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	<title>#IA na saúde | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#IA na saúde | Science Arena</title>
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		<title>Otávio Berwanger: &#8220;Precisamos ampliar a eficiência dos ensaios clínicos randomizados&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#dados do mundo real]]></category>
		<category><![CDATA[#diversidade em estudos]]></category>
		<category><![CDATA[#ensaios clínicos]]></category>
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		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cardiologista brasileiro à frente do George Institute for Global Health UK e professor titular em Clinical Trials do Imperial College London defende estudos clínicos mais eficientes, inovadores e representativos, com uso de desenhos pragmáticos, tecnologia digital, uso de IA, dados do mundo real e participação ativa dos pacientes</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/otavio-berwanger-precisamos-ampliar-eficiencia-dos-ensaios-clinicos-randomizados/">Otávio Berwanger: &#8220;Precisamos ampliar a eficiência dos ensaios clínicos randomizados&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de serem cruciais para o avanço da medicina, os <strong>ensaios clínicos randomizados</strong> ainda enfrentam diversos obstáculos: de tempo prolongado e alto custo para execução à falta de diversidade. Para enfrentá-los, o cardiologista e pesquisador <strong>Otávio Berwanger </strong>lidera iniciativas globais de larga escala que buscam tornar os estudos mais inclusivos, ágeis e cientificamente relevantes.</p>



<p>Professor titular em Clinical Trials do Imperial College London, no Reino Unido, Berwanger assumiu em novembro de 2022 a <a href="https://www.georgeinstitute.org/about-us/our-people/people-at-the-george-institute/otavio-berwanger">direção executiva</a> do <a href="https://www.georgeinstitute.org/">George Institute for Global Health UK</a> em Londres, especializado, dentre outros tipos de pesquisa, em ensaios clínicos randomizados de larga escala.</p>



<p>Envolvendo colaborações em mais de 50 países, inclusive o Brasil, o instituto aborda diversos aspectos de saúde como doenças cardiometabólicas, AVC, doença renal crônica, pesquisa em UTI, doenças respiratórias e saúde da mulher.</p>



<p>Antes de se mudar para Londres, Berwanger liderou o desenvolvimento da primeira e maior Organização de Pesquisa Acadêmica (Academic Research Organization – ARO) do Brasil, no Hospital Israelita Albert Einstein, de 2017 a 2022.</p>



<p>A ARO do Einstein é uma unidade que coordena ensaios clínicos multicêntricos de alto impacto nacional e internacional, fornecendo suporte em áreas como liderança acadêmica, gerenciamento de centros e de dados, análise estatística e publicação dos resultados.</p>



<p>O pesquisador, que toca guitarra nas horas vagas, levou para a Inglaterra sua coleção de 25 instrumentos <em>vintage</em> (como Gibsons e Fenders dos anos 1950 e 1960).</p>



<p>Nesta entrevista, concedida por vídeo ao <strong>Science Arena</strong>, Berwanger fala sobre a evolução dos estudos clínicos e conta como concilia música e trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Science Arena &#8211; Como você aprendeu a projetar ensaios clínicos?&nbsp;</h2>



<p>Como o tema não era abordado na faculdade, aprendi estudando no tempo livre e comecei a trabalhar na área depois de me tornar cardiologista. A experiência prática da clínica me ajudou na hora de projetar ensaios de alto impacto nessa área.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Quais são os principais problemas dos ensaios clínicos atuais?&nbsp;</h2>



<p>Um dos entraves é que as amostras são pequenas para produzir resultados confiáveis – dependendo da questão de pesquisa, podem ser necessários entre 10 mil e 25 mil participantes. Outro problema é a falta de diversidade (a maioria dos estudos atuais incluem predominantemente homens brancos, que pode chegar a 70%, e poucos idosos). Também destaco o custo e o tempo elevados de execução consequentes da complexidade operacional demasiada e desnecessária destes projetos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Por que isso acontece?&nbsp;</h2>



<p>Os estudos geralmente são restritos a hospitais ou centros de pesquisa altamente qualificados, em países desenvolvidos, atraindo pessoas brancas e de alta renda. As mulheres geralmente são sub-representadas devido a preocupações excessivas dos pesquisadores com os efeitos do tratamento na fertilidade e na gravidez.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Mesmo em países desenvolvidos, pessoas que moram longe terão dificuldade de chegar ao local ou sequer ficarão sabendo do estudo.</p></blockquote></figure>



<p>E pacientes idosos nem sempre contam com acompanhantes. Tudo isso acaba limitando muito a representatividade da amostra. Além disso, muitos estudos incluem processos demasiadamente complexos de recrutamento e seguimento de participantes, o que precisa ser urgentemente revisto. </p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como o George Institute for Global Health tenta superar esses desafios?&nbsp;</h2>



<p>Criamos recentemente um Innovative Clinical Trials Hub que está trabalhando o estado da arte em pesquisa clínica em áreas como desenhos pragmáticos alinhados à prática clínica, uso de dados de rotina, desenhos decentralizados, uso de inteligência artificial e envolvimento de representantes dos pacientes no desenho e condução dos estudos.</p>



<p>Tudo isso em perfeito alinhamento com as agências regulatórias, comitês de ética em pesquisa e autoridades em saúde. Por exemplo, dados de rotina de milhares de pessoas podem ser usados de forma segura e respeitando as normas de privacidade e confidencialidade, para rastreamento e recrutamento eficientes e rápidos de amostras de larga escala em ensaios clínicos randomizados.</p>



<p>Estes dados também podem evitar visitas e coletas desnecessárias. Fundamental também o uso de modelos pragmáticos de pesquisa, com o foco apenas nos dados absolutamente essenciais.</p>



<p>Além disso, a participação pode ser feita à distância. Por exemplo, dependendo do estudo, podemos enviar medicamentos até as pessoas, disponibilizamos questionários on-line, sessões de telemedicina e dispositivos automatizados para envio de dados. Só os procedimentos complexos são feitos no centro, agilizando imensamente todo o processo operacional do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra.jpeg" alt="Otávio Berwanger, cardiologista brasileiro, usando terno e gravata em ambiente corporativo, com fundo de vidro desfocado" class="wp-image-6096" style="width:749px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra.jpeg 960w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-640x800.jpeg 640w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-320x400.jpeg 320w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-768x960.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-120x150.jpeg 120w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption class="wp-element-caption">Otávio Berwanger, diretor do George Institute for Global Health, com uma de suas guitarras vintage. Além da pesquisa científica, Berwanger é apaixonado por blues e rock | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>Procuramos envolver os pacientes no desenho do projeto, perguntando a eles o que esperam dos resultados. O objetivo da pesquisa deve ser ajudar o paciente, por isso saber suas expectativas é fundamental. </p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como a Inteligência Artificial pode agilizar a pesquisa? </h2>



<p>Realizando tarefas automatizadas, como determinando os desfechos do estudo num processo que chamamos de adjudicação de desfechos (para determinar de forma uniformizada a causa de eventuais mortes ou hospitalizações, por exemplo).</p>



<p>Tradicionalmente, os dados do óbito ou hospitalizações são enviados para um comitê independente de especialistas, que faz a análise a partir dos sintomas registrados no prontuário e em outros dados do paciente coletados para fins de pesquisa.</p>



<p>É um processo demorado e dispendioso. Como os critérios para essa avaliação são padronizados, um algoritmo pode descrever o óbito de forma eficiente e barata.</p>



<p>Além disso, também buscamos inovar no uso de desfechos de estudos e métodos estatísticos. Por exemplo, conduzimos alguns estudos adaptativos em plataforma que simultaneamente podem testar várias intervenções e identificar, precocemente, quais são aquelas com maior probabilidade de atingir resultados que possam beneficiar os pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Os governos estão investindo em plataformas desse tipo?</h2>



<p>A Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) aqui no Reino Unido e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram diretrizes inovadoras para estudos descentralizados com dados de mundo real. Assim, estaremos preparados para testar novas vacinas e medicamentos em caso de futuras pandemias.</p>



<p>No Brasil, a Coalizão Covid-19 Brasil realizou ensaios clínicos randomizados com milhares de participantes em dezenas de centros do país e desenvolveu vacinas em tempo recorte. É um exemplo que deve ser seguido e ampliado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O Brasil tem grande potencial para fazer estudos clínicos de alta qualidade devido à diversidade étnica da população e aos talentos de pesquisa. </p></blockquote></figure>



<p>A maior dificuldade é a colaboração entre instituições e grupos de pesquisa, mas estamos avançando graças aos estudos colaborativos globais.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Qual foi o balanço da ARO que você ajudou a desenvolver no Hospital Israelita Albert Einstein?</h2>



<p>Fizemos estudos de alto impacto com colaborações nacionais e internacionais sobre doenças cardiovasculares e publicamos mais de 80 artigos em periódicos de alto impacto, como <em>The Lancet</em>, <em>The New England</em> <em>Journal of Medicine</em> e <em>The Journal of the American Medical Association (JAMA)</em>. A experiência me ajudou a desenvolver as habilidades necessárias para assumir a direção do George Institute for Global Health UK, desta vez com um olhar global e de maior escala.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como você concilia pesquisa e música?</h2>



<p>São duas grandes paixões. A abordagem metódica é tão importante na pesquisa quanto na teoria musical. Na improvisação, a ideia é criar algo novo, assim como nos estudos clínicos é importante inovar.</p>



<p>Einstein tocava violino quando tinha uma equação complexa para resolver. Em uma escala de complexidade infinitamente menor do que a dele e dentro de minhas limitações, tento também fazer o mesmo com a guitarra, quando chego a um impasse na preparação de aulas ou quando travo escrevendo um artigo. Depois, as ideias deslancham. </p>



<p>Acho que é importante ter duas carreiras paralelas ou um hobby, algo que abra os horizontes.</p>



<p></p>
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