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	<title>#burnout | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Tue, 16 Jun 2026 13:19:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>#burnout | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>&#8220;Uma espécie em extinção&#8221;: o que está empurrando médicos-pesquisadores para fora da ciência</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/uma-especie-em-extincao-o-que-esta-empurrando-medicos-pesquisadores-para-fora-da-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#burnout]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira científica]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Levantamento com 230 profissionais nos EUA mostra que 49% consideram deixar a pesquisa, e os motivos vão além da falta de dinheiro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os chamados <strong>médicos-pesquisadores</strong> (profissionais que dividem o tempo entre a pesquisa científica e a prática clínica) são considerados peça-chave na tradução de descobertas científicas em novos tratamentos.&nbsp;</p>



<p>Apesar disso, <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40247298/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um estudo publicado na revista BMC Medical Education</a> revelou que quase metade (49%) desses profissionais nos Estados Unidos cogitam <strong>abandonar a carreira de pesquisa</strong>, nos dois anos seguintes, para se dedicar exclusivamente ao atendimento de pacientes.</p>



<p>O levantamento foi conduzido com 230 médicos-pesquisadores de 110 instituições estadunidenses, recrutados por meio da plataforma SurveyMonkey. O grupo era composto majoritariamente por residentes, fellows e graduados de programas de treinamento nos últimos dez anos.&nbsp;</p>



<p>Entre os participantes, 56% eram homens e 67% tinham entre 35 e 44 anos.</p>



<p>As principais razões para considerar o abandono foram o <strong>sentimento de infelicidade</strong> e o <strong>estresse</strong> (35%), o <strong>burnout</strong> (35%) e a <strong>dificuldade de obter financiamento</strong> (30%). Apenas 10% declararam não ter qualquer intenção de deixar a pesquisa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Barreiras para o início de carreira</strong></h2>



<p>Entre os desafios mais frequentes, 63% dos participantes citaram a <strong>dificuldade de equilibrar responsabilidades clínicas e acadêmicas</strong>. A conciliação entre trabalho e vida familiar foi apontada por 53%, e a insuficiência de financiamento para pesquisa, por 41%.</p>



<p>Os autores do estudo verificaram que a maioria dos médicos-pesquisadores passava mais tempo no laboratório do que no consultório. A divisão mais comum era na proporção de 80/20 (37% dos casos), seguida por 75/25 (18%). Uma parcela menor dedicava proporções iguais a ambas as atividades.</p>



<p>O estudo também identificou disparidades de representação: mulheres, minorias étnicas, pessoas com baixo nível socioeconômico e com deficiência estão sub-representadas nesse grupo, embora não tenham sido encontradas diferenças estatisticamente significativas nas respostas entre homens e mulheres.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Os médicos pesquisadores têm uma combinação única de competências que ampliam as possibilidades das práticas correntes e motiva o desenvolvimento de soluções inovadoras”,<strong> diz Gary Désir, da Universidade de Yale e coautor do estudo, em declaração ao site da instituição.</strong></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho e família</strong></h2>



<p>Mais da metade dos participantes relatou dificuldades para equilibrar trabalho e vida familiar. Os principais entraves citados foram o <strong>treinamento prolongado</strong>, a <strong>pressão por produtividade científica</strong> e a <strong>baixa remuneração</strong>.</p>



<p>Como consequência, médicos-pesquisadores que desejam constituir família podem adiar ou abandonar o projeto — decisão que tende a ser particularmente difícil para <strong>mulheres</strong>, em razão dos riscos associados à gravidez tardia.&nbsp;</p>



<p>Os autores ressaltam que políticas institucionais como creche e agenda flexível são condições essenciais para viabilizar a maternidade nesse contexto.</p>



<p>O declínio no número de médicos-pesquisadores não é recente.&nbsp;</p>



<p>Segundo artigo publicado em dezembro de 2023 na revista <em>Nature Medicine</em>, citado pelos autores, a prevalência desses profissionais na comunidade médica caiu de 4,5% para 1,6% entre 1985 e 2011, redução de 35%, mesmo período em que o orçamento dos National Institutes of Health (NIH) dobrou.</p>



<p>Outro indicador preocupante é o <strong>envelhecimento da categoria</strong>. Um estudo publicado em agosto de 2018 no <em>Journal of Infectious Diseases </em>observou declínio significativo no número de cientistas entre 31 e 50 anos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Os médicos-cientistas são considerados uma espécie em extinção”, afirma Jennifer Kwan.</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comprometimento com a ciência</strong></h2>



<p>Apesar da disposição de muitos em abandonar a área, a maior parte dos participantes afirmou que havia grande probabilidade de continuarem. Segundo os autores, esse dado pode refletir o <strong>forte comprometimento com a ciência</strong> e o impacto percebido do trabalho de pesquisa.</p>



<p>Outros fatores que contribuem para a permanência incluem a obtenção de financiamento, que, embora competitivo, oferece estabilidade temporária, a expectativa de melhoria no ambiente de pesquisa e a percepção de não estar preparado para atuar exclusivamente na atenção a pacientes ou na indústria farmacêutica.</p>



<p>Para conter o desgaste no médio e longo prazo, os autores recomendam ampliar programas de bolsas para médicos em início de carreira, oferecer incentivos financeiros e criar programas estruturados de mentoria e desenvolvimento de carreira.</p>
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		<item>
		<title>Saúde mental: estratégias para lidar com o estresse na pós-graduação</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/saude-mental-estrategias-para-lidar-com-o-estresse-pos-graduacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 20:26:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#bem-estar]]></category>
		<category><![CDATA[#burnout]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira acadêmica]]></category>
		<category><![CDATA[#planejamento]]></category>
		<category><![CDATA[#pós-graduação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neurocientista explica como sobrecarga física e emocional afeta pesquisadores e propõe caminhos para redobrar cuidados com a saúde</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os <strong>problemas de saúde mental</strong> <strong>na população</strong> cresceram consideravelmente após a <strong>pandemia de covid-19</strong>, mas os <strong>índices de transtornos mentais no meio acadêmico</strong> – especialmente entre alunos de mestrado e doutorado – estão acima da média geral.</p>



<p>O alerta foi feito pela neurocientista <strong>Elisa Harume Kozasa</strong>, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita, em encontro virtual organizado em dezembro pelo <strong>Science Arena</strong>.</p>



<p>A <strong>trajetória na pós-graduação e no pós-doutorado</strong> envolve pressões intensas, prazos rígidos, incertezas sobre financiamento e cobranças constantes por produtividade.</p>



<p><strong>Pesquisadores em início de carreira</strong> frequentemente enfrentam <strong>ansiedade</strong> e <strong>exaustão</strong>, podendo até abandonar suas carreiras por falta de apoio.</p>



<p>Para Kozasa, que desenvolve pesquisas sobre meditação, atenção plena e neurociência contemplativa, superar essa crise exige <strong>estratégias tanto individuais quanto institucionais</strong> – envolvendo desde a proteção do sono e a prática de atividades físicas até mudanças estruturais na forma como orientadores e instituições lidam com a saúde mental de seus pós-graduandos e pós-docs.</p>



<p>Veja no vídeo a seguir a íntegra da conversa com Elisa Kozasa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="2026_01_21_Science Arena_Elisa" src="https://player.vimeo.com/video/1156831146?h=ace19bf931&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
</div></figure>



<p>A seguir, veja os principais tópicos abordados pela pesquisadora:</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>1. O momento histórico e a urgência da crise</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Os problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, cresceram cerca de 25% na população em geral após a pandemia.</li>



<li>Os índices de transtornos mentais no meio acadêmico, especialmente entre alunos de mestrado e doutorado, estão acima da média da população.</li>



<li>A trajetória na pós-graduação e no pós-doutorado envolve pressões intensas, prazos rígidos, incertezas sobre financiamento e cobranças constantes por produtividade.</li>



<li>Jovens pesquisadores frequentemente enfrentam ansiedade e exaustão, podendo até abandonar suas carreiras por falta de apoio.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>2. Desafios e pressões na carreira científica</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>A falta de clareza sobre o que será feito no projeto de pesquisa pode gerar angústia e fazer com que o aluno não encontre propósito na atividade.</li>



<li>É comum o pesquisador se sentir isolado, muitas vezes por se focar tanto na carreira acadêmica que deixa de sair com a família e amigos, ou por atuar em um ambiente competitivo e pouco amigável.</li>



<li>O ambiente na pós-graduação pode ser hostil, levando à desilusão, tristeza, desistência e até mesmo ideação suicida.</li>



<li>Estratégias não eficazes incluem o uso exacerbado de álcool, café ou energético para lidar com o estresse, pois o corpo acabará cobrando e a solução real é descansar (&#8220;Você nunca ganha da fisiologia&#8221;).</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein.jpg" alt="A pesquisadora Elisa Kozasa, do Einstein, aparece sobre um palco, falando ao microfone, com iluminação em tons de roxo e rosa ao fundo. Ela usa roupa preta e um crachá no pescoço, sugerindo participação em um evento ou conferência. A cena transmite um contexto de palestra, apresentação pública ou debate" class="wp-image-7601" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/elisa.kozasa.einstein-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">“Cuidar da felicidade é fundamental, pois se a vida não tiver momentos de alegria, ela começa a ficar ‘sem sentido”, afirma a neurocientista Elisa Kozasa, do Einstein | Imagem: Fábio H. Mendes/E6 Imagens</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>3. Estratégias individuais e o treino da mente</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>É fundamental proteger o horário de sono usando o conceito de &#8220;agenda reversa&#8221;, que começa o planejamento das atividades pelo horário de dormir.</li>



<li>É importante proteger horários de pausas e pequenos descansos durante o dia, como reservar tempo para o almoço ou usar intervalos de 10 a 15 minutos entre reuniões.</li>



<li>Dormir melhor e fazer pausas adequadas melhora a produtividade e reduz os riscos de transtornos mentais.</li>



<li>Deve-se focar em metas atingíveis para o dia (&#8220;por hoje é isso&#8221;), evitando levar excesso de tarefas e problemas para a cama.</li>



<li>É crucial investir em autoconhecimento para saber o que traz felicidade, e esses momentos de alegria devem estar presentes no dia a dia.</li>



<li>Em momentos de &#8220;travamento&#8221; por excesso de cobrança, a pessoa deve focar em aprender a relaxar o corpo e a mente. A atividade física é fundamental e deve ser vista como parte essencial do tratamento para transtornos mentais.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>4. A importância do fator humano e da conexão</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Relacionamentos pessoais são um dos fatores mais protetivos para a saúde mental.</li>



<li>É importante buscar conversar e compartilhar dificuldades com pessoas de confiança.</li>



<li>É essencial estabelecer um diálogo construtivo com o orientador, deixando claro que a cobrança excessiva impede o bom funcionamento.</li>



<li>O conceito de riqueza psicológica (além da busca por prazer e propósito) é um pilar do bem viver.</li>



<li>Criar um bom ambiente só é possível quando a pessoa está bem, buscando &#8220;ser uma boa pessoa&#8221;.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>5. O papel do orientador e a gestão de projetos</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>O orientador tem a responsabilidade de dimensionar o projeto de pesquisa conforme o contexto de vida do aluno (se trabalha, se tem filhos).</li>



<li>Orientadores devem esclarecer o objetivo do estudo e o que o aluno fará no laboratório.</li>



<li>Para uma rotina mantida e cumprimento de prazos, o mais importante é ter objetivos bem claros e um compromisso sério desde o ponto zero do projeto.</li>



<li>Muitas vezes, falta na academia a estrutura de gestão de tempo, prazo, custo e gestão de pessoas. É prudente que o aluno entre no programa de pós-graduação somente após o projeto estar aprovado no comitê de ética.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1110" height="740" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental.jpg" alt="Ilustração abstrata em tons quentes e pastéis que representa o equilíbrio entre sono, pausas e organização do tempo. Elementos como relógio, lua, calendário e figuras em descanso simbolizam a agenda reversa e o cuidado com os ritmos diários" class="wp-image-7603" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental.jpg 1110w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/sono-planejamento-saude-mental-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1110px) 100vw, 1110px" /><figcaption class="wp-element-caption">De acordo com Elisa Kozasa, é fundamental proteger o horário de sono, começando o planejamento das atividades pelo horário de dormir; a pesquisadora também ressalta a importância de fazer pequenas pausas durante o dia, como usar de intervalos de 10 a 15 minutos entre reuniões para respirar | Imagem gerada por IA</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>6. Responsabilidade e estrutura institucional</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>As instituições são responsáveis pelo cuidado com a saúde mental de alunos e professores, especialmente em relação ao burnout (que é um fator que influencia a saúde mental e está no Código Internacional de Doenças).</li>



<li>As instituições devem oferecer suporte como consultas online com psicólogos ou convênios para atendimento psicológico a preço social.</li>



<li>É crucial que os programas de pós-graduação escolham orientadores não apenas por suas competências técnicas, mas também por suas competências emocionais e bom caráter.</li>



<li>A existência de núcleos de apoio à pesquisa (para auxiliar na gestão de questões burocráticas e fomento) alivia a sobrecarga mental dos pesquisadores.</li>



<li>A segurança psicológica é um fator que determina a produtividade de uma equipe, onde o erro é assumido pelo grupo todo sem acusações.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>7. Reflexões sobre o sistema e o propósito</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>O sistema de recompensas da ciência (como métricas e pressão por publicar) influencia a saúde mental.</li>



<li>Dados sobre a crise de saúde mental na academia podem contribuir para a reflexão e mudança das políticas científicas, apesar de serem lentas.</li>



<li>Cuidar da felicidade é fundamental, pois se a vida não tiver momentos de alegria, ela começa a ficar &#8220;sem sentido&#8221;.</li>



<li>A depressão pode começar quando a pessoa olha para a sua vida e se pergunta: &#8220;Para que tudo isso?&#8221;.</li>



<li>A reflexão final é buscar uma vida com mais qualidade e bem viver, para que no futuro o pesquisador não olhe para trás e se pergunte: &#8220;Para que tudo isso? Do que adiantou?&#8221;.</li>
</ul>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/saude-mental-estrategias-para-lidar-com-o-estresse-pos-graduacao/">Saúde mental: estratégias para lidar com o estresse na pós-graduação</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sofrimento psíquico na academia: A pressão para publicar mais e elevar os indicadores</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/metricas-desempenho-academico-pressao-sofrimento-psiquico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Apr 2025 15:51:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#burnout]]></category>
		<category><![CDATA[#índice-h]]></category>
		<category><![CDATA[#pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[#produtivismo]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uso excessivo de métricas para avaliar desempenho de pesquisadores e balizar progressão na carreira pode gerar sobrecarga de trabalho e agravar distúrbios mentais </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/metricas-desempenho-academico-pressao-sofrimento-psiquico/">Sofrimento psíquico na academia: A pressão para publicar mais e elevar os indicadores</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Esta é a segunda reportagem de uma série que o </em><strong>Science Arena</strong><em> publicará nas próximas semanas. Ela resulta do trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado por Eduarda Antunes Moreira, sob orientação do professor Ricardo Whiteman Muniz, na especialização em jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp). </em><a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/sofrimento-psiquico-pesquisadores-e-cientistas-ambiente-academico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Leia aqui a primeira reportagem da série</em></a><em>.</em></p>



<p>Além da complexidade das relações interpessoais e do excesso de funções desempenhadas no ambiente acadêmico, outro obstáculo que dificulta a vida de muitos pesquisadores é a <strong>pressão para publicar artigos científicos</strong> – cada vez mais em revistas de alto impacto e maior prestígio internacional.</p>



<p>No contexto brasileiro, atualizar a plataforma Lattes, que reúne cerca de 8 milhões de currículos acadêmicos, com papers publicados em periódicos de destaque serve como uma “credencial” <strong>para que pesquisadores sejam reconhecidos e recompensados</strong> com cargos de liderança, promoções na carreira e financiamento.</p>



<p>Apesar do conjunto de indicadores alternativos criados na última década para avaliar a qualidade do trabalho de docentes e pesquisadores, <strong>métricas quantitativas</strong> como o número de artigos publicados e citações recebidas ainda são parâmetros consagrados.</p>



<p>Ocorre que, nos últimos anos, a falta de financiamento adequado à pesquisa contribuiu para a <strong>queda na produção científica brasileira</strong>, de acordo com relatório da editora holandesa Elsevier e da Agência Bori, <a href="https://abori.com.br/relatorios/producao-cientifica-no-br-cai-em-2023/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado no ano passado</a>. </p>



<p>Cortes de orçamento e de bolsas restringem não só a produção científica em si, mas também a publicação de seus resultados – especialmente em periódicos científicos de acesso aberto de prestígio internacional, que cobram altas taxas dos autores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Publicar e “padecer”</mark></strong></h2>



<p>O número de artigos publicados em revistas científicas influencia não só o rumo da <strong>carreira profissional de pesquisadores</strong>, mas também a nota da avaliação dos programas de pós-graduação feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).</p>



<p>Rankings internacionais, que comparam o desempenham de universidades do mundo todo a partir de diferentes modelos de classificação, também utilizam <strong>critérios quantitativos</strong> – apesar dos esforços recentes para que sistemas de avaliação da pesquisa adotem <strong>indicadores mais qualitativos</strong> para analisar a produção de acadêmicos.</p>



<p>Uma iniciativa que busca contribuir com essa missão é <a href="https://coara.eu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coalition for Advancing Research Assessment</a> (CoARA), uma coalizão articulada pela <a href="https://www.esf.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">European Science Foundation</a> que reúne mais de 720 organizações científicas do mundo todo.</p>



<p>Em <a href="https://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2024/09/04/the-role-of-scientometrics-in-the-pursuit-of-responsible-research-assessment/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado em setembro de 2024</a>, membros da direção do CoARA afirmam que a iniciativa busca chamar a atenção para a “dependência excessiva, não confiável e prejudicial à saúde” de métricas com foco restrito no número de publicações científicas.</p>



<p>Os autores reconhecem, ainda, que o uso exagerado de indicadores como índice-h e citações impacta negativamente a saúde mental, além de abrir espaço para desvios éticos no ambiente acadêmico. &nbsp;</p>



<p>O artigo 207 da Constituição Federal brasileira determina que as universidades têm autonomia didático-científica. Isso significa que as instituições têm liberdade para definir linhas de ensino e pesquisa, temas de cursos e como pretendem transmitir conhecimento para a sociedade.</p>



<p>No entanto, com a consagração de métricas quantitativas por órgãos responsáveis pela avaliação, os interesses dos próprios pesquisadores passaram a ser orientados por assuntos com potencial de gerar mais artigos e mais citações.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O fato é que a chamada cultura de “publish or perish” (“publique ou pereça”), se sobrepõe a muitos interesses científicos, tais como gerar conhecimento novo e propor soluções para enfrentar desafios complexos da sociedade.</p></blockquote></figure>



<p>A ideia de que cientistas que não publicam com frequência em revistas de impacto são improdutivos precisa ser superada, argumenta a química Juliana Fedoce, professora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais.</p>



<p>“A competitividade nos transformou em produtores de trabalhos em vez de cientistas”, diz Fedoce, que é fundadora do <a href="https://suaciencia.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Sua Ciência</a>, organização sem fins lucrativos dedicada a disseminar conhecimento e buscar alternativas de financiamento.</p>



<p>Para Peter Schulz, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e estudioso da cientometria (área que investiga a produção científica a partir de indicadores), a supervalorização de métricas quantitativas faz com que a publicação de papers se torne um fim em si mesmo.</p>



<p>“Isso pode acabar ofuscando o desempenho das outras missões da universidade, como atividades de ensino e extensão”, diz Schulz. “Hoje a ciência vem a reboque do artigo, mas deveria ser o contrário.”</p>



<p>De acordo com Filipe Rebelo Buchmann, psicólogo do&nbsp;<a href="https://prip.usp.br/programa-ecos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Programa ECOS</a> da Universidade de São Paulo (USP), a pressão para emplacar cada vez mais publicações pode estimular uma corrida desenfreada e sem “vencedores”. </p>



<p>“Essa lógica pode nutrir a sensação de dívida e insuficiência, afetando profundamente a condição de saúde mental de pesquisadores.”</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">A resonsabilidade das editoras científicas</mark></strong></h2>



<p>As editoras científicas são figuras centrais nesse debate. Grandes grupos editoriais praticam há décadas margens de lucro elevadas com o sistema de assinaturas de revistas, a partir da cobrança de leitores contratos com agências de fomento e instituições de ensino e pesquisa.</p>



<p>Nos últimos anos, muitas editoras também passaram a maximizar seus ganhos com a publicação de papers em acesso aberto. Neste modelo de negócios, em vez de cobrar taxas ou assinaturas dos leitores, as empresas transferem os custos para os autores, que precisam pagar as chamadas taxas de processamento de artigos (APC) para publicar seus trabalhos.</p>



<p>Como os valores das APC geralmente são proibitivos, os pesquisadores precisam recorrer a suas instituições ou às agências que financiam suas pesquisas. &nbsp;</p>



<p>Para o médico Olavo Amaral, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso dos desafios da reprodutibilidade científica, a adoção indiscriminada do número de artigos publicados como parâmetro de qualidade do trabalho de pesquisadores colocou as editoras científicas em posição de poder indevida.</p>



<p>“Sem falar que se paga milhares de dólares em taxa de publicação para as revistas mandarem o manuscrito a revisores que trabalham de graça”, pontua Amaral.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="666" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers.jpg" alt="Apesar do conjunto de indicadores alternativos criados na última década para avaliar a qualidade do trabalho de docentes e pesquisadores, métricas quantitativas como o número de artigos publicados e citações recebidas ainda são parâmetros consagrados | Imagem: Shutterstock" class="wp-image-5907" style="width:711px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers-400x266.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers-768x511.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Publicacao-Papers-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Apesar do conjunto de indicadores alternativos criados na última década para avaliar a qualidade do trabalho de docentes e pesquisadores, métricas quantitativas como o número de artigos publicados e citações recebidas ainda são parâmetros consagrados | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Assimetrias e desequilíbrio</mark></strong></h2>



<p>Grande parte da produção científica brasileira é feita em instituições públicas de ensino e depende do apoio de órgãos federais e estaduais. &nbsp;</p>



<p>Além das restrições de orçamento, frequentemente debatidas, outro grande problema é a forma desigual como os recursos são distribuídos regionalmente – comprometendo o desempenho de pesquisadores a depender de onde estão alocados.</p>



<p>Agências de fomento federais e estaduais trabalham de forma semelhante: abrem editais com exigências específicas para que os cientistas submetam seus projetos, concorrendo por uma determinada quantia. </p>



<p>Contudo, assimetrias da sociedade brasileira contribuem para que haja uma concentração histórica da infraestrutura de pesquisa e da produção científica nas regiões Sul e Sudeste, segundo <a href="https://www.cgee.org.br/documents/10195/11009696/CGEE_OCTI_Boletim_Anual_do_OCTI_2023.pdf/51ac8be4-0152-4137-8340-9f53166153eb?version=1.4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório de 2024 do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos</a> (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Projetos, grupos de pesquisa e instituições com mais recursos e infraestrutura têm mais chances de serem bem avaliados nos rankings de prestígio acadêmico. Nesse ciclo, os mais bem ranqueados conseguem receber mais financiamento. &nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>“Pesquisadores com boas propostas, mas pouco conhecidos ou vinculados a instituições com pouca tradição científica e menos recursos, são bastante prejudicados”, comenta o historiador Heribaldo Maia, mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autor do livro <em>Neoliberalismo e sofrimento psíquico: o mal-estar nas universidades</em>.</p>



<p>“É preciso dar condições para que as pessoas consigam se tornar produtivas”, afirma Maia, ao chamar a atenção para a importância de políticas públicas dedicadas à descentralização dos recursos e da atividade de pesquisa no Brasil.</p>



<p>Para além das disparidades econômicas e de infraestrutura que atormentam a vida acadêmica de muitos, também é preciso reconhecer a sobrecarga emocional gerada por desigualdades raciais e de gênero. &nbsp;&nbsp;</p>



<p>No caso das mulheres, o desequilíbrio de gênero no ambiente acadêmico pode comprometer significativamente a saúde mental de pesquisadoras e estudantes.</p>



<p>Uma <a href="https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2021.663252/full" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa</a> publicada em 2021 por membros do projeto <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/o-sexismo-na-ciencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Parent in Science</a>, iniciativa criada em 2017 com o objetivo de discutir o impacto na parentalidade na carreira acadêmica, ressalta a necessidade de parâmetros de avaliação distintos para populações específicas.</p>



<p>O estudo indica que, em 2020 (primeiro ano da pandemia de covid-19), apenas 47,4% das pesquisadoras que são mães, e que responderam a um questionário, conseguiram submeter manuscritos para publicação em períodicos. Já entre pesquisadores homens com filhos, a proporção foi de 65,3%.</p>



<p>Em muitos casos, a alta demanda por produtividade e as dificuldades enfrentadas pelas pesquisadoras para&nbsp;ascender na carreira (o chamado “teto de vidro”, isto é, barreiras invisíveis que impedem que mulheres cheguem a cargos mais altos) estão associadas a episódios de depressão.</p>



<p>Em sua dissertação de mestrado, apresentada na Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2023, a fisioterapeuta Sarah Rocha Alves mostrou que aproximadamente 40% das mães cientistas ouvidas na pesquisa tinham sinais de depressão, enquanto entre pais cientistas a taxa foi de 22%. </p>



<p>“Na comunidade acadêmica, as mães apresentam mais sintomas depressivos do que as mulheres não-mães. Para os homens, não encontramos diferenças entre pais e não-pais”, escreveu Alves. “Além disso, fatores como ser a cuidadora principal, ter filho com deficiência, ser negra e não ter rede de apoio contribuíram para maiores sintomas de depressão entre as mães.”</p>



<p></p>
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		<title>Sofrimento psíquico no ambiente acadêmico: O peso das relações e do produtivismo desenfreado</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/sofrimento-psiquico-pesquisadores-e-cientistas-ambiente-academico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 14:16:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#assédio]]></category>
		<category><![CDATA[#burnout]]></category>
		<category><![CDATA[#pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[#psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Deterioração da saúde mental de cientistas e pós-graduandos indica que são necessárias mudanças estruturais no ambiente de pesquisa brasileiro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Esta é a primeira reportagem de uma série que o </em><strong>Science Arena</strong><em> publicará nas próximas semanas. Ela resulta do trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado por Eduarda Antunes Moreira, sob orientação do professor Ricardo Whiteman Muniz, na especialização em jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp).</em></p>



<p>O <strong>ambiente acadêmico</strong> tem se mostrado um espaço de muito <strong>sofrimento psíquico</strong>. Diversos são os relatos de insatisfação, sobrecarga, pressão, cansaço ou até, em casos mais graves, crises de pânico, ansiedade, depressão e suicídio. <ins></ins></p>



<p>Mas o que explica a <strong>crise da saúde mental</strong> de pessoas que se dedicam à ciência?</p>



<p>Nesta <em>série de reportagens</em> serão abordados alguns dos aspectos da vida acadêmica que podem estar no centro deste problema, debatido aqui a partir das <strong>vivências e opiniões de pesquisadores de diferentes áreas</strong> – além de um psicólogo que atua dentro da universidade e um aluno de doutorado, que vive diariamente esse universo.</p>



<p>Principalmente a partir da última década, questões psicológicas se tornaram um assunto recorrente dentro dos laboratórios ou pelos corredores das universidades.</p>



<p>Um <a href="https://www.nature.com/articles/s41598-021-93687-7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> publicado na revista <em>Scientific Reports</em> apontou, a partir da revisão de artigos sobre a <strong>saúde mental de estudantes de doutorado</strong> de sete países, que a prevalência de depressão e ansiedade entre estes pós-graduandos era de 24% e 17%, respectivamente.</p>



<p>Enquanto isso, na população geral, esses índices vão de 5% a 7% ou, mais especificamente, de 13% a 15% entre os jovens adultos.</p>



<p>No livro <em>Sociedade do cansaço</em>, o filósofo coreano <a href="http://www.byungchulhan.de/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Byung-Chul Han</a> afirma que, a partir do século XXI, a humanidade passou a viver em uma “sociedade do desempenho que produz depressivos e fracassados” como consequência da pressão por desempenho e produção.</p>



<p>Os dados de fato indicam um momento crítico: o <a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório Mundial de Saúde Mental</a>, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022, aponta que apenas durante o ano de 2020 – primeiro ano da pandemia de covid-19 – houve um aumento de mais de 25% no número de pessoas com <strong>transtornos de depressão e ansiedade</strong> ao redor do mundo, chegando a cerca de 246 milhões de pessoas vivendo com depressão e 374 milhões vivendo com ansiedade. </p>



<p>Ainda segundo a OMS, o Brasil é o país com a maior prevalência de depressão na América Latina. Some-se a isso o fato de que os jovens adultos são uma das populações mais suscetíveis a transtornos psicológicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Escassez de estudos</mark></strong></h2>



<p>Estudos mais amplos e robustos são necessários para compreender a real gravidade do problema que afeta cientistas, considerando as particularidades de cada país e região.</p>



<p>No Brasil, há poucos dados sobre a qualidade da saúde mental dentro das universidades, menos ainda cobrindo especificamente a pós-graduação e o ambiente de pesquisa.</p>



<p>De acordo com Filipe Rebelo Buchmann, psicólogo do <a href="https://prip.usp.br/programa-ecos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Programa ECOS</a>, voltado ao atendimento psicológico de alunos, professores e funcionários administrativos da Universidade de São Paulo (USP), é um problema recorrente (e não só do Brasil) as universidades estudarem pouco suas próprias comunidades.</p>



<p>“Com mais dados, as políticas públicas de prevenção e tratamento de transtornos psicológicos dentro da comunidade universitária seriam muito mais efetivas. Mas parece existir pouco incentivo para pesquisas nesse sentido”, avalia Buchmann.</p>



<p>Ainda assim, com a disseminação do debate, acadêmicos passaram a refletir mais sobre o tema, observar o ambiente em que estão inseridos e buscar compreender as causas e consequências desse fenômeno. </p>



<p>O historiador Heribaldo Maia, mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autor do livro <a href="https://www.rupturaeditorial.com/produto/neoliberalismo_e_sofrimento_psiquico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Neoliberalismo e sofrimento psíquico: o mal-estar nas universidades</em></a>, descreve o ambiente acadêmico como um microcosmos da sociedade, mas com características acentuadas que o fazem parecer “<strong>quase como uma panela de pressão</strong>.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O pesquisador aponta o individualismo, a competitividade e a mentalidade extremamente produtivista como algumas das particularidades que, somadas, acabam afetando profundamente o psicológico das pessoas que optam por construir uma carreira científica.</p></blockquote></figure>



<p>“O capitalismo colocou na universidade uma <strong>lógica de mercado</strong>, de que a concorrência beneficia a produtividade e vai beneficiar o consumidor, porque o produto vai ser melhor. Isso não se faz verdade na ciência”, afirma Maia.</p>



<p>O físico <a href="https://www.sciencearena.org/en/interviews/rethinking-the-article-review-process/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Peter Schulz</a>, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concorda que o neoliberalismo invadiu a academia e as universidades, “manifestando-se, principalmente, na pressão por produzir cada vez mais e no individualismo, que leva a uma <strong>fragmentação das relações</strong>.”</p>



<p>Dessa forma, a partir do isolamento – ainda mais acentuado no pós-pandemia – e do acúmulo de tarefas e cobranças, cientistas têm se tornado o “sujeito de desempenho e produção” descrito na obra de Byung-Chul Han, extremamente vulnerável ao “cansaço de fazer e de poder” que, de acordo com o autor, caracteriza a depressão.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="843" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-1200x843.jpg" alt="Muitos professores, pós-graduandos e cientistas se acostumaram com reuniões e aulas virtuais, por celular ou computador, e isso pode contribuir para que as relações se tornem cada vez mais distantes, reduzindo o espaço para encontros informais que propiciam a troca de experiências e ajudam a estreitar laços de colaboração | Imagem: Unsplash" class="wp-image-5780" style="width:747px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-1200x843.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-800x562.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-400x281.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-768x540.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-1536x1079.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota-150x105.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/03/Solidao-Remota.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Muitos professores, pós-graduandos e cientistas se acostumaram com reuniões e aulas virtuais, por celular ou computador, e isso pode contribuir para que as relações se tornem cada vez mais distantes, reduzindo o espaço para encontros informais que propiciam a troca de experiências e ajudam a estreitar laços de colaboração | Imagem: Unsplash</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Solidão entre pesquisadores</mark></strong></h2>



<p>A academia é um <strong>ambiente solitário</strong>, principalmente para pós-graduandos: cada um tem seu próprio projeto, com seus objetivos, compromissos e prazos. Nos melhores cenários, o docente orienta e o grupo de pesquisa acaba se tornando uma rede de apoio. No fim, porém, a defesa da tese e a banca são individuais e intransferíveis.</p>



<p>É uma responsabilidade enorme tocar um projeto “sozinho” durante os quatro anos de doutorado, e quanto maior o isolamento, maiores os desafios.</p>



<p>Muito do debate científico é feito em <strong>ambientes informais</strong>: no café pós-almoço, no coffee break dos congressos, ou mesmo no dia-a-dia do laboratório, acompanhando os experimentos de outras pessoas.</p>



<p>Durante a pandemia de covid-19 foi possível perceber que não é necessário estar no mesmo ambiente para participar de encontros e resolver problemas.</p>



<p>Se, por um lado, reduziu-se a necessidade de longos e cansativos deslocamentos – como no caso de pessoas que dependem de transporte público para ir até a universidade –, por outro, muitos se acostumaram com <strong>reuniões remotas</strong>, por celular ou computador, e isso fez com que as relações se tornassem cada vez mais distantes.</p>



<p>Os projetos individuais até podem ser concluídos dessa maneira, mas será que é melhor assim?</p>



<p>Para resumir essa questão, Schulz cita o historiador inglês <a href="https://www.hist.cam.ac.uk/people/professor-peter-burke" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Peter Burke</a>, em seu livro “<a href="https://www.politybooks.com/bookdetail?book_slug=what-is-the-history-of-knowledge--9780745669830" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O que é história do conhecimento?</a>”:</p>



<p>“Apesar da relevância das novas formas de comunicação, o meio mais eficaz de disseminação continua sendo o antigo, ou seja, o encontro com as pessoas. Argumentou-se que ‘a transferência de conhecimento realmente valioso de um país para outro ou de uma instituição para outra não pode ser facilmente obtida pelo transporte de cartas, periódicos e livros: ela requer o movimento físico dos seres humanos’. Em suma, ‘as ideias circulam por aí dentro das pessoas”.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A universidade é um local de estudo, trabalho, produção, mas não pode ser só isso, é preciso reocupá-la e retomá-la como um espaço de convivência, argumenta Heribaldo Maia.</p></blockquote></figure>



<p>Caso contrário, diz ele, a universidade se torna um lugar vazio de alma, de vida humana, de acolhimento, de pertencimento. “Isso também é um elemento central para diminuir o adoecimento mental na universidade.”</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Sobrecarga</mark></strong></h2>



<p>Praticamente todas as pessoas dentro do ambiente acadêmico – sem distinção entre alunos, pós-doutorandos e professores – se dizem <strong>sobrecarregadas</strong>. É comum que pesquisadores trabalhem muito além das oito horas diárias previstas, tanto em dias úteis quanto em fins de semana ou feriados.</p>



<p>Momentos de lazer ficam de lado para que seja possível cumprir todas as tarefas. Cotidianamente o trabalho é levado para casa, não deixando espaço para descanso. Quando ele existe, vem carregado de culpa, pois sempre deixa uma pendência.</p>



<p>“Na academia, toda a nossa perspectiva de futuro passa pela produtividade”, ressalta Maia. “Existe uma estrutura que faz com que as suas ações, as relações com os outros e o estar naquele ambiente passem, em alguma medida, por ser produtivo.”</p>



<p>No Brasil, o trabalho de pesquisador é essencialmente ligado ao ensino superior: os professores universitários são, também, os “chefes” dos grupos de pesquisa.</p>



<p>Portanto, são responsáveis por preparar e dar aulas, preparar e corrigir provas, atender alunos, dar palestras em congressos, escrever e submeter projetos de pesquisa para conseguir financiamento, coordenar projetos de extensão, entre outras tarefas administrativas.</p>



<p>“Nas últimas décadas houve uma diminuição drástica de novas contratações. Para além da sobreposição de funções, temos cada vez menos funcionários nas universidades e menos gente para dividir esse trabalho todo”, explica a química Juliana Fedoce, professora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, e fundadora do <a href="https://suaciencia.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Sua Ciência</a>, organização sem fins lucrativos dedicada a disseminar conhecimento e buscar alternativas de financiamento à pesquisa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Vale destacar que, apesar das queixas semelhantes, alunos e docentes não estão na mesma posição, já que existe uma hierarquização das relações.</p></blockquote></figure>



<p>“Mesmo que os professores também adoeçam mais do que a média social – por conta do mesmo sistema que adoece os alunos – eles estão em um nível, tanto de reconhecimento social e simbólico, quanto financeiro, que produz uma forma de adoecer e uma resposta ao adoecimento diferenciadas”, diz Maia.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Assédio moral</mark></strong></h2>



<p>Além de terem melhores condições profissionais, sociais e financeiras para lidar com o sofrimento psíquico, alguns docentes transformam a sobrecarga à qual estão expostos em abusos e assédios sobre seus alunos – uma das principais queixas dos pós-graduandos que buscam o Programa ECOS da USP.</p>



<p>Em sua experiência, Filipe Buchmann observa que parte da pressão e do adoecimento dos docentes é repassada para o próximo degrau, que pode ser um funcionário, um aluno de pós, ou até um aluno de graduação.</p>



<p>“Os alunos de pós-graduação, que estão no laboratório fazendo pesquisa, vão influenciar mais diretamente na produtividade do docente e na quantidade de artigos, o que gera uma maior expectativa dos professores em relação ao cumprimento de metas – que por vezes são inalcançáveis”, comenta o psicólogo.</p>



<p>Infelizmente não são raros os relatos de supervisores que ligam ou enviam mensagens sobre trabalho no período da noite, aos finais de semana ou até de madrugada; que exigem quantidades absurdas de resultados em curtos períodos de tempo; e que repassam aos pós-graduandos as suas obrigações, como preparar e ministrar aulas, além de elaborar e corrigir provas. </p>



<p>Outra barreira é o medo das vítimas de denunciar e acabar piorando sua situação acadêmica: sofrer represálias dentro do grupo de pesquisa, piora do assédio ou ter dificuldade em encontrar outro professor que aceite a orientação após a denúncia.</p>



<p><strong>Eduarda Antunes Moreira</strong> <em>é farmacêutica graduada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), mestre e doutora em ciências pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), e especialista em jornalismo científico pelo Labjor-Unicamp. Atua como bolsista Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais Marinhos do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.</em></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/sofrimento-psiquico-pesquisadores-e-cientistas-ambiente-academico/">Sofrimento psíquico no ambiente acadêmico: O peso das relações e do produtivismo desenfreado</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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