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	<title>#América Latina | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#América Latina | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Oficinas ensinam pesquisadores a comunicar ciência para o público</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/oficinas-ensinam-pesquisadores-a-comunicar-ciencia-para-o-publico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Apr 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Oficinas de divulgação científica no Equador formam pesquisadores em redes sociais, apresentações e gestão de privilégios</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desenvolver <strong>habilidades de comunicação científica </strong>ainda é um desafio para pesquisadores. São raros os cursos voltados à prática da divulgação, sobretudo na América Latina. Como resultado, <strong>muitos cientistas têm dificuldade para criar iniciativas que envolvam o público em suas pesquisas</strong> e atender as demandas das agências de fomento.&nbsp;</p>



<p>Para enfrentar esse problema, um grupo de pesquisadores do Equador e dos Estados Unidos organizou <strong>oficinas de comunicação científica</strong> para ajudar acadêmicos a desenvolver habilidades de autorreflexão, preparar apresentações para públicos não especializados e produzir conteúdo para redes sociais. <a href="https://jcom.sissa.it/article/pubid/JCOM_2405_2025_N01/?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os resultados foram publicados em setembro de 2025 no Journal of Science Communication (JCOM)</a>.</p>



<p>Ao todo, 12 pesquisadores das áreas de <strong>saúde pública</strong>, <strong>planejamento urbano</strong>, <strong>educação</strong> e <strong>comunicação</strong> participaram da iniciativa. O desafio comum a todos era encontrar formas de melhorar o desenho de espaços públicos na cidade andina de Cuenca, no Equador, a partir da análise de hábitos de atividade física de adolescentes de 12 a 17 anos em parques e áreas públicas da região. As oficinas adotaram a metodologia de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Action_learning" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aprendizagem pela ação</a>, adaptada ao ambiente de trabalho das equipes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Formato das oficinas</strong></h2>



<p>Dois instrutores conduziram os encontros, oferecendo recursos e propondo <strong>atividades alinhadas a desafios concretos do cotidiano dos participantes</strong>, que tinham de aplicar na prática os conhecimentos e habilidades desenvolvidos ao longo da formação.&nbsp;</p>



<p>As oficinas ocorreram em formato híbrido, com sessões presenciais e online, para estimular a <strong>aprendizagem ativa</strong> e garantir flexibilidade. Cada encontro, com quatro horas de duração, combinou exposições teóricas e atividades orientadas, previamente elaboradas por um dos coordenadores da iniciativa.</p>



<p>A primeira oficina ocorreu ainda na fase de pré-planejamento do projeto, antes do início do recrutamento do público-alvo. O objetivo foi <strong>capacitar os pesquisadores a construírem relações mais éticas com os participantes</strong> e demais atores envolvidos.&nbsp;</p>



<p>Uma das atividades buscou fortalecer o vínculo entre os pesquisadores e estimular a consciência sobre diferentes camadas de privilégios.&nbsp;</p>



<p>Os instrutores os fizeram refletir sobre seus contextos sociais, culturais e pessoais, de modo a desenvolver estratégias de gestão de privilégios que favorecessem relações mais éticas e equitativas em colaborações com colegas e com o público.</p>



<p>A segunda oficina treinou os pesquisadores em técnicas de apresentação e produção de conteúdo para as redes sociais, com foco em formatos mais atraentes para públicos amplos. Foram apresentadas estratégias utilizadas em ambientes empresariais e de empreendedorismo para apresentar ideias de forma persuasiva, com apoio de técnicas narrativas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os participantes criaram uma iniciativa de comunicação científica combinando redes sociais e oficinas para divulgar os resultados do estudo e promover parques mais seguros em Cuenca, <strong>em parceria com a comunidade</strong>, organizações de base e o poder público.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resultados e avaliação</strong></h2>



<p>Os resultados indicam que a iniciativa foi bem recebida. Ao final das oficinas, nove dos 12 participantes avaliaram ter alcançado domínio intermediário das habilidades trabalhadas, e 97% consideraram as atividades úteis para desenvolver competências em divulgação científica.&nbsp;</p>



<p>O treinamento em redes sociais foi apontado como o mais proveitoso por 11 dos 12 pesquisadores, enquanto oito classificaram as técnicas de apresentação e produção de conteúdo como extremamente úteis. O exercício de autorreflexão antes do contato com os adolescentes também ampliou a consciência dos participantes sobre seus privilégios e formas de administrá-los.</p>



<p>Ao fim, os pesquisadores não só delinearam estratégias para apoiar os jovens e a comunidade de Cuenca, em parceria com organizações e autoridades locais. Eles também transformaram os achados do estudo em conteúdo para as redes sociais, destacando que parte da população evita parques públicos por questões de segurança.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As oficinas abriram espaço para que os participantes desenvolvessem iniciativas de comunicação com os grupos pesquisados e atores comunitários, além de firmar novas parcerias. </p></blockquote></figure>



<p>A conclusão é de que fortalecer essas habilidades — sobretudo entre <strong>pesquisadores em início de carreira</strong> — pode ampliar o <a href="https://www.jcom.sissa.it/tag/public-engagement" target="_blank" rel="noreferrer noopener">engajamento público</a> e tornar mais eficazes as ações de comunicação científica, especialmente quando os pesquisadores incorporam o uso estratégico das redes sociais.</p>
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		<title>Desigualdades na ciência afetam pesquisadores em início de carreira</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/desigualdades-na-ciencia-afetam-pesquisadores-inicio-de-carreira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 17:59:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Panorama]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira acadêmica]]></category>
		<category><![CDATA[#desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[#microbiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#publicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Editorial da mBio analisa barreiras enfrentadas por cientistas latino-americanos e de pequenas universidades dos EUA</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12153304/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">editorial publicado na revista científica <em>mBio</em></a>, da Sociedade Americana de Microbiologia, traz um alerta sobre as <strong>desigualdades enfrentadas por pesquisadores em início de carreira na América Latina e em pequenas universidades dos Estados Unidos</strong>.</p>



<p>Publicado no ano passado, o texto chama atenção para a <strong>sub-representação de pesquisadores de países de língua espanhola na América Latina e de instituições de menor porte nos EUA nos grandes bancos de dados científicos internacionais</strong>, apesar da riqueza de produção científica e relevância regional dessas comunidades.</p>



<p>O texto, intitulado <em>“</em><a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12153304/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Common challenges faced by early-career researchers in Latin American and small U.S. universities</em></a><em>”</em>, é assinado por <strong>Daniela Cejas </strong>(Universidade de Buenos Aires, Argentina)<strong>, Fatima Rodriguez Acosta </strong>(Universidade Nacional de Assunção, Paraguai)e<strong> Juan Rivera-Correa </strong>(City University de Nova York, EUA).</p>



<p>Para os autores, fatores estruturais e econômicos — como altos custos de publicação em periódicos de alto impacto (que cobram taxas de processamento de artigos, as APCs), sobrecarga de trabalho docente e administrativo e menor acesso a financiamento competitivo — limitam a capacidade desses cientistas de publicar em revistas de maior prestígio.</p>



<p>No caso da América Latina, essa realidade se soma a <strong>desafios de investimento em pesquisa e desenvolvimento</strong> (P&amp;D), que influenciam diretamente a visibilidade global dos estudos produzidos na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Perspectivas excluídas</strong></h2>



<p>Os pesquisadores também destacam que essas barreiras não apenas afetam a<strong> trajetória individual dos cientistas em início de carreira</strong>, mas também têm implicações mais amplas para a ciência global, ao <strong>excluir perspectivas científicas importantes</strong>, sobretudo em áreas com elevada diversidade biológica e cargas de doenças endêmicas.</p>



<p>Como caminhos para redução dessas desigualdades, o editorial sugere ações como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ajustes em políticas de publicação que considerem contextos econômicos diferenciados;</li>



<li>Iniciativas colaborativas que ampliem o acesso aos recursos editoriais e às redes científicas internacionais.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“As revistas mais influentes do mundo poderiam fazer chamadas específicas para tópicos de pesquisa internacionais em locais sub-representados, particularmente para cientistas que trabalham em áreas endêmicas de infecções, o que seria uma forma direcionada de abordar essas questões”, sugerem os autores.</p></blockquote></figure>



<p>“Enfrentar esse problema e apoiar pesquisadores da América Latina e de pequenas universidades dos EUA proporcionará avanços sustentáveis ​​e duradouros para a pesquisa microbiológica global.”</p>



<p>Inserido no debate sobre ciência e equidade global, o editorial do <em>mBio</em> reforça uma discussão urgente: <strong>a necessidade de tornar a ciência mais inclusiva e representativa</strong> – refletindo a diversidade de contribuições e realidades que existem para além dos centros tradicionais de pesquisa.</p>
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		<title>Genética psiquiátrica: estudos ignoram América Latina e ampliam desigualdades </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/genetica-psiquiatrica-estudos-ignoram-america-latina-e-ampliam-desigualdades/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2025 15:17:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[#genética]]></category>
		<category><![CDATA[#psiquiatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falta de diversidade étnica em pesquisas pode privar populações miscigenadas de diagnósticos e tratamentos mais precisos </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um<a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fwww.nature.com.mcas.ms%2Farticles%2Fs41588-025-02127-z%3FMcasTsid%3D15600%23author-information&amp;McasCSRF=370c7c957e795d41776015cec4c543b9f6410b7879a965751dac9d1f0769c888" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> estudo publicado na revista <em>Nature Genetics</em></a> revelou que 85% dos participantes de pesquisas em <strong>genética psiquiátrica</strong> têm <strong>ancestralidade europeia</strong>. A <strong>baixa representatividade de populações miscigenadas</strong>, como as latino-americanas, pode impedir o acesso a novas ferramentas de diagnóstico e tratamento no campo da <strong>psiquiatria de precisão</strong>.&nbsp;</p>



<p>“Esse desequilíbrio na diversidade ancestral das amostras incluídas nesses estudos pode limitar nosso entendimento da genética psiquiátrica humana e criar novas desigualdades na saúde”, alerta Diego Rovaris, geneticista da Universidade de São Paulo (USP) e primeiro autor do estudo.</p>



<p>Ao <strong>Science Arena</strong>, Rovaris explica que a complexidade genética das populações da América Latina e a falta de financiamento para pesquisas na região são fatores que dificultam sua inclusão. O genoma latino-americano é resultado da mistura entre diferentes origens populacionais, o que exige abordagens específicas, muitas delas ainda em desenvolvimento, e maior investimento científico.</p>



<p>“É fundamental aumentar a diversidade das amostras em estudos psiquiátricos”, afirma a geneticista Maria Cátira Bortolini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que não participou do estudo. “Esse trabalho deve chamar atenção de autoridades e órgãos financiadores.”&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">A base genética dos transtornos psiquiátricos&nbsp;</h2>



<p>Para entender a base genética dos transtornos psiquiátricos, os cientistas utilizam a metodologia<a href="https://mcas-proxyweb.mcas.ms/certificate-checker?login=false&amp;originalUrl=https%3A%2F%2Fwww.genome.gov.mcas.ms%2Fgenetics-glossary%2FGenome-Wide-Association-Studies-GWAS%3FMcasTsid%3D15600&amp;McasCSRF=370c7c957e795d41776015cec4c543b9f6410b7879a965751dac9d1f0769c888" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> GWAS</a> (Estudo de Associação Genômica Ampla).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O método compara o genoma de pessoas com e sem determinados transtornos, buscando variantes associadas ao risco de desenvolvimento da doença.&nbsp;</p>



<p>Um estudo recente sobre depressão analisou 5 milhões de participantes, incluindo miscigenados, e identificou dezenas de variantes genéticas relevantes. As variantes de risco são mutações que, isoladamente, têm efeito pequeno, mas, em conjunto, podem influenciar o surgimento de transtornos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Os genes afetados interagem entre si, e seu impacto depende da composição genética do indivíduo”, explica Bortolini, da UFRGS. “Uma variante pode representar risco numa população europeia, mas não entre latino-americanos.”&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Com base nas variantes identificadas, os pesquisadores investigam as vias biológicas associadas, como a produção de dopamina, neurotransmissor relacionado à atenção e ao controle de impulsos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Em um GWAS de TDAH, identificamos 76 genes de risco, que atuam, principalmente, em neurônios que se comunicam por meio de dopamina em regiões do cérebro importantes para a atenção,” destaca Rovaris.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Terapias mais eficazes e diversificação de amostras&nbsp;</h2>



<p>Uma das ferramentas que está sendo aperfeiçoada é o Escore de Risco Poligênico (PRS, na sigla em inglês), que mede a <strong>predisposição genética a um transtorno a partir da análise das variantes no DNA</strong>. “Quem já nasce com muitas variantes associadas a um transtorno tende a ter um risco aumentado para desenvolver esse transtorno ao longo da vida, assim como um pior prognóstico”, observa Rovaris.</p>



<p>A aplicação do ERP em aconselhamento genético pode ajudar na prevenção e escolha de terapias mais eficazes. No entanto, é fundamental que o escore seja calibrado com dados da população local.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Não adianta usar um ERP feito na Europa ou nos EUA para a população brasileira”, ressalta Rovaris.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Para ampliar a diversidade nos estudos, foi criado o <strong>Consórcio de Genômica Latino-Americano</strong>, reunindo mais de cem geneticistas de diversos países da região. A iniciativa busca facilitar a formação de equipes, captar recursos e capacitar pesquisadores.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>“Esse artigo serve como um guia para a diversificação das amostras”, observa Bortolini.&nbsp;</p>



<p>O consórcio também atua na ampliação dos bancos de dados regionais, para engajar mais participantes e fortalecer a representatividade das populações latino-americanas na ciência psiquiátrica.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Nosso objetivo é promover a colaboração científica na América Latina e expandir os bancos de dados com amostras representativas da região e tornar a psiquiatria de precisão uma realidade para todos, independentemente de grupo étnico e nível socioeconômico”, conclui Rovaris.</p>
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		<title>Como as mudanças climáticas impactam a saúde de latino-americanos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/como-as-mudancas-climaticas-impactam-a-saude-de-latino-americanos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 13:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[#Poluição]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[#Sul Global]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relatório da revista The Lancet elaborado por pesquisadores da América Latina alerta para o agravamento de doenças e perdas econômicas que podem atingir populações mais pobres</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por conta das mudanças climáticas, eventos extremos como chuvas intensas, secas severas e fortes ondas de calor devem se tornar cada vez mais frequentes no mundo. Na esteira desse processo, além do risco de surgirem novas epidemias, o recrudescimento da crise climática atual tende a agravar doenças respiratórias e arboviroses (como dengue e zika) e aumentar a prevalência de desnutrição e obesidade.</p>



<p>A relação causal entre mudanças climáticas, desastres e saúde ainda é um campo incipiente de pesquisa, mas que vem ganhando força nos últimos anos nas mais diversas áreas de interesse científico.&nbsp;</p>



<p>Um grupo de 34 pesquisadores da América Latina, de diferentes campos do conhecimento, voltou os olhares para essas questões e analisou as consequências da crise climática na saúde humana.</p>



<p>A equipe desenvolveu aproximadamente 40 indicadores – elaborados por 23 instituições regionais e agências da Organização das Nações Unidas (ONU) – a serem observados em 17 países. Os resultados foram publicados no relatório <a href="https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2667-193X%2824%2900073-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>The 2023 Latin America report of the Lancet Countdown on health and climate change</em></a>, divulgado em maio.</p>



<p>“É um documento estratégico que traz evidências científicas importantes sobre o que está acontecendo nestes territórios”, explicou ao <strong>Science Arena</strong> a epidemiologista Stella Hartinger, pesquisadora do Centro Latino-Americano de Excelência em Mudanças Climáticas e Saúde da Universidade Peruana Cayetano Heredia, em Lima, e autora principal do relatório.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores encontraram dados preocupantes. A incidência de casos de dengue teve, em média, aumento de 54% em todo o território latino-americano entre 2013 e 2022. Destaque para Bolívia (145%), Peru (95%) e Brasil (94,5%).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Aumentos de temperatura fazem com que os mosquitos se movam para lugares onde antes não estavam presentes e, agora, há epidemias de dengue em vários locais”, avalia Stella Hartinger.</p></blockquote></figure>



<p>Em 2022, a população latino-americana esteve exposta a temperaturas cerca de 0,38°C maiores do que em 2005. Paraguai, Argentina e Uruguai foram os países que sofreram maior aumento de temperatura média.</p>



<p>&nbsp;Entre 2013 e 2022, crianças menores de 1 ano de idade foram expostas a 248% mais dias de calor, comparado com o período de 1986 a 2005. Já pessoas acima dos 65 anos viveram 271% mais dias quentes. Nesta faixa etária, as mortes prematuras aumentaram em 140% desde o ano 2000 – o que afetou negativamente a economia, segundo o relatório.</p>



<p>Além das perdas de geração de renda devido às mortes, o aumento do calor afeta a produtividade dos trabalhadores, ocasionando potencial perda de cerca de US$ 1,7 bilhões. Os principais setores afetados são os da construção civil e da agricultura. O setor da agricultura, por exemplo, foi o mais impactado no Equador, Peru, Guatemala, Paraguai, Honduras e Nicarágua.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Impactos na alimentação</mark></strong></h2>



<p>Perdas no cultivo de alimentos impactam não somente a renda dos produtores, mas também o acesso a alimentos de maneira geral, o que pode ter consequências importantes para a saúde da população.</p>



<p>“As mudanças climáticas estão conectadas tanto ao aumento da prevalência de obesidade quanto ao de desnutrição, não de maneira direta, mas de maneira indireta por meio da produção de alimentos”, explica a nutricionista Aline Martins de Carvalho, professora e coordenadora do <a href="https://www.fsp.usp.br/sustentarea/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Núcleo Sustentarea</a> da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do relatório na <em>Lancet.</em></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina.jpg" alt="" class="wp-image-4395" style="width:754px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina-800x534.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Calor-Argentina-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Turistas se refrescam em praia na cidade de Necochea, na Argentina, durante onde de calor em 2023 | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<p>De acordo com Carvalho, ondas de calor, incêndios, secas e enchentes podem afetar produções agrícolas de maneira severa, modificando não apenas a forma de produzir alimentos, mas também suas qualidades nutricionais.</p>



<p>Onze países tiveram aumento no número de dias em que as pessoas foram expostas a riscos de incêndios altos ou extremamente altos entre 2013 e 2022, quando comparados ao período de 2001 a 2010. Chile, Venezuela, Argentina, Colômbia e Brasil foram os mais afetados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O aumento de gás carbônico [CO<sub>2</sub>] em um ambiente, causado por eventos climáticos, pode alterar o teor nutricional de alimentos básicos para a população, entre eles arroz e milho. Isso pode provocar deficiências nutricionais”, comenta Carvalho, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>A questão acaba agravando, portanto, o fluxo de desnutrição e insegurança alimentar e nutricional. Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), <a href="https://www.fao.org/policy-support/tools-and-publications/resources-details/en/c/1236494/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chamada FIES</a> (sigla em inglês para <em>escala de experiência de insegurança alimentar</em>), apontou que, em 2021, 37% dos latino-americanos declararam que não conseguem comer alimentos saudáveis e nutritivos, enquanto 33% afirmaram comer menos do que deveriam.</p>



<p>Além disso, cerca de 9,9 milhões de pessoas sofreram com insegurança alimentar moderada ou grave devido a um maior número de ondas de calor e secas, em comparação com a média de 1981 a 2010.</p>



<p>Grandes desastres ambientais podem provocar redução ao acesso a alimentos como um todo e, consequentemente, diminuição da qualidade da dieta, afirma a nutricionista Raquel Santiago, professora da Faculdade de Enfermagem e Nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG), colaboradora do relatório da <em>Lancet </em>e do Grupo de Estudos em Saúde Planetária da USP.&nbsp;</p>



<p>&#8220;O custo de alimentos é bastante elevado, especialmente os de qualidade. Nesse caso, a população consome alimentos de baixa qualidade nutricional e dietas pouco diversificadas&#8221;, explica Santiago.</p>



<p>Com isso, enfatiza a pesquisadora, &#8220;há o incremento de doenças crônicas não transmissíveis de forma significativa, como câncer, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes.&#8221;</p>



<p>De acordo com Santiago, observa-se hoje um aumento da insegurança alimentar pela diminuição do acesso aos alimentos em si e do acesso a uma dieta de qualidade e equilibrada, baseada no consumo adequado de nutrientes.</p>



<p>Uma dieta balanceada deve seguir a proporção aproximada de consumo de 50% de produtos de origem vegetal, como legumes e verduras, 25% de grãos integrais e 25% de proteínas, que não necessariamente precisam ser provenientes de carne.</p>



<p>“Proporcionalmente falando, o brasileiro tem preferência por alimentos de origem animal&#8221;, diz Santiago. &#8220;No entanto, reforço que nem sempre o acesso é adequado e, com isso, os riscos e casos de insegurança alimentar e nutricional aumentam&#8221;, ressalva. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Aumento da população urbana</mark></strong></h2>



<p>Outra avaliação importante do relatório divulgado pela revista <em>Lancet </em>se refere ao aumento da população urbana nas cidades. A estimativa é de que 80% dos habitantes da América Latina residam em grandes cidades, onde há maior exposição a riscos climáticos e não-climáticos que afetam a saúde e o bem-estar. Uma pesquisa citada no relatório, feita em 208 cidades da América do Sul, apontou que os maiores problemas de saúde nos centros urbanos são doenças infecciosas, enchentes e ondas de calor.</p>



<p>A maioria (93,8%) dos habitantes de áreas urbanas tem acesso a fontes de energia limpa, mas a produção de eletricidade a partir do carvão cresceu 2,6%. Investimentos em matriz energética mais limpa cresceram em 2022 em todo o continente, mas o uso de combustíveis fósseis ainda é alto.</p>



<p>Em toda a região, 96% do transporte rodoviário é movido por queima de combustíveis fósseis, como óleo diesel, o que agrava o <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/cerebro-poluido/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">problema da poluição</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="1000" height="750" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia.jpg" alt="" class="wp-image-4397" style="width:754px" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia-800x600.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia-400x300.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia-768x576.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Queimada-Colombia-150x113.jpg 150w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bombeiro caminha em campo queimado após incêndio florestal em Bosa, na Colômbia, em 2023 | Imagem: Shutterstock</figcaption></figure>



<p>Mortes prematuras atribuídas a material particulado fino (PM 2.5) – partículas em suspensão no ar, geradas pela queima de biomassa, que contribuem para a poluição – aumentaram 3,9% entre 2005 e 2020, o equivalente a 123 mortes por milhão de pessoas. Os países mais afetados foram Chile, Peru, Brasil e Colômbia.</p>



<p>Nenhuma das 109 cidades com mais de 500 mil habitantes tem áreas verdes em níveis considerados altos. Apenas 12 têm espaços considerados moderados – sendo cinco delas localizadas na Venezuela.</p>



<p>A expansão de parques pode trazer benefícios significativos para a saúde e resiliência climática aos centros urbanos, de acordo com o relatório da <em>Lancet</em>, além de promover maior bem-estar físico e mental aos moradores, reduzindo a mortalidade.</p>



<p>“A expansão de áreas verdes resulta na redução da poluição atmosférica e sonora”, explicam os autores no documento. “Também pode aumentar a oferta de lugares para prática de exercícios e interação social.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Desigualdades entre Norte e Sul</mark></strong></h2>



<p>Os resultados observados demonstram disparidade da situação e das consequências climáticas entre o Norte e o Sul global. Isso explica a importância de um trabalho com foco na América Latina.</p>



<p>“No início das pesquisas do <em>The Lancet Countdown</em>, o foco era nos países do Norte global”, reconhece Stella Hartinger, de Lima, no Peru. “Contudo, o contexto do Sul é diferente. Nós nos aproximamos por causa da vulnerabilidade social, da pouca governança ambiental que temos em países do Sul, entre outros fatores”, comenta Hartinger.</p>



<p>Entre os países analisados no relatório, apenas o Brasil e a Guatemala relataram ter concluído avaliações de adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas em termos de saúde. Brasil, Chile e Uruguai são os únicos com uma estratégia (ou plano nacional) desse gênero em vigor.</p>



<p>O nível de implementação do Brasil, no entanto, foi considerado moderado. Argentina, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua e Peru relataram ter planos em desenvolvimento.</p>



<p>A maioria dos planos de adaptação às mudanças climáticas observados inclui informações sobre o impacto do clima na saúde da população e nos sistemas de saúde com base em evidências apresentadas na literatura científica internacional ou global.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A equipe latino-americana, no entanto, destaca a necessidade de se produzir mais de evidências, em nível local, para que haja mais clareza e consistência no planejamento e na implementação de medidas de adaptação às alterações do clima.</p></blockquote></figure>



<p>“Há um potencial muito grande no Sul global, principalmente na América Latina, para mitigar danos das mudanças climáticas”, avalia Raquel Santiago, da UFG. “Temos as maiores reservas ambientais ainda de pé, mas falta comprometimento das populações e dos governos na manutenção dos processos da natureza.”</p>



<p>&#8220;Não existe uma fiscalização eficiente de desmatamentos &#8216;clandestinos&#8217;, especialmente em regiões de bacias hídricas e matas ciliares&#8221;, argumenta Santiago. “É preciso ter uma linha de pensamento coerente e investimentos não somente em pesquisa, mas também em tecnologia.”</p>



<p>“Mudanças climáticas é um tema que não deveria ser politizado”, reflete Hartinger. “Não se trata de um problema exclusivo da direita ou da esquerda, não adianta apontar dedos para apenas um espectro político. É um desafio de todos.”</p>



<p></p>
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		<title>Sistemas de saúde na América Latina têm fragmentação e desigualdades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Feb 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[#desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[#SUS]]></category>
		<category><![CDATA[#telemedicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo sobre a cobertura médica no Peru, México, Colômbia e Uruguai mostra problemas da falta de um sistema único</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A atenção à saúde na América Latina avançou muito desde os anos 1990, quando houve uma preocupação dos governos da região com a cobertura universal da saúde. No entanto, ela ainda é marcada por desigualdades e deficiências severas, como a fragmentação do atendimento. Essa é a conclusão de um estudo realizado em quatro países: Peru, México, Colômbia e Uruguai.&nbsp;</p>



<p><a href="https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(23)00488-6/fulltext#%20" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Publicado</a> na revista <em>The Lancet Global Health</em>, o estudo perguntou diretamente aos usuários questões como o nível de satisfação com o sistema de saúde  – público, misto ou privado. </p>



<p>A pesquisa foi realizada por telefone, entre julho de 2022 e janeiro de 2023. No mínimo 1.000 e no máximo 1.250 adultos foram ouvidos em cada país.&nbsp;</p>



<p>Entre os assuntos abordados estavam: cobertura do sistema, experiência do usuário, competência e confiança no sistema. Foi calculado, ainda, um índice de desigualdade a partir da renda e da educação dos entrevistados.</p>



<p>No geral, observou-se um elevado acesso aos cuidados da saúde como um todo, mas apenas um terço relatou ter serviços de alta qualidade – e somente 25% das pessoas com diagnósticos de saúde mental disseram ter sido devidamente atendidas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Dois terços dos entrevistados confirmaram ter acesso a cuidados preventivos relevantes e 42% dos idosos foram rastreados para doenças cardiovasculares.</p></blockquote></figure>



<p>Nos quatro países, tópicos mais específicos como o acesso à telemedicina, a comunicação e a autonomia na consulta mais recente, os tempos de espera e a realização de exames de saúde preventivos revelaram desigualdades que favorecem as pessoas com os rendimentos mais elevados.</p>



<p>Foram levadas em consideração as desigualdades socioeconômicas entre os quatro países e dentro deles, e também questões particulares de cada um, como as ligadas à corrupção e a turbulências de ordem política.&nbsp;</p>



<p>No Peru, onde 61% da população é atendida pelo programa do Ministério da Saúde (que&nbsp; contempla apenas os mais pobres, os da economia informal e os desempregados e suas famílias), as convulsões políticas dos últimos cinco anos causaram impacto nos investimentos de infraestrutura na saúde.&nbsp;</p>



<p><strong>Quantidade </strong><strong><em>versus</em></strong><strong> qualidade</strong></p>



<p>O Uruguai destaca-se, entre os quatro países analisados, como o de rendimento mais elevado, com o ambiente político mais estável e um sistema de saúde bem financiado e equipado.&nbsp;</p>



<p>Vários resultados foram melhores no Uruguai, como a cobertura, a experiência do usuário, a competência do sistema e a gestão da pandemia da Covid-19 – o que não significa que não existam desigualdades no país.&nbsp;</p>



<p>Embora a abordagem dos quatro países não represente a América Latina como um todo, a análise revela pontos que podem ser úteis na região. Por exemplo, o papel da fragmentação do sistema de saúde na perpetuação das desigualdades – tanto no acesso como na qualidade do atendimento.&nbsp;</p>



<p>Nos países analisados, existem muitos órgãos responsáveis pela saúde dos cidadãos, além do sistema privado – muito pequeno em alguns lugares, como no Peru, onde apenas 3% da população tem plano de saúde.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Não existe, em nenhum deles, um sistema único como o SUS brasileiro.</p></blockquote></figure>



<p>“Os nossos resultados sugerem que o acesso aos serviços gerais de saúde é elevado nestes países, embora acesso não signifique alta qualidade, acesso aos cuidados de saúde mental nem a existência de cuidados preventivos e rastreios”, afirmam os pesquisadores no artigo.</p>



<p>A escassez de longa data de recursos de saúde mental na região foi ainda mais acentuada pela pandemia, eles ressaltam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Os autores observam, ainda, que inovações como a telemedicina são promissoras na melhoria do acesso aos cuidados primários, mas apresentam um risco de agravamento das desigualdades, dado o acesso desproporcional aos cuidados primários por parte de indivíduos mais ricos.</p>



<p>A análise dos sistemas de saúde dos quatro países pode, ainda, servir como guia para os governantes e para a criação de políticas públicas, por apresentar resultados sobre a qualidade e, principalmente, por identificar as prioridades de cada um.&nbsp;</p>



<p>“No geral, o nosso estudo sublinha a importância de esforços contínuos para enfrentar os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde na América Latina, a fim de garantir acesso equitativo a cuidados de alta qualidade para todos”, afirmam os pesquisadores.</p>
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