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	<title>Conteúdos sobre #ansiedade | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>Conteúdos sobre #ansiedade | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>Em tempos de escravidão digital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[#detox digital]]></category>
		<category><![CDATA[#escravidão digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> Embora avanços da ciência nos levem a novos patamares civilizacionais, a falta de critério no uso de tecnologias digitais pode afetar nossa experiência sensorial do mundo real</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As maiores <strong>invenções</strong> do último milênio foram <strong>transformadoras</strong> e <strong>impactaram profundamente a sociedade, a economia e a ciência</strong>. Dentre elas, poderíamos destacar, a partir do século XV, a eletricidade, a máquina à vapor, o telefone.&nbsp;</p>



<p>Nos últimos dois séculos experimentamos uma verdadeira revolução.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Os aviões foram criados, assim como a energia nuclear, os computadores, a internet, a inteligência artificial, a bomba atômica, que causou destruição em massa e ceifou a vida de milhares de pessoas em Hiroshima e Nagazaki, no Japão.&nbsp;</p>



<p>Vimos <strong>Neil Armstrong</strong> (1930-2012) caminhar pela lua, a partir de outra invenção, a televisão, em uma transmissão em preto e branco assistida por mais de 600 milhões de pessoas em todo o mundo.</p>



<p>Na saúde, em pouco mais de 200 anos, as <strong>vacinas permitiram o controle de doenças</strong> como a varíola, o sarampo, a poliomielite, até chegarmos na vacina contra o coronavírus.&nbsp;</p>



<p>Surgiram a anestesia, os antibióticos, as técnicas cirúrgicas da cirurgia moderna, a <strong>robótica contemporânea</strong>, a energia nuclear para uso médico, que melhorou o diagnóstico e tratamento de diversas doenças, salvando assim, milhares de pessoas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Todas as invenções e tecnologias não são, em si mesmas, nem boas e nem más. Isso depende apenas do uso que se faz delas.&nbsp;&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Por isso, <strong>liberdade para crescer</strong> e <strong>saúde individual e coletiva</strong> parecem boas finalidades que deveriam sempre <strong>nortear seu uso ético</strong>.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Dependência digital</mark></strong></h2>



<p>Podemos tomar, como exemplo cotidiano, o seu pequeno <strong>smartphone</strong>,<em> </em>no qual você pode estar lendo este texto neste momento.&nbsp;</p>



<p>Em meio às <strong>facilidades da era digital</strong>, paradoxalmente, nos encontramos mais aprisionados do que nunca.&nbsp;</p>



<p>Esse dispositivo que nasceu para ampliar a <strong>liberdade de comunicação</strong>, tornou-se um <strong>grilhão moderno</strong> que condiciona nossas <strong>interações</strong>, nosso lazer e até nossa <strong>percepção da realidade</strong>.&nbsp;</p>



<p>Como um “Big Brother” camuflado de assistente pessoal, ele vigia, coleta dados, induz comportamentos e perpetua ciclos de dependência, privando-nos da <strong>experiência sensorial do mundo real</strong>.</p>



<p>A <strong>digitalização da vida</strong> impõe novas <strong>formas de servidão</strong>: estamos sempre on-line, subjugados pela <strong>hiperconectividade</strong>.&nbsp;</p>



<p>Sua agenda, seu itinerário, seus arquivos, suas fotos, suas senhas, seu acesso a outros sistemas digitais, pois hoje é quase impossível acessar qualquer sistema sem que você tenha que receber um código de acesso pelo celular ou por um e-mail válido.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Facilidades que nos tornam mais autônomos e saudáveis?&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9549218/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pesquisadores apontam</a> que a <strong>exposição prolongada às telas</strong> afeta a <strong>saúde mental</strong>, aumentando os índices de ansiedade e depressão, comprometendo a saúde infantil.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A dependência digital se assemelha a outras formas de compulsão, com efeitos devastadores sobre a cognição e a interação social, mas também sobre a forma que nos relacionamos com a natureza.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p><a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6035021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Outro estudo</a> demonstrou que o uso excessivo de smartphones<em> </em>está relacionado a níveis mais altos de <strong>ansiedade</strong>.&nbsp;</p>



<p>Sugere ainda que mesmo níveis de uso de smartphones percebidos como não problemáticos podem <strong>impactar negativamente</strong> a sensação de <strong>conexão com a natureza</strong>.&nbsp;</p>



<p>Consequentemente, quanto maior ausência da natureza, menores são as possibilidades de usufruir de seus benefícios para a saúde mental.&nbsp;</p>



<p>O espaço natural, que por séculos foi um refúgio para a contemplação e a conexão interior, cede lugar a um <strong>universo pixelado</strong> e filtrado por telas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-1200x800.jpg" alt="Em seu romance “1984”, o escritor britânico George Orwell imaginou um mundo onde o controle se dava pela vigilância absoluta | Imagem: Edward Eyer / Unsplash" class="wp-image-5674" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-1200x800.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-1536x1024.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-2048x1365.jpg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/02/George-Orwell-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Em seu romance “1984”, o escritor britânico George Orwell imaginou um mundo onde o controle se dava pela vigilância absoluta | Imagem: Edward Eyer / Unsplash<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Detox digital</mark></strong></h2>



<p>No livro “1984”, <strong>George Orwell</strong> (1903-1950) imaginou um mundo onde o controle se dava pela vigilância absoluta.&nbsp;</p>



<p>Já <strong>Aldous Huxley </strong>(1894-1963), em “Admirável Mundo Novo”, previu uma distopia em que as pessoas aceitavam passivamente sua própria alienação, entretidas por distrações superficiais.&nbsp;</p>



<p>Vivemos uma fusão dessas realidades: somos monitorados e, ao mesmo tempo, mantidos em um estado perpétuo de entretenimento e dispersão.&nbsp;</p>



<p>A que <a href="https://www.josesaramago.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">José Saramago</a> (1922-2010), ainda que lido em uma tela, nos alertaria em seu “Ensaio sobre a Cegueira”: “<em>Penso que não nos tornamos cegos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem</em>.”&nbsp;<strong>&nbsp;</strong>A dependência digital se assemelha a outras formas de compulsão, com efeitos devastadores sobre a cognição e a interação social, mas também sobre a forma que nos relacionamos com a natureza.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A maior ironia é que a consciência dessa servidão digital depende da própria tecnologia que nos aprisiona.</p></blockquote></figure>



<p>Os movimentos de “<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38779255/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">detox digital</a>” e “<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s41042-020-00030-y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">minimalismo tecnológico</a>” são uma tentativa de <strong>resgate da autonomia</strong>, mas esbarram na própria estrutura de uma <strong>sociedade cada vez mais digitalizada</strong>.&nbsp;</p>



<p>Para romper esse ciclo, é necessário um <strong>reposicionamento coletivo</strong>: impor limites ao uso das telas, valorizar a presença no mundo real e reatar laços com a natureza e com nós mesmos.</p>



<p>Assim como <strong>Prometeu</strong>, na mitologia grega, roubou o fogo dos deuses para libertar a humanidade, precisamos recuperar nosso tempo e atenção da própria criação tecnológica.&nbsp;</p>



<p>A pergunta que resta é: teremos coragem de quebrar nossas próprias correntes?</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<item>
		<title>Ansiedade climática: caminhos ainda a serem explorados pela ciência</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/ansiedade-climatica-caminhos-ainda-a-serem-explorados-pela-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 15:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[#Transtornos Mentais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudos recentes procuram entender quais são os impactos psíquicos das transformações do clima em todo o planeta, especialmente entre os jovens</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os jovens do Brasil são alguns dos mais preocupados com os efeitos das mudanças climáticas. Segundo uma pesquisa de 2021 realizada em 10 países, com 10 mil pessoas entre 16 e 25 anos, mais de 60% dos brasileiros entrevistados se dizem “muito” ou “extremamente preocupados”. Cerca de metade acredita que as mudanças climáticas afetam negativamente sua vida diária.</p>



<p>O <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(21)00278-3/fulltext" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>, conduzido por pesquisadores baseados no Reino Unido, Finlândia e Estados Unidos, é apenas um de uma leva de pesquisas que vêm se debruçando sobre os efeitos das transformações ocorridas no clima sobre a saúde mental.</p>



<p>De acordo com <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-024-00998-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem publicada</a> em abril na revista <em>Nature</em>, as mudanças climáticas estão exacerbando desordens mentais, que já afetam quase um bilhão de pessoas e estão entre as maiores causas de problemas de saúde.</p>



<p>São diversos os caminhos apontados até agora sobre como as consequências do aquecimento global afetam a saúde mental, de traumas causados por furacões, enchentes, secas e incêndios até a chamada “ecoansiedade”, o medo crônico da tragédia ambiental.</p>



<p>Ainda que sejam necessários mais estudos sobre métodos para ajudar as pessoas a prevenirem ou lidarem com esses problemas, alguns trabalhos sugerem que ações em prol do clima e ativismo podem ser um caminho efetivo.</p>



<iframe title="Ansiedade climática pelo mundo" aria-label="Stacked Bars" id="datawrapper-chart-VxB73" src="https://datawrapper.dwcdn.net/VxB73/3/" scrolling="no" frameborder="0" style="width: 0; min-width: 100% !important; border: none;" height="419" data-external="1"></iframe><script type="text/javascript">!function(){"use strict";window.addEventListener("message",(function(a){if(void 0!==a.data["datawrapper-height"]){var e=document.querySelectorAll("iframe");for(var t in a.data["datawrapper-height"])for(var r=0;r<e.length;r++)if(e[r].contentWindow===a.source){var i=a.data["datawrapper-height"][t]+"px";e[r].style.height=i}}}))}(); </script>



<p>As pesquisas indicam que os mais impactados parecem ser justamente aqueles que sofrem com a injustiça climática, grupos que são e serão mais afetados pelas mudanças causadas no clima.</p>



<p>Além dos jovens, pessoas que já convivem com a pobreza e a desigualdade – ou sofrem de algum transtorno prévio – têm maiores riscos de deterioração da saúde mental. “As mudanças climáticas exacerbam situações econômicas existentes, que os mais pobres sentem com mais intensidade”, disse à <em>Nature</em> a pesquisadora e ativista climática Jennifer Uchendu, fundadora de um grupo ambiental em Lagos, na Nigéria.</p>



<p>Nessa seara de pesquisas, um novo campo examina justamente como a consciência da mudança climática e de seus impactos pode levar a estados de preocupação e estresse (ou “ecoestresse”), sentimento que recebe ainda nomes como “ecoansiedade”, luto climático e “solastalgia”, “quando a noção de nosso lugar no mundo é violada”, como define o filósofo australiano Glenn Albrecht, criador deste último termo. É um sentimento de perda do lar, a nostalgia sentida mesmo sem estar distante.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fenômeno global</strong></h2>



<p>Numa <a href="https://www.prnewswire.com/news-releases/nearly-three-in-four-millennials-experience-ecoanxiety-300630657.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa de 2018</a>, 72% das pessoas entre 18 e 34 anos responderam que notícias negativas sobre o meio ambiente afetam seu bem-estar emocional, causando ansiedade, pensamento acelerado ou problemas para dormir.</p>



<p><a href="https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(22)00172-3/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Outro estudo</a>, conduzido em 2020, em plena pandemia, e publicado em 2022 na revista <em>The Lancet Planetary Health</em>, indicou que pessoas entre 16 e 24 anos reportavam mais estresse por conta das mudanças climáticas do que da Covid-19.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227.webp" alt="" class="wp-image-3914" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227.webp 1024w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227-800x600.webp 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227-400x300.webp 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227-768x576.webp 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/b75f6e7b-9ccd-4540-94f9-6355d8dbd227-150x113.webp 150w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Moradores de Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, entram em contato com os estragos causados pelas enchentes que ocorreram no estado entre o final de abril e início de maio de 2024 | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</figcaption></figure>



<p>Essas “ecoemoções” já foram desacreditadas como preocupação exclusiva de pessoas de países ricos. Mas pesquisas como a citada na abertura deste texto, que aponta os brasileiros entre os mais preocupados com o clima, desafiam essa visão.</p>



<p>Somando todos os 10 países do levantamento, mais de 45% dos respondentes afirmaram que as mudanças climáticas tiveram impacto na sua alimentação, trabalho, sono ou em outros aspectos da vida diária.</p>



<p>Relatos de impactos na habilidade de funcionar normalmente foram mais altos nas Filipinas, na Índia e na Nigéria, e mais baixos nos Estados Unidos e no Reino Unido, contradizendo a ideia de uma preocupação de moradores de países ricos (<em>veja no gráfico)</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cuidados possíveis</strong></h2>



<p>O desafio para compreender e tratar problemas mentais exacerbados pela crise climática será imenso, afirmam os pesquisadores, num mundo em que o cuidado com a saúde mental já é ruim.</p>



<p>Em países de renda baixa e média, cerca de 3% das pessoas com depressão recebem tratamento adequado, enquanto em países ricos são 23%. Ao mesmo tempo, muitas comunidades estão encontrando sua própria forma de lidar com esses obstáculos, mas a efetividade dos esforços raramente é estudada e compartilhada.</p>



<p><a href="https://www.imperial.ac.uk/grantham/publications/all-publications/the-impact-of-climate-change-on-mental-health-and-emotional-wellbeing-current-evidence-and-implications-for-policy-and-practice.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Algumas evidências sugerem</a><strong> </strong>que tomar parte na ação para enfrentar os desafios impostos pelas alterações do clima pode ajudar as pessoas a lidarem com a ecoansiedade. Outra recomendação é limitar o tempo no celular lendo notícias negativas sobre o assunto.</p>



<p>Os pesquisadores também estão começando a tomar medidas coletivas. Um dos mais ambiciosos esforços de pesquisa sobre saúde mental relacionada às mudanças climáticas, o projeto <a href="https://www.connectingclimateminds.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Connecting Climate Minds</a>, divulgou uma série de prioridades de pesquisa e ação, como entender como as mudanças climáticas estão inseridas no estresse causado por guerras, violência e epidemias na África Subsaariana.</p>



<p>O projeto inclui pesquisadores, formuladores de políticas públicas e indivíduos que estão vivenciando as mudanças climáticas em primeira mão. </p>



<p>Uchendu, uma das pesquisadoras entrevistadas pela <em>Nature</em>, conta que uma dessas pessoas entrou virtualmente numa das reuniões do grupo. A sala em que estava havia sido alagada por uma enchente.</p>
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		<title>O que a natureza pode fazer por sua saúde mental?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/colunas/o-que-a-natureza-pode-fazer-por-sua-saude-mental/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Mar 2024 16:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[#depressão]]></category>
		<category><![CDATA[#natureza]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde única]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Contato com paisagens naturais, espaços verdes e o canto dos pássaros pode ajudar no enfrentamento de transtornos como ansiedade e depressão</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vamos começar este texto com alguns números. Estados depressivos são bastante comuns. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades sofram com esse transtorno. No Brasil, os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o equivalente a&nbsp;11,7 milhões&nbsp;de brasileiros, sendo um dos cinco mais elevados do planeta. </p>



<p>Em relação à ansiedade não é diferente; infelizmente, com dados mais alarmantes. O Brasil tem a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, considerada como uma epidemia, na qual aproximadamente 18,6 milhões de brasileiros (equivalente a 9,3% da população)&nbsp;convivem com este transtorno.&nbsp;</p>



<p>Transtornos mentais geram, ainda, perdas de US$ 1 trilhão por ano para a economia global.</p>



<p>Mas vamos lá, nem tudo são más notícias. O Brasil também é o país com a maior biodiversidade do mundo. São mais de 116.000 espécies animais e mais de 46.000 espécies vegetais catalogadas, espalhadas pelos seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos. Sem falar sobre o quanto ainda desconhecemos. E o que esses números de áreas que parecem diferentes, mas que na realidade não o são, têm a ver uns com os outros? &nbsp;</p>



<p>Se pensarmos em termos de Saúde Única, já temos a resposta. A partir de 2023, inclusive, passamos a ter o <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/01/08/lei-oficializa-3-de-novembro-como-dia-nacional-da-saude-unica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dia Nacional da Saúde Única</a>, celebrado no dia 03 de novembro, justamente com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a relação indissociável entre as &#8220;saúdes&#8221; animal, humana e ambiental.</p>



<p>As pessoas, normalmente quando se sentem estressadas, buscam a natureza para relaxar, se recompor, se &#8220;reenergizar&#8221;, para sentirem-se revigoradas. O que parece ser algo intuitivo, desde a década de 1960 já era alvo da psicologia, com a criação da Hipótese da Biofilia, disseminada nos anos 1980 pelo biólogo norte-americano Edward Wilson (1929-2021), segundo a qual os seres humanos têm uma afinidade com o mundo natural, porque a espécie <em>Homo sapiens</em> também faz parte da natureza. &nbsp;</p>



<p>É também daquela década (1980) um estudo clássico publicado na revista <em>Science</em>, que demonstrou que pacientes cirúrgicos com vistas para áreas verdes receberam alta hospitalar mais precocemente e necessitaram de menos analgesia, quando comparados com aqueles que tinham vista para edificações.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>As experiências na natureza são diversas e podem ocorrer mediante o contato “real” com ambientes naturais, mas também têm resultados observáveis a partir de vistas de janelas, representações (como fotografias de paisagens) ou simulações (por exemplo, por realidade virtual). </p></blockquote></figure>



<p>Essas experiências decorrem de percepções e/ou interações dos indivíduos com estímulos do mundo natural (desde vasos de plantas e jardins privados até espaços verdes públicos mais amplos e áreas selvagens, clima e movimentos do sol) por meio de uma variedade de estímulos sensoriais (visão, audição, paladar, tato e olfato), além de sentimentos de conexão, de apreciação estética e de experiências prévias e positivas na natureza.</p>



<p>Atualmente, sabe-se que adultos que foram mais expostos à natureza quando crianças têm melhor saúde mental em relação aos que não foram. O bem-estar psicológico de uma população tem sido relacionado a atividades como viver próximo de espaços verdes, espaços azuis (ou seja, ambientes aquáticos e marinhos) e árvores em ruas ou jardins privados. </p>



<p>O contato com a natureza tem sido visto como recurso útil para controle de déficit de atenção e transtorno de hiperatividade (TDAH). </p>



<p>Evidências atestam, ainda, que em comparação com a experiência urbana, a experiência com a natureza se traduz em benefícios afetivos, dos quais, além da diminuição da ansiedade, depressão e agressividade, há uma redução também da ruminação mental, de estados de humor negativos com preservação ou aumento dos positivos. &nbsp;</p>



<p>Também há benefícios cognitivos como aumento do desempenho da memória de trabalho, que é a nossa memória operacional usada para desempenhar nossas atividades no cotidiano.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fadiga mental</strong></h2>



<p>Há uma teoria chamada de Teoria da Recuperação da Atenção, que busca explicar como a natureza reduz nossa fadiga mental. Essa mesma fadiga mental que só aumenta quanto mais tempo ficamos na frente das telas tecnológicas (drenos de atenção e energia). </p>



<p>A atenção não dirigida que ocorre, por exemplo, quando caminhamos na natureza, e nossa atenção se volta ao canto de um pássaro, à beleza de uma flor, a um perfume no ar, nosso cérebro se recupera do desgaste mental, conferindo à natureza o <em>status </em>de ambiente restaurador.&nbsp;</p>



<p>Estar próximo à natureza foi fator determinante para melhorar a saúde mental, com redução do estresse e aumento de bem-estar, durante a pandemia de Covid-19. Isso variou desde maior duração das visitas ao quintal, porque as pessoas passaram a procurar utilizar mais os espaços naturais imediatamente disponíveis para regulação emocional, até aqueles que moravam em áreas urbanas e buscaram refúgios mais naturais durante aqueles tempos difíceis, dos quais muitos nem retornaram pós pandemia.</p>



<p>Ah, e os pássaros! Sim, o canto dos pássaros é um dos elementos mais citados na literatura científica sobre a percepção nos ambientes naturais que melhoram significativamente os benefícios restauradores percebidos. A abundância de pássaros na vizinhança tem sido também associada com menor prevalência de depressão, ansiedade e estresse.</p>



<p>Voltando aos números, em um país que tem 1.825 espécies de aves, muitas delas vivendo em espaços urbanos, com certeza ao menos 20 espécies são vizinhas de qualquer pessoa. É, portanto, uma questão de apenas prestar atenção, ouvir seu canto, respirar fundo e sentir o bem-estar que a natureza pode te proporcionar.</p>



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<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<title>Transtornos mentais em adolescentes: panorama preocupante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Aug 2023 15:25:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[#ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[#depressão]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo aponta mais internações de adolescentes por transtornos mentais e comportamentais nos últimos anos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma análise das internações de adolescentes entre 10 e 19 anos por transtornos mentais ao longo de um período de nove anos, de 2008 a 2017, revelou um panorama preocupante da saúde mental dessa faixa etária no Brasil.</p>



<p>O estudo, conduzido por pesquisadoras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), utilizou informações do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para traçar um quadro das hospitalizações relacionadas a problemas mentais nesse período.</p>



<p>De acordo com os resultados, o Brasil registrou um total de 152.465 hospitalizações de adolescentes devido a transtornos mentais e comportamentais, entre eles depressão e ansiedade. Esse número representa um aumento na taxa geral de internações, que passou de 41,6 para cada 100 mil habitantes (41,6/100 mil) para 47,8/100 mil. Esse crescimento chama a atenção para a necessidade de maior atenção e cuidado com a saúde mental dos jovens.</p>



<p>Outra constatação do estudo, <strong><a href="https://www.scielo.br/j/cadsc/a/zp9WL46VF6zrtyPz8RdnKdh/?format=pdf&amp;lang=pt">publicado</a></strong> no periódico <em>Cadernos de Saúde Coletiva</em>, foi que a região Sul do Brasil concentra o maior volume de internações da população estudada. Ao longo do período analisado, as taxas nessa região passaram de 89,8/100 mil para 139,5/100 mil.</p>



<p>Também foi observada uma tendência de crescimento na região Norte, onde as taxas subiram de 13,7 para 21,6/100 mil. Já as hospitalizações nas regiões Sudeste e Centro-Oeste se mantiveram estáveis, com valores de 39,6 para 43,9/100 mil e 58,9 para 46,3/100 mil, respectivamente. No Nordeste, houve uma diminuição, de 27,7 para 23,1/100 mil.</p>



<p>O estudo também apontou que, de modo geral no período, a internação de mulheres com idades de 10 a 19 anos aumentou de 27/100 mil para 38/100 mil. As pesquisadoras apontam que os meninos tendem a enfrentar mais transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, enquanto as meninas são mais afetadas por transtornos alimentares e depressivos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>A pesquisa ressalta a importância de se discutir abordagens específicas de acordo com o gênero na prevenção e tratamento dos transtornos mentais e comportamentais.</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Limitações</mark></strong></h2>



<p>Apesar de trazer importantes insights sobre a saúde mental dos adolescentes no país, onde estima-se que 30% deles sejam acometidos por algum transtorno mental, o estudo apresenta algumas limitações. Os dados analisados são restritos aos serviços de assistência pública. Além disso, a subnotificação de transtornos mentais e comportamentais continua sendo um desafio.</p>



<p>O aumento dos diagnósticos e internações pode estar relacionado ainda com o fato de a saúde mental ter se tornado uma prioridade do Ministério da Saúde em 2010. O cuidado direcionado a esses indivíduos, juntamente com a implementação de políticas de saúde e novas estratégias de assistência, resultou em um aumento nos encaminhamentos para internações hospitalares.</p>



<p>Naquele ano, eventos como a implementação do Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (CAPS AD III), 24 horas por dia, impactaram o cenário. O serviço proporciona suporte aos indivíduos com necessidades decorrentes do uso de substâncias como álcool e outras drogas.</p>



<p>Outra ação havia estabelecido ainda os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – Modalidade 3 (NASF 3), com foco na atenção integral aos usuários de crack, álcool e outras drogas em municípios de menor população. Segundo as pesquisadoras, essas ações e políticas públicas ambulatoriais contribuíram para a estabilidade das internações hospitalares em decorrência do uso de álcool e drogas psicoativas nas diferentes regiões do Brasil.</p>



<p>As autoras reforçam que estudos epidemiológicos desempenham um papel fundamental ao fornecer dados sobre crianças e adolescentes afetados por problemas de saúde mental, além de informar sobre a necessidade, disponibilidade e acesso aos serviços. São informações essenciais para o planejamento de serviços de prevenção e tratamento adequados.</p>
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