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	<title>#expossoma | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Rastros da poluição no cérebro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 14:28:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores buscam entender como a exposição a poluentes pode atuar no desenvolvimento de doenças como Alzheimer e Parkinson</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/cerebro-poluido/">Rastros da poluição no cérebro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A poluição do ar pode afetar o cérebro, desde o desenvolvimento do feto, passando pela infância, até o aparecimento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Pesquisadores usam até um nome para o campo de pesquisa que faz esse tipo de associação: a &#8216;ciência expossômica&#8217;, ou seja, uma área que tem como objeto de investigação o <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32619912/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expossoma</a>. </p>



<p>O expossoma, por sua vez, é um conceito que se refere à totalidade de exposições a uma variedade de fatores externos e internos, incluindo agentes químicos, agentes biológicos ou radiação, desde a concepção, durante toda a vida.</p>



<p>“A expossômica baseia-se em enormes bancos de dados sobre a distribuição de toxinas ambientais, respostas genéticas e celulares e padrões de comportamento humano&#8221;, explica a jornalista <a href="http://pulitzercenter.org/people/sherry-baker" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sherry Baker</a> em <a href="https://www.openmindmag.org/articles/polluted-minds" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem publicada</a> no portal de jornalismo científico <a href="https://www.openmindmag.org/about" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>OpenMind</em></a>.</p>



<p>De acordo com a publicação, &#8220;existe uma grande quantidade de informação para analisar, então os pesquisadores dessa área estão se voltando para outra ciência emergente, a inteligência artificial, para dar coerência a isso tudo.&#8221;</p>



<p>Em <a href="https://academic.oup.com/exposome/article/3/1/osad009/7424713#433602942" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado</a> em novembro de 2023, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos sugere que a pesquisa em expossômica coloca em contraste o genoma e a genômica, &#8220;fornecendo uma análise complementar e tão compreensiva quanto a dos condutores não-genômicos da biologia, que afetam a população assim como o indivíduo.&#8221;</p>



<p>A relação entre poluentes e Parkinson é fruto do trabalho da geógrafa Brittany Krzyzanowski, especialista em epidemiologia espacial e interação humano-ambiente no Instituto Neurológico Barrow, nos Estados Unidos.</p>



<p>Em um <a href="https://www.neurology.org/doi/10.1212/wnl.0000000000207871" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> do ano passado, publicado na revista <em>Neurology</em>, o grupo de Krzyzanowski demonstrou que cidades localizadas no vale dos rios Mississipi e Ohio, nos Estados Unidos, têm habitantes com 56% mais risco de desenvolver Parkinson quando o nível de poluição é considerado médio. </p>



<p>A comparação foi feita com aqueles que vivem em regiões com o menor nível de poluentes no ar. O estudo mostrou, de modo geral, que pessoas que moram no oeste do país, menos poluído, têm um risco menor de desenvolver a condição do que o resto do país.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Partículas finas</strong></h2>



<p>Neste e em outros estudos, chama a atenção dos pesquisadores as chamadas PM 2,5, isto é, partículas finas, com tamanho inferior a 2,5 micrômetros (um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro).</p>



<p>As partículas finas podem afetar pulmões e coração e são fortemente associadas a danos cerebrais. </p>



<p>Incêndios florestais são grandes geradores destes poluentes. Um <a href="https://acp.copernicus.org/articles/21/11201/2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> de 2021 mostrou que pesticidas, tintas, produtos de limpeza e de higiene pessoal são grandes – e pouco reconhecidas – fontes de partículas finas e podem aumentar o risco de desenvolvimento de uma série de problemas de saúde, incluindo acidente vascular cerebral (AVC).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os dados sobre Alzheimer também são um alerta para a relação entre condições neurológicas degenerativas e poluentes. </p></blockquote></figure>



<p>Ainda que portadores de uma variante genética específica tenham maior propensão a esta forma de demência, ela não é um fator determinante.</p>



<p>Os pesquisadores sugerem que o que pode fazer essas pessoas desenvolverem a doença esteja também no ar que respiram. Um estudo que acompanhou 1.100 homens desde os 56 anos de idade <a href="https://content.iospress.com/articles/journal-of-alzheimers-disease/jad221054" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apontou</a> que, aos 68, aqueles expostos a altas taxas de partículas finas tiveram os piores níveis em fluência verbal.</p>



<p>Os pacientes que tiveram mais contato com dióxido de nitrogênio (NO2), poluente resultante da queima de combustíveis fósseis, foram associados a uma piorada memória episódica, aquela de experiências pessoais passadas que ocorreram em um determinado momento e local.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pautar a agenda científica</strong></h2>



<p>Por conta de resultados como estes, pesquisadores das universidades do Sul da Califórnia e Duke, nos Estados Unidos, propuseram, em 2019, o “Exposoma do Alzheimer”, a fim de pautar a agenda científica sobre os fatores ambientais que interagem com os genes para causar demência. </p>



<p>A ideia é que a expossômica possa ajudar no que os medicamentos &#8220;falharam&#8221; até agora, como apresentando o que pode ser alterado na exposição das pessoas que possa prevenir a doença.</p>



<p>Sabe-se, por exemplo, que toxinas do ambiente podem perturbar mecanismos de proteção e de reparo celular no cérebro. Fatores como obesidade e estresse, por sua vez, contribuem para inflamação crônica, que pode danificar a capacidade dos neurônios de funcionar e se comunicar.</p>



<p>Em <a href="https://www.openmindmag.org/articles/polluted-minds" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entrevista à revista <em>OpenMind</em></a>, Rosalind Wright, professora de pediatria e codiretora do Instituto para Pesquisa em Expossômica da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, e uma das pioneiras nesse tipo de estudo, pontua que fomos programados para ser resilientes.</p>



<p>“O problema ocorre quando as exposições a fatores ambientais são crônicas e cumulativas e superam nossa capacidade de adaptação&#8221;, disse Wright. &#8220;Não vamos consertar tudo, mas se eu sei mais sobre mim mesma do que antes, isso me dá poder para pensar.&#8221;</p>
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