<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Conteúdos sobre #saúde pública | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
	<atom:link href="https://www.sciencearena.org/tag/saude-publica-2/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link></link>
	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Jul 2026 14:17:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.1</generator>

<image>
	<url>https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/06/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Conteúdos sobre #saúde pública | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
	<link></link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>El Niño em 2026 acende alerta para riscos à saúde no Brasil </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/el-nino-em-2026-acende-alerta-para-riscos-a-saude-no-brasil/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/el-nino-em-2026-acende-alerta-para-riscos-a-saude-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:17:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#climatologia]]></category>
		<category><![CDATA[#el niño]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=9244</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nota técnica aponta alta probabilidade do fenômeno no segundo semestre; calor extremo, secas, enchentes e resposta do SUS entram no radar </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/el-nino-em-2026-acende-alerta-para-riscos-a-saude-no-brasil/">El Niño em 2026 acende alerta para riscos à saúde no Brasil </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A alta probabilidade de formação de um&nbsp;<strong>El&nbsp;Niño</strong>&nbsp;no segundo semestre de 2026 acendeu um alerta para diferentes setores no Brasil, incluindo a&nbsp;<strong>saúde pública</strong>.&nbsp;<a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/nota-tecnica-conjunta-aponta-alta-probabilidade-de-el-nino-no-segundo-semestre-de-2026" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma nota técnica conjunta elaborada por INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM</a>, divulgada nesta terça-feira (30/06),&nbsp;indica&nbsp;<strong>chance superior a 95% de ocorrência e persistência do fenômeno ao longo dos próximos meses</strong>, com possibilidade de extensão até o início de 2027.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Embora a intensidade ainda envolva incertezas, o documento aponta condições favoráveis para um&nbsp;<strong>evento de intensidade forte a muito forte</strong>, especialmente a partir do final do inverno.&nbsp;O El&nbsp;Niño&nbsp;é a fase quente do fenômeno El&nbsp;Niño-Oscilação Sul (ENOS), marcada pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico equatorial.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Essa alteração interfere na circulação atmosférica, no transporte de umidade e nos regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. No caso brasileiro, a nota técnica prevê impactos regionais distintos:&nbsp;&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tendência de redução das chuvas no Norte e em parte do Nordeste; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul; </li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Efeitos mais variáveis no Sudeste e no Centro-Oeste, com aumento das temperaturas e possibilidade de episódios de calor mais frequentes e prolongados. </li>
</ul>



<p>O termo “super El&nbsp;Niño” tem sido usado no debate público para se referir a eventos muito intensos,&nbsp;<a href="https://wmo.int/news/media-centre/wmo-prepare-el-nino" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mas a Organização Meteorológica Mundial (OMM) ressalta que essa expressão não faz parte das classificações operacionais padronizadas</a>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo comunicado divulgado em 2 de junho, a OMM estimava 80% de probabilidade de El&nbsp;Niño&nbsp;entre junho e agosto de 2026, com chances próximas ou superiores a 90% de persistência até pelo menos novembro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Impactos na saúde</strong></h2>



<p>Na nota brasileira, a saúde aparece como um dos setores potencialmente afetados pelos extremos climáticos associados ao fenômeno. O documento não apresenta projeções epidemiológicas específicas, mas indica que eventos extremos podem impactar abastecimento de água, segurança alimentar, mobilidade e saúde pública.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Na Amazônia Legal, a redução do nível dos rios pode comprometer o acesso de populações ribeirinhas e remotas a serviços essenciais, incluindo atendimento de saúde.</p></blockquote></figure>



<p>Já o aumento das temperaturas e a baixa umidade podem elevar o risco de queimadas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.&nbsp;<a href="https://www.sciencearena.org/noticias/como-enchentes-no-rio-grande-do-sul-afetam-a-ciencia-gaucha/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No Sul, chuvas acima da média podem ampliar o risco de inundações</a>.&nbsp;</p>



<p>A resposta sanitária a esse cenário começou a ser estruturada pelo Ministério da Saúde. Em 30 de junho,&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/ministerio-da-saude-amplia-forca-nacional-e-passa-a-alcancar-qualquer-emergencia-no-pais-em-ate-12-horas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a pasta anunciou a expansão da Força Nacional do SUS, com oito novas bases distribuídas pelo país</a>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo o ministério, as equipes terão capacidade de chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar ações compatíveis com a gravidade do desastre em até 72 horas. O pacote foi apresentado como parte das medidas para ampliar a resposta do&nbsp;Sistema Único de Saúde (SUS)&nbsp;aos efeitos do El&nbsp;Niño&nbsp;e de outros eventos climáticos extremos.&nbsp;</p>



<p>As ações também incluem a implantação de Centros de Informação em Saúde e Clima nas cinco regiões do Brasil e o lançamento do Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A proposta dos centros é integrar dados epidemiológicos, demográficos, socioeconômicos e climáticos para monitorar riscos em tempo real, emitir alertas precoces e orientar decisões de gestores e profissionais de saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Já o painel oferece previsões diárias para os 5.570 municípios brasileiros, com até cinco dias de antecedência, cruzando dados meteorológicos e indicadores de vulnerabilidade socioeconômica.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ansiedade climática e calor extremo</strong></h2>



<p>O tema dialoga com questões já abordadas pelo&nbsp;<strong>Science Arena</strong>.&nbsp;<a href="https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-buscam-entender-efeitos-do-calor-extremo-na-saude/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em reportagem sobre calor extremo</a>, pesquisadores explicaram que altas temperaturas podem sobrecarregar a termorregulação do organismo, elevar riscos cardiovasculares, agravar doenças respiratórias e afetar especialmente idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, gestantes, trabalhadores ao ar livre e atletas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.sciencearena.org/noticias/ansiedade-climatica-caminhos-ainda-a-serem-explorados-pela-ciencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Outra reportagem discutiu a ansiedade climática</a>, destacando como secas, enchentes, incêndios e a percepção de ameaça ambiental podem afetar a saúde mental, especialmente entre jovens e populações mais vulnerabilizadas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Integração de dados</strong></h2>



<p>A preparação para o El&nbsp;Niño&nbsp;reforça ainda a importância de integrar ciência climática, vigilância epidemiológica e sistemas de dados em saúde.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/saude-precisa-ser-forca-motriz-na-cop30-diz-diretor-do-wellcome-trust/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em entrevista ao Science Arena</a>,&nbsp;Alan&nbsp;Dangour, diretor de Clima e Saúde do&nbsp;Wellcome&nbsp;Trust, defendeu o desenvolvimento de plataformas digitais capazes de combinar dados climáticos e de saúde para prever riscos de doenças e apoiar respostas de saúde pública mais rápidas e direcionadas.&nbsp;</p>



<p>Essa agenda também aparece na iniciativa da&nbsp;Mayo&nbsp;Clinic Platform, que articula instituições como o Einstein Hospital Israelita e o Seoul&nbsp;National&nbsp;University&nbsp;Hospital para tornar dados interoperáveis com apoio de análises avançadas e inteligência artificial.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.sciencearena.org/noticias/mayo-clinic-rede-global-de-dados-para-enfrentar-crise-climatica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo reportagem do Science Arena</a>, um dos focos centrais desse esforço é justamente combinar dados de saúde e dados meteorológicos, de modo a apoiar redes internacionais voltadas à vigilância de doenças infecciosas associadas ao clima, aos impactos do calor na saúde e à sustentabilidade dos sistemas de saúde.&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/el-nino-em-2026-acende-alerta-para-riscos-a-saude-no-brasil/">El Niño em 2026 acende alerta para riscos à saúde no Brasil </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/el-nino-em-2026-acende-alerta-para-riscos-a-saude-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Doutorandos em saúde são preparados para pesquisar, mas pouco para liderar</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/doutorandos-em-saude-sao-preparados-para-pesquisar-mas-pouco-para-liderar/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/doutorandos-em-saude-sao-preparados-para-pesquisar-mas-pouco-para-liderar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 19:39:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#doutorado]]></category>
		<category><![CDATA[#liderança]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=9044</guid>

					<description><![CDATA[<p>Levantamento internacional expõe a falta de iniciativas consistentes de formação em liderança nos programas de doutorado da área</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/doutorandos-em-saude-sao-preparados-para-pesquisar-mas-pouco-para-liderar/">Doutorandos em saúde são preparados para pesquisar, mas pouco para liderar</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>liderança</strong> é amplamente reconhecida como competência essencial para a transformação dos sistemas de saúde, mas os programas de doutorado da área dispõem de poucas iniciativas para desenvolvê-la.&nbsp;</p>



<p><a href="https://doi.org/10.1016/j.healthpol.2025.105411" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É o que aponta uma revisão de escopo publicada na revista <em>Health Policy</em></a> por pesquisadores do Swiss Tropical and Public Health Institute, da Universidade de Basel, da Columbia University e da Universidade de Maastricht.</p>



<p>De uma amostra de <strong>394 artigos</strong> levantados em três bases bibliográficas internacionais (Medline, PsycInfo e ERIC), publicados entre 2000 e 2024, os pesquisadores encontraram <strong>apenas 7 estudos</strong> <strong>que abordavam o tema</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é liderança transformacional?</strong></h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>1. Orientação coletiva</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>inspira seguidores a superar interesses pessoais em favor de um objetivo comum.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Estímulo à inovação</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>encoraja o questionamento de premissas estabelecidas e o pensamento criativo.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. Foco no longo prazo</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>prioriza desenvolvimento sustentável — não resultados imediatos —, aumentando motivação e engajamento.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Decisão baseada em evidências</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>favorece ambientes em que dados orientam escolhas, mesmo em cenários de crise ou incerteza.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Distinção conceitual</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>contrasta com a liderança transacional (baseada em recompensa/punição) e com modelos puramente hierárquicos.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Escassez de evidências e de padrões</strong></h2>



<p>Os 7 estudos foram conduzidos em contextos bastante diferentes: quatro nos Estados Unidos, um na Nova Zelândia e Bangladesh, um na Irlanda e um no Irã e Oriente Médio.&nbsp;</p>



<p>Apenas um deles utilizou uma ferramenta validada para medir competências de liderança: o Multifactor Leadership Questionnaire (MLQ). Os demais recorreram a avaliações reflexivas ou descritivas, o que limita a comparabilidade e a transferência dos resultados.</p>



<p>Os autores reconhecem que as evidências ainda são escassas e heterogêneas, e que é necessário desenvolver <strong>ferramentas de avaliação mais robustas</strong>, além de ampliar as pesquisas para diferentes contextos populacionais, sociais e geográficos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Liderança transformacional e modelos alternativos</strong></h2>



<p>Quatro dos sete estudos focaram especificamente na <strong>liderança transformacional</strong>, estilo de gestão que busca inspirar, motivar e engajar equipes em torno de objetivos coletivos.&nbsp;</p>



<p>Os três restantes adotaram modelos alternativos, sem base teórica única:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Modelo de <strong>Visão Compartilhada</strong> de Peter Senge;</li>



<li><strong>Comunidades de aprendizagem</strong>;</li>



<li>Framework <strong>Nine Best Practices for Leadership Training.</strong></li>
</ul>



<p>A diversidade de abordagens, sem um modelo dominante fora do contexto da liderança transformacional, reforça a conclusão dos autores de que o campo ainda carece de consenso sobre as melhores práticas.</p>



<p>Apesar das diferenças de abordagem, o conteúdo dos programas convergiu em algumas áreas centrais. As técnicas de ensino mais utilizadas foram discussões em grupo, aprendizado colaborativo e aprendizado experiencial, todas presentes nos <strong>7 estudos</strong>.&nbsp;</p>



<p>As áreas de conteúdo mais frequentes foram:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Desenvolvimento de liderança: </strong>abordado nos 7 estudos;</li>



<li><strong>Crescimento pessoal e profissional: </strong>presente em 6 dos 7 estudos;</li>



<li><strong>Trabalho em equipe e colaboração: </strong>presente em 6 dos 7 estudos;</li>



<li><strong>Modelos e frameworks de liderança: </strong>presente em 6 dos 7 estudos;</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mentoria: a prática com maior efeito mensurável</strong></h2>



<p>Entre todas as intervenções analisadas, a <strong>mentoria</strong> foi a que produziu a evidência mais robusta. O programa <strong>M³ (Multi-Modality Mentoring)</strong>, aplicado a 54 bolsistas de saúde pública, farmácia e medicina em universidades dos Estados Unidos, mostrou melhora estatisticamente significativa em liderança transformacional em apenas 9 semanas.</p>



<p>O escore médio dos participantes no MLQ subiu de <strong>61,88 para 65,59</strong> (em uma escala total de 80 pontos). O tamanho do efeito calculado foi de <strong>Cohen&#8217;s d = 0,49</strong>, classificado pelos próprios autores como <strong>&#8220;alto e desejável&#8221;</strong> — especialmente considerando a curta duração do programa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Reforçar o ensino de liderança transformacional nos programas de doutorado é a chave para preparar a força de trabalho na área da saúde para o futuro&#8221;, afirmam os autores.</p></blockquote></figure>



<p>A <strong>mentoria </strong>se destaca, segundo os autores, por sua capacidade de <strong>adaptação ao contexto e às necessidades individuais de cada aluno</strong>. O doutorado seria o momento ideal para esse tipo de formação: os alunos estão próximos de entrar no mercado, mas ainda assimilam facilmente modelos inovadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso saber para liderar grupos de pesquisa?</strong></h2>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Como liderar grupos de pesquisa: o que cientistas precisam saber | Science Arena Encontros – Ep. 2" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/cODt9Y8wX6U?start=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um alerta que não é novo</strong></h2>



<p>A <strong>ausência de formação em liderança</strong> na área da saúde não é um problema recente. Em 1988, o Institute of Medicine (IOM) publicou o relatório <em>The Future of Public Health</em> com uma frase que mantém a atualidade: &#8220;Today the need for leaders is too great to leave their emergence to chance&#8221; (&#8220;A necessidade de líderes é grande demais para deixar seu surgimento ao acaso&#8221;).</p>



<p>Quase quatro décadas depois, a escassez de estudos sobre o tema sugere que o problema permanece estrutural. A revisão de 2025 é, ela própria, um sinal disso: em 24 anos de literatura científica, apenas 7 estudos relevantes.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A revisão não permite conclusões claras sobre quais abordagens são mais efetivas — as evidências ainda são escassas. Mas abre uma discussão necessária sobre como incluir o desenvolvimento de liderança transformacional nos programas de doutorado em saúde.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Próximos passos para a pesquisa</strong></h2>



<p>Os autores sugerem que pesquisas futuras verifiquem se <strong>determinadas competências de liderança são especialmente relevantes</strong> em contextos sociais, geográficos e populacionais específicos, e qual é a melhor forma de desenvolvê-las.&nbsp;</p>



<p>Estudos comparativos e longitudinais são recomendados para identificar modelos adaptáveis e medir o impacto de longo prazo de egressos treinados em liderança.</p>



<p>Uma vez identificadas as competências mais cruciais em cada contexto, a educação em liderança transformacional pode ser inserida como <strong>elemento central</strong> <strong>em estratégias educacionais</strong> voltadas a fortalecer sistemas de saúde resilientes e igualitários — incluindo lideranças para mudanças climáticas, segurança alimentar, proteção ambiental e políticas sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se preparar para a liderança durante o doutorado</strong></h2>



<p><strong>1. Busque um programa de mentoria estruturada: </strong>É a intervenção com maior evidência de efeito. Programas de até 9 semanas com mentoria individualizada mostraram ganhos mensuráveis em liderança transformacional (Cohen&#8217;s d = 0,49). Procure fellowships, programas de pós-graduação ou redes institucionais que ofereçam esse formato.</p>



<p><strong>2. Participe de metodologias ativas: </strong>Discussões em grupo, resolução de problemas reais e feedback colaborativo estavam presentes em todos os 7 estudos analisados. São práticas que desenvolve autoconhecimento, comunicação e tomada de decisão — competências centrais da liderança transformacional.</p>



<p><strong>3. Procure experiências práticas intersetoriais: </strong>Os autores recomendam estágios e projetos em contextos fora da academia — governo, ONGs, comunidades. Essas experiências constroem competências difíceis de desenvolver no ambiente exclusivamente acadêmico, como adaptação a cenários complexos e mobilização coletiva.</p>



<p><strong>4. Cultive uma rede de colaboração: </strong>O aprendizado colaborativo foi identificado como um dos principais drivers de desenvolvimento de liderança. Cultivar pares, participar de redes internacionais e engajar-se em publicações conjuntas são formas de desenvolver essa competência ao longo do doutorado.</p>



<p><strong>5. Invista em autoconhecimento e reflexão: </strong>Todos os programas analisados incluíram alguma forma de reflexão sobre o próprio estilo de liderança. O conhecimento das próprias forças e limitações é apontado pelos autores como pré-requisito para exercer influência positiva sobre equipes e sistemas.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/doutorandos-em-saude-sao-preparados-para-pesquisar-mas-pouco-para-liderar/">Doutorandos em saúde são preparados para pesquisar, mas pouco para liderar</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/carreiras/doutorandos-em-saude-sao-preparados-para-pesquisar-mas-pouco-para-liderar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Leucemia causada por vírus transmitido na amamentação poderia ser prevenida com rastreamento materno</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 15:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#leucemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8964</guid>

					<description><![CDATA[<p>Com incidência até 32 vezes maior entre imigrantes caribenhos e casos confundidos com outros linfomas, o ATLL é uma doença subestimada que o Japão já sabe como prevenir</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/">Leucemia causada por vírus transmitido na amamentação poderia ser prevenida com rastreamento materno</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um estudo publicado em abril de 2026 na <a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/fullarticle/2848245" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista <em>JAMA Oncology</em></a> revelou que imigrantes oriundos do Caribe não hispânico apresentam incidência de <strong>leucemia/linfoma de células T em adultos</strong> (ATLL) cerca de <strong>32 vezes maior</strong> do que os nascidos nos EUA e no Canadá. É a maior análise de base populacional sobre o tema já realizada no país. A ATLL é um tipo raro e agressivo de câncer de sangue causado pelo vírus <strong>HTLV-1</strong>.</p>



<p>O estudo usou registros de <strong>todos os 50 estados americanos</strong>. Para identificar o papel do país de nascimento, foram selecionados <strong>13 estados</strong> com dados completos de origem dos pacientes. No total, foram identificados <strong>3.228 casos</strong> diagnosticados entre 2005 e 2022.</p>



<p>Entre caribenhos não hispânicos, a incidência chegou a <strong>14,1 novos casos por milhão de pessoas</strong> — próxima à de regiões historicamente endêmicas, como o Japão, a África subsaariana e partes da América do Sul. O pico foi registrado entre pessoas nascidas em Granada: <strong>33,7 por milhão</strong>. Entre os nascidos nos EUA e no Canadá, a taxa foi de apenas <strong>0,4 caso por milhão</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Disparidades raciais na sobrevida</strong></h2>



<p>A <strong>taxa de sobrevivência em cinco anos</strong> foi calculada para Nova York e Flórida, os únicos estados com dados completos de acompanhamento, e chegou, em média, a <strong>23,8%</strong>. A variação por etnia e origem é expressiva:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Brancos não hispânicos: 38,9%</li>



<li>Hispânicos: 26,1%</li>



<li>Negros não hispânicos nascidos nos EUA: 19,6%</li>



<li>Negros não hispânicos nascidos no Caribe: 14,5%</li>
</ul>



<p>A diferença não é só estatística. A análise mostrou que negros não hispânicos nascidos no Caribe têm <strong>mais que o dobro de risco</strong> de morrer especificamente de ATLL do que brancos não hispânicos, uma disparidade que persiste mesmo quando se levam em conta fatores como idade, sexo e forma de apresentação da doença.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Desde 2000, mais de 300 mil bebês nasceram de mães caribenhas somente na Flórida sem qualquer triagem sistemática para o HTLV-1, segundo os autores, a maior oportunidade perdida de prevenção primária de câncer no país.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vírus latente, câncer tardio</strong></h2>



<p>A ATLL quase sempre começa da mesma forma: um bebê infectado durante a amamentação por uma mãe portadora do vírus. O HTLV-1 invade as células de defesa do organismo e ali fica adormecido, silencioso, sem sintomas, por <strong>quatro a cinco décadas</strong>, acumulando danos que, em uma pequena fração dos casos, culminam no câncer. A doença se manifesta tipicamente entre os <strong>50 e os 60 anos de idade</strong>. Apenas <strong>2% a 5%</strong> dos infectados desenvolvem o ATLL.</p>



<p>Entre adultos, o vírus também pode ser transmitido por <strong>via sexual ou pelo sangue</strong>, da mesma forma que o HIV. O <strong>Centro para Controle e Prevenção de Doenças</strong> (CDC) dos EUA recomenda que, nos casos de infecção materna confirmada, a amamentação seja substituída por fórmulas lácteas. Um detalhe importante: o uso de PrEP e outras estratégias de prevenção do HIV <strong>não protegem contra o HTLV-1</strong>, o que torna o rastreamento das mães a única forma eficaz de cortar a cadeia de transmissão que origina o câncer.</p>



<p>Por se originar quase que exclusivamente da infecção na primeira infância, a ATLL é, segundo os autores, <strong>um dos poucos cânceres de sangue que é fundamentalmente evitável</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O problema oculto: erros de diagnóstico</strong></h2>



<p>A invisibilidade da doença tem uma segunda camada. A ATLL é frequentemente confundida com outros tipos de câncer de células T, em particular com o chamado <strong>PTCL-NOS</strong>, uma categoria usada quando os médicos não conseguem identificar um subtipo específico. O motivo é simples: o teste para HTLV-1 não é feito de rotina quando há suspeita de linfoma de células T, especialmente em pacientes de comunidades imigrantes.</p>



<p>Os pesquisadores estimaram o impacto dessa confusão. Realocando os casos provavelmente mal classificados para o diagnóstico correto, a incidência de ATLL entre caribenhos não hispânicos subiria de <strong>14,1 para 22,7 por milhão,</strong> nível comparável ao do sudoeste do Japão, a região historicamente mais afetada do mundo. Para pessoas nascidas em Granada, a taxa poderia chegar a <strong>59,0 por milhão</strong>, superando até o Japão.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para os autores, trata-se de uma falha clínica corrigível: o teste para HTLV-1 deveria ser rotineiro em qualquer diagnóstico de linfoma de células T sem classificação definida, sobretudo em pacientes vindos de regiões endêmicas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Japão como modelo de prevenção</strong></h2>



<p>O Japão é a prova de que é possível reduzir a doença. Por mais de três décadas, o país realizou o <strong>rastreamento de gestantes para o HTLV-1</strong> e orientou as mães infectadas a não amamentarem. Os resultados demoraram a aparecer, mas chegaram: a partir de <strong>2013</strong>, o número de novos casos de ATLL começou a cair em Kagoshima, uma das regiões mais afetadas do país.</p>



<p>Nos EUA, esse caminho ainda não foi percorrido. Os testes para o HTLV-1 são feitos apenas em doações de sangue, não nas gestantes. Os autores propõem uma alternativa prática: em vez de rastrear toda a população (custo-efetividade baixa, dada a prevalência geral baixa do vírus no país), concentrar o esforço nas <strong>mães nascidas em países do Caribe não hispânico</strong>, onde o risco é comprovadamente alto.</p>



<p>O momento é urgente. Os bebês infectados nas décadas de 1990 e 2010 <strong>estão chegando agora à faixa etária em que o ATLL se manifesta</strong>. Sem intervenção, a tendência é de alta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Brasil: endemia silenciosa</strong></h2>



<p>O Brasil realiza o teste do HTLV-1 em doadores de sangue e em gestantes, mas a cobertura é insuficiente. A doença provavelmente já é mais comum do que os números oficiais indicam, simplesmente porque <strong>poucos casos chegam a ser diagnosticados</strong>. Um resumo do Congresso Brasileiro de Hematologia de 2025, com dados do Hospital Universitário Gaffree e Guinle (HUGG/UNIRIO), encontrou apenas seis casos confirmados de ATLL em dez anos de atendimento em um ambulatório de referência no Rio de Janeiro. Todos os pacientes eram mulheres, com idade média de 58 anos, e morreram em média em <strong>13 meses</strong> após o diagnóstico, muito menos do que os 23,8% que sobrevivem por cinco anos nos EUA, onde ao menos o diagnóstico é feito.</p>



<p>A alta prevalência do vírus já foi verificada em <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S253113792500642X" target="_blank" rel="noreferrer noopener">regiões com grande proporção de pessoas negras</a>, como Salvador, o que se explica, em parte, pela origem africana de parcela dessa população: a <strong>África central e ocidental</strong> são regiões historicamente endêmicas do HTLV-1.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como o HTLV-1 causa o ATLL?</strong></h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>1. Transmissão vertical (mãe-filho)</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o principal mecanismo de infecção ocorre durante a amamentação: o bebê entra em contato com o leite materno de uma mãe portadora do vírus. É praticamente o único caminho que leva ao desenvolvimento do ATLL décadas depois.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Infecção das células de defesa</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o HTLV-1 invade um tipo específico de célula do sistema imunológico — as células T CD4+ — e passa a viver dentro delas permanentemente, sem causar sintomas imediatos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. Décadas de silêncio</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>o vírus permanece adormecido por 40 a 60 anos, causando danos genéticos lentos e acumulativos às células infectadas. A pessoa não sabe que está infectada e não apresenta sintomas durante esse período.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Desenvolvimento do câncer</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>em 2% a 5% dos infectados, os danos acumulados ao longo de décadas desencadeiam o câncer, geralmente entre os 50 e os 60 anos de idade. A forma mais grave, chamada linfomatosa, é a mais comum em populações caribenhas e africanas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Diagnóstico frequentemente errado</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>como o teste para HTLV-1 não é feito de rotina, médicos muitas vezes classificam o ATLL como outro tipo de linfoma de células T. Estima-se que cerca de um terço dos casos nos EUA não receba o diagnóstico correto.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>6. Transmissão entre adultos</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>além da via mãe-filho, o vírus pode ser transmitido por relações sexuais desprotegidas e transfusões de sangue sem triagem. Estratégias de prevenção do HIV — incluindo PrEP — não oferecem proteção contra o HTLV-1.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script><p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/">Leucemia causada por vírus transmitido na amamentação poderia ser prevenida com rastreamento materno</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/leucemia-causada-por-virus-transmitido-na-amamentacao-poderia-ser-prevenida-com-rastreamento-materno/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mezzo-soprano e cientista: como Renata Prôa internacionalizou sua carreira na pesquisa </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 19:35:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8930</guid>

					<description><![CDATA[<p>Doutoranda em Columbia e cientista de dados no Einstein, ela defende que jovens pesquisadores aprendam a comunicar melhor suas trajetórias </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/">Mezzo-soprano e cientista: como Renata Prôa internacionalizou sua carreira na pesquisa </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Você pode ser brilhante, mas se não souber comunicar sua trajetória, não chega lá.” A frase resume, em uma só linha, o princípio que <strong>Renata Prôa</strong> transformou em método. Aos 25 anos, ela é <strong>cientista de dados</strong> no Einstein Hospital Israelita e cursa um doutorado em neurociência teórica na Universidade Columbia, em Nova York — trajetória que incluiu, pelo caminho, um mestrado em saúde pública pela Universidade Harvard, também nos Estados Unidos, concluído após uma licença de um ano do doutorado.&nbsp;</p>



<p>Natural de São José dos Campos (SP) e formada em ciências moleculares pela Universidade de São Paulo (USP), Prôa também é mezzo-soprano pela Academia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), onde ela começou a articular seus interesses por música e ciência.&nbsp;</p>



<p>No Einstein, Prôa tem se dedicado ao desenvolvimento de soluções para o <strong>Sistema Único de Saúde (SUS)</strong>: mais especificamente, <strong>algoritmos de triagem de doenças</strong> e modelos que cruzam <strong>dados climáticos e de saúde </strong>para prever impactos das mudanças ambientais em populações mais vulneráveis.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nesta entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Prôa fala sobre seu processo de internacionalização acadêmica, os vieses dos dados em inteligência artificial (IA) e o que a academia ainda precisa fazer para se aproximar mais da população.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os primeiros acordes</strong> </h2>



<p>Graduada em ciências moleculares pela USP, com passagem pelas áreas de matemática e neurociência, Prôa chegou ao Einstein Hospital Israelita ainda na graduação para estudar <strong>distonia</strong>, uma condição neurológica comum entre músicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O encaixe entre as diferentes áreas do conhecimento não foi acidental: a pesquisadora queria, desde o início, explicar o cérebro por meio de <strong>modelos matemáticos</strong> — um impulso quase filosófico de traduzir emoções e percepções em equações.&nbsp;</p>



<p>A música nunca foi apenas pano de fundo nessa trajetória. Ao mesmo tempo em que se formava em ciências moleculares, Prôa atuava como cantora profissional e como mezzo-soprano na OSESP.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Foi observando uma orquestra na Alemanha que ela teve insights que seriam centrais em seus modelos matemáticos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Muitas das ideias que tive vieram de referências da arte. O artista tem uma disposição para questionar o óbvio que é essencial para a ciência”, afirma Prôa. </p></blockquote></figure>



<p>Foi também no Einstein onde ela encontrou um novo eixo de atuação: compreender o impacto direto da pesquisa científica na saúde pública. Trabalhando com neuroimagem e, depois, com inteligência artificial aplicada a imagens médicas, a jovem percebeu que poderia encurtar a distância entre pesquisa e vida real.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Eu me apaixonei por ver a ciência chegando nas pessoas”, conta.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Desde então, sua atuação se voltou ao desenvolvimento de <strong>soluções para o SUS</strong>, incluindo algoritmos para triagem de doenças e modelos que cruzam dados de clima e saúde para prever impactos das mudanças ambientais em populações vulneráveis.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Voos internacionais</strong> </h2>



<p>A internacionalização de Prôa não foi planejada desde a infância. Foi, segundo ela, fruto de uma busca ativa para entender o sistema acadêmico global.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em 2022, ingressou no doutorado em neurociência teórica na Universidade Columbia, em Nova York. Dois anos depois, ao completar o segundo ano — período em que o programa confere automaticamente um mestrado —, pediu uma licença de um ano para cursar um mestrado em saúde pública em Harvard. Concluiu a formação em maio de 2025 e retomou o doutorado em Columbia no semestre seguinte.&nbsp;</p>



<p>A decisão, à primeira vista pouco convencional, tem raiz em uma percepção que emergiu durante o próprio doutorado: ao trabalhar com projetos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS), Prôa percebeu que os resultados geravam impacto mais concreto e imediato do que a pesquisa em modelos matemáticos do cérebro — sua linha original.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O deslocamento não foi de área, mas de escala: do laboratório para o sistema de saúde. Para atuar nessa frente com o mesmo rigor técnico, avaliou que precisava de formação em saúde pública e gestão estratégica. Harvard entregou exatamente isso.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A transição se reflete hoje no trabalho que desenvolve no Einstein, com projetos que cruzam inteligência artificial, clima e equidade no SUS. </p></blockquote></figure>



<p>Um ponto de virada foi, em 2021, ainda antes de ingressar no doutorado, a participação na Iniciativa Próxima, programa de mentoria da Universidade Yale (EUA) voltado a jovens cientistas na área de ciências biomédicas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Durante um ano, Prôa teve como mentor um doutorando em neurociência de Yale, que a acompanhou no processo de candidatura: do mapeamento do sistema acadêmico internacional ao desafio emocional de redigir o <em>personal statement</em>.&nbsp;</p>



<p>Em Columbia, ela se viu como a única de sua turma vinda de fora do circuito de elite das universidades americanas, o que reforçou sua motivação para participar de programas de mentoria voltados a outros estudantes.&nbsp;</p>



<p>Um dos maiores obstáculos foi a redação do <em>personal statement</em>, texto em que o candidato deve defender seu valor. A pesquisadora relata que precisou superar o que identifica como “cultura de humildade brasileira” e a <strong>síndrome do impostor,</strong> barreiras que dificultavam a autodefesa adequada de suas conquistas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="1076" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil.jpeg" alt="Mulher jovem de cabelos castanhos ondulados e vestido floral verde-claro, de perfil, com expressão contemplativa. Ao fundo, um quadro branco coberto de equações matemáticas escritas a vermelho e preto, e janelas amplas com arranha-céus ao fundo, sugerindo ambiente acadêmico em grande centro urbano. " class="wp-image-8933" style="width:755px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-800x717.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-400x359.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-768x689.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/05/renata-proa-perfil-150x135.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Muitas das ideias que tive vieram de referências da arte. O artista tem uma disposição para questionar o óbvio que é essencial para a ciência&#8221;, diz Renata Prôa, cientista de dados do Einstein Hospital Israelita e doutoranda na Universidade Columbia | Imagem: Arquivo pessoal </figcaption></figure>



<p>Essa dificuldade com a autodefesa, que ela reconhece como traço cultural, não individual, acabou se tornando matéria-prima para um trabalho de comunicação à parte.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fwww.instagram.com.mcas.ms%2Frenataproa%2F%3FMcasTsid%3D15600&amp;McasCSRF=8317ffe833406ef5bee34a11c66d41b9314f263e6fae86dce8834dddb27fb9ce" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Com mais de 30 mil seguidores no Instagram</a>, Prôa passou a orientar jovens pesquisadores interessados em estudar no exterior, compartilhando o que aprendeu sobre candidaturas internacionais, interdisciplinaridade e carreira acadêmica.  </p>



<p>O movimento ganhou forma durante o mestrado em Harvard, quando atuou como comunicadora científica da instituição. O retorno tem sido especialmente positivo entre estudantes brasileiros sem acesso a redes de apoio estruturadas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ciência sem pedestal</strong> </h2>



<p>Ao falar de inteligência artificial — tema central de sua atuação atual —, Prôa evita o entusiasmo acrítico. Para ela, a importância da tecnologia está menos na sofisticação técnica e mais nas perguntas que orientam seu uso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em um país marcado por desigualdades, isso significa garantir que algoritmos de diagnóstico funcionem para diferentes perfis de pacientes.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A IA é uma superferramenta de automatização. O risco está nos vieses dos dados”, avalia Prôa. </p></blockquote></figure>



<p>“Se você treina um modelo só com dados de um grupo, ele não vai funcionar para os outros”, afirma. Além disso, ela reforça que a academia precisa aprender a dialogar com a ponta, acolher dúvidas e abdicar do pedestal que afasta o conhecimento da população.&nbsp;</p>



<p>Para quem está começando, os conselhos são diretos: “Não tenha medo das suas dúvidas. Nenhuma pergunta é estúpida. E, talvez mais importante, reconheça que a ciência não é um caminho solitário nem linear. Não basta ter resultado. Existe comunicação, relações humanas, política. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença.”&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se candidatar a universidades internacionais</strong> </h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>1. Domine o inglês, mas vá além</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O idioma é condição mínima. O verdadeiro desafio está em entender a cultura de candidatura de cada país, que varia significativamente em comparação ao processo brasileiro.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Busque programas de mentoria</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Iniciativas como a Iniciativa Próxima oferecem orientação de pessoas que já passaram pelo processo. Redes de apoio estruturadas fazem diferença real, especialmente para quem vem de fora do circuito das universidades de elite.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. Invista no personal statement</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O texto de candidatura exige autodefesa clara das próprias conquistas. Estudantes brasileiros frequentemente precisam superar a chamada “cultura de humildade” e a síndrome do impostor para apresentar sua trajetória com confiança.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Construa uma trajetória interdisciplinar</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Universidades americanas valorizam perfis que transitam entre áreas. Uma formação em matemática aplicada à neurociência, por exemplo, pode ser um diferencial mais potente do que um currículo linear.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Comunique sua ciência</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Saber fazer pesquisa não basta. É preciso saber contar o que se faz — para bancas, para financiadores e para o público amplo. A comunicação científica é parte da carreira, não um acessório.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script><p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/">Mezzo-soprano e cientista: como Renata Prôa internacionalizou sua carreira na pesquisa </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/carreiras/mezzo-soprano-e-cientista-como-renata-proa-internacionalizou-sua-carreira-na-pesquisa/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisas ampliam escuta de jovens para aprimorar cuidado em saúde mental</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-ampliam-escuta-de-jovens-para-aprimorar-cuidado-em-saude-mental/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-ampliam-escuta-de-jovens-para-aprimorar-cuidado-em-saude-mental/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 15:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#depressão]]></category>
		<category><![CDATA[#juventude]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8855</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estudos revelam que 85% de universitárias apresentaram depressão durante pandemia e apontam ferramentas digitais como caminho para ampliar acesso a serviços</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-ampliam-escuta-de-jovens-para-aprimorar-cuidado-em-saude-mental/">Pesquisas ampliam escuta de jovens para aprimorar cuidado em saúde mental</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 2000, Luciane Kantorski, professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e coordenadora da rede de atenção psicossocial de Pelotas (RS), foi uma das responsáveis pelo cadastro do <a href="https://www.gruposaudemental.com/sobre-a-gente" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Grupo de Pesquisa em Enfermagem, Saúde Mental e Saúde Coletiva</a> no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>



<p>Nos primeiros anos, o grupo focou na avaliação da qualidade dos serviços dedicados ao sofrimento psíquico. Com o tempo, outras questões ganharam destaque, incluindo trabalhos sobre o perfil de pessoas que buscam ajuda em serviços de saúde mental — entre elas, os jovens.</p>



<p>Kantorski observa que o sofrimento psíquico nessa faixa etária aumentou nos últimos anos, principalmente durante a pandemia de Covid-19. Essa percepção motivou a ampliação de pesquisas sobre a intersecção entre saúde mental e juventude.</p>



<p><a href="https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoesaude/article/view/14400" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um artigo publicado em 2024</a> analisou a saúde mental de 329 estudantes universitárias durante o ensino remoto. A partir de questionários e modelos padronizados para mensurar níveis de depressão, ansiedade e ideação suicida, Kantorski e os coautores concluíram que 85% da amostra apresentava algum índice de depressão, 24% níveis altos de ansiedade e 25% relataram ideação suicida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pandemia agravou sofrimento psíquico entre jovens</strong></h2>



<p>Os malefícios da pandemia de Covid-19 para a saúde mental dos jovens brasileiros também são tema de <a href="https://fiocruz.br/documento/2025/12/informe-ii-saude-mental-ciclo-de-informes-sobre-situacao-de-saude-da-juventude" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um informe dedicado à saúde mental da Agenda Jovem Fiocruz</a>, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que desenvolve projetos focados nos desafios da juventude brasileira.</p>



<p>No relatório, os autores apontam que a pandemia aumentou índices de sofrimento psíquico na população brasileira em geral, mas foi sentida principalmente por jovens &#8220;em razão do estágio de vida marcado por intensa sociabilidade e circulação&#8221;.</p>



<p>O estudo considerou dados de saúde mental disponibilizados em sistemas do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em informações sobre internações, mortalidades e atendimentos à população de 15 a 29 anos em todo o Brasil.</p>



<p>André Sobrinho, coordenador da iniciativa, defende que levantamentos como esse oferecem uma visão do agravamento da saúde mental em jovens brasileiros.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Aproximadamente 10% dos atendimentos a jovens na atenção básica estão relacionados à saúde mental. O percentual poderia ser maior, já que, entre jovens, a taxa de procura por serviços de saúde mental na atenção primária é menos da metade em comparação à população geral.</p></blockquote></figure>



<p>Um eixo central do levantamento foi analisar a saúde mental de jovens em relação a fatores como gênero, raça e região de moradia. Considerar esses aspectos resultou na conclusão de que problemas de saúde mental e a procura por ajuda especializada são distintos dependendo do perfil sociodemográfico dos jovens.</p>



<p>Um exemplo é a diferença entre homens e mulheres: eles têm uma taxa de internação 57% maior, dado apontado como &#8220;bastante superior&#8221; no relatório da Agenda Jovem Fiocruz.</p>



<p>Essa conjunção de fatores socioeconômicos também ajuda a explicar o deterioramento mental dos jovens brasileiros. O mundo do trabalho é um deles, com alto grau de precarização e jornadas extenuantes, aponta Sobrinho.&nbsp;</p>



<p>Responsabilidades familiares e dificuldade em continuar os estudos são outros aspectos que podem afetar a saúde mental de jovens.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Grupos terapêuticos mostram resultados positivos</strong></h2>



<p>Por isso, é importante ouvir os jovens para entender suas condições e prover serviços adequados às suas necessidades, afirma Kantorski. Um exemplo é um <a href="https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-24902020000200007" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo coassinado pela pesquisadora</a> cujo objetivo foi discutir os desdobramentos terapêuticos de grupos voltados para adolescentes em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).</p>



<p>A partir de observações desses espaços, os autores registraram desfechos positivos na reabilitação psicossocial de adolescentes que frequentavam os CAPS, principalmente em temas como sexualidade, conflitos familiares e uso de drogas.</p>



<p>Para a professora da UFPEL, no entanto, pesquisas que considerem jovens no centro de questões sobre saúde mental ainda precisam ser mais disseminadas.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Esses serviços de saúde precisam se preparar mais para esses jovens. É preciso compreender para dar conta das demandas&#8221;, afirma, indicando o advento das redes sociais como uma diferença importante entre os jovens de hoje em comparação com o passado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Austrália inspira modelo brasileiro de cuidado</strong></h2>



<p>A dificuldade de prover serviços adequados de saúde mental é um problema sentido em outros países. Ian Hickie, professor de psiquiatria da Universidade de Sydney, na Austrália, vem estudando o tema há anos.&nbsp;</p>



<p>Já na década de 1990, estava evidente para o pesquisador que havia uma lacuna entre centros dedicados à saúde mental de jovens na Austrália e um serviço eficaz e de qualidade para essa população.</p>



<p>Na década seguinte, em 2006, houve o estabelecimento do <a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=National+Youth+Mental+Health+Foundation&amp;ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">National Youth Mental Health Foundation, conhecido como Headspace</a>. O serviço australiano foi criado para construir centros onde serviços primários de saúde mental ou porta de entrada para o sistema de saúde fossem ofertados aos jovens.</p>



<p><a href="https://headspace.org.au/our-impact/evaluation-research-reports/annual-reports/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo o último relatório oficial do programa</a>, divulgado em outubro do ano passado, um milhão de jovens já acessaram algum tipo de serviço ofertado pelo Headspace.</p>



<p>Mas Hickie acredita que o modelo tem falhas. &#8220;Esses centros são muito focados em infraestrutura física. O objetivo é estabelecer novas clínicas que criem portas de entrada para aumentar o acesso aos cuidados de saúde&#8221;, aponta o especialista.</p>



<p>A eficácia do Headspace já foi abordada em artigos científicos. <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0282040" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma pesquisa publicada em 2023 na <em>PLOS One</em></a> analisou dados de cerca de 58 mil jovens que acessaram o serviço entre 2019 e 2020.</p>



<p>Para avaliar o desfecho desses pacientes, os autores se atentaram a dados do sofrimento psíquico relatado pelos próprios jovens, à qualidade de vida também indicada pelos pacientes e à avaliação que profissionais de saúde fizeram dos jovens após o acesso aos centros do Headspace.&nbsp;</p>



<p>O resultado foi positivo: cerca de um terço dos pacientes apresentou melhora no sofrimento psíquico, enquanto metade deles relatou melhora na qualidade de vida.</p>



<p>No entanto, também existem contra-argumentos sobre a falta de evidência robusta sobre o serviço. <a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/10398562231167683" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em um artigo publicado em 2023</a> antes da pesquisa veiculada na <em>PLOS One</em>, outros pesquisadores afirmaram que estudos publicados sobre o Headspace apresentam pouca padronização para mensurar o resultado do serviço e, mesmo quando desfechos positivos são observados, eles normalmente não eram clinicamente relevantes.</p>



<p>Hickie também questiona a relevância de programas como o Headspace. Ele defende que modelos centrados em clínicas físicas não são escaláveis e nem conseguem lidar com toda a complexidade envolvendo a degradação da saúde mental em jovens.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Cuidado contínuo, altamente personalizado, com constante acompanhamento e avaliação dos pacientes e dos próprios serviços de saúde são alguns dos fatores envolvidos nesse tipo de serviço.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ferramentas digitais ampliam acesso a cuidado</strong></h2>



<p>Uma solução pode ser a adoção de ferramentas digitais. &#8220;Na era digital, é possível que jovens sejam participantes ativos no processo de acompanhamento do que está acontecendo com sua saúde mental de forma a acessar suporte adicional&#8221;, resume Hickie.</p>



<p>O professor da Universidade de Sydney está envolvido em diferentes projetos que utilizam recursos digitais na tentativa de construir serviços de saúde mental de qualidade dedicados à população jovem. Uma dessas iniciativas foi no Brasil, por meio de uma colaboração com Pedro Pan, médico psiquiatra e orientador do programa de pós-graduação em psiquiatria e psicologia médica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).</p>



<p>Pan já tinha colaborado com um grupo de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, em um projeto para identificar sinais precoces de esquizofrenia em jovens. Anos depois, o médico voltou a colaborar com cientistas australianos — dessa vez, com o próprio Hickie.</p>



<p>A parceria foi fundamental para desenvolver uma ferramenta digital brasileira cuja finalidade é analisar a saúde mental de jovens a partir de dados gerais do paciente. <a href="https://mindcheck.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Chamada de Mindcheck</a>, da qual Pan é cofundador, a tecnologia engloba diferentes aspectos como pensamentos, emoções, tempos de tela e habilidades socioemocionais para realizar um check-up digital de saúde mental.</p>



<p>Ferramentas como essas podem ser úteis por gerarem mais engajamento nessa faixa etária, já que &#8220;os jovens estão utilizando os meios digitais e esses tipos de ferramenta&#8221;, afirma o médico psiquiatra.</p>



<p>Cerca de 100 avaliações já foram feitas. Metade delas ocorreu durante o desenvolvimento da plataforma, enquanto a outra parte aconteceu na fase piloto. &#8220;Os dados iniciais mostram que a Mindcheck ajuda a identificar perfis de risco em saúde mental que muitas vezes não haviam sido reconhecidos previamente por jovens ou familiares, além de facilitar a tomada de consciência sobre fatores importantes do cotidiano, como sono, uso de telas, rotina, estresse e bem-estar emocional&#8221;, resume Pan.</p>



<p>Um artigo sobre o desenvolvimento da plataforma e com avaliações qualitativas do seu uso está em revisão para ser publicado em um periódico científico. Enquanto isso, exemplos individuais de jovens atendidos com a tecnologia ilustram a fala de Pan.</p>



<p>Um caso foi de uma jovem que apresentava dificuldade de atenção na escola. A suspeita era um transtorno cognitivo, mas a avaliação da Mindcheck apontou que o problema poderia estar relacionado ao uso intenso de telas durante a noite. &#8220;A partir da reorganização do sono e da redução do uso noturno de telas, houve uma melhora substancial da atenção e do desempenho escolar, sem necessidade de intervenções mais complexas&#8221;, conta Pan.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cooperação internacional enfrenta desafios de adaptação</strong></h2>



<p>O diálogo entre Pan e Hickie que resultou na Mindcheck ilustra como colaborações internacionais podem ser importantes para melhorar o cuidado em saúde mental de jovens. Mas essas parcerias têm limitações, principalmente pelas diferenças locais de cada região.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A questão econômica entre países desenvolvidos e em desenvolvimento pode representar um desafio — por exemplo, entre Austrália e Brasil. &#8220;Não é tudo realmente que se replica da mesma maneira&#8221;, explica Pan.</p></blockquote></figure>



<p>Uma forma de melhorar essas adaptações é definir padrões de pesquisas entre diferentes países, aponta Sobrinho, da Agenda Jovem Fiocruz. Dessa maneira, mesmo que estudos considerem a realidade local do sofrimento psíquico de jovens, a colaboração e trocas internacionais seriam facilitadas.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Exige-se um esforço maior não só de uma rede de intercâmbio, mas também da definição de parâmetros científicos e metodológicos globais dos quais podemos partir&#8221;, conclui o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como melhorar a pesquisa sobre saúde mental em jovens?</h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 1: Ampliar pesquisas com foco em jovens </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Desenvolver mais estudos que coloquem os jovens no centro das questões sobre saúde mental, considerando suas necessidades específicas e diferenças em relação a gerações anteriores, incluindo o impacto das redes sociais.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 2: Considerar fatores socioeconômicos </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Analisar saúde mental em relação a gênero, raça, região de moradia e condições de trabalho, reconhecendo que problemas e busca por ajuda variam conforme perfil sociodemográfico.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 3: Investir em ferramentas digitais</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Criar plataformas de avaliação e acompanhamento online que permitam aos jovens serem participantes ativos no cuidado com sua saúde mental, ampliando acesso e engajamento.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 4: Fortalecer atenção primária </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Aumentar procura por serviços de saúde mental na atenção básica, que atualmente atende apenas metade dos jovens em comparação à população geral.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 5: Promover grupos terapêuticos em CAPS</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Expandir espaços de atendimento coletivo para adolescentes que demonstram resultados positivos em temas como sexualidade, conflitos familiares e uso de drogas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Tópico 6: Estabelecer padrões de pesquisa globais</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Definir parâmetros científicos e metodológicos compartilhados entre países para facilitar colaborações internacionais e adaptações locais de boas práticas.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script><p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-ampliam-escuta-de-jovens-para-aprimorar-cuidado-em-saude-mental/">Pesquisas ampliam escuta de jovens para aprimorar cuidado em saúde mental</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-ampliam-escuta-de-jovens-para-aprimorar-cuidado-em-saude-mental/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Edifícios inacabados na China ampliam emissões de carbono e riscos à saúde, aponta estudo</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/edificios-inacabados-na-china-ampliam-emissoes-de-carbono-e-riscos-a-saude-aponta-estudo/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/edificios-inacabados-na-china-ampliam-emissoes-de-carbono-e-riscos-a-saude-aponta-estudo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 18:47:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#china]]></category>
		<category><![CDATA[#Poluição]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8661</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pesquisa quantifica desperdício de 485 milhões de toneladas de materiais, aumento de 9,6% na intensidade de carbono do setor e 2,6 milhões de anos de vida perdidos por incapacidade associados à crise imobiliária chinesa</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/edificios-inacabados-na-china-ampliam-emissoes-de-carbono-e-riscos-a-saude-aponta-estudo/">Edifícios inacabados na China ampliam emissões de carbono e riscos à saúde, aponta estudo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <a href="https://www.nytimes.com/2026/01/18/business/china-gdp-economy.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">crise imobiliária da China</a> gera consequências que vão além do colapso financeiro: os <strong>edifícios inacabados</strong> que se acumulam no país tornaram-se <strong>ativos obsoletos</strong>, incapazes de cumprir sua função habitacional e, ao mesmo tempo, responsáveis por <strong>custos substanciais ao meio ambiente e à saúde pública</strong>. Esses projetos não entregam nenhum serviço funcional: nem moradia nem uso econômico.</p>



<p><a href="https://www.cell.com/one-earth/fulltext/S2590-3322(26)00050-3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo publicado na revista científica <em>Cell One Earth</em></a>, desenvolvido por pesquisadores de China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Austrália, analisou o volume de <strong>obras paralisadas</strong> nos últimos anos e estimou o <strong>desperdício associado a esses empreendimentos</strong>. Os resultados quantificam um problema de proporções significativas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que são DALYs?</strong></h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Significado da sigla</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>DALY significa Disability-Adjusted Life Year — em português, ano de vida ajustado por incapacidade.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Para que é usada?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>É uma métrica utilizada em saúde pública para quantificar o impacto de doenças, lesões e fatores de risco sobre a população.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Métrica</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Um DALY equivale à perda de um ano de vida plena — seja por morte prematura, seja por viver com uma incapacidade ou condição crônica.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Comparação</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A métrica permite comparar o peso de diferentes condições de saúde em uma mesma unidade, facilitando a avaliação de políticas públicas e a alocação de recursos em saúde.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Poluição gera perdas</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>No estudo sobre a crise imobiliária chinesa, os 2,6 milhões de DALYs estimados representam o impacto da poluição do ar — gerada pelas obras paralisadas — sobre a saúde da população das regiões afetadas.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Materiais consumidos, benefícios ausentes</strong></h2>



<p>Segundo os autores, 485 milhões de toneladas de materiais (como cimento e aço, além de energia) foram consumidas em construções que não chegaram a ser concluídas, gerando uso intensivo de recursos sem retorno social proporcional.</p>



<p>Esse processo contribui diretamente para um aumento de 9,6% na intensidade de carbono do setor da construção civil, já reconhecido como uma das maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa globais.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O impacto climático, destacam os pesquisadores, ocorre independentemente da conclusão das obras.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Saúde em risco</strong></h2>



<p>Os efeitos não se limitam ao clima. O estudo aponta que o desperdício de materiais e energia está associado à deterioração da qualidade do ar, fator reconhecido como risco relevante para doenças cardiovasculares e respiratórias. A pesquisa estima 2,6 milhões de DALYs (Disability-Adjusted Life Years, ou anos de vida ajustados por incapacidade) associados à poluição gerada pelas obras paralisadas.</p>



<p>A presença de obras abandonadas em áreas urbanas tende a agravar condições já sensíveis: degradação do ambiente construído, sensação de insegurança e estresse socioeconômico entre as populações afetadas. O cenário acumula cerca de US$ 347 bilhões (R$ 1,7 bilhão) em perdas econômicas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Projetos inacabados se concentram em subúrbios novos, amplificando desigualdades e a escassez de serviços urbanos.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como os pesquisadores mediram o impacto</strong></h2>



<p>Para obter esses resultados, os pesquisadores cruzaram dados sobre atividade imobiliária, consumo de materiais e emissões do setor, considerando tanto o ciclo de construção quanto os impactos indiretos decorrentes da interrupção das obras.&nbsp;</p>



<p>Essa abordagem permitiu dimensionar não apenas o desperdício físico, mas seus desdobramentos ambientais e sociais ao longo do tempo.</p>



<p>O estudo argumenta que a crise imobiliária chinesa revela um problema estrutural mais amplo: <strong>modelos de desenvolvimento urbano descolados de planejamento sustentável</strong> e estabilidade econômica tendem a gerar externalidades ambientais e sociais significativas.</p>



<p>Edifícios inacabados deixam de ser apenas símbolos de desaceleração econômica e passam a funcionar como vetores de poluição, ineficiência e risco à saúde pública — um dado que aponta para a necessidade de reorientação nos modelos de desenvolvimento do setor.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/edificios-inacabados-na-china-ampliam-emissoes-de-carbono-e-riscos-a-saude-aponta-estudo/">Edifícios inacabados na China ampliam emissões de carbono e riscos à saúde, aponta estudo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/edificios-inacabados-na-china-ampliam-emissoes-de-carbono-e-riscos-a-saude-aponta-estudo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;A saúde é uma ótima interseção quando queremos fazer pesquisa, mas não ficar só na teoria&#8221;</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 19:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#SUS]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8621</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pesquisadora do Einstein Hospital Israelita analisa o SUS, apoia pesquisas clínicas e formula políticas públicas a partir de uma formação em administração</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/">&#8220;A saúde é uma ótima interseção quando queremos fazer pesquisa, mas não ficar só na teoria&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fazer <strong>pesquisa em saúde pública sem ser profissional da área</strong> exige equilíbrio. É preciso entender o funcionamento do <strong>Sistema Único de Saúde (SUS)</strong>, dialogar com médicos, interpretar dados públicos e, ao mesmo tempo, evitar que a análise se torne excessivamente teórica ou desconectada da prática.</p>



<p>Foi nesse espaço entre dois universos que <strong>Marina Martins Siqueira</strong>, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, construiu sua trajetória. Formada em administração pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), ela não planejava trabalhar com políticas públicas em saúde.&nbsp;</p>



<p>O percurso foi sendo moldado a partir do interesse pela pesquisa acadêmica e da tentativa de compreender <strong>sistemas complexos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Apesar de me definir hoje mais como especialista e pesquisadora em políticas públicas, sei que a minha história em administração está completamente vinculada com o que eu faço.”</p></blockquote></figure>



<p>O primeiro contato com a saúde veio ainda no mestrado, na Escola de Negócios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao se aproximar de docentes que pesquisavam saúde, Siqueira encontrou um campo em que a pesquisa não se limitava à teoria.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Quando a gente quer fazer pesquisa, mas não quer ficar só na teoria, a saúde é uma ótima interseção&#8221;, explica.</p>



<p>O tema escolhido para o mestrado foi <strong>doação e transplante de órgãos</strong>. À primeira vista, um recorte bastante específico. Na prática, um sistema que depende de <strong>coordenação rigorosa e fluxos bem definidos</strong>, e que lida com escassez de recursos e decisões regulatórias.&nbsp;</p>



<p>A logística — sua ênfase inicial — estava presente, mas aplicada a um ambiente complexo e com impacto direto na vida das pessoas.</p>



<p>Na academia, ela combinou revisão teórica, análise documental, entrevistas e avaliação quantitativa de eficiência para entender como o sistema de transplantes funciona e onde poderia melhorar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Foi nesse ponto que surgiu um dos principais desafios de transitar entre as duas áreas. Sem formação médica, ela precisava compreender a prática clínica sem ter vivido a rotina hospitalar. </p></blockquote></figure>



<p>Para isso, contou com a parceria de colegas da área médica — em especial, um médico intensivista que trabalhava com transplantes.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Tê-lo próximo me ajudou muito, porque ele não tinha essa bagagem acadêmica e teórica que eu tinha, mas tinha 100% a parte prática assistencial”, explica Siqueira.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do mestrado ao Banco Mundial: uma trajetória entre academia e política</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1200" height="798" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato.jpg" alt="Retrato de Marina Martins Siqueira, mulher branca de cabelos castanhos lisos com mechas mais claras, usando óculos de armação tartaruga e blusa rosa de tricô com decote em V. Usa colar fino dourado com pingente pequeno. Expressão sorridente, olhando diretamente para a câmera. Fundo liso em tom azul-acinzentado." class="wp-image-8624" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-800x532.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-400x266.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-768x511.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Quando a gente quer fazer pesquisa, mas não quer ficar só na teoria, a saúde é uma ótima interseção, diz Marina Martins Siqueira, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita | Imagem: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Do mestrado, Siqueira seguiu diretamente para o doutorado, também no Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ, onde obteve o título de doutora em administração (D.Sc.) em 2020, <a href="http://coppead.ufrj.br/wp-content/uploads/2021/06/Tese_Marina_Siqueira.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">com tese sobre a avaliação de desempenho</a> dos <strong>serviços de doação e transplante de órgãos no Brasil</strong>. </p>



<p>Durante o período, passou um ano na Duke University, nos Estados Unidos. No último ano do doutorado, atuou como consultora de curto prazo em projetos do <strong>Banco Mundial</strong>, em ritmo mais acelerado e com foco em responder perguntas específicas sobre diferentes países.&nbsp;</p>



<p>O trabalho exigia levantamento de literatura, análise de dados e de legislação, mas com prazos e objetivos definidos de forma mais pragmática.</p>



<p>Em seguida, teve uma passagem pelo Instituto de Estudos em Políticas de Saúde (IEPS), em São Paulo, onde aprofundou a <strong>análise de sistemas e a interlocução com gestores</strong>.&nbsp;</p>



<p>A experiência consolidou uma preocupação que ela mantém até hoje: evitar que a pesquisa se torne extremamente abstrata.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A maior dificuldade é transpor a dimensão empírica para o desenho do estudo, de forma a oferecer informações úteis para quem está na ponta ou para gestores públicos.&#8221;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A criação do CEPPS no Einstein</strong></h2>



<p>Em 2022, a pesquisadora ingressou no Einstein Hospital Israelita para ajudar a criar um núcleo voltado a <strong>políticas públicas</strong>.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A ideia era criar um think tank, um centro de pesquisa focado em políticas públicas dentro do Einstein”, conta Siqueira. “A gente entrou para desenhar esse centro, o que ele seria, quais seriam as nossas atividades. Era tudo muito novo.&#8221;</p>



<p>O <a href="https://www.einstein.br/cepps" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS)</a> do Einstein passou a atuar tanto no <strong>apoio à pesquisa clínica</strong> quanto na <strong>análise de dados públicos</strong>. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O trabalho envolve mapear a organização do SUS, avaliar a distribuição de procedimentos e recursos e ajudar médicos interessados em transformar sua experiência prática em pesquisa estruturada.</p></blockquote></figure>



<p>&#8220;Ao apoiar e estimular a pesquisa clínica dentro do Einstein, juntamos a bagagem acadêmica de toda a nossa trajetória com um conhecimento empírico que só o especialista, o médico, o cirurgião — só quem está na ponta — consegue trazer.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Produções que vão além dos artigos científicos</strong></h2>



<p>A atuação do CEPPS não se limita à produção de artigos científicos. O modelo adotado permite produzir diferentes tipos de conteúdo, conforme o público e o objetivo: relatórios institucionais, análises para gestores e publicações revisadas por pares.&nbsp;</p>



<p>Há também um esforço de <strong>tradução do conhecimento</strong>, com materiais em formatos mais acessíveis.</p>



<p>Entre as produções recentes do grupo, três pesquisas ilustram a amplitude do trabalho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12877911/#ack1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo sobre internações por infecções congênitas no SUS</a> entre 2008 e 2024, publicado na revista <em>Antimicrobial Stewardship &amp; Healthcare Epidemiology</em>, identificou 194 mil hospitalizações de crianças com menos de 12 meses, com aumento expressivo de casos de sífilis congênita, desigualdades regionais persistentes e lacunas na coordenação do cuidado materno-infantil;</li>



<li><a href="https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/92283" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma análise da qualidade dos dados cirúrgicos nos sistemas ambulatorial e hospitalar do SUS</a>, publicada nos <em>Cadernos Gestão Pública e Cidadania (FGV)</em>, evidenciou que, em 2023, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">76,6% dos 20,9 milhões de cirurgias ambulatoriais foram registrados sem código CID-10</a>, com problemas de completude e especificidade que impactam a gestão das redes de atenção;</li>



<li><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/codi.70387" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma pesquisa sobre mortalidade no tratamento cirúrgico do câncer colorretal</a>, publicada em março de 2026 no <em>ANZ Journal of Surgery</em>, analisou internações em hospitais públicos de São Paulo entre 2000 e 2023, revelando que a idade e o tipo de internação (urgência vs. eletiva) são os principais fatores preditivos de óbito.</li>
</ul>



<p>Paralelamente à pesquisa, <strong>Siqueira passou a atuar no ensino</strong>. Coordena atividades em cursos de pós-graduação e, desde 2024, é professora assistente na <strong>graduação em Administração do Einstein</strong>, na disciplina de políticas públicas.</p>



<p>Orienta alunos de iniciação científica e mantém o diálogo entre teoria, dados e prática institucional.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Hoje, Siqueira não atua mais como administradora, mas considera que a formação generalista foi decisiva para lidar com sistemas complexos, múltiplos atores e decisões que atravessam diferentes áreas. </p></blockquote></figure>



<p>O percurso não foi planejado nos detalhes. &#8220;Uma coisa foi puxando a outra e eu fui gostando muito, me envolvendo muito.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/">&#8220;A saúde é uma ótima interseção quando queremos fazer pesquisa, mas não ficar só na teoria&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DATASUS: por que o Brasil coleta tantos dados em saúde — mas ainda decide pouco com eles</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 15:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#dados]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#SUS]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8438</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bases abertas colocam o Brasil como referência global, mas fragmentação e lacunas dificultam transformar informação em decisões de saúde.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/">DATASUS: por que o Brasil coleta tantos dados em saúde — mas ainda decide pouco com eles</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil mantém uma das mais abrangentes <strong>infraestruturas públicas de dados em saúde</strong>. Qualquer pessoa pode acessar, sem cadastro ou autorização, informações sobre mortalidade, nascimentos, internações e notificações de doenças no país.&nbsp;</p>



<p>Reunidas pelo <a href="https://datasus.saude.gov.br/sobre-o-datasus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">DATASUS</a> — Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde —, essas <strong>bases alimentam pesquisas que analisam políticas públicas e padrões de atendimento no SUS</strong>. Transformar esse volume de informação em decisões concretas de gestão, porém, ainda é um desafio.</p>



<p>Criado em 1991, o <strong>DATASUS </strong>reúne e padroniza <strong>dados enviados por estados e municípios</strong>. Em seus 34 anos de operação, o departamento desenvolveu mais de 440 sistemas de informação que apoiam diretamente a gestão federal, estadual e municipal do SUS.&nbsp;</p>



<p>Apenas em 2023, o sistema registrou <a href="https://fbh.com.br/mercado-de-produtos-para-a-saude-abriu-quase-4-500-vagas-de-trabalho-em-2023-apesar-de-ter-crescido-1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">13,067 milhões de internações hospitalares e 5,705 milhões de cirurgias</a> — um retrato da escala de produção assistencial que o DATASUS captura mensalmente.&nbsp;</p>



<p>As declarações de óbito e de nascidos vivos <a href="https://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/pages/iframe_print.php?aid=1636" target="_blank" rel="noreferrer noopener">superam 95% de cobertura no país</a>, o que permite comparações entre regiões.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A gente consegue unificar tudo isso no mesmo sistema, independentemente de o bebê ter nascido no sistema público ou privado&#8221;, explica Alexandre Chiavegatto Filho, professor de Machine Learning em Saúde na Universidade de São Paulo (USP) e diretor do <a href="http://www.each.usp.br/labdaps/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (LABDAPS)</a>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Os dados do DATASUS são referência mundial. Em um país como o Brasil, com a diversidade e o tamanho que a gente tem, é impressionante a qualidade dos nossos dados em saúde&#8221;, afirma Chiavegatto Filho.</p></blockquote></figure>



<p>Hospitais, unidades básicas, serviços ambulatoriais e equipes de vigilância alimentam bases como o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), o Sistema Ambulatorial (SIA/SUS) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).&nbsp;</p>



<p>Após consolidação e validações técnicas, os dados anonimizados são disponibilizados em plataformas abertas como o <a href="https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TabNet</a>. &#8220;O acesso é livre, o que não é uma realidade na maioria dos países&#8221;, afirma Chiavegatto.</p>



<p>A partir dessas bases, pesquisadores <strong>constroem indicadores</strong>, <strong>identificam desigualdades regionais </strong>e <strong>avaliam padrões de atendimento</strong>. A análise, no entanto, encontra limites estruturais no próprio design do sistema.&nbsp;</p>



<p>Embora registre eventos — internações, procedimentos, óbitos —, o DATASUS não organiza automaticamente essas informações em trajetórias clínicas. Para transformar números em evidência sobre qualidade do cuidado ou eficiência do gasto, é preciso <strong>cruzar bases distintas</strong> e lidar com lacunas de preenchimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dificuldades para uso estratégico dos dados</strong></h2>



<p>Um dos principais entraves é a fragmentação entre as bases de dados, que operam de forma paralela e com regras distintas de preenchimento. A lacuna foi identificada em <a href="https://periodicos.fgv.br/cgpc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS)</a>, do Einstein Hospital Israelita, publicado nos <em>Cadernos de Gestão Pública e Cidadania</em> em 2025.&nbsp;</p>



<p>Ao analisar a produção cirúrgica registrada nos sistemas ambulatorial (SIA) e hospitalar (SIH), os pesquisadores encontraram problemas de completude, confiabilidade e especificidade.</p>



<p>Em 2023, 76,6% das cirurgias ambulatoriais foram registradas sem código CID-10 — a Classificação Internacional de Doenças, que identifica o diagnóstico associado ao procedimento.&nbsp;</p>



<p>No sistema hospitalar, 10,6% das cirurgias apareceram registradas como procedimentos múltiplos, sem detalhamento individualizado. Segundo os autores, essas inconsistências dificultam análises assistenciais e gerenciais e limitam a organização do SUS em redes de atenção.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;As bases não se conversam. Existem informações obrigatórias em um sistema que não são exigidas em outro&#8221;, afirma Lucas Hernandes Corrêa, pesquisador do CEPPS/Einstein.</p></blockquote></figure>



<p>A discrepância impede vincular procedimentos à condição que os motivou. Mesmo no sistema hospitalar, onde o CID é obrigatório, parte das cirurgias é registrada como procedimento múltiplo ou sequencial, sem detalhes suficientes para identificar o que foi realizado.&nbsp;</p>



<p>Para gestores, pesquisadores e auditores do SUS, o efeito prático é direto: &#8220;A gente não faz ideia de quais cirurgias foram feitas naquele paciente. Isso dificulta avaliar se eram indicadas ou se a remuneração está adequada&#8221;, diz Corrêa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais desafios</strong></h2>



<p>Outra limitação é a impossibilidade de acompanhar a trajetória de um mesmo paciente ao longo do sistema. Não é possível saber, por exemplo, se um bebê que nasceu com baixo peso voltou a ser internado semanas depois, ou se uma gestante que realizou consultas pré-natais teve complicações no parto.</p>



<p>Sem essa linha do tempo individual, é mais difícil estabelecer relações entre fatores de risco, intervenções e desfechos clínicos e aplicar modelos preditivos. &#8220;Os bancos são independentes entre si, o que é uma grande limitação, inclusive para o uso de algoritmos de inteligência artificial&#8221;, explica Chiavegatto.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Se a gente tivesse esse tipo de dado, os algoritmos conseguiriam aprender as características que fazem um bebê ir a óbito e estimar uma probabilidade de risco, por exemplo.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ausência de canais formais dificulta incorporação de evidências à gestão</strong></h2>



<p>Mesmo quando os dados permitem identificar padrões assistenciais, a tradução dessas evidências em decisões de gestão não é automática. No CEPPS, por exemplo, um estudo em andamento examina as cirurgias para retirada de vesícula biliar (colecistectomia), procedimento de alta prevalência no SUS.&nbsp;</p>



<p>Embora haja evidências consolidadas de que a técnica por laparoscopia esteja associada a melhores desfechos e menor tempo de permanência hospitalar, os dados indicam que a maioria das cirurgias ainda é realizada por via aberta.</p>



<p>&#8220;O DATASUS mostra que a gente ainda está longe da melhor prática assistencial, que seriam as cirurgias por vídeo. E isso faz com que a gente não entregue o melhor resultado para os pacientes&#8221;, diz Corrêa, do Einstein.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A gente pode estar pagando menos para cirurgia aberta, porque ela tem um valor menor, mas, ao mesmo tempo, gerando um custo que não necessariamente conseguimos enxergar.&#8221;</p>



<p>O caso ilustra outro desafio: a ausência de canais institucionais consolidados para que resultados de pesquisas sejam incorporados à gestão. Corrêa afirma que ainda não há metodologia estruturada para levar sistematicamente essas evidências aos tomadores de decisão.&nbsp;</p>



<p>&#8220;O que tem acontecido é que os médicos envolvidos nessas pesquisas têm levado esses resultados para as sociedades médicas e outras instituições que de alguma forma discutem política pública, mas por esse viés mais técnico e assistencial, não pelo viés da gestão&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em emergências e políticas estruturantes, dados orientam decisões</strong></h2>



<p>Ainda assim, há situações em que o uso das bases se tornou central para decisões administrativas. Um exemplo foi a pandemia de Covid-19, quando dados sobre a evolução diária de internações e óbitos embasaram decisões sobre abertura de leitos, restrições de circulação e alocação de recursos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;O número de óbitos e de internações foi um motivador muito grande para as medidas de controle da Covid-19. De uma semana para a outra, esses dados tiveram impacto direto no enfrentamento à pandemia&#8221;, afirma Chiavegatto, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Normas recentes também têm reforçado o vínculo entre financiamento e registro da produção assistencial. Em dezembro de 2025, a <a href="https://www.conass.org.br/conass-informa-n-226-2025-publicada-a-portaria-gm-n-9-037-que-dispoe-sobre-o-uso-dos-recursos-e-estabelece-procedimentos-operacionais-para-o-registro-da-producao-assistencial-e-monito/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portaria GM/MS nº 9.037</a> condicionou o monitoramento da execução dos recursos de emendas parlamentares para custeio da atenção especializada ao registro da produção em sistemas como o SIA e o SIH.&nbsp;</p>



<p>Na prática, hospitais e serviços que não registrarem adequadamente os procedimentos realizados poderão ter seus repasses comprometidos, tornando o preenchimento correto das bases uma condição direta de financiamento.</p>



<p>Indicadores consolidados, por sua vez, orientam políticas estruturantes. Segundo Chiavegatto, o coeficiente de mortalidade infantil é um dos mais sensíveis da área da saúde, pois tende a refletir rapidamente desestruturações no sistema, como fechamento de maternidades, falhas no saneamento ou insegurança alimentar.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Todas as secretarias usam majoritariamente os dados do DATASUS como subsídio para tomada de decisão&#8221;, diz.</p>



<p>Em nota ao <strong>Science Arena</strong>, o Ministério da Saúde afirmou que vem adotando medidas para qualificar e integrar as informações nacionais, como o fortalecimento da <a href="https://rnds.saude.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)</a> e a implementação do programa <a href="https://datasus.saude.gov.br/saudedigital/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SUS Digital</a>, e que considera a produção científica e o acompanhamento das bases do SUS estratégicos para o aprimoramento das políticas públicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conheça as principais bases do DATASUS</strong></h2>



<p>1. <a href="https://datasus.saude.gov.br/mortalidade-desde-1996-pela-cid-10/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIM — Sistema de Informações sobre Mortalidade</a><strong>:</strong> registra todas as declarações de óbito do país. Cobertura superior a 95% no território nacional. É a principal fonte para o cálculo de indicadores como a taxa de mortalidade infantil.</p>



<p>2. <a href="https://datasus.saude.gov.br/nascidos-vivos-desde-1994/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SINASC — Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos</a><strong>:</strong> registra nascimentos, com dados sobre gestação, parto e condições do recém-nascido. Também com cobertura acima de 95%.</p>



<p>3. <a href="https://datasus.saude.gov.br/internacoes-hospitalares-do-sus-desde-1984-pela-cid-10/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIH/SUS — Sistema de Informações Hospitalares</a><strong>:</strong> registra internações em hospitais públicos e conveniados ao SUS, coletando mais de 50 variáveis por internação — de diagnósticos a procedimentos e tempo de permanência. Em 2023, registrou 13,067 milhões de internações.</p>



<p>4. <a href="https://datasus.saude.gov.br/producao-ambulatorial-sia-sus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIA/SUS — Sistema de Informações Ambulatoriais</a><strong>:</strong> registra procedimentos realizados fora do ambiente hospitalar, como consultas e cirurgias ambulatoriais. Em operação desde 1994.</p>



<p>5. <a href="https://datasus.saude.gov.br/doencas-e-agravos-de-notificacao-de-2007-em-diante-sinan/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SINAN — Sistema de Informação de Agravos de Notificação</a><strong>:</strong> registra doenças de notificação compulsória, como dengue, tuberculose e HIV.</p>



<p>6. <a href="https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TabNet</a>: plataforma de acesso aberto que permite consultar e tabular dados de todas as bases acima, sem necessidade de cadastro ou autorização.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/">DATASUS: por que o Brasil coleta tantos dados em saúde — mas ainda decide pouco com eles</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunicar incertezas científicas pode enfraquecer o apoio a políticas públicas, aponta estudo</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=8312</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estudo com mais de 1.100 participantes mostra que falta de consenso científico afeta apoio a políticas regulatórias sobre microplásticos</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/">Comunicar incertezas científicas pode enfraquecer o apoio a políticas públicas, aponta estudo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A incerteza faz parte do processo científico, mas comunicá-la ao público costuma ser um desafio. Muitas vezes, ela é suavizada ou omitida em nome da clareza e para evitar efeitos indesejados, como perda de credibilidade ou confusão.</p>



<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da Áustria, da Noruega e dos Países Baixos investigou se e em que medida a comunicação de incertezas científicas influencia a percepção de risco e o apoio a políticas relacionadas aos impactos dos microplásticos na saúde humana. Os resultados, <a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fnam10.safelinks.protection.outlook.com.mcas.ms%2F%3Furl%3Dhttps%253A%252F%252Fjournals.sagepub.com%252Fdoi%252Ffull%252F10.1177%252F09636625251410494%253F_gl%253D1*15x89ew*_up*MQ..*_ga*MTYxMjYyNDA3Ni4xNzcwMDIwODY2*_ga_60R758KFDG*czE3NzAwMjA4NjUkbzEkZzAkdDE3NzAwMjA4NjUkajYwJGwwJGg4OTY1ODA5MDU%26data%3D05%257C02%257Cdiogo.rodriguez.ext%2540einstein.br%257C794547be1f9b4f7d663208de6fcebf98%257C6dc28345304849c1becad5cad28a8f77%257C0%257C0%257C639071130947301120%257CUnknown%257CTWFpbGZsb3d8eyJFbXB0eU1hcGkiOnRydWUsIlYiOiIwLjAuMDAwMCIsIlAiOiJXaW4zMiIsIkFOIjoiTWFpbCIsIldUIjoyfQ%253D%253D%257C0%257C%257C%257C%26sdata%3D8A%252FcOo%252F%252FwpcNdGs9yArZsD0u%252FSS4xmkd4CQhN3OvnzQ%253D%26reserved%3D0%26McasTsid%3D20893&amp;McasCSRF=8317ffe833406ef5bee34a11c66d41b9314f263e6fae86dce8834dddb27fb9ce" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicados em janeiro na revista <em>Public Understanding of Science</em>,</a> indicam que revelar incertezas ou a falta de consenso científico pode reduzir ligeiramente a percepção de risco e, por consequência, o apoio a medidas regulatórias ao diminuir a credibilidade da mensagem. Os efeitos, porém, são marginais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como comunicar incertezas científicas</strong></h2>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>1. Incerteza por consenso é a mais arriscada. </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Informar que há divisão entre especialistas pode abrir espaço para posições negacionistas, diferentemente de indicar simplesmente que faltam dados.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Credibilidade é o elo mais frágil.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A redução no apoio a políticas públicas não é direta: ela passa pela perda de credibilidade da mensagem, que por sua vez diminui a percepção de risco.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. O perfil do público importa.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Quem já entende a ciência como um processo de debate em aberto reage de forma diferente — e mais construtiva — à comunicação de incertezas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Transparência pode ser um ativo.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Cientistas que reconhecem os limites do próprio conhecimento tendem a ser percebidos como mais confiáveis, não menos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Efeitos são marginais, mas reais.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Os impactos encontrados são pequenos — o que não significa que devam ser ignorados, especialmente em contextos de alta polarização ou desinformação.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


<script>

    jQuery(function ($) {

        $(document).ready(function () {

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').off('click');

            $('.acordeon-itens .ac-titulo').click(function () {

                let conteudo = $(this).next('.ac-conteudo');
                let item = $(this).parent('.ac-item');

                if(item.hasClass('ac-aberto')) {
                    conteudo.slideUp();
                    item.removeClass('ac-aberto');
                } else {
                    $('.ac-conteudo').slideUp();
                    $('.ac-conteudo').parent().removeClass('ac-aberto');
                    conteudo.slideDown(function() {
                        $('html,body').animate({
                            scrollTop: $(item).offset().top-150
                        }, 500);
                    });
                    item.addClass('ac-aberto');

                }

            });

        });

    });

</script>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Metodologia: três grupos, um artigo fictício</strong></h2>



<p>Ao todo, 1.126 indivíduos com 18 anos ou mais participaram do estudo, todos residentes na Áustria. Eles primeiro responderam a perguntas sobre seu conhecimento e percepções prévias sobre o tema, além de crenças e atitudes em relação à ciência. Em seguida, foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: <em>incerteza por consenso</em>, <em>incerteza por deficiência</em> e grupo <em>controle</em>.</p>



<p>Todos leram um artigo fictício, em formato de jornal <em>online</em>, sobre microplásticos em alimentos e bebidas. O texto explicava o que são microplásticos, suas principais fontes e como entram na cadeia alimentar, além de mencionar benefícios do uso de plásticos no setor de bebidas e alimentos, para equilibrar a abordagem.</p>



<p>Na sequência, os pesquisadores apresentaram a todos um estudo científico indicando que os microplásticos podem ter efeitos negativos à saúde. A diferença estava no enquadramento: o grupo controle não recebeu informações sobre limitações ou lacunas do conhecimento; o grupo de incerteza por consenso foi informado de que havia divergências na comunidade científica sobre os possíveis impactos; e o grupo de incerteza por deficiência teve acesso a informações sobre lacunas existentes e a necessidade de mais pesquisas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resultados: efeito pequeno, mas significativo</strong></h2>



<p>De modo geral, a comunicação de incertezas contribuiu para uma percepção de risco ligeiramente menor nos dois grupos experimentais em comparação com o controle, mas o efeito foi pequeno. Os pesquisadores também não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois tipos de incerteza quando comparados diretamente.</p>



<p>Ao confrontar cada condição com o grupo controle, observaram que apenas a incerteza por consenso levou a uma redução estatisticamente significativa na percepção de risco. A hipótese dos autores é que, diferentemente de outros tipos de incerteza, a incerteza por consenso sinaliza que há especialistas ou evidências que contestam a afirmação original, o que pode abrir espaço para posições dissidentes ou negacionistas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A exposição a esse tipo de incerteza não necessariamente reduz o apoio a políticas públicas, mas afeta a credibilidade da mensagem. Essa perda de credibilidade, sim, diminui a percepção de risco, um dos principais fatores que sustentam o apoio a políticas&#8221;, dizem os autores.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel das crenças do público</strong></h2>



<p>Além das características da mensagem, os pesquisadores analisaram como as crenças e atitudes do público em relação à ciência se associam aos efeitos da comunicação de incertezas. Observaram que os participantes que veem a ciência como um processo de debate relataram maior percepção de risco, independentemente do tipo de informação recebida.</p>



<p>&#8220;Nossos resultados indicam que as características do público influenciam os efeitos da comunicação de incertezas, mas de maneira mais complexa e sutil do que se supunha&#8221;, destacam os pesquisadores.</p>



<p>Nesse sentido, os autores argumentam que promover a visão da ciência como um processo de debate e fortalecer a confiança nos cientistas pode ajudar o público a lidar de forma mais construtiva com temas marcados por incertezas, mas que exigem ações preventivas, como é o caso da poluição por microplásticos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Quando cientistas são transparentes sobre limitações do conhecimento, tendem a ser percebidos como mais intelectualmente humildes — característica associada a maior confiança e a maior disposição do público em seguir suas recomendações&#8221;, afirmam os pesquisadores.</p></blockquote></figure>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/">Comunicar incertezas científicas pode enfraquecer o apoio a políticas públicas, aponta estudo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Condição socioeconômica e estigma afetam reinserção de transplantados no mercado de trabalho</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 20:52:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#emprego]]></category>
		<category><![CDATA[#mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#transplantes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=7395</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estudo explica como fatores sociais e de saúde influenciam retorno de pessoas transplantadas às atividades profissionais</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/">Condição socioeconômica e estigma afetam reinserção de transplantados no mercado de trabalho</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/transplante-de-orgaos-no-brasil-desafios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">transplante de órgãos</a> possibilita a sobrevivência de muitas pessoas, mas o <strong>retorno ao trabalho</strong> não acompanha esse ganho: <strong>apenas 53,7% dos pacientes retomam alguma atividade profissional</strong>, com influência direta de renda, raça e histórico laboral.</p>



<p>O dado vem de um <strong>estudo transversal</strong> conduzido por pesquisadores da Escola Paulista de Enfermagem e da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em outubro <a href="https://journal.einstein.br/wp-content/uploads/articles_xml/2317-6385-eins-23-eAO1737/2317-6385-eins-23-eAO1737.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">na revista <em>Einstein</em></a>.</p>



<p>De acordo com os autores, a <strong>probabilidade de um paciente retornar ao trabalho</strong> (RTW, na sigla em inglês) varia ao longo do tempo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Chega a <strong>67,4%</strong> no primeiro ano após o transplante;</li>



<li>Cai para <strong>33,5%</strong> após dez anos do transplante.</li>
</ul>



<p>As <strong>chances de reinserção</strong> são maiores entre pessoas com histórico de emprego anterior ao transplante, pertencentes às <strong>classes econômicas A e B</strong>, e <strong>receptores de rim</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Indivíduos transplantados com mais de 51 anos, negros, desempregados antes da cirurgia ou pertencentes às classes D e E apresentaram menores taxas de reintegração ao mercado de trabalho.</p></blockquote></figure>



<p>Foram avaliados <strong>352 transplantados</strong> com idade média de 42 anos, todos cadastrados na <a href="https://www.abtx.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos</a> (ABTx), que reúne dados nacionais sobre transplantes. A coleta ocorreu entre julho e agosto de 2021, com exigência mínima de seis meses desde o procedimento.</p>



<p>“Esses achados sublinham a <strong>necessidade urgente de estratégias direcionadas para a redução do estigma</strong>, como campanhas de conscientização pública e acomodações no local de trabalho, que podem ser adaptadas a diversos contextos culturais e econômicos”, escreveram os autores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fatores que influenciam o retorno ao trabalho</strong></h2>



<p>O estudo incluiu indivíduos de todas as regiões do país, com predominância do Sudeste (64,1%). A maioria era mulher (56,1%), branca (56,5%) e casada ou em união estável (58,2%).</p>



<p>Quanto ao tipo de transplante, 62,2% receberam um rim, seguidos por fígado (19,6%), coração (4,5%), medula óssea (4,3%) e outros órgãos. Em termos de classe econômica, 46,6% estavam na classe C, 33,2% na B, 7,7% na A e 12,5% nas classes D e E.</p>



<p>A análise identificou cinco fatores fortemente associados ao retorno ao trabalho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Idade;</li>



<li>Raça;</li>



<li>Classe econômica;</li>



<li>Tipo de transplante;</li>



<li>Situação ocupacional anterior.</li>
</ul>



<p>Pessoas com 51 anos ou mais foram 47% menos propensas a voltar ao trabalho do que aquelas com entre 31 e 40 anos.</p>



<p>Participantes negros apresentaram probabilidade 64% menor de retorno em comparação aos brancos. Indivíduos das classes A e B tiveram 2,5 e 2,4 vezes mais chances de retomar suas atividades profissionais em relação à classe C, respectivamente; já os das classes D e E tiveram 62% menos chance.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Receptores de medula óssea também enfrentaram maior dificuldade: 61% menos chance de retorno em relação aos receptores renais.</p></blockquote></figure>



<p>O histórico ocupacional se mostrou determinante: pessoas desempregadas antes da cirurgia foram 45% menos propensas a retornar ao trabalho, e aquelas que nunca haviam tido emprego formal apresentaram 87% menos chance de reinserção.</p>



<p>“Em consonância com a literatura, esses resultados destacam o papel crucial dos fatores socioeconômicos, incluindo o nível de escolaridade e o tipo de ocupação, na determinação do retorno ao trabalho”, escreveram os autores.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1274" height="2048" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho.jpg" alt="" class="wp-image-7396" style="aspect-ratio:2/3;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho.jpg 1274w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-498x800.jpg 498w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-746x1200.jpg 746w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-249x400.jpg 249w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-768x1235.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-956x1536.jpg 956w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-93x150.jpg 93w" sizes="auto, (max-width: 1274px) 100vw, 1274px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estigma percebido e qualidade de vida</strong></h2>



<p>A pesquisa também avaliou o impacto do estigma e da qualidade de vida nos desfechos ocupacionais. Os autores definem estigma como a desvalorização de indivíduos com base em doenças, deficiências ou raça, com potencial de afetar perspectivas de emprego.</p>



<p>Na prática, o <strong>estigma</strong> pode se manifestar em situações como a dificuldade de ser contratado após mencionar o transplante ou receio de expor a condição de saúde no ambiente de trabalho.</p>



<p>A mensuração foi feita por meio de uma escala de cinco itens que avalia sensação de diferença, desconforto alheio, evitação, impacto nas relações sociais e medo associado à condição. Cada item foi avaliado em escala de sete pontos entre “concordo totalmente” e “discordo totalmente”, com reescalonamento final de 0 a 100.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho-.jpg" alt="Escritório amplo com iluminação pendente e diversas pessoas trabalhando em frente a computadores em um espaço de coworking à noite" class="wp-image-7402" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho-.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pacientes transplantados enfrentam desafios para retomar suas atividades profissionais devido ao estigma e às desigualdades socioeconômicas | Imagem: Israel Andrade/Unsplash</figcaption></figure>



<p>Pessoas que voltaram ao trabalho relataram percepção de estigma mais baixa do que aquelas que permaneceram desempregadas — diferença média de 9,8 pontos.</p>



<p>Separados ou viúvos apresentaram níveis mais elevados que casados ou em união estável, e pacientes das classes D e E relataram mais estigma que aqueles das classes A e B. </p>



<p>A qualidade de vida foi medida pelo SF-36 (instrumento validado para avaliar qualidade de vida em populações clínicas), que cobre capacidade funcional, limitações físicas, dor, saúde geral, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Em todos os domínios, transplantados apresentaram índices inferiores aos da população geral brasileira.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“O estigma pode levar à vergonha, à autolimitação e à discriminação, o que prejudica diretamente tanto a qualidade de vida quanto o retorno ao trabalho”, apontaram os pesquisadores.<br></p></blockquote></figure>



<p>O estudo também identificou correlação estatisticamente significativa entre <strong>estigma e piora da qualidade de vida</strong>. O aumento de um ponto na percepção de estigma foi associado à redução em capacidade funcional (0,24), saúde geral (0,20), vitalidade (0,25), função social (0,37), saúde mental (0,33), limitação por aspectos físicos (0,40) e maior percepção de dor (0,23).</p>



<p>“Os efeitos negativos do estigma na qualidade de vida e no retorno ao trabalho são consistentes com estudos internacionais, mostrando que o estigma relacionado a doenças crônicas reduz a confiança, a autoestima e a integração social”, escreveram os pesquisadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Limitações e conclusões</strong></h2>



<p>Os autores apontaram limitações: o desenho transversal, baseado em observações em um único momento, sem acompanhar os participantes ao longo do tempo, não permite estabelecer relações de causa e efeito; a concentração de participantes no Sudeste reduz a generalização; e a falta de dados sobre comorbidades — como doenças cardiovasculares e transtornos mentais — pode influenciar os desfechos analisados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>A escala de estigma usada, embora com boas propriedades psicométricas, ainda não foi validada especificamente para a população transplantada.</p></blockquote></figure>



<p>Mesmo assim, os resultados reforçam a necessidade de estratégias públicas voltadas à reabilitação profissional, redução do estigma e enfrentamento das desigualdades estruturais que dificultam a plena reintegração de pacientes transplantados à vida social e econômica.</p>



<p>“Superar essas barreiras estruturais é essencial para otimizar os resultados a longo prazo e garantir que os receptores de transplantes se reintegrem plenamente às suas vidas profissionais”, dizem os autores</p>



<p>Políticas públicas voltadas à inclusão no trabalho e combate ao estigma podem transformar essa realidade, garantindo que o sucesso clínico do transplante também se traduza em qualidade de vida social e econômica.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/">Condição socioeconômica e estigma afetam reinserção de transplantados no mercado de trabalho</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
