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	<title>Conteúdos sobre #saude | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>Conteúdos sobre #saude | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>Por um oceano mais saudável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jun 2023 14:32:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É fundamental entender que a degradação do ambiente marinho afeta diretamente nossa saúde </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É possível dizer que o planeta é um ser vivo? Embora essa reflexão possa ser questionável, ela é amparada pela Hipótese de Gaia, proposta pelo cientista britânico James Lovelock, que fez paralelos entre o funcionamento do planeta e o de um ser vivo. Falecido em 2022 aos 103 anos, o professor Lovelock contribuiu para a construção de um entendimento mais sistêmico do meio ambiente, o que geraria as bases para a compreensão das mudanças climáticas, suas origens e seus efeitos.</p>



<p>Na Hipótese de Gaia, os processos naturais que regulam o funcionamento do planeta equivaleriam aos processos fisiológicos que regulam o funcionamento do nosso corpo. Um complexo conjunto de processos bioquímicos, o metabolismo – promovido pelas diversas organelas, células, tecidos, órgãos e sistemas que compõem o corpo humano – permite que realizemos as funções necessárias à vida, como alimentação e trocas gasosas.</p>



<p>Mas, mais que isso, o metabolismo também gera as condições para o bom funcionamento do organismo, ou seja, um certo equilíbrio fisiológico que chamamos de homeostase. Um exemplo é a manutenção da temperatura corporal em níveis adequados para que o metabolismo ocorra.</p>



<p>A mesma lógica aplica-se ao planeta. Ele é um conglomerado de biomas e de ecossistemas, que interagem uns com os outros. Fatores físicos, como a temperatura da atmosfera e a qualidade da água do mar, afetam a biodiversidade, mas também as atividades humanas, como agricultura ou turismo, as quais, por sua vez, também afetam o ambiente. Dadas essas importantes conexões entre a natureza e a sociedade, cunhou-se o termo <em>sistema socioecológico</em> para descrever esse complexo conjunto de relações que acaba por regular as condições de vida no planeta, ou seja, por propiciar a homeostase planetária.</p>



<p>Quanto mais preservada a natureza e os componentes e processos ecológicos, ou seja, quanto maior a saúde planetária, maior é a sua capacidade de regulação das condições de vida no planeta. Como consequência, melhor é sua capacidade em lidar com eventuais perturbações, como aquelas ocasionadas pelas mudanças climáticas.</p>



<p>Novamente, a mesma lógica aplica-se ao corpo humano. Quanto menos agressões nosso corpo recebe ou quanto melhor seu funcionamento, melhor sua capacidade de reagir às doenças. Isso ficou evidente durante a pandemia de Covid-19, quando o conceito de comorbidade foi amplamente disseminado.</p>



<p>Doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão, reduziam a capacidade de muitos pacientes em lidar com os efeitos fisiológicos causados pelo coronavírus, aumentando os riscos de morte.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-black-color has-text-color"><strong>Oceano e a febre do planeta</strong></h2>



<p>As comorbidades ambientais, agressões que causamos na natureza, também comprometem o funcionamento do planeta e sua capacidade em prover benefícios para a humanidade, como fornecimento de alimento e produção de excedente de oxigênio que utilizamos na respiração celular. Um desses benefícios é a própria regulação do clima, benefício que, como os demais citados acima, depende fortemente do oceano.</p>



<p>Sim, o oceano é crucial para a vida no planeta. Não só porque a vida surgiu nele, mas porque ele sustenta a maior variedade de seres vivos em comparação com os ambientes terrestres. O oceano é também peça chave da homeostase planetária. E o componente que está por trás dessa capacidade de regulação é a água. Ela cobre cerca de 70% da superfície do planeta, assim como contribui com cerca de 70% da composição do corpo humano.</p>



<p>Uma das funções do ambiente marinho é a regulação do efeito estufa, que poderia ser relacionado à febre se o planeta fosse comparado a um ser vivo. Grande parte do gás carbônico emitido para a atmosfera, por meio do uso de combustíveis fósseis, da pecuária e de queimadas, é dissolvida no oceano. Com isso, o efeito estufa é atenuado e a temperatura do planeta acaba sendo mais baixa do que seria se esse papel do oceano não existisse.</p>



<p>Assim como a febre do paciente, a febre do planeta, que chamamos de aquecimento global, é um alarme que remete a ações de diferentes tipos. Ações urgentes para atenuar os efeitos da elevação da temperatura, que chamamos de medidas de adaptação, como tentar conter o efeito da elevação do nível do mar com diques ou combater as ondas de calor por meio de novas técnicas construtivas.</p>



<p>Isso equivaleria a internar um paciente ou tratar urgentemente os sintomas da doença com medicamentos específicos. Mas também devemos recorrer a ações estruturantes para combater as fontes do aquecimento, que são as medidas de mitigação que podem ser exemplificadas pela necessidade de redução das emissões de carbono. Isso corresponderia a mudanças significativas nos hábitos de vida, levando a uma melhora sistêmica no paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-cyan-blue-color has-text-color"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">A Década do Oceano</mark></strong></h2>



<p>Da mesma forma que, idealmente, devemos buscar tratar um paciente de maneira holística e prevenir o surgimento de comorbidades, temos que ter a mesma atitude com o oceano e com o planeta. O fato é que o oceano está sofrendo e perdendo sua saúde.</p>



<p>As agressões que temos causado no ambiente marinho têm causado degradação e gerado comorbidades que estão comprometendo seu funcionamento. Estamos falando de esgoto e lixo, mas também de pesca excessiva e destruição de habitats, como praias, manguezais e recifes de coral. Isso revela que o oceano precisa de cuidados, urgentemente.</p>



<p>É isso que busca a Década das Nações Unidas da Ciência para o Desenvolvimento Sustentável, proposta para ser construída e vivenciada entre 2021 e 2030. É um chamado para que a sociedade conheça e valorize o oceano e se mobilize para garantir sua vitalidade.</p>



<p>Isso porque, como a ONU ecoa, temos um planeta, um oceano e necessitamos promover o “oceano que precisamos, para o futuro que queremos”. Nessa hercúlea tarefa de zelarmos por esse planetário ser vivo, compartilhamos o papel de médicos, mas também de pacientes que poderão definhar, junto com o planeta, como resposta da nossa aparente inação.</p>



<p>*<strong>Alexander Turra</strong> é biólogo, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Integra a Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano.</p>
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