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Exercícios respiratórios por videoconferência beneficiam pacientes com DPOC
Ensaio clínico brasileiro indica que oito semanas de telerreabilitação podem melhorar a capacidade funcional e aliviar a falta de ar
Estudo brasileiro indica que exercícios respiratórios supervisionados por videoconferência podem melhorar a capacidade funcional de pessoas com DPOC e reduzir a sensação de falta de ar logo após as sessões | Imagem: Unsplash
Uma pesquisa brasileira, publicada em novembro de 2025 na revista einstein, identificou que programas de telerreabilitação com exercícios respiratórios podem melhorar de forma significativa a capacidade funcional de pessoas diagnosticadas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
O estudo foi conduzido por profissionais da Universidade Cesumar (UniCesumar), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do Hospital Municipal de Maringá “Thelma Villanova Kasprowicz”.
A DPOC é uma condição caracterizada pela obstrução progressiva do fluxo de ar, geralmente associada ao tabagismo e ao envelhecimento. Entre os seus sintomas mais comuns estão falta de ar, fadiga e limitação para atividades cotidianas.
Os autores destacam que, embora a reabilitação pulmonar tradicional seja considerada parte fundamental do tratamento, muitos pacientes enfrentam dificuldades para frequentar programas presenciais, sobretudo por barreiras de acesso e adesão, como distância geográfica, limitações de recursos e disponibilidade de serviços ou horários de atendimento.
Para investigar se um modelo remoto poderia ampliar o acesso ao tratamento sem perder sua eficácia, os pesquisadores desenvolveram um ensaio clínico randomizado com 60 pacientes com DPOC, homens e mulheres entre 58 e 64 anos, divididos aleatoriamente em dois grupos.
Enquanto o primeiro grupo participou de sessões remotas com exercícios respiratórios e educação em saúde, o segundo recebeu somente o programa remoto de educação em saúde.
As atividades ocorreram por videoconferência, diretamente nas casas dos participantes, ao longo de oito semanas.
Telerreabilitação com exercícios respiratórios
Os exercícios aplicados durante as sessões de telerreabilitação incluíam técnicas como a respiração diafragmática, que estimula o uso do diafragma, principal músculo da respiração, e a chamada “respiração com lábios semicerrados”, na qual o paciente expira lentamente mantendo os lábios parcialmente fechados.
Segundo os autores, essas técnicas são utilizadas na reabilitação pulmonar para favorecer o funcionamento dos músculos respiratórios e ajudar no controle de sintomas como a falta de ar.
As sessões supervisionadas ocorriam cinco vezes por semana e duravam aproximadamente 20 minutos: cerca de 15 minutos de exercícios e cinco minutos de avaliação dos sintomas.
Durante os encontros virtuais, os pacientes posicionavam o celular de forma que os pesquisadores pudessem acompanhar a execução correta dos exercícios em tempo real.
Além disso, os dois grupos participaram de encontros educativos semanais sobre temas como cessação do tabagismo, atividade física, qualidade do sono, controle emocional e reconhecimento precoce de crises respiratórias.
De forma a avaliar os efeitos das intervenções, os cientistas utilizaram diferentes instrumentos clínicos. O principal deles foi o teste de caminhada de seis minutos, amplamente usado para medir a capacidade funcional de pacientes com doenças respiratórias.
No teste de caminhada de seis minutos, calcula-se a distância máxima que a pessoa consegue percorrer durante seis minutos de caminhada. Quanto maior a distância percorrida, melhor o desempenho físico.
Também se analisou a saturação periférica de oxigênio dos participantes, um indicador que mostra quanto oxigênio está sendo transportado pelo sangue, bem como a intensidade da falta de ar relatada por eles.
Impacto da abordagem terapêutica remota
Os resultados mostraram melhora nos dois grupos, mas o desempenho foi superior entre os pacientes que realizaram os exercícios respiratórios.
Antes da intervenção, os participantes do grupo com exercícios caminhavam, em média, 307 metros no teste de seis minutos. Após oito semanas, a média subiu para 363 metros.
Já no grupo que recebeu apenas educação em saúde, a distância passou de aproximadamente 306 para 323 metros.
A pesquisa ainda notou melhora na oxigenação sanguínea em ambos os grupos após as oito semanas de acompanhamento.
Nas avaliações realizadas imediatamente antes e depois de cada sessão, os participantes do grupo de exercícios apresentaram redução significativa da sensação de falta de ar.
Já na avaliação global da dispneia após oito semanas, não houve diferença significativa entre os dois grupos.
Os autores observam que a telerreabilitação ganhou relevância principalmente após a pandemia de Covid-19, quando modelos remotos passaram a ser vistos como alternativa segura para manter o acompanhamento de pessoas com doenças crônicas.
Segundo os pesquisadores, a ampla utilização de smartphones pode facilitar a implementação desse tipo de programa em larga escala.
Mesmo que os resultados sejam considerados promissores, os cientistas reconhecem limitações no projeto, como o tempo de acompanhamento dos pacientes, que durou apenas oito semanas.
Estudos maiores e mais longos serão necessários para avaliar a duração dos benefícios e a aplicabilidade do modelo em diferentes populações.
Referência
Toledo KF, Bertolini SM, Mello ST, Rodrigues Junior GM. Telerehabilitation with breathing exercises as a strategy to improve functional capacity of patients with chronic obstructive pulmonary disease: randomized clinical trial. einstein (São Paulo). 2025; 23: eAO1182. https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2025AO1182
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