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09.01.2024 Epidemiologia

Potencial novo vetor de febre amarela

Ferramenta pode indicar a necessidade de ajustes na vigilância e medidas de controle de espécies transmissoras da doença

Ilustração: Walter Rego/Estúdio Voador

A ciência busca caminhos para melhorar a vigilância da febre amarela, endêmica no Brasil e transmitida por mosquitos infectados dos gêneros Haemagogus, Sabethes e Aedes. O país convive com focos de transmissão silvestre na região amazônica, mas a doença ocasionalmente se espalha pelas demais áreas.

O último surto, ocorrido entre dezembro de 2016 e 2018, foi considerado o maior em oito décadas. Iniciado no interior de Minas Gerais, espalhou-se rapidamente por outros estados do Sudeste. Essa região, que não fazia parte do programa de vacinação contra a febre amarela, registrou 1.865 casos humanos e 744 mortes entre 2016 e 2018.

Atualmente, os dados sobre os vetores silvestres são obtidos durante a investigação de eventos suspeitos em humanos e vigilância dos primatas não humanos. Em estudo publicado recentemente na revista Tropical Medicine and Infectious Disease, um grupo de pesquisadores brasileiros investigou esse método, considerado complementar, como instrumento para uma detecção precoce da circulação viral e para encontrar uma ligação epidemiológica com epizootias e casos humanos em investigação.

Segundo os pesquisadores, enquanto a coleta entomológica é focada nos principais e potenciais vetores de febre amarela silvestre em uma região específica, a detecção viral em mosquitos ajuda a prever a escalada de um surto e pode definir os possíveis vetores implicados na transmissão.

O time de pesquisadores analisou 2.904 mosquitos vetores capturados em seis estados (Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e Tocantins) entre janeiro de 2016 e abril de 2017. Os mosquitos foram separados em 246 amostras agrupadas (pools) com 1 a 30 espécimes selecionados por região de coleta e data. A testagem por PCR em tempo real revelou 26 agrupamentos positivos para a presença viral. Destes, cinco continham amostras coletadas em Goiás (em Jandaia, no Cerrado, em 2016) e um foi coletado na Bahia (Cocos, no Cerrado, em março de 2017).

Minas Gerais foi o estado com mais amostras positivas, reunidas em 20 agrupamentos. As amostras foram capturadas em dez municípios, principalmente Alvarenga, Caratinga e Ituêta, em um intervalo de dez dias.

– Mosquitos Haemagogus somaram 21,3% das amostras e 20,3% dos agrupamentos.

– Mosquitos Sabethes responderam por 6,7% das amostras e 16,6% dos agrupamentos.

– Mosquitos Aedes representaram 71,9% do total amostrado e 63% dos agrupamentos.

O gênero Aedes compreende as espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus. O primeiro está relacionado ao ciclo de transmissão urbana no Brasil. Desde o final da década de 1980, A. albopictus também se espalhou pelo país, e hoje mais de 1.000 municípios relataram sua presença no peridomicílio e ambientes naturais ou modificados adjacentes. Também foi feito o sequenciamento de cinco amostras que atendiam os padrões mínimos de qualidade para extração do DNA.

Segundo os pesquisadores, a análise das amostras agrupadas em Minas Gerais, Goiás e Bahia, e dos dados de sequenciamento, alertam para a probabilidade de reemergência da febre amarela, com A. albopictus sendo um novo potencial vetor-ponte na ligação entre o ciclo silvestre e o ciclo urbano ao estabelecer um ciclo de transmissão intermediário.

Para os autores, a vigilância entomo-virológica é uma estratégia crucial de vigilância, relacionando e confirmando os dados de transmissão ativa do vírus para primatas não humanos e humanos. Além de esclarecer o envolvimento de vetores incomuns ou potenciais na manutenção da doença, ela pode indicar a necessidade de ajustes nas medidas de vigilância sindrômica e óbitos de primatas não humanos, cobertura vacinal e controle de vetores.

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