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	<title>Conteúdos sobre #pandemia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Wed, 29 Apr 2026 17:44:37 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Conteúdos sobre #pandemia | Artigos, Pesquisas e Estudos | Science Arena</title>
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		<title>Estudo brasileiro detalha como Covid-19 pode levar à surdez profunda</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/estudo-brasileiro-detalha-como-covid-19-pode-levar-a-surdez-profunda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 17:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#ouvido]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Combinação entre ação do SARS-CoV-2, resposta inflamatória e tratamentos intensivos pode estar por trás do problema grave</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a <strong>pandemia de Covid-19</strong> eclodiu, a preocupação com os impactos respiratórios dominou o debate público e científico. Contudo, com o avançar dos estudos sobre o vírus <strong>SARS-CoV-2</strong>, percebeu-se que sua ação não se limitava a esse sistema. Na verdade, a doença era <strong>capaz de prejudicar múltiplos órgãos do organismo</strong>. Não à toa, sua ocorrência poderia levar as pessoas a sintomas variados.&nbsp;</p>



<p>Foi pensando nisso que uma equipe do Einstein Hospital Israelita, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) decidiu investigar a <strong>perda auditiva severa</strong>. Essa condição representa uma das complicações mais potencialmente devastadoras da <strong>infecção viral</strong>, mesmo também sendo uma das menos discutidas entre os especialistas.&nbsp;</p>



<p>Ao todo, os pesquisadores analisaram sete casos clínicos de pacientes que desenvolveram <strong>perda auditiva sensorioneural</strong> <strong>profunda após infecção por Covid-19</strong>.&nbsp;</p>



<p>Vale destacar que esse quadro de surdez costuma ser causado por danos no ouvido interno ou no nervo auditivo. Detalhes dos achados foram compartilhados em um <a href="https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2026AO1126" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado em fevereiro na revista<em> einstein</em></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desenho do estudo</strong></h2>



<p>A pesquisa emprega a <strong>metodologia da série de casos</strong>. Nessa abordagem observacional, os autores descreveram detalhadamente um pequeno grupo de pacientes que apresentavam condições semelhantes.</p>



<p>O modelo não busca provar causa ou efeito com rigor estatístico, mas, sim, mapear características em comum, levantar hipóteses e identificar possíveis padrões clínicos.&nbsp;</p>



<p>Ele é especialmente útil quando se trata de <strong>fenômenos novos ou ainda pouco compreendidos</strong> (como era o caso da Covid-19), funcionando como um ponto de partida para investigações futuras mais amplas e controladas.</p>



<p>Dessa forma, os investigadores realizaram levantamentos de histórico clínico, análises dos tratamentos recebidos, exames audiológicos padronizados (como audiometria tonal, que mede a capacidade de ouvir diferentes frequências e intensidades sonoras) e avaliações funcionais.&nbsp;</p>



<p>Por meio dessa estratégia, identificou-se algumas características recorrentes entre os indivíduos com perda auditiva sensorioneural profunda:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ausência de perda auditiva prévia relevante em todos os casos;</li>



<li>Perda auditiva bilateral (nos dois ouvidos) em 100% dos pacientes;</li>



<li>Gravidade elevada, com limiares auditivos frequentemente acima de 90 decibéis (faixa considerada severa a profunda); e</li>



<li>Início dos sintomas durante ou logo após a hospitalização por Covid-19.</li>
</ul>



<p>Na prática clínica, isso significa que os <strong>pacientes passaram de uma audição funcional para uma condição de grande incapacidade comunicativa</strong> em um intervalo relativamente curto.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Intervenções médicas</strong></h2>



<p>Os testes audiométricos revelaram que as pessoas não apresentaram somente uma perda de sensibilidade ao som, mas também um comprometimento da discriminação auditiva.&nbsp;</p>



<p>Ou seja, elas começaram a ter dificuldade para distinguir palavras mesmo quando amplificadas. Daí porque muitos pacientes não se beneficiaram de aparelhos auditivos convencionais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na maioria dos casos, foi indicado que os indivíduos recebessem um implante coclear. Embora seja eficaz em restaurar parcialmente a percepção sonora, o equipamento não devolve a audição natural e ainda exige reabilitação intensiva. </p></blockquote></figure>



<p>Inclusive, em quadros mais graves, os pacientes eram encaminhados para intervenções cirúrgicas sequenciais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fatores por trás da perda auditiva</strong></h2>



<p>Por mais que o estudo aponte uma associação entre Covid-19 e perda auditiva severa, os autores não conseguiram delimitar uma explicação única para esse fenômeno.&nbsp;</p>



<p>A pesquisa destaca que o problema provavelmente resulta da combinação de diferentes fatores, que podem atuar ao mesmo tempo e dificultar a identificação de uma causa isolada.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Uma das hipóteses é que o próprio vírus possa atingir o ouvido interno, provocando inflamação ou lesões em estruturas essenciais para a audição. </p></blockquote></figure>



<p>Além disso, a resposta inflamatória intensa do organismo em casos graves pode acabar danificando o nervo auditivo e outras partes do sistema auditivo.</p>



<p>Outro fator envolve a circulação sanguínea. A Covid-19 está associada a um aumento no risco de formação de coágulos, que podem comprometer o fluxo de sangue na cóclea.&nbsp;</p>



<p>Como essa estrutura é altamente sensível, pequenas alterações podem causar perdas auditivas significativas.</p>



<p>Por fim, os pesquisadores ainda consideram o impacto dos tratamentos utilizados durante a internação. Medicamentos potencialmente ototóxicos, como alguns antibióticos, podem agravar ou até mesmo desencadear novos danos auditivos.&nbsp;</p>



<div style="height:8px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referência</strong></h2>



<p>Mangabeira Albernaz PL, Costa SS, Nitz VO. <strong>SARS-CoV-2 infection and profound hearing loss: much more than a coincidence</strong>. einstein (São Paulo). 2026;24:eAO1126. <a href="https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2026AO1126" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2026AO1126</a></p>
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		<title>Diplomacia global para combater novas pandemias</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/risco-pandemias-diplomacia-ciencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 May 2025 21:20:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#imunização]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Organizações internacionais se articulam para fortalecer inovação em saúde e garantir acesso equitativo a vacinas e medicamentos, visando respostas mais eficazes a futuras crises sanitárias</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em meio a um cenário internacional cada vez mais incerto, a diplomacia científica se mostra fundamental para enfrentar os desafios da saúde global. O risco de novas pandemias – ainda que não iminente, mas uma possibilidade real – tem intensificado os debates e mobilizado lideranças em todo o mundo. O histórico recente reforça essa preocupação: a pandemia de covid-19 expôs falhas estruturais na resposta global às crises sanitárias, evidenciando a desigualdade no acesso a vacinas e insumos médicos.</p>



<p>Além disso, medidas polêmicas adotadas pelo governo de Donald Trump, como a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), abalaram o equilíbrio diplomático e impactaram diretamente os esforços internacionais de cooperação científica. A incerteza gerada por essas decisões ainda reverbera no cenário global, tornando essencial o fortalecimento dos laços entre nações para garantir respostas mais ágeis e eficazes a futuras emergências sanitárias.</p>



<p>Por isso, foi importante a segunda edição da <a href="https://cepi.net/gpps" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Cúpula Global de Preparação para Pandemias</strong></a> (CGPP), no Rio de Janeiro. Em julho de 2024, representantes de dez organizações assinaram uma carta em defesa da soberania em saúde e inovação e no desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e medicamentos para <strong>enfrentar emergências de saúde pública</strong> internacional no <strong>Sul Global</strong>.&nbsp;</p>



<p>O documento, intitulado &#8220;<a href="https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos_2/rio_de_janeiro_declaration_final_version_com_logos.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Declaração do Rio de Janeiro</a>&#8220;, propõe diretrizes para uma <strong>nova relação entre países ricos e pobres </strong>capaz de assegurar cooperações mais sólidas e equânimes para o enfrentamento de <strong>futuras crises sanitárias</strong>.</p>



<p>A pandemia de <strong>covid-19</strong> foi marcada por uma corrida desenfreada de países para obter máscaras, equipamentos de proteção individual e respiradores. Agentes públicos de nações desenvolvidas chegaram a desviar cargas de insumos durante seu trânsito em aeroportos, cobrindo a oferta daqueles a quem se destinavam os produtos.&nbsp;</p>



<p>Caso dos Estados Unidos, que nos primeiros meses de 2020 interceptaram um carregamento de 200 mil respiradores artificiais fabricados pela China e adquiridos pela Alemanha, pagando mais pelos produtos.</p>



<p>O problema se estendeu até o início de 2021, quando países ricos adquiriram vacinas ainda em produção, dando início a um processo de <strong>distribuição desigual </strong>dos imunizantes — no pico da pandemia, 25% da população mundial tinha comprado mais de 75% das vacinas.&nbsp;</p>



<p>Monopólios farmacêuticos também foram autorizados a reter os <strong>direitos de propriedade intelectual</strong>, fazendo com que os imunizantes em alguns casos fossem vendidos por um preço até 10 vezes mais alto do que seu custo de produção.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A falta de solidariedade deixou os países pobres em uma situação delicada, e isso comprometeu as estratégias globais de enfrentamento do novo coronavírus&#8221;, comenta Mario Moreira, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das organizadoras da CGPP, ao lado do Ministério da Saúde e da <a href="https://cepi.net" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias</a> (CEPI).</p>



<p>Para superar tais disparidades, a Declaração do Rio Janeiro insta países e instituições a aumentarem a <strong>cooperação internacional em ciência e tecnologia</strong> (C&amp;T), acelerando a pesquisa, a transferência de tecnologia e os processos de inovação para a produção de vacinas, medicamentos, ferramentas de diagnósticos e outras tecnologias de saúde que possam ser úteis contra futuras pandemias.&nbsp;</p>



<p>O documento também pede para que instituições acadêmicas e de pesquisa em países em desenvolvimento se mobilizem para aumentar seus esforços de produção de conhecimento, forjando alianças estratégicas para desenvolver políticas apropriadas para o enfrentamento de desafios atuais e futuros.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Não há estratégia hoje que dê conta de produzir seis bilhões de doses de vacina em pouco tempo, contra uma nova emergência, sem a participação dos países do Sul Global&#8221;, destaca Mario Moreira, da Fiocruz.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>O documento parte da constatação de que o <strong>agravamento da crise climática</strong> e a <strong>degradação do meio ambiente</strong> têm alterado os padrões de <strong>dispersão de doenças infecciosas</strong>, aumentando o risco de seres humanos entrarem em contato com patógenos que podem causar <strong>novas crises sanitárias</strong> – e de que o mundo continua mal preparado para outra pandemia, carecendo de vigilância colaborativa, ferramentas de diagnóstico e financiamento.&nbsp;</p>



<p>Um <a href="https://www.cgdev.org/publication/estimated-future-mortality-pathogens-epidemic-and-pandemic-potential" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a> publicado em 2023 por pesquisadores do <a href="https://www.cgdev.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Center for Global Development</a>, nos Estados Unidos, estimou que há 19% de chance de uma nova pandemia nos próximos cinco anos. Considerando os próximos 10 anos, a chance é de 35%.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Fortalecer a pesquisa global</h2>



<p>Há algum tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem destacado a necessidade de que pesquisadores e governos fortaleçam e acelerem a pesquisa global em <a href="https://www.who.int/news/item/01-08-2024-cepi-and-who-urge-broader-research-strategy-for-countries-to-prepare-for-the-next-pandemic" target="_blank" rel="noreferrer noopener">preparação para novas pandemias</a>, enfatizando a importância de expandir as investigações para incluir famílias inteiras de patógenos que podem infectar humanos.</p>



<p>Milhares de vírus e bactérias conhecidos podem contaminar humanos, mas um número relativamente pequeno causou pandemias ou epidemias ao longo da história.&nbsp;</p>



<p>Muitas das informações necessárias para a tomada de decisões sobre esses patógenos estão indisponíveis, não documentadas na literatura ou não são adequadas para uma revisão sistemática.&nbsp;</p>



<p>O número específico de patógenos a ser considerado pode mudar com o tempo, à medida que a compreensão das doenças infecciosas pelos pesquisadores se expande e novos patógenos surgem ou os já conhecidos evoluem.</p>



<p>Durante a Cúpula Global de Preparação para Pandemias, a OMS divulgou as conclusões de um <a href="https://cdn.who.int/media/docs/default-source/consultation-rdb/prioritization-pathogens-v6final.pdf?sfvrsn=c98effa7_4&amp;download=true" target="_blank" rel="noreferrer noopener">processo global de priorização de patógenos</a> iniciado em 2020 envolvendo mais de <strong>200 cientistas de mais de 50 países</strong> que avaliaram as evidências relacionadas a <strong>28 famílias virais e um grupo central de bactérias</strong>, abrangendo <strong>1.652 patógenos</strong>.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O relatório da OMS destaca 27 patógenos (e suas variações) que devem ser observados com atenção pelas comunidades médica e científica. As versões anteriores do documento, de 2017 e 2018, continham apenas 11 microrganismos.</p></blockquote></figure>



<p>De acordo com a organização sem fins lucrativos <a href="https://www.finddx.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>FIND</strong></a>, que conecta países e comunidades, financiadores, tomadores de decisão, provedores de serviços de saúde e desenvolvedores, dos patógenos com potencial de surto, o novo coronavírus é o único para o qual há prontidão diagnóstica adequada.&nbsp;</p>



<p>&#8220;É importante que os países tenham canais de interlocução bem constituídas e que possam ser acionados rapidamente em situações de risco de crises sanitárias&#8221;, destaca Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira, coordenador-executivo da Escola Avançada de Diplomacia Científica e da Inovação (InnScid) e professor do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).</p>



<p>Uma iniciativa recente nesse sentido é a <a href="https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2024/04/Global-Health-Security-Strategy-2024-1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Global Health Security Strategy</strong></a>, lançada em abril pelos Estados Unidos e que prevê apoio na área de saúde pública a mais de 50 países, de modo que estes possam prevenir, detectar e controlar surtos de forma mais eficaz.&nbsp;</p>



<p>O programa também pretende fortalecer as capacidades globais de segurança sanitária por meio de <strong>parcerias bilaterais</strong>.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Essa estratégia se dá na intersecção entre segurança de saúde e diplomacia científica, uma vez que se baseia no diagnóstico feito pelo governo norte-americano de que não é possível enfrentar futuras crises sanitárias globais sem <strong>parcerias internacionais</strong>&#8220;, explica Oliviera.</p>



<p>A estratégia dos Estados Unidos se dá em um momento em que os 194 estados-membros da OMS lutam para ratificar um acordo global sobre como enfrentar novas pandemias. Embora os EUA participem dessas negociações, historicamente, o país tem preferido acordos bilaterais como uma forma mais eficiente de fortalecer a segurança global em saúde.&nbsp;</p>



<p>As conversas se desenvolviam desde 2021, sendo o Brasil representante da região das Américas na mesa diretora dos trabalhos da negociação.&nbsp;</p>



<p>Em maio, durante a 77ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça, os países voltaram a se reunir para debater um instrumento internacional com diretrizes de preparação, prevenção e resposta a novas pandemias, mas divergências entre os participantes<strong> </strong>impediram que o acordo avançasse.</p>



<p>A ideia era que o tratado estabelecesse políticas juridicamente vinculativas para os países-membros da OMS sobre vigilância de agentes patogênicos, compartilhamento rápido de dados sobre surtos e produção local e cadeias de abastecimento de vacinas e tratamentos, entre outros pontos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="553" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-1200x553.jpg" alt="A ministra da Saúde, Nísia Trindade, participa da abertura da Cúpula Global de Preparação para Pandemias, realizada em julho de 2024, no Rio de Janeiro | Imagem: Rafael Nascimento/MS" class="wp-image-6084" style="width:785px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-1200x553.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-800x369.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-400x184.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-768x354.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit-150x69.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/ministra-gpp-summit.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, participa da abertura da Cúpula Global de Preparação para Pandemias, realizada em julho de 2024, no Rio de Janeiro | Imagem: Rafael Nascimento/MS</em></figcaption></figure>



<p>O Órgão de Negociação Intergovernamental (INB, na sigla em inglês), responsável pela coordenação das conversas, planeja pedir mais tempo para continuar as discussões.</p>



<p>De acordo com Igor Barbosa, chefe da divisão de saúde global do Ministério das Relações Exteriores, a principal dificuldade tem sido a questão do acesso a medicamentos e insumos médicos necessários para o enfrentamento de novas pandemias – o que envolve, entre outras coisas, acordo de <strong>transferência de tecnologia</strong> para produção local, transparência de preços e questões regulatórios.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Os países centrais, sobretudo os do G7, não estão dispostos a renunciar de suas prerrogativas e seus privilégios&#8221;, afirma Barbosa.</p>



<p>Outro tema delicado é o de financiamento para <strong>a criação de um sistema multilateral</strong>, liderado pela OMS, para <strong>acesso a patógenos com potencial pandêmico</strong> detectados em diferentes países e aos insumos utilizados para combatê-los.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;Os países em desenvolvimento têm se mostrado relutantes em compartilhar informações sobre os seus agentes patogênicos sem garantias de acesso a vacinas e outros produtos de saúde&#8221;, diz Barbosa, do Ministério das Relações Exteriores.</p></blockquote></figure>



<p>&#8220;Por sua vez, os países ricos dizem que já oferecem uma série de mecanismos de apoio financeiro ao mundo em desenvolvimento nesse sentido.&#8221;</p>



<p>Um deles é o Fundo Pandêmico, criado em setembro de 2022 e dedicado ao fornecimento de <strong>subsídios plurianuais</strong> para ajudar países de baixa e média renda a se prepararem para futuras pandemias.</p>



<p>Sediado pelo Banco Mundial e capitaneado pelos Estados Unidos, o fundo recebeu 179 inscrições de 133 países em sua primeira chamada e concedeu, em julho de 2023, US$ 338 milhões para ajudar 37 países a fortalecer sua capacidade de prevenir, se preparar e responder a pandemias.&nbsp;</p>



<p>Os Estados Unidos prometeram em julho de 2024 mais US$ 667 milhões (aproximadamente R$ 3,7 bilhões) para o fundo, enquanto a Alemanha se comprometeu com US$ 54 milhões (R$ 304 milhões).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Esforços no Brasil</h2>



<p>O Brasil também vem se articulando com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da OMS, para reforçar os mecanismos existentes de aquisição de vacinas, medicamentos e diagnósticos.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Nossa estratégia tem se desenvolvido no sentido debater, explorar oportunidades, mapear desafios, identificar soluções inovadoras e promover a conexão entre os diversos atores do ecossistema de inovação e produção de vacinas e outras tecnologias em saúde, de modo a fortalecer as cadeias de valor para produção local desses insumos na América Latina&#8221;, comenta Barbosa.&nbsp;</p>



<p>Um passo importante nessa direção foi o lançamento pelo governo brasileiro de um plano de apoio à construção do <strong>Complexo Econômico-Industrial da Saúde e de Inovação</strong> para o Sistema Único de Saúde (SUS), com investimentos públicos e privados entre R$ 42 bilhões e R$ 60 bilhões até 2026.</p>



<p>O objetivo é estimular o desenvolvimento de indústrias de base química, biotecnológica, mecânica, eletrônica e de materiais, além de serviços de saúde no país. Espera-se, com isso, ampliar, em dez anos, de 42% para 70% a fabricação nacional dos insumos e equipamentos adquiridos pelo SUS, reduzindo a dependência externa.</p>



<p>Outro movimento importante se deu no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fiocruz, que em agosto passou a integrar a rede da CEPI de fabricantes de vacinas no Sul Global.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A iniciativa irá nos apoiar no estudo de moléculas com potencial para o desenvolvimento rápido de medicamentos e vacinas contra doenças infecciosas que possam causar epidemias ou pandemias, garantindo o abastecimento de países menos favorecidos, para que não aconteça o que aconteceu durante a pandemia&#8221;, explica Maurício Zuma Medeiros, diretor de Bio-Manguinhos.</p>



<p>A parceria prevê investimento de US$ 17,9 milhões (aproximadamente R$ 92 milhões) da CEPI para diversificar as capacidades de fabricação de vacinas de Bio-Manguinhos/Fiocruz, expandindo novas plataformas de tecnologia de imunizantes de resposta rápida de mRNA e vetor viral contra doenças infecciosas.&nbsp;</p>



<p>A Fiocruz tem uma ampla e antiga tradição em <strong>diplomacia em saúde</strong>, orientada sobretudo à cooperação estruturante, ajudando os países a desenvolverem seus próprios sistemas de saúde e de pesquisa em saúde.&nbsp;</p>



<p>Um exemplo de sucesso nesse sentido é Moçambique, país no qual a Fiocruz abriu seu primeiro escritório internacional, em 2008.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Ajudamos na criação da Sociedade Moçambicana de Medicamentos S.A, fábrica de medicamentos que hoje alimenta o sistema de saúde moçambicano&#8221;, diz Moreira.&nbsp;</p>



<p>No âmbito regional, a Fiocruz se articula com a OPAS para fortalecer o multilateralismo na América Latina e no Caribe, por meio de projetos de qualificação dos países da região nas áreas de diagnóstico, desenvolvimento e produção de medicamentos e vacinas.&nbsp;</p>



<p>A ideia, diz Moreira, é criar uma rede regional bem coordenada capaz de responder a novas pandemias e garantir uma preparação contínua.&nbsp;</p>



<p>&#8220;A história nos ensina que a próxima pandemia é uma questão de &#8216;quando&#8217;, não de &#8216;se”, afirma Moreira.&nbsp;</p>



<p>“É preciso uma articulação multilateral envolvendo cientistas e instituições de vários países para avançar em nosso conhecimento sobre os patógenos que nos cercam.&#8221;</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/risco-pandemias-diplomacia-ciencia/">Diplomacia global para combater novas pandemias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>O mundo está preparado para uma próxima pandemia?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/colunas/o-mundo-esta-preparado-para-uma-proxima-pandemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 May 2025 17:02:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#imunologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Identificar patógenos com potencial pandêmico, estabelecer sistemas globais de vigilância e regionalizar produção e licenciamento de vacinas são ações urgentes para enfrentar uma nova pandemia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na última semana de julho de 2024, o Rio de Janeiro foi palco da <strong>“Cúpula Global de Preparação para Pandemias”</strong>, coorganizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (como parte de sua Liderança do G20) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a <a href="https://cepi.net/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coalizão para Preparação e Inovação em Epidemias</a> (CEPI), que reuniu mais de 350 especialistas globais de governos e organizações supranacionais, sociedade civil, academia, filantropia e indústria.&nbsp;</p>



<p>A reunião abordou as condições atuais de preparo para o <strong>enfrentamento de uma próxima pandemia</strong>, os ensinamentos obtidos a partir da pandemia de covid-19, e a viabilidade e progresso da “<a href="https://www.gov.uk/government/publications/100-days-mission-to-respond-to-future-pandemic-threats" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Missão dos 100 dias</a>”, lançada em 2021 pelo governo do Reino Unido durante a reunião do G7.&nbsp;</p>



<p>O aprendizado mais impactante da última pandemia foi que 1,6 milhão de pessoas morreram antes de as vacinas estarem disponíveis. Os casos com transmissão entre humanos propagaram em escala logarítmica.&nbsp;</p>



<p>Dados de modelagem matemática mostraram que 800 milhões de infecções e oito milhões de mortes na pandemia poderiam ter sido evitadas, se as vacinas estivessem disponíveis no prazo de 100 dias após a disponibilização da sequência genômica do SARS-CoV-2.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">Meta ambiciosa, mas possível</h2>



<p>A “Missão dos 100 Dias”, que foi endossada pelas nações do G7 e do G20, visa ter uma vacina desenvolvida, testada e seu uso emergencial autorizado dentro desses 100 dias.&nbsp;</p>



<p>Essa é uma meta ambiciosa, considerando que o tempo de desenvolvimento de uma vacina geralmente leva de cinco a dez anos, podendo chegar até mesmo a 25 anos, como no caso da primeira vacina contra a malária. Os 100 dias são alcançáveis?&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>No caso de um novo coronavírus ou um vírus da gripe pandêmica surgir, provavelmente conseguiremos alcançar o objetivo dos 100 dias, pois já conhecemos bem essas famílias virais.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Entretanto, se um novo surto vier da família viral do paramixovírus ou orthopoxvirus – ou “doença X”, ou seja, um patógeno totalmente novo, o mundo não está pronto.&nbsp;</p>



<p>Isso porque o sucesso da Missão 100 dias é baseado em cinco pilares críticos, que devem ser estabelecidos em um período pré-pandêmico, como destacado a seguir:&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">1) Criação de bibliotecas de protótipos e plataformas de vacinas:</h2>



<p>O sucesso sem precedentes da disponibilidade da vacina contra covid-19 em 326 dias só foi possível graças a pesquisas anteriores sobre outros membros da família do coronavírus, como MERS e SARS-CoV1.&nbsp;</p>



<p>Identificar famílias de patógenos com potencial pandêmico, selecionar um protótipo dentro da família viral e, em seguida, iniciar o trabalho de P&amp;D com seleção de plataforma vacinal será fundamental para um salto inicial no controle de uma próxima pandemia.&nbsp;</p>



<p>Esse conceito também foi adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afastando-se da lista anterior de uma dúzia de patógenos para uma abordagem de biblioteca de famílias.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">2)<strong> </strong>Estabelecimento de sistemas globais de vigilância: </h2>



<p>A detecção precoce de patógenos com potencial pandêmico no ambiente, como no esgoto, antes mesmo de um surto ocorrer, é crítico para evitar a evolução do surto potencial para uma pandemia.&nbsp;</p>



<p>Infelizmente, muitos governos não construíram ou até mesmo reduziram o nível dos seus esforços de vigilância.&nbsp;</p>



<p>Existe também a relutância de alguns países em compartilhar seus dados epidemiológicos e genéticos, por razões geopolíticas e de estigmatização e, principalmente, pela falta de retorno dos países desenvolvidos beneficiários.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Uma colaboração global, com adequada estrutura regulatória para compartilhamento de dados e garantia de fornecimento precoce de vacinas aos países em desenvolvimento, permitindo o acesso equitativo, é uma pedra angular fundamental da preparação para pandemias.</p></blockquote></figure>



<p>Essa ainda é uma das questões pendentes que estão sendo abordadas no Acordo Global para Pandemias,<strong> </strong>atualmente em estágio avançado de consulta pelos estados membros da OMS.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias.png" alt="A presidente da CEPI, Jane Halton, durante a Cúpula Global de Preparação para Pandemias 2024, no Rio de Janeiro" class="wp-image-6059" style="width:754px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias.png 1024w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias-800x600.png 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias-400x300.png 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias-768x576.png 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/05/jane-halton-preparacao-pandemias-150x113.png 150w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">A presidente da CEPI, Jane Halton, durante a Cúpula Global de Preparação para Pandemias 2024, no Rio de Janeiro | Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">3) Consolidação de redes globais de centros de testagem para ensaios clínicos e laboratórios:</h2>



<p>Essas estruturas precisam ser estabelecidos e qualificados no período interpandêmico, para garantir resposta imediata em caso de surto.&nbsp;</p>



<p>A falta de centros qualificados para ensaios clínicos, além de laboratórios de imunologia específicos para ensaios clínicos em muitos países em desenvolvimento, foi um dos problemas na última pandemia, agravada pela interrupção completa na logística de insumos.&nbsp;</p>



<p>Iniciativas de preparação de centros com profissionais qualificados para ensaios clínicos, como a financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, na qual 21 centros de pesquisa na América Latina foram qualificados dentro de quatro meses, servem como exemplo de que essas tarefas são viáveis.&nbsp;</p>



<p>No entanto, os centros, bem como os laboratórios de pesquisa clínica, precisam ser mantidos “aquecidos” fora de uma pandemia, por meio de um fluxo constante de ensaios, para não perder eficiência e pessoal qualificado para garantir prontidão para o enfrentamento de uma pandemia.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">4) Regionalização da produção de vacinas<strong>:</strong></h2>



<p>Esta medida seria uma virada de jogo para o acesso global. Várias iniciativas para estabelecer capacidade de fabricação na África estão em andamento por consórcios de filantropia, e pela indústria privada, como a empresa de RNAm Biontech, que está estabelecendo uma instalação modular em Ruanda.&nbsp;</p>



<p>Novamente, como para os laboratórios e centros de ensaios clínicos, esses novos locais de fabricação precisam ser mantidos aquecidos por meio de um fluxo de trabalho constante.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size">5) Identificação de marcadores imunológicos de proteção: </h2>



<p>Isso seria importante para permitir o licenciamento de vacinas com base em dados de imunogenicidade, em substituição aos ensaios de eficácia, que são mais longos e com maior número de participantes.</p>



<p>Colaboração global, confiança, agilidade, tomada de risco e, acima de tudo, equidade é o que os diferentes atores desse cenário global de preparação para pandemias necessitam abraçar para estarem mais bem-preparados para o próximo desafio.&nbsp;</p>



<p>Uma ameaça a qualquer um de nós é uma ameaça a todos nós. Portanto, o fracasso da “Missão dos 100 dias” não é uma opção.</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Hospital Israelita Albert Einstein.</strong></p>
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		<title>Covid longa: um marco para diagnóstico e tratamento</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-longa-definicao-diagnostico-e-tratamento/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 14:52:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#covid longa]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Comitê de especialistas dos EUA propõe definição para melhorar o diagnóstico e o tratamento dessa condição, que afeta milhões no mundo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um comitê de pesquisadores nomeado pela <a href="https://www.nationalacademies.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos</a> publicou uma <strong>definição completa da covid longa</strong>, que afeta 7% dos adultos e 1% das crianças apenas naquele país.&nbsp;</p>



<p>O estudo, encomendado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano, <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsb2408466" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi <strong>publicado</strong> no <em>New England Journal of Medicine</em></a> em 2024.</p>



<p>O objetivo era desenvolver uma definição aprimorada, que levasse em conta as necessidades dos pacientes, assim como as visões e a compreensão de uma gama de especialistas.&nbsp;</p>



<p>Além da revisão da literatura existente, foram realizados grupos focais, entrevistas e comentários colhidos de um portal criado para isso, além de encontros presenciais, incluindo um simpósio de dois dias.&nbsp;</p>



<p>Mais de 1,3 mil pessoas participaram das atividades, incluindo pacientes, cuidadores, profissionais de saúde, pesquisadores e especialistas em políticas públicas.</p>



<p>Embora ainda seja percebida com <strong>uma infecção aguda</strong> – que matou cerca de sete milhões de pessoas no mundo, 10% disso apenas no Brasil – o vírus Sars-CoV-2 deixou milhões de pessoas com uma <strong>variedade de condições crônicas</strong>, sistêmicas e, muitas vezes, incapacitantes.&nbsp;</p>



<p>A condição, que propositadamente não foi chamada de síndrome na definição por falta de evidências, afeta cerca de 60 milhões de pessoas globalmente.</p>



<p>“Como membros do comitê e líderes do grupo que produziu a definição, podemos atestar que o processo inspirou descoberta e uma valorização profunda pela realidade e severidade dessa condição”, escrevem os autores.</p>



<p>Um deles, E. Wesley Ely, do Vanderbilt University Medical Center, admite inclusive ter sido cético no começo. Tendo trabalhado com pacientes severamente debilitados em unidades de terapia intensiva e pesquisado suas trajetórias de vida por 25 anos, ele conta que a miríade de sinais e sintomas relatados pelos pacientes com covid longa poderiam ser consequência da chamada <strong>síndrome pós-terapia intensiva</strong> (SPTI), como problemas cognitivos, doença neuromuscular, depressão e fadiga intensa.</p>



<p>A hipótese caiu por terra quando os sintomas começaram a ser relatados por dezenas de milhares de pacientes da primeira onda da pandemia, a maioria sem nunca ter sido internada durante a fase aguda da <strong>infecção pelo Sars-CoV-2</strong> e que teve apenas sintomas leves.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Grupos de pacientes se reuniram nas redes sociais e rapidamente se estabeleceram como <strong>cientistas cidadãos</strong>, cunhando o termo covid longa”, relatam os cientistas.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Múltiplas manifestações</mark></strong></h2>



<p>De acordo com o documento, a covid longa “<em>é uma condição crônica associada à infecção que ocorre após o contágio pelo Sars-CoV-2, presente por pelo menos três meses como uma doença contínua, remitente e recorrente ou estado de doença progressivo que afeta um ou mais órgãos</em>”.</p>



<p>As <strong>manifestações são múltiplas</strong>, com possíveis centenas de sinais, sintomas e condições diagnosticáveis.&nbsp;</p>



<p>Qualquer órgão pode estar envolvido e os pacientes podem ter desde falta de ar, tosse e fadiga persistente, a dificuldades em se concentrar, dores de cabeça recorrentes, enxaquecas, taquicardia, problemas de sono, falta de paladar e olfato, constipação e diarreia.</p>



<p>As condições podem incluir ainda doença pulmonar intersticial, cardiovascular, renal, fibromialgia, diabetes e desordens autoimunes como lúpus, artrite reumatoide e síndrome de Sjögren.&nbsp;</p>



<p>Problemas cognitivos, distúrbios de humor, ansiedade e diabetes são outras ocorrências apuradas pelos pesquisadores.</p>



<p>A covid longa pode suceder tanto casos leves e severos de infecção pelo Sars-CoV-2 quanto assintomáticos.&nbsp;</p>



<p>Pode, ainda, tanto ser contínua à fase aguda da doença como aparecer semanas ou meses após o que pareceu ser a recuperação completa da infecção aguda.</p>



<p>Afeta crianças e adultos, a despeito da saúde, deficiência ou condição socioeconômica, sexo, orientação sexual, raça, grupo étnico ou localização geográfica. Pode exacerbar condições de saúde preexistentes ou apresentar novas condições.&nbsp;</p>



<p>A covid longa também pode variar de leve a severa, ser resolvida num período de meses ou persistir por meses ou anos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O diagnóstico é feito de forma clínica: não existem biomarcadores conclusivos que determinem a condição.</p></blockquote></figure>



<p>O artigo ainda ressalta que a covid longa pode prejudicar a capacidade do paciente de trabalhar, frequentar a escola, cuidar da família e cuidar de si próprio, resultando em profundos efeitos físicos e emocionais tanto no paciente, como em familiares e cuidadores.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores recomendam revisar a definição em três anos (por volta de 2027), com base no conhecimento científico a ser produzido. Argumentam ainda que a ideia da definição é facilitar a comunicação entre pacientes e membros da família e clínicos.&nbsp;</p>



<p>“Uma definição padronizada deve permitir um melhor rastreamento da carga da covid longa e facilitar o desenho e a condução de estudos clínicos robustos que produzam melhores tratamentos para essa e outras condições crônicas associadas a infecções”, afirmam os autores.</p>



<p>“Acima de tudo, esperamos que essa definição contribua para o cuidado compassivo e efetivo de todos os pacientes diagnosticados com essa condição.”</p>
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		<title>Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/margareth-dalcolmo-vivemos-as-consequencias-da-desinformacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2024 13:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#fake news]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para pesquisadora da Fiocruz, disseminação de notícias fraudulentas precisa ser combatida inclusive dentro da classe médica</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A edição de 2023 da pesquisa &#8220;<a href="https://percepcao.cgee.org.br/home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Percepção pública da C&amp;T no Brasil&#8221;</a>, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revela que a saúde é um dos temas de maior interesse do público, apesar de ser um campo de disputa entre os produtores de desinformação, uma comunicação mediada por algoritmos enviesados por meio das redes sociais e negacionismos vacinais.</p>



<p>Dentre os jovens, oito em cada dez entrevistados na pesquisa dizem que se informam sobre ciência principalmente por Instagram e YouTube. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um terço dos canais em português mais assistidos do <a href="https://abori.com.br/comunicacao/apesar-de-declaracoes-do-youtube-sobre-combate-a-desinformacao-videos-anti-vacinas-continuam-circulando/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">YouTube sobre vacinas tinham informações erradas ou desinformação</a>.</p>



<p>A jornalista Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudo Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, destaca que, no YouTube, parte significativa dos vídeos mais acessados sobre vacinas diz que os imunizantes contêm ingredientes perigosos e defendiam a liberdade de escolha, a promoção de serviços de saúde alternativa e a conspiração de que vacinas causam doenças.</p>



<p>“As pesquisas de percepção da ciência são fundamentais para a definição de políticas públicas na área”, diz Righetti, que é autora, junto com o cientista de dados Estevão Gamba, do livro <em>Negacionismo científico e suas consequências </em>(Edições 70), lançado em abril. “É preciso entender como as pessoas compreendem, se interessam e valorizam a ciência. O que os estudos mostram é que há um ‘descolamento’ gigante entre ciência e sociedade.”</p>



<p>Além de Righetti, o <strong>Science Arena</strong> também conversou sobre os resultados da pesquisa do CGEE com a médica pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e membro titular da Academia Nacional de Medicina.</p>



<p>Desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, Dalcolmo destacou-se pela capacidade de se comunicar com o público por meio da imprensa e explicar, de forma simples e sem rodeios, o impacto do vírus Sars-CoV-2 na saúde das pessoas.</p>



<p>A pesquisadora se tornou uma das principais porta-vozes da ciência ao longo da pandemia e no combate contra movimentos antivacina no país. Nesta entrevista, Dalcolmo comenta sobre os riscos das fake news e como enfrentar a desinformação entre médicos e outros profissionais da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – O estudo do CGEE indica que a desconfiança da população brasileira em relação a temas como a vacinas figura com índice elevado (20,9%) em 2023. Esta informação acende algum alerta?</strong></h2>



<p><strong>Margareth Dalcolmo –</strong> É inegável que a saúde tem sido um tema de grande interesse nos últimos anos, tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil, vivenciamos fenômenos paradoxais. Historicamente, a população brasileira sempre confiou muito nas vacinas e o próprio Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado há 50 anos, é um exemplo de sucesso por conta da grande aceitação da sociedade civil.</p>



<p>Infelizmente, à custa de uma retórica muito nociva, capitaneada pela última administração do governo federal, somado ao medo de uma doença nova como a covid-19 e à rapidez com que as vacinas foram desenvolvidas, houve um temor e uma resistência vacinal inéditos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Na verdade, estamos enfrentando as consequências da desinformação e da fabricação de informações falsas sobre as vacinas. Isso é um problema real e inegável.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual o resultado disso?</strong></h2>



<p>Esse fenômeno resultou na queda das taxas gerais de vacinação, inclusive contra a gripe. Em 2020, paradoxalmente, tivemos a maior taxa de brasileiros vacinados contra a Influenza, já que o público acreditava que isso poderia protegê-lo da covid-19, o que não é verdade.</p>



<p>Neste ano, vivemos uma situação insólita, da menor taxa de adesão à vacinação contra a gripe. Estão sobrando vacinas e isso se agrava ao fato de que a imunização contra a covid-19 também foi muito baixa. Apenas 55% da população brasileira têm todas as doses completas.</p>



<p>Esse é um número muito pequeno e chama a atenção sobretudo para as vacinas pediátricas, revelando que as famílias foram muito contaminadas por esse discurso, por essa retórica extremamente nociva.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cinco em cada dez brasileiros relataram se deparar frequentemente com notícias que parecem falsas. Na sua opinião, o campo da saúde tem apresentado um crescente aumento na disseminação de fake news<em>?</em></strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde, muito mais do que a economia, é algo que “pega” as pessoas individualmente. Não há dúvida de que ela tem uma força de persuasão muito grande, porque todos estão interessados na saúde e no bem-estar de sua família, seus filhos, seus pais.</p>



<p>A saúde é algo que toca pessoalmente em cada indivíduo. Não há dúvida de que as fake news se tornaram uma fonte de produção, especialmente na pandemia.</p>



<p>Foi nesse momento que começaram a prosperar sites com conteúdo falso, inclusive, lamentavelmente, com a participação de médicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na pesquisa do CGEE, também foi avaliado um conhecimento mais técnico. Por exemplo, saber se antibióticos servem para matar vírus – informação equivocada com a qual mais da metade dos respondentes concordava. Na prática médica, o quanto esse tipo de desconhecimento pode afetar na adesão terapêutica e na confiança nos profissionais da saúde?</strong></h2>



<p>A disseminação de desinformação, inclusive entre médicos, levou ao uso excessivo de antibióticos durante a pandemia, levando a taxas de resistência antimicrobiana gigantescas. Esse uso muitas vezes não era apenas desnecessário, mas também inadequado, já que a doença em questão era viral, com um componente inflamatório predominante.</p>



<p>Na verdade, o paciente desenvolve uma infecção bacteriana secundária e oportunista, somando-se a um processo viral com grande liberação de substâncias citotóxicas e citocinas inflamatórias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A maioria dos brasileiros disse que nunca ou raramente buscou informações sobre ciência. No entanto, as redes sociais figuram como campeãs no acesso às informações. Você acredita que essa comunicação mediada por algoritmos é um desafio superável? Como a saúde pode ser um segmento protagonista no combate à desinformação?</strong></h2>



<p>Com certeza. A saúde pode ter um papel de destaque, mas para isso é fundamental a participação de médicos que inspirem confiança na população.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Não podemos deixar de estar presentes, informando a sociedade continuamente.</p></blockquote></figure>



<p>Na verdade, acredito que cientistas e pesquisadores nunca foram tão requisitados para resgatar essa confiança, que é tradicional em nossa cultura. É crucial manter o rigor, mesmo quando as notícias são negativas, sem causar alarde ou pânico, transmitindo a verdade de forma a não ignorar os temores naturais da sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso fazer, a partir dos dados dessa pesquisa nacional, para se preparar antes da próxima pandemia, em termos de percepção pública da ciência?</strong></h2>



<p>A comunidade médica deve estar presente em todos os meios de comunicação, informando e dialogando com a população de forma clara e precisa, como tem sido feito com os cigarros eletrônicos.</p>



<p>A indústria do tabaco, por exemplo, divulga informações falsas, que ganham a confiança das pessoas, sendo importante que os médicos sejam atuantes e presentes no combate à desinformação. Devemos nos comunicar com rigor e verdade, independentemente de a informação ser boa ou ruim.</p>
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		<item>
		<title>Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 20:44:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#dengue]]></category>
		<category><![CDATA[#imaunização]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sciencearena.org/?p=4028</guid>

					<description><![CDATA[<p>País não investe o suficiente em tecnologia para desenvolver e produzir imunizantes contra as principais ameaças à saúde pública, avalia ex-diretor do Butantan</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/">Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No primeiro trimestre de 2020, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) convidou dois cientistas para coordenar pesquisas para o desenvolvimento de imunizantes contra o vírus Sars-CoV-2, causador da covid-19.</p>



<p>Um deles era o imunologista Ricardo Gazzinelli, coordenador do Centro de Tecnologia de Vacinas (<a href="http://www.ctvacinas.ufmg.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CTVacinas</a>) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável por comandar o desenvolvimento da SpiN-Tec-MCTI-UFMG, formulação candidata à vacina conta covid-19.</p>



<p>O outro pesquisador era o também imunologista <strong>Jorge Kalil</strong>, da Universidade de São Paulo (USP), que optou por fazer uma vacina nasal, aplicada em forma de spray.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Kalil – que dirigiu o Instituto Butantan entre 2011 e 2017 – detalhou como está o processo de desenvolvimento da vacina nasal, explicou as razões e salientou as dificuldades de fazer ciência no Brasil. Uma delas é a chamada “fuga de cérebros”, classificada por ele como “uma vergonha.”</p>



<p>“Temos que ter cientistas e tecnólogos capazes de atuar em toda a cadeia produtiva, da descoberta da molécula ao desenvolvimento do produto”, afirma Kalil, que é professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do laboratório de imunologia do Instituto do Coração (InCor) da mesma universidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Em maio, o senhor participou do evento </strong><a href="https://www.ted.com/tedx/events/54956" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>TEDxUSP</strong></a><strong>, no qual destacou desafios para criar uma vacina nasal contra a covid-19. Como este trabalho começou? </strong></h2>



<p><strong>Jorge Kalil</strong> – No início da pandemia de Covid-19, o MCTI escolheu a mim e o Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, para o desenvolvimento de imunizantes contra o Sars-CoV-2. Gazzinelli foi comandar os estudos da SpiN-TEC, enquanto meu grupo optou por fazer uma vacina nasal. Reuni pessoas que poderiam me ajudar e que trabalhavam comigo no Incor e na Faculdade de Medicina da USP, assim como pessoas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e da Universidade Federal de São Paulo [Unifesp].</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que o grupo escolheu este caminho, o de desenvolver uma vacina nasal? </strong><strong></strong></h2>



<p>Partimos de um conhecimento prévio com o vírus Sars-CoV-1, causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave [Sars], que emergiu em 2002 e que, apesar da alta letalidade, foi controlado na China.</p>



<p>Houve uma resposta importante de anticorpos, chamados de neutralizantes, que impediam o vírus de entrar na célula para se multiplicar. Com isso, soube-se que a ação dos anticorpos ocorria na proteína spike, usada pelo vírus para invadir células.</p>



<p>Portanto, sabíamos que, em grande parte, os estudos seriam diretamente voltados para uma vacina que inibisse essa proteína. O vírus começou a mutar e surgiram variantes. Também foi importante observar que a CoronaVac [produzida pela empresa chinesa Sinovac e embalada pelo Instituto Butantan], uma vacina de vírus completo e inativado, é um imunizante ruim, com eficácia de cerca de 50% e sem ter sido testada em indivíduos mais velhos, que são os mais suscetíveis à doença.</p>



<p>Fomos então para as vacinas de RNA, que eram bem melhores.&nbsp; Com esse conhecimento, ainda no começo da pandemia, pensamos em desenvolver uma vacina intranasal, porque o vírus entra pelo nosso nariz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Então foi o fato de o vírus entrar pelo nariz o principal motivador? </strong><strong></strong></h2>



<p>Sim. Com a nossa vacina, chegamos na célula da mucosa e induzimos a resposta, algo que não ocorre com as vacinas intramusculares. O segredo está, justamente, em inativar o vírus na entrada, antes que se multiplique na mucosa, que é algo que facilita a transmissão para outras pessoas. As vacinas intramusculares não impedem a infecção e a doença leve, justamente porque o vírus se multiplica.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como foi a evolução das etapas já cumpridas e em que momento pré-clínico ou clínico se encontra o desenvolvimento da vacina nasal? </strong><strong></strong></h2>



<p>Durante a fase a pré-clínica, injetamos o vírus na narina de modelos animais e, rapidamente, o vírus desapareceu, por conta da imunoglobulina IgA secretória (um tipo de anticorpo) que há ali. Agora, estamos preparando o antígeno.</p>



<p>No Brasil, ainda não temos empresas com capacidade industrial de desenvolvimento. Mas investimos US$ 4 milhões para contratar uma empresa no exterior, que vai pegar o antígeno e colocá-lo em célula. Poderemos iniciar a fase clínica de pesquisa, com testes em humanos, até o final de 2024.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a6309036c2e5&quot;}" data-wp-interactive="core/image" class="alignleft size-large is-resized wp-lightbox-container"><img decoding="async" width="900" height="1200" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async--click="actions.showLightbox" data-wp-on-async--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-900x1200.jpeg" alt="" class="wp-image-4031" style="width:240px" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-900x1200.jpeg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-600x800.jpeg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-300x400.jpeg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-768x1024.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax-113x150.jpeg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/06/imagem-vacina-Multicovax.jpeg 960w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">MultiCovax, vacina em formato de spray nasal contra a covid-19, em desenvolvimento pela equipe de Jorge Kalil | Foto: Divulgação</figcaption></figure></div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na fase pré-clínica, vocês descrevem que houve 100% de resposta. Há garantia de que o resultado se repetirá em humanos?</strong> </h2>



<p>Em camundongos, obtivemos 100% de resposta, mas, embora eles sejam geneticamente muito semelhantes aos humanos, há uma heterogeneidade genética, social, econômica e higiênica. São, portanto, muitos os fatores que podem alterar a resposta que iremos obter na fase clínica, com humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Além desta heterogeneidade, quais são outros obstáculos?</strong> </h2>



<p>Até o momento, as primeiras dificuldades que enfrentamos são relacionadas ao subfinanciamento, ou seja, bolsas de pesquisa com valores muito baixos.</p>



<div style="height:4px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>É difícil atrair estudantes e pesquisadores com pós-doutorado, pois o investimento em pesquisa no Brasil está defasado.</p>



<p>Outro agravante é que, como reflexo da pandemia, os países não estavam exportando insumos de laboratório. No Brasil, não há produção de insumos e eles estavam demorando muito para chegar do exterior, pois existia uma regra de favorecer os laboratórios locais, no país produtor.</p>



<p>Ao todo, incluindo produção e escala industrial, recebemos R$ 40 milhões, ou seja, cerca de US$ 8 milhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos, foi lançado um edital em que estão distribuindo, para cada grupo de pesquisa, aproximadamente US$ 500 milhões de dólares para desenvolver a vacina. É uma disputa de Davi contra Golias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Caso essas etapas sejam superadas e a vacina nasal se mostre eficaz, o que podemos esperar dela?</strong></h2>



<p>Nossa vacina será definitiva, porque é de facílima administração, as pessoas não são resistentes a ela e este imunizante protege contra a infecção e a transmissão. Com isso, vamos controlar a doença. Para tanto, precisamos convencer os políticos a investir.</p>



<p>No Brasil, não temos a cultura de que podemos resolver os nossos problemas. Sempre se acha que precisamos de alguém de fora para isso.</p>



<p>Nós estamos com uma vacina da dengue, que eu comecei a trabalhar quando era diretor do Instituto Butantan, em São Paulo. Fizemos todo o desenvolvimento industrial, desenvolvimento clínico de fase 2 e começamos a fase 3 em 2016.</p>



<p>Porém, não foi dada a celeridade necessária. Essa vacina tinha que já estar pronta. O [médico] Dimas Covas, que foi o diretor do Butantan, não deu a prioridade necessária para o teste desta vacina [contra a dengue].</p>



<p>O imunizante do Butantan já tinha que estar aí protegendo os milhões de brasileiros que tiveram dengue, com grande número de mortes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como está o Brasil no contexto mundial de produção de vacina? Quais são nossos pontos fortes e fracos?</strong> </h2>



<p>Ainda não temos a capacidade de desenvolver e produzir as vacinas para vírus que representam grandes ameaças. Enquanto isso não ocorre, ficamos extremamente dependentes dos outros países. O Brasil não investe suficientemente para que seja tecnologicamente independente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Temos que ter cientistas e tecnólogos capazes de atuar em toda a cadeia produtiva, da descoberta da molécula ao desenvolvimento do produto.</p></blockquote></figure>



<p>Nós fazemos muito poucos ensaios clínicos de fase 1 e 2. Todos os países desenvolvidos têm essa capacidade. Na China, não se desenvolve tecnologia porque a mão de obra é barata. Pensar isso é um erro que as pessoas cometem. O que tem na China é um eficiente sistema de educação e de capacitação de pessoal técnico-científico. Eles fazem qualquer coisa na China. E conseguem fazer ainda com preço barato, porque sabem utilizar direitinho os materiais.</p>



<p>O Brasil precisa aprender que um país grande – e que tem pretensões de ser uma grande nação – tem que ter ciência e desenvolvimento tecnológico.</p>



<p>Infelizmente, o que temos observado nos últimos tempos é que os nossos grandes cérebros cansaram do Brasil e foram embora. Eu tenho uma quantidade enorme de ex-alunos que estão concentrados em três lugares: região de Nova Iorque, região de Boston e no estado a Califórnia, especialmente em São Francisco e Los Angeles. É uma vergonha. Nós perdemos essas pessoas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os resultados preliminares do desenvolvimento da vacina nasal não foram publicados em revista científica? Em que momento isso vai ocorrer? </strong><strong></strong></h2>



<p>Não publicamos, porque queríamos que a vacina permanecesse brasileira. Se fossem dados fundamentais para que a gente pudesse conter a doença, teríamos divulgado.&nbsp; Porém, como existiam já outras vacinas, não era essencial apresentar os nossos resultados preliminares. Estamos terminando de fazer a patente para, assim, publicar o artigo científico, que está sendo escrito.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual precisa ser o olhar do mundo para a imunização de toda a população? </strong><strong></strong></h2>



<p>Existe um esforço mundial muito grande para que lugares na África e na Ásia também consigam produzir vacinas. O que se observou é que, na pandemia, pouco tempo depois de já existirem vacinas, nos países ricos tínhamos 90% da população imunizada com duas doses, enquanto nos países mais pobres esse percentual era de apenas 2%. E eram os 2% mais ricos daquela população.</p>



<p>Nós queremos que haja equidade na saúde. É fundamental que tenhamos várias plataformas de vacinas, que possam ser utilizadas com diferentes antígenos. Antígeno é superimportante, pois é o alvo da vacina. E somente se consegue isso fazendo pesquisa básica com vírus e entendendo como é a resposta protetora. Tem que haver continuidade nos investimentos de ciência e tecnologia, para que não caiamos no buraco de sempre.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/">Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Covid-19: níveis elevados de imunidade dificultam testes clínicos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/covid-19-niveis-elevados-de-imunidade-dificultam-testes-clinicos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 11:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#imunidade]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#Sars-CoV-2]]></category>
		<category><![CDATA[#testes clínicos]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ensaios clínicos conduzidos entre 2021 e 2022 não encontraram dose do Sars-CoV-2 capaz de infectar voluntários nos chamados estudos de desafio</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/covid-19-niveis-elevados-de-imunidade-dificultam-testes-clinicos/">Covid-19: níveis elevados de imunidade dificultam testes clínicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em março de 2021, quando a pandemia de Covid-19 mantinha todo mundo dentro de casa e as vacinas ainda não estavam amplamente disponíveis, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, lançaram o primeiro teste de infecção voluntária de Covid-19 do mundo. Testes de infecção voluntária, comumente chamados de “testes clínicos de desafio” são ensaios clínicos em que voluntários recebem a vacina em teste ou um placebo para, em seguida, serem deliberadamente infectados com o vírus.</p>



<p>O estudo em questão identificou uma dose minúscula da cepa Sars-CoV-2, que circulou nos primeiros dias da pandemia e que poderia infectar cerca de metade dos voluntários que ainda não havia sido infectada anteriormente pelo vírus.</p>



<p>Paralelamente, uma equipe liderada por Helen McShane, pesquisadora de doenças infecciosas em Oxford, lançou um segundo estudo em pessoas que se recuperaram de infecções por Sars-CoV-2 contraídas naturalmente, causadas por uma série de variantes. O ensaio posteriormente inscreveu participantes que também haviam sido vacinados.</p>



<p>Os participantes receberam uma pequena dose da cepa chamada “ancestral” do Sars-CoV-2. Como ninguém desenvolveu uma infecção sustentada, os pesquisadores aumentaram cada vez mais a dose nos grupos subsequentes de participantes, até atingirem um nível 10 mil vezes superior à dose inicial. Alguns voluntários desenvolveram infecções de curta duração, mas que desapareceram rapidamente.</p>



<p>“Ficamos bastante surpresos”, disse Susan Jackson, pesquisadora clínica do estudo em Oxford e coautora do trabalho. “No futuro, se você quiser um estudo de desafio de Covid-19, terá que encontrar uma dose que infecte as pessoas”, disse ela <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-024-01284-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em entrevista</a> à revista <em>Nature</em>.</p>



<p>Um ensaio similar em andamento no Imperial College London, no Reino Unido, no qual os participantes foram expostos à variante delta do Sars-CoV-2, também encontrou problemas para infectar os participantes de forma confiável, de acordo com Christopher Chiu, imunologista e médico de doenças infecciosas da instituição.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Alguns participantes tiveram infecções, mas provavelmente não o suficiente para um estudo testar se uma vacina funciona, disse Chiu, na mesma reportagem da <em>Nature</em>.</p></blockquote></figure>



<p>“Precisamos de uma cepa para teste que seja mais representativa em relação ao que está circulando na comunidade”, complementa Anna Durbin, cientista de vacinas da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que foi membro do conselho que supervisionou a segurança do mais recente ensaio de reinfecção.</p>



<p>As cepas usadas em testes como esses são produzidas sob condições rigorosas, em um processo que pode levar seis meses ou mais, dizem os cientistas, tornando impossível acompanhar as variantes em circulação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Novos caminhos</strong></h2>



<p>Após essas constatações, os pesquisadores estão procurando outras maneiras de transmitir a Covid-19 às pessoas. Jackson, de Oxford, diz que pode ser necessária uma dose ainda mais elevada de Sars-CoV-2 – semelhante às doses utilizadas em ensaios contra a gripe, nos quais os participantes têm uma imunidade considerável.</p>



<p>Outro método considera dar doses múltiplas aos voluntários. Chiu diz que sua equipe está explorando a possibilidade de rastrear potenciais participantes com baixos níveis de proteção imune contra a variante BA.5 (Ômicron) e outras cepas.</p>



<p>Chiu lidera um consórcio que recebeu US$ 57 milhões da União Europeia e da Coligação para Inovações na Preparação para Epidemias (CEPI), em Oslo, para realizar ensaios e testar vacinas inaladas e intranasais contra a Covid-19 – que também podem bloquear a transmissão.</p>



<p>Ele está esperançoso de que mudanças nos protocolos de testes resolvam esse problema.</p>



<p>“O que realmente desejamos é um modelo que reproduza uma infecção genuína e, idealmente, que cause alguns sintomas”, acrescenta.</p>
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		<title>Aprender com as lições da Covid-19</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/leitura-indicada/aprender-com-as-licoes-da-covid-19/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2024 20:35:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Indicada]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#Negacionismo]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Farmacêutica e ex-reitora da Unifesp recomenda obra que reflete sobre os desafios da pandemia e por que não devemos esquecê-los</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O QUE RECOMENDO: </strong><strong></strong></h2>



<p>O livro <a href="https://bazardotempo.com.br/loja/um-tempo-para-nao-esquecer-a-visao-da-ciencia-no-enfrentamento-da-pandemia-do-coronavirus-e-o-futuro-da-saude/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Um tempo para não esquecer: A visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde</em></a><em>,</em> da médica pneumologista <a href="https://bazardotempo.com.br/autores/margareth-dalcolmo-2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Margareth Dalcolmo</strong></a>, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>POR QUE VALE A LEITURA? </strong><strong></strong></h2>



<p>A leitura deste livro de Margareth Dalcolmo, lançado em dezembro de 2021, é bastante válida. A obra trata do período de enfrentamento da pandemia de Covid-19, que vivenciamos recentemente, e faz um registro de como tivemos que nos organizar e agir diante do então novo coronavírus. </p>



<p>Tive a oportunidade de conhecer e atuar junto com a autora, que conta e maneira brilhante, neste livro, como foi possível, a partir da ciência e da área da saúde, salvar vidas. É também uma mensagem de esperança e do quanto somos capazes de vencer as adversidades.</p>



<p><em>Um tempo para não esquecer</em> reúne artigos escritos semanalmente por Dalcolmo para o jornal <em>O Globo</em>, configurando um registro histórico produzido &#8220;no calor dos acontecimentos.&#8221;</p>



<div  class="custom-block perfil-autor " aria-label="Informações do autor">
    
    </div>


<p></p>
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		<title>Riscos sanitários a partir da Amazônia</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/ensaios/riscos-sanitarios-a-partir-da-amazonia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jan 2024 19:17:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[#arboviroses]]></category>
		<category><![CDATA[#desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[#epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desmatamento pode transformar áreas exploradas em desertos e desencadear surtos de novas doenças</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/riscos-sanitarios-a-partir-da-amazonia/">Riscos sanitários a partir da Amazônia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Amazônia, além de ser a maior floresta equatorial úmida do planeta e a mais preservada, é a região da Terra com a maior biodiversidade, tanto em espécies vegetais e animais quanto em quantidades de espécimes por espécie existente.</p>



<p>Essa impressionante biodiversidade, podemos dizer que é a oitava maravilha do mundo. Toda essa diversidade biológica abriga uma infinidade de espécies de vertebrados incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes – muitas dessas ainda não descritas ou catalogadas, bem como milhares de espécies de insetos habitam a Amazônia, igualmente com muitos sem reconhecimento taxonômico.</p>



<p>Entre os insetos têm papel de destaque os insetos hematófagos, ou seja, aqueles que sugam sangue, e eles podem transmitir agentes infecciosos, principalmente arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) e parasitas.</p>



<p>Portanto, os vertebrados terrestres, especialmente aves e mamíferos, e os insetos hematófagos são importantes fontes de vírus e de outros microrganismos infecciosos como bactérias, fungos e parasitas.&nbsp;</p>



<p>A Amazônia deve e precisa ser protegida não somente pela beleza natural e imensidão de vida que abriga, mas também para a sustentabilidade do clima e da vida no planeta.</p>



<p>Diversos estudos têm mostrado que o desmatamento pode transformar as áreas exploradas em desertos ou, na melhor hipótese, em cerrados ou savanas. Além disso, também altera o regime de chuvas e, portanto, a vida na região, o que muda drasticamente a vida selvagem.</p>



<p>Devido às alterações ambientais promovidas pelos humanos, muitos animais precisam se movimentar e se adaptar a novos ambientes e a novos hospedeiros e vetores.</p>



<p>Nesse sentido, além dos aspectos climáticos, a devastação de grandes áreas da Amazônia, pelos mais diferentes propósitos (como construção de hidroelétricas e atividades agropecuárias), tem enorme potencial de alterar os equilibrados, mas frágeis e instáveis ecossistemas amazônicos.</p>



<p>Esse status, vivido desde sempre que a Amazônia começou a ser explorada, mas intensamente acelerado nos últimos anos, pode resultar em dois cenários possíveis, dentro da lógica epidemiológica infecciosa:</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-purple-color">1.</mark></strong> Se os eventos forem desfavoráveis aos vírus e outros microrganismos, esses vão desaparecer, pois é sabido que os vírus e outros micróbios nativos têm uma distribuição focal com ciclos de manutenção bastante restritos, por vezes tendo apenas um hospedeiro primário. Portanto, é de esperar que ocorra uma perda da biodiversidade com extinção de espécies ainda nem identificadas.</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-purple-color">2.</mark></strong> Se forem favoráveis para os vírus, hospedeiros e vetores, poderá vir a ocorrer a emergência deles e o risco da ocorrência de epidemias é enorme. De fato, isso foi o que ocorreu com todos os principais arbovírus epidêmicos (Chikungunya, dengue, Zika, febre amarela, encefalite japonesa etc.), que se adaptaram a novos hospedeiros (humanos) e vetores (como o mosquito <em>Aedes aegypti</em> e outros insetos hematófagos urbanos ou periurbanos) e, de modo semelhante, iniciar uma epidemia que é difícil de prever o impacto e desfecho para a população.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Casos conhecidos pela ciência</strong></h2>



<p>A combinação de alterações ambientais imensas e prolongadas e a exposição continuada de pessoas em áreas próximas (ou dentro) de florestas – permitindo um maior e mais contínuo contato com a vida e o ambiente silvestre – representam um importante risco para a emergência não somente de novos vírus e outros microrganismos patogênicos para humanos, mas, sobretudo, de essas atividades serem responsáveis pela explosão da transmissão viral em epidemias que não se sabe prever o impacto aos habitantes do planeta.</p>



<p>A ciência já conhece alguns casos de emergência de doenças na Amazônia. Vou citar apenas quatro exemplos:</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">A)</mark></strong> A emergência de malária e leishmanioses cutâneas na periferia de Manaus (AM) durante o processo de expansão da cidade;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">B)</mark></strong> A emergência de epidemias pelo vírus oropouche em área urbanas da Amazônia, principalmente no estado do Pará, devido à ocupação de novos ambientes para estabelecimento de agrovilas, cidades e abertura de estradas. O oropouche se adaptou a um pequeno inseto hematófago, o maruim <em>Culicoides paraensis</em> (também conhecido como mosquito pólvora) causando epidemias em grandes cidades amazônicas como Belém e Manaus, mas também em pequenos aglomerados populacionais;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">C)</mark></strong> A emergência na Amazônia, e em outras regiões, da hantavirose, doença que cursa com quadros de elevada letalidade da síndrome cardiopulmonar por hantavírus. Esses vírus são transmitidos por roedores silvestres, que têm emergido em áreas com intensa plantação de soja, milho e outros grãos e em áreas recém urbanizadas, geralmente fazendas que foram loteadas para construção de novos bairros na periferia das cidades e que têm grande proximidade com as florestas;</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">D)</mark></strong> A emergência de mais de 40 tipos diferentes de novos arbovírus isolados durante o enchimento do lago reservatório de Tucuruí e aumento da ocorrência de arboviroses na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vírus desconhecido ou reemergente</strong></h2>



<p>Hoje a ciência sabe que o risco associado à devastação de grandes áreas de floresta na Amazônia pode resultar não somente na emergência de vírus e outros agentes infecciosos, mas principalmente da ocorrência de uma nova epidemia ou pandemia – seja por um vírus emergente desconhecido, seja por um já conhecido e que se torne reemergente.</p>



<p>Esses riscos são enormes e as proporções podem ser devastadoras para a humanidade, os animais domésticos e os de produção. Isso já é consenso entre os cientistas.</p>



<p>Urge, portanto, ações que visem preservar a Amazônia, e financiar mais estudos para avaliar o impacto em um cenário de pandemia.</p>



<p>Finalmente, é preciso que as pessoas acreditem nos resultados dos estudos científicos e nos cenários possíveis com base na ciência, pois sabemos que as agressões à Amazônia e a outros ecossistemas florestais vão continuar. Seria ingênuo pensar que vão ser interrompidos.</p>



<p>É seguro também afirmar que muitas epidemias emergiram devido a alterações ecológicas e de ecossistemas florestais. Devemos, portanto, priorizar estudos de predição e de que epidemias ou pandemias ocorrerão cada vez com maior frequência, originando-se a partir dos ecossistemas naturais que sofreram intensas agressões.</p>



<p>Isso leva a um salto evolutivo com adaptações para a urbanização e a capacidade de causar doenças e mortes – o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, está aí para comprovar essa hipótese.</p>



<p>A Amazônia pode ser a fonte desse caos se políticas públicas visando a preservação da floresta e a produção de estudos voltados para a imediata detecção de epidemias e avaliação dos seus impactos não forem prontamente adotadas.</p>



<p><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Pedro Fernando da Costa Vasconcelos</mark></strong> <em>é médico virologista, professor do Departamento de Patologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), pesquisador do Instituto Evandro Chagas, no Pará, e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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		<title>Desafios de saúde na América Latina</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/desafios-de-saude-na-america-latina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 17:52:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#América Latina e Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[#covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[#diplomacia científica]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores discutem em novo livro as realidades de saúde da região nos anos de pandemia e a emergência de novos problemas e entraves sociais </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/desafios-de-saude-na-america-latina/">Desafios de saúde na América Latina</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 2015, a região da América Latina e Caribe observa uma deterioração dos níveis de bem-estar e aumento da pobreza. A pandemia de Covid-19 agravou essa situação e desencadeou uma crise multidimensional, caracterizada pela fragilidade das políticas econômicas, sociais e de saúde. Esse cenário também se expressa na diminuição dos níveis de crescimento econômico e da geração de empregos, aumento das pressões inflacionárias — as quais tendem a se manifestar fortemente no aumento dos preços dos alimentos e da energia —, e em quedas significativas de investimentos em áreas como saúde e meio ambiente.</p>



<p>Para mudar esse cenário, os países da região terão de trabalhar juntos para alcançar coletivamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização da Nações Unidas (ONU) para o período de 2020 a 2030, “por meio de uma diplomacia, política e científica, inclusiva, solidária e equitativa”, destacou o sanitarista Paulo Buss, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Oswaldo Cruz (Cris-Fiocruz) em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zT02DbQgV-c" target="_blank" rel="noreferrer noopener">seminário virtual</a> realizado em novembro para o lançamento do <a href="http://alasag.org/wp-content/uploads/2023/11/perspectivas-y-desafios15-11-23.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">livro</a> <em>Perspectivas y desafíos en un escenario post pandemia: fortaleciendo alianzas de salud global en América Latina y el Caribe</em>.</p>



<p>Editado pela Aliança Latino-americana de Saúde Global (Alasag), com apoio do Cris-Fiocruz, a obra (<a href="http://alasag.org/wp-content/uploads/2023/11/perspectivas-y-desafios15-11-23.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível em PDF</a>) reúne artigos escritos em português e espanhol por 20 especialistas latino-americanos, a partir de conteúdos apresentados no VII Congresso Latino-Americano de Saúde Global, realizado em novembro de 2022 em Santiago, no Chile.</p>



<p>Os trabalhos discutem e analisam as realidades de saúde na América Latina nos anos de pandemia, e a emergência de novos problemas e desafios sociais na região, como as mudanças climáticas e a insegurança alimentar, entre outras condições que aumentam as desigualdades já existentes nas comunidades latino-americanas.</p>



<p>Buss é autor de dois artigos no livro. Em um deles, escrito em coautoria com o médico Giorgio Solimano, da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, o pesquisador apresenta as principais características das várias crises que atravessam a região, com base em dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).</p>



<p>A pandemia, segundo ele, expôs as fragilidades das políticas econômicas, sociais e de saúde na região, que se expressaram em insuficiente capacidade estatal para lidar com a emergência sanitária, a fragmentação das políticas públicas e falhas de comunicação com a sociedade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“As dificuldades se agravaram em países com sistemas de proteção social frágeis e sistemas públicos de saúde subfinanciados”, comentou o Paulo Buss, da Fiocruz.</p></blockquote></figure>



<p>Isso resultou em um aumento das taxas de pobreza para níveis acima dos pré-pandemia. Estima-se que 32,1% da população da região (201 milhões de pessoas) viviam em situação de pobreza em 2022, ao passo que 13,1% (82 milhões de pessoas) viviam na pobreza extrema.</p>



<p>“Em comparação com os anos pré-pandemia, houve um aumento de aproximadamente 15 milhões de pobres e 12 milhões de pobres extremos na região”, destacou Buss. “Esta situação afeta principalmente crianças, adolescentes, mulheres com idade entre 20 e 59 anos, indígenas e afrodescendentes.”</p>



<p>Com 8,4% da população mundial, a região da América Latina e Caribe também foi uma das mais afetadas pela pandemia, respondendo por 34% dos casos de Covid-19 e 28% das mortes pela doença no mundo.</p>



<p>“A informalidade dos mercados de trabalho, a impossibilidade de praticar o distanciamento social e a superlotação das favelas brasileiras e argentinas, além da reação inicial tardia e hesitante de alguns líderes políticos regionais, contribuíram para o número excessivo de casos e mortes, especialmente entre pessoas pobres, de menor escolaridade, negros e indígenas”, destacou Buss.</p>



<p>Para reverter os estragos deixados pela pandemia e conter o avanço da pobreza será preciso adotar novos paradigmas na atenção à saúde, baseados em uma abordagem conjunta dos determinantes sociais da saúde, na detecção precoce de doenças e na redução das desigualdades em saúde.</p>



<p>“Tudo isso só poderá ocorrer se tivermos níveis adequados de financiamento em saúde e um incremento da diplomacia científica”, afirmou o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Meio ambiente</strong></h2>



<p>Outro aspecto importante da crise multidimensional que atravessa a América Latina e o Caribe é o ambiental. Os países da região respondem por 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (que contribuem para o aquecimento global), o equivalente a apenas um terço das emissões dos Estados Unidos e da União Europeia.</p>



<p>Ao mesmo tempo, a região é particularmente vulnerável aos efeitos negativos das mudanças climáticas. “As populações mais pobres são as mais vulneráveis porque estão mais sujeitas a eventos climáticos extremos, tendo menos recursos para se preparar a eles”, afirmou a geógrafa Helena Ribeiro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), que assina um dos capítulos do livro.</p>



<p>Ela e suas colaboradoras têm se debruçado sobre dados da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU que articula quase 10 mil cientistas de 60 países, para entender as dinâmicas de emissão de gases de efeito estufa nos últimos anos na América Latina e Caribe.</p>



<p>Segundo a pesquisadora, dados divulgados pela organização em 2022 indicam que houve um aumento das emissões dos três principais gases estufa na região — dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>), metano (CH<sub>4</sub>) e os óxido nítrico (NO) — no período pós-pandemia. Os efeitos da mudança no clima já são sentidos em algumas regiões.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“As geleiras andinas estão 30% menores do que em 1980, resultando em uma escassez de água em regiões que dependem de água de degelo para consumo e irrigação de lavouras no verão”, disse Helena Ribeiro, da USP.</p></blockquote></figure>



<p>Em outras áreas, chuvas intensas causam enchentes e deslizamento de terra, ceifando a vida de milhares de pessoas. Entre 2020 e 2022, foram registrados 175 desastres de origem meteorológicos na região, com perdas anuais de até US$ 3 bilhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Propagação de doenças</strong></h2>



<p>A intensificação dos eventos climáticos extremos também tem favorecido a propagação de doenças infecciosas, como dengue, malária e cólera, sobrecarregando os serviços de saúde. Têm causado ainda danos às lavouras de subsistência — que não têm sistemas de irrigação ou de drenagem de terra adequados —, agravando a insegurança alimentar na região.</p>



<p>Em 2021, em um dos períodos mais críticos da pandemia, a América Central tinha 8 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. “Além dos impactos na saúde mental desses indivíduos, essa situação contribui para a intensificação de processos migratórios dos campos para as cidades”, destacou a Ribeiro.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Desnutrição, obesidade e mudanças climáticas não são problemas opostos entre si, mas, sim, problemas impulsionados pelo mesmo sistema alimentar pouco saudável”, afirmou a médica Lorena Rodriguez Osiac, da Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile.</p></blockquote></figure>



<p>Segundo ela, para alcançar os ODS voltados à erradicação da fome e à promoção da agricultura sustentável, será necessário apoiar a transformação dos atuais sistemas agroalimentares em sistemas mais sustentáveis e resilientes, de tal forma que as bases econômicas , sociais e ambientais existentes não sejam colocados em risco. “Só assim conseguiremos garantir a segurança alimentar e nutricional para as gerações futuras”.</p>



<p>“A agenda pós-pandemia na América Latina e no Caribe precisa ser colocada em uma perspectiva ampla de transformação dos sistemas de proteção social e saúde, e das relações entre Estado, mercados e sociedade na saúde”, afirmou a psicóloga Suelen Carlos de Oliveira, professora da Universidade do Grande Rio, no Rio de Janeiro.</p>



<p>Na sua avaliação, a crise sanitária mostrou que é preciso fortalecer o caráter público dos sistemas de saúde de forma estrutural, estável e contínua, para que ele seja capaz de responder às necessidades da população.</p>



<p>“Isso implica mudanças que envolvem conflitos redistributivos, como a expansão do financiamento público e mudanças nas relações público-privadas em saúde, inclusive na prestação de serviços”, disse Oliveira.</p>



<p>De acordo com a psicóloga, também é urgente o fortalecimento das estratégias de integração regional na América Latina, a busca de um realinhamento estratégico com outros países do Sul Global, e o esforço de reorientação dos mecanismos de governança global em saúde, com base em compromissos de redução das desigualdades, promoção da equidade e da solidariedade entre nações.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/desafios-de-saude-na-america-latina/">Desafios de saúde na América Latina</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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