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09.02.2024 Coronavírus

Nova droga é esperança para tratar Covid-19

Testado em animais, medicamento para câncer alcança efeito anti-inflamatório e antiviral contra Sars-CoV-2

Grupo de pesquisadores italianos alcançou resultados promissores no tratamento da Covid-19 com tratamento usado em testes clínicos para câncer | Imagem: Shutterstock.

Em pacientes com Covid-19, vacinas e antivirais têm sido as armas mais efetivas para não permitir que a doença se agrave. No entanto, não é certo se essas estratégias se manterão eficazes ao longo do tempo e sua eficácia contra novas variantes. 

Por isso, mesmo com o fim da pandemia decretado em maio de 2023 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cientistas continuam buscando novas formas de lidar com a infecção causada pelo vírus Sars-CoV-2

Um dos caminhos trilhados são drogas direcionadas ao sistema imune do paciente, que poderiam complementar os tratamentos já usados ao modular outras dimensões da infecção.

Um grupo de cientistas italianos alcançou resultados promissores ao aplicar, em macrófagos (tipo de célula de defesa) de camundongos infectados com um coronavírus similar ao que infecta humanos, uma droga atualmente em testes clínicos para diversos tipos de câncer. 

Os resultados foram publicados na revista Science Signaling.

A droga é um inibidor da enzima LSD1, sigla em inglês para Desmetilase Lisina-Específica 1. A LSD1 tem importante papel nas respostas inflamatórias a infecções, além de suprimir elementos retrovirais endógenos do organismo humano. 

Ao regular a ação da LSD1, os pesquisadores do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, observaram uma resposta simultânea na inflamação e na supressão de partículas virais.

Uma vez que os inibidores de LSD1 estão em diferentes fases de estudo clínico em tumores, com níveis de toxicidade aceitáveis, a esperança é que algum deles possa ser reposicionado para o tratamento de Covid-19 ou outras infecções virais.

Resultados preliminares

Outra evidência do possível benefício dessas drogas, lembram os pesquisadores, são os resultados preliminares de um estudo clínico de pequena escala, realizado por outro grupo de cientistas, que administrou um inibidor similar ao usado no estudo italiano em pacientes de Covid-19 grave. 

Aqueles que receberam a droga vafidemstat, junto ao tratamento padrão, mostraram significativa redução de citocinas inflamatórias e precisaram menos de ventilação invasiva. Outro inibidor reduziu as citocinas pró-inflamatórias em leucócitos isolados de pacientes com Covid severa.

Nenhum dos dois estudos, porém, analisou o efeito da inibição da LSD1 na carga viral. A pesquisa italiana mostrou que os macrófagos infectados não apenas produziam menos citocinas inflamatórias, cuja produção em excesso é uma das causas da Covid grave, como também tinham uma redução na quantidade de partículas de vírus.

Embora afirmem que novos estudos sejam necessários para elucidar melhor os mecanismos que tornam o efeito da inibição da enzima benéfico, os pesquisadores sugerem que os inibidores de LSD1, ao sustentar a resposta dos interferons (citocinas com ação antiviral) – enquanto suprimem alguns reguladores da resposta imune – podem interromper a propagação do chamado loop inflamatório, matando as partículas virais com danos mínimos aos órgãos. 

“Isso pode prover um benefício clínico mesmo em estágios iniciais da doença, em que os esteróides [única classe de drogas com foco no hospedeiro aprovadas contra Covid-19] se mostram ineficazes e mesmo prejudiciais”, observam os pesquisadores.

“Os dados sugerem a enzima LSD1 como um alvo farmacológico viável para terapias antivirais, complementando seu papel estabelecido anteriormente na infecção por herpes”, concluem os autores, citando um trabalho de 2009 que usou o mesmo tipo de inibição contra o vírus.

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