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Escrita científica: um passo a passo para o uso ético de IA
Ferramentas automatizam etapas e refinam texto, mas transparência e protagonismo humano seguem como pilares da produção científica
Para forçar a correção da IA ao verificar inconsistências, o pesquisador deve utilizar termos enfáticos, que acionam um nível de checagem mais profundo no modelo; assunto foi abordado em live realizada em maio pelo Science Arena | Imagem: Unsplash
“É proibido proibir”, disse o neurologista João Brainer, pesquisador clínico do Einstein Hospital Israelita e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sobre a adoção do uso da inteligência artificial (IA) generativa na pesquisa científica.
O avanço das diferentes plataformas e seu uso com rigor metodológico para o desenvolvimento científico foram tema do encontro virtual promovido pelo Science Arena no dia 28 de maio, com o objetivo de compartilhar dicas práticas para o uso ético desta tecnologia na criação de artigos científicos.
Em sua participação na live, Brainer disse que a premissa fundamental é: a máquina reflete a qualidade do comando humano. Se a pessoa que está pesquisando fornecer dados e instruções genéricas, obterá um artigo fraco.
O segredo reside na engenharia de prompts e na transparência.
A seguir, é possível conferir um roteiro prático para guiar a escrita de artigos científicos, com base na experiência compartilhada por João Brainer, que ministra um curso de IA na ciência no Einstein.
Assista à íntegra da live sobre uso de IA na escrita científica:
Comece por uma introdução de impacto
A introdução deve contextualizar o problema e capturar o interesse de quem lê, explica Brainer. Para evitar parágrafos genéricos, alimente a IA com os seus dados preliminares e referências-chave.
Prompt sugerido: “Escreva uma introdução de quatro a cinco parágrafos. No primeiro, traga a problematização [insira aqui o seu problema] e dê foco em [insira seus insights] e utilize as referências [indique referências]. O objetivo do texto é este [indique seu objetivo] Escreva de uma forma adequada, objetiva e evidente.”
Metodologia e resultados sem alucinações
Para Brainer, a metodologia é o coração do estudo. “É preciso seguir etapas, saber o que e como escrever cada uma delas, a parte ética, definir o plano de avaliação estatística”. Uma pista para assegurar o rigor científico são os standard guidelines para cada método de pesquisa.
Prompt sugerido: Faça o upload do guideline e do paper de fundamentação mais adequado a seu estudo e peça para a plataforma desenhar as etapas de sua metodologia. “Me pergunte informações pormenorizadas de cada item a partir deste modelo de metodologia aplicado ao meu estudo”. A partir dos seus dados, também é possível pedir que a IA monte um plano de análise estatística adequado aos objetivos do seu artigo.
João Brainer ressalta que, para forçar a correção da IA ao verificar inconsistências, o pesquisador deve utilizar termos enfáticos, que acionam um nível de checagem mais profundo no modelo.
Prompt sugerido: “Verifique se o que eu coloquei está condizente com o tipo de estudo que estou realizando, mostre onde está a ambiguidade ou incoerência.”
Não tenha medo de fazer três, quatro, cinco prompts em cima de um mesmo subtópico, porque isso vai garantir qualidade do seu paper.
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Organização inteligente de referências e dados
A validação das fontes é o pilar da legitimidade científica. Ferramentas especializadas como Consensus, Elicit, SciSpace ou Perplexity ajudam a mapear a literatura e organizar citações.
Além disso, a construção de elementos visuais necessita de descrições precisas.
Prompt para legendas de figuras/gráficos: “Crie uma legenda explicativa detalhada para este conjunto de dados [inserir dados do gráfico], destacando as variáveis analisadas”.
Transparência e ciência aberta
Para que o artigo seja considerado legítimo por revistas reconhecidas no meio acadêmico, Brainer defende que o autor sinalize explicitamente na metodologia ou nos agradecimentos em que partes e para qual finalidade a IA foi utilizada.
CONFIRA TAMBÉM: “O risco não é a IA, mas delegar à máquina o que é intelectual”, diz pesquisadora.
A auditoria dos dados é a melhor garantia do cientista contra acusações de plágio ou fraude. Por isso, ele também recomenda depositar os dados brutos e os comandos utilizados em plataformas públicas (como o Mendeley).
A IA poupa tempo na redação, mas o julgamento crítico, a responsabilidade ética e a validação final permanecem, inegociavelmente, humanas.
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O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).
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