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Como a instituição é responsável pela saúde mental dos alunos na pós-graduação? Especialista explica
Estudantes de mestrado e doutorado enfrentam diversos desafios e burocracias ao longo da trajetória com o projeto de pesquisa
De acordo com a neurocientista Elisa Kozasa, “é muito importante estar claro que se você quer ser pesquisador, vão ser dois anos de mestrado e quatro anos de doutorado” | Imagem: Unsplash
Após a pandemia de covid-19, os índices de transtornos mentais cresceram consideravelmente. Problemas como ansiedade e depressão apresentaram um aumento de cerca de 25% na população em geral, de acordo com a neurocientista Elisa Harumi Kozasa, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita.
Mas entre os estudantes da pós-graduação essa taxa pode ser ainda maior.
Diante desse cenário, as instituições acadêmicas devem estar atentas ao psicológico de professores e pesquisadores, já que um projeto de pesquisa exige bastante dedicação. Isso porque sobrecargas e pressões são capazes de levar ao burnout.
Em entrevista ao Science Arena, Kozasa destacou que o burnout está inserido no Código Internacional de Doenças, influenciando a saúde mental.
Por isso, ela orientou que as instituições tenham, ao menos, um convênio com o curso de psicologia da faculdade.
“Existem também locais que fazem atendimento psicológico a preço social”, disse.
Essas são algumas opções que esses meios podem oferecer aos estudantes, já que muitos não conseguem realizar um encaminhamento adequado.
Confira na íntegra a entrevista de Elisa Kozasa ao Science Arena:
Seleção dos orientadores
Ao selecionar um orientador para fazer parte da equipe, muitas instituições levam em consideração apenas as competências técnicas do profissional. No entanto, Kozasa pontuou que também é preciso analisar suas competências emocionais, para evitar o surgimento de um ambiente hostil e desconfortável.
“Muitas vezes, o aluno chega feliz de poder estar em uma instituição para fazer um mestrado ou doutorado. De repente, ele vai se iludir, se entristecer, desistir, deprimir, ficar ansioso e, até mesmo, ter ideação suicida”, destacou.

Núcleos de apoio
Outro ponto que pode cuidar da saúde mental dos alunos é a criação de um núcleo de apoio à pesquisa, com um time capaz de auxiliar a gestão de pesquisa e questões burocráticas. Esse método busca aliviar a sobrecarga mental.
“Se não puder ter um núcleo, vale ter, pelo menos, secretárias que estejam treinadas para ajudar o pesquisador”, destacou Kozasa.
Ela acrescentou que ter esse grupo de pessoas ajuda o estudante em desafios durante o trabalho, como a busca por fomentos.
A equipe também pode conversar com o candidato para explicar sobre a vida acadêmica. “É muito importante estar claro que se você quer ser pesquisador, vão ser dois anos de mestrado e quatro anos de doutorado”, comentou.
“E que também entenda que o doutorado não é suficiente para conseguir uma vaga de pesquisador, pois, provavelmente, você vai precisar de um pós-doutorado ou dois.”
Ao ter essa noção, a pessoa consegue fazer uma análise mais realista sobre o programa e se ele se encaixa na sua rotina, evitando problemas com sobrecarga e, consequentemente, o burnout.
Até mesmo porque ter uma segurança psicológica com metas alcançáveis é um fator crucial para a produtividade, ressaltou Kozasa.
Para ler o conteúdo completo sobre saúde mental na pós-graduação, veja a entrevista nesta matéria do Science Arena.
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