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	<title>#diagnóstico | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#diagnóstico | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Câncer de mama, ciência e autonomia: por que ler “Quando a Vida Pede Coragem”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 15:39:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Historiadora transforma sua experiência com câncer em reflexão crítica sobre medicina baseada em evidências, excesso de informação e protagonismo do paciente</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDAMOS?</strong></h2>



<p>O livro <strong><em>Quando a Vida Pede Coragem – Uma jornada contra o câncer com consciência, esperança e ação</em></strong> (GM Editora, 2025), de <strong>Tamara Prior</strong>, historiadora formada pela Universidade de São Paulo (USP), com trajetória acadêmica voltada para história da saúde e história das ciências e mestrado em medicina preventiva pela Faculdade de Medicina da USP. </p>



<p>Após ser diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos, a autora passou a integrar grupos de pacientes, aprofundar-se no estudo da oncologia e dialogar ativamente com evidências científicas, desenvolvendo uma postura crítica e participativa diante das decisões terapêuticas.</p>



<p>Essa vivência, atravessada por sucessivos desafios clínicos, resultou no livro <em>Quando a Vida Pede Coragem</em>, no qual Prior articula experiência pessoal, reflexão histórica e análise científica para discutir saúde, autonomia e enfrentamento do adoecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE LIVRO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p>O livro é relevante porque procura romper dicotomias fáceis — por exemplo, entre ciência e sensibilidade, entre medicina convencional e autonomia do paciente, entre esperança e realidade concreta.</p>



<p>No prefácio, o divulgador científico Abner Santos descreve como Tamara ampliou sua “caixa de ferramentas” terapêuticas sem negar os protocolos médicos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Essa postura — nem de rejeição da medicina baseada em evidências, nem de submissão acrítica — é um dos eixos centrais da obra.</p></blockquote></figure>



<p>Trata-se, nesse sentido, de uma defesa do pensamento crítico aplicado à própria saúde.</p>



<p>Em entrevista concedida ao <strong>Science Arena</strong>, Prior enfatizou justamente a importância de “construir filtros” diante do excesso de informação na era digital.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O livro materializa essa proposta: mostra como curiosidade e criticidade, cultivadas desde sua formação em história da ciência, tornaram-se ferramentas práticas na tomada de decisões clínicas.</p></blockquote></figure>



<p>Para um público interessado nos desafios contemporâneos da produção e circulação do conhecimento, o livro oferece um estudo de caso vivo sobre autonomia informacional, protagonismo do paciente e os limites (e potencialidades) dos paradigmas científicos em contextos de alta incerteza.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-1200x1200.jpeg" alt="Mulher de cabeça raspada, usando brincos dourados e batom vermelho, olha para o horizonte com expressão serena e determinada. Ao fundo, a luz natural atravessa a vegetação verde, criando um clima acolhedor e contemplativo." class="wp-image-7840" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-1200x1200.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-800x800.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-400x400.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-768x768.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-150x150.jpeg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao.jpeg 1500w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para a historiadora Tamara Prior, que enfrentou um câncer de mama metastático, controvérsias não são defeitos: “é a própria pulsação da ciência com hipóteses testadas, refutadas e refinadas”| Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE LIVRO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Primeiro, a coragem intelectual de Tamara Prior – que não escreve como quem entrega uma narrativa de superação pronta e confortável. Ela problematiza o imaginário geralmente fatalista e romântico que cerca o câncer, discute a vergonha que atravessa pacientes e profissionais, e questiona discursos simplificadores sobre causalidade (“Tudo causa câncer ou nada causa?”).</p>



<p>Em segundo lugar, há uma integração entre experiência e pesquisa. Ao longo da obra, cada capítulo combina, de forma equilibrada, relato pessoal com análise crítica e revisão de evidências — da resposta imune adaptativa à imunonutrição — culminando em um diálogo franco “entre a ciência e a vida.”</p>



<p>“Não se trata de um manual, nem do relato de um milagre; trata-se de método, postura e responsabilidade”, disse Prior ao <strong>Science Arena</strong>.</p>



<p>“Costumamos ouvir que basta buscar o que é científico, ou seja, ‘a medicina baseada em evidências’. Mas dentro desse próprio território também existem armadilhas, interesses e até equívocos travestidos de promessas.”, alerta a autora.</p>



<p>O livro também contempla a dimensão política do cuidado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A autora ilumina as desigualdades de acesso ao diagnóstico e tratamento e aponta que a luta contra o câncer não é apenas biológica, mas também coletiva e institucional.</p></blockquote></figure>



<p>Essa consciência ecoa o que Prior afirma na entrevista: informação sem discernimento pode confundir; mas informação aliada à criticidade pode transformar decisões.</p>



<p>Trata-se de uma obra que dialoga diretamente com um tema caro à comunidade científica: como navegar entre incertezas sem abandonar o rigor?</p>



<p>Em tempos de excesso informacional e disputas de narrativa sobre saúde e ciência, <em>Quando a Vida Pede Coragem</em> é um convite a praticar algo raro — lucidez com esperança.</p>
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		<title>Diagnóstico e manejo do HIV estão ligados à renda dos países</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/diagnostico-e-manejo-do-hiv-estao-ligados-a-renda-dos-paises/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 15:56:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#Aids]]></category>
		<category><![CDATA[#desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#HIV]]></category>
		<category><![CDATA[#infectologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Médica infectologista Fernanda Fonseca, da AIDS Healthcare Foundation, comenta estudo que expõe desigualdades no acesso a diagnóstico e tratamento rápido do HIV</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/hiv.13725" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo publicado</a> no <em>HIV Medicine</em> analisou 643 serviços de tratamento do HIV em 37 países de quatro continentes e revelou disparidades significativas na disponibilidade de diagnóstico, tratamento e manejo de comorbidades em pacientes com HIV avançado.&nbsp;</p>



<p>As lacunas mais evidentes foram encontradas na África, Ásia e América Latina/Caribe, onde a baixa renda nacional bruta per capita é um fator determinante.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, a médica infectologista <strong>Fernanda Fernandes Fonseca</strong>, coordenadora da <strong>AIDS Healthcare Foundation</strong> no Brasil e coautora do estudo, discute os riscos do diagnóstico tardio, as desigualdades regionais e como essas informações podem subsidiar políticas públicas mais eficazes.</p>



<p><strong>Science Arena: Há exemplos de países que superaram desafios de recursos de forma eficiente?</strong></p>



<p><strong>Fernanda Fonseca</strong> &#8211; A única região que tem acesso adequado a esses recursos é a Europa, com maior renda per capita, e menor necessidade desses recursos, dada a menor prevalência de pessoas com HIV avançado/AIDS e apresentadores tardios. As possíveis recomendações para atenuar esses desafios incluem a implementação de programas direcionados (inclusive aqueles apoiados por recursos externos) para populações carentes, incluindo a capacitação local. Além disso, entender e fechar as lacunas que restringem o atendimento médico para essa população pode ajudar a reduzir a carga geral de HIV e AIDS.</p>



<p><strong>Quais são as principais consequências para pacientes que não têm acesso a testes diagnósticos e tratamentos rápidos, como contagem de células CD4 e profilaxia de infecções oportunistas?</strong></p>



<p>As pessoas recém-diagnosticadas com HIV em estágios avançados/AIDS/apresentadores tardios têm maior risco de resultados clínicos desfavoráveis do que as pessoas diagnosticadas com HIV em estágios anteriores. Nos países de baixo e médio rendimento, os estudos sugerem que 30% a 40% das pessoas com HIV que iniciam o tratamento antirretroviral têm HIV avançado/AIDS. É fundamental que todas as pessoas que iniciem ou retomem o cuidado ao HIV tenham acesso à sua contagem basal de CD4. Dessa forma, serão identificadas aquelas que apresentam contagem de CD4 mais baixa, e que irão se beneficiar de recursos adequados para prevenir e/ou tratar doenças oportunistas nos primeiros meses de tratamento antirretroviral, antes do estabelecimento da recuperação imunológica. O cuidado adequado pode atenuar a morbidade e a mortalidade associadas ao HIV avançado/AIDS.</p>



<p><strong>Como o estigma, a discriminação e a falta de conscientização influenciam as altas taxas de diagnóstico tardio?</strong></p>



<p>Estudos científicos sugerem que os fatores associados com a apresentação tardia incluem justamente idade mais avançada, gênero masculino, etnia latina, orientação heterossexual, status de migrante, menor escolaridade, maior estigma externalizado e acesso limitado ao teste de HIV.</p>



<p><strong>Como os resultados desse estudo podem ser utilizados para influenciar políticas públicas e resultar em uma melhor alocação de recursos em saúde?</strong></p>



<p>Compreender e investigar em políticas públicas que mitiguem as lacunas que limitam os cuidados em saúde para as pessoas vivendo com HIV que estão chegando mais tardiamente ao cuidado pelos inúmeros desafios pessoais, comunitários e estruturais que enfrentam, ajudará a atenuar os impactos negativos da epidemia global do HIV/AIDS. Os resultados dessa análise foram usados para projetar e implementar estratégias para melhorar os serviços dentro das instalações apoiadas pela AHF, incluindo a disponibilidade ampliada de testes rápidos de HIV, insumos para execução de CD4 basal para as pessoas que iniciem ou retornem ao tratamento, além de alocação de recursos para prevenção e tratamento de infecções oportunistas e educação continuada para o manejo clínico de pessoas com HIV avançado/AIDS Por fim, nossas descobertas podem ser usadas para informar futuras políticas de saúde pública e outros programas de melhoria da qualidade voltados para o atendimento abrangente ao HIV.</p>



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                <h3>Disponibilidade de recursos está ligada à renda nacional:</h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• Contagem de células CD4:</strong> Disponível em 54% dos serviços em países de baixa renda, 50% em países de renda média-baixa, 66% em países de renda média-alta e 100% em países de alta renda.</span></p>
<p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• Exame de carga viral no local</strong>: Presente em 60%, 49%, 67% e 100%, respectivamente.</span></p>
<p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• Genotipagem para falhas de tratamento:</strong> Disponível em 15%, 17%, 63% e 100%, respectivamente.</span></p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Nas regiões mais afetadas:</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>•</strong> Na <strong>América Latina</strong>, o exame BAAR, essencial para diagnosticar tuberculose, está disponível em apenas 67% dos serviços.</span></p>
<p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• </strong>Na <strong>África</strong>, apenas 24% dos serviços oferecem radiografia de tórax, crucial para manejar tuberculose.</span></p>
<p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• </strong>O <strong>manejo de hipertensão intracraniana</strong> com punção lombar é realizado em apenas 18% dos serviços na África, 56% na Ásia e 38% na América Latina.</span></p>
<p class="selectable-text copyable-text x15bjb6t x1n2onr6"><span class="selectable-text copyable-text xkrh14z"><strong>• </strong>A <strong>fundoscopia</strong> para diagnóstico de citomegalovírus não está disponível em mais da metade dos serviços nessas regiões.</span></p>
            </dd>
        </div>

        
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		<title>Um livro-chave para entender o coma</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/neurologia-plum-posner-coma-alteracoes-consciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Mar 2025 13:43:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#coma]]></category>
		<category><![CDATA[#consciência]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[#neuroimagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Obra se tornou referência na neurologia ao esmiuçar mecanismos subjacentes ao coma e outras desordens da consciência</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>O QUE RECOMENDO?</strong></h2>



<p>A quinta edição do livro <a href="https://academic.oup.com/book/29503" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Plum and Posner&#8217;s Diagnosis and Treatment of Stupor and Coma</em></a> (Oxford University Press, 2019), publicado por Jerome B. Posner, Clifford B. Saper, Nicholas D. Schiff e Jan Claassen. A primeira edição foi publicada em 1966.<br></p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>POR QUE ESTE LIVRO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p><em>Plum and Posner&#8217;s Diagnosis and Treatment of Stupor and Coma</em> é uma obra clássica e <strong>referência fundamental na neurologia</strong>, especialmente no campo da neurociência crítica e da neurologia de emergência.&nbsp;</p>



<p>O livro oferece uma abordagem abrangente e sistemática para a avaliação e manejo de <strong>pacientes com desordens da consciência</strong>, combinando uma sólida base fisiopatológica com orientações clínicas práticas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Uma das maiores contribuições desta obra é sua abordagem detalhada dos <strong>mecanismos neurológicos subjacentes ao coma</strong> e outras desordens da consciência, permitindo ao leitor compreender as bases anatômicas e funcionais desses estados.</p></blockquote></figure>



<p>Além disso, o livro apresenta <strong>estratégias diagnósticas estruturadas</strong>, enfatizando o uso racional de exames complementares para diferenciar entre as múltiplas etiologias do comprometimento da consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>O QUE FAZ DESTA OBRA UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>O que torna <em>Plum and Posner&#8217;s Diagnosis and Treatment of Stupor and Coma</em> uma leitura imperdível é sua riqueza de detalhes na abordagem do rebaixamento do nível de consciência, algo essencial para neurologistas, intensivistas e pesquisadores da área.</p>



<p>O livro apresenta uma estrutura lógica e bem organizada, permitindo compreender desde os <strong>fundamentos fisiopatológicos</strong> até <strong>estratégias diagnósticas e terapêuticas</strong>.</p>



<p>O que mais me encantou na obra foi a forma como ela integra conhecimento clássico e avanços recentes, oferecendo não apenas uma <strong>base teórica sólida</strong>, mas também insights práticos para a avaliação neurológica de pacientes críticos.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a clareza com que são explicados os mecanismos subjacentes ao coma ajuda a interpretar <strong>exames clínicos</strong> e <strong>neuroimagem</strong> de forma mais criteriosa.&nbsp;</p>



<p>Se você deseja aprimorar seu entendimento sobre <strong>estupor e coma</strong>, essa obra é essencial. Ela não apenas fornece um guia confiável para a prática clínica, mas também <strong>desafia o leitor a pensar criticamente</strong> sobre diagnósticos diferenciais e abordagens terapêuticas.</p>



<p>Para pesquisadores e clínicos que atuam na neurologia, medicina intensiva e neurociências, esta leitura é essencial, pois fornece insights fundamentais para a tomada de decisões clínicas e o avanço do conhecimento científico na área.</p>



<p><br></p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div><p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/neurologia-plum-posner-coma-alteracoes-consciencia/">Um livro-chave para entender o coma</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Covid longa: um marco para diagnóstico e tratamento</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 14:52:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#covid longa]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Comitê de especialistas dos EUA propõe definição para melhorar o diagnóstico e o tratamento dessa condição, que afeta milhões no mundo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um comitê de pesquisadores nomeado pela <a href="https://www.nationalacademies.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos</a> publicou uma <strong>definição completa da covid longa</strong>, que afeta 7% dos adultos e 1% das crianças apenas naquele país.&nbsp;</p>



<p>O estudo, encomendado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano, <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsb2408466" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi <strong>publicado</strong> no <em>New England Journal of Medicine</em></a> em 2024.</p>



<p>O objetivo era desenvolver uma definição aprimorada, que levasse em conta as necessidades dos pacientes, assim como as visões e a compreensão de uma gama de especialistas.&nbsp;</p>



<p>Além da revisão da literatura existente, foram realizados grupos focais, entrevistas e comentários colhidos de um portal criado para isso, além de encontros presenciais, incluindo um simpósio de dois dias.&nbsp;</p>



<p>Mais de 1,3 mil pessoas participaram das atividades, incluindo pacientes, cuidadores, profissionais de saúde, pesquisadores e especialistas em políticas públicas.</p>



<p>Embora ainda seja percebida com <strong>uma infecção aguda</strong> – que matou cerca de sete milhões de pessoas no mundo, 10% disso apenas no Brasil – o vírus Sars-CoV-2 deixou milhões de pessoas com uma <strong>variedade de condições crônicas</strong>, sistêmicas e, muitas vezes, incapacitantes.&nbsp;</p>



<p>A condição, que propositadamente não foi chamada de síndrome na definição por falta de evidências, afeta cerca de 60 milhões de pessoas globalmente.</p>



<p>“Como membros do comitê e líderes do grupo que produziu a definição, podemos atestar que o processo inspirou descoberta e uma valorização profunda pela realidade e severidade dessa condição”, escrevem os autores.</p>



<p>Um deles, E. Wesley Ely, do Vanderbilt University Medical Center, admite inclusive ter sido cético no começo. Tendo trabalhado com pacientes severamente debilitados em unidades de terapia intensiva e pesquisado suas trajetórias de vida por 25 anos, ele conta que a miríade de sinais e sintomas relatados pelos pacientes com covid longa poderiam ser consequência da chamada <strong>síndrome pós-terapia intensiva</strong> (SPTI), como problemas cognitivos, doença neuromuscular, depressão e fadiga intensa.</p>



<p>A hipótese caiu por terra quando os sintomas começaram a ser relatados por dezenas de milhares de pacientes da primeira onda da pandemia, a maioria sem nunca ter sido internada durante a fase aguda da <strong>infecção pelo Sars-CoV-2</strong> e que teve apenas sintomas leves.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Grupos de pacientes se reuniram nas redes sociais e rapidamente se estabeleceram como <strong>cientistas cidadãos</strong>, cunhando o termo covid longa”, relatam os cientistas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Múltiplas manifestações</mark></strong></h2>



<p>De acordo com o documento, a covid longa “<em>é uma condição crônica associada à infecção que ocorre após o contágio pelo Sars-CoV-2, presente por pelo menos três meses como uma doença contínua, remitente e recorrente ou estado de doença progressivo que afeta um ou mais órgãos</em>”.</p>



<p>As <strong>manifestações são múltiplas</strong>, com possíveis centenas de sinais, sintomas e condições diagnosticáveis.&nbsp;</p>



<p>Qualquer órgão pode estar envolvido e os pacientes podem ter desde falta de ar, tosse e fadiga persistente, a dificuldades em se concentrar, dores de cabeça recorrentes, enxaquecas, taquicardia, problemas de sono, falta de paladar e olfato, constipação e diarreia.</p>



<p>As condições podem incluir ainda doença pulmonar intersticial, cardiovascular, renal, fibromialgia, diabetes e desordens autoimunes como lúpus, artrite reumatoide e síndrome de Sjögren.&nbsp;</p>



<p>Problemas cognitivos, distúrbios de humor, ansiedade e diabetes são outras ocorrências apuradas pelos pesquisadores.</p>



<p>A covid longa pode suceder tanto casos leves e severos de infecção pelo Sars-CoV-2 quanto assintomáticos.&nbsp;</p>



<p>Pode, ainda, tanto ser contínua à fase aguda da doença como aparecer semanas ou meses após o que pareceu ser a recuperação completa da infecção aguda.</p>



<p>Afeta crianças e adultos, a despeito da saúde, deficiência ou condição socioeconômica, sexo, orientação sexual, raça, grupo étnico ou localização geográfica. Pode exacerbar condições de saúde preexistentes ou apresentar novas condições.&nbsp;</p>



<p>A covid longa também pode variar de leve a severa, ser resolvida num período de meses ou persistir por meses ou anos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O diagnóstico é feito de forma clínica: não existem biomarcadores conclusivos que determinem a condição.</p></blockquote></figure>



<p>O artigo ainda ressalta que a covid longa pode prejudicar a capacidade do paciente de trabalhar, frequentar a escola, cuidar da família e cuidar de si próprio, resultando em profundos efeitos físicos e emocionais tanto no paciente, como em familiares e cuidadores.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores recomendam revisar a definição em três anos (por volta de 2027), com base no conhecimento científico a ser produzido. Argumentam ainda que a ideia da definição é facilitar a comunicação entre pacientes e membros da família e clínicos.&nbsp;</p>



<p>“Uma definição padronizada deve permitir um melhor rastreamento da carga da covid longa e facilitar o desenho e a condução de estudos clínicos robustos que produzam melhores tratamentos para essa e outras condições crônicas associadas a infecções”, afirmam os autores.</p>



<p>“Acima de tudo, esperamos que essa definição contribua para o cuidado compassivo e efetivo de todos os pacientes diagnosticados com essa condição.”</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/">Covid longa: um marco para diagnóstico e tratamento</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Dec 2024 16:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[#gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bióloga lidera pesquisa que busca desenvolver método simples e menos invasivo para diagnosticar a doença que acomete sua mãe</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/">Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há três anos, Maria Ivone Valentini Cominetti foi diagnosticada com a <strong>doença de Alzheimer</strong>. “Ela começou com os sintomas típicos de <strong>perda de memória</strong>”, comenta Márcia Cominetti, 49, filha de Maria Ivone. A bióloga é especialista em Alzheimer e coordena o Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior paulista.</p>



<p>“Não sei se foi destino ou coincidência”, diz Cominetti sobre o surgimento da doença da mãe. “Não sei se é bom saber tudo o que pode acontecer com ela, ou se a ignorância seria melhor nesse caso, mas cada pessoa com demência é uma. <strong>A progressão depende de muitos fatores</strong>”, afirma.</p>



<p>No caso de Maria Ivone, ela continua ótima, animada e feliz, segundo a filha. &#8220;Ela está ciente de tudo, tem suas opiniões e se mantém ativa desde o diagnóstico. A doença está progredindo lentamente no caso dela&#8221;, conta.</p>



<p>Entre as investigações mais recentes de Cominetti está a busca por um <strong>método mais certeiro no diagnóstico de Alzheimer</strong>, algo que seja tão simples quanto um exame de sangue.</p>



<p>Atualmente, o Alzheimer é diagnosticado por meio de <strong>questionários sobre cognição e memória</strong>. Se o paciente não atingir uma pontuação esperada para sua idade e escolaridade, o médico pode pedir exames bioquímicos para avaliar se há deficiências nutricionais causando algum tipo de demência, ou exames de imagem, como uma ressonância magnética ou uma tomografia, que podem ajudar a confirmar o diagnóstico.</p>



<p>Outro exame que pode ajudar na detecção é o de <strong>punção lombar</strong>, um tipo de procedimento de coleta de uma amostra de <strong>líquido cefalorraquidiano</strong> (que circula pelo sistema nervoso central).</p>



<p>“Os exames de imagem são caros e nem todo lugar tem os aparelhos”, explica a pesquisadora. “Já a punção lombar é um <strong>exame invasivo</strong> que pode trazer dores e efeitos colaterais, especialmente em pessoas idosas que podem ter outras comorbidades, e os questionários não são suficientes para fechar o diagnóstico.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A possibilidade de um exame de sangue é importante para desenvolver uma maneira mais barata, menos invasiva e mais precisa de diagnosticar o Alzheimer”, diz Cominetti.</p></blockquote></figure>



<p>Em casos de suspeita de Alzheimer, a ideia é que sejam rastreadas <strong>proteínas específicas </strong>relacionadas à doença diretamente no sangue. Há algum tempo as <strong>proteínas tau e beta-amiloide</strong> são relacionadas ao diagnóstico e buscadas por neurologistas em exames de ressonância magnética.</p>



<p>No sangue, elas ficam muito diluídas para serem encontradas, mas <strong>uma terceira proteína pode fornecer pistas importantes</strong>, a chamada <strong>ADAM10</strong>, que impede a formação da beta-amiloide.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg" alt="Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5175" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-600x800.jpg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-300x400.jpg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-768x1024.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1152x1536.jpg 1152w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1536x2048.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-113x150.jpg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>Em altas dosagens no plasma de indivíduos com Alzheimer, pode indicar que ela não está atuando no cérebro e, portanto, facilitando a progressão da doença.</p>



<p>&#8220;Até alguns anos atrás, não existia um equipamento sensível o suficiente para encontrar esses biomarcadores pelo sangue, era só pelo líquor que circula pelo cérebro”, diz Cominetti. </p>



<p>“Agora, porém, existem aparelhos ultrassensíveis que possibilitam exames muito menos invasivos”, comemora a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Validação de biomarcador</mark></strong></h2>



<p>Desde 2017, cientistas do LABEN, sob liderança de Cominetti, têm investigado a ADAM10 e buscado validá-la como <strong>biomarcador do sangue para diagnosticar o Alzheimer</strong>. A pesquisa está na fase de testes com <strong>voluntários acima de 60 anos</strong>.</p>



<p>“Tomamos muito <strong>cuidado na abordagem</strong> com essas pessoas porque, por incrível que pareça, depois dos últimos anos de governo, elas se assustam quando se fala de participar de pesquisa, <strong>se sentem como cobaias</strong>”, conta a bióloga.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="900" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg" alt="Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5178" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-800x600.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-400x300.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-768x576.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-150x113.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>“Então explicamos que vamos fazer uma avaliação de saúde e que estamos trabalhando na busca por um diagnóstico precoce do Alzheimer”, diz.</p>



<p>O segredo, diz Cominetti, é ter sensibilidade e empatia em relação aos voluntários. “Existem formas de conversar com uma pessoa idosa. É preciso ter cuidado, paciência e estudar as melhores estratégias”, aconselha Marcia Cominetti, da UFSCar.</p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-background-color has-background has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Mais informações sobre o Alzheimer</mark></strong></p>



<p><em><strong>Clique nos tópicos abaixo para saber mais:</strong></em></p>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Quantas pessoas vivem com Alzheimer no mundo?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Em todo o mundo, o número chega a 50 milhões de pessoas que vivem com a doença. De acordo com estimativas da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span>, os números podem chegar a 74,7 milhões em 2030, e 131,5 milhões em 2050, em decorrência do envelhecimento da população. A <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.paho.org/en/campaigns/time-to-act-on-dementia" target="_blank" rel="noopener">Organização Pan-americana da Saúde</a></span> (Opas) estima que 10,3 milhões de pessoas vivem com essa doença na região das Américas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>A doença pode ser desacelerada ou até prevenida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Um <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">estudo publicado em agosto na revista <em>The Lancet</em></a> </span>calcula que até 45% de todas as demências poderiam ser retardadas, desaceleradas ou até prevenidas. Lembrando que o Alzheimer é a forma mais comum de demência nos seres humanos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que fazer para reduzir o risco da doença ao longo da vida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">trabalho publicado</a></span> na <em>The Lancet </em>traz recomendações específicas para reduzir o risco de Alzheimer e demências em geral. Muitas delas exigem esforços coletivos e a elaboração de políticas públicas. Algumas medidas são:</p>
<ul>
<li>Garantir educação de boa qualidade para todos e incentivar atividades cognitivamente estimulantes na meia-idade;</li>
<li>Tratar a depressão de forma eficaz;</li>
<li>Incentivar a prática de exercícios físicos;</li>
<li>Reduzir o tabagismo por meio de educação, controle de preços e prevenção do fumo em locais públicos;</li>
<li>Detectar e tratar a elevação do colesterol de baixa densidade (LDL), conhecido como “colesterol ruim”;</li>
<li>Reduzir o alto consumo de álcool por meio do controle de preços e maior conscientização da população sobre os níveis e riscos do consumo excessivo;</li>
<li>Reduzir a exposição à poluição do ar;</li>
<li><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><span style="text-decoration: underline">Entre outras recomendações</span></a>.</li>
</ul>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Por que não podemos mais falar em “mal” de Alzheimer?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com a <span style="text-decoration: underline"><a href="https://febraz.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Federação Brasileira de Associações de Alzheimer</a></span> (Febraz) – que coordena no Brasil a campanha <span style="text-decoration: underline"><a href="https://setembrolilas.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Setembro Lilás – Mês Mundial de Conscientização sobre Alzheimer</a></span> –, o Alzheimer não é um mal, mas uma doença como outras. A entidade recomenda substituir termos como “mal de Alzheimer” e “portadores da doença de Alzheimer” por “pessoas que vivem com Alzheimer”.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que se sabe sobre o estigma associado à doença?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com o <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/u/World-Alzheimer-Report-2024.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório Mundial de Alzheimer de 2024</a></span>, 88% das pessoas que vivem com demência relatam sofrer discriminação.</p>
<p>O relatório é apoiado por uma pesquisa global com mais de 40.000 indivíduos em 166 países.</p>
<p>O estudo indica que a falta de conhecimento também é presente entre profissionais da saúde: 65% deles acreditam incorretamente que o Alzheimer e demências em geral são uma parte ‘normal do envelhecimento’.</p>
<p>Além disso, mais de um quarto das pessoas no mundo todo acredita incorretamente que não há nada que possamos fazer para prevenir a demência, com esse número aumentando de 20%, em 2019, para 37% em 2024 em países de baixa e média renda.</p>
<p>O relatório da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span> alerta que a falta de compreensão sobre a doença pode atrasar o diagnóstico e o acesso ao tratamento.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<p>Para Cominetti, é surpreendente como algumas pessoas que têm a confirmação da doença em estágio inicial mantêm uma vida ativa. “Elas sabem que têm o diagnóstico e vão contornando; se esquecem uma palavra, usam outra parecida”, conta a pesquisadora.</p>



<p>“É bonito ver como as pessoas lidam com a demência sabendo que a têm, como encontram estratégias para continuar vivendo o mais ativamente possível e o melhor que puderem.”</p>



<p>No começo da doença, os pacientes são hábeis para dar opiniões e tomar decisões, “Acham que quando a pessoa tem demência, é o fim, mas não. A pessoa ainda tem opiniões e sentimentos. O que acontece é que, na fase mais grave, fica difícil de interpretar os sinais que ela dá sobre isso”, afirma a bióloga.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Uma trajetória moldada pela ciência</mark></strong></h2>



<p>Cominetti é fascinada pelo <strong>estudo do envelhecimento</strong>, mas nem sempre foi assim. No início de sua carreira, logo após sua formatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1998, trabalhou com biologia celular em um projeto com camarões.</p>



<p>No doutorado, já na UFSCar, a catarinense estudou <strong>serpentes venenosas</strong>. “Existem várias moléculas no veneno das serpentes que produzem hemorragias e inibem a proliferação de algumas células, o que tem relação com o <strong>câncer</strong>, que nada mais é do que uma proliferação descontrolada de células em diferentes tecidos”, conta.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg" alt="Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5180" style="aspect-ratio:3/2;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-600x800.jpeg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-300x400.jpeg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-768x1024.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-113x150.jpeg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae.jpeg 960w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>A pesquisa sobre a função dessas <strong>moléculas em casos de câncer</strong> a levou a viver por um ano em Paris, na França, onde enfrentou dificuldade com o idioma, mas viveu uma experiência marcante – assim como na Irlanda, onde dominou mais facilmente o inglês e fez parte do <a href="https://www.gbhi.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Global Brain Health Institute</a> (GBHI) na Trinity College.</p>



<p>De volta ao Brasil em 2006, continuou a pesquisa com uma bolsa de pós-doutorado por cerca de três anos, até passar em um concurso para lecionar no curso recém-inaugurado de gerontologia na UFSCar.</p>



<p>“Acho que ninguém sabia direito o que era isso”, brinca.</p>



<p>Com a missão de ensinar disciplinas básicas sobre o envelhecimento, Cominetti precisou também estudar. “Como bióloga, eu entendia as bases do envelhecimento, mas tive que aprender muita coisa que estava fora da minha rotina”, relembra.</p>



<p>E quando ela começou a entender mais sobre envelhecimento, apaixonou-se. “Acho que a gente não faz o caminho, mas o caminho vai fazendo a gente, nos moldando.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Prestes a completar 50 anos e com quase 25 de conhecimento acumulado sobre biologia, células, proteínas e envelhecimento, Cominetti espera conseguir preparar sua família para o que está por vir com o avanço do Alzheimer de Maria Ivone, sua mãe.</p></blockquote></figure>



<p>“Faço com ela tudo o que falo nos meus cursos que deve ser feito: <strong>atividade física</strong>, <strong>estimulação cognitiva</strong> – levei materiais de estimulação cognitiva que usamos no laboratório para ela – e digo para ela continuar indo ao supermercado”, diz a pesquisadora, que mora longe da mãe, mas se faz presente e divide o trabalho do cuidado com sua irmã.</p>



<p>“Acho que facilita as coisas, porque eu sei os próximos passos, mas também fica mais difícil porque eu sei”, reflete.</p>
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		<title>Protocolo de telemedicina diminui prescrições desnecessárias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Sep 2024 13:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#assistência]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#Doenças Infecciosas]]></category>
		<category><![CDATA[#telemedicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo mostra que, adotando-se diretrizes de atendimento, foi possível reduzir a indicação de antibióticos e antimicrobianos a pacientes com covid-19</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em abril de 2020, a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (<a href="https://www.idsociety.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">IDSA</a>) publicou suas diretrizes para o <strong>atendimento por telemedicina de casos suspeitos de covid-19</strong>. As recomendações foram imediatamente adotadas pelo Centro de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, com sede em São Paulo.</p>



<p><a href="https://journal.einstein.br/wp-content/plugins/xml-to-html/include/lens/index.php?xml=2317-6385-eins-22-eAO0707.xml&amp;lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em um estudo publicado</a> na revista <a href="https://journal.einstein.br/pt-br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Einstein (São Paulo)</em></a>, pesquisadores da organização analisaram todos os atendimentos ocorridos entre março daquele ano e agosto de 2021 para <strong>avaliar a adoção do protocolo</strong> e a <strong>aderência às diretrizes internacionais</strong>.</p>



<p>Enquanto no mundo todo a prescrição de drogas desnecessárias, principalmente antimicrobianos, passa de 75% para pacientes com suspeita ou confirmação de covid-19 atendidos por telemedicina, no período analisado na instituição brasileira, esse número foi menor que 1%.</p>



<p>“A qualidade do cuidado e da segurança para pacientes com suspeita de infecção respiratória atendidos por telemedicina estão intimamente ligadas a baixas taxas de prescrição de medicações injustificadas e de alto risco”, escrevem os autores.</p>



<p>Para chegar aos resultados, <strong>foram analisados registros médicos</strong> levando em conta diversos indicadores de qualidade. Com base nas métricas de cada médico, era dado um retorno com recomendações baseadas nas diretrizes da IDSA.</p>



<p>O estudo incluiu todos os adultos atendidos com sintomas respiratórios nos 14 dias anteriores que buscaram atendimento por telemedicina no período. Os pacientes tinham suspeita ou confirmação de covid-19 ou outras infecções das vias respiratórias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Prescrições de antibióticos reduzidas</mark></strong></h2>



<p>Dos <strong>221.128 pacientes avaliados</strong>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>42.042 (19%) tiveram confirmação de infecção pelo Sars-CoV-2;</li>



<li>104.021 (47%) tinham suspeita da doença;</li>



<li>75.065 (33%) receberam outros diagnósticos.</li>
</ul>



<p>A idade média dos atendidos foi de 35 anos. No total:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>125.107 (85%) dos pacientes foram tratados em casa;</li>



<li>2.552 (1,7%) foram encaminhados para uma reavaliação sem urgência no hospital;</li>



<li>17.185 (11%) foram encaminhados para a emergência.</li>
</ul>



<p>A taxa de prescrição de antibióticos em casos confirmados ou suspeitos foi de 0,46% a 0,65%, e de prescrições sem evidência científica foi entre 0,01% e 0,005%.</p>



<p>O estudo conclui que o <strong>treinamento baseado em diretrizes</strong> e o retorno dos supervisores aos médicos sobre as consultas pode levar a <strong>menos prescrições de antibióticos e antimicrobianos</strong> quando se trata de suspeita ou diagnóstico confirmado de covid-19. “A adoção de protocolos voltados à prescrição pode melhorar a aderência a diretrizes e reforçar a qualidade do cuidado, além da segurança nos atendimentos por telemedicina”, concluem os autores.</p>
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		<title>Inteligência artificial pode aumentar precisão do diagnóstico de TEA</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/inteligencia-artificial-pode-aumentar-precisao-do-diagnostico-de-tea/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2024 18:15:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#autismo]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#ressonância magnética]]></category>
		<category><![CDATA[#TDAH]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Algoritmo em desenvolvimento que associa alterações cerebrais tem potencial de tornar mais preciso o diagnóstico de autismo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma equipe de matemáticos, físicos, médicos e neurocientistas do Brasil e da Alemanha desenvolveu um algoritmo capaz de estimar o risco de transtorno do espectro autista (TEA) com base no mapa das redes neurais de uma pessoa, elaborado a partir de imagens de Ressonância Magnética Funcional (fMRI).</p>



<p>No estudo, que avaliou apenas casos classificados como &#8220;mais graves&#8221;, o diagnóstico do algoritmo teve uma precisão de 99%, segundo <a href="https://doi.org/10.1038/s41598-023-34650-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado na revista <em>Scientific Reports</em></a>. A ferramenta, ainda em desenvolvimento, não deverá substituir o exame clínico, mas fornecer dados que podem ajudar equipes multidisciplinares a fazer o diagnóstico.</p>



<p>O TEA é uma condição no desenvolvimento neurológico diagnosticada de acordo com o nível de necessidade de suporte que cada paciente necessita. A escala vai de 1 a 3, e aumenta conforme a pessoa precisa de ajuda para realizar tarefas do dia a dia. </p>



<p>Desde a publicação do manual de diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana de 2013, o DSM-5, e da 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022, os especialistas têm preferido usar essa escala em vez de classificar os casos como leves, moderados ou graves. Os dados usados pelos pesquisadores precedem essa mudança, por isso, a terminologia usada ainda reflete a classificação anterior dos casos de TEA.</p>



<p>“Uma das principais vantagens do algoritmo será prevenir erros de diagnóstico [evitando a confusão do] autismo com transtornos de sintomas semelhantes, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno opositivo desafiador (TOD) e transtorno de ansiedade social (TAS)”, explicou ao <strong>Science Arena</strong> o físico Francisco Aparecido Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP). </p>



<p>O diagnóstico do transtorno do espectro autista é baseado em uma avaliação subjetiva e não há um exame que forneça um resultado preciso.</p>



<p>O algoritmo foi desenvolvido com dados de 500 pacientes de 7 a 64 anos de idade, extraídos da iniciativa <em><a href="https://fcon_1000.projects.nitrc.org/indi/abide/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Autism Brain Imaging Data Exchange</a></em>&nbsp;(Abide), uma base de dados aberta para compartilhamento de imagens de fMRI e outras informações de pacientes com casos de autismo considerados mais severos. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O primeiro passo foi transformar as imagens — que destacam as regiões do cérebro com maior atividade ao longo do tempo — em mapas de rede neural.</p></blockquote></figure>



<p>Para fazer isso, os pesquisadores selecionaram 122 regiões do cérebro. Quando a imagem de fMRI mostrava que duas dessas regiões tinham picos de atividade no mesmo instante, os investigadores inferiam que esses dois pontos estava se comunicando entre si. Dessa forma, todos os pontos foram conectados, formando uma rede complexa, assim como uma malha viária ou a internet.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alimentando o algoritmo</strong></h2>



<p>Em seguida, os pesquisadores alimentaram o algoritmo com os mapas — 242 de pessoas com TEA e 258 sem o diagnóstico — que, automaticamente, procurou padrões que identificassem o cérebro da pessoa com autismo — processo conhecido como aprendizado de máquina. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Depois do treino inicial, testamos o algoritmo com dados de pacientes que não foram usados no treino, e ele acertou o diagnóstico na maioria dos casos”, relata a física Caroline Lourenço Alves, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>“A rede neuronal do autista têm um padrão de conexões diferente de pessoas sem autismo”, explica a neurologista Patricia Maria de Carvalho Aguiar, pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein.</p>



<p>De acordo com ela, algumas áreas são hiperconectadas e outras têm conexões mais fracas, alterando o fluxo de informações. Aguiar ajudou a interpretar as imagens fMRI que eram analisadas pelo algoritmo, avaliando se o diagnóstico era compatível com as alterações observadas na imagem.</p>



<p>“O principal diferencial da ferramenta é que ela explica o resultado, indicando as alterações das redes neuronais que serviram de base para o diagnóstico”, ressalta o cientista da computação João Paulo Papa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que não participou do estudo. </p>



<p>Segundo ele, a maioria das ferramentas de inteligência artificial funciona como &#8220;caixa preta&#8221;, fornecendo o resultado sem nenhuma explicação de como ele foi obtido. “O resultado sem a justificativa tem pouco valor clínico”, observa Papa.</p>



<p>De acordo com dados apresentados no artigo, algumas das principais conexões alteradas da amostra envolviam o cerebelo, região posterior do encéfalo responsável pelo controle motor. Os pesquisadores notaram, por exemplo, uma conexão mais fraca entre essa região e o córtex visual, que processa a visão, e entre ela e o sistema límbico, envolvido na resposta emocional e controle do comportamento. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Sabemos hoje que o cerebelo tem papel importante na cognição e no processamento visual, muitas vezes afetados no autismo”, explica Patricia Aguiar, do Einstein.</p></blockquote></figure>



<p>Alterações no córtex pré-frontal, típicas do autismo, que afetam as funções executivas, como organização e planejamento, não aparecerem na amostra. “Isso pode ter acontecido porque os casos de autismo eram graves e muito variados, com diferentes comorbidades”, diz Aguiar. </p>



<p>Na avaliação da pesquisadora, seria importante repetir o estudo com pacientes sem comorbidades, para entender melhor como essas regiões afetam o autismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ajuda ao diagnóstico</strong></h2>



<p>A neurologista do Einstein não acredita que esse tipo de ferramenta vá substituir a avaliação clínica, segundo ela mais refinada do que os modelos matemáticos. “Mas os modelos da rede neural poderiam ajudar a entender o fluxo de informações do cérebro autista, servindo como base para terapias que ajudem a modificar esse fluxo”, diz Aguiar.</p>



<p>A principal limitação da ferramenta é que ela não foi testada em casos &#8220;mais leves&#8221;, que geralmente são os mais difíceis de diagnosticar. “Ainda precisamos testar o algoritmo em populações maiores e de regiões diversas, incluindo casos leves,”, diz Aguiar.</p>



<p>O algoritmo pode ser rodado em computadores comuns: basta instalar o programa e fornecer as imagens de fMRI. No entanto, a coleta de dados pode ser mais difícil. </p>



<p>“Os dados obtidos por fMRI são muito sensíveis. Se a pessoa se mexer, isso pode afetar completamente o resultado do exame&#8221;, pontua Francisco Rodrigues, da USP. &#8220;A pessoa precisa ficar absolutamente parada, em um ambiente sem barulho ou movimentos.&#8221; </p>



<p>O pesquisador ressalta que ainda levará vários anos para aperfeiçoar a técnica de coleta de dados.</p>
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