IA se torna diferencial competitivo para startups de saúde
Convergência entre biotecnologia e ciência da computação e exigências regulatórias para softwares médicos redefinem o perfil de cientistas e empreendedores
Softwares que apoiam diagnóstico e monitoramento de pacientes ainda precisam provar segurança e eficácia para se enquadrar como dispositivo médico | Imagem: Unsplash
No ecossistema de inovação em saúde, a inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma das áreas mais estratégicas para aceleradoras e investidores.
Startups de biotecnologia, dispositivos médicos e soluções digitais continuam atraindo interesse do setor, mas é a capacidade de aplicar IA que se destaca como diferencial competitivo, ao acelerar processos e ampliar o potencial de impacto clínico e de mercado.
Em live promovida pelo Science Arena em maio, Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein Hospital Israelita, afirmou que os projetos recebidos pela aceleradora Eretz.Bio refletem essa tendência.
“A IA ajuda a encurtar etapas e validar hipóteses com mais agilidade”, disse.
Bioconvergência acelera etapas da pesquisa em biotecnologia
No dia a dia da aceleradora, Pinheiro observa o crescimento da bioconvergência — a integração entre a biotecnologia e outras disciplinas, como as ciências da computação.
Segundo ela, cientistas que antes atuavam exclusivamente na biotecnologia passaram a recorrer à inteligência artificial para identificar moléculas e alvos terapêuticos antes de avançar para o desenvolvimento desses compostos.
A IA figura, assim, como ferramenta estratégica de apoio à pesquisa, usada para analisar grandes volumes de dados e reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos.
“A inteligência artificial veio para acelerar a área de biotecnologia, na descoberta de drogas e biomarcadores. Ter contato com a IA hoje é um diferencial, mas em breve vai ser um pré-requisito”, afirma Pinheiro.
Para Pinheiro, a IA não substitui o rigor científico, mas amplia a capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas, desde que o cientista aprenda a aplicá-la de forma estratégica e sustentável.
Softwares como dispositivo médico ganham espaço com o avanço da IA
O conceito de Software as a Medical Device (SaMD), aplicativos destinados a diagnóstico, prevenção, monitoramento ou tratamento de doenças, vem ganhando relevância à medida que a inteligência artificial se expande na área da saúde.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não reconhece a IA diretamente como dispositivo médico, mas empresas e aceleradoras têm buscado enquadrar suas soluções digitais dentro da categoria de SaMD.
Isso significa que softwares voltados a diagnóstico, apoio clínico ou monitoramento de pacientes precisam passar por processos de validação semelhantes aos exigidos para dispositivos médicos tradicionais.
Segundo Pinheiro, o trabalho envolve comprovar que essas soluções são seguras e efetivas, além de demonstrar custo-efetividade; ou seja, que o uso da IA gera retorno em termos de redução de despesas e ganhos adicionais para o sistema de saúde.
Na prática, aceleradoras como a Eretz.Bio apoiam startups desde soluções digitais simples até sistemas complexos baseados em IA, sempre com foco em atender às exigências regulatórias e garantir que o produto final possa ser adotado com confiança por médicos, hospitais e pacientes.
Formação interdisciplinar prepara pesquisadores para o novo cenário
Pinheiro destacou que programas de aceleração têm buscado preparar pesquisadores para esse cenário, oferecendo capacitação em propriedade intelectual, regulação e negociação, além de estimular conexões interdisciplinares.
Nesse contexto, o domínio de ferramentas de IA já aparece como um diferencial que, segundo ela, deve se tornar em breve uma competência imprescindível.
Como a IA atua na inovação em saúde
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1. Descoberta de moléculas e alvos terapêuticos
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análise de grandes bases de dados para acelerar a identificação de candidatos a fármacos.
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2. Software como dispositivo médico (SaMD)
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sistemas de diagnóstico, apoio clínico e monitoramento passam por validação regulatória semelhante à de dispositivos médicos tradicionais.
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3. Custo-efetividade
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soluções precisam demonstrar segurança, eficácia e retorno financeiro para o sistema de saúde.
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4. Formação interdisciplinar
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capacitação em propriedade intelectual, regulação e negociação prepara pesquisadores para atuar com IA de forma estratégica.
Para conhecer mais caminhos para empreender a partir da ciência, assista à conversa completa com Camila Hernandes Pinheiro.
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