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Orientador e aluno: entenda como essa relação é essencial na organização de um projeto
Ao entrar na pós-graduação, o estudante deve ser guiado para ter os objetivos da pesquisa esclarecidos antes de iniciá-la
De acordo com a neurocientista Elisa Kozasa, a conexão com o orientador ajuda o aluno a ter uma visão mais clara se o projeto se encaixa ou não na sua rotina | Imagem: Unsplash
Ao iniciar um mestrado ou doutorado, o aluno deve se organizar de diferentes formas. O planejamento envolve etapas como a escolha do projeto que deseja trabalhar e a elaboração de uma agenda com prazos para o cumprimento de tarefas. Assim, para auxiliar na efetividade desse processo, o papel do orientador é fundamental.
A conexão com o profissional ajuda o aluno a ter uma visão mais clara se o projeto se encaixa ou não na sua rotina. Ter esse direcionamento é essencial para evitar o surgimento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, ainda mais em um contexto no qual esses problemas cresceram bastante após a pandemia de covid-19.
Em entrevista ao Science Arena, a neurocientista Elisa Harumi Kozasa, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, falou sobre a importância do orientador analisar o contexto do aluno que está chegando antes de aceitá-lo.
Ela também destacou a necessidade do profissional explicar a área da pesquisa ao estudante com mais profundidade, para que ele tenha uma maior compreensão sobre as tarefas que serão demandadas e o objetivo do projeto.
Confira na íntegra a entrevista de Elisa Kozasa ao Science Arena:
O diálogo com o orientador
Quando se trata de estabelecer diálogos, Kozasa destacou que isso não é algo fácil. Mas ela acrescentou: “Se conseguirmos, podemos ter um grande ganho na nossa saúde mental”.
Com isso, ter uma conversa sincera e respeitosa com o orientador é algo indispensável, para que o aluno expresse o que está funcionando para ele e o que não está.
Em meio a esse diálogo, o estudante pode pedir um tempo para desenvolver melhor o seu trabalho, especialmente quando ele se sentir travado.
Além disso, a neurocientista ressaltou a necessidade das instituições acadêmicas escolherem os orientadores tanto por suas competências técnicas quanto por suas competências emocionais, até mesmo para evitar o desenvolvimento de um ambiente desagradável.

Objetivos claros desde o começo
Ao se comprometer com uma pesquisa, o aluno precisa ter em mente os objetivos do trabalho e se ele conseguirá dar conta das etapas. De acordo com Kozasa, esse compromisso consciente deve ser feito no ponto zero do projeto, para evitar problemas futuros com prazos e sobrecargas.
“Eu procuro fazer com que o aluno inicie e passe pelo processo seletivo quando fizermos, pelo menos, algum teste de equipamento”, disse. A partir desse método, o estudante tem uma melhor compreensão se realmente consegue seguir com o programa.
“Existem projetos em que você precisa realmente estar full time, talvez um laboratório ou fazendo cultura de células, e você não sabe exatamente quando poderá parar, precisando estar lá todo dia, vendo o que está acontecendo”, exemplificou Kozasa.
Outra recomendação é que o aluno entre no programa depois que ele for aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição.
Isso ajuda o estudante a iniciar o trabalho com um financiamento já estabelecido.
Para ler o conteúdo completo sobre saúde mental na pós-graduação, veja a entrevista completa nesta matéria do Science Arena.
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