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	<title>#Neurologia | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Mon, 15 Jun 2026 15:42:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>#Neurologia | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Droga experimental reduz risco de segundo derrame em 26%</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/droga-experimental-reduz-risco-de-segundo-derrame-em-26/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#AVC]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensaio clínico internacional com participação brasileira testou asundexian em pacientes após AVC isquêmico</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma nova droga, o <strong>asundexian</strong>, <strong>reduziu em 26% o risco de um segundo acidente vascular cerebral (AVC)</strong> sem aumentar significativamente o risco de sangramento, principal efeito colateral dos antiplaquetários, o tratamento padrão da doença.</p>



<p>Em artigo publicado em abril de 2026 na revista<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2513880" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> The New England Journal of Medicine</a>, os pesquisadores descrevem o ensaio clínico <strong>OCEANIC-STROKE</strong>, que demonstrou a eficácia do medicamento. </p>



<p>Foram 12.327 participantes de 37 países, inclusive o Brasil, com a participação da pesquisadora <a href="https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/neurologia-plum-posner-coma-alteracoes-consciencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gisele Sampaio Silva</a>, do Einstein Hospital Israelita e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divididos em dois grupos. Um recebeu <strong>50 miligramas (mg) de asundexian</strong> ao dia e o outro, um placebo.</p>



<p>A intervenção ocorreu até 72 horas depois do AVC, e os pacientes foram acompanhados por um período mediano de aproximadamente 19 meses. O <strong>efeito positivo do medicamento</strong> foi consistente nos diferentes perfis analisados: homens e mulheres, pessoas mais velhas e mais jovens, e os principais subtipos de AVC isquêmico.</p>



<p>&#8220;É fundamental prevenir o segundo derrame, que atinge muitos pacientes e ocorre quando o organismo está fragilizado&#8221;, enfatizou o neurologista Andrew Russman, da Cleveland Clinic, em entrevista ao portal<a href="https://www.youtube.com/@HCPLiveNews" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> HCPLive</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Efeito seletivo</strong></h2>



<p>&#8220;Foi uma surpresa gratificante constatar que o asundexian não aumentou os <strong>sangramentos</strong>&#8220;, disse Mukul Sharma, da Universidade McMaster, no Canadá, e líder da equipe, em entrevista ao<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bpg3Jyy-o-k" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> VJNeurology</a> durante evento em que apresentou os resultados do estudo. &#8220;Eles podem inibir a vida social dos pacientes, gerar ansiedade e levar alguns deles a abandonar o tratamento.&#8221;</p>



<p>Segundo os pesquisadores, os testes foram suficientes para demonstrar a eficácia da molécula, e <strong>o benefício não se limitou à prevenção de novos AVCs</strong>: a incidência combinada de morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou AVC também foi menor no grupo que recebeu o asundexian.&nbsp;</p>



<p>A Bayer, que desenvolve a droga, <a href="https://www.bayer.com/en/us/news-stories/asundexian-in-patients-after-a-non-cardioembolic-ischemic-stroke" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anunciou em maio de 2026 que a FDA aceitou o pedido de registro do asundexian</a> e concedeu ao medicamento a designação de Priority Review para prevenção secundária de AVC.</p>



<p>A nova droga é indicada para pacientes com <strong>AVC isquêmico não cardioembólico</strong>, aquele causado por aterosclerose ou por coágulos que se formam nas próprias artérias cerebrais, mas não para o chamado cardioembólico, que tem origem em coágulos formados no coração e pode ser desencadeado, por exemplo, por fibrilação atrial.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Segundo os pesquisadores, a ação do remédio é seletiva: ele inibe o fator XIa, uma proteína que amplifica a formação de coágulos patológicos, mas desempenha papel secundário na hemostasia, o processo que interrompe sangramentos de feridas. </p></blockquote></figure>



<p>Pessoas com deficiência congênita desse fator têm menos AVCs isquêmicos sem apresentar maior risco de hemorragia cerebral, o que o tornou um alvo promissor para novas terapias.</p>



<p>Os <strong>antiplaquetários</strong>, por sua vez, têm ação mais ampla, dificultando a agregação de plaquetas: reduzem tanto a formação de trombos patológicos quanto a de coágulos saudáveis.&nbsp;</p>



<p>Durante anos, cientistas testaram diversas drogas para agir em combinação com os antiplaquetários na prevenção do segundo AVC, mas <strong>o asundexian foi o primeiro a demonstrar eficácia sem elevar o risco de sangramento</strong>.</p>



<p>Os pesquisadores enfatizaram que os antiplaquetários não devem ser abandonados, mas combinados com o asundexian. &#8220;A nova abordagem poderá dar origem a uma nova classe de medicamentos de precisão, mais eficazes e que causem menos sangramento&#8221;, prevê Russman.</p>
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		<title>Autismo, paracetamol e incerteza científica: o que mostram as evidências mais recentes</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/autismo-paracetamol-e-incerteza-cientifica-o-que-mostram-as-evidencias-mais-recentes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Oct 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#autismo]]></category>
		<category><![CDATA[#Gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[#Neurologia]]></category>
		<category><![CDATA[#paracetamol]]></category>
		<category><![CDATA[#política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Declaração de Donald Trump sobre suposta relação entre paracetamol e autismo reacende debate sobre incertezas científicas e desafios no diagnóstico do transtorno do espectro autista</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/autismo-paracetamol-e-incerteza-cientifica-o-que-mostram-as-evidencias-mais-recentes/">Autismo, paracetamol e incerteza científica: o que mostram as evidências mais recentes</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 22 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, <strong>Donald Trump</strong>, fez um anúncio condenando o <strong>uso de paracetamol em gestantes</strong> por conta da suposta associação do remédio com <strong>autismo</strong>.&nbsp;</p>



<p>O comentário gerou discussões, com grande parte da comunidade científica apontando a <strong>falta de evidências que ratificam a fala do presidente norte-americano</strong>. Por exemplo, <a href="https://www.who.int/news/item/24-09-2025-who-statement-on-autism-related-issues" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a “Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma nota</a> informando que “não há evidências científicas conclusivas que confirmem uma possível ligação entre autismo e o uso de paracetamol [&#8230;] durante a gravidez”.</p>



<p>De forma parecida, a <a href="https://www.figo.org/paracetamol-acetaminophen-use-during-pregnancy-and-autism-risk-evidence-does-not-support-causal?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO, na sigla em inglês) informou</a> que &#8220;as evidências não apoiam a <strong>associação causal</strong>&#8221; entre consumo de paracetamol durante a gravidez e risco para o autismo. No Brasil, o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2025/setembro/ministerio-da-saude-reforca-que-paracetamol-nao-causa-autismo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ministério da Saúde afirmou</a> que &#8220;não há nenhuma evidência científica que afirme a relação entre o medicamento e o transtorno&#8221;.</p>



<p>Mesmo com posicionamentos contrários, a fala do presidente dos Estados Unidos reacendeu a <strong>discussão sobre as incertezas que envolvem o autismo</strong>. Mais do que isso, o discurso de Trump trouxe à tona a discussão sobre <strong>como lidar com incertezas científicas</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que a ciência sabe (e ainda não sabe) sobre o autismo</h2>



<p>Diagnosticar o autismo não é fácil por conta de questões em aberto sobre a causa da condição. Atualmente, sabe-se que a <strong>genética</strong> explica grande parte do desenvolvimento do distúrbio. Sven Sandin, estatístico e pesquisador sênior do Instituto Karolinska, na Suécia, é autor de diferentes estudos sobre o tema.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Podemos dizer que de 80 a 85% dos riscos [para o autismo] vêm de genes que nós herdamos diretamente de nossos pais.”<br></p><cite>— <em>Sven Sandin, Instituto Karolinska</em></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O que se sabe sobre as causas do autismo</h2>



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                <h3>Genética</h3>
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                <p><em>explica de 80% a 85% dos casos, segundo o Instituto Karolinska.</em></p>
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                <h3>Fatores ambientais</h3>
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                <p><em>ainda em investigação, incluem infecções, exposições químicas e medicamentos.</em></p>
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                <h3>Diagnóstico</h3>
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                <p><em>depende de avaliações clínicas e comportamentais, com desafios de padronização</em></p>
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                <p><em data-rich-text-format-boundary="true">varia entre 0,9% e 1,5% da população mundial.</em></p>
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<p>Mas cientistas ainda encontram <strong>dificuldades em identificar quais genes são esses</strong>, o que leva a diagnósticos baseados em análises clínicas, que podem ser mais suscetíveis a erros ou incertezas.&nbsp;</p>



<p>Mesmo com esse cenário, pesquisadores já investigam a prevalência da condição. Cristiane Silvestre de Paula, professora associada do programa de pós-graduação em ciência do desenvolvimento humano da Universidade Mackenzie e representante da América Latina no Global Senior Leader do INSAR (Sociedade Internacional para Pesquisa do Autismo, na sigla em inglês), é referência no tema.</p>



<p>Segundo de Paula, a prevalência a nível mundial do autismo é entre 0,9% e 1,5% da população total. O dado é baseado em diferentes artigos veiculados em periódicos científicos, como uma <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35238171/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revisão sistemática publicada em 2022</a> que identificou uma prevalência global de 1%, mesmo com variação entre regiões.</p>



<p>Essas diferenças regionais representam outro ponto em aberto sobre o autismo – pelo menos em relação à genética da condição.&nbsp;</p>



<p>Graccielle Asevedo, médica psiquiatra e vice-coordenadora do TEAMM, que é um ambulatório de transtorno do espectro autista vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que muitos dos <strong>bancos de dados genéticos contam com poucas informações de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento</strong>.&nbsp;</p>



<p>Essa escassez de dados é um gargalo para entender mais detalhes dos genes associados ao distúrbio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Paracetamol e o risco de autismo: o que dizem os estudos</h2>



<p>Mesmo que a hereditariedade seja o principal fundamento para o autismo, outros fatores também entram no cálculo. O <strong>uso do paracetamol</strong> durante a gravidez começou a ser investigado como um desses possíveis outros fatores.</p>



<p>Por exemplo, <a href="https://ehjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/1476-069X-12-41?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma pesquisa de 2013</a> que considerou dados de 8 países encontrou uma correlação entre indicadores da administração do medicamento no período pré-natal e perinatal e o autismo. Falas como a do presidente Trump se valem desse tipo de estudo, mas <strong>esse achado não é robusto</strong>.</p>



<p>Estudos como esse levantam questões que precisam ser melhor investigadas, mas eles <strong>não provam uma relação de causalidade</strong>.&nbsp;</p>



<p>Uma das limitações comuns a esse tipo de pesquisa é a falta de controle para outros fatores. Ou seja, não é possível ter certeza que uma variável causa determinado desfecho já que os participantes normalmente estão submetidos a outros fatores &#8212; <strong>comorbidades</strong>, por exemplo &#8212; que não são controlados de forma ideal.</p>



<p>A exposição à variável investigada também pode ser imprecisa. No estudo de 2013, já mencionado, os autores pontuaram que a <strong>circuncisão perinatal</strong> foi um indicador da administração de paracetamol em bebês recém-nascidos visto que o medicamento é recomendado nessas situações. Mas esse indicador é uma suposição, o que diminui a <strong>confiabilidade</strong> sobre a exposição ao remédio.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>Estudos clínicos randomizados &#8220;permitem isolar variáveis e reduzir vieses, ou seja, oferecem um nível de controle muito maior”, afirma Denise Garrett médica epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas (EUA)</em></p></blockquote></figure>



<p>No entanto, a realização de <strong>estudos clínicos randomizados</strong> para observar se o uso de paracetamol entre grávidas leva ao desenvolvimento de autismo não é factível, afirma Sandin, do Instituto Karolinska. Até porque gestantes são normalmente excluídas dessas pesquisas, algo que gera uma lacuna de conhecimento, explica Garrett.</p>



<p>Em casos assim, o importante é desenvolver mais estudos, de preferência que controlem outros fatores para averiguar se o paracetamol realmente aumentaria o risco da condição.&nbsp;</p>



<p>Esse foi o caso de uma <a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2817406" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa publicada em 2024</a> que investigou o tema a partir de irmãos para <strong>controlar fatores genéticos e familiares</strong>. Nesse caso, não foi visto uma associação entre o medicamento e o autismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como lidar com incertezas científicas</h2>



<p>O estudo de 2024 trouxe evidências importantes e robustas sobre o tema, mas ainda tem limitações. Uma delas é que não houve uma avaliação muito bem <strong>acurada</strong> sobre a exposição ao paracetamol durante a gravidez.&nbsp;</p>



<p>A pesquisa também foi <strong>restrita a dados suecos</strong>, o que é outra limitação, completa Sandin.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Dessa forma, existem visões distintas sobre se a associação entre paracetamol e autismo deveria continuar sendo investigada. </p></blockquote></figure>



<p>De Paula acredita que as evidências existentes já são suficientes para dizer que a correlação não existe.&nbsp;</p>



<p>Enquanto isso, Asevedo e Sandin concordam que a associação não aparenta ser real ao considerar dados científicos atuais. Mas se recursos para pesquisa fossem muito altos ou mesmo ilimitados, o tema poderia continuar sendo objeto de investigação, apontam os dois pesquisadores.&nbsp;</p>



<p>No entanto, outras áreas, como os genes associados à condição, “são mais relevantes”, complementa Asevedo.</p>



<p><strong>Incertezas científicas</strong> como essa chamam a atenção de Kevin Elliott, professor da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, e especialista em filosofia da ciência e ética.&nbsp;</p>



<p>Elliott argumenta que a população deveria ter uma perspectiva ampla sobre riscos associados a medicamentos para, então, decidirem se estão dispostas a consumir tais remédios.&nbsp;</p>



<p>Para isso, é necessário ter um conhecimento vasto sobre drogas e seus efeitos, além de <strong>comunicá-lo de maneira clara</strong> à população.</p>



<p>Segundo Elliott, não foi isso que aconteceu no caso de Trump. “O presidente [Trump] fez parecer que as evidências eram totalmente convincentes, enquanto provavelmente a maioria das pessoas concluiria, com base nas evidências disponíveis, que ainda vale a pena tomar Tylenol em muitos casos&#8221;, diz.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ecos psicológicos da crise climática</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/ecos-psicologicos-da-crise-climatica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 21:35:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[#Neurologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde global]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Incêndios florestais e outros eventos extremos podem impactar cada vez mais a saúde mental das pessoas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em novembro de 2018, um incêndio florestal inédito e devastador tirou a vida de 86 pessoas na cidade de Paradise, na Califórnia, Estados Unidos. Milhares de moradores foram afetados em níveis diferentes pela tragédia atribuída ao clima – o estado americano estava há cinco anos registrando períodos secos, o que derrubou a umidade das árvores, que queimaram em uma velocidade assustadora. Mais de 18 mil edificações acabaram destruídas. Apenas 5% dos imóveis da região ficaram intactos.</p>



<p>Além dos danos ambientais e materiais, a tragédia teve também impactos psicológicos, segundo estudo <a href="https://journals.plos.org/climate/article?id=10.1371/journal.pclm.0000125" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado</a> neste ano por uma equipe da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Os resultados atestam como é importante que a ciência investigue também os traumas causados pela crise climática.</p>



<p>Vários modelos mostram que, em diferentes partes do mundo, eventos extremos, como chuvas intensas e longas estiagens, além de seus desdobramentos – caso dos recorrentes incêndios na Califórnia – estarão mais presentes no dia a dia das pessoas. E isso pode ter consequências sérias para a saúde mental dos cidadãos.</p>



<p>“O trauma psicológico de eventos climáticos em geral, mas principalmente os extremos, como incêndios florestais em larga escala, pode ter impactos de longo prazo no cérebro dos sobreviventes”, afirma a bioquímica Jyoti Mishra. Nascida em Nova Delhi, a cientista é diretora do Neural Engineering and Translation Labs (<a href="https://neatlabs.ucsd.edu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">NEATLabs</a>) em San Diego e uma das autoras do estudo que se debruçou sobre a saúde mental dos moradores de Paradise.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;<em>A maneira como os humanos experimentam e lidam mentalmente com as catástrofes climáticas prepara o cenário para nossas vidas futuras</em>” &#8211; Jyoti Mishra, bioquímica, diretora do Neural Engineering and Translation Labs em San Diego.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alterações cerebrais</strong></h2>



<p>Os resultados publicados na revista <em>PLOS Climate</em> mostram que o estresse climático gera alterações no funcionamento cognitivo do cérebro. Mediante eventos traumáticos, as pessoas perdem facilmente a concentração. Os eletroencefalogramas de 75 moradores de Paradise foram analisados. </p>



<p>A metodologia separou os participantes em três grupos de indivíduos: </p>



<ul class="wp-block-list">
<li>27 pessoas expostas diretamente às consequências do fogo;</li>



<li>21 pessoas expostas indiretamente;</li>



<li>Um grupo controle sem exposição formado por mais 27 voluntários. </li>
</ul>



<p>Os segmentos foram bem pareados por idade e sexo, como mostra o&nbsp;artigo. O gênero e os anos de vida da amostragem não interferiram nas análises. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para avaliar os vários aspectos da cognição – além das gravações sincronizadas dos eletroencefalogramas para medir a função cerebral – os cientistas usaram uma plataforma específica voltada para o tema, chamada BrainE. </p>



<p>Uma série de medidas padrão foram obtidas a partir de testes de atenção seletiva, inibição de resposta impulsiva, memória de trabalho (capacidade de reter informações por um curto período de tempo) e de como o cérebro lida com interferências e distrações de ordem emocional ou não.</p>



<p>Os pesquisadores justificam essas escolhas com base na literatura científica. Várias pesquisas anteriores já demonstraram, de acordo com o artigo, que as medidas escolhidas são essenciais para avaliar as habilidades cognitivas humanas, além de ter significância no contexto de problemas de saúde mental relacionados a trauma, ansiedade e depressão.</p>



<p>“Observamos que ambos os grupos de pessoas expostas aos incêndios florestais, direta ou indiretamente, estavam lidando com as distrações [estímulos para desviar a concentração aferidos pela plataforma eletrônica] com menos precisão do que o grupo controle”, explica Mishra. As análises também mostraram diferenças cerebrais subjacentes ao processo cognitivo classificado como alterado.</p>



<p>As pessoas expostas aos incêndios na Califórnia tiveram maior atividade do lobo frontal enquanto eram afetadas pelas distrações. Como essa região é considerada o centro das funções mais complexas do cérebro, os cientistas suspeitam que a atividade cerebral frontal poderá servir como uma espécie de marcador de esforço cognitivo. </p>



<p>O que os dados sugerem, segundo Mishra, é que as pessoas expostas aos incêndios podem ter mais dificuldade em controlar as distrações e, então, acabam compensando essa alteração fazendo mais esforço cerebral. A hipótese de que pessoas afetadas por estresse climático tendem a ter mais dificuldade de concentração e, por isso, cansam mais o cérebro ainda precisa ser bem mais investigada, afirmam os pesquisadores.</p>



<p>Essa é a segunda pesquisa feita pelo grupo de San Diego. No primeiro estudo, sobre os incêndios florestais ocorridos no outono de 2018 nos Estados Unidos, sintomas crônicos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e depressão foram altamente prevalentes nas comunidades afetadas, após mais de seis meses dos eventos. </p>



<p>A amostra total analisada na época era formada por 725 participantes. Desse total, 75 entraram na segunda rodada de avaliações, feitas todas naquela época, entre seis meses e um ano dos incêndios.</p>



<p>O nível de estresse detectado na primeira análise, segundo os cientistas, foi gradual. Pessoas que tiveram suas casas ou famílias afetadas diretamente pelo incêndio apresentaram maiores danos à saúde mental do que aquelas afetadas indiretamente, ou seja, pessoas que testemunharam o evento em sua comunidade, mas não sofreram perdas pessoais. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Saúde mental e mudanças climáticas</strong></h2>



<p>Segundo Mishra, a &#8220;avenida&#8221; científica que se abre agora é gigantesca. Como as mudanças climáticas vão ocasionar cada vez mais desastres, avalia a pesquisadora indiana radicada nos Estados Unidos, passa a ser “incrivelmente importante” entender os impactos de todo esse processo na saúde humana, incluindo a questão mental.</p>



<p>Enquanto as pesquisas avançam, existem pistas confiáveis que mostram como as pessoas podem criar estratégias eficientes contra o impacto negativo das tragédias climáticas na saúde mental. Dormir bem e ter uma vida saudável que inclua a prática de exercícios físicos é um dos portos seguros em que todos deveriam atracar, dizem os cientistas.</p>



<p>Outros dois caminhos também são igualmente importantes. O estreitamento de laços sociais com amigos e parentes, além da prática de treinamentos específicos voltados para atenção ao momento presente e abstração de julgamentos. </p>



<p>Por exemplo, fazer yoga de forma regular e duradoura (uma atividade corpo-mente que requer atenção) se enquadra nesta definição. Isso é demonstrado por diversos outros estudos feitos no exterior e no Brasil, <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/o-poder-da-meditacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como os conduzidos por Elisa Harumi Kozasa</a>, pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein.</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Leia também:</mark></strong></p>



<p><em><a href="https://journals.plos.org/climate/article?id=10.1371/journal.pclm.0000233" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Harnessing the mental imprints of climate change for collective climate action</a></em>, por Jyoti Mishra e Veerabhadran Ramanathan.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/ecos-psicologicos-da-crise-climatica/">Ecos psicológicos da crise climática</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Em busca da ciência do arrependimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 18:19:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#Arrependimento]]></category>
		<category><![CDATA[#Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[#Neurologia]]></category>
		<category><![CDATA[#Psicofisiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Envelhecer de forma emocionalmente saudável pode ter a ver com sofrer menos em eventos que gerem arrependimentos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com exceção do cantor estadunidense Frank Sinatra (1915-1998) – que em “My way” cantou que “arrependimentos, tive alguns, mas muito poucos para mencionar” – todos nós temos muitos arrependimentos na vida. Alguns pequenos, como ter comido aquela segunda fatia de bolo. Outros maiores, como ter comprado aquela bateria que agora está empoeirada no meio da sala. O que importa não é tentar levar uma vida sem arrependimentos, mas o quanto eles podem impactar seu bem-estar e saúde mental. Para estudar essa relação, precisamos ser capazes de mensurar esse sentimento.</p>



<p>Mas medir (cientificamente) o arrependimento não é algo trivial. O jeito mais fácil e comum é por meio de questionários com escalas de arrependimento e entrevistas. Apesar de válida, essa avaliação ainda é subjetiva. Afinal, arrependimentos (por exemplo, &#8220;ter casado com o Adalberto&#8221; ou &#8220;não ter feito engenharia mecatrônica&#8221;) não apenas são únicos e intransferíveis, como também podem estar relacionados entre si.</p>



<p>Uma maneira um pouco mais objetiva de medir níveis de arrependimento é usar neuroimagens ou medidas psicofisiológicas como&nbsp;taxa de pulsação ou a condutância da pele&nbsp;para avaliar a intensidade emocional. Nem preciso dizer que estas medidas também são passíveis de críticas. Afinal, ter perguntado sobre uma gravidez inexistente para a chefe pode ter um impacto fisiológico ou neuronal diferente nos arrependidos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>O modo que acho mais fascinante de medir arrependimento é por meio de estudos comportamentais. Neles, os pesquisadores projetam uma situação na qual os participantes têm a chance de demonstrar remorso através de suas ações.</em></p></blockquote></figure>



<p>Um <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/science.1217516">estudo publicado</a> na revista <em>Science</em> combinou medidas comportamentais e psicofisiológicas para medir o impacto do arrependimento em três grupos de indivíduos: idosos de bem com a vida, idosos diagnosticados com depressão e jovens adultos (com menos de 30 anos). O mesmo jogo era aplicado aos três grupos. Oito caixas eram viradas pra baixo com dinheiro dentro delas. Apenas em uma delas, e de forma aleatória, era colocado um boneco.</p>



<p>Se o jogador escolhesse uma caixa e tivesse dinheiro, ele o embolsava&nbsp;e podia decidir se continuava na caixa seguinte ou não. Se na caixa estivesse o boneco, o jogador perdia todo o dinheiro da rodada. A grande sacada do experimento é que quando o jogador decidia parar, os pesquisadores mostravam onde estava o boneco.&nbsp;</p>



<p>Como seria sua&nbsp;reação sabendo que, em uma rodada, você poderia ter pegado três caixas a mais de dinheiro antes do boneco? Você muda sua estratégia e tenta mais caixas na próxima rodada? Ou segue com a mesma estratégia, tentando sempre quase o mesmo número de caixas, pois sabe que a posição do boneco é aleatória?</p>



<p>O que o estudo mostrou é que nessas situações, tanto os jovens quanto os idosos com depressão se arriscavam mais nas rodadas seguintes. Por outro lado, os idosos “tranquilões”&nbsp;não alteravam seu modo de jogar e não pediam para abrir mais caixas por causa dessa chance perdida na rodada anterior. </p>



<p>Os pesquisadores também notaram similaridades nos níveis de oxigênio no sangue e da atividade do cérebro entre jovens e idosos com depressão.&nbsp;</p>



<p>Arrependimento é útil para evitar erros futuros. O que os pesquisadores mostraram é que envelhecer de forma emocionalmente saudável pode ter a ver com sofrer menos em eventos que gerem arrependimentos<em>.</em> Jovens&nbsp; têm o tempo a seu favor e muitas vezes podem ter o luxo de se arrepender e mudar suas ações.</p>



<p>Para o resto de nós, mais velhos, saber lidar com (muitas das) coisas que estão fora de nosso controle (como a posição do boneco nas caixas) ou que achamos que traria um desfecho melhor, mesmo sem nenhuma garantia disso (como ter escolhido fazer engenharia mecatrônica na faculdade), pode ser importante para termos menos remorso e depressão no futuro.&nbsp;</p>



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    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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