<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>#fake news | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
	<atom:link href="https://www.sciencearena.org/tag/fake-news/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link></link>
	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Jun 2025 05:26:37 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.1</generator>

<image>
	<url>https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/06/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>#fake news | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
	<link></link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Verdade científica: a jornada em busca de consensos </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 16:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#consenso científico]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#filosofia da ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4789</guid>

					<description><![CDATA[<p>Explicar que fatos científicos não “caem do céu”, mas que são fruto de uma complexa construção do conhecimento, precisa ser parte do combate ao negacionismo, avaliam pesquisadores</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/">Verdade científica: a jornada em busca de consensos </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na Grécia Antiga, o oráculo de Delfos jamais respondia duas vezes à mesma pergunta. Logo, nunca precisou mudar de ideia. Cientistas, por sua vez, questionam-se — e são questionados — quase todos os dias. E suas explicações sobre a natureza tendem a mudar à medida que coletam e analisam novos dados e incorporam novas observações e evidências às suas pesquisas. A <strong>verdade científica</strong> <strong>não é absoluta</strong>, mas temporária e incompleta. Mais como o rio fluindo de Heráclito do que as formas eternas de Platão.</p>



<p>Esse e outros princípios básicos do <strong>fazer científico</strong> pareciam bem acomodados. Nos últimos anos, porém, foram sequestrados por grupos organizados e indivíduos com crenças ou interesses políticos ou econômicos contrariados, ou simplesmente baixo letramento, para disseminar <strong>informações falsas</strong> — ou intencionalmente distorcidas — e teorias da conspiração.</p>



<p>O objetivo? Atacar e <strong>desqualificar a ciência</strong>, e espalhar desconfiança e desprezo pelo pensamento científico, opondo-se a evidências e consensos em tópicos como <strong>mudanças climáticas</strong> e <strong>teoria da evolução</strong>.</p>



<p>Esse fenômeno ganhou força na <strong>pandemia</strong>, com o avanço de <strong>movimentos antivacina</strong> nas plataformas digitais e a institucionalização de <strong>governos negacionistas em vários países</strong>, entre eles o Brasil. Para alguns estudiosos, esses movimentos tendem a ganhar força em <strong>sociedades polarizadas</strong> e que desconhecem o que é a ciência e como ela funciona.</p>



<p>&#8220;É importante deixar claro que a ciência não é uma prateleira de resultados prontos e produtos mágicos&#8221;, comenta Alexandre Meyer Luz, professor de Teoria do Conhecimento do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).</p>



<p>Ele explica que <strong>a ciência é um processo lento e complexo</strong>, e o que está bem estabelecido em uma época pode se revelar provisório em outra, podendo ser derrubado ou reformulado à luz de novas observações.</p>



<p>A ciência moderna pode ser compreendida como um conjunto de métodos que nos permite identificar padrões por trás de fenômenos naturais, sociais e comportamentais, e descrevê-los por meio de leis gerais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O interesse humano em descrever, explicar, prever e intervir no mundo é tão antigo quanto a própria humanidade.</p></blockquote></figure>



<p>Há muito buscamos entender a natureza e usar esse conhecimento para promover nossos interesses: navegar pelos mares, domesticar e modificar plantas para a agricultura, combater doenças etc.</p>



<p>A <a href="https://www.britannica.com/science/Scientific-Revolution" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>revolução científica</strong></a> nos séculos XVI e XVII levou à criação de novos métodos de estudo da natureza. Cada vez mais os cientistas passaram a se apoiar na observação, na <strong>experimentação sistemática</strong> e no <strong>raciocínio indutivo</strong> para questionar seus resultados e os de outrem — uma mudança e tanto em relação à ênfase aristotélica, baseada no raciocínio dedutivo a partir de fatos supostamente conhecidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Ciência segue princípios comuns</mark></strong></h2>



<p>Independentemente da área, ainda hoje os cientistas seguem princípios comuns para desenvolver suas pesquisas: partem de novas ideias ou evidências do passado, coletam e analisam dados, e <strong>desenvolvem hipóteses</strong> sobre possíveis conexões ou padrões na natureza.</p>



<p>“Sempre que um novo problema de natureza científica se apresenta, eles se voltam para o que foi produzido no passado para orientar suas investigações, não raro replicando experimentos anteriores para estabelecer as bases de novas hipóteses&#8221;, explica o filósofo da ciência Ivan Ferreira da Cunha, do Departamento de Filosofia da UFSC.</p>



<p>Embora esses princípios sejam comuns a todos os campos do conhecimento, diferentes disciplinas utilizam ferramentas e abordagens específicas para estudar fenômenos e sistemas próprios de cada área.</p>



<p>No entanto, para que um resultado de pesquisa se transforme em uma <strong>verdade científica</strong>, ele precisa antes passar pelo <strong>crivo de outros pesquisadores</strong> da mesma área e ser publicado em uma revista especializada sob a forma de artigo científico.</p>



<p>Nesse processo, conhecido como <strong>revisão por pares</strong>, dois ou três especialistas designados pela revista avaliam a validade daquilo que está sendo descrito pelos autores no manuscrito.</p>



<p>Eles analisam:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Se a metodologia do trabalho faz sentido;</li>



<li>Se os experimentos necessários foram feitos de forma satisfatória;</li>



<li>Se os resultados obtidos dão suporte às conclusões apresentadas.</li>
</ul>



<p>Os revisores também podem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Requisitar dados adicionais aos autores;</li>



<li>Sugerir novos experimentos;</li>



<li>Solicitar esclarecimentos, sempre se pautando nas evidências, testando as hipóteses e procurando falseabilidades nas ideias alheias — um princípio proposto em 1934 pelo filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994) em <em>A lógica da pesquisa científica</em>.</li>
</ul>



<p>Se os revisores se convencem da validade do trabalho, recomendam ao editor da revista que aceite o artigo para publicação. Isso ajuda a garantir que os artigos publicados sejam baseados em pesquisas bem elaboradas, com metodologia robusta e dados sólidos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="956" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1200x956.jpg" alt="" class="wp-image-4790" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1200x956.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-800x637.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-400x319.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-768x612.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-1536x1224.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-2048x1632.jpg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Oraculo-Delfos-150x119.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">A verdade científica não é absoluta, mas temporária e incompleta; a imagem é a pintura do artista francês Eugene Delacroix (1798-1863) retratando o Oráculo de Delfos | Imagem: Wikimedia Commons</figcaption></figure>



<p>Muitas vezes achados <a href="https://storage.knaw.nl/2022-08/20180115-replication-studies-web.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aparentemente promissores não se confirmam quando outros cientistas tentam reproduzi-los em seus laboratórios</a>. Isso pode acontecer por motivos diversos, como <strong>erros</strong>, <strong>fraudes</strong> e <strong>falta de transparência</strong> sobre os dados primários e métodos adotados na pesquisa original. Nesses casos, as explicações ou ideias apresentadas no artigo original passam a ser questionadas ou até rejeitadas. Alguns propõem novas hipóteses ou explicações alternativas. O autor original pode testá-las ou fornecer evidências adicionais para sustentar suas alegações.</p>



<p>&#8220;Trata-se de um mecanismo de <strong>autocorreção da ciência</strong>&#8220;, diz Cunha, da UFSC. &#8220;O objetivo final não é discordar ou descredibilizar os colegas, mas revisar seus resultados e métodos para que a comunidade científica possa <strong>chegar a um consenso</strong> sobre a validade de determinada descoberta e explicação.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Passaram-se meses desde o primeiro caso de zika no Brasil até que a comunidade científica chegasse a um consenso de que o vírus estava por trás de parte dos casos de microcefalia identificados no país.</p></blockquote></figure>



<p>Primeiro se verificou que o patógeno conseguia atravessar a placenta humana – o órgão que mantém o feto conectado ao corpo materno durante a gestação. Depois o vírus foi isolado do cérebro de bebês com microcefalia. Experimentos em laboratório feitos por grupos do Brasil e no exterior verificaram então que o vírus podia infectar células humanas precursoras do sistema nervoso central e matá-las.</p>



<p>Em maio de 2016, pesquisadores brasileiros publicaram um <a href="https://www.nature.com/articles/nature18296" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> demonstrando que a variedade do vírus em circulação no Brasil (ZIKV<sup>BR</sup>) era mais agressiva do que a africana.</p>



<p>Essa variedade conseguia atravessar a placenta de fêmeas de camundongo com o sistema imunológico debilitado e prejudicar o desenvolvimento dos filhotes, que nasceram miúdos e com menos da metade do peso normal, além de apresentarem o cérebro menor do que o de filhotes saudáveis.</p>



<p>Da mesma forma, foram necessários muitos anos de observação e análise — e mais de 90 mil artigos científicos publicados — até que os cientistas chegassem a um <a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/ac2966" target="_blank" rel="noreferrer noopener">consenso</a> de que as atividades humanas estão alterando o clima da Terra.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Campanhas de descrédito</mark></strong></h2>



<p>Durante a <strong>pandemia de covid-19</strong>, pesquisadores do mundo todo tiveram de correr para tentar desenvolver uma estratégia segura e eficaz contra o novo coronavírus. Vários trabalhos foram feitos às pressas e sem o mesmo rigor científico habitual.</p>



<p><a href="https://www.nytimes.com/2020/05/12/magazine/didier-raoult-hydroxychloroquine.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alguns</a> reverberaram com força nas redes sociais, embasando <strong>afirmações sem fundamento</strong> sobre supostos tratamentos contra a doença&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;e estratégias discursivas — como a de autoridade científica — para tentar legitimar a disseminação de informações falsas ou contrapor os cientistas com <strong>argumentos pseudocientíficos</strong>, quase sempre alegando uma outra interpretação.</p>



<p>&#8220;Muitas vezes, a dinâmica de produção de conhecimento científico é usada para reforçar a ideia de que a verdade científica, por ser temporária e incompleta, pode estar errada; logo, minha opinião pode estar correta&#8221;, diz Meyer Luz. &#8220;Trata-se de pura e simples má formação, científica e filosófica.&#8221;</p>



<p>Diversas iniciativas de <strong>divulgação científica</strong> foram criadas para combater o problema, muitas delas baseadas na ideia de explicar à sociedade conceitos científicos básicos e como a ciência funciona.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O problema, diz a bióloga e divulgadora da ciência Ana de Medeiros Arnt, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é que muitas manifestações “anticiência” não são questionamentos científicos propriamente ditos.</p></blockquote></figure>



<p>Tais manifestações acabam sendo investidas no sentido de desconstruir discursivamente a <strong>credibilidade científica</strong> com o objetivo de defender ou reafirmar posições econômicas, políticas e religiosas. &#8220;Nesses casos, qualquer tentativa de trazer ao debate o método científico é inócua”, afirma Arnt.</p>



<p>Na avaliação do sociólogo Rafael Evangelista, do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp, essas iniciativas são válidas, mas insuficientes, pois partem do pressuposto de que as pessoas são sempre racionais e de que há um <strong>déficit de informação científica</strong> na sociedade. O problema, segundo ele, vai além.</p>



<p>Esbarra no <strong>modelo de negócio das plataformas digitais</strong>, essencialmente baseado na promoção de atrito entre grupos com posições opostas para gerar mais engajamento.</p>



<p>&#8220;Conteúdos de procedência duvidosa, divisivo e de ódio tendem a gerar mais comentários e compartilhamentos&#8221;, explica Evangelista. &#8220;O Facebook percebeu isso há algum tempo e ajustou seu algoritmo para oferecer esse tipo de conteúdo a cada vez mais pessoas.&#8221;</p>



<p>O pesquisador explica que as plataformas conseguem captar mais dados dos usuários por meio de <strong>conteúdos viralizantes</strong>, fazendo também com que eles permaneçam mais tempo nas redes sociais produzindo mais conteúdo.</p>



<p>&#8220;É preciso investir em iniciativas de divulgação científica e educação midiática que <strong>expliquem o que é a ciência</strong> e <strong>como se dá a construção do saber científico</strong>”, sugere Evangelista.</p>



<p>“No entanto, isso precisa vir acompanhado de uma <strong>regulamentação das plataformas digitais</strong>. Do contrário, continuaremos enxugando gelo.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/">Verdade científica: a jornada em busca de consensos </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/verdade-cientifica-negacionismo-consensos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diabetes, vermes e um precedente preocupante</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/diabetes-vermes-e-um-precedente-preocupante/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/diabetes-vermes-e-um-precedente-preocupante/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 20:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#justiça]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4629</guid>

					<description><![CDATA[<p>Especialistas reúnem recomendações sobre como combater desinformação nas redes após condenação de divulgadoras que desmentiram nutricionista</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/diabetes-vermes-e-um-precedente-preocupante/">Diabetes, vermes e um precedente preocupante</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Duas divulgadoras de ciência foram <strong>condenadas por desmentirem um nutricionista</strong> que, em sua página no Instagram, associara o <strong>diabetes</strong> — condição em que o organismo não metaboliza de forma eficiente as moléculas de açúcar (glicose) no sangue — a <strong>vermes</strong>. Na sentença, foi exigido que as divulgadoras apagassem sua publicação, sob pena de multa de R$ 100 por dia de descumprimento, e que pagassem R$ 1 mil em danos morais ao autor das postagens. A defesa ainda pode recorrer da decisão.</p>



<p>A decisão foi proferida pela juíza Larissa Boni Valieris, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, em uma ação movida pelo nutricionista André Luiz Lanca contra o perfil <strong>NuncaVi1Cientista</strong>, mantido pela bióloga Ana Bonassa — <strong>que realiza pesquisas sobre o metabolismo do diabetes</strong> — e a farmacêutica Laura Marise.</p>



<p>Em julho de 2023, Bonassa publicou um vídeo — <strong>agora apagado por ordem judicial </strong>— na página do <a href="https://www.instagram.com/nuncavi1cientista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">NuncaVi1Cientista no Instagram</a>, com um print do perfil do nutricionista ao fundo, explicando como o diabetes realmente funciona e como pode ser tratado.</p>



<p>No meio da gravação, ela se apresenta como cientista e diz que “está aqui para ajudar vocês a não passarem pelo que esse moço passou”, referindo-se ao comentário de um seguidor do canal NuncaVi1Cientista que perdera a mãe &#8220;porque ela abandonou o tratamento de diabetes e acreditou em protocolo de desparasitação”.</p>



<p>A gravação foi feita após o nutricionista ter publicado um vídeo com a chamada “Diabetes é Verme”. Na legenda, ele escreveu: “a desparasitação natural mata mais de 100 tipos de vermes, eliminando toda e qualquer possibilidade de doenças. Conheça nosso protocolo e apaixone-se”.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As divulgadoras usaram a caixa de comentários da publicação para tentar alertar o nutricionista de que a informação era falsa, mas foram bloqueadas.</p></blockquote></figure>



<p>Lanca alegou à Justiça que tentou derrubar o vídeo das divulgadoras com uma <strong>denúncia de propriedade intelectual</strong> no Instagram, mas o pedido foi negado. Ele argumentou ainda que Bonassa lhe havia imputado a “morte de seus clientes e seguidores” e que não buscava a retirada dos argumentos e críticas, mas sim a retirada das fotos, imagens e informações, pois <strong>sua imagem e honra estariam sendo violadas</strong>, de acordo com o texto do processo movido por Lanca, ao qual a reportagem teve acesso.</p>



<p>Em contestação, Bonassa argumentou que todos os dados de Lanca divulgados em seu vídeo — como nome, cidade em que mora e registro do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN) — estão disponíveis no <strong>perfil público do autor</strong>, sendo acessíveis a todos. Afirmou ainda que não atribuiu ao nutricionista a morte de pacientes.</p>



<p>De acordo com a divulgadora, seu perfil foi mostrado “<strong>em razão de o tratamento por ele oferecido não ser corroborado pela ciência</strong>”.</p>



<p>No entanto, ao analisar o caso, a juíza entendeu que a divulgadora “não agiu com a necessária cautela, incorrendo em culpa ao divulgar vídeo com o uso não autorizado dos dados” do nutricionista, apesar de não ter má intenção.</p>



<p>“Restando evidenciado que a liberdade de expressão foi exercida pelo réu de forma a acarretar prejuízos morais ao autor, surge o direito à indenização correspondente”, anotou na sentença, que é <a href="https://www.migalhas.com.br/arquivos/2024/9/B7533EA60EF909_decisao-diabetes-vermes.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pública.</a></p>



<p>Na visão da magistrada, houve dano moral, considerando a “situação de vergonha e tristeza a que fora submetido o autor do processo, em razão da conduta do réu em publicar, sem autorização, seus dados em vídeo junto a rede social de amplo alcance”. </p>



<p>Ao decidir o valor da indenização, porém, a juíza ressaltou que &#8220;as postagens do autor sobre curas e teses [são] no mínimo duvidosas.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Precedente preocupante</mark></strong></h2>



<p>Ao <strong>Science Arena</strong>, a advogada Ana Brás de Campos disse que a decisão surpreende e pode abrir um <strong>precedente preocupante</strong>, limitando os esforços de combate à desinformação por parte de jornalistas e divulgadores científicos.</p>



<p>&#8220;Causa estranheza que o mérito do processo não tenha sido a veracidade daquilo que o nutricionista estava divulgando, mas sim se, ao ser desmentido em uma rede social, sua honra e imagem estariam sendo violadas&#8221;, afirma Campos, que atua no direito cível e acompanha de perto o caso das divulgadoras, embora não esteja envolvida na defesa.</p>



<p>&#8220;A juíza se apegou à interpretação de que reproduzir o conteúdo de uma rede social sem autorização em outro perfil era injustificável”, comenta Campos. “Não importa que o perfil, com ideias perigosas para a saúde pública, estivesse aberto para qualquer pessoa ver.”</p>



<p>Também chamou a atenção o baixo valor da indenização, &#8220;o que sugere que a juíza poderia não estar tão certa de sua decisão&#8221;. De acordo com Campos, a juíza ponderou o direito à liberdade de expressão das divulgadoras científicas contra o direito à personalidade, intimidade e vida privada do nutricionista.</p>



<p>&#8220;É importante que o espaço à crítica seja preservado”, afirma a advogada.</p>



<p>Para a doutora em bioquímica e especialista em jornalismo científico Graciele Oliveira, presidente da <a href="https://www.redecomciencia.org/">RedeComCiência</a> (entidade que reúne jornalistas, assessores de imprensa e divulgadores de ciência de todas as regiões do Brasil), a decisão coloca em risco o trabalho de profissionais que atuam no <strong>combate à desinformação e notícias fraudulentas</strong> (fake news).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Como ficam os jornalistas e as agências que fazem fact-checking [checagem de fatos]?&#8221;, questiona Oliveira, da RedeComCiência.</p></blockquote></figure>



<p>De acordo com ela, a RedeComCiência está se articulando com parceiros para elaborar <strong>uma cartilha com orientações sobre direito autoral</strong> e <strong>caminhos que jornalistas e divulgadores podem seguir em caso de processo ou assédio judicial</strong> &#8211; definido como o uso de medidas judiciais com efeito intimidatório contra o jornalismo, em reação desproporcional à atuação jornalística em temas de interesse público.</p>



<p>&#8220;Por sermos uma instituição sem fins lucrativos, não dispomos de verba para apoiar nossos membros em questões jurídicas”, informa Oliveira. “Por isso, estamos em contato com parceiros que possam nos ajudar a construir uma rede de apoio para jornalistas e divulgadores nesse sentido.”</p>



<p>Por ora, Oliveira recomenda que tanto jornalistas quanto divulgadores científicos <strong>verifiquem sempre a autorização e o licenciamento de conteúdos de terceiros que pretendem usar</strong>, busquem orientação de instituições que lidam com <strong>direito autoral</strong> para se proteger e <strong>verifiquem como agências de fact-checking costumam se comunicar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">&#8220;Não me surpreende&#8221;</mark></strong></h2>



<p>O <a href="https://www.instagram.com/caduviterbo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ortopedista Cadu Viterbo</a> já perdeu a conta de quantas notificações extrajudiciais recebeu nos últimos meses. Ele trabalha com divulgação científica na área da <strong>medicina do esporte</strong> e frequentemente precisa desmentir ou esclarecer informações falsas ou incorretas, proferidas por outros influenciadores, sobre <strong>suplementos alimentares</strong> e <strong>terapias milagrosas para emagrecimento</strong> ou ganho de massa muscular, visando a venda de produtos e cursos.</p>



<p>&#8220;Não me surpreende o que aconteceu com as meninas do NuncaVi1Cientista&#8221;, ele diz. &#8220;Venho passando por situação semelhante há alguns meses.&#8221;</p>



<p>Conforme seu perfil no Instagram cresceu — hoje Viterbo tem pouco mais de 40 mil seguidores — e seus vídeos ganharam mais destaque, ele passou a receber notificações extrajudiciais e a ser alvo de processos movidos por indivíduos que, por se sentirem ofendidos ou expostos em seus vídeos, exigiam reparação por difamação, calúnia ou uso indevido de imagem.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Muitas pessoas se expõem nas redes sociais com informações falsas ou incorretas o tempo todo, mas quando as confrontamos, alegam que sua privacidade foi violada e que não autorizaram a republicação de seus conteúdos&#8221;, afirma Viterbo.</p></blockquote></figure>



<p>&#8220;É a tática que usam. Contam com um aparato jurídico pronto para agir contra aqueles que atrapalham seus negócios”, diz Viterbo.</p>



<p>Desde então, o ortopedista vem tomando alguns cuidados em seus vídeos. &#8220;Tento focar especificamente no conteúdo das mensagens, borrando a imagem e os dados de terceiros para evitar que sejam identificados. Ainda assim, um deles se reconheceu em um vídeo meu e agora está me processando.&#8221;</p>



<p>Em <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/noticias/sbpc-protesta-contra-decisao-judicial-que-condenou-cientistas-por-desmentirem-fake-news/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota</a>, a <strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) </strong>manifestou indignação pela decisão:</p>



<p>&#8220;<em>Na internet brasileira, existe um vasto ecossistema de ‘influenciadores da saúde’ dedicado a vender soluções estapafúrdias para doenças que deveriam ser tratadas com medicina de verdade. (&#8230;) Certamente o Judiciário poderia fazer o seu papel de proteger a população contra estes “influenciadores” que podem causar muitos danos à saúde da população. (&#8230;) O Judiciário, portanto, não pode ser complacente com as mentiras. Elas matam.</em>&#8220;</p>



<p>A reportagem tentou contato com <strong>Ana Bonassa</strong>, mas não obteve retorno.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/diabetes-vermes-e-um-precedente-preocupante/">Diabetes, vermes e um precedente preocupante</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/noticias/diabetes-vermes-e-um-precedente-preocupante/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2024 13:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4134</guid>

					<description><![CDATA[<p>Para pesquisadora da Fiocruz, disseminação de notícias fraudulentas precisa ser combatida inclusive dentro da classe médica</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/">Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A edição de 2023 da pesquisa &#8220;<a href="https://percepcao.cgee.org.br/home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Percepção pública da C&amp;T no Brasil&#8221;</a>, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revela que a saúde é um dos temas de maior interesse do público, apesar de ser um campo de disputa entre os produtores de desinformação, uma comunicação mediada por algoritmos enviesados por meio das redes sociais e negacionismos vacinais.</p>



<p>Dentre os jovens, oito em cada dez entrevistados na pesquisa dizem que se informam sobre ciência principalmente por Instagram e YouTube. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um terço dos canais em português mais assistidos do <a href="https://abori.com.br/comunicacao/apesar-de-declaracoes-do-youtube-sobre-combate-a-desinformacao-videos-anti-vacinas-continuam-circulando/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">YouTube sobre vacinas tinham informações erradas ou desinformação</a>.</p>



<p>A jornalista Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudo Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, destaca que, no YouTube, parte significativa dos vídeos mais acessados sobre vacinas diz que os imunizantes contêm ingredientes perigosos e defendiam a liberdade de escolha, a promoção de serviços de saúde alternativa e a conspiração de que vacinas causam doenças.</p>



<p>“As pesquisas de percepção da ciência são fundamentais para a definição de políticas públicas na área”, diz Righetti, que é autora, junto com o cientista de dados Estevão Gamba, do livro <em>Negacionismo científico e suas consequências </em>(Edições 70), lançado em abril. “É preciso entender como as pessoas compreendem, se interessam e valorizam a ciência. O que os estudos mostram é que há um ‘descolamento’ gigante entre ciência e sociedade.”</p>



<p>Além de Righetti, o <strong>Science Arena</strong> também conversou sobre os resultados da pesquisa do CGEE com a médica pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e membro titular da Academia Nacional de Medicina.</p>



<p>Desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, Dalcolmo destacou-se pela capacidade de se comunicar com o público por meio da imprensa e explicar, de forma simples e sem rodeios, o impacto do vírus Sars-CoV-2 na saúde das pessoas.</p>



<p>A pesquisadora se tornou uma das principais porta-vozes da ciência ao longo da pandemia e no combate contra movimentos antivacina no país. Nesta entrevista, Dalcolmo comenta sobre os riscos das fake news e como enfrentar a desinformação entre médicos e outros profissionais da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – O estudo do CGEE indica que a desconfiança da população brasileira em relação a temas como a vacinas figura com índice elevado (20,9%) em 2023. Esta informação acende algum alerta?</strong></h2>



<p><strong>Margareth Dalcolmo –</strong> É inegável que a saúde tem sido um tema de grande interesse nos últimos anos, tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil, vivenciamos fenômenos paradoxais. Historicamente, a população brasileira sempre confiou muito nas vacinas e o próprio Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado há 50 anos, é um exemplo de sucesso por conta da grande aceitação da sociedade civil.</p>



<p>Infelizmente, à custa de uma retórica muito nociva, capitaneada pela última administração do governo federal, somado ao medo de uma doença nova como a covid-19 e à rapidez com que as vacinas foram desenvolvidas, houve um temor e uma resistência vacinal inéditos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na verdade, estamos enfrentando as consequências da desinformação e da fabricação de informações falsas sobre as vacinas. Isso é um problema real e inegável.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual o resultado disso?</strong></h2>



<p>Esse fenômeno resultou na queda das taxas gerais de vacinação, inclusive contra a gripe. Em 2020, paradoxalmente, tivemos a maior taxa de brasileiros vacinados contra a Influenza, já que o público acreditava que isso poderia protegê-lo da covid-19, o que não é verdade.</p>



<p>Neste ano, vivemos uma situação insólita, da menor taxa de adesão à vacinação contra a gripe. Estão sobrando vacinas e isso se agrava ao fato de que a imunização contra a covid-19 também foi muito baixa. Apenas 55% da população brasileira têm todas as doses completas.</p>



<p>Esse é um número muito pequeno e chama a atenção sobretudo para as vacinas pediátricas, revelando que as famílias foram muito contaminadas por esse discurso, por essa retórica extremamente nociva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cinco em cada dez brasileiros relataram se deparar frequentemente com notícias que parecem falsas. Na sua opinião, o campo da saúde tem apresentado um crescente aumento na disseminação de fake news<em>?</em></strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde, muito mais do que a economia, é algo que “pega” as pessoas individualmente. Não há dúvida de que ela tem uma força de persuasão muito grande, porque todos estão interessados na saúde e no bem-estar de sua família, seus filhos, seus pais.</p>



<p>A saúde é algo que toca pessoalmente em cada indivíduo. Não há dúvida de que as fake news se tornaram uma fonte de produção, especialmente na pandemia.</p>



<p>Foi nesse momento que começaram a prosperar sites com conteúdo falso, inclusive, lamentavelmente, com a participação de médicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na pesquisa do CGEE, também foi avaliado um conhecimento mais técnico. Por exemplo, saber se antibióticos servem para matar vírus – informação equivocada com a qual mais da metade dos respondentes concordava. Na prática médica, o quanto esse tipo de desconhecimento pode afetar na adesão terapêutica e na confiança nos profissionais da saúde?</strong></h2>



<p>A disseminação de desinformação, inclusive entre médicos, levou ao uso excessivo de antibióticos durante a pandemia, levando a taxas de resistência antimicrobiana gigantescas. Esse uso muitas vezes não era apenas desnecessário, mas também inadequado, já que a doença em questão era viral, com um componente inflamatório predominante.</p>



<p>Na verdade, o paciente desenvolve uma infecção bacteriana secundária e oportunista, somando-se a um processo viral com grande liberação de substâncias citotóxicas e citocinas inflamatórias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A maioria dos brasileiros disse que nunca ou raramente buscou informações sobre ciência. No entanto, as redes sociais figuram como campeãs no acesso às informações. Você acredita que essa comunicação mediada por algoritmos é um desafio superável? Como a saúde pode ser um segmento protagonista no combate à desinformação?</strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde pode ter um papel de destaque, mas para isso é fundamental a participação de médicos que inspirem confiança na população.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Não podemos deixar de estar presentes, informando a sociedade continuamente.</p></blockquote></figure>



<p>Na verdade, acredito que cientistas e pesquisadores nunca foram tão requisitados para resgatar essa confiança, que é tradicional em nossa cultura. É crucial manter o rigor, mesmo quando as notícias são negativas, sem causar alarde ou pânico, transmitindo a verdade de forma a não ignorar os temores naturais da sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso fazer, a partir dos dados dessa pesquisa nacional, para se preparar antes da próxima pandemia, em termos de percepção pública da ciência?</strong></h2>



<p>A comunidade médica deve estar presente em todos os meios de comunicação, informando e dialogando com a população de forma clara e precisa, como tem sido feito com os cigarros eletrônicos.</p>



<p>A indústria do tabaco, por exemplo, divulga informações falsas, que ganham a confiança das pessoas, sendo importante que os médicos sejam atuantes e presentes no combate à desinformação. Devemos nos comunicar com rigor e verdade, independentemente de a informação ser boa ou ruim.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/">Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Desafios contemporâneos para a comunicação e saúde</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/ensaios/desafios-contemporaneos-para-a-comunicacao-e-saude/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/ensaios/desafios-contemporaneos-para-a-comunicacao-e-saude/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 21:10:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#Negacionismo]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4001</guid>

					<description><![CDATA[<p>A informação de qualidade passou a disputar o espaço público com a 'pós-verdade', colocando em concorrência saberes científicos e valores subjetivos</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/desafios-contemporaneos-para-a-comunicacao-e-saude/">Desafios contemporâneos para a comunicação e saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A progressiva consolidação e, hoje, onipresença da internet e suas redes sociais como espaço de produção de sentidos levaram as sociedades contemporâneas a uma espécie de caos comunicacional, que coloca em disputa o desafio permanente de estabelecer o que é verdade. Ou, como postula o filósofo e historiador francês Michel Foucault(1926-1984), a “política geral” da verdade, o regime discursivo que, desde o século XV, com base no pensar e fazer científico, detinha a primazia de distinguir o verdadeiro e o falso dos enunciados em circulação no espaço público.</p>



<p>E digo “tinha” porque o estatuto de verdade baseado na ciência – e difundido por canais legitimados pela comunidade perita, entre eles a imprensa generalista –, <a href="http://saude.sp.gov.br/resources/instituto-de-saude/homepage/pdfs/temas_32_desinformacao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já não é hegemônico</a>.</p>



<p>Com a emergência do mundo virtual, a informação de qualidade, aquela submetida a diferentes níveis de validação e checagem, passou a disputar o espaço público com uma miríade de fenômenos discursivos – negacionismos, <em>desinformation</em>/<em>misinformação</em>, <em>fake news</em>, infodemia – que instauraram a chamada “pós-verdade”.</p>



<p>Eleita a palavra do ano de 2016, a pós-verdade foi tecida num longo processo de tensionamentos da credibilidade da política, da imprensa e da própria ciência, instituições centrais do projeto moderno que nomeou, enfim, um complexo regime discursivo, o qual, desde o início do século XXI, sob uma nova ordem neoliberal, viabilizou a emergência de tecnologias de informação e comunicação (TIC) e a expansão da internet.</p>



<p>Esse aparato sociotécnico colocou em concorrência dois regimes discursivos: de um lado, o da verdade baseada no saber científico, em corpos de saber disciplinares; de outro, o da pós-verdade, fincado no testemunho pessoal, na emoção, na crença e nos valores subjetivos.</p>



<p>Embora boatos sejam tão antigos quanto a própria necessidade humana de se comunicar, a pós-verdade é um fenômeno do nosso tempo, estreitamente vinculado às mídias digitais, que impuseram outra forma de circulação das informações, viabilizando a propagação massiva das mensagens e afetos, sejam eles baseados em regimes de verdade (disciplinares) ou de pós-verdade (testemunhais), em tempo real e incontrolavelmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Negacionismo, desinformação e </strong><strong><em>fake news</em></strong></h2>



<p>De abrangência global, esses discursos fraudulentos ganharam escala, afetando de modo generalizado todas as dimensões da vida cotidiana, em particular as mais sensíveis, como a saúde.</p>



<p>E impôs desafios inéditos e complexos aos sistemas de gestão, que agora, além de enfrentar questões clássicas do processo saúde-doença, também precisam lidar com discursos que negam a ciência e desinformam, tais como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>recusa e menosprezo a ações de saúde baseadas em evidência;</li>



<li>defesa e prescrição de protocolos cientificamente ineficazes ou mesmo de risco;</li>



<li>campanhas de difamação, desqualificação e deslegitimação de políticas, programas e ações públicas de saúde.</li>
</ul>



<p>Potencialmente, esses discursos afetam a tomada de decisão de cada indivíduo e da coletividade quanto ao cuidado que aceitarão receber dos sistemas e dos profissionais de saúde, produzindo novos eventos ou contribuindo para o agravamento de velhos conhecidos da saúde coletiva.</p>



<p>Para ficar num só exemplo, estudos brasileiros já demonstram que o negacionismo, a desinformação e as <em>fake news </em>são os principais fatores de hesitação vacinal na imunização contra a covid-19. Daí a distinção conceitual entre esses fenômenos ser uma das estratégias para o seu enfrentamento.</p>



<p>Neste breve ensaio, limito a reflexão a três deles: negacionismo, desinformação e <em>fake news</em>.</p>



<p>Classicamente, negacionismo é o discurso que recusa/nega o método científico, emergindo contemporaneamente como a expressão de “<a href="https://revistas.unisinos.br/index.php/fronteiras/article/view/fem.2020.221.03" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma crise epistemológica, que se traduz na perda de confiança em instituições fundamentais da sociedade, dentre as quais a própria universidade [academia]</a>”.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os negacionistas – em geral pessoas sem especialização ou competência técnica, mas também especialistas – se apropriam de símbolos e signos da ciência para eleger novas autoridades epistêmicas, inventando competências que lhes dê destaque na arena pública e, frequentemente, ganhos políticos e financeiros.</p></blockquote></figure>



<p>Subvertendo valores de reconhecimento e autoridade da ciência, eles criam suas próprias autoridades, construindo seu discurso em torno de argumentos retóricos pseudocientíficos que dão aparência de debate legítimo onde ele nem sequer existe.</p>



<p>Como regra, o discurso negacionista é usado contra um consenso ou evidências contundentes por pessoas que têm poucos ou nenhum fato para apoiar&nbsp;seu ponto de vista, empregando um conjunto de táticas para causar <a href="https://scienceblogs.com/denialism/about" target="_blank" rel="noreferrer noopener">impactos discursivos</a> no curto prazo.</p>



<p>Cito três delas para demonstrar como elas podem afetar o campo da saúde. <strong></strong></p>



<p>Vejamos a tática da <strong><em>seletividade</em></strong>, escolha deliberada de dados fora do contexto para sugerir que os achados científicos estão errados. Negacionistas seletivos valem-se do fato de que <a href="http://saude.sp.gov.br/resources/instituto-de-saude/homepage/pdfs/temas_32_desinformacao.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o conhecimento é sempre provisório</a> para sustentar seus argumentos em artigos isolados, com evidências fracas ou já suplantadas.</p>



<p>Um exemplo emblemático: o artigo que sugeriu a associação entre vacina tríplice viral e autismo, publicado em 1998 no prestigioso periódico <em>The Lancet</em>.</p>



<p>Metodologicamente frágil, descobriu-se, depois, que o estudo era também eticamente reprovável – seu autor convocou os participantes, 12 pessoas, por meio de um advogado que também levantara fundos para uma pesquisa que ele liderava sobre&#8230; vacina tríplice! Só mais de uma década depois, em 2010, quando o médico teve seu registro cancelado pelo conselho de medicina britânico, o periódico suprimiu o artigo de suas bases. Apesar disso, é ainda hoje exaustivamente <a href="https://scienceblogs.com/denialism/about" target="_blank" rel="noreferrer noopener">citado por militantes do movimento antivacina</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1000" height="667" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid.jpg" alt="" class="wp-image-4004" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid-800x534.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/Foto-2-Covid-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">No caso da covid-19, notícias falsas “bagunçaram” os sistemas de saúde, sobrecarregando-os, desarticulando-os e, por fim, contribuindo para a morte de pessoas | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<p>Há também a tática dos <strong><em>falsos especialistas</em></strong> ou de produção duvidosa. Vários desses negacionistas têm formação acadêmica e emprestam suas credenciais para sustentar teses sem respaldo científico.</p>



<p>No Brasil, sobretudo no início da pandemia de covid-19, quando a comunidade científica ainda estava mergulhada em profundas incertezas sobre o presente e o futuro, muitos médicos sem quaisquer vivências em epidemiologia, virologia ou infectologia – campos de excelência em eventos epidêmicos – apresentaram-se como especialistas nas redes sociais e – pasmem! – na imprensa generalista.</p>



<p>Os falsos especialistas também propagam acusações que desacreditam o trabalho de cientistas sérios.</p>



<p>Foi o que aconteceu com o renomado epidemiologista norte-americano Stanton Glantz, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que por expor as estratégias da indústria do tabaco para viciar as pessoas tornou-se alvo frequente de difamadores, que o classificaram como o mais notável integrante “da gangue de vigaristas <em>[epidemiologistas]</em>” e a epidemiologia, como <a href="https://doi.org/10.1093/eurpub/ckn139" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“<em>junk science</em>”</a>.</p>



<p>Por fim, temos a tática <strong><em>conspiracionista</em></strong> que prega que a validação da ciência não seria o resultado do consenso entre pares com base em evidências científicas, mas sim do envolvimento destes em uma conspiração complexa e secreta.</p>



<p>Logo no início da pandemia, em 2020, conspiracionistas inundaram as redes sociais com a tese de que o vírus Sars-CoV-2 teria sido produzido em laboratório pelo governo comunista chinês para <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30418-9/fulltext?utm_campaign=tlcoronavirus20&amp;utm_source=twitter&amp;utm_medium=social" target="_blank" rel="noreferrer noopener">destruir o Ocidente capitalista</a>.</p>



<p>Já a desinformação é a tentativa deliberada (e frequentemente orquestrada) de confundir ou manipular pessoas&nbsp;por meio de informações desonestas, intencionalmente produzidas e disseminadas para causar prejuízos.</p>



<p>Seu par é a <em>misinformação</em> (neologismo do inglês <em>misinformation</em>), que trata do compartilhamento de informação falsa, enganosa, equivocada ou incorreta, mas <a href="https://academic.oup.com/jac/article/76/1/30/5919602?login=false" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sem intenção de prejudicar</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Histórias que “bagunçam” os sistemas de saúde</strong> </h2>



<p>Já as <a href="https://time.com/4959488/donald-trump-fake-news-meaning/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>fake news</em></a> são definidas como agentes de desinformação propositalmente criadas e disseminadas com o intuito de prejudicar e influenciar pessoas, cuja principal característica é simular a estrutura discursiva e os formatos documentais e jornalísticos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Talvez o fenômeno mais conhecido seja seu uso com fins político-ideológicos, abarcando uma infinidade de textos e contextos.</p></blockquote></figure>



<p>São histórias falsas, muitas vezes sensacionalistas, criadas para amplo compartilhamento <em>on-line</em> e com objetivo de gerar receitas publicitárias por meio do tráfego internético, em geral para desacreditar figuras públicas, movimentos políticos e sociais, sabotar empresas.</p>



<p>Por mais absurdos ou risíveis que possam parecer,esses discursos nunca são inocentes, desinteressados, inconsequentes. Potencialmente, têm consequências graves para as sociedades.</p>



<p>No caso da covid-19, <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/entrevista-fake-news-nao-tem-como-ser-combatidas-ou-eliminadas-diz-igor-sacramento" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudos nacionais e internacionais</a> já demonstraram como eles “bagunçaram” os sistemas de saúde, sobrecarregando-os, desarticulando-os e, por fim, contribuindo para a morte de pessoas.</p>



<p>Assim, o que está em jogo nesses fenômenos, de modo geral e na saúde, em particular, é a tensão entre a confiança e a&nbsp;desconfiança na política, na ciência e no Estado, em direção a uma experiência construída pessoal e intimamente. Por seu potencial em colocar em risco a saúde e a vida das pessoas e das populações, é imperioso combatê-los.</p>



<p><strong>Cláudia Malinverni</strong> <em>é graduada em comunicação social, mestre e doutora em ciências pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), diretora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para o SUS-SP e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/desafios-contemporaneos-para-a-comunicacao-e-saude/">Desafios contemporâneos para a comunicação e saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/ensaios/desafios-contemporaneos-para-a-comunicacao-e-saude/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Orientações contra desinformação sobre vacinas</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/orientacoes-contra-desinformacao-sobre-vacinas/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/orientacoes-contra-desinformacao-sobre-vacinas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2024 17:03:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#imunização]]></category>
		<category><![CDATA[#PNI]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=3978</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pediatra infectologista recomenda documento internacional para profissionais da saúde com informações sobre a segurança dos imunizantes</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/orientacoes-contra-desinformacao-sobre-vacinas/">Orientações contra desinformação sobre vacinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO: </strong><strong></strong></h2>



<p><a href="https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/54505/OPASFPLIMCOVID-19210027_por.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Guia da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS)</a> para profissionais da saúde com as principais mensagens e respostas sobre a segurança das vacinas. O documento aborda questões de desenvolvimento de vacinas, testes clínicos e aprovação, assim como a importância das altas coberturas vacinais e a vigilância dos eventos adversos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE VALE A LEITURA? </strong><strong></strong></h2>



<p>Com a crescente onda de desinformação em relação às vacinas, uma das maiores carências relatadas pelos profissionais da saúde é a falta de um material de consulta para rápida resposta sobre as dúvidas, principalmente sobre a eficácia e a segurança das vacinas.</p>



<p>Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertava que a hesitação vacinal seria um dos dez maiores problemas em saúde pública na década, e nós brasileiros, tão convictos na força de nosso Programa Nacional de Imunizações (PNI), achávamos que estávamos imunes a tudo isso.</p>



<p>A pandemia da Covid-19 chegou e, junto com ela, a politização da saúde e das vacinas. Defensores e críticos, apoiadores e detratores, um verdadeiro ringue de discussão com &#8220;opiniões&#8221; de todos os lados.</p>



<p>Tudo isso abalou um dos principais pilares de um PNI de sucesso. A desconfiança não se limita à própria vacina, mas também ao sistema público daquele estado e governo que a disponibiliza.</p>



<p>Os efeitos foram e são sentidos até hoje, não somente com as vacinas de Covid-19, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/poliomielite-por-que-nao-baixar-guarda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mas também com as demais vacinas do calendário</a>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O mais desafiador nesse cenário é a falta de preparo dos profissionais da saúde em enfrentar as inseguranças das famílias, seus medos e incertezas sobre algo que sempre, intuitivamente, parecia tão óbvio. Vacinas salvam vidas.</p></blockquote></figure>



<p>Este guia da OPAS, publicado em 2021, é uma ferramenta extremamente útil para municiar todos os agentes de saúde a discutir com as famílias de forma mais clara e embasada. Um excelente material de apoio.</p>



<p>O conteúdo aborda desde questões de desenvolvimento de vacinas, seus testes clínicos e aprovação até a importância das altas coberturas vacinais e a vigilância dos eventos adversos.</p>



<p>Perguntas e respostas, mitos e verdades, mensagens-chave, tudo isso é trazido de uma forma leve e intuitiva, tendo como objetivo principal dissipar dúvidas, mudar atitudes ou validar conhecimentos, a partir de informações confiáveis e seguras, baseadas em evidências científicas, reduzindo a relutância em relação às vacinas e aumentando a adesão aos programas de vacinação.</p>



<p>São diversos os estudos que demonstram que os trabalhadores da saúde são as fontes mais confiáveis de informação sobre vacinas e imunização para toda a população e para os usuários dos serviços de saúde.</p>



<p>Torna-se fundamental que todos estejam preparados para responder perguntas e esclarecer dúvidas, evitando o confronto, de forma empática, trazendo informações claras e corretas.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div><p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/orientacoes-contra-desinformacao-sobre-vacinas/">Orientações contra desinformação sobre vacinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/orientacoes-contra-desinformacao-sobre-vacinas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
