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IA deixa de ser diferencial e entra no mapa da carreira científica
Atualização europeia do ResearchComp reforça que pesquisadores de diferentes áreas precisarão compreender usos, limites e riscos da tecnologia
Comissão Europeia passa a considerar o domínio responsável da inteligência artificial uma competência relevante para pesquisadores em diferentes estágios da carreira científica | Imagem: Unsplash
A Comissão Europeia atualizou o sistema ResearchComp, um quadro de referência padronizado para mapear, avaliar e desenvolver as chamadas competências transversais de pesquisadores, facilitando a transição de carreiras entre o meio acadêmico, a indústria e o setor público. Agora, a ferramenta inclui inteligência artificial (IA) entre as 39 competências mapeadas.
A atualização integra a Estratégia da Comissão Europeia para a IA na Ciência e foi publicada no portal oficial de empregos e pesquisa da instituição.
Com a inclusão, o domínio de IA deixa de figurar como diferencial técnico e passa a integrar o repertório esperado de qualquer pesquisador (de pesquisadores em início de carreira a lideranças científicas e institucionais).
Instituições e agências de fomento que adotam o ResearchComp como referência (o uso é voluntário) poderão empregá-lo para orientar desde a seleção de bolsistas até a avaliação de grupos de pesquisa.
Quatro níveis de proficiência
A competência em IA no ResearchComp é organizada em quatro níveis progressivos: básico, intermediário, avançado e especialista, que vão do reconhecimento conceitual dos limites e aplicações da tecnologia até a formulação de políticas institucionais para seu uso.
Os quatro níveis de competência em IA no ResearchComp
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Básico
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Compreende o que é IA, suas aplicações em pesquisa, reconhece benefícios, limitações e implicações éticas, com disposição para ampliar o conhecimento na área.
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Intermediário
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Avalia qual ferramenta de IA é mais adequada a determinada tarefa de pesquisa e aplica soluções existentes para facilitar o trabalho — como visualização de dados, análises preditivas e revisões de literatura.
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Avançado
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Desenvolve soluções de IA personalizadas para desafios complexos (como simulações avançadas, experimentação automatizada e coleta de dados), estabelece diretrizes de uso responsável e colabora com especialistas da área.
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Especialista
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Formula políticas e diretrizes éticas para o uso de IA, orienta outros pesquisadores e identifica soluções inovadoras com potencial de transformar as práticas de pesquisa.
Ética como fio condutor
A dimensão ética atravessa todos os níveis da competência. No básico, exige que o pesquisador reconheça implicações e desafios éticos do uso da tecnologia; no especialista, atribui a ele a responsabilidade de criar e aplicar diretrizes que assegurem práticas responsáveis e equitativas. A progressão, portanto, não é apenas técnica, é também de responsabilidade institucional.
Além da IA, o ResearchComp organiza outras competências em torno de sete grandes áreas: habilidades cognitivas, condução de pesquisa, gestão da pesquisa, gestão de ferramentas de pesquisa, geração de impacto, trabalho em equipe e autogestão.
Entre as 39 competências distribuídas nesse conjunto estão gestão de dados, ciência aberta, ciência cidadã e integridade científica.
Qualquer pesquisador, inclusive brasileiros, pode acessar o ResearchComp, uma ferramenta de autoavaliação online desenvolvida pela Comissão Europeia.
Por meio de um questionário de múltipla escolha, o instrumento permite identificar o próprio nível em cada uma das sete áreas de competência. O resultado pode ser usado para mapear lacunas na formação e orientar o desenvolvimento profissional.
O ResearchComp e a ferramenta de autoavaliação estão disponíveis gratuitamente no portal da Comissão Europeia: ResearchComp — European Competence Framework for Researchers.
A ferramenta de autoavaliação tem URL direta disponível no portal.
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