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04.12.2023 Saúde Global

Casos de doenças metabólicas aumentam no mundo

Estudo internacional que analisou dados das últimas duas décadas pede medidas imediatas

Ilustração: Rafaela Pascotto/Estúdio Voador

Entre 2000 e 2019, houve um aumento global de casos para todas as doenças metabólicas, embora tenha sido observada queda discreta na mortalidade por algumas delas durante o período analisado. A diminuição aconteceu nos casos de hiperlipidemia (nível alto de gordura no sangue), hipertensão e esteatose hepática. Para diabetes tipo 2 e obesidade, porém, não houve mudança nas taxas.

Os dados são de um estudo feito a partir de dados do relatório Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors (GBD), de 2019. O artigo foi publicado neste ano no periódico Cell Metabolism.

A análise dos dados do período revelou que o aumento mais expressivo de casos aconteceu em países com índice sociodemográfico mais elevado. Em contrapartida, o maior índice de mortalidade se deu em países de índices sociodemográficos médio e baixo. A região mais afetada foi o mediterrâneo oriental, onde ficam o Afeganistão, Paquistão, Catar, Irã, Egito e Líbano, entre outros.

Os resultados indicam que o aumento da incidência das doenças metabólicas nas últimas duas décadas se manteve constante ao longo dos anos no período estudado. Para o diabetes tipo 2, o número foi de 1,56%. Hipertensão representou aumento de 0,20% e esteatose hepática de 0,83%.

Em números absolutos, a estimativa global para 2019 foi de 43,8 milhões de casos de diabetes tipo 2, além de 18,5 milhões de registros de hipertensão e 1,2 bilhão de casos de esteatose hepática.

Globalmente, quando se trata de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (do inglês DALYs, disability-adjusted life years), a proporção diabetes tipo 2 observada em 2019 foi de 19,95% para mulheres e 17,97% para homens.

Na hipertensão, o índice foi de 6,93% para mulheres e 5,44% para homens. No caso da hiperlipidemia, viu-se uma pequena vantagem em favor das mulheres: 24,10% para elas e 31,49% no caso deles.

Já na obesidade a proporção se inverte: o sexo feminino é o mais afetado, com 47,85% contra 43,76% dos homens.

Quando o recorte é feito na região das Américas, a proporção em relação ao sexo mais atingido se mantém, com 23,20% para mulheres e 21,58% para homens no diabetes tipo 2; 4,51% para as mulheres e 4,24% para os homens na hipertensão; 15,55% para mulheres e 21,45% para homens na hiperlipidemia. Na obesidade não é diferente, sendo as mulheres as mais prejudicadas: 55,37% para elas e 50,95% para os homens.

A proporção de mortes pesa mais para as mulheres do que para os homens em determinadas doenças ou riscos metabólicos. Globalmente, o diabetes tipo 2 representa 12,48% dos óbitos para mulheres e 11,64% para homens.

Na hipertensão também, com 10,87% para mulheres e 8,08% para homens, bem como para obesidade: 41,83% para mulheres e 40,36% nos homens. As mulheres são menos afetadas apenas na hiperlipidemia, com 33,52% contra 38,45% para os homens. Proporção semelhante se vê na região das Américas.

O estudo ressalta que o aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e que geram mortes prematuras deve ser uma preocupação global de saúde pública imediata, e que é necessário implementar estratégias preventivas e terapêuticas eficazes tanto individualmente como de modo comunitário, com especial atenção aos fatores regionais e socioeconômicos.

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