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	<title>#terapiacelular | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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		<title>Brasil pode ganhar destaque global em terapias celulares e gênicas, diz Martin Bonamino</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/brasil-pode-ganhar-destaque-global-em-terapias-celulares-e-genicas-diz-martin-bonamino/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 19:32:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#CAR-T]]></category>
		<category><![CDATA[#imunoterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisador do INCA analisa os desafios das células CAR-T, os caminhos para ampliar o acesso pelo SUS e o potencial da edição genética para transformar a medicina</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/brasil-pode-ganhar-destaque-global-em-terapias-celulares-e-genicas-diz-martin-bonamino/">Brasil pode ganhar destaque global em terapias celulares e gênicas, diz Martin Bonamino</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil tem condições de articular ações nacionais, com o respaldo do Ministério da Saúde, que poucos países conseguem mobilizar no campo das terapias celulares e gênicas, incluindo a produção de insumos críticos. Esse arranjo pode aumentar a competitividade do país e colocá-lo em posição de destaque no desenvolvimento de terapias avançadas.</p>



<p>A avaliação é do biólogo <strong>Martin Bonamino</strong>, chefe do Programa de Imunoterapia Celular e Gênica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), presidente da Associação Brasileira de Terapia Celular e Gênica e chair do Outreach Committee da American Society of Gene &amp; Cell Therapy.</p>



<p>Entre os avanços mais importantes dessa área estão as terapias com células CAR-T, que utilizam células de defesa modificadas em laboratório para reconhecer e atacar o câncer.&nbsp;</p>



<p>A estratégia já alcançou resultados expressivos no tratamento de alguns cânceres hematológicos, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.&nbsp;</p>



<p>Sua expansão, no entanto, ainda esbarra em desafios como a duração da resposta ao tratamento, a aplicação em tumores sólidos e os altos custos de produção, um obstáculo especialmente relevante para sua incorporação aos sistemas públicos de saúde.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Bonamino analisa os caminhos para ampliar e prolongar a eficácia das terapias CAR-T, as perspectivas de sua aplicação em tumores sólidos e o potencial do Brasil para desenvolver e produzir terapias avançadas.&nbsp;</p>



<p>O pesquisador também discute as estratégias para ampliar o acesso a esses tratamentos e explica por que considera a edição genética uma das tecnologias com maior potencial para transformar a medicina nos próximos anos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – As terapias CAR-T transformaram o tratamento de alguns cânceres hematológicos. Quais são os principais desafios para ampliar e prolongar esses resultados e reproduzi-los nos tumores sólidos?</strong></h2>



<p><strong>Martin Bonamino – </strong>Nos cânceres hematológicos, um dos principais desafios é que as células CAR-T nem sempre permanecem tempo suficiente no organismo para eliminar todas as células tumorais. Isso está relacionado à qualidade das células T coletadas do próprio paciente para fabricar o tratamento.&nbsp;</p>



<p>Como esses pacientes geralmente já passaram por várias terapias, suas células podem estar menos funcionais. Para contornar o problema, as células podem ser coletadas mais precocemente ou obtidas de doadores saudáveis.</p>



<p>Outro mecanismo de resistência ocorre quando as células tumorais deixam de expressar o alvo reconhecido pelas CAR-T, tornando-se invisíveis ao sistema imune. Uma estratégia para superar essa limitação é desenvolver células CAR-T capazes de reconhecer mais de um alvo tumoral.</p>



<p>Nos tumores sólidos, além desses desafios, o próprio microambiente do tumor costuma bloquear a ação dos linfócitos antitumorais. Modificações adicionais nas células CAR-T podem torná-las mais resistentes a esses mecanismos de defesa.&nbsp;</p>



<p>Os primeiros resultados são promissores, mas as taxas de sucesso ainda permanecem inferiores às observadas nos cânceres do sangue.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Brasil consegue ser um dos protagonistas no desenvolvimento de terapias celulares e gênicas ou ainda depende excessivamente de tecnologias produzidas no exterior?</strong></h2>



<p>O Brasil tem capacidade para desenvolver e produzir no campo das terapias avançadas (que englobam as terapias celulares e gênicas). Dependemos menos de tecnologias no exterior e mais dos insumos que são produzidos fora.&nbsp;</p>



<p>Não há equivalentes na produção nacional e eles apresentam altos custos e muita demora para chegar ao país quando adquiridos. Isso reduz a competitividade do Brasil para o desenvolvimento de novas terapias.&nbsp;</p>



<p>No entanto, o país tem uma capacidade de orquestrar ações nacionais com o respaldo do Ministério da Saúde que outros países não possuem, incluindo a produção de insumos críticos para estas terapias avançadas. Esse arranjo pode tornar o Brasil mais competitivo e colocá-lo em posição de destaque global.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual é o maior obstáculo para democratizar o acesso às terapias CAR-T e fazê-las chegar a um número maior de pacientes?</strong></h2>



<p>Neste momento, temos alguns desafios grandes. O primeiro deles é o valor que está sendo cobrado para o preparo desta terapia por cada paciente. A alternativa adotada pelo país vem sendo produzir a terapia localmente, em centros especializados.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Este modelo tem o potencial de oferecer, através do SUS, a terapia a um custo que possa ser incorporado, desatando um dos principais nós que temos.”</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que se tem hoje de resultados sobre custo-efetividade em torno das terapias celulares?</strong></h2>



<p>Ainda com estes valores elevados de comercialização, estas terapias possuem um perfil bastante favorável de segurança e toxicidade e um resultado de desfecho muito positivo. Intervenções como as terapias com células CAR-T apresentam custos elevados, mas também menos complicações (e potencialmente menor custo) quando comparados a alternativas terapêuticas mais agressivas, como é o caso do transplante de medula óssea a partir de doadores.&nbsp;</p>



<p>O barateamento do processo de produção das células CAR-T e a eventual maior potência antitumoral das células CAR-T geradas mais recentemente tendem a aumentar ainda mais este perfil de custo-efetividade, através da redução de custos e melhoria dos desfechos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os modelos celulares e tecnologias de modificação genética podem ajudar a entender melhor outras doenças, além do câncer?</strong></h2>



<p>Sem dúvida. As tecnologias de edição genética são hoje uma das principais ferramentas para estudar doenças. Elas permitem criar modelos biológicos que reproduzem essas condições em laboratório e avaliar se terapias gênicas em desenvolvimento podem beneficiar pacientes com doenças de origem genética.&nbsp;</p>



<p>Essa forma rápida e direta de compreender a doença e testar possíveis soluções está revolucionando a medicina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre edição gênica, células universais e inteligência artificial, qual tecnologia tem maior potencial para transformar a pesquisa biomédica e a prática clínica nos próximos anos?</strong></h2>



<p>Acredito que a edição genética será o principal fator nessa equação. Ela está na base da criação de células universais e pode ter seu desenvolvimento acelerado por ferramentas de inteligência artificial.</p>
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