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	<title>#diplomacia científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#diplomacia científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Ciência aplicada às urgências do país</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/karin-herrera-ciencia-aplicada-as-urgencias-do-pais/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 21:09:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#cooperação]]></category>
		<category><![CDATA[#desigualdade social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vice-presidenta da Guatemala, Karin Herrera relata como a formação científica orienta decisões públicas em contextos de alta desigualdade</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/karin-herrera-ciencia-aplicada-as-urgencias-do-pais/">Ciência aplicada às urgências do país</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>ciência não pode ficar restrita ao laboratório</strong> quando as pessoas precisam de <strong>respostas concretas</strong> para melhorar sua qualidade de vida. A afirmação de <strong>Karin Larissa Herrera Aguilar </strong>sintetiza o eixo central da conversa que a microbiologista e atual vice-presidenta da Guatemala teve com a reportagem de <strong>Science Arena</strong> em outubro passado.</p>



<p>De passagem pelo Brasil*, onde participou da <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/evento-discute-papel-da-ciencia-para-enfrentar-desafios-globais-urgentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">17ª Conferência Geral da The World Academy of Sciences (TWAS)</a>, no Rio de Janeiro, Herrera defendeu o <strong>papel do conhecimento científico na formulação de políticas públicas</strong> capazes de <strong>enfrentar desigualdades sociais, crises ambientais e desafios estruturais como a desnutrição crônica</strong>.</p>



<p>Cientista de carreira, Herrera é formada em química biológica pela Universidade de San Carlos da Guatemala (USAC), com mestrado em estudos ambientais e doutorado em sociologia, este último defendido na Universidad Pontificia de Salamanca, na Espanha.</p>



<p>Antes de assumir a vice-presidência do país centro-americano, cujo mandato se enerra em 2028, Herrera construiu uma trajetória de mais de três décadas na universidade pública.</p>



<p>Atuou como professora, pesquisadora e gestora acadêmica na Faculdade de Ciências Químicas e Farmácia – a única instituição pública de ensino superior da Guatemala. Suas pesquisas se concentraram em temas como <strong>microbiologia</strong>, <strong>qualidade da água</strong>, <strong>saúde ambiental</strong> e <strong>educação científica</strong>.</p>



<p>Na entrevista a seguir, Herrera reflete sobre sua <strong>transição da academia para a política</strong>, e argumenta que temas como segurança alimentar, acesso à educação, riscos climáticos e cooperação internacional exigem articulação entre ciência, Estado e sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – A senhora construiu uma trajetória sólida na ciência, com décadas de atuação acadêmica. Em que momento decidiu entrar para a política e o que motivou essa transição da microbiologia para a administração pública?</strong></h2>



<p><strong>Karin Herrera –</strong> Minha formação começou na universidade pública da Guatemala, onde fiz a graduação, e depois segui para a pós-graduação e o doutorado em instituições privadas. Trabalhei por mais de 30 anos na universidade pública, o que também me levou a participar, de forma voluntária, de diferentes instâncias governamentais ligadas à academia.</p>



<p>Um ponto decisivo foi minha atuação, em 2017, no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Ali ficou muito evidente para mim a distância entre o que se pesquisa nas universidades e centros científicos e o que efetivamente acontece nas instituições do Estado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Percebi que, se houvesse maior articulação, a pesquisa poderia orientar de forma muito mais direta a formulação de políticas públicas e normas baseadas em evidências.</p></blockquote></figure>



<p>Ao mesmo tempo, vivíamos crises importantes na educação superior pública. Eu me sentia limitada, sem conseguir promover as mudanças estruturais necessárias a partir daquele espaço. Foi nesse contexto que surgiu o convite para integrar a chapa presidencial liderada por Bernardo Arévalo.</p>



<p>Não entrei com a certeza da vitória, mas com a convicção de que, se vencêssemos, eu estaria ali por compromisso com temas que sempre me moveram — especialmente ciência, educação e desenvolvimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sua formação é marcada pela interdisciplinaridade: a senhora é bióloga, com doutorado em sociologia, e atuou em áreas como microbiologia, meio ambiente e saúde. Qual foi a importância desse percurso para sua carreira científica e para sua atuação política?</strong></h2>



<p>Essa transição foi fundamental. Durante meu mestrado, trabalhei com análises de qualidade da água em regiões como a bacia do rio Polochic e o Petén. Ao apresentar os resultados, percebíamos o interesse de prefeitos, pescadores e representantes da sociedade civil.</p>



<p>Mas nós falávamos em termos muito técnicos — bactérias, nitratos, fosfatos — sem responder às perguntas práticas que eles tinham.</p>



<p>Nunca me esqueço de um prefeito que me disse: “Só tenho recursos para uma estação de tratamento. Onde devo colocá-la? Quem polui mais?”. Aquilo foi um alerta.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Eu estava excessivamente focada no diagnóstico técnico e pouco atenta às necessidades concretas das pessoas.</p></blockquote></figure>



<p>Foi esse incômodo que me levou ao doutorado em sociologia. Continuei trabalhando com água, mas passei a olhar para os problemas a partir das pessoas, dos riscos sociais, da tomada de decisão com poucos recursos.</p>



<p>A interdisciplinaridade me ensinou a priorizar, a entender que dados e números precisam se traduzir em melhorias reais na qualidade de vida.</p>



<p>Hoje, como vice-presidenta da Guatemala, essa visão é ainda mais essencial. Lidamos com temas que eu não tinha no radar, como migração irregular ou tráfico de pessoas, mas a lógica é a mesma: políticas precisam ter metas, indicadores, monitoramento e avaliação para que possam ser corrigidas e aprimoradas ao longo do tempo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-red-color">Cinco ideias-chave da trajetória de Karin Herrera</mark></strong></h3>



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                <h3>A transição da ciência à política</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A entrada de Herrera na política nasce da percepção de uma desconexão persistente entre a produção científica nas universidades e as decisões do Estado. Sua experiência em conselhos governamentais revelou que políticas públicas carecem de maior articulação com evidências científicas e com as necessidades reais da população.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Interdisciplinaridade para decisões públicas mais eficazes</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A trajetória que combina microbiologia, estudos ambientais e sociologia foi decisiva para ampliar o olhar de Herrera além do laboratório. A interdisciplinaridade permitiu priorizar recursos escassos, traduzir dados técnicos em decisões práticas e considerar dimensões sociais, econômicas e humanas nos processos de formulação de políticas.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Políticas públicas baseadas em evidências</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Herrera defende metas claras, indicadores e avaliação contínua como pilares da gestão pública. O principal obstáculo, segundo ela, não é técnico, mas cultural: nem todos os setores do governo estão habituados a trabalhar com monitoramento, evidências e ajustes sistemáticos das políticas implementadas.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Ciência conectada à população e às desigualdades sociais</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>A entrevista enfatiza que dados científicos só fazem sentido quando se traduzem em melhorias concretas na qualidade de vida. Segurança alimentar, educação, acesso à água, migração e desnutrição crônica aparecem como problemas complexos que exigem escuta ativa, diálogo horizontal e soluções construídas com as comunidades.</p>
            </dd>
        </div>

        
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                <h3>Fortalecimento da infraestrutura científica </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Herrera destaca esforços para ampliar parcerias internacionais, mobilidade de pesquisadores e intercâmbio de conhecimento, ao mesmo tempo em que reconhece a fragilidade da infraestrutura científica nacional. Seu objetivo é articular universidades, centros de pesquisa e governo em uma visão integrada de desenvolvimento baseada na ciência.</p>
            </dd>
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<p class="has-small-font-size"></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A senhora costuma defender fortemente políticas públicas baseadas em evidências. Quais são os principais desafios para implementar essa lógica na gestão pública da Guatemala?</strong></h2>



<p>O principal desafio é cultural. Nem todos estão acostumados a trabalhar com metas claras, indicadores e avaliação contínua. Mas é um caminho sem volta. Quando políticas são formuladas com base em evidências, podemos demonstrar o que funciona e o que precisa ser ajustado.</p>



<p>A Guatemala enfrenta grandes desigualdades no acesso à educação. Temos uma cobertura muito limitada no ensino médio e superior, o que impacta diretamente nossa capacidade de desenvolvimento.</p>



<p>Para falar em desenvolvimento sustentável e integral, precisamos fortalecer a educação e enfrentar temas estruturais como segurança alimentar e desnutrição crônica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como sua experiência científica influencia a forma como a senhora dialoga com a população e com diferentes setores da sociedade?</strong></h2>



<p>Aprendi que é preciso escutar mais. Quando comecei a dialogar diretamente com comunidades, percebi muita desconfiança, fruto de questões históricas. Isso não se resolve rapidamente.</p>



<p>É essencial demonstrar interesse genuíno, agir com respeito e não impor soluções. O diálogo precisa ser horizontal. As pessoas têm os mesmos direitos e precisam sentir que fazem parte do processo. Só assim é possível construir confiança e avançar em políticas que realmente atendam às suas necessidades.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-1200x800.jpg" alt="Karin Herrera, vice-presidenta da Guatemala, discursa em um púlpito durante evento internacional, diante de um grande painel que destaca ciência e tecnologia" class="wp-image-7489" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-1200x800.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-1536x1024.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-2048x1365.jpg 2048w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/01/karin-herrera-twas-guatemala-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Karin Herrera discursa durante a 17ª Conferência Geral da The World Academy of Sciences (TWAS), que reuniu cientistas, formuladores de políticas e líderes globais entre os dias 29 de setembro e 02 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro | Imagem: Vicepresidencia de Guatemala</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são hoje os principais esforços do governo guatemalteco para fortalecer a infraestrutura científica do país e ampliar colaborações internacionais?</strong></h2>



<p>A partir da vice-presidência, tenho buscado aproveitar encontros bilaterais para colocar a ciência no centro do diálogo internacional. Defendo fortemente a mobilidade de pesquisadores, bolsas de estudo e o intercâmbio de conhecimento — com a lógica de que nossos profissionais possam sair, mas também retornar ao país.</p>



<p>Temos dialogado com instituições como o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), da França, e com representantes da Agência Espacial Europeia (ESA), discutindo inclusive a possibilidade de centros de monitoramento no país para riscos climáticos, segurança alimentar e vulnerabilidade social.</p>



<p>Ao mesmo tempo, sabemos que precisamos investir mais em infraestrutura científica. Esse é um grande desafio.</p>



<p>Meu sonho é que a Guatemala tenha uma visão integrada de país, com universidades e centros de pesquisa articulados, mesmo diante de recursos limitados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E qual é o papel da ciência no enfrentamento de problemas estruturais como a desnutrição crônica?</strong></h2>



<p>A desnutrição não é apenas uma questão de alimento, mas de pobreza, acesso, qualidade e políticas integradas. Estou convencida de que a ciência pode e deve oferecer respostas a esses problemas.</p>



<p>Se for necessário, iremos às universidades buscar nutricionistas, médicos, agrônomos, engenheiros, pedindo que ajudem a construir projetos voltados a essas questões.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Integrar o setor acadêmico às necessidades reais da população é essencial para promover um desenvolvimento mais justo.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Para finalizar, que mensagem a senhora deixaria a jovens pesquisadores interessados em atuar na interface entre ciência e políticas públicas?</strong></h2>



<p>Diria que não tenham medo da interdisciplinaridade. A ciência não termina no laboratório nem na publicação de artigos. Quando conectada às necessidades da sociedade, ela se torna uma ferramenta poderosa de transformação. Precisamos de cientistas dispostos a dialogar, ouvir e construir soluções junto com as pessoas.</p>



<p class="has-small-font-size"><em>*A equipe do Science Arena viajou ao Rio de Janeiro a convite da TWAS.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diplomacia científica, crise climática e saúde global são temas de evento do Science Arena em agosto</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/diplomacia-cientifica-crise-climatica-e-saude-global-sao-temas-de-evento-do-science-arena-em-agosto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2025 15:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#cooperação internacional]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[#mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[#política científica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=6572</guid>

					<description><![CDATA[<p>Encontro ocorre no dia 06/08, em São Paulo, com o objetivo de discutir o papel de colaborações científicas internacionais no enfrentamento da crise climática e de seus efeitos na saúde global</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/diplomacia-cientifica-crise-climatica-e-saude-global-sao-temas-de-evento-do-science-arena-em-agosto/">Diplomacia científica, crise climática e saúde global são temas de evento do Science Arena em agosto</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A poucos meses da COP30 no Brasil, o <strong>Science Arena</strong> vai reunir especialistas de vários países em um debate sobre a importância de <strong>programas de cooperação internacional</strong> no enfrentamento de desafios relacionados à <strong>crise climática</strong> e seus efeitos na <strong>saúde global</strong>.</p>



<p>O evento, que será realizado no dia <strong>6 de agosto</strong>, a partir das <strong>9h30 (horário de Brasília)</strong>, no <strong>Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – Campus Cecília e Abram Szajman</strong>, em São Paulo, é fruto de uma <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/escola-diplomacia-cientifica-usp-innscid-2025/">parceria entre o Science Arena e a São Paulo Innovation and Scienc</a><a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/escola-diplomacia-cientifica-usp-innscid-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e</a><a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/escola-diplomacia-cientifica-usp-innscid-2025/"> Diplomacy School</a> (InnSciD SP), iniciativa lançada em 2019 pela <strong>Universidade de São Paulo (USP)</strong>.</p>



<p>Participam do evento nomes como <strong>Eric Harnisch</strong>, vice-presidente de Mercado de Provedores da Mayo Clinic Platform (EUA); <strong>Jerome Kim</strong>, diretor-geral do International Vaccine Institute; <strong>Jordan Ridgeway</strong>, da My Green Lab, organização norte-americana sem fins lucrativos dedicada à redução do impacto ambiental de laboratórios de pesquisa; e <strong>Sidney Klajner</strong>, presidente do Einstein.</p>



<p>Os interessados podem se inscrever gratuitamente até 4 de agosto. O evento será presencial e todo em inglês. Haverá emissão de certificado de participação para os presentes. </p>



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<div class="wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-50 has-custom-font-size is-style-fill has-medium-font-size"><a class="wp-block-button__link has-black-color has-vivid-green-cyan-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-element-button" href="https://www.sciencearena.org/oportunidades/seminario-diplomacia-cientifica-clima-saude-einstein-usp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>INSCREVA-SE AGORA</strong></a></div>
</div>



<p>A intersecção entre ciência, inovação e diplomacia está entre os assuntos a serem abordados no encontro. A programação ainda inclui debates sobre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Como articular redes de conhecimento?</li>



<li>Quais são os desafios da ciência global diante do risco de novas epidemias? </li>



<li>Como reduzir o impacto ambiental da própria produção científica?</li>
</ul>



<p>Conheça alguns dos palestrantes confirmados:</p>



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                <img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/07/6d2f5ebe-2023_08_11_e6_0188-hd-1200x800.jpg" class="attachment-large size-large" alt="Edson Amaro, responsável pela área de Big Data do Einstein" />                                    <span class="legenda">Edson Amaro, responsável pela área de Big Data do Einstein | Imagem: Fábio H. Mendes/E6 Imagens</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>PROGRAMAÇÃO COMPLETA</strong></h2>



<p>Wednesday – 6 August</p>



<p>Brasilia Time (BRT)</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Climate and health: challenges and possibilities of scientific diplomacy</mark></strong></p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">9:30 – 10:00 AM:</mark></strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color"> </mark><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Coffee</mark></p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">10:00 – 10:15 AM:</mark></strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color"><strong> </strong></mark><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Opening</mark></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Sidney Klajner</strong> – Einstein&#8217;s President</li>



<li><strong>Bruno de Pierro</strong> – Editor-in-chief of Science Arena</li>
</ul>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">10:15 – 10:45 AM: </mark></strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Science Diplomacy: how to articulate knowledge networks in times of climate crisis</mark></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Marcelo Knobel</strong> – The World Academy of Sciences (TWAS)</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Anne Dorothee Slovic</strong> – School of Public Health, USP</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Luiz Vicente Rizzo</strong> – Einstein&#8217;s research director</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Guilherme Ary Plonski</strong> – USP</li>
</ul>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">10:45 – 11:45 AM: </mark></strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Challenges for global science in the face of the risk of new epidemics</mark></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Sue Ann Clemens</strong> – University of Siena</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Eric Harnisch</strong> – Mayo Clinic Platform</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Edson Amaro</strong> – Big Data Analytics at Einstein</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Jerome Kim</strong> – International Vaccine Institute</li>
</ul>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">11:45 AM – 12:30 PM: </mark></strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Ways to reduce the environmental impact of science and train researchers in light of One Health</mark></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Jordan Ridgeway</strong> – My Green Lab (US)</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Giulia Catissi</strong> – Researcher at Einstein (PhD student)</li>
</ul>



<p>-&gt; Dúvidas, críticas ou sugestões? Envie um e-mail para science.arena@einstein.br </p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diplomacia global para combater novas pandemias</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/risco-pandemias-diplomacia-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 May 2025 21:20:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#imunização]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizações internacionais se articulam para fortalecer inovação em saúde e garantir acesso equitativo a vacinas e medicamentos, visando respostas mais eficazes a futuras crises sanitárias</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/risco-pandemias-diplomacia-ciencia/">Diplomacia global para combater novas pandemias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em meio a um cenário internacional cada vez mais incerto, a diplomacia científica se mostra fundamental para enfrentar os desafios da saúde global. O risco de novas pandemias – ainda que não iminente, mas uma possibilidade real – tem intensificado os debates e mobilizado lideranças em todo o mundo. O histórico recente reforça essa preocupação: a pandemia de covid-19 expôs falhas estruturais na resposta global às crises sanitárias, evidenciando a desigualdade no acesso a vacinas e insumos médicos.</p>



<p>Além disso, medidas polêmicas adotadas pelo governo de Donald Trump, como a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), abalaram o equilíbrio diplomático e impactaram diretamente os esforços internacionais de cooperação científica. A incerteza gerada por essas decisões ainda reverbera no cenário global, tornando essencial o fortalecimento dos laços entre nações para garantir respostas mais ágeis e eficazes a futuras emergências sanitárias.</p>



<p>Por isso, foi importante a segunda edição da <a href="https://cepi.net/gpps" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Cúpula Global de Preparação para Pandemias</strong></a> (CGPP), no Rio de Janeiro. Em julho de 2024, representantes de dez organizações assinaram uma carta em defesa da soberania em saúde e inovação e no desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e medicamentos para <strong>enfrentar emergências de saúde pública</strong> internacional no <strong>Sul Global</strong>.&nbsp;</p>



<p>O documento, intitulado &#8220;<a href="https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos_2/rio_de_janeiro_declaration_final_version_com_logos.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Declaração do Rio de Janeiro</a>&#8220;, propõe diretrizes para uma <strong>nova relação entre países ricos e pobres </strong>capaz de assegurar cooperações mais sólidas e equânimes para o enfrentamento de <strong>futuras crises sanitárias</strong>.</p>



<p>A pandemia de <strong>covid-19</strong> foi marcada por uma corrida desenfreada de países para obter máscaras, equipamentos de proteção individual e respiradores. Agentes públicos de nações desenvolvidas chegaram a desviar cargas de insumos durante seu trânsito em aeroportos, cobrindo a oferta daqueles a quem se destinavam os produtos.&nbsp;</p>



<p>Caso dos Estados Unidos, que nos primeiros meses de 2020 interceptaram um carregamento de 200 mil respiradores artificiais fabricados pela China e adquiridos pela Alemanha, pagando mais pelos produtos.</p>



<p>O problema se estendeu até o início de 2021, quando países ricos adquiriram vacinas ainda em produção, dando início a um processo de <strong>distribuição desigual </strong>dos imunizantes — no pico da pandemia, 25% da população mundial tinha comprado mais de 75% das vacinas.&nbsp;</p>



<p>Monopólios farmacêuticos também foram autorizados a reter os <strong>direitos de propriedade intelectual</strong>, fazendo com que os imunizantes em alguns casos fossem vendidos por um preço até 10 vezes mais alto do que seu custo de produção.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A falta de solidariedade deixou os países pobres em uma situação delicada, e isso comprometeu as estratégias globais de enfrentamento do novo coronavírus&#8221;, comenta Mario Moreira, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das organizadoras da CGPP, ao lado do Ministério da Saúde e da <a href="https://cepi.net" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias</a> (CEPI).</p>



<p>Para superar tais disparidades, a Declaração do Rio Janeiro insta países e instituições a aumentarem a <strong>cooperação internacional em ciência e tecnologia</strong> (C&amp;T), acelerando a pesquisa, a transferência de tecnologia e os processos de inovação para a produção de vacinas, medicamentos, ferramentas de diagnósticos e outras tecnologias de saúde que possam ser úteis contra futuras pandemias.&nbsp;</p>



<p>O documento também pede para que instituições acadêmicas e de pesquisa em países em desenvolvimento se mobilizem para aumentar seus esforços de produção de conhecimento, forjando alianças estratégicas para desenvolver políticas apropriadas para o enfrentamento de desafios atuais e futuros.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Não há estratégia hoje que dê conta de produzir seis bilhões de doses de vacina em pouco tempo, contra uma nova emergência, sem a participação dos países do Sul Global&#8221;, destaca Mario Moreira, da Fiocruz.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>O documento parte da constatação de que o <strong>agravamento da crise climática</strong> e a <strong>degradação do meio ambiente</strong> têm alterado os padrões de <strong>dispersão de doenças infecciosas</strong>, aumentando o risco de seres humanos entrarem em contato com patógenos que podem causar <strong>novas crises sanitárias</strong> – e de que o mundo continua mal preparado para outra pandemia, carecendo de vigilância colaborativa, ferramentas de diagnóstico e financiamento.&nbsp;</p>



<p>Um <a href="https://www.cgdev.org/publication/estimated-future-mortality-pathogens-epidemic-and-pandemic-potential" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> publicado em 2023 por pesquisadores do <a href="https://www.cgdev.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Center for Global Development</a>, nos Estados Unidos, estimou que há 19% de chance de uma nova pandemia nos próximos cinco anos. Considerando os próximos 10 anos, a chance é de 35%.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Fortalecer a pesquisa global</h2>



<p>Há algum tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem destacado a necessidade de que pesquisadores e governos fortaleçam e acelerem a pesquisa global em <a href="https://www.who.int/news/item/01-08-2024-cepi-and-who-urge-broader-research-strategy-for-countries-to-prepare-for-the-next-pandemic" target="_blank" rel="noreferrer noopener">preparação para novas pandemias</a>, enfatizando a importância de expandir as investigações para incluir famílias inteiras de patógenos que podem infectar humanos.</p>



<p>Milhares de vírus e bactérias conhecidos podem contaminar humanos, mas um número relativamente pequeno causou pandemias ou epidemias ao longo da história.&nbsp;</p>



<p>Muitas das informações necessárias para a tomada de decisões sobre esses patógenos estão indisponíveis, não documentadas na literatura ou não são adequadas para uma revisão sistemática.&nbsp;</p>



<p>O número específico de patógenos a ser considerado pode mudar com o tempo, à medida que a compreensão das doenças infecciosas pelos pesquisadores se expande e novos patógenos surgem ou os já conhecidos evoluem.</p>



<p>Durante a Cúpula Global de Preparação para Pandemias, a OMS divulgou as conclusões de um <a href="https://cdn.who.int/media/docs/default-source/consultation-rdb/prioritization-pathogens-v6final.pdf?sfvrsn=c98effa7_4&amp;download=true" target="_blank" rel="noreferrer noopener">processo global de priorização de patógenos</a> iniciado em 2020 envolvendo mais de <strong>200 cientistas de mais de 50 países</strong> que avaliaram as evidências relacionadas a <strong>28 famílias virais e um grupo central de bactérias</strong>, abrangendo <strong>1.652 patógenos</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O relatório da OMS destaca 27 patógenos (e suas variações) que devem ser observados com atenção pelas comunidades médica e científica. As versões anteriores do documento, de 2017 e 2018, continham apenas 11 microrganismos.</p></blockquote></figure>



<p>De acordo com a organização sem fins lucrativos <a href="https://www.finddx.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>FIND</strong></a>, que conecta países e comunidades, financiadores, tomadores de decisão, provedores de serviços de saúde e desenvolvedores, dos patógenos com potencial de surto, o novo coronavírus é o único para o qual há prontidão diagnóstica adequada.&nbsp;</p>



<p>&#8220;É importante que os países tenham canais de interlocução bem constituídas e que possam ser acionados rapidamente em situações de risco de crises sanitárias&#8221;, destaca Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira, coordenador-executivo da Escola Avançada de Diplomacia Científica e da Inovação (InnScid) e professor do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).</p>



<p>Uma iniciativa recente nesse sentido é a <a href="https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2024/04/Global-Health-Security-Strategy-2024-1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Global Health Security Strategy</strong></a>, lançada em abril pelos Estados Unidos e que prevê apoio na área de saúde pública a mais de 50 países, de modo que estes possam prevenir, detectar e controlar surtos de forma mais eficaz.&nbsp;</p>



<p>O programa também pretende fortalecer as capacidades globais de segurança sanitária por meio de <strong>parcerias bilaterais</strong>.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Essa estratégia se dá na intersecção entre segurança de saúde e diplomacia científica, uma vez que se baseia no diagnóstico feito pelo governo norte-americano de que não é possível enfrentar futuras crises sanitárias globais sem <strong>parcerias internacionais</strong>&#8220;, explica Oliviera.</p>



<p>A estratégia dos Estados Unidos se dá em um momento em que os 194 estados-membros da OMS lutam para ratificar um acordo global sobre como enfrentar novas pandemias. Embora os EUA participem dessas negociações, historicamente, o país tem preferido acordos bilaterais como uma forma mais eficiente de fortalecer a segurança global em saúde.&nbsp;</p>



<p>As conversas se desenvolviam desde 2021, sendo o Brasil representante da região das Américas na mesa diretora dos trabalhos da negociação.&nbsp;</p>



<p>Em maio, durante a 77ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça, os países voltaram a se reunir para debater um instrumento internacional com diretrizes de preparação, prevenção e resposta a novas pandemias, mas divergências entre os participantes<strong> </strong>impediram que o acordo avançasse.</p>



<p>A ideia era que o tratado estabelecesse políticas juridicamente vinculativas para os países-membros da OMS sobre vigilância de agentes patogênicos, compartilhamento rápido de dados sobre surtos e produção local e cadeias de abastecimento de vacinas e tratamentos, entre outros pontos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="553" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-1200x553.jpg" alt="A ministra da Saúde, Nísia Trindade, participa da abertura da Cúpula Global de Preparação para Pandemias, realizada em julho de 2024, no Rio de Janeiro | Imagem: Rafael Nascimento/MS" class="wp-image-6084" style="width:785px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-1200x553.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-800x369.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-400x184.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-768x354.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-150x69.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, participa da abertura da Cúpula Global de Preparação para Pandemias, realizada em julho de 2024, no Rio de Janeiro | Imagem: Rafael Nascimento/MS</em></figcaption></figure>



<p>O Órgão de Negociação Intergovernamental (INB, na sigla em inglês), responsável pela coordenação das conversas, planeja pedir mais tempo para continuar as discussões.</p>



<p>De acordo com Igor Barbosa, chefe da divisão de saúde global do Ministério das Relações Exteriores, a principal dificuldade tem sido a questão do acesso a medicamentos e insumos médicos necessários para o enfrentamento de novas pandemias – o que envolve, entre outras coisas, acordo de <strong>transferência de tecnologia</strong> para produção local, transparência de preços e questões regulatórios.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Os países centrais, sobretudo os do G7, não estão dispostos a renunciar de suas prerrogativas e seus privilégios&#8221;, afirma Barbosa.</p>



<p>Outro tema delicado é o de financiamento para <strong>a criação de um sistema multilateral</strong>, liderado pela OMS, para <strong>acesso a patógenos com potencial pandêmico</strong> detectados em diferentes países e aos insumos utilizados para combatê-los.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Os países em desenvolvimento têm se mostrado relutantes em compartilhar informações sobre os seus agentes patogênicos sem garantias de acesso a vacinas e outros produtos de saúde&#8221;, diz Barbosa, do Ministério das Relações Exteriores.</p></blockquote></figure>



<p>&#8220;Por sua vez, os países ricos dizem que já oferecem uma série de mecanismos de apoio financeiro ao mundo em desenvolvimento nesse sentido.&#8221;</p>



<p>Um deles é o Fundo Pandêmico, criado em setembro de 2022 e dedicado ao fornecimento de <strong>subsídios plurianuais</strong> para ajudar países de baixa e média renda a se prepararem para futuras pandemias.</p>



<p>Sediado pelo Banco Mundial e capitaneado pelos Estados Unidos, o fundo recebeu 179 inscrições de 133 países em sua primeira chamada e concedeu, em julho de 2023, US$ 338 milhões para ajudar 37 países a fortalecer sua capacidade de prevenir, se preparar e responder a pandemias.&nbsp;</p>



<p>Os Estados Unidos prometeram em julho de 2024 mais US$ 667 milhões (aproximadamente R$ 3,7 bilhões) para o fundo, enquanto a Alemanha se comprometeu com US$ 54 milhões (R$ 304 milhões).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Esforços no Brasil</h2>



<p>O Brasil também vem se articulando com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da OMS, para reforçar os mecanismos existentes de aquisição de vacinas, medicamentos e diagnósticos.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Nossa estratégia tem se desenvolvido no sentido debater, explorar oportunidades, mapear desafios, identificar soluções inovadoras e promover a conexão entre os diversos atores do ecossistema de inovação e produção de vacinas e outras tecnologias em saúde, de modo a fortalecer as cadeias de valor para produção local desses insumos na América Latina&#8221;, comenta Barbosa.&nbsp;</p>



<p>Um passo importante nessa direção foi o lançamento pelo governo brasileiro de um plano de apoio à construção do <strong>Complexo Econômico-Industrial da Saúde e de Inovação</strong> para o Sistema Único de Saúde (SUS), com investimentos públicos e privados entre R$ 42 bilhões e R$ 60 bilhões até 2026.</p>



<p>O objetivo é estimular o desenvolvimento de indústrias de base química, biotecnológica, mecânica, eletrônica e de materiais, além de serviços de saúde no país. Espera-se, com isso, ampliar, em dez anos, de 42% para 70% a fabricação nacional dos insumos e equipamentos adquiridos pelo SUS, reduzindo a dependência externa.</p>



<p>Outro movimento importante se deu no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fiocruz, que em agosto passou a integrar a rede da CEPI de fabricantes de vacinas no Sul Global.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A iniciativa irá nos apoiar no estudo de moléculas com potencial para o desenvolvimento rápido de medicamentos e vacinas contra doenças infecciosas que possam causar epidemias ou pandemias, garantindo o abastecimento de países menos favorecidos, para que não aconteça o que aconteceu durante a pandemia&#8221;, explica Maurício Zuma Medeiros, diretor de Bio-Manguinhos.</p>



<p>A parceria prevê investimento de US$ 17,9 milhões (aproximadamente R$ 92 milhões) da CEPI para diversificar as capacidades de fabricação de vacinas de Bio-Manguinhos/Fiocruz, expandindo novas plataformas de tecnologia de imunizantes de resposta rápida de mRNA e vetor viral contra doenças infecciosas.&nbsp;</p>



<p>A Fiocruz tem uma ampla e antiga tradição em <strong>diplomacia em saúde</strong>, orientada sobretudo à cooperação estruturante, ajudando os países a desenvolverem seus próprios sistemas de saúde e de pesquisa em saúde.&nbsp;</p>



<p>Um exemplo de sucesso nesse sentido é Moçambique, país no qual a Fiocruz abriu seu primeiro escritório internacional, em 2008.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Ajudamos na criação da Sociedade Moçambicana de Medicamentos S.A, fábrica de medicamentos que hoje alimenta o sistema de saúde moçambicano&#8221;, diz Moreira.&nbsp;</p>



<p>No âmbito regional, a Fiocruz se articula com a OPAS para fortalecer o multilateralismo na América Latina e no Caribe, por meio de projetos de qualificação dos países da região nas áreas de diagnóstico, desenvolvimento e produção de medicamentos e vacinas.&nbsp;</p>



<p>A ideia, diz Moreira, é criar uma rede regional bem coordenada capaz de responder a novas pandemias e garantir uma preparação contínua.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A história nos ensina que a próxima pandemia é uma questão de &#8216;quando&#8217;, não de &#8216;se”, afirma Moreira.&nbsp;</p>



<p>“É preciso uma articulação multilateral envolvendo cientistas e instituições de vários países para avançar em nosso conhecimento sobre os patógenos que nos cercam.&#8221;</p>
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		<item>
		<title>Diplomacia científica em uma era de disrupção</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/colunas/diplomacia-cientifica-empresas-novas-tecnologias-ary-plonski/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Apr 2025 14:51:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#cooperação]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
		<category><![CDATA[#inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa empresarial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No contexto geopolítico em transformação, empresas privadas agem como entidades supranacionais, modulando políticas segundo interesses corporativos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na cultura popular latino-americana, a <strong>celebração de 15 anos</strong> é usualmente um acontecimento festivo. Com raízes em notáveis civilizações pré-colombianas, que assim marcavam a entrada de jovens na puberdade, essa ocasião recebe nos países de língua espanhola o sugestivo nome de <em>quinceañera</em>.</p>



<p>Contrastando com o ambiente esfuziante habitual nessas circunstâncias, foi sóbria a comemoração dos 15 anos da emissão do documento <a href="https://www.sciencediplomacy.org/editorial/2024/science-diplomacy-15-years" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>New frontiers in science diplomacy</em></a>, ocorrida durante o recente encontro anual da <strong>Associação Americana para o Avanço da Ciência </strong>(<strong>AAAS</strong>).</p>



<p>Esta importante entidade é irmã bem mais velha da nossa Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – a diferença é de exatos cem anos.</p>



<p>Não foi por falta de mérito. A referida <strong>publicação conjunta da AAAS e da Royal Society </strong>britânica se tornara uma <strong>referência conceitual</strong> para o aproveitamento de conhecimentos científicos nos <strong>esforços cooperativos</strong> de <strong>enfrentamento de problemas</strong> que nenhum país é capaz de resolver sozinho. &nbsp;</p>



<p>Entre eles estão desafios definidores do bem-estar de bilhões de pessoas neste século, como os de <strong>recuperação da saúde planetária</strong>, de <strong>preservação da segurança alimentar</strong> e de <strong>proteção da dignidade humana</strong> em face de totalitarismos potencializados por inovações tecnológicas.</p>



<p>A propósito desses, nos tempos atuais, em que se discute o uso problemático de <strong>sistemas de reconhecimento facial</strong>, cabe lembrar o papel das então avançadas <strong>tecnologias de tabulação e processamento de dados</strong> na operacionalização dos desígnios sinistros do regime nazista.</p>



<p>O primeiro passo foi a realização de um censo nacional, instrumentalizado como mecanismo para a identificação de judeus (caracterizados segundo a definição do partido nacional-socialista), de romani (conhecidos pelo exônimo de ciganos) e de outros grupos étnicos considerados indesejáveis ​​pelo regime. </p>



<p>Os lucrativos negócios acertados pelo governo alemão com a então líder global nesse ramo prosperaram também em países europeus ocupados, tendo a aparentemente anódina tecnologia <em>hollerith</em> (popularizada entre nós pelos antigos holerites do salário) facilitando às forças do mal a localização e captura em massa de pessoas-alvo, assim contribuindo para a tecnificação do genocídio.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Contexto adverso</mark></strong></h2>



<p>A expectativa otimista, anunciada na introdução do documento original de 2010, de ampliação das <strong>fronteiras da diplomacia da ciência</strong>, capazes de “criar um novo papel para a ciência na formulação de políticas e diplomacia internacionais&#8230; para colocar a ciência no centro da agenda internacional do progresso”, tem se defrontado com uma realidade crescentemente desfavorável.</p>



<p>De fato, apenas 15 anos depois, “o <strong>contexto geopolítico é cada vez mais adverso</strong>, o poder é mais amplamente distribuído e as relações entre as principais potências tornaram-se mais competitivas”, como salienta o documento <a href="https://www.aaas.org/news/science-diplomacy-era-disruption" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Science diplomacy in an era of disruption</em></strong></a>, lançado no mencionado encontro, novamente em coedição da AAAS e da Royal Society.</p>



<p>Aponta como outros <strong>fatores disruptivos</strong> os <strong>rápidos avanços tecnológicos</strong>, como os que ocorrem no campo da <strong>inteligência artificial</strong>, assim como a ascensão de atores não estatais, incluindo “<strong>titãs da tecnologia</strong>”.</p>



<p>Essas mudanças constrangem as bases da<strong> cooperação construtiva</strong>, ideal que presidia a <strong>confluência da ciência e da diplomacia</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Numa visão realista, a nova estrutura enfatiza ser a diplomacia da ciência uma ferramenta usada para atingir os objetivos diplomáticos de uma nação ou organização, objetivos que podem ser percebidos como positivos ou negativos.</p></blockquote></figure>



<p>Nessa linha, vêm se avolumando as pressões públicas e dissimuladas, que por vezes beiram à coação, relacionadas a <strong>supostos riscos para a segurança nacional</strong> em colaborações científicas internacionais.</p>



<p>A hipersensibilidade a tais riscos afeta não apenas a <strong>cooperação mundial na pesquisa</strong>, como também a mobilidade de pesquisadores e estudantes de instituições de ensino superior em áreas da ciência consideradas sensíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Diplomacia não estatal</mark></strong></h2>



<p>O novo documento amplia o cenário do anterior, ao incluir no escopo o uso da <strong>diplomacia por atores não-estatais</strong>, em particular do meio empresarial. As firmas a utilizam para promover seus interesses comerciais, em particular quando estão envolvidas inovações de cunho tecnológico.</p>



<p>Um número pequeno, mas crescente de empresas privadas, que comandam ativos vultosos, agem como <strong>entidades supranacionais</strong>, modulando as suas presenças nacionais de acordo com os <strong>interesses corporativos</strong>.</p>



<p>A influência política desses “titãs da tecnologia” tem levado alguns deles a manterem uma equipe permanente nas cidades que são sede de organismos multilaterais, como Nova York, Paris, Genebra, Washington e Bruxelas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-1200x800.jpg" alt="Sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça: conhecimentos científicos podem ser mais bem aproveitados nos esforços cooperativos de enfrentamento de desafios globais, como recuperação da saúde planetária e proteção da dignidade humana | Imagem: Hugo Magalhães / Pexels" class="wp-image-5944" style="width:755px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-1200x800.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-800x533.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-400x267.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-768x512.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas-150x100.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/04/Nacoes-Unidas.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça: conhecimentos científicos podem ser mais bem aproveitados nos esforços cooperativos de enfrentamento de desafios globais, como recuperação da saúde planetária e proteção da dignidade humana | Imagem: Hugo Magalhães / Pexels</figcaption></figure>



<p>Em contrapartida, nações passaram a estabelecer representações nas “capitais da tecnologia”, em especial no <strong>Vale do Silício</strong>, além de expandir adidâncias ou setores de ciência, tecnologia e inovação nos postos diplomáticos existentes.</p>



<p>O cada vez maior movimento internacional de dados e a aceleração da presença de plataformas globais têm exacerbado embates entre diferentes sistemas de valores enraizados na sociedade humana.</p>



<p>É o caso da priorização da <strong>proteção de dados</strong> (Europa), do controle das <strong>manifestações divergentes da linha oficial</strong> (China) e do asseguramento da <strong>liberdade de expressão</strong> (Estados Unidos). &nbsp;</p>



<p>Outra alteração expressiva nos parcos 15 anos transcorridos entre as duas publicações referenciais da <strong>diplomacia científica</strong> é o fato de o <strong>setor privado</strong> ter passado a ser um grande <strong>financiador de esforços em ciência básica</strong> e em suas aplicações em muitos países.</p>



<p>As maiores <strong>empresas de tecnologia da informação</strong> investem dezenas de bilhões de dólares cada uma em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) com enfoque no avanço das fronteiras do conhecimento em áreas como <strong>inteligência artificial</strong> e <strong>tecnologias quânticas</strong>.</p>



<p>Um resultado eloquente desses investimentos é o fato de dois pesquisadores de um desses “titãs” integrarem o trio contemplado pelo <strong>prêmio Nobel de Química de 2024</strong> (o terceiro, como de hábito, é um pesquisador vinculado a uma universidade).</p>



<p>O par de <strong>pesquisadores empresariais</strong>, cujo laboratório está num país que não é sede mundial da corporação, desenvolveu um modelo de inteligência artificial que conseguiu prever a estrutura de praticamente 200 milhões de proteínas. Desde sua descoberta, o modelo já foi usado por mais de dois milhões de pessoas de 190 países. </p>



<p>“Entre uma miríade de <strong>aplicações científicas</strong>, os pesquisadores agora podem entender melhor a resistência a antibióticos e criar imagens de enzimas que podem decompor o plástico”, justifica o anúncio da <strong>Academia Real de Ciências da Suécia</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Diplomacia da inovação</mark></strong></h2>



<p>O fenômeno descrito torna as empresas participantes de primeira grandeza no mundo da diplomacia científica, que tradicionalmente tinha apenas representantes de governos (diplomatas) e cientistas do meio acadêmico. </p>



<p>Quem estuda o campo das políticas voltadas ao favorecimento da ciência, da tecnologia e da inovação reconhecerá a emergência do profícuo formato da <strong>Hélice Tríplice</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Há situações, porém, em que grandes corporações entendem que estão em um plano que transcende governos, como temos testemunhado em controvérsias recentes.</p></blockquote></figure>



<p>As evoluções nesse fascinante campo vêm sendo acompanhadas de perto pela <a href="https://2024.innscidsp.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>São Paulo Innovation and Science Diplomacy School</em></a><strong> </strong>(InnSciD SP), uma iniciativa criada em 2019 na Universidade de São Paulo (USP), inicialmente como uma Escola São Paulo de Ciência Avançada da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).</p>



<p>Naquele ano, a Escola introduziu conceitos e abordagens inovadoras, estruturadas em dois eixos principais: <strong>diplomacia científica</strong> e <strong>diplomacia da inovação</strong>.</p>



<p>Além disso, expôs grandes infraestruturas de pesquisa no estado de São Paulo a um grupo de 100 jovens pesquisadores, sendo metade brasileiros e metade estrangeiros.</p>



<p>A Escola passou a ser oferecida anualmente, alternando entre formatos virtual e presencial, sempre com parceiros estratégicos.</p>



<p>A cada edição um <strong>tema global crítico</strong> é escolhido para ser analisado sob a perspectiva da diplomacia científica e da inovação, com a contribuição de especialistas e agentes nacionais e estrangeiros &nbsp;</p>



<p>A edição mais recente da <strong>InnSciD SP</strong>, realizada em <strong>2024</strong>, teve dois segmentos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O primeiro foi dedicado a fazer um balanço sobre a evolução da diplomacia científica e da inovação, quando estudiosos que estiveram na edição inaugural apontaram tendências que, não por coincidência, foram também consignadas no documento que acaba de ser publicado pela AAAS e pela Royal Society;</li>



<li>O segundo segmento abordou o impacto da inteligência artificial no alargamento das fronteiras da diplomacia científica e da inovação, contemplando temas como o seu impacto sobre a paz e a segurança e a competição global por semicondutores, conhecida como a “<strong>guerra dos chips</strong>”.</li>
</ul>



<p>Foram exploradas, sob perspectivas diplomática, acadêmica e empresarial, formas de o Brasil e países assemelhados participarem ativamente na formulação de regulamentações e regimes internacionais que ajudem a <strong>mitigar as assimetrias tecnológicas</strong>, em um cenário geopolítico em transformação vertiginosa.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<title>Tarifas de Trump encarecem ciência nos EUA e podem ter impacto global</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/guerra-comercial-tarifas-trump-ciencia-insumos-eua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 17:30:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#cadeia de suprimentos]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#economia]]></category>
		<category><![CDATA[#infraestrutura de pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[#insumos científicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Medidas protecionistas elevam custos de pesquisa e ameaçam cadeias de suprimentos científicos em meio a tensões comerciais crescentes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde abril de 2025, <strong>laboratórios científicos nos Estados Unidos</strong> enfrentam uma nova e inesperada barreira: o <strong>aumento abrupto no custo de equipamentos</strong>, <strong>reagentes e componentes essenciais para pesquisa</strong>.</p>



<p>Isso é resultado de uma <strong>política tarifária agressiva</strong> promovida pelo governo do presidente <strong>Donald Trump</strong>, que impôs tarifas de até 50% sobre produtos importados, atingindo em cheio as <strong>cadeias de suprimentos globais da ciência</strong>.</p>



<p><a href="https://www.bbc.com/news/articles/cn93e12rypgo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo reportagem da BBC News</a>, a justificativa da Casa Branca é fortalecer a economia nacional, proteger empregos e reduzir a dependência dos EUA de “adversários estrangeiros”.</p>



<p>Trump afirmou que “às vezes é preciso tomar o remédio”, referindo-se às tarifas como uma forma de “reviver a indústria americana”. </p>



<p>Contudo, especialistas alertam para um <strong>efeito colateral preocupante</strong>: o impacto sobre a ciência e a inovação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Equipamentos mais caros, pesquisa comprometida</mark></strong></h2>



<p>Laboratórios norte-americanos dependem fortemente de <strong>fornecedores internacionais</strong>. <a href="https://www.science.org/content/article/sticker-shock-new-u-s-tariffs-could-raise-cost-research-equipment-and-supplies" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segundo a revista <em>Science</em>,</a> <strong>China</strong>, <strong>México</strong> e <strong>Canadá</strong> — alvos das tarifas mais altas — são responsáveis por uma ampla gama de insumos, como pipetas, tubos de ensaio, painéis LCD, reagentes e componentes eletrônicos. </p>



<p>Outros países também foram atingidos: a <strong>Alemanha</strong> teve tarifas de 20%, o <strong>Japão</strong> de 24% e a <strong>Suíça</strong> de 31%, afetando produtos de alta tecnologia como microscópios, espectrômetros e sequenciadores de DNA, <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-025-01060-9" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conforme mostra a revista <em>Nature</em> em artigo publicado em março</a>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Esses itens não são luxo. Eles são a espinha dorsal da ciência moderna”, afirmou à <em>Nature </em>o pesquisador Tinglong Dai, da Universidade Johns Hopkins.</p></blockquote></figure>



<p>Drew Kevorkian, CEO da fornecedora ARES Scientific, relatou um aumento imediato nos orçamentos: “Estamos fazendo cotações hoje que são 20% mais caras do que ontem”.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Efeitos econômicos mais amplos</mark></strong></h2>



<p>As tarifas não afetam apenas a ciência. De acordo com a BBC News, os impostos sobre importações podem elevar os preços de uma série de bens de consumo, de alimentos a eletrônicos.</p>



<p>O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para <strong>riscos de recessão global</strong>, e mercados na Europa e Ásia já registraram quedas bruscas.</p>



<p>O próprio modelo de <strong>cadeia de produção global</strong> está ameaçado. Um mesmo produto pode cruzar fronteiras várias vezes antes de ser concluído — como no caso de automóveis e equipamentos científicos.</p>



<p>“Mesmo produtos feitos nos EUA dependem de componentes importados”, lembrou Dai.</p>



<p>Uma possível resposta das empresas seria migrar para fornecedores nacionais. Mas isso é lento e nem sempre viável. “Não é como apertar um botão. É preciso garantir qualidade e construir confiança”, explicou à <em>Nature</em> <a href="https://www.bu.edu/met/profile/canan-gunes-corlu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Canan Gunes Corlu</a>, especialista em cadeia de suprimentos da Universidade de Boston. </p>



<p>Além disso, mesmo com tarifas, importar ainda pode sair mais barato. “Acredite se quiser, alguns produtos continuam mais baratos mesmo com o imposto”, disse Kevorkian.</p>



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<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Estratégias de adaptação e incertezas futuras</mark></strong></h2>



<p>Diante da instabilidade, pesquisadores adotam estratégias defensivas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O biólogo Tony Gamble, da Universidade Marquette, em Wisconsin, adiantou a compra de insumos logo após a eleição.</p></blockquote></figure>



<p>“Estoquei computadores, ponteiras, luvas e tubos de amostra. Estou feliz por ter feito isso”, disse ele à <em>Science</em>.</p>



<p>No entanto, estocar é apenas uma medida paliativa. Organizações como a <a href="https://www.aha.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">American Hospital Association</a> já pediram <strong>isenções</strong> para produtos médicos e farmacêuticos.</p>



<p>A expectativa é de que o cenário se torne mais complexo, com possíveis novas tarifas sobre parceiros europeus.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Tensão internacional e possível guerra comercial</mark></strong></h2>



<p>As reações internacionais não tardaram. A China, atingida por tarifas acumuladas de 54%, anunciou retaliações de 34% sobre produtos americanos.</p>



<p>A União Europeia também estuda medidas similares. Líderes de países aliados, como Reino Unido, Austrália e Japão, classificaram as ações como “injustificáveis” e “não amigáveis.”</p>



<p>Os aumentos tarifários não seguem exatamente uma lógica de reciprocidade. </p>



<p>Em muitos casos, os percentuais foram calculados para eliminar o déficit comercial dos EUA com cada país — mesmo quando esses países, como o Reino Unido, compram mais dos EUA do que vendem.</p>
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		<title>Desafios de saúde na América Latina</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/desafios-de-saude-na-america-latina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 17:52:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina e Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores discutem em novo livro as realidades de saúde da região nos anos de pandemia e a emergência de novos problemas e entraves sociais </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 2015, a região da América Latina e Caribe observa uma deterioração dos níveis de bem-estar e aumento da pobreza. A pandemia de Covid-19 agravou essa situação e desencadeou uma crise multidimensional, caracterizada pela fragilidade das políticas econômicas, sociais e de saúde. Esse cenário também se expressa na diminuição dos níveis de crescimento econômico e da geração de empregos, aumento das pressões inflacionárias — as quais tendem a se manifestar fortemente no aumento dos preços dos alimentos e da energia —, e em quedas significativas de investimentos em áreas como saúde e meio ambiente.</p>



<p>Para mudar esse cenário, os países da região terão de trabalhar juntos para alcançar coletivamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização da Nações Unidas (ONU) para o período de 2020 a 2030, “por meio de uma diplomacia, política e científica, inclusiva, solidária e equitativa”, destacou o sanitarista Paulo Buss, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Oswaldo Cruz (Cris-Fiocruz) em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zT02DbQgV-c" target="_blank" rel="noreferrer noopener">seminário virtual</a> realizado em novembro para o lançamento do <a href="http://alasag.org/wp-content/uploads/2023/11/perspectivas-y-desafios15-11-23.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">livro</a> <em>Perspectivas y desafíos en un escenario post pandemia: fortaleciendo alianzas de salud global en América Latina y el Caribe</em>.</p>



<p>Editado pela Aliança Latino-americana de Saúde Global (Alasag), com apoio do Cris-Fiocruz, a obra (<a href="http://alasag.org/wp-content/uploads/2023/11/perspectivas-y-desafios15-11-23.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível em PDF</a>) reúne artigos escritos em português e espanhol por 20 especialistas latino-americanos, a partir de conteúdos apresentados no VII Congresso Latino-Americano de Saúde Global, realizado em novembro de 2022 em Santiago, no Chile.</p>



<p>Os trabalhos discutem e analisam as realidades de saúde na América Latina nos anos de pandemia, e a emergência de novos problemas e desafios sociais na região, como as mudanças climáticas e a insegurança alimentar, entre outras condições que aumentam as desigualdades já existentes nas comunidades latino-americanas.</p>



<p>Buss é autor de dois artigos no livro. Em um deles, escrito em coautoria com o médico Giorgio Solimano, da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, o pesquisador apresenta as principais características das várias crises que atravessam a região, com base em dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).</p>



<p>A pandemia, segundo ele, expôs as fragilidades das políticas econômicas, sociais e de saúde na região, que se expressaram em insuficiente capacidade estatal para lidar com a emergência sanitária, a fragmentação das políticas públicas e falhas de comunicação com a sociedade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“As dificuldades se agravaram em países com sistemas de proteção social frágeis e sistemas públicos de saúde subfinanciados”, comentou o Paulo Buss, da Fiocruz.</p></blockquote></figure>



<p>Isso resultou em um aumento das taxas de pobreza para níveis acima dos pré-pandemia. Estima-se que 32,1% da população da região (201 milhões de pessoas) viviam em situação de pobreza em 2022, ao passo que 13,1% (82 milhões de pessoas) viviam na pobreza extrema.</p>



<p>“Em comparação com os anos pré-pandemia, houve um aumento de aproximadamente 15 milhões de pobres e 12 milhões de pobres extremos na região”, destacou Buss. “Esta situação afeta principalmente crianças, adolescentes, mulheres com idade entre 20 e 59 anos, indígenas e afrodescendentes.”</p>



<p>Com 8,4% da população mundial, a região da América Latina e Caribe também foi uma das mais afetadas pela pandemia, respondendo por 34% dos casos de Covid-19 e 28% das mortes pela doença no mundo.</p>



<p>“A informalidade dos mercados de trabalho, a impossibilidade de praticar o distanciamento social e a superlotação das favelas brasileiras e argentinas, além da reação inicial tardia e hesitante de alguns líderes políticos regionais, contribuíram para o número excessivo de casos e mortes, especialmente entre pessoas pobres, de menor escolaridade, negros e indígenas”, destacou Buss.</p>



<p>Para reverter os estragos deixados pela pandemia e conter o avanço da pobreza será preciso adotar novos paradigmas na atenção à saúde, baseados em uma abordagem conjunta dos determinantes sociais da saúde, na detecção precoce de doenças e na redução das desigualdades em saúde.</p>



<p>“Tudo isso só poderá ocorrer se tivermos níveis adequados de financiamento em saúde e um incremento da diplomacia científica”, afirmou o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Meio ambiente</strong></h2>



<p>Outro aspecto importante da crise multidimensional que atravessa a América Latina e o Caribe é o ambiental. Os países da região respondem por 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (que contribuem para o aquecimento global), o equivalente a apenas um terço das emissões dos Estados Unidos e da União Europeia.</p>



<p>Ao mesmo tempo, a região é particularmente vulnerável aos efeitos negativos das mudanças climáticas. “As populações mais pobres são as mais vulneráveis porque estão mais sujeitas a eventos climáticos extremos, tendo menos recursos para se preparar a eles”, afirmou a geógrafa Helena Ribeiro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), que assina um dos capítulos do livro.</p>



<p>Ela e suas colaboradoras têm se debruçado sobre dados da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU que articula quase 10 mil cientistas de 60 países, para entender as dinâmicas de emissão de gases de efeito estufa nos últimos anos na América Latina e Caribe.</p>



<p>Segundo a pesquisadora, dados divulgados pela organização em 2022 indicam que houve um aumento das emissões dos três principais gases estufa na região — dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>), metano (CH<sub>4</sub>) e os óxido nítrico (NO) — no período pós-pandemia. Os efeitos da mudança no clima já são sentidos em algumas regiões.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“As geleiras andinas estão 30% menores do que em 1980, resultando em uma escassez de água em regiões que dependem de água de degelo para consumo e irrigação de lavouras no verão”, disse Helena Ribeiro, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Em outras áreas, chuvas intensas causam enchentes e deslizamento de terra, ceifando a vida de milhares de pessoas. Entre 2020 e 2022, foram registrados 175 desastres de origem meteorológicos na região, com perdas anuais de até US$ 3 bilhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Propagação de doenças</strong></h2>



<p>A intensificação dos eventos climáticos extremos também tem favorecido a propagação de doenças infecciosas, como dengue, malária e cólera, sobrecarregando os serviços de saúde. Têm causado ainda danos às lavouras de subsistência — que não têm sistemas de irrigação ou de drenagem de terra adequados —, agravando a insegurança alimentar na região.</p>



<p>Em 2021, em um dos períodos mais críticos da pandemia, a América Central tinha 8 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. “Além dos impactos na saúde mental desses indivíduos, essa situação contribui para a intensificação de processos migratórios dos campos para as cidades”, destacou a Ribeiro.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Desnutrição, obesidade e mudanças climáticas não são problemas opostos entre si, mas, sim, problemas impulsionados pelo mesmo sistema alimentar pouco saudável”, afirmou a médica Lorena Rodriguez Osiac, da Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile.</p></blockquote></figure>



<p>Segundo ela, para alcançar os ODS voltados à erradicação da fome e à promoção da agricultura sustentável, será necessário apoiar a transformação dos atuais sistemas agroalimentares em sistemas mais sustentáveis e resilientes, de tal forma que as bases econômicas , sociais e ambientais existentes não sejam colocados em risco. “Só assim conseguiremos garantir a segurança alimentar e nutricional para as gerações futuras”.</p>



<p>“A agenda pós-pandemia na América Latina e no Caribe precisa ser colocada em uma perspectiva ampla de transformação dos sistemas de proteção social e saúde, e das relações entre Estado, mercados e sociedade na saúde”, afirmou a psicóloga Suelen Carlos de Oliveira, professora da Universidade do Grande Rio, no Rio de Janeiro.</p>



<p>Na sua avaliação, a crise sanitária mostrou que é preciso fortalecer o caráter público dos sistemas de saúde de forma estrutural, estável e contínua, para que ele seja capaz de responder às necessidades da população.</p>



<p>“Isso implica mudanças que envolvem conflitos redistributivos, como a expansão do financiamento público e mudanças nas relações público-privadas em saúde, inclusive na prestação de serviços”, disse Oliveira.</p>



<p>De acordo com a psicóloga, também é urgente o fortalecimento das estratégias de integração regional na América Latina, a busca de um realinhamento estratégico com outros países do Sul Global, e o esforço de reorientação dos mecanismos de governança global em saúde, com base em compromissos de redução das desigualdades, promoção da equidade e da solidariedade entre nações.</p>
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