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Droga experimental reduz risco de segundo derrame em 26%
Ensaio clínico internacional com participação brasileira testou asundexian em pacientes após AVC isquêmico
Ilustração de um coágulo sanguíneo: glóbulos vermelhos presos em uma rede de fibrina e plaquetas. O asundexian age sobre o fator XIa, proteína que amplifica a formação desse tipo de trombo | Imagem: Unsplash
Uma nova droga, o asundexian, reduziu em 26% o risco de um segundo acidente vascular cerebral (AVC) sem aumentar significativamente o risco de sangramento, principal efeito colateral dos antiplaquetários, o tratamento padrão da doença.
Em artigo publicado em abril de 2026 na revista The New England Journal of Medicine, os pesquisadores descrevem o ensaio clínico OCEANIC-STROKE, que demonstrou a eficácia do medicamento.
Foram 12.327 participantes de 37 países, inclusive o Brasil, com a participação da pesquisadora Gisele Sampaio Silva, do Einstein Hospital Israelita e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divididos em dois grupos. Um recebeu 50 miligramas (mg) de asundexian ao dia e o outro, um placebo.
A intervenção ocorreu até 72 horas depois do AVC, e os pacientes foram acompanhados por um período mediano de aproximadamente 19 meses. O efeito positivo do medicamento foi consistente nos diferentes perfis analisados: homens e mulheres, pessoas mais velhas e mais jovens, e os principais subtipos de AVC isquêmico.
“É fundamental prevenir o segundo derrame, que atinge muitos pacientes e ocorre quando o organismo está fragilizado”, enfatizou o neurologista Andrew Russman, da Cleveland Clinic, em entrevista ao portal HCPLive.
Efeito seletivo
“Foi uma surpresa gratificante constatar que o asundexian não aumentou os sangramentos“, disse Mukul Sharma, da Universidade McMaster, no Canadá, e líder da equipe, em entrevista ao VJNeurology durante evento em que apresentou os resultados do estudo. “Eles podem inibir a vida social dos pacientes, gerar ansiedade e levar alguns deles a abandonar o tratamento.”
Segundo os pesquisadores, os testes foram suficientes para demonstrar a eficácia da molécula, e o benefício não se limitou à prevenção de novos AVCs: a incidência combinada de morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou AVC também foi menor no grupo que recebeu o asundexian.
A Bayer, que desenvolve a droga, anunciou em maio de 2026 que a FDA aceitou o pedido de registro do asundexian e concedeu ao medicamento a designação de Priority Review para prevenção secundária de AVC.
A nova droga é indicada para pacientes com AVC isquêmico não cardioembólico, aquele causado por aterosclerose ou por coágulos que se formam nas próprias artérias cerebrais, mas não para o chamado cardioembólico, que tem origem em coágulos formados no coração e pode ser desencadeado, por exemplo, por fibrilação atrial.
Segundo os pesquisadores, a ação do remédio é seletiva: ele inibe o fator XIa, uma proteína que amplifica a formação de coágulos patológicos, mas desempenha papel secundário na hemostasia, o processo que interrompe sangramentos de feridas.
Pessoas com deficiência congênita desse fator têm menos AVCs isquêmicos sem apresentar maior risco de hemorragia cerebral, o que o tornou um alvo promissor para novas terapias.
Os antiplaquetários, por sua vez, têm ação mais ampla, dificultando a agregação de plaquetas: reduzem tanto a formação de trombos patológicos quanto a de coágulos saudáveis.
Durante anos, cientistas testaram diversas drogas para agir em combinação com os antiplaquetários na prevenção do segundo AVC, mas o asundexian foi o primeiro a demonstrar eficácia sem elevar o risco de sangramento.
Os pesquisadores enfatizaram que os antiplaquetários não devem ser abandonados, mas combinados com o asundexian. “A nova abordagem poderá dar origem a uma nova classe de medicamentos de precisão, mais eficazes e que causem menos sangramento”, prevê Russman.
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