Como pesquisadores podem empreender e liderar inovação?
Veja quais competências pesquisadores precisam desenvolver para transformar conhecimento científico em produtos, serviços e soluções
Como pesquisadores podem empreender e liderar inovação? Para Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein Hospital Israelita, um dos primeiros passos é mudar o foco: em vez de se apegar a uma solução, o pesquisador precisa se concentrar no problema que deseja resolver.
O tema foi discutido em encontro virtual do Science Arena que está disponível na íntegra no YouTube.
Mestre e doutora em biotecnologia, Hernandes contou como sua própria trajetória passou da pesquisa acadêmica para a inovação, sem que isso significasse abandonar a investigação científica.
Depois de chegar ao Einstein para fazer um pós-doutorado, ela começou a atuar como consultora científica na avaliação de tecnologias desenvolvidas por startups.
Foi quando percebeu que, além de analisar se uma solução fazia sentido do ponto de vista científico, era preciso perguntar se ela realmente respondia a uma necessidade do sistema de saúde, como chegaria ao mercado e quantas pessoas poderia beneficiar.
Ao longo da live, Camila Hernandes apresentou uma série de conselhos para pesquisadores interessados em inovação e empreendedorismo:
- Apegue-se ao problema, e não à solução. Quem trabalha com inovação precisa estar disposto a mudar de rota. Caso descubra que alguém já criou uma solução semelhante, o desafio passa a ser perguntar como fazer melhor ou de forma diferente. O compromisso principal deve ser com o problema que se pretende resolver.
- Valide hipóteses para além dos artigos científicos. Revisar a literatura e consultar patentes são etapas importantes, mas não suficientes. Hernandes recomenda conversar com especialistas e com as pessoas que utilizarão a solução para saber se o problema identificado é realmente relevante e o que ainda falta para resolvê-lo.
- Aprenda sobre propriedade intelectual, regulação e mercado. Pesquisadores interessados em transformar ciência em produtos precisam entender quando proteger uma descoberta, quais caminhos regulatórios uma tecnologia terá de percorrer, como ela poderá ser produzida em escala e se sua implementação é viável.
- Descubra seu diferencial antes de empreender. Uma boa ideia científica não existe isoladamente. É preciso conhecer as soluções que já estão no mercado e entender o que a nova tecnologia oferece de diferente. Em áreas como a biotecnologia, uma proteção patentária consistente também pode ser decisiva.
- Não tente fazer tudo sozinho. Hernandes observa que, no Brasil, é comum o cientista fundador assumir ao mesmo tempo funções científicas, comerciais, regulatórias e de captação de recursos. À medida que um projeto avança, porém, incorporar pessoas com competências complementares pode acelerar o desenvolvimento da empresa.
- Use a resiliência construída na carreira científica. Experimentos que falham, hipóteses revistas e mudanças de rota fazem parte da formação de um pesquisador, e também do empreendedorismo. Startups muitas vezes precisam “pivotar”, isto é, alterar seu caminho, diversas vezes até encontrar uma solução viável.
- Não trate o empreendedorismo como uma ruptura obrigatória com a ciência. Uma pesquisa pode resultar em uma patente licenciada para uma empresa; o pesquisador pode se tornar fundador de uma startup, atuar como advisor ou continuar na academia. Há diferentes formas de participar da transformação do conhecimento em inovação.
- Conheça a jornada antes de tomar uma decisão. Para quem tem curiosidade sobre o empreendedorismo, o conselho mais prático de Camila Hernandes é se aproximar gradualmente desse universo: participar de eventos, conversar com pesquisadores que fizeram a transição e entender como é o dia a dia de quem criou uma empresa. “Não precisa ser uma ruptura súbita”, afirmou.
A principal recomendação para quem pretende começar é conversar com quem já percorreu esse caminho.
De acordo com Hernandes, a vida de um empreendedor envolve dificuldades e muitas portas fechadas, mas também aprendizado constante.
Conhecer essa realidade ajuda o pesquisador a avaliar quanto está disposto a se dedicar à jornada.
Acesse aqui a seção de vídeos do Science Arena e confira todos os episódios.
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