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03.08.2026 Inovação

IA se torna diferencial competitivo para startups de saúde 

Convergência entre biotecnologia e ciência da computação e exigências regulatórias para softwares médicos redefinem o perfil de cientistas e empreendedores

Mulher de cabelo escuro preso em rabo de cavalo, descalça, vestindo blusa azul e calça preta, usa óculos de realidade virtual e colete com sensores presa a uma plataforma de equilíbrio; ao lado, homem de jaleco branco opera um notebook em um carrinho com computador e impressora, enquanto uma tela grande à frente exibe a captura de movimento em tempo real. Softwares que apoiam diagnóstico e monitoramento de pacientes ainda precisam provar segurança e eficácia para se enquadrar como dispositivo médico | Imagem: Unsplash

No ecossistema de inovação em saúde, a inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma das áreas mais estratégicas para aceleradoras e investidores. 

Startups de biotecnologia, dispositivos médicos e soluções digitais continuam atraindo interesse do setor, mas é a capacidade de aplicar IA que se destaca como diferencial competitivo, ao acelerar processos e ampliar o potencial de impacto clínico e de mercado.

Em live promovida pelo Science Arena em maio, Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein Hospital Israelita, afirmou que os projetos recebidos pela aceleradora Eretz.Bio refletem essa tendência. 

“A IA ajuda a encurtar etapas e validar hipóteses com mais agilidade”, disse.

Bioconvergência acelera etapas da pesquisa em biotecnologia

No dia a dia da aceleradora, Pinheiro observa o crescimento da bioconvergência — a integração entre a biotecnologia e outras disciplinas, como as ciências da computação. 

Segundo ela, cientistas que antes atuavam exclusivamente na biotecnologia passaram a recorrer à inteligência artificial para identificar moléculas e alvos terapêuticos antes de avançar para o desenvolvimento desses compostos.

A IA figura, assim, como ferramenta estratégica de apoio à pesquisa, usada para analisar grandes volumes de dados e reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos.

“A inteligência artificial veio para acelerar a área de biotecnologia, na descoberta de drogas e biomarcadores. Ter contato com a IA hoje é um diferencial, mas em breve vai ser um pré-requisito”, afirma Pinheiro.

Para Pinheiro, a IA não substitui o rigor científico, mas amplia a capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas, desde que o cientista aprenda a aplicá-la de forma estratégica e sustentável.

Softwares como dispositivo médico ganham espaço com o avanço da IA

O conceito de Software as a Medical Device (SaMD), aplicativos destinados a diagnóstico, prevenção, monitoramento ou tratamento de doenças, vem ganhando relevância à medida que a inteligência artificial se expande na área da saúde. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não reconhece a IA diretamente como dispositivo médico, mas empresas e aceleradoras têm buscado enquadrar suas soluções digitais dentro da categoria de SaMD.

Isso significa que softwares voltados a diagnóstico, apoio clínico ou monitoramento de pacientes precisam passar por processos de validação semelhantes aos exigidos para dispositivos médicos tradicionais.

Segundo Pinheiro, o trabalho envolve comprovar que essas soluções são seguras e efetivas, além de demonstrar custo-efetividade; ou seja, que o uso da IA gera retorno em termos de redução de despesas e ganhos adicionais para o sistema de saúde.

Na prática, aceleradoras como a Eretz.Bio apoiam startups desde soluções digitais simples até sistemas complexos baseados em IA, sempre com foco em atender às exigências regulatórias e garantir que o produto final possa ser adotado com confiança por médicos, hospitais e pacientes.

Formação interdisciplinar prepara pesquisadores para o novo cenário

Pinheiro destacou que programas de aceleração têm buscado preparar pesquisadores para esse cenário, oferecendo capacitação em propriedade intelectual, regulação e negociação, além de estimular conexões interdisciplinares.

Nesse contexto, o domínio de ferramentas de IA já aparece como um diferencial que, segundo ela, deve se tornar em breve uma competência imprescindível.

Como a IA atua na inovação em saúde

1. Descoberta de moléculas e alvos terapêuticos

análise de grandes bases de dados para acelerar a identificação de candidatos a fármacos.

2. Software como dispositivo médico (SaMD)

sistemas de diagnóstico, apoio clínico e monitoramento passam por validação regulatória semelhante à de dispositivos médicos tradicionais.

3. Custo-efetividade

soluções precisam demonstrar segurança, eficácia e retorno financeiro para o sistema de saúde.

4. Formação interdisciplinar

capacitação em propriedade intelectual, regulação e negociação prepara pesquisadores para atuar com IA de forma estratégica.

Para conhecer mais caminhos para empreender a partir da ciência, assista à conversa completa com Camila Hernandes Pinheiro.

* É permitida a republicação das reportagens e artigos em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.
O texto não deve ser editado e a autoria deve ser atribuída, incluindo a fonte (Science Arena).

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