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23.11.2023 Equidade

Lacunas de conhecimento sobre homicídios

Pesquisas sobre assassinatos nos Estados Unidos, que vitimizam sobretudo homens negros, têm lacunas a serem preenchidas depois de 23 anos de cerceamento

Pesquisadores identificam lacunas em estudos sobre homicídios financiados por agências dos Estados Unidos | Foto: Shutterstock

Uma decisão tomada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1996 parece ter impactado profundamente as pesquisas sobre homicídios. No país, esse crime é a maior causa de morte entre jovens e adultos de minorias raciais e étnicas entre 1 e 44 anos. Entender as razões desse crime e encontrar formas de reduzi-las, portanto, poderia salvar milhares de vidas.

No entanto, segundo a “Emenda Dickey”, aprovada pelos congressistas naquele ano, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e outras agências federais não poderiam dispender recursos com atividades que pudessem ser percebidas como “controle de armas”, mesmo que o trabalho tivesse foco em pesquisa.

A partir de 2019, as agências puderam voltar a financiar esse tipo de estudo, mas, pelo menos nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), ainda que não citados nominalmente na “Emenda Dickey”, grandes lacunas de pesquisa foram deixadas, segundo estudo publicado no Journal of Public Health Policy.

Ao analisar as pesquisas sobre o tema financiadas pela agência norte-americana entre 2009 e 2019 (apenas 17, no total), pesquisadoras sugerem que mais estudos são necessários para entender a carga dos homicídios de modo geral. Além disso, identificaram quatro grandes lacunas que demandam mais trabalhos: o peso desse tipo de violência em áreas rurais, o impacto na saúde dos que sobrevivem, o papel do sistema de saúde na prevenção da violência e a etiologia dos crimes de ódio.

“Nossa análise identificou tendências de pesquisas guiadas por dados, abordagens metodológicas e oportunidades geográficas para estudar os homicídios, além de bases de dados e sistemas que poderiam ser usados para entender causas, fatores associados e consequências”, escrevem a professora Maria-Isabel Roldós, da City University of New York, e outras duas pesquisadoras do Escritório de Política Científica dos NIH.

Segundo as autoras, uma mensagem-chave do estudo é que agências federais do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (órgão correspondente ao Ministério da Saúde, no Brasil), incluindo os NIH, desempenham um importante papel em priorizar o financiamento para enfrentar o problema e reduzir a disparidade no cuidado à saúde que existe entre a juventude negra e os outros grupos étnicos.

Em 2018, o homicídio foi a terceira maior causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos nos Estados Unidos (14,4%). Entre homens negros não hispânicos, no entanto, é a maior causa (35,2%) na faixa etária entre 1 e 19 anos e a segunda maior entre 20 e 44 anos (28,9%). Entre homens brancos não hispânicos, é apenas a quinta maior responsável pelas mortes (5,1%).

Naquele país, a taxa de homicídios entre homens negros não hispânicos é 12,9 vezes maior do que entre brancos não hispânicos, 4,4 vezes a taxa para homens hispânicos e 2,7 vezes a dos indígenas americanos.

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