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	<title>#fibrose pulmonar | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Fibrose pulmonar: droga criada com IA mostra resultado inicial positivo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#fibrose pulmonar]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensaio clínico indica ganho em medida de função pulmonar, mas segurança, eficácia e uso em outras populações ainda precisam ser confirmados</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/fibrose-pulmonar-droga-criada-com-ia-mostra-resultado-inicial-positivo/">Fibrose pulmonar: droga criada com IA mostra resultado inicial positivo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>fibrose pulmonar idiopática</strong> (FPI) não tem cura. O tecido pulmonar se torna progressivamente endurecido e cicatrizado, a função respiratória cai, e os únicos medicamentos disponíveis, nintedanib e pirfenidona, apenas retardam esse processo.&nbsp;</p>



<p>Para os pacientes diagnosticados, a sobrevida mediana é de dois a quatro anos. É nesse cenário que pesquisadores, usando <strong>inteligência artificial</strong> (IA), apresentaram um resultado clínico relevante no desenvolvimento de fármacos para a doença.</p>



<p>O <strong>rentosertib</strong>, desenvolvido com auxílio de IA pela empresa Insilico Medicine, apresentou os primeiros resultados clínicos em um ensaio controlado. <a href="https://www.nature.com/articles/s41591-025-03743-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em estudo de fase 2 publicado na <em>Nature Medicine</em></a>, pesquisadores da empresa relataram que pacientes tratados com o fármaco apresentaram ganho na capacidade vital forçada, medida da função pulmonar, enquanto o grupo placebo registrou perda. </p>



<p>Entre os pacientes que não usavam outros antifibróticos concomitantemente, o ganho foi ainda maior.</p>



<p><strong>Science Arena </strong>ouviu especialistas brasileiros para saber o que acharam do feito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Identificação do alvo e geração da molécula</strong></h2>



<p>A Insilico Medicine realizou o desenvolvimento em duas etapas. Primeiro, analisou grandes volumes de dados genômicos e de literatura científica por meio do <em>PandaOmics</em>, plataforma da empresa que integra dados de genômica, proteômica e literatura científica para identificar e priorizar alvos terapêuticos. Dessa análise emergiu a proteína TNIK como alvo relevante para a FPI.&nbsp;</p>



<p>Em seguida, a empresa gerou computacionalmente a molécula capaz de inibi-la, por meio de modelos generativos que produzem e avaliam milhares de compostos virtuais antes de qualquer experimento físico.</p>



<p>“Até pouco tempo, a IA era mais focada em encontrar moléculas para alvos já conhecidos”, explica Carolina Horta Andrade, professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG).&nbsp;</p>



<p>“A visão multimodal agora permite que a tecnologia também encontre ou valide a própria fechadura”, explica a pesquisadora, que não participou do estudo.</p>



<p>Um dos bancos de dados utilizados em pesquisas de descoberta de fármacos, o ZINC reúne mais de 200 milhões de moléculas candidatas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A IA identificou quais tinham mais chance de se tornar um fármaco viável antes de qualquer experimento físico”, explica Eduardo Habib, pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).</p></blockquote></figure>



<p>Para Andrade, o resultado é histórico: “pela primeira vez acertaram tanto o alvo biológico quanto a molécula até a porta clínica”. Em outros termos, foi como descobrir simultaneamente a chave e a fechadura em uma lista de milhões de combinações possíveis.&nbsp;</p>



<p>O que costuma levar de dois a três anos nas fases iniciais de pesquisa teria sido concluído em menos de dois meses.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que o ensaio de fase 2a mostrou</strong></h2>



<p>O ensaio foi desenhado para avaliar segurança. Nos desfechos secundários, pacientes tratados com rentosertib apresentaram <strong>ganho na capacidade vital forçada</strong>, enquanto o grupo placebo registrou perda. </p>



<p>Entre os participantes que não usavam antifibróticos concomitantes, o efeito foi mais pronunciado, o que levanta questões sobre possíveis interações com os tratamentos já aprovados para a FPI.</p>



<p>“Essa nova molécula precisa passar pelos mesmos testes de uma molécula que não foi gerada por IA, e ela pode falhar nos testes experimentais posteriores”, ressalva o biomédico Leonardo Ferreira, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP).&nbsp;</p>



<p>Os resultados de fase 2a indicam um sinal de eficácia preliminar, não uma aprovação.</p>



<p>Segundo a pesquisa, sete pacientes interromperam o tratamento por toxicidade hepática, quatro deles em uso simultâneo de nintedanib. A população estudada era composta exclusivamente por pessoas asiáticas, o que <strong>limita a generalização dos achados</strong>.</p>



<p>“Essa validação para outras populações, inclusive a brasileira, não é luxo, é parte da agenda científica”, afirma Andrade. A pesquisadora também aponta a opacidade da ferramenta: “É um sistema fechado que a gente chama de ‘caixa preta’, e a comunidade científica não consegue verificar ali os pormenores por dentro desse modelo.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O sucesso da IA no planejamento de fármacos depende da qualidade dos dados experimentais que são utilizados para alimentar esses algoritmos computacionais”, diz Ferreira, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Além disso, doenças negligenciadas, menos pesquisadas e menos lucrativas para a indústria, produzem dados escassos, o que limita diretamente a eficiência da ferramenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caminho até a aprovação</strong></h2>



<p>A próxima etapa do estudo é o ensaio de fase 3, que precisará demonstrar eficácia e segurança em populações maiores. Historicamente, a maior parte dos candidatos a medicamento fracassa justamente durante as fases clínicas.&nbsp;</p>



<p>Andrade lembra que a taxa de falha em fase 2 é semelhante à observada em pesquisas com moléculas tradicionais: cerca de 60%.</p>



<p>Nenhum fármaco desenvolvido com auxílio de IA completou os ensaios de fase 3 e obteve aprovação regulatória até o momento.</p>



<p>O que mudou foi o início do funil: o tempo de pesquisa pode ser substancialmente menor antes de uma molécula ser testada em humanos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Independente do grau de eficiência de uma inteligência artificial, você vai precisar de um especialista na ponta dela”, diz Michel Pires, também pesquisador do Cefet-MG.</p></blockquote></figure>



<p>“A IA não substitui o pesquisador, mas muda a forma como a gente trabalha”, complementa Habib. Ferreira acrescenta que a área exige conhecimentos múltiplos e abertura para compreender conceitos de diferentes disciplinas, como biomedicina, física e computação.</p>



<p>Resta saber qual será a primeira molécula concebida com auxílio de IA a concluir com sucesso todas as etapas clínicas e chegar ao mercado. Até lá, elas apenas têm potencial para tanto.</p>
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