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	<title>#história | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#história | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Quando a ciência ataca quem tem razão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[#ética]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Matt Kaplan, jornalista de The Economist, documenta como paradigmas científicos resistem a ser derrubados e o que isso custa a pesquisadores que ousam questionar o consenso</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO?</strong></h2>



<p>O livro<em> </em><a href="https://us.macmillan.com/books/9781250372277/itoldyouso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>I Told You So: Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right</em></a>, publicado em 2024 pela St. Martin’s Press e escrito por <a href="https://us.macmillan.com/author/mattkaplan" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Matt Kaplan</a>, correspondente de ciência da revista <em>The Economist</em> e ex-pesquisador em paleontologia pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). </p>



<p>O livro foi escrito a partir de dezenas de entrevistas com cientistas ativos e da reconstituição de casos históricos que atravessam quatro séculos de medicina, biologia e paleontologia.</p>



<p>O texto reconstrói o que deveria ser elementar no mundo científico, a ideia de que novos dados podem derrubar consensos, e demonstra, caso a caso, por que isso raramente acontece sem custo pessoal para quem propõe os dados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE LIVRO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p><em>I Told You So</em> tem ambição histórica. Kaplan não se limita a reportar que cientistas foram perseguidos: ele diagnostica o mecanismo. O argumento central é que a resistência a ideias novas não é um defeito ocasional do sistema científico, mas uma consequência estrutural de como paradigmas são construídos, defendidos e financiados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O caso de Ignaz Semmelweis abre o livro e ancora toda a argumentação. Em 1847, o médico húngaro demonstrou que médicos estavam transmitindo a febre puerperal às parturientes por não lavar as mãos antes dos partos. </p></blockquote></figure>



<p>Semmelweis foi demitido, internado à força em um hospício e morreu sem ver sua hipótese aceita. O que Kaplan mostra é que a resistência ao seu trabalho não veio de ignorância: veio de médicos que compreenderam perfeitamente o que ele estava dizendo e que não podiam aceitar ser, eles próprios, os vetores da doença.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="790" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-790x1200.jpg" alt="Capa do livro I Told You So, de Matt Kaplan, sobre fundo preto. Um feixe de luz amarela parte do canto superior esquerdo em direção ao centro da imagem, iluminando o título em letras vermelhas grandes e, no canto inferior direito, a figura de um cientista de época vestido com manto, segurando um instrumento e apoiado em um globo terrestre. O subtítulo, em letras brancas, diz &quot;Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right&quot;. O nome do autor aparece em amarelo na base da capa." class="wp-image-9195" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-790x1200.jpg 790w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-526x800.jpg 526w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-263x400.jpg 263w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-768x1167.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-99x150.jpg 99w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa-150x228.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/06/i-told-you-so-capa.jpg 987w" sizes="(max-width: 790px) 100vw, 790px" /><figcaption class="wp-element-caption">Capa de I Told You So: Scientists Who Were Ridiculed, Exiled, and Imprisoned for Being Right (2024), de Matt Kaplan | Imagem: St. Martin&#8217;s Press</figcaption></figure>



<p>O livro também documenta o caso de Mary Schweitzer, paleontóloga que, nos anos 1990, identificou estruturas compatíveis com células vermelhas do sangue em um osso fossilizado de <em>Tyrannosaurus rex </em>com 80 milhões de anos.&nbsp;</p>



<p>A descoberta contrariava o dogma de que tecidos moles não sobrevivem à fossilização. Schweitzer foi atacada por colegas durante duas décadas. Só em 2017, após publicar resultados obtidos em condições hermeticamente controladas, o campo começou a rever sua posição. Ela é hoje considerada a fundadora da paleontologia molecular.</p>



<p>O livro documenta ainda como vieses institucionais se perpetuam: financiamentos negados a pesquisadores que desafiam o consenso, periódicos que rejeitam artigos por razões pessoais e orientadores que instalam nos alunos as mesmas certezas que eles próprios herdaram.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Nós herdamos certas crenças de nossos orientadores”, diz o paleontólogo Johan Lindgren, da Universidade de Lund, ao autor. “E é difícil mudar essa mentalidade herdada.”</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE LIVRO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Há dois momentos especiais no livro. O primeiro é a cena de abertura. Em 2012, Kaplan presencia um grupo de pesquisadores seniores cercando a doutoranda Alison Moyer — orientanda de Schweitzer — e atacando verbalmente seu pôster em um congresso de paleontologia de vertebrados.&nbsp;</p>



<p>Ela havia questionado se as estruturas identificadas como melanossomos em penas fósseis poderiam ser, na verdade, bactérias. Era uma pergunta cientificamente fundamentada. O campo respondeu com fúria. A cena é perturbadora porque Kaplan estava lá, com o crachá de repórter virado para dentro do bolso, e não desvia o olhar.</p>



<p>O segundo é a trajetória de Alexander Gordon, médico escocês que em 1795, quase meio século antes de Semmelweis, publicou evidências detalhadas de que parteiras e médicos estavam transmitindo a febre puerperal de paciente a paciente. Gordon criou tabelas de contágio com nomes, datas e sequências de transmissão.&nbsp;</p>



<p>Então, publicou, junto com os dados, os nomes das profissionais que identificou como vetores involuntários. A população de Aberdeen se voltou contra ele. Ele fugiu para a Marinha e morreu de tuberculose em alto-mar, aos 47 anos, sem que qualquer de suas conclusões fosse levada a sério.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O livro não é pessimista, tampouco oferece consolo fácil. </p></blockquote></figure>



<p>Kaplan conclui que entender como a ciência falhou no passado é o único caminho para que ela falhe menos no futuro e que o intervalo entre a descoberta e a aceitação tem consequências concretas, medidas em vidas que poderiam ter sido salvas.</p>
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		<title>Câncer de mama, ciência e autonomia: por que ler “Quando a Vida Pede Coragem”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 15:39:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Historiadora transforma sua experiência com câncer em reflexão crítica sobre medicina baseada em evidências, excesso de informação e protagonismo do paciente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDAMOS?</strong></h2>



<p>O livro <strong><em>Quando a Vida Pede Coragem – Uma jornada contra o câncer com consciência, esperança e ação</em></strong> (GM Editora, 2025), de <strong>Tamara Prior</strong>, historiadora formada pela Universidade de São Paulo (USP), com trajetória acadêmica voltada para história da saúde e história das ciências e mestrado em medicina preventiva pela Faculdade de Medicina da USP. </p>



<p>Após ser diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos, a autora passou a integrar grupos de pacientes, aprofundar-se no estudo da oncologia e dialogar ativamente com evidências científicas, desenvolvendo uma postura crítica e participativa diante das decisões terapêuticas.</p>



<p>Essa vivência, atravessada por sucessivos desafios clínicos, resultou no livro <em>Quando a Vida Pede Coragem</em>, no qual Prior articula experiência pessoal, reflexão histórica e análise científica para discutir saúde, autonomia e enfrentamento do adoecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE ESTE LIVRO É RELEVANTE?</strong></h2>



<p>O livro é relevante porque procura romper dicotomias fáceis — por exemplo, entre ciência e sensibilidade, entre medicina convencional e autonomia do paciente, entre esperança e realidade concreta.</p>



<p>No prefácio, o divulgador científico Abner Santos descreve como Tamara ampliou sua “caixa de ferramentas” terapêuticas sem negar os protocolos médicos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Essa postura — nem de rejeição da medicina baseada em evidências, nem de submissão acrítica — é um dos eixos centrais da obra.</p></blockquote></figure>



<p>Trata-se, nesse sentido, de uma defesa do pensamento crítico aplicado à própria saúde.</p>



<p>Em entrevista concedida ao <strong>Science Arena</strong>, Prior enfatizou justamente a importância de “construir filtros” diante do excesso de informação na era digital.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O livro materializa essa proposta: mostra como curiosidade e criticidade, cultivadas desde sua formação em história da ciência, tornaram-se ferramentas práticas na tomada de decisões clínicas.</p></blockquote></figure>



<p>Para um público interessado nos desafios contemporâneos da produção e circulação do conhecimento, o livro oferece um estudo de caso vivo sobre autonomia informacional, protagonismo do paciente e os limites (e potencialidades) dos paradigmas científicos em contextos de alta incerteza.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-1200x1200.jpeg" alt="Mulher de cabeça raspada, usando brincos dourados e batom vermelho, olha para o horizonte com expressão serena e determinada. Ao fundo, a luz natural atravessa a vegetação verde, criando um clima acolhedor e contemplativo." class="wp-image-7840" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-1200x1200.jpeg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-800x800.jpeg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-400x400.jpeg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-768x768.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao-150x150.jpeg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2026/02/tamara-prior-livro-divulgacao.jpeg 1500w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para a historiadora Tamara Prior, que enfrentou um câncer de mama metastático, controvérsias não são defeitos: “é a própria pulsação da ciência com hipóteses testadas, refutadas e refinadas”| Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE FAZ DESTE LIVRO UMA LEITURA IMPERDÍVEL?</strong></h2>



<p>Primeiro, a coragem intelectual de Tamara Prior – que não escreve como quem entrega uma narrativa de superação pronta e confortável. Ela problematiza o imaginário geralmente fatalista e romântico que cerca o câncer, discute a vergonha que atravessa pacientes e profissionais, e questiona discursos simplificadores sobre causalidade (“Tudo causa câncer ou nada causa?”).</p>



<p>Em segundo lugar, há uma integração entre experiência e pesquisa. Ao longo da obra, cada capítulo combina, de forma equilibrada, relato pessoal com análise crítica e revisão de evidências — da resposta imune adaptativa à imunonutrição — culminando em um diálogo franco “entre a ciência e a vida.”</p>



<p>“Não se trata de um manual, nem do relato de um milagre; trata-se de método, postura e responsabilidade”, disse Prior ao <strong>Science Arena</strong>.</p>



<p>“Costumamos ouvir que basta buscar o que é científico, ou seja, ‘a medicina baseada em evidências’. Mas dentro desse próprio território também existem armadilhas, interesses e até equívocos travestidos de promessas.”, alerta a autora.</p>



<p>O livro também contempla a dimensão política do cuidado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A autora ilumina as desigualdades de acesso ao diagnóstico e tratamento e aponta que a luta contra o câncer não é apenas biológica, mas também coletiva e institucional.</p></blockquote></figure>



<p>Essa consciência ecoa o que Prior afirma na entrevista: informação sem discernimento pode confundir; mas informação aliada à criticidade pode transformar decisões.</p>



<p>Trata-se de uma obra que dialoga diretamente com um tema caro à comunidade científica: como navegar entre incertezas sem abandonar o rigor?</p>



<p>Em tempos de excesso informacional e disputas de narrativa sobre saúde e ciência, <em>Quando a Vida Pede Coragem</em> é um convite a praticar algo raro — lucidez com esperança.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/cancer-de-mama-ciencia-e-autonomia-por-que-ler-quando-a-vida-pede-coragem/">Câncer de mama, ciência e autonomia: por que ler “Quando a Vida Pede Coragem”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Saúde e urbanismo: um olhar histórico sobre escolas ao ar livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2024 16:26:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina naturista]]></category>
		<category><![CDATA[#práticas terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[#Prevenção]]></category>
		<category><![CDATA[#urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar da falta de validação científica da medicina naturista, seu modelo de escolas ao ar livre instiga a repensar saúde e educação para além de situações emergenciais</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A compreensão de que doenças infecciosas são causadas por microrganismos se afirmou no final do século XIX. Microscópios, corantes e aparelhos cada vez mais sofisticados permitiram não apenas identificar, mas também descrever suas formas e dimensões.</p>



<p>Para convencer a opinião pública, porém, muitas vezes não bastava saber que as doenças eram causadas por seres invisíveis. Isso porque o fato de poderem ser encontrados em qualquer lugar, mesmo na água mais cristalina e no ar mais puro, tornava a questão bastante difusa.</p>



<p>No início da Era Bacteriológica, a medicina científica e alopática conviveu por bastante tempo com terapias que empregavam os recursos naturais mais simples na tentativa de tratar doenças.</p>



<p>Isso incluía banhos em águas variadas, exposição do corpo ao sol e ao clima de altitude, alimentação rústica (geralmente vegetariana), podendo, eventualmente, integrar exercícios físicos, como a ginástica.</p>



<p>Essas técnicas corporais compunham as principais abordagens da medicina naturista (ou natural).</p>



<p>Originada da tradição neo-hipocrática e vitalista, a medicina naturista teve seus primeiros desenvolvimentos na segunda metade do século XVIII, nos territórios germânicos. Ao longo dos séculos seguintes, enfrentou críticas e obstáculos, principalmente devido à sua natureza empírica, que carecia de validação laboratorial.</p>



<p>Seus alicerces estavam, por assim dizer, mais enraizados em um desejo de contato com a natureza de inspiração poética (romântica) e em bases filosóficas, como as oferecidas por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), do que em princípios científicos modernos.</p>



<p>A medicina natural conheceu seu apogeu no final do século XIX, mesmo momento em que a Era Bacteriológica se iniciava.</p>



<p>É certo que a prova científica poderia se repercutir com grande força nos meios médicos. No entanto, ainda assim, a mudança nas mentalidades, que requer um tempo mais lento, nem sempre se faz concomitante às descobertas e inovações laboratoriais.</p>



<p>Outro fator a se considerar é que, mais do que sua validade científica, as práticas de saúde, promovidas em diferentes circunstâncias históricas, estão relacionadas com disputas entre diferentes saberes e projetos para a sociedade.</p>



<p>Elas resultam de embates políticos e econômicos, e sua afirmação social, ou seja, a repercussão e o sucesso que alcançam, depende muito mais de variantes culturais do que simplesmente da comprovação laboratorial.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Em contraste com os avanços urbanos e industriais, a medicina naturista enfatizava a valorização dos elementos naturais como água, ar fresco, luz solar, alimentação natural e, de forma mais abrangente, uma vida decorrida ao ar livre.</p></blockquote></figure>



<p>Acreditava-se que um suposto retorno à natureza poderia afastar os males atribuídos à vida urbana e industrializada, fortalecendo assim o corpo humano e suas defesas orgânicas.</p>



<p>Foi nesse contexto também que floresceu, sobretudo na Alemanha, a Reforma de Vida, movimento social difuso e fragmentário que propunha transformar os modos de vida de forma a garantir uma existência transcorrida ao ar livre e em íntimo contato com a natureza – e que também impulsionou fortemente a circulação dos conhecimentos da medicina naturista.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Práticas terapêuticas</mark></strong></h2>



<p>No final do século XIX, uma ampla gama de práticas terapêuticas, como hidroterapia, helioterapia e climatoterapia se consolidaram no interior da medicina naturista.</p>



<p>Os tratamentos pelo sol e pelo clima foram muito empregados no combate e na prevenção da tuberculose, doença que apresentou altas taxas de mortalidade por décadas, até a ampla adoção da vacina BCG.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="1000" height="563" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca.jpg" alt="" class="wp-image-4381" style="width:744px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca.jpg 1000w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca-800x450.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca-400x225.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca-768x432.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Parque-Agua-Branca-150x84.jpg 150w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption class="wp-element-caption">Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista: local abrigou a Escola de Aplicação ao Ar Livre de São Paulo nos anos 1930</figcaption></figure>



<p>Em um cenário de escassez de medicamentos eficazes, os conhecimentos e práticas da medicina naturista foram adotados por inúmeros sanatórios e estabelecimentos balneares situados em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.</p>



<p>Além disso, esses conhecimentos também adentraram à medicina preventiva e higiênica, impactando o urbanismo e renovando a arquitetura.</p>



<p>Sua expansão se fez sentir inclusive no campo da educação e da assistência infantil, promovendo a criação de colônias de férias e escolas ao ar livre em diversos países.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Aulas ao ar livre</mark></strong></h2>



<p>No Brasil, um dos exemplos foi o sistema de instituições ao ar livre, criado a partir de 1939 pelo Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo. Incluía a <a href="http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-46982019000100802" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Escola de Aplicação ao Ar Livre</a>, situada no interior do Parque da Água Branca, na capital paulista, onde mesas, cadeiras e lousas leves e portáteis permitiam a realização de aulas em ambiente externo, geralmente debaixo de árvores.</p>



<p>A repartição pública também apoiou prefeituras para inaugurarem parques infantis no interior do estado, instituição na qual o ar livre tinha centralidade. Para completar o sistema, foram organizadas ainda colônias de férias em Santos e Campos do Jordão, estabelecimentos que recebiam estudantes de diversas regiões do estado para períodos de convivência com o sol e o mar do Atlântico ou com o clima de altitude da Serra da Mantiqueira.</p>



<p>O declínio da medicina naturista se iniciou na década de 1950, quando os seus princípios começaram a ser mais fortemente contestados. A descrença ocorreu em paralelo à condenação dos excessos da medicina eugênica no pós-guerra, com a qual a medicina naturista frequentemente se associou.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A perda de credibilidade da medicina naturista também foi intensamente agravada pela sua oposição radical à vacinação, cujo progresso já se tornava bastante evidente.</p></blockquote></figure>



<p>Nesse contexto, é importante observar que as vacinas desempenharam um papel crucial na transição epidemiológica do século XX, que substituiu as doenças infectocontagiosas como principais causas de mortalidade por doenças crônicas e degenerativas.</p>



<p>Esse fenômeno foi impulsionado justamente pelo avanço da medicina moderna e da ciência farmacêutica.</p>



<p>Em contraposição, a medicina naturista foi progressivamente deslocada para as margens da medicina oficial, transformando-se em terapias alternativas ou complementares e assumindo outros nomes, como naturopatia e naturoterapia.</p>



<p>No caso das escolas ao ar livre, o seu declínio também se justifica pelo investimento em um modelo escolar fabril, que visa acomodar o maior número possível de alunos dentro de um espaço físico para otimizar recursos e reduzir custos. No que diz respeito à Escola de Aplicação ao Ar Livre, ela foi transferida em 1952 para um edifício especialmente construído no bairro da Lapa. As seis salas de aula térreas com amplas janelas e portas, adjacentes a seis pátios privativos a céu aberto, garantiam a continuidade do ensino ao ar livre.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="579" height="441" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Escola-Aplicacao.jpg" alt="" class="wp-image-4383" style="width:744px" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Escola-Aplicacao.jpg 579w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Escola-Aplicacao-400x305.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/08/Escola-Aplicacao-150x114.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px" /><figcaption class="wp-element-caption">Crianças na aula de educação física na Escola de Aplicação ao Ar Livre de São Paulo, em 1946 | Imagem: Revista Brasileira de Educação Física. v. 3, n. 29, p. 4</figcaption></figure>



<p>Contudo, ao longo das décadas seguintes, a sua arquitetura inovadora foi sendo paulatinamente descaracterizada, com seus pátios internos sendo fechados para abrigarem um número maior de estudantes em salas de aula.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Pandemia, saúde e urbanismo</mark></strong></h2>



<p>Parte de toda essa história saiu do esquecimento a partir de 2020, com o vírus Sars-CoV-2 e sua rápida disseminação global. Ao passo que medidas de isolamento e distanciamento social se impuseram para conter o avanço da doença, ganharam força as análises sobre as relações históricas entre epidemia, urbanismo e arquitetura, tanto no debate acadêmico quanto na imprensa.</p>



<p>Em muitos casos, o imperativo do “ar livre” voltou a ganhar força como medida profilática, pois espaços fechados foram identificados como focos de contágio.</p>



<p>Jornais ao redor do mundo publicaram matérias resgatando os ensinamentos das antigas escolas ao ar livre, seja como possibilidade para pensar um retorno mais seguro às aulas, seja para conceber arquiteturas escolares passíveis de reduzirem os impactos de futuras epidemias.</p>



<p>Assim como em outros momentos históricos, o amplo e definitivo enfrentamento a doenças infectocontagiosas como a covid-19 só foi possível graças ao desenvolvimento das vacinas – neste caso criadas de forma bastante rápida devido ao conhecimento científico acumulado, à colaboração global, ao uso de tecnologias inovadoras, regulação eficiente, entre outros fatores.</p>



<p>Após ampla imunização, as escolas ao ar livre novamente deixaram as páginas dos jornais de grande circulação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>No meio acadêmico, as escolas ao ar livre já foram definidas como um cometa “médico-pedagógico” que atravessou brevemente o céu da história da saúde e da educação, desaparecendo em meados da década de 1950.</p></blockquote></figure>



<p>Nesse sentido, cabe questionar: este cometa está destinado a retornar ao debate público a cada nova crise sanitária para a qual ainda não existam vacinas desenvolvidas, desaparecendo em seguida na imensidão do esquecimento histórico?</p>



<p>Outra definição oferecida é que o movimento de escolas ao ar livre foi uma “falha fecunda”.</p>



<p>“Falha” pelo fato de elas terem permanecido marginais nos sistemas de ensino e não terem conseguido se tornar um modelo escolar universal, como desejado por muitos de seus idealizadores.</p>



<p>E “fecunda” pelo fato de seus princípios terem penetrado no ensino e na arquitetura escolar de tal forma que, hoje em dia, não são mais reconhecidos como fruto das experiências ao ar livre.</p>



<p>Nesse sentido, cabe questionar se não seria essa falha fecunda uma oportunidade para repensarmos a saúde e a educação não apenas em situações emergenciais, mas para transformarmos as escolas em ambientes mais saudáveis e promotores de saúde. Para essas perguntas, as respostas permanecem em aberto.</p>



<p><strong>André Dalben</strong> <em>é mestre em Educação Física e doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É professor do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Campus Baixada Santista.</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong></p>
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		<title>Retratos da medicina acadêmica brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 16:55:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#história]]></category>
		<category><![CDATA[#história da ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#história da medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo identifica primeiro registro bibliográfico de obras médicas usadas por professores e estudantes de medicina no país no século XIX</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 20 de dezembro de 1851, a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na presença do imperador dom Pedro II (1825-1891) e de sua mulher, a imperatriz Teresa Cristina (1822-1889), conferiu o grau de doutor em medicina a 33 estudantes. Entre eles estava o mineiro Francisco Xavier da Veiga (1831-1868), em cuja tese consta o que talvez seja a primeira sistematização de obras médicas e cirúrgicas publicadas ou conhecidas na cidade após a criação da escola de medicina.</p>



<p>Até então pouco conhecido, esse inventário foi agora resgatado e analisado pela historiadora Amanda Peruchi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Em <a href="https://rbhciencia.emnuvens.com.br/revista/article/view/876" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado</a> em julho na <em>Revista Brasileira de História da Ciência</em>, ela apresenta uma transcrição completa de seu conteúdo, de modo a contribuir com futuras pesquisas em história da medicina.</p>



<p>Catálogos e listas sobre a literatura médica produzida ou consumida por médicos, professores e estudantes das faculdades de medicina demoraram algum tempo até começarem a ser publicados no Brasil.</p>



<p>Apenas em 1877, aproximadamente um quarto de século após o trabalho de Xavier da Veiga, tornou-se pública a primeira relação de obras em medicina, farmácia e cirurgia existentes na escola médica da corte. Outro catálogo dessa natureza foi publicado em 1916, acrescentando as publicações produzidas entre 1900 e 1915.</p>



<p>Intitulado <em>Ensaio da Bibliografia Médica do Rio de Janeiro posterior à criação da Escola de Medicina</em>, o registro de Xavier da Veiga pode ser considerado “um trabalho pioneiro sobre as obras de medicina conhecidas no Rio Janeiro, particularmente nas três últimas décadas da primeira metade do século XIX”, destacou Peruchi.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="570" height="865" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/capa_tese_xavier-da-veiga.png" alt="" class="wp-image-2961" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/capa_tese_xavier-da-veiga.png 570w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/capa_tese_xavier-da-veiga-527x800.png 527w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/capa_tese_xavier-da-veiga-264x400.png 264w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/capa_tese_xavier-da-veiga-99x150.png 99w" sizes="auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fac-símile da capa da tese defendida por Francisco Xavier da Veiga (1831-1868), defendida em 1851 | Créditos: Amanda Peruchi (USP)</figcaption></figure>



<p>“Sua análise nos permite ter um panorama da natureza dos trabalhos médicos produzidos à época no país e das principais preocupações da incipiente medicina acadêmica nacional”, escreveu a autora da pesquisa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Inventário e comentários sobre as obras</strong></h2>



<p>O estudo de Xavier da Veiga encontra-se dividido em duas partes. Na primeira, o médico apresenta uma lista cronológica composta de 37 título em medicina publicados entre 1831 e 1851. A maioria dos autores é nacional, embora também apareçam algumas obras de estrangeiros erradicados no Brasil.</p>



<p>Curiosamente, nenhuma tese médica ou trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Medicina foram contemplados, “talvez porque tenham sido produzidos por alunos, não possuindo, assim, a precisão teórica e metodológica encontrada em obras mais renomadas”.</p>



<p>O futuro médico começa seu trabalho com <em>Semanário de Saúde Pública</em>, impresso de 1831 a 1833, e termina com <em>Observações acerca da epidemia da febre amarela do ano de 1850 no Rio de Janeiro</em>, colhidas nos hospitais e policlínica pelo Dr. Roberto Lallemant, de 1851.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Tal recorte”, explicou Peruchi, da USP, “coincide com um período em que os médicos no Brasil, impulsionados pela criação das escolas de medicina, começaram a defender com mais empenho sua autoridade acadêmica em oposição às variadas e costumeiras práticas populares de barbeiros, curandeiros, feiticeiros etc.”</p></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="561" height="850" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/primeira_pagina_inventario.png" alt="" class="wp-image-2963" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/primeira_pagina_inventario.png 561w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/primeira_pagina_inventario-528x800.png 528w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/primeira_pagina_inventario-264x400.png 264w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/11/primeira_pagina_inventario-99x150.png 99w" sizes="auto, (max-width: 561px) 100vw, 561px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fac-símile da primeira página do inventário organizado por Xavier da Veiga | Créditos: Amanda Peruchi (USP)</figcaption></figure>



<p>Um dos recursos utilizados foi justamente a publicação de periódicos científicos, muitos dos quais produzidos por associações médicas e voltados não apenas a profissionais da área, mas também a públicos mais amplos.</p>



<p>“O objetivo dessas publicações era apresentar e discutir as novidades na área médica e evidenciar a importância dos conhecimentos ditos acadêmicos para um efetivo tratamento das doenças”, destacou a historiadora. “Muitos estudos relacionavam as doenças com o estado sanitário das cidades e apontavam medidas que poderiam ser implementadas a fim de higienizar o espaço público e diminuir o contágio.”</p>



<p>Em sua segunda parte, o inventário produzido por Xavier da Veiga apresenta pequenos comentários sobre doze das obras catalogadas, além da descrição de dicionários de medicina e formulários de medicamentos com suas respectivas aplicações.</p>



<p>Tais escritos foram instrumentos de divulgação de práticas e saberes aprovados pelas instituições médicas oficiais para o cuidado de populações situadas nas regiões rurais do Brasil — o número de brasileiros formados e de estrangeiros habilitados ainda não era suficiente para atender a demanda médica da época, sobretudo em áreas mais distantes dos centros urbanos.</p>



<p>“Trata-se de um catálogo bastante completo das obras que eram conhecidas e estavam disponíveis aos alunos, professores e demais interessados envolvidos com a área médica no Brasil na primeira metade do século XIX”, afirmou Peruchi.</p>
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