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	<title>#farmacovigilância | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Vacina da dengue do Butantan: por que testes rigorosos não preveem todos os efeitos raros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 22:03:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Anvisa]]></category>
		<category><![CDATA[#dengue]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacovigilância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após suspensão preventiva pelo Ministério da Saúde, pesquisadora do Einstein explica como funcionam ensaios clínicos randomizados e a vigilância pós-aprovação</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/vacina-da-dengue-do-butantan-por-que-testes-rigorosos-nao-preveem-todos-os-efeitos-raros/">Vacina da dengue do Butantan: por que testes rigorosos não preveem todos os efeitos raros</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <strong>Ministério da Saúde</strong> suspendeu, em 8 de junho de 2026, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo <strong>Instituto Butantan</strong>, em São Paulo. A decisão é preventiva: o sistema de monitoramento identificou 42 casos de reações raras e inesperadas entre as 501 mil doses aplicadas desde janeiro em profissionais de saúde da atenção primária, que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), e em pessoas de 15 a 29 anos dos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO). Deste total, foram registrados dois óbitos que estão sendo investigados. Por enquanto, não há como afirmar que a vacina causou essas mortes.</p>



<p>A Butantan-DV é a primeira vacina do mundo contra a dengue aplicada em dose única e o primeiro imunizante inteiramente desenvolvido no Brasil. O Instituto Butantan levou cerca de 20 anos para criá-la, a partir de uma tecnologia licenciada dos <strong>Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH)</strong>.&nbsp;</p>



<p>Antes de ser aprovado pela <strong>Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)</strong> em dezembro de 2025, o imunizante passou por estudos clínicos com mais de 11 mil voluntários acompanhados por até cinco anos. Os resultados mostraram eficácia de 65% contra a doença e de 80,5% contra os casos mais graves, <a href="https://butantan.gov.br/noticias/vacina-da-dengue-do-butantan-mantem-805-de-eficacia-contra-casos-graves-e-com-sinais-de-alerta-apos-cinco-anos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo informações do Instituto Butantan</a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que foi encontrado</strong></h2>



<p>De janeiro a 30 de maio de 2026, o sistema de farmacovigilância (o conjunto de mecanismos que monitora vacinas e medicamentos depois que chegam ao mercado) registrou 42 reações que não haviam aparecido nos estudos que levaram à aprovação da vacina.&nbsp;</p>



<p>Os episódios incluíram sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três foram classificados como graves, e dois resultaram em morte.</p>



<p>Os casos fatais envolvem uma mulher de 48 anos que desenvolveu comprometimento neurológico grave 19 dias após a vacinação, e um homem de 58 anos que evoluiu rapidamente para um quadro severo da doença cinco dias depois de receber a dose.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Em ambos os casos, a investigação ainda precisa verificar se há outras causas que possam ter contribuído para os óbitos — como doenças preexistentes ou outros fatores de risco.</p></blockquote></figure>



<p>Os 42 casos representam 0,008% do total de vacinados — uma proporção muito pequena, mas suficiente para acionar os protocolos de segurança. A decisão de suspender foi tomada em conjunto pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, com respaldo de dois comitês técnicos de especialistas.</p>



<p>“Essa descontinuidade tem um objetivo”, alertou Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em pronunciamento nesta segunda-feira, 08/06. “Primeiro, trata-se de uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência”, disse Padilha.</p>



<p>“Segundo, ela permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem já tomou a vacina está protegido</strong></h2>



<p>Para quem já foi vacinado, a proteção está garantida, esclareceram as autoridades. &#8220;Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado. Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete, de 65% de não pegar a doença cinco anos após a aplicação e 80% para não desenvolver dengue grave&#8221;, disse <strong>Esper Kallás</strong>, médico infectologista e diretor do Instituto Butantan, em entrevista ao canal GloboNews.</p>



<p>Quem recebeu a vacina há menos de 21 dias, no entanto, deve ficar atento a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou sonolência excessiva.&nbsp;</p>



<p>Se aparecer qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Após 21 dias, não há mais componente ativo da vacina no organismo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A suspensão não afeta a vacina <strong>Qdenga</strong>, produzida no Japão e disponível gratuitamente no SUS desde 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Até agora, cerca de 8 milhões de doses foram aplicadas no país. </p></blockquote></figure>



<p>O cenário epidemiológico atual é positivo: em 2026, até o fim de maio, o Brasil registrou queda de 94% no número de casos de dengue e de 97% nos óbitos em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que testes rigorosos não garantem que tudo seja previsto</strong></h2>



<p>A situação da vacina do Butantan ilustra um limite real da pesquisa clínica, — e não uma falha dela. Em <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/karla-espirito-santo-por-que-a-ciencia-nao-pode-pular-etapas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">entrevista ao Science Arena publicada em abril de 2026</a>, a cardiologista e pesquisadora clínica <strong>Karla Espírito Santo</strong>, do Einstein Hospital Israelita, explicou como esse processo funciona e por que ele não pode ser abreviado.</p>



<p>Antes de qualquer vacina ou medicamento chegar ao mercado, ele precisa passar por quatro fases de testes. Na primeira, o produto é testado em voluntários saudáveis para verificar se é seguro.&nbsp;</p>



<p>Na segunda, avalia-se a dose certa e os primeiros sinais de que funciona. Na terceira — a mais extensa —, o teste é feito com milhares de pessoas para confirmar tanto a eficácia quanto a segurança.&nbsp;</p>



<p>É só depois de aprovado que começa a quarta fase: o monitoramento contínuo de quem já está usando o produto na vida real.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Sem comparação adequada entre grupos, não há como provar a eficácia de um novo medicamento.&#8221; — Karla Espírito Santo, cardiologista e pesquisadora clínica do Einstein Hospital Israelita</p></blockquote></figure>



<p>O problema é que estudos clínicos, por mais rigorosos que sejam, testam um número limitado de pessoas. Efeitos adversos muito raros — que acontecem em 1 a cada 10.000 ou 100.000 casos — simplesmente não aparecem nessa escala.&nbsp;</p>



<p>Só ficam visíveis quando a vacina é usada por centenas de milhares de pessoas ao mesmo tempo. É exatamente por isso que a fase 4 existe.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Karla Espírito Santo explica que, para que os resultados de um estudo sejam confiáveis, é preciso comparar grupos equivalentes. A randomização — isto é, o sorteio de quem recebe o tratamento e quem fica no grupo de controle — existe justamente para evitar que diferenças entre os participantes contaminem os resultados. </p></blockquote></figure>



<p>Sem esse mecanismo, é impossível saber se um efeito observado foi causado pelo medicamento ou por alguma característica prévia do grupo estudado.</p>



<p>Na hierarquia das evidências científicas, os ensaios clínicos randomizados ocupam o topo entre os estudos individuais. Acima deles estão apenas as revisões sistemáticas e as meta-análises, que combinam os resultados de vários estudos para chegar a conclusões mais robustas.&nbsp;</p>



<p>Na base da pirâmide ficam os relatos de casos isolados — úteis para levantar hipóteses, mas insuficientes para provar que um tratamento funciona.</p>



<p>Karla também abordou os riscos de pular etapas sob pressão. O Brasil tem casos emblemáticos nesse sentido: a fosfoetanolamina sintética, distribuída por pesquisadores da <strong>Universidade de São Paulo (USP)</strong> sem registro na Anvisa, gerou milhares de ações judiciais de pacientes com câncer, mesmo sem evidências de segurança ou eficácia. O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a lei que autorizava seu uso.&nbsp;</p>



<p>Mais recentemente, a polilaminina, proteína desenvolvida pela <strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)</strong> para tratar lesões na medula espinhal, <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/sem-grupo-controle-nao-podemos-afirmar-que-a-polilaminina-funciona-diz-coautor-de-estudo-sobre-a-substancia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">também foi alvo de pedidos judiciais antes de concluir a fase 1 dos testes,</a> voltada exclusivamente à avaliação de segurança.</p>



<p>&#8220;Mesmo em contextos de urgência, como ocorreu com as vacinas contra a Covid-19, os estudos necessários foram realizados antes da aprovação&#8221;, afirmou Karla. &#8220;Seguir esse processo é uma forma de proteger a população.&#8221; No caso da vacina do Butantan, é exatamente esse processo que está em curso: o sistema funcionou ao identificar o sinal, e agora a ciência precisa de tempo para entender o que ele significa.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/vacina-da-dengue-do-butantan-por-que-testes-rigorosos-nao-preveem-todos-os-efeitos-raros/">Vacina da dengue do Butantan: por que testes rigorosos não preveem todos os efeitos raros</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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