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	<title>Conteúdos sobre #saúde pública | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Fri, 24 Apr 2026 19:27:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Conteúdos sobre #saúde pública | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>&#8220;A saúde é uma ótima interseção quando queremos fazer pesquisa, mas não ficar só na teoria&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 19:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadora do Einstein Hospital Israelita analisa o SUS, apoia pesquisas clínicas e formula políticas públicas a partir de uma formação em administração</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/a-saude-e-uma-otima-intersecao-quando-queremos-fazer-pesquisa-mas-nao-ficar-so-na-teoria/">&#8220;A saúde é uma ótima interseção quando queremos fazer pesquisa, mas não ficar só na teoria&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fazer <strong>pesquisa em saúde pública sem ser profissional da área</strong> exige equilíbrio. É preciso entender o funcionamento do <strong>Sistema Único de Saúde (SUS)</strong>, dialogar com médicos, interpretar dados públicos e, ao mesmo tempo, evitar que a análise se torne excessivamente teórica ou desconectada da prática.</p>



<p>Foi nesse espaço entre dois universos que <strong>Marina Martins Siqueira</strong>, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, construiu sua trajetória. Formada em administração pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), ela não planejava trabalhar com políticas públicas em saúde.&nbsp;</p>



<p>O percurso foi sendo moldado a partir do interesse pela pesquisa acadêmica e da tentativa de compreender <strong>sistemas complexos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Apesar de me definir hoje mais como especialista e pesquisadora em políticas públicas, sei que a minha história em administração está completamente vinculada com o que eu faço.”</p></blockquote></figure>



<p>O primeiro contato com a saúde veio ainda no mestrado, na Escola de Negócios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao se aproximar de docentes que pesquisavam saúde, Siqueira encontrou um campo em que a pesquisa não se limitava à teoria.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Quando a gente quer fazer pesquisa, mas não quer ficar só na teoria, a saúde é uma ótima interseção&#8221;, explica.</p>



<p>O tema escolhido para o mestrado foi <strong>doação e transplante de órgãos</strong>. À primeira vista, um recorte bastante específico. Na prática, um sistema que depende de <strong>coordenação rigorosa e fluxos bem definidos</strong>, e que lida com escassez de recursos e decisões regulatórias.&nbsp;</p>



<p>A logística — sua ênfase inicial — estava presente, mas aplicada a um ambiente complexo e com impacto direto na vida das pessoas.</p>



<p>Na academia, ela combinou revisão teórica, análise documental, entrevistas e avaliação quantitativa de eficiência para entender como o sistema de transplantes funciona e onde poderia melhorar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Foi nesse ponto que surgiu um dos principais desafios de transitar entre as duas áreas. Sem formação médica, ela precisava compreender a prática clínica sem ter vivido a rotina hospitalar. </p></blockquote></figure>



<p>Para isso, contou com a parceria de colegas da área médica — em especial, um médico intensivista que trabalhava com transplantes.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Tê-lo próximo me ajudou muito, porque ele não tinha essa bagagem acadêmica e teórica que eu tinha, mas tinha 100% a parte prática assistencial”, explica Siqueira.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do mestrado ao Banco Mundial: uma trajetória entre academia e política</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="798" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato.jpg" alt="Retrato de Marina Martins Siqueira, mulher branca de cabelos castanhos lisos com mechas mais claras, usando óculos de armação tartaruga e blusa rosa de tricô com decote em V. Usa colar fino dourado com pingente pequeno. Expressão sorridente, olhando diretamente para a câmera. Fundo liso em tom azul-acinzentado." class="wp-image-8624" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-800x532.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-400x266.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-768x511.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/04/marina-siqueira-retrato-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Quando a gente quer fazer pesquisa, mas não quer ficar só na teoria, a saúde é uma ótima interseção, diz Marina Martins Siqueira, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita | Imagem: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Do mestrado, Siqueira seguiu diretamente para o doutorado, também no Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ, onde obteve o título de doutora em administração (D.Sc.) em 2020, <a href="http://coppead.ufrj.br/wp-content/uploads/2021/06/Tese_Marina_Siqueira.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">com tese sobre a avaliação de desempenho</a> dos <strong>serviços de doação e transplante de órgãos no Brasil</strong>. </p>



<p>Durante o período, passou um ano na Duke University, nos Estados Unidos. No último ano do doutorado, atuou como consultora de curto prazo em projetos do <strong>Banco Mundial</strong>, em ritmo mais acelerado e com foco em responder perguntas específicas sobre diferentes países.&nbsp;</p>



<p>O trabalho exigia levantamento de literatura, análise de dados e de legislação, mas com prazos e objetivos definidos de forma mais pragmática.</p>



<p>Em seguida, teve uma passagem pelo Instituto de Estudos em Políticas de Saúde (IEPS), em São Paulo, onde aprofundou a <strong>análise de sistemas e a interlocução com gestores</strong>.&nbsp;</p>



<p>A experiência consolidou uma preocupação que ela mantém até hoje: evitar que a pesquisa se torne extremamente abstrata.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A maior dificuldade é transpor a dimensão empírica para o desenho do estudo, de forma a oferecer informações úteis para quem está na ponta ou para gestores públicos.&#8221;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A criação do CEPPS no Einstein</strong></h2>



<p>Em 2022, a pesquisadora ingressou no Einstein Hospital Israelita para ajudar a criar um núcleo voltado a <strong>políticas públicas</strong>.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A ideia era criar um think tank, um centro de pesquisa focado em políticas públicas dentro do Einstein”, conta Siqueira. “A gente entrou para desenhar esse centro, o que ele seria, quais seriam as nossas atividades. Era tudo muito novo.&#8221;</p>



<p>O <a href="https://www.einstein.br/cepps" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS)</a> do Einstein passou a atuar tanto no <strong>apoio à pesquisa clínica</strong> quanto na <strong>análise de dados públicos</strong>. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O trabalho envolve mapear a organização do SUS, avaliar a distribuição de procedimentos e recursos e ajudar médicos interessados em transformar sua experiência prática em pesquisa estruturada.</p></blockquote></figure>



<p>&#8220;Ao apoiar e estimular a pesquisa clínica dentro do Einstein, juntamos a bagagem acadêmica de toda a nossa trajetória com um conhecimento empírico que só o especialista, o médico, o cirurgião — só quem está na ponta — consegue trazer.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Produções que vão além dos artigos científicos</strong></h2>



<p>A atuação do CEPPS não se limita à produção de artigos científicos. O modelo adotado permite produzir diferentes tipos de conteúdo, conforme o público e o objetivo: relatórios institucionais, análises para gestores e publicações revisadas por pares.&nbsp;</p>



<p>Há também um esforço de <strong>tradução do conhecimento</strong>, com materiais em formatos mais acessíveis.</p>



<p>Entre as produções recentes do grupo, três pesquisas ilustram a amplitude do trabalho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12877911/#ack1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo sobre internações por infecções congênitas no SUS</a> entre 2008 e 2024, publicado na revista <em>Antimicrobial Stewardship &amp; Healthcare Epidemiology</em>, identificou 194 mil hospitalizações de crianças com menos de 12 meses, com aumento expressivo de casos de sífilis congênita, desigualdades regionais persistentes e lacunas na coordenação do cuidado materno-infantil;</li>



<li><a href="https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/92283" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma análise da qualidade dos dados cirúrgicos nos sistemas ambulatorial e hospitalar do SUS</a>, publicada nos <em>Cadernos Gestão Pública e Cidadania (FGV)</em>, evidenciou que, em 2023, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">76,6% dos 20,9 milhões de cirurgias ambulatoriais foram registrados sem código CID-10</a>, com problemas de completude e especificidade que impactam a gestão das redes de atenção;</li>



<li><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/codi.70387" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma pesquisa sobre mortalidade no tratamento cirúrgico do câncer colorretal</a>, publicada em março de 2026 no <em>ANZ Journal of Surgery</em>, analisou internações em hospitais públicos de São Paulo entre 2000 e 2023, revelando que a idade e o tipo de internação (urgência vs. eletiva) são os principais fatores preditivos de óbito.</li>
</ul>



<p>Paralelamente à pesquisa, <strong>Siqueira passou a atuar no ensino</strong>. Coordena atividades em cursos de pós-graduação e, desde 2024, é professora assistente na <strong>graduação em Administração do Einstein</strong>, na disciplina de políticas públicas.</p>



<p>Orienta alunos de iniciação científica e mantém o diálogo entre teoria, dados e prática institucional.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Hoje, Siqueira não atua mais como administradora, mas considera que a formação generalista foi decisiva para lidar com sistemas complexos, múltiplos atores e decisões que atravessam diferentes áreas. </p></blockquote></figure>



<p>O percurso não foi planejado nos detalhes. &#8220;Uma coisa foi puxando a outra e eu fui gostando muito, me envolvendo muito.&#8221;</p>
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		<title>DATASUS: por que o Brasil coleta tantos dados em saúde — mas ainda decide pouco com eles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 15:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#dados]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bases abertas colocam o Brasil como referência global, mas fragmentação e lacunas dificultam transformar informação em decisões de saúde.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil mantém uma das mais abrangentes <strong>infraestruturas públicas de dados em saúde</strong>. Qualquer pessoa pode acessar, sem cadastro ou autorização, informações sobre mortalidade, nascimentos, internações e notificações de doenças no país.&nbsp;</p>



<p>Reunidas pelo <a href="https://datasus.saude.gov.br/sobre-o-datasus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">DATASUS</a> — Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde —, essas <strong>bases alimentam pesquisas que analisam políticas públicas e padrões de atendimento no SUS</strong>. Transformar esse volume de informação em decisões concretas de gestão, porém, ainda é um desafio.</p>



<p>Criado em 1991, o <strong>DATASUS </strong>reúne e padroniza <strong>dados enviados por estados e municípios</strong>. Em seus 34 anos de operação, o departamento desenvolveu mais de 440 sistemas de informação que apoiam diretamente a gestão federal, estadual e municipal do SUS.&nbsp;</p>



<p>Apenas em 2023, o sistema registrou <a href="https://fbh.com.br/mercado-de-produtos-para-a-saude-abriu-quase-4-500-vagas-de-trabalho-em-2023-apesar-de-ter-crescido-1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">13,067 milhões de internações hospitalares e 5,705 milhões de cirurgias</a> — um retrato da escala de produção assistencial que o DATASUS captura mensalmente.&nbsp;</p>



<p>As declarações de óbito e de nascidos vivos <a href="https://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/pages/iframe_print.php?aid=1636" target="_blank" rel="noreferrer noopener">superam 95% de cobertura no país</a>, o que permite comparações entre regiões.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A gente consegue unificar tudo isso no mesmo sistema, independentemente de o bebê ter nascido no sistema público ou privado&#8221;, explica Alexandre Chiavegatto Filho, professor de Machine Learning em Saúde na Universidade de São Paulo (USP) e diretor do <a href="http://www.each.usp.br/labdaps/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (LABDAPS)</a>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Os dados do DATASUS são referência mundial. Em um país como o Brasil, com a diversidade e o tamanho que a gente tem, é impressionante a qualidade dos nossos dados em saúde&#8221;, afirma Chiavegatto Filho.</p></blockquote></figure>



<p>Hospitais, unidades básicas, serviços ambulatoriais e equipes de vigilância alimentam bases como o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), o Sistema Ambulatorial (SIA/SUS) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).&nbsp;</p>



<p>Após consolidação e validações técnicas, os dados anonimizados são disponibilizados em plataformas abertas como o <a href="https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TabNet</a>. &#8220;O acesso é livre, o que não é uma realidade na maioria dos países&#8221;, afirma Chiavegatto.</p>



<p>A partir dessas bases, pesquisadores <strong>constroem indicadores</strong>, <strong>identificam desigualdades regionais </strong>e <strong>avaliam padrões de atendimento</strong>. A análise, no entanto, encontra limites estruturais no próprio design do sistema.&nbsp;</p>



<p>Embora registre eventos — internações, procedimentos, óbitos —, o DATASUS não organiza automaticamente essas informações em trajetórias clínicas. Para transformar números em evidência sobre qualidade do cuidado ou eficiência do gasto, é preciso <strong>cruzar bases distintas</strong> e lidar com lacunas de preenchimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dificuldades para uso estratégico dos dados</strong></h2>



<p>Um dos principais entraves é a fragmentação entre as bases de dados, que operam de forma paralela e com regras distintas de preenchimento. A lacuna foi identificada em <a href="https://periodicos.fgv.br/cgpc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS)</a>, do Einstein Hospital Israelita, publicado nos <em>Cadernos de Gestão Pública e Cidadania</em> em 2025.&nbsp;</p>



<p>Ao analisar a produção cirúrgica registrada nos sistemas ambulatorial (SIA) e hospitalar (SIH), os pesquisadores encontraram problemas de completude, confiabilidade e especificidade.</p>



<p>Em 2023, 76,6% das cirurgias ambulatoriais foram registradas sem código CID-10 — a Classificação Internacional de Doenças, que identifica o diagnóstico associado ao procedimento.&nbsp;</p>



<p>No sistema hospitalar, 10,6% das cirurgias apareceram registradas como procedimentos múltiplos, sem detalhamento individualizado. Segundo os autores, essas inconsistências dificultam análises assistenciais e gerenciais e limitam a organização do SUS em redes de atenção.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;As bases não se conversam. Existem informações obrigatórias em um sistema que não são exigidas em outro&#8221;, afirma Lucas Hernandes Corrêa, pesquisador do CEPPS/Einstein.</p></blockquote></figure>



<p>A discrepância impede vincular procedimentos à condição que os motivou. Mesmo no sistema hospitalar, onde o CID é obrigatório, parte das cirurgias é registrada como procedimento múltiplo ou sequencial, sem detalhes suficientes para identificar o que foi realizado.&nbsp;</p>



<p>Para gestores, pesquisadores e auditores do SUS, o efeito prático é direto: &#8220;A gente não faz ideia de quais cirurgias foram feitas naquele paciente. Isso dificulta avaliar se eram indicadas ou se a remuneração está adequada&#8221;, diz Corrêa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais desafios</strong></h2>



<p>Outra limitação é a impossibilidade de acompanhar a trajetória de um mesmo paciente ao longo do sistema. Não é possível saber, por exemplo, se um bebê que nasceu com baixo peso voltou a ser internado semanas depois, ou se uma gestante que realizou consultas pré-natais teve complicações no parto.</p>



<p>Sem essa linha do tempo individual, é mais difícil estabelecer relações entre fatores de risco, intervenções e desfechos clínicos e aplicar modelos preditivos. &#8220;Os bancos são independentes entre si, o que é uma grande limitação, inclusive para o uso de algoritmos de inteligência artificial&#8221;, explica Chiavegatto.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Se a gente tivesse esse tipo de dado, os algoritmos conseguiriam aprender as características que fazem um bebê ir a óbito e estimar uma probabilidade de risco, por exemplo.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ausência de canais formais dificulta incorporação de evidências à gestão</strong></h2>



<p>Mesmo quando os dados permitem identificar padrões assistenciais, a tradução dessas evidências em decisões de gestão não é automática. No CEPPS, por exemplo, um estudo em andamento examina as cirurgias para retirada de vesícula biliar (colecistectomia), procedimento de alta prevalência no SUS.&nbsp;</p>



<p>Embora haja evidências consolidadas de que a técnica por laparoscopia esteja associada a melhores desfechos e menor tempo de permanência hospitalar, os dados indicam que a maioria das cirurgias ainda é realizada por via aberta.</p>



<p>&#8220;O DATASUS mostra que a gente ainda está longe da melhor prática assistencial, que seriam as cirurgias por vídeo. E isso faz com que a gente não entregue o melhor resultado para os pacientes&#8221;, diz Corrêa, do Einstein.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A gente pode estar pagando menos para cirurgia aberta, porque ela tem um valor menor, mas, ao mesmo tempo, gerando um custo que não necessariamente conseguimos enxergar.&#8221;</p>



<p>O caso ilustra outro desafio: a ausência de canais institucionais consolidados para que resultados de pesquisas sejam incorporados à gestão. Corrêa afirma que ainda não há metodologia estruturada para levar sistematicamente essas evidências aos tomadores de decisão.&nbsp;</p>



<p>&#8220;O que tem acontecido é que os médicos envolvidos nessas pesquisas têm levado esses resultados para as sociedades médicas e outras instituições que de alguma forma discutem política pública, mas por esse viés mais técnico e assistencial, não pelo viés da gestão&#8221;, diz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em emergências e políticas estruturantes, dados orientam decisões</strong></h2>



<p>Ainda assim, há situações em que o uso das bases se tornou central para decisões administrativas. Um exemplo foi a pandemia de Covid-19, quando dados sobre a evolução diária de internações e óbitos embasaram decisões sobre abertura de leitos, restrições de circulação e alocação de recursos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;O número de óbitos e de internações foi um motivador muito grande para as medidas de controle da Covid-19. De uma semana para a outra, esses dados tiveram impacto direto no enfrentamento à pandemia&#8221;, afirma Chiavegatto, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Normas recentes também têm reforçado o vínculo entre financiamento e registro da produção assistencial. Em dezembro de 2025, a <a href="https://www.conass.org.br/conass-informa-n-226-2025-publicada-a-portaria-gm-n-9-037-que-dispoe-sobre-o-uso-dos-recursos-e-estabelece-procedimentos-operacionais-para-o-registro-da-producao-assistencial-e-monito/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portaria GM/MS nº 9.037</a> condicionou o monitoramento da execução dos recursos de emendas parlamentares para custeio da atenção especializada ao registro da produção em sistemas como o SIA e o SIH.&nbsp;</p>



<p>Na prática, hospitais e serviços que não registrarem adequadamente os procedimentos realizados poderão ter seus repasses comprometidos, tornando o preenchimento correto das bases uma condição direta de financiamento.</p>



<p>Indicadores consolidados, por sua vez, orientam políticas estruturantes. Segundo Chiavegatto, o coeficiente de mortalidade infantil é um dos mais sensíveis da área da saúde, pois tende a refletir rapidamente desestruturações no sistema, como fechamento de maternidades, falhas no saneamento ou insegurança alimentar.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Todas as secretarias usam majoritariamente os dados do DATASUS como subsídio para tomada de decisão&#8221;, diz.</p>



<p>Em nota ao <strong>Science Arena</strong>, o Ministério da Saúde afirmou que vem adotando medidas para qualificar e integrar as informações nacionais, como o fortalecimento da <a href="https://rnds.saude.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)</a> e a implementação do programa <a href="https://datasus.saude.gov.br/saudedigital/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SUS Digital</a>, e que considera a produção científica e o acompanhamento das bases do SUS estratégicos para o aprimoramento das políticas públicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conheça as principais bases do DATASUS</strong></h2>



<p>1. <a href="https://datasus.saude.gov.br/mortalidade-desde-1996-pela-cid-10/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIM — Sistema de Informações sobre Mortalidade</a><strong>:</strong> registra todas as declarações de óbito do país. Cobertura superior a 95% no território nacional. É a principal fonte para o cálculo de indicadores como a taxa de mortalidade infantil.</p>



<p>2. <a href="https://datasus.saude.gov.br/nascidos-vivos-desde-1994/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SINASC — Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos</a><strong>:</strong> registra nascimentos, com dados sobre gestação, parto e condições do recém-nascido. Também com cobertura acima de 95%.</p>



<p>3. <a href="https://datasus.saude.gov.br/internacoes-hospitalares-do-sus-desde-1984-pela-cid-10/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIH/SUS — Sistema de Informações Hospitalares</a><strong>:</strong> registra internações em hospitais públicos e conveniados ao SUS, coletando mais de 50 variáveis por internação — de diagnósticos a procedimentos e tempo de permanência. Em 2023, registrou 13,067 milhões de internações.</p>



<p>4. <a href="https://datasus.saude.gov.br/producao-ambulatorial-sia-sus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SIA/SUS — Sistema de Informações Ambulatoriais</a><strong>:</strong> registra procedimentos realizados fora do ambiente hospitalar, como consultas e cirurgias ambulatoriais. Em operação desde 1994.</p>



<p>5. <a href="https://datasus.saude.gov.br/doencas-e-agravos-de-notificacao-de-2007-em-diante-sinan/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SINAN — Sistema de Informação de Agravos de Notificação</a><strong>:</strong> registra doenças de notificação compulsória, como dengue, tuberculose e HIV.</p>



<p>6. <a href="https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TabNet</a>: plataforma de acesso aberto que permite consultar e tabular dados de todas as bases acima, sem necessidade de cadastro ou autorização.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/datasus-por-que-o-brasil-coleta-tantos-dados-em-saude-mas-ainda-decide-pouco-com-eles/">DATASUS: por que o Brasil coleta tantos dados em saúde — mas ainda decide pouco com eles</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Comunicar incertezas científicas pode enfraquecer o apoio a políticas públicas, aponta estudo</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo com mais de 1.100 participantes mostra que falta de consenso científico afeta apoio a políticas regulatórias sobre microplásticos</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/comunicar-incertezas-cientificas-pode-enfraquecer-o-apoio-a-politicas-publicas-aponta-estudo/">Comunicar incertezas científicas pode enfraquecer o apoio a políticas públicas, aponta estudo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A incerteza faz parte do processo científico, mas comunicá-la ao público costuma ser um desafio. Muitas vezes, ela é suavizada ou omitida em nome da clareza e para evitar efeitos indesejados, como perda de credibilidade ou confusão.</p>



<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da Áustria, da Noruega e dos Países Baixos investigou se e em que medida a comunicação de incertezas científicas influencia a percepção de risco e o apoio a políticas relacionadas aos impactos dos microplásticos na saúde humana. Os resultados, <a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fnam10.safelinks.protection.outlook.com.mcas.ms%2F%3Furl%3Dhttps%253A%252F%252Fjournals.sagepub.com%252Fdoi%252Ffull%252F10.1177%252F09636625251410494%253F_gl%253D1*15x89ew*_up*MQ..*_ga*MTYxMjYyNDA3Ni4xNzcwMDIwODY2*_ga_60R758KFDG*czE3NzAwMjA4NjUkbzEkZzAkdDE3NzAwMjA4NjUkajYwJGwwJGg4OTY1ODA5MDU%26data%3D05%257C02%257Cdiogo.rodriguez.ext%2540einstein.br%257C794547be1f9b4f7d663208de6fcebf98%257C6dc28345304849c1becad5cad28a8f77%257C0%257C0%257C639071130947301120%257CUnknown%257CTWFpbGZsb3d8eyJFbXB0eU1hcGkiOnRydWUsIlYiOiIwLjAuMDAwMCIsIlAiOiJXaW4zMiIsIkFOIjoiTWFpbCIsIldUIjoyfQ%253D%253D%257C0%257C%257C%257C%26sdata%3D8A%252FcOo%252F%252FwpcNdGs9yArZsD0u%252FSS4xmkd4CQhN3OvnzQ%253D%26reserved%3D0%26McasTsid%3D20893&amp;McasCSRF=8317ffe833406ef5bee34a11c66d41b9314f263e6fae86dce8834dddb27fb9ce" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicados em janeiro na revista <em>Public Understanding of Science</em>,</a> indicam que revelar incertezas ou a falta de consenso científico pode reduzir ligeiramente a percepção de risco e, por consequência, o apoio a medidas regulatórias ao diminuir a credibilidade da mensagem. Os efeitos, porém, são marginais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como comunicar incertezas científicas</strong></h2>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
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                <h3>1. Incerteza por consenso é a mais arriscada. </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Informar que há divisão entre especialistas pode abrir espaço para posições negacionistas, diferentemente de indicar simplesmente que faltam dados.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>2. Credibilidade é o elo mais frágil.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A redução no apoio a políticas públicas não é direta: ela passa pela perda de credibilidade da mensagem, que por sua vez diminui a percepção de risco.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>3. O perfil do público importa.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Quem já entende a ciência como um processo de debate em aberto reage de forma diferente — e mais construtiva — à comunicação de incertezas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>4. Transparência pode ser um ativo.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Cientistas que reconhecem os limites do próprio conhecimento tendem a ser percebidos como mais confiáveis, não menos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>5. Efeitos são marginais, mas reais.</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Os impactos encontrados são pequenos — o que não significa que devam ser ignorados, especialmente em contextos de alta polarização ou desinformação.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Metodologia: três grupos, um artigo fictício</strong></h2>



<p>Ao todo, 1.126 indivíduos com 18 anos ou mais participaram do estudo, todos residentes na Áustria. Eles primeiro responderam a perguntas sobre seu conhecimento e percepções prévias sobre o tema, além de crenças e atitudes em relação à ciência. Em seguida, foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: <em>incerteza por consenso</em>, <em>incerteza por deficiência</em> e grupo <em>controle</em>.</p>



<p>Todos leram um artigo fictício, em formato de jornal <em>online</em>, sobre microplásticos em alimentos e bebidas. O texto explicava o que são microplásticos, suas principais fontes e como entram na cadeia alimentar, além de mencionar benefícios do uso de plásticos no setor de bebidas e alimentos, para equilibrar a abordagem.</p>



<p>Na sequência, os pesquisadores apresentaram a todos um estudo científico indicando que os microplásticos podem ter efeitos negativos à saúde. A diferença estava no enquadramento: o grupo controle não recebeu informações sobre limitações ou lacunas do conhecimento; o grupo de incerteza por consenso foi informado de que havia divergências na comunidade científica sobre os possíveis impactos; e o grupo de incerteza por deficiência teve acesso a informações sobre lacunas existentes e a necessidade de mais pesquisas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resultados: efeito pequeno, mas significativo</strong></h2>



<p>De modo geral, a comunicação de incertezas contribuiu para uma percepção de risco ligeiramente menor nos dois grupos experimentais em comparação com o controle, mas o efeito foi pequeno. Os pesquisadores também não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois tipos de incerteza quando comparados diretamente.</p>



<p>Ao confrontar cada condição com o grupo controle, observaram que apenas a incerteza por consenso levou a uma redução estatisticamente significativa na percepção de risco. A hipótese dos autores é que, diferentemente de outros tipos de incerteza, a incerteza por consenso sinaliza que há especialistas ou evidências que contestam a afirmação original, o que pode abrir espaço para posições dissidentes ou negacionistas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;A exposição a esse tipo de incerteza não necessariamente reduz o apoio a políticas públicas, mas afeta a credibilidade da mensagem. Essa perda de credibilidade, sim, diminui a percepção de risco, um dos principais fatores que sustentam o apoio a políticas&#8221;, dizem os autores.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel das crenças do público</strong></h2>



<p>Além das características da mensagem, os pesquisadores analisaram como as crenças e atitudes do público em relação à ciência se associam aos efeitos da comunicação de incertezas. Observaram que os participantes que veem a ciência como um processo de debate relataram maior percepção de risco, independentemente do tipo de informação recebida.</p>



<p>&#8220;Nossos resultados indicam que as características do público influenciam os efeitos da comunicação de incertezas, mas de maneira mais complexa e sutil do que se supunha&#8221;, destacam os pesquisadores.</p>



<p>Nesse sentido, os autores argumentam que promover a visão da ciência como um processo de debate e fortalecer a confiança nos cientistas pode ajudar o público a lidar de forma mais construtiva com temas marcados por incertezas, mas que exigem ações preventivas, como é o caso da poluição por microplásticos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Quando cientistas são transparentes sobre limitações do conhecimento, tendem a ser percebidos como mais intelectualmente humildes — característica associada a maior confiança e a maior disposição do público em seguir suas recomendações&#8221;, afirmam os pesquisadores.</p></blockquote></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Condição socioeconômica e estigma afetam reinserção de transplantados no mercado de trabalho</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/condicao-socioeconomica-reinsercao-transplantados-mercado-de-trabalho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 20:52:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#emprego]]></category>
		<category><![CDATA[#mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#transplantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo explica como fatores sociais e de saúde influenciam retorno de pessoas transplantadas às atividades profissionais</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/transplante-de-orgaos-no-brasil-desafios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">transplante de órgãos</a> possibilita a sobrevivência de muitas pessoas, mas o <strong>retorno ao trabalho</strong> não acompanha esse ganho: <strong>apenas 53,7% dos pacientes retomam alguma atividade profissional</strong>, com influência direta de renda, raça e histórico laboral.</p>



<p>O dado vem de um <strong>estudo transversal</strong> conduzido por pesquisadores da Escola Paulista de Enfermagem e da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em outubro <a href="https://journal.einstein.br/wp-content/uploads/articles_xml/2317-6385-eins-23-eAO1737/2317-6385-eins-23-eAO1737.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">na revista <em>Einstein</em></a>.</p>



<p>De acordo com os autores, a <strong>probabilidade de um paciente retornar ao trabalho</strong> (RTW, na sigla em inglês) varia ao longo do tempo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Chega a <strong>67,4%</strong> no primeiro ano após o transplante;</li>



<li>Cai para <strong>33,5%</strong> após dez anos do transplante.</li>
</ul>



<p>As <strong>chances de reinserção</strong> são maiores entre pessoas com histórico de emprego anterior ao transplante, pertencentes às <strong>classes econômicas A e B</strong>, e <strong>receptores de rim</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Indivíduos transplantados com mais de 51 anos, negros, desempregados antes da cirurgia ou pertencentes às classes D e E apresentaram menores taxas de reintegração ao mercado de trabalho.</p></blockquote></figure>



<p>Foram avaliados <strong>352 transplantados</strong> com idade média de 42 anos, todos cadastrados na <a href="https://www.abtx.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos</a> (ABTx), que reúne dados nacionais sobre transplantes. A coleta ocorreu entre julho e agosto de 2021, com exigência mínima de seis meses desde o procedimento.</p>



<p>“Esses achados sublinham a <strong>necessidade urgente de estratégias direcionadas para a redução do estigma</strong>, como campanhas de conscientização pública e acomodações no local de trabalho, que podem ser adaptadas a diversos contextos culturais e econômicos”, escreveram os autores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fatores que influenciam o retorno ao trabalho</strong></h2>



<p>O estudo incluiu indivíduos de todas as regiões do país, com predominância do Sudeste (64,1%). A maioria era mulher (56,1%), branca (56,5%) e casada ou em união estável (58,2%).</p>



<p>Quanto ao tipo de transplante, 62,2% receberam um rim, seguidos por fígado (19,6%), coração (4,5%), medula óssea (4,3%) e outros órgãos. Em termos de classe econômica, 46,6% estavam na classe C, 33,2% na B, 7,7% na A e 12,5% nas classes D e E.</p>



<p>A análise identificou cinco fatores fortemente associados ao retorno ao trabalho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Idade;</li>



<li>Raça;</li>



<li>Classe econômica;</li>



<li>Tipo de transplante;</li>



<li>Situação ocupacional anterior.</li>
</ul>



<p>Pessoas com 51 anos ou mais foram 47% menos propensas a voltar ao trabalho do que aquelas com entre 31 e 40 anos.</p>



<p>Participantes negros apresentaram probabilidade 64% menor de retorno em comparação aos brancos. Indivíduos das classes A e B tiveram 2,5 e 2,4 vezes mais chances de retomar suas atividades profissionais em relação à classe C, respectivamente; já os das classes D e E tiveram 62% menos chance.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Receptores de medula óssea também enfrentaram maior dificuldade: 61% menos chance de retorno em relação aos receptores renais.</p></blockquote></figure>



<p>O histórico ocupacional se mostrou determinante: pessoas desempregadas antes da cirurgia foram 45% menos propensas a retornar ao trabalho, e aquelas que nunca haviam tido emprego formal apresentaram 87% menos chance de reinserção.</p>



<p>“Em consonância com a literatura, esses resultados destacam o papel crucial dos fatores socioeconômicos, incluindo o nível de escolaridade e o tipo de ocupação, na determinação do retorno ao trabalho”, escreveram os autores.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1274" height="2048" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho.jpg" alt="" class="wp-image-7396" style="aspect-ratio:2/3;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho.jpg 1274w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-498x800.jpg 498w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-746x1200.jpg 746w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-249x400.jpg 249w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-768x1235.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-956x1536.jpg 956w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/infografico-transplantados-mercado-trabalho-93x150.jpg 93w" sizes="(max-width: 1274px) 100vw, 1274px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estigma percebido e qualidade de vida</strong></h2>



<p>A pesquisa também avaliou o impacto do estigma e da qualidade de vida nos desfechos ocupacionais. Os autores definem estigma como a desvalorização de indivíduos com base em doenças, deficiências ou raça, com potencial de afetar perspectivas de emprego.</p>



<p>Na prática, o <strong>estigma</strong> pode se manifestar em situações como a dificuldade de ser contratado após mencionar o transplante ou receio de expor a condição de saúde no ambiente de trabalho.</p>



<p>A mensuração foi feita por meio de uma escala de cinco itens que avalia sensação de diferença, desconforto alheio, evitação, impacto nas relações sociais e medo associado à condição. Cada item foi avaliado em escala de sete pontos entre “concordo totalmente” e “discordo totalmente”, com reescalonamento final de 0 a 100.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho-.jpg" alt="Escritório amplo com iluminação pendente e diversas pessoas trabalhando em frente a computadores em um espaço de coworking à noite" class="wp-image-7402" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho-.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/11/transplante-retorno-trabalho--150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pacientes transplantados enfrentam desafios para retomar suas atividades profissionais devido ao estigma e às desigualdades socioeconômicas | Imagem: Israel Andrade/Unsplash</figcaption></figure>



<p>Pessoas que voltaram ao trabalho relataram percepção de estigma mais baixa do que aquelas que permaneceram desempregadas — diferença média de 9,8 pontos.</p>



<p>Separados ou viúvos apresentaram níveis mais elevados que casados ou em união estável, e pacientes das classes D e E relataram mais estigma que aqueles das classes A e B. </p>



<p>A qualidade de vida foi medida pelo SF-36 (instrumento validado para avaliar qualidade de vida em populações clínicas), que cobre capacidade funcional, limitações físicas, dor, saúde geral, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Em todos os domínios, transplantados apresentaram índices inferiores aos da população geral brasileira.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“O estigma pode levar à vergonha, à autolimitação e à discriminação, o que prejudica diretamente tanto a qualidade de vida quanto o retorno ao trabalho”, apontaram os pesquisadores.<br></p></blockquote></figure>



<p>O estudo também identificou correlação estatisticamente significativa entre <strong>estigma e piora da qualidade de vida</strong>. O aumento de um ponto na percepção de estigma foi associado à redução em capacidade funcional (0,24), saúde geral (0,20), vitalidade (0,25), função social (0,37), saúde mental (0,33), limitação por aspectos físicos (0,40) e maior percepção de dor (0,23).</p>



<p>“Os efeitos negativos do estigma na qualidade de vida e no retorno ao trabalho são consistentes com estudos internacionais, mostrando que o estigma relacionado a doenças crônicas reduz a confiança, a autoestima e a integração social”, escreveram os pesquisadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Limitações e conclusões</strong></h2>



<p>Os autores apontaram limitações: o desenho transversal, baseado em observações em um único momento, sem acompanhar os participantes ao longo do tempo, não permite estabelecer relações de causa e efeito; a concentração de participantes no Sudeste reduz a generalização; e a falta de dados sobre comorbidades — como doenças cardiovasculares e transtornos mentais — pode influenciar os desfechos analisados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>A escala de estigma usada, embora com boas propriedades psicométricas, ainda não foi validada especificamente para a população transplantada.</p></blockquote></figure>



<p>Mesmo assim, os resultados reforçam a necessidade de estratégias públicas voltadas à reabilitação profissional, redução do estigma e enfrentamento das desigualdades estruturais que dificultam a plena reintegração de pacientes transplantados à vida social e econômica.</p>



<p>“Superar essas barreiras estruturais é essencial para otimizar os resultados a longo prazo e garantir que os receptores de transplantes se reintegrem plenamente às suas vidas profissionais”, dizem os autores</p>



<p>Políticas públicas voltadas à inclusão no trabalho e combate ao estigma podem transformar essa realidade, garantindo que o sucesso clínico do transplante também se traduza em qualidade de vida social e econômica.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Otávio Berwanger: &#8220;Precisamos ampliar a eficiência dos ensaios clínicos randomizados&#8221;</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/otavio-berwanger-precisamos-ampliar-eficiencia-dos-ensaios-clinicos-randomizados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#dados do mundo real]]></category>
		<category><![CDATA[#diversidade em estudos]]></category>
		<category><![CDATA[#ensaios clínicos]]></category>
		<category><![CDATA[#George Institute]]></category>
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		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cardiologista brasileiro à frente do George Institute for Global Health UK e professor titular em Clinical Trials do Imperial College London defende estudos clínicos mais eficientes, inovadores e representativos, com uso de desenhos pragmáticos, tecnologia digital, uso de IA, dados do mundo real e participação ativa dos pacientes</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/otavio-berwanger-precisamos-ampliar-eficiencia-dos-ensaios-clinicos-randomizados/">Otávio Berwanger: &#8220;Precisamos ampliar a eficiência dos ensaios clínicos randomizados&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de serem cruciais para o avanço da medicina, os <strong>ensaios clínicos randomizados</strong> ainda enfrentam diversos obstáculos: de tempo prolongado e alto custo para execução à falta de diversidade. Para enfrentá-los, o cardiologista e pesquisador <strong>Otávio Berwanger </strong>lidera iniciativas globais de larga escala que buscam tornar os estudos mais inclusivos, ágeis e cientificamente relevantes.</p>



<p>Professor titular em Clinical Trials do Imperial College London, no Reino Unido, Berwanger assumiu em novembro de 2022 a <a href="https://www.georgeinstitute.org/about-us/our-people/people-at-the-george-institute/otavio-berwanger">direção executiva</a> do <a href="https://www.georgeinstitute.org/">George Institute for Global Health UK</a> em Londres, especializado, dentre outros tipos de pesquisa, em ensaios clínicos randomizados de larga escala.</p>



<p>Envolvendo colaborações em mais de 50 países, inclusive o Brasil, o instituto aborda diversos aspectos de saúde como doenças cardiometabólicas, AVC, doença renal crônica, pesquisa em UTI, doenças respiratórias e saúde da mulher.</p>



<p>Antes de se mudar para Londres, Berwanger liderou o desenvolvimento da primeira e maior Organização de Pesquisa Acadêmica (Academic Research Organization – ARO) do Brasil, no Hospital Israelita Albert Einstein, de 2017 a 2022.</p>



<p>A ARO do Einstein é uma unidade que coordena ensaios clínicos multicêntricos de alto impacto nacional e internacional, fornecendo suporte em áreas como liderança acadêmica, gerenciamento de centros e de dados, análise estatística e publicação dos resultados.</p>



<p>O pesquisador, que toca guitarra nas horas vagas, levou para a Inglaterra sua coleção de 25 instrumentos <em>vintage</em> (como Gibsons e Fenders dos anos 1950 e 1960).</p>



<p>Nesta entrevista, concedida por vídeo ao <strong>Science Arena</strong>, Berwanger fala sobre a evolução dos estudos clínicos e conta como concilia música e trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Science Arena &#8211; Como você aprendeu a projetar ensaios clínicos?&nbsp;</h2>



<p>Como o tema não era abordado na faculdade, aprendi estudando no tempo livre e comecei a trabalhar na área depois de me tornar cardiologista. A experiência prática da clínica me ajudou na hora de projetar ensaios de alto impacto nessa área.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Quais são os principais problemas dos ensaios clínicos atuais?&nbsp;</h2>



<p>Um dos entraves é que as amostras são pequenas para produzir resultados confiáveis – dependendo da questão de pesquisa, podem ser necessários entre 10 mil e 25 mil participantes. Outro problema é a falta de diversidade (a maioria dos estudos atuais incluem predominantemente homens brancos, que pode chegar a 70%, e poucos idosos). Também destaco o custo e o tempo elevados de execução consequentes da complexidade operacional demasiada e desnecessária destes projetos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Por que isso acontece?&nbsp;</h2>



<p>Os estudos geralmente são restritos a hospitais ou centros de pesquisa altamente qualificados, em países desenvolvidos, atraindo pessoas brancas e de alta renda. As mulheres geralmente são sub-representadas devido a preocupações excessivas dos pesquisadores com os efeitos do tratamento na fertilidade e na gravidez.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Mesmo em países desenvolvidos, pessoas que moram longe terão dificuldade de chegar ao local ou sequer ficarão sabendo do estudo.</p></blockquote></figure>



<p>E pacientes idosos nem sempre contam com acompanhantes. Tudo isso acaba limitando muito a representatividade da amostra. Além disso, muitos estudos incluem processos demasiadamente complexos de recrutamento e seguimento de participantes, o que precisa ser urgentemente revisto. </p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como o George Institute for Global Health tenta superar esses desafios?&nbsp;</h2>



<p>Criamos recentemente um Innovative Clinical Trials Hub que está trabalhando o estado da arte em pesquisa clínica em áreas como desenhos pragmáticos alinhados à prática clínica, uso de dados de rotina, desenhos decentralizados, uso de inteligência artificial e envolvimento de representantes dos pacientes no desenho e condução dos estudos.</p>



<p>Tudo isso em perfeito alinhamento com as agências regulatórias, comitês de ética em pesquisa e autoridades em saúde. Por exemplo, dados de rotina de milhares de pessoas podem ser usados de forma segura e respeitando as normas de privacidade e confidencialidade, para rastreamento e recrutamento eficientes e rápidos de amostras de larga escala em ensaios clínicos randomizados.</p>



<p>Estes dados também podem evitar visitas e coletas desnecessárias. Fundamental também o uso de modelos pragmáticos de pesquisa, com o foco apenas nos dados absolutamente essenciais.</p>



<p>Além disso, a participação pode ser feita à distância. Por exemplo, dependendo do estudo, podemos enviar medicamentos até as pessoas, disponibilizamos questionários on-line, sessões de telemedicina e dispositivos automatizados para envio de dados. Só os procedimentos complexos são feitos no centro, agilizando imensamente todo o processo operacional do estudo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra.jpeg" alt="Otávio Berwanger, cardiologista brasileiro, usando terno e gravata em ambiente corporativo, com fundo de vidro desfocado" class="wp-image-6096" style="width:749px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra.jpeg 960w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-640x800.jpeg 640w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-320x400.jpeg 320w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-768x960.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/otavio-berwanger-guitarra-120x150.jpeg 120w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption class="wp-element-caption">Otávio Berwanger, diretor do George Institute for Global Health, com uma de suas guitarras vintage. Além da pesquisa científica, Berwanger é apaixonado por blues e rock | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>Procuramos envolver os pacientes no desenho do projeto, perguntando a eles o que esperam dos resultados. O objetivo da pesquisa deve ser ajudar o paciente, por isso saber suas expectativas é fundamental. </p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como a Inteligência Artificial pode agilizar a pesquisa? </h2>



<p>Realizando tarefas automatizadas, como determinando os desfechos do estudo num processo que chamamos de adjudicação de desfechos (para determinar de forma uniformizada a causa de eventuais mortes ou hospitalizações, por exemplo).</p>



<p>Tradicionalmente, os dados do óbito ou hospitalizações são enviados para um comitê independente de especialistas, que faz a análise a partir dos sintomas registrados no prontuário e em outros dados do paciente coletados para fins de pesquisa.</p>



<p>É um processo demorado e dispendioso. Como os critérios para essa avaliação são padronizados, um algoritmo pode descrever o óbito de forma eficiente e barata.</p>



<p>Além disso, também buscamos inovar no uso de desfechos de estudos e métodos estatísticos. Por exemplo, conduzimos alguns estudos adaptativos em plataforma que simultaneamente podem testar várias intervenções e identificar, precocemente, quais são aquelas com maior probabilidade de atingir resultados que possam beneficiar os pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Os governos estão investindo em plataformas desse tipo?</h2>



<p>A Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) aqui no Reino Unido e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram diretrizes inovadoras para estudos descentralizados com dados de mundo real. Assim, estaremos preparados para testar novas vacinas e medicamentos em caso de futuras pandemias.</p>



<p>No Brasil, a Coalizão Covid-19 Brasil realizou ensaios clínicos randomizados com milhares de participantes em dezenas de centros do país e desenvolveu vacinas em tempo recorte. É um exemplo que deve ser seguido e ampliado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O Brasil tem grande potencial para fazer estudos clínicos de alta qualidade devido à diversidade étnica da população e aos talentos de pesquisa. </p></blockquote></figure>



<p>A maior dificuldade é a colaboração entre instituições e grupos de pesquisa, mas estamos avançando graças aos estudos colaborativos globais.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Qual foi o balanço da ARO que você ajudou a desenvolver no Hospital Israelita Albert Einstein?</h2>



<p>Fizemos estudos de alto impacto com colaborações nacionais e internacionais sobre doenças cardiovasculares e publicamos mais de 80 artigos em periódicos de alto impacto, como <em>The Lancet</em>, <em>The New England</em> <em>Journal of Medicine</em> e <em>The Journal of the American Medical Association (JAMA)</em>. A experiência me ajudou a desenvolver as habilidades necessárias para assumir a direção do George Institute for Global Health UK, desta vez com um olhar global e de maior escala.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Como você concilia pesquisa e música?</h2>



<p>São duas grandes paixões. A abordagem metódica é tão importante na pesquisa quanto na teoria musical. Na improvisação, a ideia é criar algo novo, assim como nos estudos clínicos é importante inovar.</p>



<p>Einstein tocava violino quando tinha uma equação complexa para resolver. Em uma escala de complexidade infinitamente menor do que a dele e dentro de minhas limitações, tento também fazer o mesmo com a guitarra, quando chego a um impasse na preparação de aulas ou quando travo escrevendo um artigo. Depois, as ideias deslancham. </p>



<p>Acho que é importante ter duas carreiras paralelas ou um hobby, algo que abra os horizontes.</p>



<p></p>
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		<title>Covid longa: um marco para diagnóstico e tratamento</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 14:52:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#covid longa]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Comitê de especialistas dos EUA propõe definição para melhorar o diagnóstico e o tratamento dessa condição, que afeta milhões no mundo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um comitê de pesquisadores nomeado pela <a href="https://www.nationalacademies.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos</a> publicou uma <strong>definição completa da covid longa</strong>, que afeta 7% dos adultos e 1% das crianças apenas naquele país.&nbsp;</p>



<p>O estudo, encomendado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano, <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsb2408466" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi <strong>publicado</strong> no <em>New England Journal of Medicine</em></a> em 2024.</p>



<p>O objetivo era desenvolver uma definição aprimorada, que levasse em conta as necessidades dos pacientes, assim como as visões e a compreensão de uma gama de especialistas.&nbsp;</p>



<p>Além da revisão da literatura existente, foram realizados grupos focais, entrevistas e comentários colhidos de um portal criado para isso, além de encontros presenciais, incluindo um simpósio de dois dias.&nbsp;</p>



<p>Mais de 1,3 mil pessoas participaram das atividades, incluindo pacientes, cuidadores, profissionais de saúde, pesquisadores e especialistas em políticas públicas.</p>



<p>Embora ainda seja percebida com <strong>uma infecção aguda</strong> – que matou cerca de sete milhões de pessoas no mundo, 10% disso apenas no Brasil – o vírus Sars-CoV-2 deixou milhões de pessoas com uma <strong>variedade de condições crônicas</strong>, sistêmicas e, muitas vezes, incapacitantes.&nbsp;</p>



<p>A condição, que propositadamente não foi chamada de síndrome na definição por falta de evidências, afeta cerca de 60 milhões de pessoas globalmente.</p>



<p>“Como membros do comitê e líderes do grupo que produziu a definição, podemos atestar que o processo inspirou descoberta e uma valorização profunda pela realidade e severidade dessa condição”, escrevem os autores.</p>



<p>Um deles, E. Wesley Ely, do Vanderbilt University Medical Center, admite inclusive ter sido cético no começo. Tendo trabalhado com pacientes severamente debilitados em unidades de terapia intensiva e pesquisado suas trajetórias de vida por 25 anos, ele conta que a miríade de sinais e sintomas relatados pelos pacientes com covid longa poderiam ser consequência da chamada <strong>síndrome pós-terapia intensiva</strong> (SPTI), como problemas cognitivos, doença neuromuscular, depressão e fadiga intensa.</p>



<p>A hipótese caiu por terra quando os sintomas começaram a ser relatados por dezenas de milhares de pacientes da primeira onda da pandemia, a maioria sem nunca ter sido internada durante a fase aguda da <strong>infecção pelo Sars-CoV-2</strong> e que teve apenas sintomas leves.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Grupos de pacientes se reuniram nas redes sociais e rapidamente se estabeleceram como <strong>cientistas cidadãos</strong>, cunhando o termo covid longa”, relatam os cientistas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Múltiplas manifestações</mark></strong></h2>



<p>De acordo com o documento, a covid longa “<em>é uma condição crônica associada à infecção que ocorre após o contágio pelo Sars-CoV-2, presente por pelo menos três meses como uma doença contínua, remitente e recorrente ou estado de doença progressivo que afeta um ou mais órgãos</em>”.</p>



<p>As <strong>manifestações são múltiplas</strong>, com possíveis centenas de sinais, sintomas e condições diagnosticáveis.&nbsp;</p>



<p>Qualquer órgão pode estar envolvido e os pacientes podem ter desde falta de ar, tosse e fadiga persistente, a dificuldades em se concentrar, dores de cabeça recorrentes, enxaquecas, taquicardia, problemas de sono, falta de paladar e olfato, constipação e diarreia.</p>



<p>As condições podem incluir ainda doença pulmonar intersticial, cardiovascular, renal, fibromialgia, diabetes e desordens autoimunes como lúpus, artrite reumatoide e síndrome de Sjögren.&nbsp;</p>



<p>Problemas cognitivos, distúrbios de humor, ansiedade e diabetes são outras ocorrências apuradas pelos pesquisadores.</p>



<p>A covid longa pode suceder tanto casos leves e severos de infecção pelo Sars-CoV-2 quanto assintomáticos.&nbsp;</p>



<p>Pode, ainda, tanto ser contínua à fase aguda da doença como aparecer semanas ou meses após o que pareceu ser a recuperação completa da infecção aguda.</p>



<p>Afeta crianças e adultos, a despeito da saúde, deficiência ou condição socioeconômica, sexo, orientação sexual, raça, grupo étnico ou localização geográfica. Pode exacerbar condições de saúde preexistentes ou apresentar novas condições.&nbsp;</p>



<p>A covid longa também pode variar de leve a severa, ser resolvida num período de meses ou persistir por meses ou anos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O diagnóstico é feito de forma clínica: não existem biomarcadores conclusivos que determinem a condição.</p></blockquote></figure>



<p>O artigo ainda ressalta que a covid longa pode prejudicar a capacidade do paciente de trabalhar, frequentar a escola, cuidar da família e cuidar de si próprio, resultando em profundos efeitos físicos e emocionais tanto no paciente, como em familiares e cuidadores.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores recomendam revisar a definição em três anos (por volta de 2027), com base no conhecimento científico a ser produzido. Argumentam ainda que a ideia da definição é facilitar a comunicação entre pacientes e membros da família e clínicos.&nbsp;</p>



<p>“Uma definição padronizada deve permitir um melhor rastreamento da carga da covid longa e facilitar o desenho e a condução de estudos clínicos robustos que produzam melhores tratamentos para essa e outras condições crônicas associadas a infecções”, afirmam os autores.</p>



<p>“Acima de tudo, esperamos que essa definição contribua para o cuidado compassivo e efetivo de todos os pacientes diagnosticados com essa condição.”</p>
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		<title>Como nos preparar para os próximos desafios globais: o exemplo da vacina contra o Ebola</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/colunas/virus-ebola-vacinas-oms-pandemias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jan 2025 13:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#ebola]]></category>
		<category><![CDATA[#imunologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desenvolvimento e fabricação de vacinas com impacto mundial exigem trabalho com parceiros globais, visando entregar soluções reais para a ameaça contínua de uma próxima pandemia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe necessidade urgente não atendida de <strong>desenvolver e testar vacinas e terapêuticas</strong> contra <strong>patógenos emergentes </strong>e de surtos, assim como de definir soluções rápidas, escaláveis ​​e implementáveis ​​por meio das quais essas vacinas e terapêuticas sejam usadas.</p>



<p>Em setembro de 2022, Uganda declarou o primeiro surto de Ebola em uma década, causado pelo <strong>vírus Ebola do Sudão</strong> (SUDV). Logo depois, dois surtos distintos do vírus de Marburg foram declarados na Guiné Equatorial e na Tanzânia e, mais recentemente, em Ruanda.</p>



<p>O <strong>vírus Ebola</strong>, cujo nome provém do vale do Rio Ebola – local de seu primeiro surto em 1976 –, é um <strong>filovírus que causa febre hemorrágica</strong> e está associado a uma <strong>alta taxa de mortalidade</strong>.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.clinicalkey.com.au/#!/content/book/3-s2.0-B9780323357616000201" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Existem cinco espécies bem conhecidas no gênero</a>: <em>Zaire ebolavirus</em>, <em>Sudan ebolavirus</em>, <em>Taï Forest ebolavirus</em> (anteriormente chamada de <em>Cote d&#8217;Ivoire ebolavirus</em>), <em>Reston ebolavirus</em> e <em>Bundibugyo ebolavirus</em>, descoberta em 2007.</p>



<p>O vírus Ebola do Sudão<em> </em>sobrevive em animais selvagens, e os humanos são frequentemente infectados pela exposição animal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Preocupação de longa data</mark></strong></h2>



<p>O <strong>vírus de Marburg</strong> (MARV), outro membro da família dos filovírus, permanece sendo uma grande preocupação desde 1967, <a href="https://www.ijidonline.com/article/S1201-9712(20)30586-5/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">causando muitos surtos</a> na <strong>África Subsaariana</strong>, com dois graves tendo acontecido em 1998 e em 2004.</p>



<p>Existe uma única espécie do vírus de Marburg: <em>Marburg Marburgvirus</em>. A infecção humana com MARV geralmente resulta da exposição prolongada a <strong>colônias infectadas de morcegos Rousettus</strong> e, semelhante ao EBOV e ao SUDV, sua infecção causa <a href="https://doi.org/10.1080/21505594.2022.2054760" target="_blank" rel="noreferrer noopener">febre hemorrágica grave, falência de órgãos e morte</a>.</p>



<p>Embora menos frequente do que o vírus Ebola do Zaire (EBOV), a infecção pelo SUDV apresenta <strong>sintomas semelhantes aos do EBOV</strong>, com uma <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.medmal.2014.08.005" target="_blank" rel="noreferrer noopener">taxa de mortalidade de 55%</a>. A doença do vírus de Marburg pode ter uma <a href="https://www.who.int/health-topics/marburg-virus-disease#tab=tab_1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">taxa de mortalidade de até 88%</a>.</p>



<p><a href="https://www.who.int/news-room/events/detail/2023/01/12/default-calendar/save-the-date---sudan-ebolavirus-candidate-vaccines---what-additional-research-should-be-conducted-to-advance-the-evaluation-of-these-vaccines" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O controle</a> é alcançado principalmente por meio da <strong>vigilância</strong> e do envolvimento da comunidade, do rastreamento de contatos e do gerenciamento de casos, bem como da comunicação de risco.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O surto mais recente em<strong> Ruanda</strong> (outubro de 2024) destaca a séria <strong>ameaça à saúde pública</strong> que a transmissão de um filovírus representa.</p></blockquote></figure>



<p>O alto número de <strong>fatalidades</strong> e o potencial da <strong>rápida disseminação na comunidade</strong> significam que o desenvolvimento de vacinas e de terapias segue sendo uma alta prioridade.</p>



<p>Várias <strong>vacinas contra o vírus Ebola</strong> (originalmente chamado de vírus Ebola do Zaire) foram licenciadas para uso.</p>



<p>Essas vacinas incluem <strong>tecnologias de plataforma de vetor viral</strong>, algumas das quais demonstraram eficácia durante o surto da África Ocidental de 2013-2015 e outras que foram licenciadas pela &#8220;regra de eficácia animal&#8221;.</p>



<p>Não há vacinas licenciadas contra o vírus Ebola do Sudão ou contra o vírus de Marburg.&nbsp;No entanto, a tecnologia da plataforma ChAdOx1, que foi usada com sucesso durante a <strong>pandemia de covid-19</strong>, representa uma solução viável para desenvolver uma vacina contra os filovírus.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Plataforma eficaz</mark></strong></h2>



<p>Quando comparada a outras tecnologias, a <strong>plataforma ChAdOx1</strong> responde bem à alta demanda, ao alto volume, ao <strong>baixo custo</strong>, às condições globais de armazenamento e à necessidade de <strong>rápida implantação</strong> em uma situação de pandemia.</p>



<p><a href="https://www.thelancet.com/article/S0140-6736(20)31604-4/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Esta plataforma é altamente imunogênica</a>, provocando uma resposta imune mediada por células, especificamente uma resposta por <strong>linfócitos T CD8 +</strong>, e uma resposta imune humoral.</p>



<p><a href="https://www.nature.com/articles/s41591-021-01301-0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Outras vantagens igualmente importantes</a> são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Velocidade;</li>



<li>Facilidade de fabricação e aumento de escala;&nbsp;</li>



<li>Facilidade de implantação;</li>



<li>Transferência de tecnologia para outros fabricantes, a fim de garantir o fornecimento mundial;</li>



<li>Custo dos produtos.</li>
</ul>



<p>A <strong>vacina ChAdOx1 nCoV-19</strong> foi aprovada ou recebeu autorização de emergência em aproximadamente 100 países e teve mais de 20 parceiros colaborando em sua fabricação.</p>



<p>Isso resultou em <a href="https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(22)00320-6/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais de 3 bilhões de doses liberadas</a> para fornecimento em mais de 180 países e uma estimativa de mais de 6 milhões de vidas salvas somente em 2021.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Trabalhar com parceiros globais é a melhor abordagem para gerar vacinas suficientes e causar um impacto global.</p></blockquote></figure>



<p>Durante os <strong>surtos de filovírus</strong> em 2022 e em 2023, as vacinas candidatas contra filovírus projetadas e desenvolvidas pela equipe da <a href="https://www.psi.ox.ac.uk/our-team/teresa-lambe" target="_blank" rel="noreferrer noopener">professora Lambe</a> na Universidade de Oxford foram selecionadas pelo <strong>Grupo Consultivo Técnico da Organização Mundial da Saúde (OMS)</strong> sobre priorização de vacinas candidatas (TAG-CVP) para <strong>inclusão em protocolos de vacinação</strong> em anel para combater os surtos.</p>



<p>A profa. Lambe e sua equipe, baseados no <a href="https://www.psi.ox.ac.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pandemic Sciences Institute</a> e no Oxford Vaccine Group, trabalharam com parceiros para <strong>escalar rapidamente a produção de vacinas</strong>, gerando mais de 300 mil doses de imunizantes.</p>



<p>Eles preencheram 40 mil doses em menos de 80 dias após receber o material inicial para a vacina candidata contra a cepa do surto de vírus Ebola do Sudão.&nbsp;</p>



<p>Parcerias globais, trabalhando em <strong>estreita colaboração com a OMS</strong> e os ministérios da saúde relevantes, oferecem soluções do mundo real para a ameaça contínua da próxima pandemia.</p>



<p>A pandemia de covid-19 demonstrou que um caminho mais rápido para o desenvolvimento e a implantação de vacinas é necessário e, dada essa experiência, estamos em uma posição única para fazer mudanças reais e nos preparar melhor para o próximo surto.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong><br></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/colunas/virus-ebola-vacinas-oms-pandemias/">Como nos preparar para os próximos desafios globais: o exemplo da vacina contra o Ebola</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>“Queremos ciência feita na Amazônia, não só sobre a Amazônia”</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/queremos-ciencia-feita-na-amazonia-nao-so-sobre-a-amazonia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>População local deve ser protagonista em estudos feitos na região, afirma Marcel Botelho, presidente da fundação de amparo à pesquisa do Pará</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/queremos-ciencia-feita-na-amazonia-nao-so-sobre-a-amazonia/">“Queremos ciência feita na Amazônia, não só sobre a Amazônia”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>São muitos os possíveis temas para se trabalhar em <strong>projetos científicos na Amazônia</strong>, conhecida por sua imensa biodiversidade e identidade cultural. Criada em 2007 no Pará, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (<strong>Fapespa</strong>) é uma das instituições públicas dedicadas a apoiar a pesquisa e a inovação na Amazônia, tendo em vista o <strong>desenvolvimento econômico, social e ambiental</strong> da região.</p>



<p>À frente da entidade desde 2021, o agrônomo <strong>Marcel do Nascimento Botelho</strong> ressalta a importância de que a pesquisa feita na Amazônia gere <strong>resultados potencialmente benéficos para a população local</strong> – para além dos limites da academia.</p>



<p>O diretor-presidente da Fapespa se diz entusiasta de <strong>pesquisas participativas</strong>, nas quais cientistas e outros atores sociais (como povos originários e gestores públicos) trabalham em parceria em busca de soluções para problemas concretos, como os efeitos da <strong>crise climática</strong>.</p>



<p>“Não podemos mais aceitar apenas uma discussão <em>sobre</em> a Amazônia. Queremos promover uma discussão <em>na</em> Amazônia, envolvendo <strong>conhecimentos ancestrais</strong> e <strong>realidades locais</strong>”, diz Botelho, que foi reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) entre 2017 e 2021.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Botelho fala dos desafios de financiar projetos de pesquisa com foco na região amazônica e de ações como a <a href="blank" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Iniciativa Amazônia+10</a>, que articula cientistas de 25 estados e de outros países. Entre os objetivos da iniciativa estão o fortalecimento da infraestrutura de pesquisa na Amazônia e a tentativa de fixar pesquisadores na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Quais são as principais demandas de ciência e tecnologia da Amazônia?</strong></h2>



<p><strong>Marcel Botelho</strong> – Estamos diante de um paradigma que precisa ser quebrado. Por muito tempo, a Amazônia foi vista por prismas diferentes e bastante equivocados. Ela já foi chamada de “pulmão do mundo” e sabemos que esse “pulmão” é responsabilidade dos oceanos, não da Amazônia. Sabemos, por sua vez, que a região é indispensável para a estabilidade climática. </p>



<p>No governo anterior [de Jair Bolsonaro], tivemos uma grande escassez de recursos financeiros para ciência e tecnologia em todo o país, especialmente na Amazônia. Justamente em um período de pandemia de covid-19, durante o qual tanto dependemos de investimentos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Se continuarmos olhando por prismas equivocadas do passado, acabaremos vendo a Amazônia como uma reserva ambiental ou uma região rica que precisa ser explorada à exaustão.</p></blockquote></figure>



<p>Se isso seguir, sacrificaremos mais de 35 milhões de pessoas, incluindo os países que fazem fronteira com o Brasil e que são também parte da Amazônia sul-americana, como Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual é a importância das fundações de amparo à pesquisa, como a Fapespa, e o qual o papel delas na Amazônia?</strong></h2>



<p>As fundações têm um papel vital, porque são agências de fomento que atuam de maneira muito próxima dos pesquisadores, isto é, a “ponta final” que executa projetos em laboratórios ou trabalhos de campo.</p>



<p>As agências estaduais de apoio têm condições de dimensionar, avaliar e conduzir o processo de fomento de maneira localizada e customizada para a necessidade daquele estado. O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) tem um papel fundamental de gerenciar e coordenar nacionalmente este trabalho, atuando de forma independente e autônoma, entendendo os diferentes ecossistemas de cada estado ou região. &nbsp;</p>



<p>Em um país com as dimensões territoriais do Brasil e as assimetrias existentes (de nível econômico, educacional ou de desenvolvimento), o conhecimento local é indispensável. A Amazônia é uma região que depende muito de ciência e tecnologia. Reconhecemos que precisamos de ajuda nacional e internacional.</p>



<p>Contudo, é necessário que os povos da Amazônia sejam protagonistas, ou seja, participem ativamente das ações de Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D), e não sejam meros “consumidores” ou observadores passivos da ciência produzida na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os impactos da exploração da Amazônia em detrimento do investimento em inovação local?</strong></h2>



<p>A aposta na exploração irracional e desenfreada dos recursos naturais com o intuito de gerar riquezas (com base no extrativismo de reservas naturais) tem resultado na desertificação e no desflorestamento em toda a Amazônia nos últimos tempos.</p>



<p>Corre-se o risco de extinção da floresta a partir da justificativa da busca por desenvolvimento. Não podemos permitir que isso ocorra na Amazônia.</p>



<p>Precisamos de um modelo novo e, desse propósito, surgiu a Iniciativa Amazônia+10.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do que se trata a Iniciativa Amazônia+10?</strong></h2>



<p>A iniciativa tem este nome, pois começou com os nove estados da Amazônia brasileira e, depois, incorporamos São Paulo, por ter uma instituição [a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP] capaz de aportar muitos recursos ao projeto.</p>



<p>Mesmo com a participação de São Paulo, mantivemos a proposta de valorizar o conhecimento local, as instituições presentes na Amazônia e o protagonismo da região na tomada de decisões.</p>



<p>Atualmente, a Iniciativa Amazônia+10 soma 39 projetos em andamento – 20 deles com participação da Fapespa, do Pará. Estamos com um edital, em vias de lançamento, da seleção final, que é o de Expedições Científicas. Isso motivado pela pergunta: será que a gente realmente conhece a Amazônia? Garanto que não.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As pesquisas feitas na Amazônia, quando não são por satélites, são realizadas nas margens dos rios e das estradas. Pouco se adentra na realidade da Amazônia. Existem muitos vazios científicos na região como todo.</p></blockquote></figure>



<p>Estamos falando de uma região que ocupa mais de 60% do território nacional, e que recebe muito menos recursos proporcionalmente do que, por exemplo, a Mata Atlântica, que ocupa uma faixa estreita do território nacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Houve grande procura a partir da chamada de propostas de Expedições Científicas? &nbsp;</strong></h2>



<p>O número de projetos que recebemos foi absurdamente maior do que estávamos imaginando, por causa da complexidade do tema. Ao todo, foram inscritos 199 projetos. Para atender a essa demanda, precisaríamos do aporte de R$ 500 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como é possível prover mais apoio financeiro para a pesquisa na Amazônia?</strong></h2>



<p>Sabendo onde alocar recursos. Indo para a esfera política, na qual o debate é livre, vemos que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação [MCTI] aprovou a construção e o investimento de R$ 600 milhões no primeiro laboratório de biossegurança de nível 4 (NB4) da América Latina. Batizado de Orion, o laboratório terá sede no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais [CNPEM], em Campinas, São Paulo, e será voltado à pesquisa com patógenos das classes 3 e 4 [isto é, capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade].</p>



<p>A instituição reconhecida mundialmente pelo trabalho com vírus de florestas tropicais é o Instituto Evandro Chagas, no Pará. Ao invés de instalar o laboratório aqui em Belém, o MCTI decidiu construí-lo em Campinas. Nada contra o CNPEM receber este aporte, mas a expertise está em Belém, no Pará. Quem está com a caneta na mão nem sempre toma a melhor decisão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os outros diferenciais da pesquisa feita no Pará?</strong></h2>



<p>Temos no nosso estado os planos de economia e de recuperação de vegetação nativa bem consolidados. Desde 2019, o Pará vem saindo do discurso para a prática. Para isso ir mais longe, precisamos de investimento sério, constante e robusto. Somente assim vamos fortalecer as estruturas de ciência e tecnologia.</p>



<p>Fico tremendamente preocupado quando vejo a criação de um instituto de pesquisa sobre a Amazônia em São Paulo, como o Centro de Estudos da Amazônia Sustentável [Ceas] da Universidade de São Paulo [USP].</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que isso o preocupa?</strong> </h2>



<p>Temos quase 200 instituições de pesquisa na Amazônia, todas precisando de investimento, de apoio para infraestrutura. Nos últimos anos, sofremos com a diáspora científica [perda de cientistas para instituições de outros estados ou países] e o sucateamento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Nossos pesquisadores são capturados por instituições com maior poder aquisitivo e melhores condições de trabalho. Estão levando pessoas que pesquisariam a Amazônia de dentro da Amazônia.</p></blockquote></figure>



<p>Não podemos mais aceitar apenas uma discussão sobre a Amazônia. Queremos promover uma discussão na Amazônia. Queremos ter protagonismo [na pesquisa], com inclusão do conhecimento ancestral e de realidades locais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os desafios disso?</strong></h2>



<p>No Brasil, os estados da Amazônia são os que menos investem proporcionalmente em ciência e tecnologia. Precisamos tomar uma decisão estratégica, de realmente preservar a Amazônia com o desenvolvimento social que a população merece.</p>



<p>Não podemos receber a mesma proporcionalidade de recurso que outras regiões recebem. Temos que, pelo menos, colocar o dobro do valor que a Amazônia contribui hoje com o Produto Interno Bruto [PIB] nacional, para ficar dentro de um valor elegível. </p>



<p>Por sua vez, enquanto a Amazônia, como um todo, contribui com cerca de 6,5% do PIB nacional, ela recebe apenas 3% do investimento nacional de ciência e tecnologia. Minha sugestão é que recebamos o dobro de nossa contribuição, ou seja, 13% do recurso de Ciência, Tecnologia e Inovação [CTI] do país.</p>
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		<title>Novos usos para drogas conhecidas</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/novos-usos-para-drogas-conhecidas/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/novos-usos-para-drogas-conhecidas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#indústria farmacêutica]]></category>
		<category><![CDATA[#off-label]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativas internacionais buscam criar tratamentos a partir de medicamentos já existentes, mas é necessário avaliar custos e benefícios</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma opção mais barata e menos incerta do que descobrir novas moléculas para tratar doenças é o <strong>reposicionamento de fármacos</strong>. A estratégia consiste em <strong>encontrar um novo uso para um medicamento que já está no mercado</strong>.</p>



<p>Estimativas sugerem que essa abordagem pode ser de 40% a 90% mais barata do que desenvolver novos compostos. Além disso, os estudos clínicos são geralmente mais seguros, uma vez que essas entidades químicas já tiveram testes iniciais de segurança realizados em humanos.</p>



<p>Duas barreiras consideráveis para o reposicionamento, porém, consistem no seguinte.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Falta de incentivo para as <strong>detentoras das patentes</strong> investirem em estudos para determinar um segundo uso dos medicamentos. Ainda que tratar uma nova doença, em tese, agregue valor à droga, as regras europeias, por exemplo, impedem que o preço seja alterado, acabando com as esperanças de aumento de lucro da empresa detentora da patente<em>.</em></li>



<li>O chamado <strong><em>cross-label</em></strong>, uma versão do <em>off-label</em>, em que o remédio é prescrito para uma indicação que não está descrita na bula. No caso do <em>cross-label</em>, o detentor da patente consegue que o novo uso esteja autorizado apenas para a sua versão da droga. No entanto, o genérico é prescrito pelo médico, mesmo que aquele novo uso não esteja descrito na sua bula, privando o inventor da droga de uma venda.</li>
</ul>



<p>“No longo prazo, isso corrói o incentivo para identificar, testar e autorizar novos usos”, escrevem pesquisadores de universidades da Inglaterra, Estados Unidos e da Dinamarca, <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/scitranslmed.adl0998" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em artigo publicado</a> na revista <em>Science Translational Medicine.</em></p>



<p>Na tentativa de superar essas barreiras, nos últimos anos foram criadas algumas <strong>iniciativas governamentais</strong> nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia.</p>



<p>O grupo de pesquisadores afirma que os primeiros resultados são promissores, embora ainda seja cedo para saber o tamanho do impacto das mudanças nos sistemas de saúde e no bem-estar dos pacientes.</p>



<p>Os autores listam sete programas, implementados entre 2018 e 2021, que “apresentam uma miríade de oportunidades para organizações participarem em ações de reposicionamento de fármacos”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Apoio para pesquisadores</mark></strong></h2>



<p>O <a href="https://www.gov.uk/guidance/innovative-licensing-and-access-pathway" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UK Innovative Licensing and Access Pathway</a>, do Reino Unido, de 2021, apoia qualquer tipo de organização por meio de um processo de seleção tanto de estudos pré-clínicos como de testes clínicos avançados, baseado nas <strong>necessidades dos pacientes</strong> e no potencial da droga de oferecer benefícios.</p>



<p>Os selecionados têm acesso a um time de especialistas que podem cuidar de questões regulatórias e de desenvolvimento.</p>



<p>Outro programa, financiado pelos <a href="https://ncats.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Institutos Nacionais de Saúde</a> (NIH) e conduzido pelo <a href="https://ncats.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Nacional para o Avanço de Estudos Translacionais</a> (NCATS), ambos dos Estados Unidos, visa justamente a realização de <strong>testes clínicos de fases 1 e 2</strong>, mas não de fase 3. Exceções são abertas para doenças raras ou negligenciadas.</p>



<p>A iniciativa da União Europeia também fornece apoio, mas apenas para estudos acadêmicos e de organizações sem fins lucrativos. O financiamento dos testes clínicos deve vir de outros parceiros, assim como as autorizações para novos usos deve ser feita em parceria com a indústria.</p>



<p>O programa <a href="https://c-path.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CURE Drug Repurposing Collaboratory</a> (CDRC) é uma parceria público-privada entre a agência reguladora dos Estados Unidos (<a href="https://www.fda.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FDA</a>), o NCATS e o <a href="https://c-path.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Critical Path Institute</a>. Iniciado para buscar drogas para covid-19, atualmente engloba outras doenças.</p>



<p>O programa se apoia em uma <strong>ferramenta on-line </strong>em que se pode buscar e reportar novos usos para drogas já aprovadas. O CDRC ainda coleta dados de saúde disponíveis, registros de doenças e revisões de literatura.</p>



<p>Em princípio, o objetivo é apenas <strong>atualizar diretrizes de tratamento</strong>, sem entrar na seara da regulação. No entanto, a iniciativa pode considerar patrocinar estudos clínicos e obter autorizações com os parceiros certos.</p>



<p>Entre todos os listados, apenas o <a href="https://www.nhs.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Medicines Repurposing Programme</a>, do <a href="https://www.nhs.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Serviço Nacional de Saúde</a> (NHS) do Reino Unido, pretende conduzir estudos clínicos com o mínimo de colaboração de parceiros.</p>



<p>Estabelecida em 2021, a iniciativa procura por drogas para reposicionar por meio da <strong>busca de registros de testes clínicos</strong> e <strong>colhendo sugestões da comunidade médica</strong>, como empresas, grupos de pesquisa e clínicos.</p>



<p>Os projetos contemplados devem, preferencialmente, se basear em testes clínicos de fase 2 e no fato de a droga em questão poder melhorar o padrão existente de cuidado <strong>para uma doença debilitante ou que ameace a vida</strong>.</p>



<p>Grupos de trabalho desenham estudos clínicos de fase 3 para preencher quaisquer lacunas de conhecimento. Uma vez que há informações suficientes para autorizar o novo uso, o programa fornece os dados para o dono da patente ou fabricante de genéricos que queira buscar autorização.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Cedo para avaliar</mark></strong></h2>



<p>O projeto <a href="https://www.fda.gov/about-fda/oncology-center-excellence/project-renewal" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Renewall</a>, da <a href="https://www.fda.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FDA</a>, busca apenas por <strong>novas drogas contra o câncer</strong>, sem conduzir testes clínicos. Em vez disso, obtém dados da literatura e, se houver o suficiente para uma nova autorização, contata o fabricante para continuar o processo, embora este não seja obrigado a fazê-lo.</p>



<p>O também norte-americano <a href="https://www.congress.gov/bill/116th-congress/house-bill/5668/text" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MODERN</a> busca reposicionar medicamentos baseado em <strong>dados da literatura</strong>, porém, para qualquer doença e apenas de <strong>drogas cujo inventor tenha abdicado da sua autorização de comercialização</strong>, desde que haja empresas de genéricos fabricando o medicamento. Uma vez que o novo uso é autorizado, porém, os fabricantes são obrigados a incluir a nova indicação na bula.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os pesquisadores afirmam que, pelo fato de os programas serem relativamente novos, é cedo para determinar seu sucesso e longevidade.</p></blockquote></figure>



<p>Para ele, a iniciativa do NHS e as duas últimas da FDA representam verdadeiras mudanças de modelo de desenvolvimento de medicamentos.</p>



<p>O programa britânico obteve uma nova autorização e está em processo para uma segunda. O projeto Renewall da FDA, por sua vez, obteve duas novas em seis anos.</p>



<p>Não é possível dizer, ainda, se são casos isolados ou os primeiros de muitos novos usos com <strong>impacto na saúde pública</strong>.</p>



<p>Para os autores, indicadores de sucesso ajudarão a avaliar se os programas podem ser tomados como uma nova direção no desenvolvimento de fármacos e mesmo emulados em outros países.</p>



<p>Para determinar o sucesso, pelo menos cinco critérios devem ser levados em conta: número de novas autorizações, impacto clínico, número de pacientes tratados pelo novo uso, economia de gastos em saúde pública e redução de indicações “off-label”, especialmente se foi baseado em dados inadequados.</p>
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		<title>Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2024 13:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para pesquisadora da Fiocruz, disseminação de notícias fraudulentas precisa ser combatida inclusive dentro da classe médica</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A edição de 2023 da pesquisa &#8220;<a href="https://percepcao.cgee.org.br/home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Percepção pública da C&amp;T no Brasil&#8221;</a>, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revela que a saúde é um dos temas de maior interesse do público, apesar de ser um campo de disputa entre os produtores de desinformação, uma comunicação mediada por algoritmos enviesados por meio das redes sociais e negacionismos vacinais.</p>



<p>Dentre os jovens, oito em cada dez entrevistados na pesquisa dizem que se informam sobre ciência principalmente por Instagram e YouTube. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um terço dos canais em português mais assistidos do <a href="https://abori.com.br/comunicacao/apesar-de-declaracoes-do-youtube-sobre-combate-a-desinformacao-videos-anti-vacinas-continuam-circulando/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">YouTube sobre vacinas tinham informações erradas ou desinformação</a>.</p>



<p>A jornalista Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudo Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, destaca que, no YouTube, parte significativa dos vídeos mais acessados sobre vacinas diz que os imunizantes contêm ingredientes perigosos e defendiam a liberdade de escolha, a promoção de serviços de saúde alternativa e a conspiração de que vacinas causam doenças.</p>



<p>“As pesquisas de percepção da ciência são fundamentais para a definição de políticas públicas na área”, diz Righetti, que é autora, junto com o cientista de dados Estevão Gamba, do livro <em>Negacionismo científico e suas consequências </em>(Edições 70), lançado em abril. “É preciso entender como as pessoas compreendem, se interessam e valorizam a ciência. O que os estudos mostram é que há um ‘descolamento’ gigante entre ciência e sociedade.”</p>



<p>Além de Righetti, o <strong>Science Arena</strong> também conversou sobre os resultados da pesquisa do CGEE com a médica pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e membro titular da Academia Nacional de Medicina.</p>



<p>Desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, Dalcolmo destacou-se pela capacidade de se comunicar com o público por meio da imprensa e explicar, de forma simples e sem rodeios, o impacto do vírus Sars-CoV-2 na saúde das pessoas.</p>



<p>A pesquisadora se tornou uma das principais porta-vozes da ciência ao longo da pandemia e no combate contra movimentos antivacina no país. Nesta entrevista, Dalcolmo comenta sobre os riscos das fake news e como enfrentar a desinformação entre médicos e outros profissionais da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – O estudo do CGEE indica que a desconfiança da população brasileira em relação a temas como a vacinas figura com índice elevado (20,9%) em 2023. Esta informação acende algum alerta?</strong></h2>



<p><strong>Margareth Dalcolmo –</strong> É inegável que a saúde tem sido um tema de grande interesse nos últimos anos, tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil, vivenciamos fenômenos paradoxais. Historicamente, a população brasileira sempre confiou muito nas vacinas e o próprio Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado há 50 anos, é um exemplo de sucesso por conta da grande aceitação da sociedade civil.</p>



<p>Infelizmente, à custa de uma retórica muito nociva, capitaneada pela última administração do governo federal, somado ao medo de uma doença nova como a covid-19 e à rapidez com que as vacinas foram desenvolvidas, houve um temor e uma resistência vacinal inéditos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na verdade, estamos enfrentando as consequências da desinformação e da fabricação de informações falsas sobre as vacinas. Isso é um problema real e inegável.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual o resultado disso?</strong></h2>



<p>Esse fenômeno resultou na queda das taxas gerais de vacinação, inclusive contra a gripe. Em 2020, paradoxalmente, tivemos a maior taxa de brasileiros vacinados contra a Influenza, já que o público acreditava que isso poderia protegê-lo da covid-19, o que não é verdade.</p>



<p>Neste ano, vivemos uma situação insólita, da menor taxa de adesão à vacinação contra a gripe. Estão sobrando vacinas e isso se agrava ao fato de que a imunização contra a covid-19 também foi muito baixa. Apenas 55% da população brasileira têm todas as doses completas.</p>



<p>Esse é um número muito pequeno e chama a atenção sobretudo para as vacinas pediátricas, revelando que as famílias foram muito contaminadas por esse discurso, por essa retórica extremamente nociva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cinco em cada dez brasileiros relataram se deparar frequentemente com notícias que parecem falsas. Na sua opinião, o campo da saúde tem apresentado um crescente aumento na disseminação de fake news<em>?</em></strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde, muito mais do que a economia, é algo que “pega” as pessoas individualmente. Não há dúvida de que ela tem uma força de persuasão muito grande, porque todos estão interessados na saúde e no bem-estar de sua família, seus filhos, seus pais.</p>



<p>A saúde é algo que toca pessoalmente em cada indivíduo. Não há dúvida de que as fake news se tornaram uma fonte de produção, especialmente na pandemia.</p>



<p>Foi nesse momento que começaram a prosperar sites com conteúdo falso, inclusive, lamentavelmente, com a participação de médicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na pesquisa do CGEE, também foi avaliado um conhecimento mais técnico. Por exemplo, saber se antibióticos servem para matar vírus – informação equivocada com a qual mais da metade dos respondentes concordava. Na prática médica, o quanto esse tipo de desconhecimento pode afetar na adesão terapêutica e na confiança nos profissionais da saúde?</strong></h2>



<p>A disseminação de desinformação, inclusive entre médicos, levou ao uso excessivo de antibióticos durante a pandemia, levando a taxas de resistência antimicrobiana gigantescas. Esse uso muitas vezes não era apenas desnecessário, mas também inadequado, já que a doença em questão era viral, com um componente inflamatório predominante.</p>



<p>Na verdade, o paciente desenvolve uma infecção bacteriana secundária e oportunista, somando-se a um processo viral com grande liberação de substâncias citotóxicas e citocinas inflamatórias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A maioria dos brasileiros disse que nunca ou raramente buscou informações sobre ciência. No entanto, as redes sociais figuram como campeãs no acesso às informações. Você acredita que essa comunicação mediada por algoritmos é um desafio superável? Como a saúde pode ser um segmento protagonista no combate à desinformação?</strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde pode ter um papel de destaque, mas para isso é fundamental a participação de médicos que inspirem confiança na população.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Não podemos deixar de estar presentes, informando a sociedade continuamente.</p></blockquote></figure>



<p>Na verdade, acredito que cientistas e pesquisadores nunca foram tão requisitados para resgatar essa confiança, que é tradicional em nossa cultura. É crucial manter o rigor, mesmo quando as notícias são negativas, sem causar alarde ou pânico, transmitindo a verdade de forma a não ignorar os temores naturais da sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso fazer, a partir dos dados dessa pesquisa nacional, para se preparar antes da próxima pandemia, em termos de percepção pública da ciência?</strong></h2>



<p>A comunidade médica deve estar presente em todos os meios de comunicação, informando e dialogando com a população de forma clara e precisa, como tem sido feito com os cigarros eletrônicos.</p>



<p>A indústria do tabaco, por exemplo, divulga informações falsas, que ganham a confiança das pessoas, sendo importante que os médicos sejam atuantes e presentes no combate à desinformação. Devemos nos comunicar com rigor e verdade, independentemente de a informação ser boa ou ruim.</p>
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