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Como a conexão com as pessoas auxilia a saúde mental de alunos da pós-graduação? Especialista explica
Em meio ao envolvimento constante com as pesquisas dos projetos, é preciso ter em mente a importância de manter laços humanos
De acordo com a neurocientista Elisa Kozasa, estabelecer um diálogo sincero e respeitoso é fundamental na relação entre alunos de pós-graduação e seus orientadores | Imagem: Unsplash
O envolvimento com pesquisas em um projeto de pós-graduação, em especial do mestrado e doutorado, exige foco e aprofundamento no trabalho por parte dos alunos. Mas isso não significa que os relacionamentos pessoais e profissionais devem ficar de lado. Pelo contrário, essa conexão é importante para a manutenção da saúde mental nessa trajetória repleta de desafios.
Ter alguém para conversar e compartilhar as dificuldades faz parte de um dos fatores que protegem o psicológico. Além de desabafar sobre os obstáculos enfrentados, é fundamental falar sobre temas alegres que provocam boas risadas.
Outra conexão importante é o bom relacionamento com o orientador, tendo conversas construtivas com o profissional.
Em entrevista ao Science Arena, a neurocientista Elisa Harumi Kozasa, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, também explicou que quando a pessoa está bem, ela ajuda a criar um ambiente mais saudável no meio acadêmico.
Confira na íntegra a entrevista de Elisa Kozasa ao Science Arena:
A conexão com o orientador
De acordo com Kozasa, o orientador tem uma grande responsabilidade quando o assunto é a saúde mental dos alunos. Para a especialista, a escolha desse profissional vai além de suas competências técnicas, já que também é preciso considerar as suas competências emocionais.
Esse cuidado evita, por exemplo, a criação de ambientes hostis que prejudicam o psicológico do estudante.
Ainda, estabelecer um diálogo sincero e respeitoso é fundamental. Assim, o aluno pode expressar o que está funcionando para ele e o que não está e pedir, por exemplo, um espaço para desenvolver melhor o seu trabalho.
Essa conversa auxilia, até mesmo, nos momentos de travamento.
“O diálogo é algo que não é fácil de estabelecer muitas vezes. Mas se conseguirmos, podemos ter um grande ganho na nossa saúde mental”, pontuou Kozasa.
Outro ponto que deve ser tratado com o orientador é a compreensão do tema do projeto. De acordo com a neurocientista, o profissional precisa entender o contexto do aluno que está chegando antes de aceitá-lo, e explicar a área da pesquisa com mais profundidade. Isso ajuda a pessoa a entender se o programa se encaixa ou não em seu perfil.
Vale destacar que a falta de clareza sobre o projeto pode fazer com que o estudante não veja propósito na atividade, levando à perda do prazer de realizá-la.

A importância da riqueza psicológica
Dormir bem, fazer atividades físicas e estabelecer pausas na rotina podem ajudar o aluno a se sentir mais feliz. Se esse elemento começar a faltar no dia a dia, Kozasa ressaltou que a vida começa a ficar sem sentido.
Assim, é preciso realizar uma busca constante pela riqueza psicológica, para evitar tanto o surgimento da depressão quanto a perda do propósito na atividade acadêmica. Para ler o conteúdo completo sobre saúde mental na pós-graduação, veja a entrevista completa nesta matéria do Science Arena.
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