científica a responsabilidade moral e o compromisso político e social de provocar transformações, mobilizar forças políticas e promover equidade.</p>



<p>Desigualdades persistem na natureza das produções científicas, no perfil de pesquisadores/as (quem são, quem pesquisa, quem é pesquisado), nas temáticas quase sempre negligenciadas, pouco valorizadas, nos artigos aceitos para publicação, nos projetos de pesquisa contemplados pelas agências de fomento.</p>



<p>A produção científica impulsiona a promoção de políticas públicas. É necessário fomentar pesquisas a partir dos indicadores de saúde, pautar iniquidades&nbsp; em saúde e interseccionalidades nas agendas em pesquisa, valorizar saberes populares, destinar recursos para o desenvolvimento de ações afirmativas na produção científica. </p>



<p>A falta de políticas afirmativas impacta o acesso à pós-graduação e, consequentemente, a contribuição científica. Ações afirmativas podem minimizar as desigualdades de oportunidades de acesso, potencializar o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Inquestionavelmente, o enfrentamento das iniquidades perpassa a adoção de políticas afirmativas na produção científica.</p>



<p>Torná-la menos branca e, consequentemente, menos excludente implica compreender os benefícios de uma ciência diversificada, decolonial. A redução das desigualdades sociais impacta a produção científica do Brasil que, por sua vez, incide favoravelmente sobre as populações vulnerabilizadas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como você avalia os esforços para ampliar a&nbsp;equidade na saúde e na pesquisa em saúde nos últimos anos?&nbsp;Quais os avanços e os retrocessos?</strong></h2>



<p>Não temos tradição de refletir sobre as desigualdades em saúde, assim como não temos um sistema de enfrentamento das iniquidades no Brasil. As ações são fragmentadas, individuais ou conduzidas por alguns segmentos sociais. </p>



<p>A equidade na saúde e na pesquisa em saúde nos últimos anos é relativamente tímida. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O enfrentamento das iniquidades em saúde requer o desenvolvimento de consciência histórica e política e o reconhecimento do racismo, classismo, sexismo e capacitismo como vetores de adoecimento e morte de determinadas populações.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Não universalizamos os direitos constitucionais. São necessárias reformas política, sanitária e administrativa; ampliar as redes afetivas, teóricas e políticas e preservar o senso de coletividade e de justiça; fortalecer as identidades e o controle social. </p>



<p>Precisamos investir em proteção e bem-estar social, as instituições precisam ser espaços seguros para as pessoas em situação de vulnerabilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual a responsabilidade do Estado nisso?</strong></h2>



<p>O Estado tem a responsabilidade de promover a igualdade de direitos e oportunidades, implementar ações afirmativas nos setores públicos e privados, investir no Sistema Único de Saúde (SUS); implementar a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, pois as políticas universalistas são insuficientes.</p>



<p>Cabe a ele também financiar, monitorar e avaliar as ações voltadas para a saúde das populações marginalizadas; qualificar o preenchimento do campo raça/cor em todos os sistemas de informação; desenvolver pesquisas sobre morbimortalidade envolvendo os fatores de risco e proteção e a qualidade da atenção à saúde da população negra.</p>



<p>O Estado também deve investir em educação para as relações étnico-raciais; alterar a cultura institucional de modo a termos gestores, profissionais, trabalhadoras/es e usuárias/os pró-equidade. E, assim, construir um projeto de sociedade democrático e equânime.</p>



<p>Nós herdamos e reproduzimos um sistema-mundo que se sustenta às custas da humanidade e negação de direitos do “não-branco”, e isso justifica a resistência de segmentos conservadores à adoção de políticas específicas e reparativas, leiam-se ações afirmativas. </p>



<p>Precisamos investir em estudos sobre branquitude e ações afirmativas na saúde – duas grandes chaves para entendermos as iniquidades em saúde e promovermos as estratégias de reparação social.</p>



<p>Avançamos em produções científicas e na luta pela equidade, todavia nos encontramos num contexto de destruição das políticas sociais. A reconstrução do país só se dará mediante bases democráticas, justas e inclusivas e adoção de novos parâmetros epistemológicos.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-populacao-negra-apresenta-os-piores-desfechos-em-saude/">A população negra apresenta os piores desfechos em saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/entrevistas/a-populacao-negra-apresenta-os-piores-desfechos-em-saude/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Resgate da memória e resistência indígena</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/resgate-da-memoria-e-resistencia-indigena/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/resgate-da-memoria-e-resistencia-indigena/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 16:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde indígena]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3330</guid>

					<description><![CDATA[<p>Professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará recomenda obra que resgata história da população indígena no período da ditadura</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/resgate-da-memoria-e-resistencia-indigena/">Resgate da memória e resistência indígena</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO:&nbsp;</strong><strong></strong></h2>



<p>O documento <a href="https://memoriasdaditadura.org.br/indigenas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em><strong>Memórias da Ditadura: Indígenas</strong></em></a>, material que compõe o portal <a href="https://vladimirherzog.org/acoes-ivh/portal-memorias-da-ditadura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Memórias da Ditadura</a>, produzido pelo <a href="https://vladimirherzog.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Vladimir Herzog</a>.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE VALE A LEITURA?</strong><strong></strong></h2>



<p>Quando aprendemos na escola sobre a população indígena, pensamos no início da vinda dos colonizadores portugueses, com aquelas figuras cândidas dos indígenas recebendo Pedro Álvares Cabral (1467-1520) e sua esquadra.</p>



<p>Porém, não foi assim que tudo aconteceu. </p>



<p>Quando os primeiros portugueses chegaram ao Brasil, a população indígena era estimada em torno de 5 milhões de pessoas, organizadas em mais de 2 mil povos. Este número caiu para cerca de 100 mil indígenas na década de 1960.</p>



<p>O que mais me impressionou no conteúdo produzido pelo Instituto Vladimir Herzog, e que eu desconhecia, foi ler sobre os horrores passados por muitas destas comunidades durante o período descrito como “de desenvolvimento” pela ditadura militar (1964-1985) no Brasil, que dizimou completamente a população de indígenas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Vários projetos, em diferentes partes do país, expulsaram os indígenas de seus territórios e&nbsp;provocaram milhares de mortes nas aldeias.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>A abertura da rodovia Transamazônica (BR-230), por exemplo, afetou de maneira trágica 29 grupos indígenas, dentre eles onze etnias que viviam completamente isoladas.&nbsp;</p>



<p>A <a href="http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/index.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comissão Nacional da Verdade</a> (CNV, que vigorou de 2011 a 2014) apontou homicídios, torturas, mortes em conflitos e em remoções forçadas, crises de abastecimento e mesmo epidemias inoculadas propositalmente, no caso no sul do estado da Bahia.</p>



<p>A grave situação dos sobreviventes deste “ciclo de desenvolvimento”, levou o Brasil a ser condenado no II Tribunal Russell, realizado em 1975.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/resgate-da-memoria-e-resistencia-indigena/">Resgate da memória e resistência indígena</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/resgate-da-memoria-e-resistencia-indigena/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Racismo, baixa escolaridade e condições de moradia aumentam risco para morte por Aids</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/racismo-baixa-escolaridade-e-condicoes-de-moradia-aumentam-risco-para-morte-por-aids/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/racismo-baixa-escolaridade-e-condicoes-de-moradia-aumentam-risco-para-morte-por-aids/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2024 19:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Aids]]></category>
		<category><![CDATA[#determinantes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#HIV]]></category>
		<category><![CDATA[#Racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3246</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estudo com 28,3 milhões de brasileiros revelou o impacto dos determinantes sociais de saúde na mortalidade causada pelo vírus HIV</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/racismo-baixa-escolaridade-e-condicoes-de-moradia-aumentam-risco-para-morte-por-aids/">Racismo, baixa escolaridade e condições de moradia aumentam risco para morte por Aids</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um estudo retrospectivo com 28,3 milhões de brasileiros, acompanhados ao longo de nove anos (2007 a 2015), revelou o impacto dos determinantes sociais de saúde (DSS) na morbidade e na mortalidade pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), na camada mais pobre da população. Os dados foram compilados do Cadastro Único (que centraliza informações de beneficiários de programas sociais) e do Ministério da Saúde.</p>



<p>Os resultados da avaliação foram <a href="https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2667-193X%2823%2900128-X" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicados</a><strong> </strong>na revista <em>The Lancet Regional Health &#8211; Americas</em>. Até onde se sabe, esse foi um dos maiores e mais compreensivos estudos dos efeitos dos DSS em doenças infecciosas.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores, de instituições científicas da Bahia, Reino Unido e Estados Unidos, mostraram que existe um risco consideravelmente maior de infecção pelo vírus e de morte em pessoas negras, além de uma relação direta entre níveis de renda, de habitação e de educação na incidência e mortalidade por Aids. Fatores geográficos também tiveram peso significativo.</p>



<p>“A baixa renda pode caracterizar limitações socioestruturais de recursos e estar fortemente relacionada à exclusão social e insegurança alimentar, potenciais barreiras ao diagnóstico precoce, iniciação ou aderência ao tratamento retroviral”, escrevem os autores do estudo.</p>



<p>De acordo com eles, existem ainda evidências de que a pobreza, além de associada ao risco de HIV, está relacionada ao acesso reduzido a tratamentos e piores desfechos entre pessoas vivendo com HIV/Aids.</p>



<p>Os resultados revelam forte correlação entre o nível educacional e os desfechos da Aids analisados. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Observa-se que os analfabetos têm 46% mais risco de terem Aids e 176% mais risco de morrer por conta da síndrome, quando comparados com pessoas com nível superior de educação.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>O analfabetismo aumenta o risco de fatalidade em 130%. Não ter completado o ensino fundamental aumenta essa taxa em 104%.&nbsp;</p>



<p>Isso acontece devido a fatores que vão desde acesso, compreensão e habilidade de agir diante da informação (formas de se prevenir, importância da testagem e tratamento), até ao acesso à assistência médica.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Impactos do racismo estrutural</strong></h2>



<p>Fatores raciais também têm impacto na mortalidade. Pessoas negras apresentaram um risco 53% maior de terem Aids e 69% maior de uma morte pela doença do que os que se identificaram como brancos ou descendentes de asiáticos.</p>



<p>“Em países de alta renda, a incidência de mortalidade é maior entre pessoas negras”, afirmam os autores da pesquisa.&nbsp;</p>



<p>Esse risco mais alto, dizem, é considerado uma consequência do racismo estrutural, incluindo desigualdades raciais no acesso e qualidade dos serviços de saúde, “uma vez que não há evidência de que fatores genéticos tenham peso na infecção.”</p>



<p>Os pesquisadores ressaltam que o racismo estrutural no Brasil também se manifesta em piores habitações, trabalhos mal pagos e condições injustas de trabalho, perpetuando desigualdades raciais e submetendo essa população a piores desfechos relacionados ao HIV.&nbsp;</p>



<p>Em si, as piores condições de habitação também estão relacionadas à maior incidência da doença e à mortalidade.&nbsp;</p>



<p>Curiosamente, regiões do país com maior desenvolvimento e infraestrutura (como Sul e Sudeste) além de áreas urbanas, foram associadas a uma carga maior de HIV/Aids.&nbsp;</p>



<p>De acordo com os autores, ainda que tenham mais acesso a serviços de saúde e informação, as grandes cidades também têm outros fatores que podem contribuir com uma maior morbidade por HIV/Aids.</p>



<p>Por fim, beneficiários do programa Bolsa Família por cinco anos ou mais tiveram menos chances de ficarem doentes ou de morrerem em decorrência da Aids.&nbsp;</p>



<p>“Isso pode ser efeito da redução da pobreza ocasionada pelo programa federal de transferência de renda e das condicionantes para receber o benefício, como a necessidade de acompanhamento em serviços de atenção primária à saúde e o comparecimento de crianças e adolescentes à escola&#8221;, observam os pesquisadores. &#8220;Isso traz as famílias para perto dos serviços que fazem o diagnóstico e as ações de educação em saúde.&#8221;</p>



<p>Os autores concluem que, sem a implementação de intervenções significativas para melhorar os determinantes sociais de saúde, especialmente programas de proteção social, “há um risco do atual aumento das taxas de pobreza e vulnerabilidades sociais – por fatores como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia e a inflação global – reverter progressos feitos na luta contra a Aids nas últimas décadas.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/racismo-baixa-escolaridade-e-condicoes-de-moradia-aumentam-risco-para-morte-por-aids/">Racismo, baixa escolaridade e condições de moradia aumentam risco para morte por Aids</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/racismo-baixa-escolaridade-e-condicoes-de-moradia-aumentam-risco-para-morte-por-aids/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fronteiras tênues entre saúde e geografia</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/fronteiras-tenues-entre-saude-e-geografia/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/fronteiras-tenues-entre-saude-e-geografia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Feb 2024 21:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#geografia]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3227</guid>

					<description><![CDATA[<p>Helen Gurgel, da UnB, fala sobre os desafios da área do conhecimento que busca ampliar o diálogo entre geógrafos e profissionais da saúde</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/fronteiras-tenues-entre-saude-e-geografia/">Fronteiras tênues entre saúde e geografia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A geógrafa Helen da Costa Gurgel é coordenadora do Laboratório de Geografia, Ambiente e Saúde (Lagas) da Universidade de Brasília (UnB), criado para desenvolver pesquisas no campo da geografia da saúde, área do conhecimento que abarca a dinâmica entre medicina e ambiente.</p>



<p>Em entrevista ao <strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Science Arena</mark></strong>, Gurgel explica o que é esse campo de pesquisa e como a abordagem multidisciplinar é fundamental para estudos tão diversos, que abrangem desde pandemias até a saúde mental.</p>



<p>“A geografia é uma ciência que tem facilidade em dialogar com várias áreas, ajudando a sistematizar o conhecimento existente para apoiar as ações do setor de saúde.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena –</strong> <strong>O que caracteriza a geografia da saúde como campo de estudo?</strong></h2>



<p><strong>Helen Gurgel – </strong>Prefiro falar em geografia e saúde, por ser uma troca, um diálogo entre duas ciências muito bem conhecidas e com base secular. Para mim, é a capacidade que a geografia tem de ajudar no diálogo das situações de saúde, principalmente de saúde coletiva. Não trabalhamos com saúde do indivíduo porque não é a nossa linha.&nbsp;</p>



<p>Não vamos receitar remédios ou saber exatamente a genética que leva a certas situações. O que temos é a preocupação com o coletivo. Tudo está inserido em um determinado ambiente, então nossa pergunta é: como esse ambiente se comporta? Quais são as características dele que podem impactar a saúde?&nbsp;</p>



<p>A geografia da saúde tem esse papel de promover o diálogo entre essas áreas, porque o território é onde as coisas acontecem: onde as pessoas vivem, trabalham, se divertem, adoecem e se recuperam; é muito importante para compreender a dinâmica de certas doenças e auxiliar na gestão da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se define esse território?</strong></h2>



<p>A visão do território é, muitas vezes, meramente geométrica, como o limite de um bairro ou de um município. Mas o território é muito mais do que isso.<strong> </strong>Há territórios sobre territórios, sem necessariamente apresentar uma divisão tão rígida.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Compreender quais são as dinâmicas ambientais e socioeconômicas que ocorrem em determinados territórios representa um apoio para o pessoal da área da saúde, pois possibilita observar como a qualidade do ambiente e as características socioculturais têm impacto sobre a saúde.</p></blockquote></figure>



<p>A gente sempre brinca que, em vez de saúde, a gente acaba estudando doenças – mas o objetivo da geografia da saúde é justamente tentar identificar e compreender por que certos ambientes propiciam vidas mais saudáveis, e o que leva um ambiente a ter mais impacto na saúde da sua população do que outros.&nbsp;</p>



<p>Muitas vezes a gente se surpreende, porque vemos ambientes que parecem propícios a serem ruins para a saúde – quando, muitas vezes, eles são bons. Depende do tipo de saúde que você busca.&nbsp;</p>



<p>Isso acontece quando pensamos em saúde mental ou em alguns outros tipos de saúde ligados às questões ambientais, como qualidade do ar e do solo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como assim?</strong></h2>



<p>Se eu falar, por exemplo, sobre uma população ribeirinha da Amazônia, alguns vão achar que é uma população extremamente vulnerável, com muitos problemas de saúde, mas isso não necessariamente se confirma. Muitas vezes ela é mais saudável do que aquela que vive em centro urbano, com fácil acesso a tudo o que a saúde diz que é mais importante.&nbsp;</p>



<p>Quando colocamos lado a lado, algumas vezes a saúde do ribeirinho é melhor. Nesse diálogo, ajudamos a mexer com certos tabus e preconceitos. Por isso, defino a geografia da saúde como uma ciência que ajuda o diálogo entre os diversos tipos de conhecimento.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="1010" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-1200x1010.jpg" alt="" class="wp-image-3241" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-1200x1010.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-800x673.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-400x337.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-768x646.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1-150x126.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/02/Helen_Gurgel1.jpg 1299w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para a geógrafa Helen da Costa Gurgel, da UnB, é necessário estudar o impacto que o ambiente onde as populações vivem têm na saúde coletiva | Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como essa área de pesquisa está estabelecida no Brasil? Muitas pessoas conheceram a área durante a pandemia de Covid-19, não?</strong></h2>



<p>Ela começou a ganhar bastante força durante a década de 1990, com a formação ainda bem segmentada de alguns grupos. Para ser mais precisa, foi a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento [conhecida como Eco-92 ou Cúpula da Terra], realizada em 1992, no Rio de Janeiro, quando a questão ambiental ganhou mais destaque.&nbsp;</p>



<p>Atualmente, no Brasil, há uma comunidade importante de geógrafos da saúde e temos visto a evolução dessa temática dentro da geografia e na relação com outras áreas, principalmente quando falamos de saúde coletiva. A área ficou em evidência com a pandemia de Covid-19. Muitos geógrafos falaram à imprensa naquele momento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como a área contribuiu para o enfrentamento da pandemia?</strong></h2>



<p>De forma bastante intensa. Imediatamente foi formada uma força-tarefa de geógrafos da saúde, que começou a discutir o papel da mobilidade e da localização geográfica das cidades – lugares com aeroportos internacionais, por exemplo, onde ocorreram os primeiros casos no Brasil.&nbsp;</p>



<p>Fizemos muito mapeamento para mostrar o tempo e o caminho que a pandemia iria levar até chegar nas cidades mais afastadas dos centros urbanos, no interior do país. Também fizemos vários trabalhos para analisar o impacto da política no controle da doença, mostrando que, realmente, ela tinha muita importância na dinâmica da pandemia.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X22000382?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Publicamos um estudo</a> analisando como algumas cidades, mesmo aquelas mais bem estruturadas em relação à saúde (mas que escolheram um tipo de política) foram mais impactadas na pandemia do que outras menos estruturadas.&nbsp;</p>



<p>Era sinal de que a escolha de certos tipos de ação política impacta a dinâmica da Covid-19. Mostramos que muitos problemas no enfrentamento da pandemia não foram apenas resultado da falta de infraestrutura, mas também de uma fragilidade nas ações de combate à doença. </p>



<p>Este artigo foi feito em parceria entre especialistas de geografia e epidemiologia, e é um bom exemplo de como a situação social, econômica e política pode impactar na dinâmica de uma enfermidade.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E o que a geografia da saúde pode dizer a respeito de&nbsp; possíveis novas pandemias e epidemias?</strong></h2>



<p>Definitivamente podemos dizer que a geografia da saúde é uma ferramenta que pode contribuir muito quando se fala em pandemias e epidemias. Por exemplo, quando se fala da Amazônia, e como o seu desmatamento pode fazer emergir doenças que estão guardadas na biodiversidade local, sendo transmitidas para humanos, com grande potencial de se transformarem em pandemias.&nbsp;</p>



<p>Isso está dentro da linha do <a href="https://www.who.int/europe/initiatives/one-health" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>One Health</em></a> da OMS, a chamada ‘saúde única’. Temos trabalhado amplamente em parceria nesta linha, lançando luz sobre essa maneira de olhar a saúde de forma integrada, como um todo, considerando a dinâmica entre saúde do ambiente, saúde animal e saúde humana.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por falar em</strong> <strong>ambiente, como a questão climática entra nesta equação?</strong></h2>



<p>Em parceria com pesquisadores da meteorologia, temos desenvolvido um estudo sobre ondas de calor, algo que tem assolado a Europa e, mais recentemente, o Brasil. </p>



<p>O impacto disso é crescente e tem relação direta com as mudanças climáticas.&nbsp;</p>



<p>Falar que Manaus (AM) e Belém (PA) sofrem com o calor não assusta muito as pessoas, mas mostramos que a região Norte do Brasil tem passado cada vez mais por longos períodos de calor extremo, afetando bastante a população. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na última década foram mais de 45 mil mortes associadas a ondas de calor no Brasil.</p></blockquote></figure>



<p>Estamos fazendo esse levantamento para ver quais são as principais doenças que as ondas de calor impactam no Brasil e quais são os períodos em que elas tendem a ocorrer em cada região, para criar protocolos de monitoramento específicos.&nbsp;</p>



<p>Não há como parar uma onda de calor, mas podemos nos adaptar a ela, entender o que precisa ser feito quando o calor extremo chega e, assim, diminuir o impacto na saúde da população.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Poderia mencionar um exemplo do que pode ser feito?</strong></h2>



<p>Criar sistemas de alerta sobre o quão crítica será uma onda de calor, em especial para as pessoas mais vulneráveis, é um exemplo. Isso porque eventos extremos de calor, além de afetar idosos, crianças e pessoas com comorbidades, também impacta consideravelmente mulheres grávidas e altera os índices de prematuridade.&nbsp;</p>



<p>Além disso, pouco se fala da influência de eventos climáticos extremos nas doenças mentais. O calor pode fazer com que pessoas com determinados tipos de transtorno mental fiquem mais fragilizadas, e isso pode desencadear crises.&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, temos lançado luz sobre populações vulnerabilizadas e que não são tão reconhecidas [pelos tomadores de decisão, por exemplo], ajudando na identificação de ações que podem ser realizadas a fim de minimizar essas situações.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/fronteiras-tenues-entre-saude-e-geografia/">Fronteiras tênues entre saúde e geografia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/entrevistas/fronteiras-tenues-entre-saude-e-geografia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
