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	<title>Conteúdos sobre #farmacologia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Jun 2026 20:36:54 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Conteúdos sobre #farmacologia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>Desprescrição: retirada de medicamentos ganha força no cuidado de idosos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/desprescricao-retirada-de-medicamentos-ganha-forca-no-cuidado-de-idosos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#desprescrição]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#polimedicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudos recentes discutem quando suspender anti-hipertensivos, estatinas e outros remédios pode reduzir riscos em pacientes idosos, frágeis ou polimedicados</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/desprescricao-retirada-de-medicamentos-ganha-forca-no-cuidado-de-idosos/">Desprescrição: retirada de medicamentos ganha força no cuidado de idosos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ideia de que a <strong>prática clínica</strong> precisa incluir não apenas a introdução, mas também a <strong>retirada racional de medicamentos</strong>, especialmente em <strong>pacientes idosos</strong>, frágeis, multimórbidos ou submetidos à polifarmácia, tem sido objeto de discussões e estudos, como retratado em <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reportagem do Science Arena</a> publicada em 2024.</p>



<p>Entre 2025 e 2026, a literatura internacional aprofundou esse debate, sobretudo em torno da <strong>retirada de medicamentos </strong>cardiovasculares, anti-hipertensivos, medicamentos preventivos e modelos multiprofissionais de revisão terapêutica.</p>



<p>Em artigos de revisão sistemática e de meta-análise publicados recentemente na revista <em>BMC Geriatrics</em> – referência internacional em pesquisas com populações idosas –, diferentes estudos buscam evidências que possam subsidiar a prática clínica na <strong>retirada segura de fármacos</strong>.</p>



<p>No artigo <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12877-025-06941-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Deprescribing antihypertensive medications in older people: a systematic review and a meta-analysis</em></a>, os autores fizeram a revisão de ensaios clínicos e estudos observacionais envolvendo pacientes acima de 65 anos para avaliar especificamente os efeitos da retirada de anti-hipertensivos.</p>



<p>Os desfechos avaliados pelos pesquisadores incluíram mortalidade, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e eventos cardiovasculares maiores, destacando a necessidade de tomada de decisão individualizada, especialmente em populações frágeis e com múltiplas comorbidades.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A desprescrição pode ser apropriada em grupos selecionados, especialmente em pacientes frágeis e com baixa expectativa de vida, mas também com hipotensão ortostática, que é a queda súbita da pressão arterial ao levantar-se, algo relativamente comum em pacientes idosos.</p></blockquote></figure>



<p>De acordo com os autores, a revisão fornece uma base para pesquisas futuras que visem preencher lacunas e orientar retiradas mais seguras em idosos na prática clínica de rotina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Objetivos reais do paciente</strong></h2>



<p>Outro <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12877-026-07354-5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo recente</a> publicado na mesma revista trata da <strong>retirada de medicamentos preventivos em idosos com fragilidade avançada</strong>, demência ou expectativa de vida limitada.</p>



<p>O artigo sintetiza evidências sobre o efeito da suspensão de anti-hipertensivos, estatinas, anticoagulantes e antidiabéticos, efetuando uma comparação com a sua manutenção em desfechos clínicos, fisiológicos, de segurança e centrados no paciente.</p>



<p>Embora a polifarmácia e o uso prolongado de medicamentos preventivos sejam comuns em idosos nessas condições, com benefícios incertos e riscos potenciais, a suspensão da prescrição desses fármacos nesse perfil de paciente não foi associada a piores desfechos, destacam os autores.</p>



<p>Contudo, o artigo enfatiza o conceito de <em>goal-concordant care,</em> que busca alinhar a prescrição aos objetivos reais do paciente, e não apenas às diretrizes populacionais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Manter terapias preventivas crônicas oferece benefício secundário, mas aumenta o risco de interações medicamentosas, eventos adversos e até hospitalizações, além da perda de qualidade de vida.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Impactos da desprescrição</strong></h2>



<p>Um <a href="https://link.springer.com/article/10.1186/s12877-025-06964-9" target="_blank" rel="noreferrer noopener">terceiro estudo</a> publicado na <em>BMC Geriatrics</em> destaca <strong>o papel de farmacêuticos clínicos</strong> nesse processo, avaliando o impacto dessas intervenções em pacientes idosos, em diferentes contextos.</p>



<p>O estudo avaliou programas conduzidos por farmacêuticos clínicos para revisão terapêutica e retirada de medicamentos potencialmente inapropriados, destacando a redução da carga medicamentosa e de risco de eventos adversos.</p>



<p>Também foi apontada a melhora na adesão (considerada crítica em pacientes idosos fragilizados) e maior <strong>segurança terapêutica</strong> em pacientes polimedicados.</p>



<p>Considerando a expertise desses profissionais em farmacoterapia, o que lhes possibilita implementar intervenções de retirada racional visando reduzir medicamentos potencialmente inadequados, além da carga medicamentosa geral, os pesquisadores reforçam a tendência internacional de transformar a prática em <strong>processo multidisciplinar estruturado</strong>, evitando decisões individuais do médico.</p>



<p>Trabalhos mais recentes apontam mudanças conceituais importantes, posicionando essa abordagem não como exceção, mas como parte de estratégias para alavancar objetivos clínicos focados na segurança do paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Regulação brasileira</strong></h2>



<p>O Brasil ainda não conta com uma legislação nacional específica sobre o tema, nem diretrizes oficiais capazes de melhorar a integração entre médicos e farmacêuticos clínicos, mas possui um conjunto regulatório e ético que sustenta a prática.</p>



<p>A retirada de medicamentos é considerada ato médico legítimo, desde que baseada em evidência científica, avaliação risco-benefício e com consentimento do paciente.</p>



<p>Essa lógica também está alinhada ao <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/seguranca-do-paciente" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Programa Nacional de Segurança do Paciente</a> (PNSP), principalmente na prevenção de eventos adversos, interações medicamentosas e possíveis erros relacionados à polifarmácia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não regula diretamente protocolos de retirada de medicamentos, mas atua no controle de risco-benefício dos medicamentos, na farmacovigilância e na reclassificação terapêutica.</p></blockquote></figure>



<p>Na prática, a lógica regulatória da Anvisa incorpora esse princípio central, ao preconizar que medicamentos devem ser prescritos apenas quando benefícios superarem riscos.</p>



<p>Embora ainda não exista um marco legal específico para a prática no Brasil, o sistema regulatório, ético e assistencial oferece bases para sua implementação progressiva, desde que baseada em evidências, especialmente no contexto de segurança do paciente e do uso racional de medicamentos.</p>
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		<title>Droga experimental reduz risco de segundo derrame em 26%</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/droga-experimental-reduz-risco-de-segundo-derrame-em-26/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#AVC]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensaio clínico internacional com participação brasileira testou asundexian em pacientes após AVC isquêmico</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/droga-experimental-reduz-risco-de-segundo-derrame-em-26/">Droga experimental reduz risco de segundo derrame em 26%</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma nova droga, o <strong>asundexian</strong>, <strong>reduziu em 26% o risco de um segundo acidente vascular cerebral (AVC)</strong> sem aumentar significativamente o risco de sangramento, principal efeito colateral dos antiplaquetários, o tratamento padrão da doença.</p>



<p>Em artigo publicado em abril de 2026 na revista<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2513880" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> The New England Journal of Medicine</a>, os pesquisadores descrevem o ensaio clínico <strong>OCEANIC-STROKE</strong>, que demonstrou a eficácia do medicamento. </p>



<p>Foram 12.327 participantes de 37 países, inclusive o Brasil, com a participação da pesquisadora <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/neurologia-plum-posner-coma-alteracoes-consciencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gisele Sampaio Silva</a>, do Einstein Hospital Israelita e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divididos em dois grupos. Um recebeu <strong>50 miligramas (mg) de asundexian</strong> ao dia e o outro, um placebo.</p>



<p>A intervenção ocorreu até 72 horas depois do AVC, e os pacientes foram acompanhados por um período mediano de aproximadamente 19 meses. O <strong>efeito positivo do medicamento</strong> foi consistente nos diferentes perfis analisados: homens e mulheres, pessoas mais velhas e mais jovens, e os principais subtipos de AVC isquêmico.</p>



<p>&#8220;É fundamental prevenir o segundo derrame, que atinge muitos pacientes e ocorre quando o organismo está fragilizado&#8221;, enfatizou o neurologista Andrew Russman, da Cleveland Clinic, em entrevista ao portal<a href="https://www.youtube.com/@HCPLiveNews" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> HCPLive</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Efeito seletivo</strong></h2>



<p>&#8220;Foi uma surpresa gratificante constatar que o asundexian não aumentou os <strong>sangramentos</strong>&#8220;, disse Mukul Sharma, da Universidade McMaster, no Canadá, e líder da equipe, em entrevista ao<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bpg3Jyy-o-k" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> VJNeurology</a> durante evento em que apresentou os resultados do estudo. &#8220;Eles podem inibir a vida social dos pacientes, gerar ansiedade e levar alguns deles a abandonar o tratamento.&#8221;</p>



<p>Segundo os pesquisadores, os testes foram suficientes para demonstrar a eficácia da molécula, e <strong>o benefício não se limitou à prevenção de novos AVCs</strong>: a incidência combinada de morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou AVC também foi menor no grupo que recebeu o asundexian.&nbsp;</p>



<p>A Bayer, que desenvolve a droga, <a href="https://www.bayer.com/en/us/news-stories/asundexian-in-patients-after-a-non-cardioembolic-ischemic-stroke" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anunciou em maio de 2026 que a FDA aceitou o pedido de registro do asundexian</a> e concedeu ao medicamento a designação de Priority Review para prevenção secundária de AVC.</p>



<p>A nova droga é indicada para pacientes com <strong>AVC isquêmico não cardioembólico</strong>, aquele causado por aterosclerose ou por coágulos que se formam nas próprias artérias cerebrais, mas não para o chamado cardioembólico, que tem origem em coágulos formados no coração e pode ser desencadeado, por exemplo, por fibrilação atrial.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Segundo os pesquisadores, a ação do remédio é seletiva: ele inibe o fator XIa, uma proteína que amplifica a formação de coágulos patológicos, mas desempenha papel secundário na hemostasia, o processo que interrompe sangramentos de feridas. </p></blockquote></figure>



<p>Pessoas com deficiência congênita desse fator têm menos AVCs isquêmicos sem apresentar maior risco de hemorragia cerebral, o que o tornou um alvo promissor para novas terapias.</p>



<p>Os <strong>antiplaquetários</strong>, por sua vez, têm ação mais ampla, dificultando a agregação de plaquetas: reduzem tanto a formação de trombos patológicos quanto a de coágulos saudáveis.&nbsp;</p>



<p>Durante anos, cientistas testaram diversas drogas para agir em combinação com os antiplaquetários na prevenção do segundo AVC, mas <strong>o asundexian foi o primeiro a demonstrar eficácia sem elevar o risco de sangramento</strong>.</p>



<p>Os pesquisadores enfatizaram que os antiplaquetários não devem ser abandonados, mas combinados com o asundexian. &#8220;A nova abordagem poderá dar origem a uma nova classe de medicamentos de precisão, mais eficazes e que causem menos sangramento&#8221;, prevê Russman.</p>
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		<title>Fibrose pulmonar: droga criada com IA mostra resultado inicial positivo</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/fibrose-pulmonar-droga-criada-com-ia-mostra-resultado-inicial-positivo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#fibrose pulmonar]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensaio clínico indica ganho em medida de função pulmonar, mas segurança, eficácia e uso em outras populações ainda precisam ser confirmados</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>fibrose pulmonar idiopática</strong> (FPI) não tem cura. O tecido pulmonar se torna progressivamente endurecido e cicatrizado, a função respiratória cai, e os únicos medicamentos disponíveis, nintedanib e pirfenidona, apenas retardam esse processo.&nbsp;</p>



<p>Para os pacientes diagnosticados, a sobrevida mediana é de dois a quatro anos. É nesse cenário que pesquisadores, usando <strong>inteligência artificial</strong> (IA), apresentaram um resultado clínico relevante no desenvolvimento de fármacos para a doença.</p>



<p>O <strong>rentosertib</strong>, desenvolvido com auxílio de IA pela empresa Insilico Medicine, apresentou os primeiros resultados clínicos em um ensaio controlado. <a href="https://www.nature.com/articles/s41591-025-03743-2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em estudo de fase 2 publicado na <em>Nature Medicine</em></a>, pesquisadores da empresa relataram que pacientes tratados com o fármaco apresentaram ganho na capacidade vital forçada, medida da função pulmonar, enquanto o grupo placebo registrou perda. </p>



<p>Entre os pacientes que não usavam outros antifibróticos concomitantemente, o ganho foi ainda maior.</p>



<p><strong>Science Arena </strong>ouviu especialistas brasileiros para saber o que acharam do feito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Identificação do alvo e geração da molécula</strong></h2>



<p>A Insilico Medicine realizou o desenvolvimento em duas etapas. Primeiro, analisou grandes volumes de dados genômicos e de literatura científica por meio do <em>PandaOmics</em>, plataforma da empresa que integra dados de genômica, proteômica e literatura científica para identificar e priorizar alvos terapêuticos. Dessa análise emergiu a proteína TNIK como alvo relevante para a FPI.&nbsp;</p>



<p>Em seguida, a empresa gerou computacionalmente a molécula capaz de inibi-la, por meio de modelos generativos que produzem e avaliam milhares de compostos virtuais antes de qualquer experimento físico.</p>



<p>“Até pouco tempo, a IA era mais focada em encontrar moléculas para alvos já conhecidos”, explica Carolina Horta Andrade, professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG).&nbsp;</p>



<p>“A visão multimodal agora permite que a tecnologia também encontre ou valide a própria fechadura”, explica a pesquisadora, que não participou do estudo.</p>



<p>Um dos bancos de dados utilizados em pesquisas de descoberta de fármacos, o ZINC reúne mais de 200 milhões de moléculas candidatas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A IA identificou quais tinham mais chance de se tornar um fármaco viável antes de qualquer experimento físico”, explica Eduardo Habib, pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).</p></blockquote></figure>



<p>Para Andrade, o resultado é histórico: “pela primeira vez acertaram tanto o alvo biológico quanto a molécula até a porta clínica”. Em outros termos, foi como descobrir simultaneamente a chave e a fechadura em uma lista de milhões de combinações possíveis.&nbsp;</p>



<p>O que costuma levar de dois a três anos nas fases iniciais de pesquisa teria sido concluído em menos de dois meses.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que o ensaio de fase 2a mostrou</strong></h2>



<p>O ensaio foi desenhado para avaliar segurança. Nos desfechos secundários, pacientes tratados com rentosertib apresentaram <strong>ganho na capacidade vital forçada</strong>, enquanto o grupo placebo registrou perda. </p>



<p>Entre os participantes que não usavam antifibróticos concomitantes, o efeito foi mais pronunciado, o que levanta questões sobre possíveis interações com os tratamentos já aprovados para a FPI.</p>



<p>“Essa nova molécula precisa passar pelos mesmos testes de uma molécula que não foi gerada por IA, e ela pode falhar nos testes experimentais posteriores”, ressalva o biomédico Leonardo Ferreira, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP).&nbsp;</p>



<p>Os resultados de fase 2a indicam um sinal de eficácia preliminar, não uma aprovação.</p>



<p>Segundo a pesquisa, sete pacientes interromperam o tratamento por toxicidade hepática, quatro deles em uso simultâneo de nintedanib. A população estudada era composta exclusivamente por pessoas asiáticas, o que <strong>limita a generalização dos achados</strong>.</p>



<p>“Essa validação para outras populações, inclusive a brasileira, não é luxo, é parte da agenda científica”, afirma Andrade. A pesquisadora também aponta a opacidade da ferramenta: “É um sistema fechado que a gente chama de ‘caixa preta’, e a comunidade científica não consegue verificar ali os pormenores por dentro desse modelo.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“O sucesso da IA no planejamento de fármacos depende da qualidade dos dados experimentais que são utilizados para alimentar esses algoritmos computacionais”, diz Ferreira, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Além disso, doenças negligenciadas, menos pesquisadas e menos lucrativas para a indústria, produzem dados escassos, o que limita diretamente a eficiência da ferramenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caminho até a aprovação</strong></h2>



<p>A próxima etapa do estudo é o ensaio de fase 3, que precisará demonstrar eficácia e segurança em populações maiores. Historicamente, a maior parte dos candidatos a medicamento fracassa justamente durante as fases clínicas.&nbsp;</p>



<p>Andrade lembra que a taxa de falha em fase 2 é semelhante à observada em pesquisas com moléculas tradicionais: cerca de 60%.</p>



<p>Nenhum fármaco desenvolvido com auxílio de IA completou os ensaios de fase 3 e obteve aprovação regulatória até o momento.</p>



<p>O que mudou foi o início do funil: o tempo de pesquisa pode ser substancialmente menor antes de uma molécula ser testada em humanos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Independente do grau de eficiência de uma inteligência artificial, você vai precisar de um especialista na ponta dela”, diz Michel Pires, também pesquisador do Cefet-MG.</p></blockquote></figure>



<p>“A IA não substitui o pesquisador, mas muda a forma como a gente trabalha”, complementa Habib. Ferreira acrescenta que a área exige conhecimentos múltiplos e abertura para compreender conceitos de diferentes disciplinas, como biomedicina, física e computação.</p>



<p>Resta saber qual será a primeira molécula concebida com auxílio de IA a concluir com sucesso todas as etapas clínicas e chegar ao mercado. Até lá, elas apenas têm potencial para tanto.</p>
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		<title>Quando a desprescrição de remédios é necessária?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[#clínica médica]]></category>
		<category><![CDATA[#desprescrição]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Médicos devem interromper prescrição de medicamentos cardiovasculares diante de potenciais danos ou quando houver melhores alternativas, alertam pesquisadores</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/">Quando a desprescrição de remédios é necessária?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma das bases da prática médica é a <strong>prescrição de medicamentos</strong>, baseada em evidências obtidas em <strong>estudos clínicos</strong>. Estes, porém, normalmente testam a adoção de <strong>novos medicamentos de uso contínuo</strong> em ensaios de curta duração.</p>



<p>Muito menos atenção é dada à questão da <strong>descontinuação de tratamentos farmacológicos</strong>, especialmente após um período de tratamento em que o paciente envelhece e as doenças podem progredir e novas condições podem surgir.</p>



<p>Dada a escassez de dados, as diretrizes da prática clínica oferecem pouca ou nenhuma orientação sobre quando e como <strong>desprescrever medicamentos</strong> para <strong>condições cardiovasculares</strong>.</p>



<p>As decisões são muitas vezes deixadas à critério dos clínicos que, junto com seus pacientes, decidem parar com algum tratamento por conta de efeitos colaterais.</p>



<p>“Mesmo na ausência de efeitos adversos, a continuação de medicamentos sem efeito comprovado pode causar prejuízo devido a <strong>interação medicamentosa</strong>, emergência da chamada <strong>polifarmácia</strong> e gastos adicionais que poderiam ser evitados para sistemas de saúde já sufocados”, defendem pesquisadores dos Estados Unidos e da Áustria <a href="https://academic.oup.com/eurheartj/article-abstract/45/23/2039/7688420" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em artigo no <em>European Heart Journal</em></a><em>,</em> da Sociedade Europeia de Cardiologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Tipos de medicamentos</mark></strong></h2>



<p>A publicação traz uma lista de tipos de medicamentos e as respectivas condições nas quais devem ser <strong>descontinuados </strong>por causar prejuízo ao paciente, não ter efeito comprovado ou pela existência de melhores opções.</p>



<p>Os autores trazem ainda uma abordagem a ser aplicada por clínicos para descontinuar certos tratamentos, levando em conta as <strong>expectativas dos pacientes</strong>.</p>



<p>Pacientes com <strong>insuficiência cardíaca avançada</strong>, por exemplo, muitas vezes expressam preferência por qualidade em vez de extensão de vida, o que chama a atenção para a potencial discrepância entre as expectativas do médico e do paciente, escrevem os autores.</p>



<p>“Além disso, cada um pode perceber a severidade dos efeitos colaterais de forma diferente, como fadiga e disfunção erétil.”</p>



<p>Entre os 11 tratamentos que podem causar prejuízo, os pesquisadores listam, por exemplo, <strong>antiplaquetários</strong> em pacientes com doença cardiovascular estável que já tomam anticoagulantes por via oral. Evidências mostram que a abordagem aumenta o risco de hemorragia, sem redução de eventos isquêmicos.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a636d45624be&quot;}" data-wp-interactive="core/image" class="wp-block-image size-medium is-resized wp-lightbox-container"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="503" height="800" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async--click="actions.showLightbox" data-wp-on-async--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-503x800.jpg" alt="" class="wp-image-4823" style="width:511px" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-503x800.jpg 503w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-755x1200.jpg 755w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-252x400.jpg 252w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-768x1221.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-966x1536.jpg 966w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-94x150.jpg 94w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao.jpg 1201w" sizes="(max-width: 503px) 100vw, 503px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Konstantin A Krychtiuk, Bernard J Gersh, Jeffrey B Washam, Christopher B Granger, When cardiovascular medicines should be discontinued, European Heart Journal, Volume 45, Issue 23, 14 June 2024, Pages 2039–2051, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehae302</figcaption></figure>



<p>Suplemento de <strong>óleo de peixe</strong> para redução do risco de doença cardiovascular é um dos sete tratamentos cuja descontinuação é recomendada pelos autores por falta de benefício comprovado. </p>



<p>Por sua vez, drogas que dispõem de melhores alternativas incluem a <strong>varfarina</strong> em casos de fibrilação atrial e <strong>clopidogrel</strong> após síndrome coronária aguda. Estes e mais quatro tratamentos podem, segundo os autores, ser substituídos por outros com mais benefícios.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>De acordo com os autores, uma grande barreira para a desprescrição de medicamentos é a falta de evidências de alta qualidade sobre o tema.</p></blockquote></figure>



<p>Isso inclui a falta de informações sobre o processo e o tempo da descontinuação, a estratégica correta (trocar por outro, parar parcial ou totalmente), ausência de dados sobre a eficácia de medicamentos em idosos com comorbidades e de informações sobre interação entre medicamentos.</p>



<p>Os autores advogam que os comitês para diretrizes de prática clínica devem incluir uma <strong>revisão estruturada regular dos medicamentos</strong> a serem utilizados, incluindo a desprescrição como uma diretriz a ser seguida.</p>



<p>Além disso, financiamento à pesquisa deve ser fornecido para investigar estratégias escaláveis para o procedimento.</p>



<p>Os pesquisadores afirmam, no artigo, que, como clínicos, é dever deles assegurar que seus pacientes sejam tratados com medicamentos atualizados e baseados em evidências, de forma a reduzir morbidade e mortalidade, além de melhorar a qualidade de vida. </p>



<p>Também afirmam que tão ou mais importante é prevenir danos desnecessários causados por drogas ou intervenções comprovadamente capazes de prejudicar os pacientes.</p>
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		<title>Regina Pekelmann: na trilha da melatonina </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/regina-pekelmann-markus-empenho-para-ampliar-a-base-de-conhecimento-e-promover-o-uso-diagnostico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2024 21:38:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#cronofarmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#eixo imune-pineal]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#melatonina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Professora emérita do Instituto de Biociências da USP fala sobre a relação entre o eixo imune-pineal e a produção do hormônio que sincroniza os ritmos biológicos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A professora emérita do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Regina Pekelmann Markus tem uma carreira de destaque internacional baseada na proposição de fatos novos em ciência básica. </p>



<p>Com pesquisas na área de cronofarmacologia, criou o conceito do eixo imune-pineal ao detectar como a melatonina circulante regula a migração de células do sangue para os tecidos. Essa constatação trouxe mudanças importantes para a ciência, aplicadas em áreas que vão desde transplantes de medula e tratamentos de doenças neurodegenerativas a estratégias inovadoras para medir o grau de malignidade de alguns tipos de câncer.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Suas pesquisas mostraram, por exemplo, que a liberação de células-tronco primordiais é menor durante a noite, devido à produção de melatonina nesse período. Também mostram que batidas, mordidas de mosquitos, bactérias e outras causas de danos locais suspendem a produção noturna de melatonina, permitindo a migração de células de defesa para o local lesado.&nbsp;</p>



<p>Membro da Academia de Ciência do Estado de São Paulo, Academia Brasileira de Ciências e Academia de Ciências da América Latina, Markus recebeu várias homenagens e prêmios. Nos últimos anos, foi agraciada com a Medalha da Ordem do Mérito Científico e o Prêmio Carolina Bori da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Seu papel fundamental para o fortalecimento de gênero também foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) no prêmio <em>Raise and Raise Others</em>. Atuante em sociedades científicas, Markus passou pela Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental, SBPC e International Union for Pharmacology, entre outras. </p>



<p>Também é vice-presidente do grupo brasileiro de amigos do Instituto Weizmann de Ciências, uma das principais instituições de pesquisa multidisciplinar do mundo nas ciências naturais e exatas. Coordena um exame nacional que seleciona brasileiros para participarem do Curso de Verão em Israel.&nbsp;</p>



<p>Markus se formou em ciências biomédicas e fez doutorado em farmacologia pela Escola Paulista de Medicina (UPM) uma das unidades da atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde foi professora por 15 anos antes de migrar para a USP. </p>



<p>“A Regina filha, irmã, esposa, mãe e avó segue <em>pari passu</em> a Regina profissional&#8221;, reflete. &#8220;Casei na semana seguinte à que me graduei. Tive meu segundo filho três meses após defender o doutorado”, conta. “Ser professora e mentora é o prazer do dia a dia. Estar em sala de aula, ministrar conferências ou sentar em volta de uma mesa com a turminha é sempre uma oportunidade de trocar conhecimento e informações.”&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ao <strong>Science Arena</strong>, Markus falou sobre a carreira. “Estudar e questionar sempre foram a minha marca registrada, desde menina. Olhar através do tempo é uma forma de saber o quanto ainda tem que ser feito.”&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena &#8211; O que mais te fascina na melatonina, hormônio que sincroniza os ritmos biológicos?</strong></h2>



<p><strong>Regina Pekelmann Markus &#8211;</strong> É uma molécula fascinante essa pequena fada do escuro. Tão fascinante quanto uma noite estrelada. É o hormônio do escuro, produzida pela quase totalidade dos seres vivos à noite. Nos animais de hábito noturno, como os ratos e camundongos, prepara o organismo para a atividade, e nos de hábito diurno, como os humanos, prepara para o sono. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A melatonina também é produzida por células de defesa, em geral ao longo das 24 horas do dia, facilitando a remoção de detritos celulares e impedindo que sejam desencadeadas fortes respostas inflamatórias.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E é essa ação que está relacionada à sua importante descoberta do conceito do eixo imuno-pineal?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Nosso grupo de pesquisa mostrou que a melatonina produzida pela glândula pineal à noite impede a migração de células de defesa do sangue para tecidos periféricos, tanto em animais de hábito diurno quanto noturno. Mas quando os organismos são atacados por agentes patogênicos, como bactérias e fungos, ou por moléculas endógenas que indicam dano ou perigo, a produção noturnal de melatonina cai, o que faz com que as células de defesa possam chegar aos locais necessários e destruir os agentes patogênicos. Mostramos que agentes patogênicos, e células danificadas ou mortas, suspendem a produção noturna de melatonina pela glândula pineal. Isso permite que a defesa seja igual de dia e de noite.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E no caso da produção local de melatonina?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Considerando que este processo tem que ser muito bem regulado, e não pode ser mantido por longos períodos para evitar lesões importantes, avaliamos a possibilidade de as células de defesa produzirem melatonina localmente. A resposta foi positiva. </p>



<p>Os macrófagos que chegaram ao tecido para limpar os restos de microrganismos mortos e as células danificadas passam a produzir melatonina, que é um fator necessário para que a defesa passe do ataque ao agressor para a reconstituição da região atacada. </p>



<p>Assim, a melatonina produzida localmente, além de impedir a entrada de outras células, ativa as propriedades pelas quais os macrófagos promovem a limpeza da área. Foi assim definido o eixo imune-pineal, apresentado pela primeira vez em 2001 e que atualmente é consagrado na literatura.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os desdobramentos nos anos posteriores?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Mostrou-se que muitas moléculas do próprio organismo podem ativar o eixo imune-pineal. Entre elas podemos destacar o peptídeo beta amiloide (um marcador da doença de Alzheimer), o fator de necrose tumoral (TNF), uma citocina pró-inflamatória de múltiplas ações, entre outras. </p>



<p>O importante foi mostrar que a montagem de uma resposta de defesa à noite depende da suspensão da produção de melatonina pela pineal e a duração desta resposta da melatonina local. A volta da produção da melatonina noturna é feita pela liberação de cortisol, um importante anti-inflamatório. Quando isso dá errado, surgem os processos de inflamações agudas e de facilitação de doenças com base inflamatória, como artrites e doenças neurodegenerativas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Também foi possível estabelecer relações com a mastite?</strong>&nbsp;</h2>



<p>A mastite foi o nosso modelo inflamatório agudo em humanos. Quando o neonato suga, ocorre uma lesão em volta do mamilo. A amamentação fica dolorosa e o colostro, o leite produzido nos primeiros dias após o parto, pode estar misturado com sangue. O colostro reflete a concentração de melatonina no sangue, e o ritmo diário de melatonina no colostro não acontece em mães com mastite. Há apenas um basal diurno. Esta foi a primeira comprovação que o eixo imune-pineal é ativado em humanos. Hoje, há muitos autores ao redor do mundo que estudam este mecanismo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"> <strong>Em relação à Covid-19, vocês observaram que a melatonina produzida pelo pulmão atua como uma proteção contra o vírus?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Tínhamos publicado a possibilidade de usar um índex gênico (MEL-Index) para classificar pacientes com glioma que produziam ou não melatonina na zona do tumor. Avaliamos a possibilidade deste índice sugerir que a melatonina produzida localmente poderia estar bloqueando a entrada do vírus. Bingo! O resultado foi positivo. Posteriormente caracterizamos quais seriam as moléculas envolvidas neste mecanismo. As bases estavam criadas.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E na sequência?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Tivemos enorme dificuldade de seguir em frente, porque os laboratórios e possíveis colaboradores estavam interessados em usar melatonina como um medicamento, e, como prevíamos, este não era um caminho viável. </p>



<p>Agora começaremos a enveredar por aleias para entender por que alguns sujeitos apresentam o vírus, mas não desenvolvem anticorpos. Não é por falha de seu sistema imunológico, ao contrário! É por uma excelente defesa primária que ocorre sem o sistema imunológico tomar conhecimento.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que usar a melatonina como um medicamento não é um caminho viável?</strong>&nbsp;</h2>



<p>A ideia é que a melatonina poderia ser um coadjuvante da resposta imunológica e que poderia atuar como um antioxidante. Mas todos estes efeitos requerem doses altas, que silenciam e retiram das membranas receptores de melatonina – que respondem a concentrações 10 mil ou 100 mil vezes menores às concentrações produzidas pelas células do pulmão. </p>



<p>A crítica que faço à melatonina também é aplicada a muitos medicamentos que são usados em concentrações que podem induzir os famosos efeitos colaterais. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Atualmente, os estudos com biologia de sistemas que levam em consideração conversas cruzadas entre várias vias de sinalização poderão aumentar a possibilidade de uma terapia focada no paciente, e não em médias populacionais.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Para onde tem direcionado suas pesquisas agora?</strong>&nbsp;</h2>



<p>Entender o que é o saudável, e quais são as reações naturais para impedir que doenças se manifestem de forma agressiva, é a nossa trilha. Agentes melatonérgicos endógenos, em conjunto com seu principal precursor, a serotonina, e os reguladores adrenalina e cortisol podem alterar a forma como pacientes são classificados em casos de câncer, doenças autoimunes, inflamatórias e doenças neurodegenerativas. Estamos agora empenhados em ampliar a base de conhecimento e promover a transferência desse conhecimento para o uso diagnóstico.&nbsp;</p>
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		<title>Benefícios e ressalvas da fisetina</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/beneficios-e-ressalvas-da-fisetina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 20:21:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#antioxidantes]]></category>
		<category><![CDATA[#câncer]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#fisetina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Composto encontrado em frutas e legumes mostra potencial para combater tumores, mas aplicação demanda mais estudos, apontam pesquisadores</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estudos epidemiológicos ligando uma dieta rica em frutas e legumes a um baixo risco de câncer deram origem a uma sucessão de pesquisas sobre a eficácia da fisetina no combate a tumores. O objetivo de vários grupos de pesquisa é entender como esse flavonoide (com atividade antioxidante), presente em cebolas e maçãs, morangos e pepinos, uvas e caquis, pode combater e prevenir diferentes tipos de tumor.</p>



<p>Dois estudos publicados recentemente, disponíveis em acesso aberto, buscam sintetizar o conhecimento existente sobre os mecanismos de ação do composto, além de trazer perspectivas do seu uso no tratamento do câncer.</p>



<p>O mais recente dos trabalhos foi <a href="https://eurjmedres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40001-023-01271-8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado</a> no <em>European Journal of Medical Research</em> por pesquisadores chineses, enquanto o outro está <a href="https://www.thieme-connect.de/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0043-1772219" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível</a> na revista <em>Global Medical Genetics</em> e é assinado majoritariamente por autores baseados na China, mas também na Rússia, Iêmen e Estados Unidos.</p>



<p>A fisetina é conhecida por diversas atividades biológicas, sejam anti-inflamatórias, de inibição de estresse oxidativo, neuroproteção e anticâncer. Os efeitos foram demonstrados em vários tipos de tumor, como de fígado, pulmão, de boca, gástrico, colorretal, câncer de mama, de rim e cervical, entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Vantagens da fisetina</mark></h2>



<p>Estudos ao longo dos últimos anos demonstraram muitos benefícios do flavonoide em células tumorais, incluindo a supressão da proliferação, indução de morte celular, redução da angiogênese (a geração de vasos sanguíneos que nutrem o tumor), inibição da migração celular e o aumento dos efeitos da quimioterapia.</p>



<p>Essas propriedades são atribuídas ao envolvimento de numerosas moléculas e vias de sinalização celular, incluindo o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), a proteína quinase ativada por mitógeno (MAPK) e o fator nuclear kappa B (NF-κB), entre outros.</p>



<p>Os autores do artigo do <em>European Journal of Medical Research</em> afirmam que estudos recentes indicam que a autofagia reduz a resistência à quimioterapia e à radiação, o que é positivo para o tratamento de câncer.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color"><strong>Limitações e desafios</strong></mark></h2>



<p>No entanto, as pesquisas sobre os efeitos da fisetina sobre a autofagia em tumores são limitadas, com resultados inconsistentes. Enquanto alguns estudos mostram autofagia induzida pela fisetina em câncer de próstata, por exemplo, o mesmo não se aplica ao tumor de fígado.</p>



<p>Além disso, escrevem, as vias de sinalização celular específicas envolvidas na autofagia induzida pela fisetina continuam não sendo muito bem compreendidas. </p>



<p>Como exemplo, os autores citam dois estudos divergentes. Enquanto um demonstra que a autofagia ocorre por meio de uma via de sinalização celular (AMPK/mTOR), outro mostra que esta ocorreria em resposta ao estresse do retículo endoplasmático, por meio de outra via.</p>



<p>Do ponto de vista farmacológico, os autores do segundo estudo ressaltam que, embora o uso da fisetina seja uma oportunidade, ainda há diversos desafios a superar. Um deles é aumentar sua biodisponibilidade e a estabilidade, um obstáculo comum no uso de compostos naturais. Novos sistemas de entrega (“drug delivery”) e formulações são alguns dos caminhos possíveis.</p>



<p>Além disso, entender a farmacocinética e a toxicidade do composto são essenciais para seu uso clínico. De acordo com o grupo de autores chineses, russos e iemenitas, novos estudos são necessários para elucidar os efeitos em longo prazo, dosagens e potenciais efeitos adversos.</p>



<p>Por fim, investigar os efeitos sinergísticos da fisetina com outros agentes terapêuticos ou modalidades de tratamento poderia aumentar sua eficácia. Isso sem falar no papel junto a imunoterapias e terapias-alvo, que podem oferecer caminhos promissores de tratamento.</p>



<p>“Antes de poder ser usado com segurança [em combinação] com outras drogas, a influência da fisetina no metabolismo desses fármacos deve ser mais estudada. Futuros estudos para esclarecer essas questões são necessários”, encerram os autores do artigo da <em>Global Medical Genetics</em>.</p>
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