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18.03.2026 Mercado de trabalho

Vida acadêmica e mercado de trabalho: quais habilidades são valorizadas pelas empresas?

Especialista em recrutamento científico explica como a experiência acadêmica forma profissionais capazes de liderar, comunicar e inovar, e por que as empresas precisam disso

Mulher negra de cabelos cacheados trabalha em um notebook sobre uma mesa de escritório. Ao fundo, um homem branco de óculos segura uma prancheta e observa a tela. O ambiente é um escritório moderno com estantes, papelaria e plantas decorativas. "O pesquisador tem no DNA o desejo de resolver problemas, impactar e gerar novas soluções", diz Jaqueline Ribas, fundadora da consultoria Pesquisa de Impacto | Imagem: Unsplash

A experiência acadêmica oferece ao pesquisador uma formação mais ampla do que costuma parecer. Mais do que um período de estudos, a trajetória científica deve ser encarada como uma carreira em si, com competências técnicas e interpessoais diretamente aplicáveis ao mercado de trabalho.

Em entrevista ao Science Arena, Jaqueline Ribas, especialista em contratação de profissionais da pesquisa e fundadora da consultoria Pesquisa de Impacto, explica quais são essas habilidades e como apresentá-las em processos seletivos.

Confira na íntegra a entrevista de Jaqueline Ribas ao Science Arena:

Competências interpessoais

Essas habilidades — chamadas de soft skills no mercado — incluem resiliência, adaptabilidade, comunicação, capacidade didática e disposição para resolver problemas.

“No Brasil, é preciso ser resiliente, porque são muitos os desafios. Então, [os pesquisadores] são pessoas que realmente são apaixonadas pelo que fazem e acreditam no que fazem, com um propósito muito forte, que vão atrás e buscam fomento”, afirmou Ribas. 

Ribas também destacou a orientação dos cientistas para a solução de problemas. “O pesquisador tem no DNA o desejo de resolver problemas, impactar e gerar novas soluções”, disse.  Esse conjunto de atributos, segundo ela, é valorizado em processos seletivos, que avaliam soft skills com a mesma profundidade reservada às competências técnicas.

A especialista lembrou que a rotina de pesquisa é intrinsecamente exigente: envolve análises laboratoriais, tratamento de dados, leitura e produção de textos complexos. Concluir uma tese ou dissertação requer planejamento rigoroso e autodisciplina, competências diretamente transferíveis ao ambiente corporativo.

“Esse processo de pensar fora da caixa, conseguir interpretar uma informação científica e transformar isso em algo palpável faz parte do pesquisador — e as empresas precisam de profissionais assim.” — Jaqueline Ribas, fundadora da Pesquisa de Impacto

Competências práticas

Essas habilidades incluem gerenciamento de projetos, liderança e capacitação de equipes. Ao desenvolvê-las ao longo da pesquisa, o pesquisador adquire experiência em planejamento, cumprimento de prazos e gestão de entregas, atributos valorizados no mercado privado. Por isso, Ribas orienta que os candidatos tornem essa experiência explícita durante os processos seletivos.

O pesquisador também é capaz de conduzir e supervisionar equipes. Para quem considera sua pesquisa predominantemente solitária, Ribas sugere um exercício: pensar em artigos produzidos em coautoria e na complexidade de coordenar um trabalho coletivo dessa natureza.

Outro diferencial é a escrita técnica, com levantamento bibliográfico e domínio de análise de dados, competência cada vez mais disputada fora da academia.

Para ler o conteúdo completo sobre a trajetória científica e a importância de sua bagagem no mercado de trabalho, veja a entrevista nesta matéria do Science Arena.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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