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13.02.2024 Saúde Pública

Sistemas de saúde na América Latina têm fragmentação e desigualdades

Estudo sobre a cobertura médica no Peru, México, Colômbia e Uruguai mostra problemas da falta de um sistema único

Estudo perguntou a pacientes qual seu nível de satisfação com os sistemas de saúde dos países pesquisados | Imagem: Shutterstock.

A atenção à saúde na América Latina avançou muito desde os anos 1990, quando houve uma preocupação dos governos da região com a cobertura universal da saúde. No entanto, ela ainda é marcada por desigualdades e deficiências severas, como a fragmentação do atendimento. Essa é a conclusão de um estudo realizado em quatro países: Peru, México, Colômbia e Uruguai. 

Publicado na revista The Lancet Global Health, o estudo perguntou diretamente aos usuários questões como o nível de satisfação com o sistema de saúde  – público, misto ou privado. 

A pesquisa foi realizada por telefone, entre julho de 2022 e janeiro de 2023. No mínimo 1.000 e no máximo 1.250 adultos foram ouvidos em cada país. 

Entre os assuntos abordados estavam: cobertura do sistema, experiência do usuário, competência e confiança no sistema. Foi calculado, ainda, um índice de desigualdade a partir da renda e da educação dos entrevistados.

No geral, observou-se um elevado acesso aos cuidados da saúde como um todo, mas apenas um terço relatou ter serviços de alta qualidade – e somente 25% das pessoas com diagnósticos de saúde mental disseram ter sido devidamente atendidas. 

Dois terços dos entrevistados confirmaram ter acesso a cuidados preventivos relevantes e 42% dos idosos foram rastreados para doenças cardiovasculares.

Nos quatro países, tópicos mais específicos como o acesso à telemedicina, a comunicação e a autonomia na consulta mais recente, os tempos de espera e a realização de exames de saúde preventivos revelaram desigualdades que favorecem as pessoas com os rendimentos mais elevados.

Foram levadas em consideração as desigualdades socioeconômicas entre os quatro países e dentro deles, e também questões particulares de cada um, como as ligadas à corrupção e a turbulências de ordem política. 

No Peru, onde 61% da população é atendida pelo programa do Ministério da Saúde (que  contempla apenas os mais pobres, os da economia informal e os desempregados e suas famílias), as convulsões políticas dos últimos cinco anos causaram impacto nos investimentos de infraestrutura na saúde. 

Quantidade versus qualidade

O Uruguai destaca-se, entre os quatro países analisados, como o de rendimento mais elevado, com o ambiente político mais estável e um sistema de saúde bem financiado e equipado. 

Vários resultados foram melhores no Uruguai, como a cobertura, a experiência do usuário, a competência do sistema e a gestão da pandemia da Covid-19 – o que não significa que não existam desigualdades no país. 

Embora a abordagem dos quatro países não represente a América Latina como um todo, a análise revela pontos que podem ser úteis na região. Por exemplo, o papel da fragmentação do sistema de saúde na perpetuação das desigualdades – tanto no acesso como na qualidade do atendimento. 

Nos países analisados, existem muitos órgãos responsáveis pela saúde dos cidadãos, além do sistema privado – muito pequeno em alguns lugares, como no Peru, onde apenas 3% da população tem plano de saúde. 

Não existe, em nenhum deles, um sistema único como o SUS brasileiro.

“Os nossos resultados sugerem que o acesso aos serviços gerais de saúde é elevado nestes países, embora acesso não signifique alta qualidade, acesso aos cuidados de saúde mental nem a existência de cuidados preventivos e rastreios”, afirmam os pesquisadores no artigo.

A escassez de longa data de recursos de saúde mental na região foi ainda mais acentuada pela pandemia, eles ressaltam.  

Os autores observam, ainda, que inovações como a telemedicina são promissoras na melhoria do acesso aos cuidados primários, mas apresentam um risco de agravamento das desigualdades, dado o acesso desproporcional aos cuidados primários por parte de indivíduos mais ricos.

A análise dos sistemas de saúde dos quatro países pode, ainda, servir como guia para os governantes e para a criação de políticas públicas, por apresentar resultados sobre a qualidade e, principalmente, por identificar as prioridades de cada um. 

“No geral, o nosso estudo sublinha a importância de esforços contínuos para enfrentar os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde na América Latina, a fim de garantir acesso equitativo a cuidados de alta qualidade para todos”, afirmam os pesquisadores.

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