Programa ajuda pesquisadores a levar descobertas científicas à prática
Iniciativa do Einstein apoia a criação de soluções para o SUS e o setor privado sem afastar cientistas da academia
Escritório da Eretz.bio, em São Paulo, onde pesquisadores e empreendedores desenvolvem soluções inovadoras para a área da saúde | Imagem: Egberto Nogueira
Nos últimos anos, a Eretz.bio, aceleradora de startups do Einstein Hospital Israelita, tem se consolidado como um dos polos de inovação em saúde no Brasil.
Criada em 2017, inicialmente como incubadora de soluções digitais, biotecnologia e dispositivos médicos, a organização passou a oferecer programas cada vez mais direcionados.
Em 2022, com uma trilha específica para biotecnologia, e agora com o programa Deep Up, voltado a cientistas que querem empreender sem renunciar ao rigor acadêmico.
O programa parte da constatação de que muitos doutorandos e pós-doutores desenvolvem ideias promissoras, mas carecem de ferramentas para transformar seus estudos em produto.
“Ver seu conhecimento científico aplicado na prática em soluções inovadoras para o Sistema Único de Saúde [SUS] ou o setor privado é uma experiência transformadora”, destacou Camila Hernandes Pinheiro, diretora de Alianças e Novos Negócios em Inovação do Einstein, durante um encontro virtual promovido pelo Science Arena.
Como funciona o Deep Up
O Deep Up é um programa gratuito, com seleção via edital, estruturado em uma trilha de três meses.
Os participantes passam por mentorias e encontros com especialistas, pacientes e representantes da indústria para validar hipóteses e entender se suas ideias têm apelo para se tornar um produto no mercado.
“Enquanto cientistas, somos muito presos à nossa pesquisa. O programa ajuda a enxergar se aquela dor que queremos resolver é de fato uma dor real”, explicou Camila Hernandes Pinheiro.
Temas abordados no Deep Up
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1. Propriedade intelectual
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quando e como proteger descobertas.
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2. Regulação
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caminhos para transformar pesquisa em produto aprovado.
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3. Negociação
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como dialogar com farmacêuticas e investidores.
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4. Visão de mercado
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escalabilidade, viabilidade e impacto social.
Onde buscar recursos
Um dos pontos centrais do programa é orientar pesquisadores sobre financiamento. A Eretz.bio apresenta aos participantes diferentes fontes, como agências de fomento, editais públicos e privados voltados à inovação em saúde e parcerias com farmacêuticas e empresas de equipamentos médicos, que podem licenciar tecnologias ou apoiar projetos em fase inicial.
Camila Hernandes reconhece que ainda existe resistência dentro da academia em relação ao mercado, mas afirma que o cenário está mudando.
“Por muito tempo, ciência e mercado foram colocados em lados opostos. Mas eles podem, sim, convergir”, disse.
A disciplina de empreendedorismo oferecida nos programas de pós-graduação do Einstein reforça essa visão, mostrando que resultados de teses e dissertações podem se tornar medicamentos, diagnósticos ou startups sem que o pesquisador precise abandonar a carreira acadêmica.
Para saber mais sobre empreendedorismo científico e a atuação da Eretz.bio na conversão de pesquisas em negócios, confira a entrevista completa com Camila Hernandes Pinheiro no Science Arena.
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