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	<title>#pesquisa clínica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
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	<title>#pesquisa clínica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Pesquisa Clínica por dentro: ciência, carreira e impacto na saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 14:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[#carreira]]></category>
		<category><![CDATA[#ética em pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#transição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Campo híbrido da saúde, pesquisa clínica apresenta desafios para os quais ética, regulação e protocolos são fundamentais para transformar ciência em evidência</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/ensaios/pesquisa-clinica-por-dentro-ciencia-carreira-e-impacto-na-saude/">Pesquisa Clínica por dentro: ciência, carreira e impacto na saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde cedo eu sabia que queria trabalhar na área da saúde. Cresci em meio ao ambiente hospitalar, com minha família inteira atuando nesse setor. Ainda assim, quando entrei na faculdade, não fazia ideia de que existia um campo chamado <strong>Pesquisa Clínica</strong>.</p>



<p>Depois de me formar em fisioterapia, segui o caminho mais esperado: iniciei minha trajetória no consultório, dedicada ao atendimento clínico tradicional. Mas, em 2006, um encontro mudou completamente minha <strong>perspectiva profissional</strong>.</p>



<p>Meu chefe na época, o professor Álvaro Pacheco da Silva Filho, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentou-me ao <strong>universo da pesquisa clínica</strong> por meio do estudo FAVORIT, conduzido pelo do&nbsp;<a href="https://www.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">National Institutes of Health (NIH)</a>, que investigava o uso de ácido fólico para redução de desfechos vasculares em pacientes transplantados renais.</p>



<p>A sensação foi a de descobrir um <strong>território novo dentro da própria medicina</strong>. Percebi que existia um espaço em que <strong>ciência e cuidado</strong> caminham juntos e no qual cada detalhe — de um registro clínico à condução de uma visita — tem impacto direto na <strong>geração de conhecimento</strong>.</p>



<p>Desde então, gosto de dizer que “a pesquisa clínica me escolheu”.</p>



<p>Encantada com esse universo, decidi deixar o consultório e buscar uma <strong>formação específica na área</strong>. Iniciei um curso de Pesquisa Clínica em junho de 2006 e, ao concluí-lo, em dezembro do mesmo ano, a certeza já estava consolidada: não era apenas uma nova área de atuação, mas uma nova forma de <strong>contribuir para a saúde e para a sociedade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Segurança e integridade dos dados</strong></h2>



<p>A pesquisa clínica está entre as <strong>carreiras mais dinâmicas e desafiadoras</strong> da área da saúde. Ela reúne rigor científico, responsabilidade ética e impacto direto na vida das pessoas.</p>



<p>Atuar nesse campo — seja em centros acadêmicos, seja na indústria farmacêutica — significa assumir um compromisso central: proteger a<strong> segurança dos participantes</strong> e garantir a <strong>integridade dos dados</strong> gerados nos estudos.</p>



<p>É esse cuidado que sustenta a <strong>medicina baseada em evidências</strong> e permite que novas terapias sejam incorporadas à prática clínica com <strong>segurança e responsabilidade</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A pesquisa clínica talvez seja uma das áreas mais “híbridas” da saúde, situada no encontro entre ciência, assistência, regulação e gestão de projetos.</p></blockquote></figure>



<p>Como gerente de pesquisa, diria que é uma carreira particularmente atraente para quem valoriza organização, rigor com qualidade e o <strong>trabalho em equipe multiprofissional</strong> — além da oportunidade de acompanhar um estudo desde o início até a sua conclusão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O trabalho na prática</strong></h2>



<p>Minha trajetória sempre esteve ligada a centros de pesquisa clínica. O que mais me motiva é o <strong>contato com os pacientes</strong> e a dinâmica de trabalho ao lado de equipes formadas por <strong>médicos, coordenadores, assistentes, enfermeiros e farmacêuticos</strong>.</p>



<p>Nesse ambiente, o cotidiano é orientado pelo protocolo do <strong>estudo em andamento</strong>, sempre com um objetivo claro: produzir evidências científicas com <strong>segurança, integridade de dados e conformidade ética e regulatória</strong>.</p>



<p>Entre as principais atividades da rotina estão:</p>



<p>• acompanhamento de qualificação do patrocinador;</p>



<p>• negociação de contrato e orçamento;</p>



<p>• submissão a Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) e à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep);</p>



<p>• recrutamento e triagem de participantes conforme critérios definidos no protocolo;</p>



<p>• condução das visitas dos participantes, com coleta de dados clínicos, sinais vitais, questionários e amostras biológicas;</p>



<p>• organização da documentação essencial, registros em prontuário e preenchimento do prontuário eletrônico (eCRF), além da manutenção de registros regulatórios;</p>



<p>• gestão de eventos adversos e comunicação com investigador, patrocinador, organização de pesquisa contratada (CRO) e comitê de ética em pesquisa;</p>



<p>• acompanhamento de monitorias e auditorias, demonstrando rastreabilidade e qualidade dos processos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trilhas de carreira em Pesquisa Clínica</strong></h2>



<p>Nos centros de pesquisa clínica, o <strong>desenvolvimento profissional </strong>pode seguir <strong>diferentes caminhos</strong>, de acordo com o <strong>perfil</strong> e as <strong>competências </strong>de cada profissional:</p>



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    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
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                <h3>Operações </h3>
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            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Muitos começam como assistentes de pesquisa clínica e evoluem para coordenadores de estudos, coordenadores plenos ou seniores e, posteriormente, gerentes de pesquisa. É uma área fortemente ligada à <strong>gestão de processos, prazos e qualidade de dados</strong>.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Regulatório </h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Nesse campo, o trabalho envolve a condução de trâmites junto aos sistemas CEP e Conep e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, além do atendimento às exigências de patrocinadores e CROs. Trata-se de uma área que exige <strong>rigor documental</strong>, <strong>atenção aos detalhes</strong> e planejamento preciso das<strong> etapas regulatórias</strong>.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Qualidade</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>As funções incluem assistentes, analistas, especialistas e gerentes de qualidade, responsáveis por assegurar que os estudos sejam conduzidos de acordo com o padrão internacional de <span style="text-decoration: underline"><em><a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/guia-de-boas-praticas-clinicas-ich-e6-r2/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Boas Práticas Clínicas estabelecido pelo Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos para Produtos Farmacêuticos de Uso Humano</a></em></span>. Também garantem a integridade dos dados segundo os <strong>princípios do ALCOA+</strong>: atribuível, legível, contemporâneo, original e acurado — além de completo, consistente, duradouro e disponível.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
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                <h3>Gerenciamento</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Na gestão, o foco está em garantir a execução adequada dos estudos, a capacidade operacional do centro de pesquisa e o alinhamento da equipe com o Investigador Principal, CROs e áreas de apoio. Em síntese: <strong>pessoas, prazos e qualidade</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<p>Participar de protocolos pivotais — aqueles que mais tarde transformam a prática clínica — é uma experiência difícil de traduzir em números ou relatórios. Cada estudo concluído representa muito mais do que resultados estatísticos: envolve <strong>confiança dos participantes</strong>, <strong>decisões clínicas</strong> e a possibilidade de ampliar <strong>opções terapêuticas</strong>.</p>



<p>O Brasil vive hoje um momento importante nesse campo com a promulgação da nova <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14874.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei da Pesquisa Clínica no Brasil (Lei 14.874/24)</a>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A nova legislação estabelece regras mais claras para aprovação e condução de estudos clínicos, trazendo maior previsibilidade e segurança jurídica ao setor.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Com processos potencialmente mais ágeis, o país tende a <strong>ganhar competitividade</strong> no cenário internacional, ampliando a participação em <strong>pesquisas globais</strong> e atraindo <strong>investimentos em inovação</strong>.</p>



<p>Isso significa mais oportunidades para centros de pesquisa, mais <strong>empregos qualificados</strong> e, sobretudo, maior <strong>acesso de pacientes a novas terapias</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Curva de aprendizado</strong></h2>



<p>Para quem deseja ingressar na área, a curva de aprendizado costuma ser intensa. Alguns pilares são fundamentais:</p>



<p><strong>Ética e rigor.</strong> Dominar as Boas Práticas Clínicas (BPC) é indispensável. Mais do que uma exigência formal, elas orientam todas as decisões do cotidiano.</p>



<p><strong>Organização e rastreabilidade.</strong> A rotina envolve múltiplos prazos, documentos regulatórios, treinamentos e amostras biológicas. Sistemas de controle e rotinas de conferência tornam-se ferramentas essenciais.</p>



<p><strong>Comunicação e soft skills.</strong> Saber dialogar com investigadores, patrocinadores e pacientes — muitas vezes em contextos sensíveis — exige clareza, empatia e capacidade de traduzir termos técnicos.</p>



<p><strong>Atualização regulatória constante.</strong> Acompanhar resoluções da Anvisa e do sistema CEP/Conep, além das mudanças legislativas recentes, é parte fundamental do trabalho.</p>



<p>No fim das contas, a pesquisa clínica é mais do que uma carreira. É um elo entre <strong>ciência e cuidado</strong>, entre <strong>dados e decisões médicas</strong>. Em cada protocolo conduzido há um compromisso silencioso: transformar conhecimento científico em melhores caminhos para a saúde das pessoas.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Patricia&nbsp;Monteiro Quintino</strong> <em>é fisioterapeuta, especialista em Pesquisa Clínica e mestre em Medicina Translacional pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atualmente é supervisora ​​de Pesquisa Clínica no</em><strong> </strong><em>Centro de Estudos e Pesquisas de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC (CEPHO/FMABC), supervisionando ensaios clínicos em oncologia e hematologia. Atua com gerenciamento de cronogramas de projetos, treinamento de equipe, auditorias internas, estratégias de recrutamento, visitas de monitoramento e garantia da qualidade.&nbsp;</em></p>



<p><strong>Os artigos opinativos não refletem necessariamente a visão do Science Arena e do Einstein.</strong></p>
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			</item>
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		<title>Carreira médica: como transitar entre clínica, pesquisa e indústria</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/carreira-medica-como-transitar-entre-clinica-pesquisa-e-industria/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 21:15:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#indústria]]></category>
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		<category><![CDATA[#oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com experiência em endocrinologia, pesquisa clínica e farmacovigilância, Sonia Mansoldo Dainesi compartilha conselhos para médicos que avaliam mudanças de área</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>medicina</strong>, para muitos, pode ser um chamado precoce, quase um sonho de criança. Para <strong>Sonia Mansoldo Dainesi</strong>, no entanto, a escolha não foi tão óbvia. “Eu era muito estudiosa e fazia aquilo com naturalidade, mas também por necessidade: precisava manter as notas altas para não perder a bolsa no cursinho”, relembra.</p>



<p>Seu objetivo inicial era cursar psicologia ou até mesmo educação física, já que era apaixonada por esportes. Mas o bom desempenho nos simulados a levou para a medicina – escolha que assustou seus pais pela longa duração do curso.</p>



<p>Filha de uma costureira e de um operário, foi a primeira das três irmãs a buscar o ensino superior. Entrou nas <strong>universidades Federal de São Paulo (Unifesp)</strong> e <strong>de São Paulo (USP)</strong>, escolhendo estudar nesta última, onde se formou em 1982.</p>



<p>Após a residência em <strong>endocrinologia</strong>, seguiu o caminho tradicional: abriu consultório e trabalhou em centros de saúde. Até que, em um domingo, um anúncio de classificados mudaria tudo.</p>



<p>“Na sessão de empregos, havia um classificado pedindo médico para a indústria. Eu não tinha ideia do que se fazia na indústria, não conhecia ninguém, mas pensei: ‘Ah, sei lá, eu sempre fui muito curiosa, vamos mandar um currículo e ver o que acontece’. E foi exatamente assim que começou a minha carreira na <strong>indústria farmacêutica</strong>”, recorda.</p>



<p>Na antiga Rhodia Farma, conciliou a clínica com o novo emprego. De dia, trabalhava na área regulatória da empresa, preparando dossiês para submissão a agências. No final do dia, atendia no consultório e em centros de saúde.</p>



<p>A experiência se ampliou em 1990, quando foi morar por dois anos na Holanda. No estágio na <strong>Free University of Amsterdam</strong>, combinou sua especialidade em endocrinologia com a <strong>pesquisa clínica</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>Essa vivência acabou consolidando sua escolha por deixar a clínica e seguir carreira na indústria.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pesquisa clínica e novos horizontes</strong></h2>



<p>De volta ao Brasil, ingressou em outra farmacêutica, na área hoje conhecida como <em>medical affairs,</em> oferecendo suporte a setores de marketing e comercial. “Qualquer coisa que você for dizer referente a um medicamento, tem que ser baseado em evidência, não é simples fazer propaganda”, explica.</p>



<p>Gradualmente, ampliou sua atuação para a <strong>farmacovigilância</strong> — área dedicada a monitorar medicamentos após a comercialização. “Tudo sempre foi acontecendo de forma muito natural. A farmacovigilância é mais um desses exemplos, onde tenho, inclusive, artigos publicados sobre o tema”, conta.</p>



<p>Mais tarde, entrou no campo de <strong>pesquisa clínica em oncologia</strong>, repleto de desafios e alta demanda por inovação. “Foi um desafio enorme. Mas, por outro lado, foi uma área que acabou me dando uma oportunidade boa, porque a oncologia tinha e continua tendo uma necessidade de novos medicamentos muito grande, surgem novas drogas a todo tempo. Pude presenciar a evolução de tratamentos usados até hoje, incluindo imunobiológicos e ‘drogas alvo’”, relembra.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O retorno à academia e ao Sistema Único de Saúde (SUS)</strong></h2>



<p>Em 2005, após sair de uma farmacêutica em decorrência de uma fusão, Dainesi foi convidada a estruturar centros de pesquisa clínica no <strong>Hospital das Clínicas da USP</strong>. “Foi delicioso voltar à academia”, diz.</p>



<p>A experiência a levou a um doutorado em medicina preventiva, relacionado à pesquisa clínica e concluído em 2011.</p>



<p>Esse percurso acadêmico lhe deu clareza sobre os diferentes papéis de cada setor. Participou ainda da criação da Rede Nacional de Pesquisa Clínica do Ministério da Saúde, que ampliou os investimentos nos centros de pesquisa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“A academia gera conhecimento, muitas vezes ainda sem valor agregado imediato. O setor privado desenvolve medicamentos e busca lucro. E o governo conecta tudo isso em larga escala.” resume.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estigma e integração entre mundos</strong></h2>



<p>Migrar da clínica para a indústria, nas décadas de 1980 e 1990, não era bem-visto. “Antigamente, um médico que migrava era visto como alguém que ‘traiu a medicina’ ou não gostava de cuidar de pacientes – prática que eu mais senti saudades na migração”, conta.</p>



<p>Hoje, acredita que o cenário é diferente, em parte devido à <strong>pandemia</strong>. “Brinco que, por exemplo, a pandemia foi uma coisa, entre muitas aspas, útil, para as pessoas entenderem a metodologia e importância da pesquisa. O preconceito diminuiu”, avalia. Ainda assim, defende mudanças de mentalidade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-text-align-left"><blockquote><p>“É fundamental acabar com a ideia de que um profissional da iniciativa privada não é ‘bom’ ou não tem ‘boa índole’. É necessário divulgar mais sobre as oportunidades existentes na indústria para profissionais de saúde e como essa transição pode acontecer”, afirma Dainesi.</p></blockquote></figure>



<p>Ela sugere maior aproximação entre os setores: “Tanto a academia deve abrir espaço para profissionais da indústria, como aconteceu comigo no HC, quanto o mundo corporativo deve valorizar PhDs e pesquisadores técnicos, mesmo que não entendam de negócios inicialmente, pois seu conhecimento científico é crucial”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conselhos de carreira</strong></h2>



<p>Ao olhar para trás, Sonia afirma que cada mudança a moldou como profissional. Para jovens médicos e pesquisadores, deixa recomendações práticas:</p>



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                <p>Dê vazão à sua vontade de migrar ou experimentar novas áreas. E saiba que pode voltar.</p>
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                <h3>Mantenha conexões</h3>
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                <p>Deixe boas relações por onde passar, elas abrem portas.</p>
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                <h3>Teste possibilidades</h3>
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                <p>Experimente novas funções sem abandonar totalmente a clínica.</p>
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                <h3>Não perca o paciente de vista</h3>
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                <p>Independentemente do setor, o objetivo do médico é cuidar de pessoas.</p>
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                <h3>Dedicação e estudo</h3>
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                <p>Persistência e preparo são fundamentais para vencer preconceitos.</p>
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</script>


<p>“A minha própria experiência, desde a infância humilde até todas as mudanças que a vida me proporcionou, me moldaram e me fizeram acreditar na importância dos meus princípios e valores, independentemente do ambiente de trabalho”, avalia.</p>
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		<item>
		<title>Falta de médicos na pesquisa clínica acende alerta no Reino Unido</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/falta-de-medicos-na-pesquisa-clinica-acende-alerta-no-reino-unido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Caio Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 18:15:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#formação]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
		<category><![CDATA[#medicina]]></category>
		<category><![CDATA[#NHS]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relatório do Conselho de Pesquisa Médica defende ação coordenada para reverter declínio de profissionais médicos atuando com pesquisa científica no país</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O número de médicos, cirurgiões, anestesistas e clínicos gerais especializados em pesquisa clínica está diminuindo no Reino Unido — e a tendência é que o problema se agrave nos próximos anos. A força de trabalho está envelhecendo e não vem sendo renovada em ritmo suficiente.</p>



<p>O alerta consta do relatório <a href="https://www.ukri.org/wp-content/uploads/2025/01/MRC-290125-ClinicalResearchersReversingTheDecline.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Clinical Researchers in the United Kingdom: Reversing the Decline to Improve Population Health and Promote Economic Growth</em></a>, publicado no fim de janeiro pelo Conselho de Pesquisa Médica (MRC), responsável por coordenar e financiar a pesquisa médica no país.</p>



<p>Segundo o documento, o número de médicos atuando em pesquisa clínica caiu 6% entre 2012 e 2022. O recuo é atribuído a fatores como dívidas estudantis, pressões financeiras sobre profissionais e instituições, incerteza na trajetória de carreira, mudanças demográficas e alterações nos programas de formação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Impactos para a saúde pública e para a economia</h2>



<p>Essa tendência pode trazer impactos relevantes para o sistema público de saúde britânico (NHS) e para a economia do país. A pesquisa clínica é considerada um motor de inovação, capaz de aprimorar estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças — e de aumentar a sustentabilidade do NHS.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Hospitais que investem em pesquisa registram menores taxas de mortalidade”, destaca o relatório.</p></blockquote></figure>



<p>O Reino Unido tem tradição e reconhecimento internacional na área, e a pesquisa médica contribui de forma direta para o crescimento econômico. Cada libra investida em pesquisa clínica gera um retorno de 0,25 centavos anuais, segundo o relatório. O setor também atrai investimentos de grandes indústrias globais interessadas em instalar centros de pesquisa biomédica no país e fomenta o surgimento de startups e spin-offs em áreas como farmacêutica, ciência de dados e tecnologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Medidas urgentes e sem novos custos</h2>



<p>De acordo com o MRC, reverter essa tendência não exigiria novos aportes financeiros, mas sim uma resposta urgente e coordenada entre governo e outros atores da área da saúde e ciência.</p>



<p>O relatório propõe 15 ações prioritárias. Entre elas, está a criação de pelo menos 40 novas vagas em pesquisa clínica por ano, durante cinco anos, para recuperar o número de profissionais ativos desde 2012.</p>



<p>Também recomenda a criação de uma estrutura nacional comum de carreira para pesquisadores clínicos, com formação voltada à competição internacional. O percurso de formação, segundo o documento, deve ser mais rápido e flexível.</p>



<p>Outros pontos destacados incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>investimento em liderança e mentoria para atrair novos talentos;</li>



<li>remuneração mais equitativa e transparente;</li>



<li>mecanismos robustos para avaliar desempenho;</li>



<li>monitoramento contínuo do impacto das medidas</li>
</ul>
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		<title>IA pode aumentar precisão de ensaios clínicos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/pesquisa-clinica-inteligencia-artificial-gpt-llm/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jan 2025 14:29:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#aprendizado de máquinas]]></category>
		<category><![CDATA[#estudos clínicos]]></category>
		<category><![CDATA[#inovação]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo revela que modelos GPT-4 superam especialistas na seleção de pacientes com insuficiência cardíaca, otimizando a inclusão em testes clínicos e diminuindo custos operacionais</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Soluções baseadas em <strong>grandes modelos de linguagem</strong> (LLM) – um método de aprendizado de máquina a partir de enormes bases de dados – pode melhorar de forma significativa o <strong>desempenho da</strong> <strong>triagem de voluntários em ensaios clínicos</strong>, automatizando o processo e reduzindo os custos.</p>



<p>Essa é a conclusão de pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, <a href="https://ai.nejm.org/doi/abs/10.1056/AIoa2400181" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em estudo publicado</a> na revista <em>The New England Journal of Medicine (NEJM)</em>.</p>



<p>Partindo da premissa de que <strong>realizar um ensaio clínico é um processo trabalhoso</strong>, sujeito a erros e que requer tempo e recursos significativos, os autores utilizaram o <strong>Generative Pre-trained Transformer 4</strong> (GPT-4) – a quarta geração da série de LLM, da empresa <strong>OpenAI</strong> – para realizar um <strong>estudo piloto</strong> dentro do Programa Cooperativo para Implementação da Terapia Ideal na Insuficiência Cardíaca.</p>



<p>Denominado como <strong>COPILOT-HF</strong>, a ferramenta é uma iniciativa randomizada e aberta dentro do sistema de saúde do Mass General Brigham, que testa <strong>estratégias de atendimento remoto</strong> para <strong>otimizar a prescrição de terapias médicas</strong> orientadas por diretrizes em <strong>pacientes com insuficiência cardíaca</strong>.</p>



<p>Para determinar a <strong>elegibilidade dos pacientes</strong> para o estudo, foi desenvolvida a Infraestrutura de Ensaios Clínicos Habilitada para RAG para Revisão de Exclusão de Inclusão (RECTIFIER), um sistema de resposta a perguntas baseado em notas clínicas desenvolvido por RAG e GPT-4.</p>



<p>Na metodologia adotada, foram usadas notas clínicas de 100, 282 e 1.894 pacientes – com uma média de 12 anotações por paciente – para, a partir destes três conjuntos de dados, desenvolver, validar e testar a verificação de <strong>desempenho do modelo</strong> proposto. </p>



<p>Paralelamente à triagem feita pela equipe do estudo RECTIFIER e COPILOT-HP, um médico especialista conduziu uma revisão cega para estabelecer respostas “padrão ouro” para as treze questões de critério-alvo de inclusão e exclusão de pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Alta precisão</mark></strong></h2>



<p>Os resultados demonstram que, com base no alinhamento com as respostas “padrão ouro” do médico especialista, o processo de IA apresentou <strong>precisão de 97,9%</strong>, enquanto a equipe do estudo (que avaliou os mesmos registros) apresentou precisão de 91,7% no <strong>recrutamento de pacientes</strong> com insuficiência cardíaca sintomática para ensaio clínico.</p>



<p>Além disso, o modelo apresentou sensibilidade de 92,3% e especificidade de 93,9% com os modelos de IA.</p>



<p>“Este resultado foi uma surpresa, melhor do que esperávamos”, disse ao <strong>Science Arena</strong> o cardiologista <a href="https://connects.catalyst.harvard.edu/Profiles/display/Person/171176" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alexander Jordan Blood</a>, do Brigham and Women&#8217;s Hospital, pesquisador da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e coautor do estudo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“Estamos contribuindo para a compreensão de que estas novas ferramentas de IA podem melhorar a velocidade, a precisão e diminuir o custo de inscrição em ensaios clínicos”, afirma Blood.</p></blockquote></figure>



<p>O estudo RECTIFIER e COPILOT-HP destaca que, com a estratégia de pergunta única, foi possível determinar a elegibilidade dos <strong>critérios de seleção</strong> a um custo médio de 11 centavos de dólar por paciente, enquanto a abordagem de perguntas combinadas teve um custo médio de apenas 2 centavos por paciente.</p>



<p>Como comparação, o custo aproximado do modelo tradicional de triagem é de US$34,75. &nbsp;“É um sinal de que a inteligência artificial possibilita, mesmo com menor aporte financeiro, viabilizar um <strong>maior número de ensaios clínicos</strong>”, observa Blood.</p>



<p>Ainda de acordo com o pesquisador, a utilização de IA em ensaios clínicos pode acelerar o processo de determinar se uma terapia é eficaz. Ele vislumbra que os <strong>ensaios ficarão mais baratos e equitativos</strong>, sem sacrificar a segurança.</p>



<p>Assim, os <strong>medicamentos</strong>, desenvolvidos a partir do cumprimento das fases de um teste clínico, poderão chegar aos pacientes mais rapidamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Perigos potenciais</mark></strong></h2>



<p>Em ensaios clínicos, são inscritos candidatos que atendem aos <strong>critérios específicos</strong> (inclusão e não-exclusão), associados, por exemplo, com idade, diagnósticos, principais indicadores de saúde, comorbidades e medicamentos atuais ou passados.</p>



<p>Esses critérios ajudam o pesquisador a aumentar a garantia de que sejam inseridos no estudo participantes que, de fato, possam se beneficiar do tratamento.</p>



<p>Esse processo também ajuda a evitar a inclusão de pacientes que tenham problemas de saúde não-relacionados ou que estejam tomando medicamentos que possam interferir nos resultados.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O objetivo (com a utilização do GPT-4 na triagem de ensaios clínicos) é aumentar a precisão, eficiência e confiabilidade. Contudo, paralelamente, <strong>pode haver uso indevido da tecnologia</strong>, resultando em <strong>preconceitos</strong> de seleção e <strong>preocupações éticas</strong> e <strong>técnicas</strong>.</p></blockquote></figure>



<p>Antes da <strong>automatização completa do processo de triagem</strong>, orientam os pesquisadores, é importante considerar cuidadosamente todos os <strong>perigos potenciais</strong> e implementar <strong>estratégias de mitigação</strong> adequadas.</p>



<p>Além disso, embora o estudo ofereça insights e <strong>aplicações promissoras do GPT-4</strong> na triagem de ensaios clínicos, estes devem ser interpretados com uma compreensão da natureza específica do contexto das descobertas.</p>



<p>À medida que há progressos, reforçam os cientistas, deve-se continuar a <strong>aperfeiçoar estas tecnologias</strong>, garantindo a sua aplicabilidade num espectro de cenários clínicos, garantindo a <strong>integridade contínua dos ensaios</strong>. </p>



<p>Os autores ressaltam que aplicação do RECTIFIER na área médica não se limita apenas aos ensaios clínicos. A estrutura poderia ajudar a resolver lacunas na qualidade dos <strong>cuidados para doenças</strong> como a <strong>insuficiência cardíaca</strong>, fornecer uso de medicamentos orientado por diretrizes e ajudar na <strong>gestão da saúde</strong> da população.</p>
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		<item>
		<title>Para diminuir custos e aumentar diversidade em estudos clínicos</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-clinicas-regulacao-fda-diversidade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jan 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[#doenças crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[#estudos descentralizados]]></category>
		<category><![CDATA[#estudos randomizados]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Agência reguladora norte-americana sugere analisar eficácia de tratamentos unindo estudos observacionais com coletas de dados específicas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os <strong>estudos clínicos randomizados</strong> são aqueles necessários para a <strong>aprovação de novos medicamentos e tratamentos</strong> por agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil e a Food and Drug Admnistration (FDA) nos Estados Unidos.</p>



<p>Bastante complexos, tais estudos são custosos, o que às vezes inviabiliza sua execução.</p>



<p>Já os chamados<strong> estudos observacionais</strong> acompanham pacientes que fazem determinados tratamentos, a fim de avaliar alguma condição de saúde e os efeitos dos medicamentos usados.</p>



<p>Embora não desempenhem tanto controle das condições, os estudos observacionais têm como vantagem o <strong>uso de dados da vida real</strong>, incluindo um número maior de pacientes, o que pode proporcionar a <strong>detecção de efeitos adversos de magnitude elevada</strong>, mas pouco frequentes.</p>



<p><a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2819603" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em artigo publicado no periódico <em>JAMA</em></a>, da <a href="https://www.ama-assn.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Americana de Medicina</a>, profissionais da FDA defendem um <strong>meio termo entre esses dois tipos de testes</strong>: os <strong>estudos clínicos pragmáticos</strong>.</p>



<p>De acordo com os autores, essa área de pesquisa merece mais atenção e ênfase.</p>



<p>“[Este tipo de estudo clínico] apresenta <strong>desenhos simplificados</strong>, prospectivos, ajustados para responder a uma questão específica, focada, e por vezes pode aplicar randomização, apesar de outros desenhos poderem ser usados”, escreveram Ali Abbasi, Lesley Curtis e Robert Califf. </p>



<p>Para os autores, um <strong>sistema de geração de evidências integrado à rotina de tratamento</strong> após a aprovação inicial dos medicamentos pode ser bastante promissor para <strong>avaliar riscos e benefícios</strong>, algo nem sempre totalmente contemplado no sistema de avaliação atual.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="831" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-831x1200.jpg" alt="" class="wp-image-5274" style="width:698px;height:auto" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-831x1200.jpg 831w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-554x800.jpg 554w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-277x400.jpg 277w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-768x1108.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-1064x1536.jpg 1064w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1-104x150.jpg 104w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2025/01/EinsteinSA_Info_EstudosClinicos_v2-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 831px) 100vw, 831px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Custos altos e baixa diversidade</mark></strong></h2>



<p>Os autores do artigo informam que este tipo de pesquisa é bastante promissor quando <strong>incorporado aos sistemas de saúde</strong>, podendo ajudar os pesquisadores a evitar problemas típicos dos estudos clínicos tradicionais.</p>



<p>Um deles, o <strong>alto custo</strong>, por vezes proibitivo, assim como a <strong>baixa diversidade</strong>, que pode ocorrer quando os testes clínicos são <strong>conduzidos em centros não representativos</strong> de todas as configurações e populações de pacientes.</p>



<div style="height:11px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Clique aqui para saber mais sobre o esforço de pesquisadores para tornar estudos clínicos mais diversos e representativos</mark></em></strong></h2>



<div class="wp-block-buttons is-horizontal is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex">
<div class="wp-block-button has-custom-font-size is-style-fill" style="font-size:18px"><a class="wp-block-button__link has-text-color has-background has-link-color wp-element-button" href="https://www.sciencearena.org/noticias/estudos-clinicos-descentralizados-diversidade/" style="color:#374645;background-color:#00f201" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Estudos clínicos mais centrados nos pacientes</strong></a></div>



<div class="wp-block-button has-custom-font-size" style="font-size:18px"><a class="wp-block-button__link has-text-color has-background has-link-color wp-element-button" href="https://www.sciencearena.org/en/news/decentralized-clinical-trials-diversity/" style="color:#374645;background-color:#00f201" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>More patient-centric clinical trials</strong></a></div>
</div>



<div style="height:25px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Um sistema de geração de evidências integrado à rotina de tratamento após a aprovação inicial dos medicamentos é bastante promissor, diz o paper, para <strong>avaliar riscos e benefícios</strong>, algo nem sempre contemplado no sistema de avaliação atual.</p>



<p>Isso é particularmente verdadeiro em muitas áreas terapêuticas, mas especialmente para <strong>doenças crônicas comuns</strong>, como condições cardiovasculares, pulmonares, renais, diabetes tipo 2 e Alzheimer. </p>



<p>Nesses casos, completam, extensos estudos clínicos são necessários, uma vez que os efeitos dos tratamentos são por vezes modestos, enquanto os riscos e benefícios são <strong>distribuídos de forma heterogênea</strong> entre as populações afetadas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>De acordo com o artigo, a agência norte-americana FDA tem interesse em pesquisa clínica pragmática após a aprovação inicial do tratamento em várias áreas importantes.</p></blockquote></figure>



<p>“Há uma <strong>necessidade de dados robustos</strong> para informar a prática clínica, particularmente estudos confirmatórios pós-mercado”, ressaltam os autores.</p>



<p>“Estes testes podem se assemelhar mais às condições da prática do mundo real do que os estudos clínicos tradicionais. Podem, ainda, aproveitar <strong>desenhos mais pragmáticos</strong> para focar em elementos-chaves necessários para confirmar benefícios e riscos para as populações pretendidas”, escrevem. </p>



<p>Para recrutar uma <strong>amostra ampla e diversa de pacientes</strong> com baixo custo, além do desenho simplificado dos estudos, os autores sugerem utilizar como fontes de dados <strong>registros eletrônicos de saúde</strong>, <strong>sensores vestíveis</strong> – que coletam dados de saúde de quem os usa – e <strong>métodos virtuais</strong> incorporados à prática clínica.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/pesquisas-clinicas-regulacao-fda-diversidade/">Para diminuir custos e aumentar diversidade em estudos clínicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Dec 2024 16:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreiras]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#diagnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[#Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[#gerontologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bióloga lidera pesquisa que busca desenvolver método simples e menos invasivo para diagnosticar a doença que acomete sua mãe</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/">Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há três anos, Maria Ivone Valentini Cominetti foi diagnosticada com a <strong>doença de Alzheimer</strong>. “Ela começou com os sintomas típicos de <strong>perda de memória</strong>”, comenta Márcia Cominetti, 49, filha de Maria Ivone. A bióloga é especialista em Alzheimer e coordena o Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior paulista.</p>



<p>“Não sei se foi destino ou coincidência”, diz Cominetti sobre o surgimento da doença da mãe. “Não sei se é bom saber tudo o que pode acontecer com ela, ou se a ignorância seria melhor nesse caso, mas cada pessoa com demência é uma. <strong>A progressão depende de muitos fatores</strong>”, afirma.</p>



<p>No caso de Maria Ivone, ela continua ótima, animada e feliz, segundo a filha. &#8220;Ela está ciente de tudo, tem suas opiniões e se mantém ativa desde o diagnóstico. A doença está progredindo lentamente no caso dela&#8221;, conta.</p>



<p>Entre as investigações mais recentes de Cominetti está a busca por um <strong>método mais certeiro no diagnóstico de Alzheimer</strong>, algo que seja tão simples quanto um exame de sangue.</p>



<p>Atualmente, o Alzheimer é diagnosticado por meio de <strong>questionários sobre cognição e memória</strong>. Se o paciente não atingir uma pontuação esperada para sua idade e escolaridade, o médico pode pedir exames bioquímicos para avaliar se há deficiências nutricionais causando algum tipo de demência, ou exames de imagem, como uma ressonância magnética ou uma tomografia, que podem ajudar a confirmar o diagnóstico.</p>



<p>Outro exame que pode ajudar na detecção é o de <strong>punção lombar</strong>, um tipo de procedimento de coleta de uma amostra de <strong>líquido cefalorraquidiano</strong> (que circula pelo sistema nervoso central).</p>



<p>“Os exames de imagem são caros e nem todo lugar tem os aparelhos”, explica a pesquisadora. “Já a punção lombar é um <strong>exame invasivo</strong> que pode trazer dores e efeitos colaterais, especialmente em pessoas idosas que podem ter outras comorbidades, e os questionários não são suficientes para fechar o diagnóstico.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“A possibilidade de um exame de sangue é importante para desenvolver uma maneira mais barata, menos invasiva e mais precisa de diagnosticar o Alzheimer”, diz Cominetti.</p></blockquote></figure>



<p>Em casos de suspeita de Alzheimer, a ideia é que sejam rastreadas <strong>proteínas específicas </strong>relacionadas à doença diretamente no sangue. Há algum tempo as <strong>proteínas tau e beta-amiloide</strong> são relacionadas ao diagnóstico e buscadas por neurologistas em exames de ressonância magnética.</p>



<p>No sangue, elas ficam muito diluídas para serem encontradas, mas <strong>uma terceira proteína pode fornecer pistas importantes</strong>, a chamada <strong>ADAM10</strong>, que impede a formação da beta-amiloide.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg" alt="Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5175" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-900x1200.jpg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-600x800.jpg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-300x400.jpg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-768x1024.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1152x1536.jpg 1152w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-1536x2048.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-113x150.jpg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Retrato-Cominetti-2-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti, bióloga e especialista em envelhecimento, combina ciência e experiência pessoal para buscar diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>Em altas dosagens no plasma de indivíduos com Alzheimer, pode indicar que ela não está atuando no cérebro e, portanto, facilitando a progressão da doença.</p>



<p>&#8220;Até alguns anos atrás, não existia um equipamento sensível o suficiente para encontrar esses biomarcadores pelo sangue, era só pelo líquor que circula pelo cérebro”, diz Cominetti. </p>



<p>“Agora, porém, existem aparelhos ultrassensíveis que possibilitam exames muito menos invasivos”, comemora a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Validação de biomarcador</mark></strong></h2>



<p>Desde 2017, cientistas do LABEN, sob liderança de Cominetti, têm investigado a ADAM10 e buscado validá-la como <strong>biomarcador do sangue para diagnosticar o Alzheimer</strong>. A pesquisa está na fase de testes com <strong>voluntários acima de 60 anos</strong>.</p>



<p>“Tomamos muito <strong>cuidado na abordagem</strong> com essas pessoas porque, por incrível que pareça, depois dos últimos anos de governo, elas se assustam quando se fala de participar de pesquisa, <strong>se sentem como cobaias</strong>”, conta a bióloga.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1200" height="900" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg" alt="Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5178" style="aspect-ratio:16/9;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1200x900.jpg 1200w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-800x600.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-400x300.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-768x576.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti-150x113.jpg 150w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Laboratorio-Cominetti.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption class="wp-element-caption">Equipe do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) da UFSCar, liderado pela bióloga Márcia Cominetti | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>“Então explicamos que vamos fazer uma avaliação de saúde e que estamos trabalhando na busca por um diagnóstico precoce do Alzheimer”, diz.</p>



<p>O segredo, diz Cominetti, é ter sensibilidade e empatia em relação aos voluntários. “Existem formas de conversar com uma pessoa idosa. É preciso ter cuidado, paciência e estudar as melhores estratégias”, aconselha Marcia Cominetti, da UFSCar.</p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-background-color has-background has-medium-font-size"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Mais informações sobre o Alzheimer</mark></strong></p>



<p><em><strong>Clique nos tópicos abaixo para saber mais:</strong></em></p>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Quantas pessoas vivem com Alzheimer no mundo?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Em todo o mundo, o número chega a 50 milhões de pessoas que vivem com a doença. De acordo com estimativas da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span>, os números podem chegar a 74,7 milhões em 2030, e 131,5 milhões em 2050, em decorrência do envelhecimento da população. A <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.paho.org/en/campaigns/time-to-act-on-dementia" target="_blank" rel="noopener">Organização Pan-americana da Saúde</a></span> (Opas) estima que 10,3 milhões de pessoas vivem com essa doença na região das Américas.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>A doença pode ser desacelerada ou até prevenida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>Um <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">estudo publicado em agosto na revista <em>The Lancet</em></a> </span>calcula que até 45% de todas as demências poderiam ser retardadas, desaceleradas ou até prevenidas. Lembrando que o Alzheimer é a forma mais comum de demência nos seres humanos.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que fazer para reduzir o risco da doença ao longo da vida?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>O <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener">trabalho publicado</a></span> na <em>The Lancet </em>traz recomendações específicas para reduzir o risco de Alzheimer e demências em geral. Muitas delas exigem esforços coletivos e a elaboração de políticas públicas. Algumas medidas são:</p>
<ul>
<li>Garantir educação de boa qualidade para todos e incentivar atividades cognitivamente estimulantes na meia-idade;</li>
<li>Tratar a depressão de forma eficaz;</li>
<li>Incentivar a prática de exercícios físicos;</li>
<li>Reduzir o tabagismo por meio de educação, controle de preços e prevenção do fumo em locais públicos;</li>
<li>Detectar e tratar a elevação do colesterol de baixa densidade (LDL), conhecido como “colesterol ruim”;</li>
<li>Reduzir o alto consumo de álcool por meio do controle de preços e maior conscientização da população sobre os níveis e riscos do consumo excessivo;</li>
<li>Reduzir a exposição à poluição do ar;</li>
<li><a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(24)01296-0/fulltext" target="_blank" rel="noopener"><span style="text-decoration: underline">Entre outras recomendações</span></a>.</li>
</ul>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Por que não podemos mais falar em “mal” de Alzheimer?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com a <span style="text-decoration: underline"><a href="https://febraz.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Federação Brasileira de Associações de Alzheimer</a></span> (Febraz) – que coordena no Brasil a campanha <span style="text-decoration: underline"><a href="https://setembrolilas.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Setembro Lilás – Mês Mundial de Conscientização sobre Alzheimer</a></span> –, o Alzheimer não é um mal, mas uma doença como outras. A entidade recomenda substituir termos como “mal de Alzheimer” e “portadores da doença de Alzheimer” por “pessoas que vivem com Alzheimer”.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>O que se sabe sobre o estigma associado à doença?</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>De acordo com o <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/u/World-Alzheimer-Report-2024.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório Mundial de Alzheimer de 2024</a></span>, 88% das pessoas que vivem com demência relatam sofrer discriminação.</p>
<p>O relatório é apoiado por uma pesquisa global com mais de 40.000 indivíduos em 166 países.</p>
<p>O estudo indica que a falta de conhecimento também é presente entre profissionais da saúde: 65% deles acreditam incorretamente que o Alzheimer e demências em geral são uma parte ‘normal do envelhecimento’.</p>
<p>Além disso, mais de um quarto das pessoas no mundo todo acredita incorretamente que não há nada que possamos fazer para prevenir a demência, com esse número aumentando de 20%, em 2019, para 37% em 2024 em países de baixa e média renda.</p>
<p>O relatório da <span style="text-decoration: underline"><a href="https://www.alzint.org/" target="_blank" rel="noopener">Alzheimer’s Disease International</a></span> alerta que a falta de compreensão sobre a doença pode atrasar o diagnóstico e o acesso ao tratamento.</p>
            </dd>
        </div>

        
    </dl>
    
</div>


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<p>Para Cominetti, é surpreendente como algumas pessoas que têm a confirmação da doença em estágio inicial mantêm uma vida ativa. “Elas sabem que têm o diagnóstico e vão contornando; se esquecem uma palavra, usam outra parecida”, conta a pesquisadora.</p>



<p>“É bonito ver como as pessoas lidam com a demência sabendo que a têm, como encontram estratégias para continuar vivendo o mais ativamente possível e o melhor que puderem.”</p>



<p>No começo da doença, os pacientes são hábeis para dar opiniões e tomar decisões, “Acham que quando a pessoa tem demência, é o fim, mas não. A pessoa ainda tem opiniões e sentimentos. O que acontece é que, na fase mais grave, fica difícil de interpretar os sinais que ela dá sobre isso”, afirma a bióloga.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Uma trajetória moldada pela ciência</mark></strong></h2>



<p>Cominetti é fascinada pelo <strong>estudo do envelhecimento</strong>, mas nem sempre foi assim. No início de sua carreira, logo após sua formatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1998, trabalhou com biologia celular em um projeto com camarões.</p>



<p>No doutorado, já na UFSCar, a catarinense estudou <strong>serpentes venenosas</strong>. “Existem várias moléculas no veneno das serpentes que produzem hemorragias e inibem a proliferação de algumas células, o que tem relação com o <strong>câncer</strong>, que nada mais é do que uma proliferação descontrolada de células em diferentes tecidos”, conta.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="1200" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg" alt="Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal" class="wp-image-5180" style="aspect-ratio:3/2;object-fit:cover" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-900x1200.jpeg 900w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-600x800.jpeg 600w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-300x400.jpeg 300w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-768x1024.jpeg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae-113x150.jpeg 113w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/12/Cominetti-e-Mae.jpeg 960w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Cominetti e sua mãe, Maria Ivone, um ano após receber o diagnóstico de Alzheimer: “Ela continua ótima, animada e feliz”, conta a filha | Imagem: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<p>A pesquisa sobre a função dessas <strong>moléculas em casos de câncer</strong> a levou a viver por um ano em Paris, na França, onde enfrentou dificuldade com o idioma, mas viveu uma experiência marcante – assim como na Irlanda, onde dominou mais facilmente o inglês e fez parte do <a href="https://www.gbhi.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Global Brain Health Institute</a> (GBHI) na Trinity College.</p>



<p>De volta ao Brasil em 2006, continuou a pesquisa com uma bolsa de pós-doutorado por cerca de três anos, até passar em um concurso para lecionar no curso recém-inaugurado de gerontologia na UFSCar.</p>



<p>“Acho que ninguém sabia direito o que era isso”, brinca.</p>



<p>Com a missão de ensinar disciplinas básicas sobre o envelhecimento, Cominetti precisou também estudar. “Como bióloga, eu entendia as bases do envelhecimento, mas tive que aprender muita coisa que estava fora da minha rotina”, relembra.</p>



<p>E quando ela começou a entender mais sobre envelhecimento, apaixonou-se. “Acho que a gente não faz o caminho, mas o caminho vai fazendo a gente, nos moldando.”</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Prestes a completar 50 anos e com quase 25 de conhecimento acumulado sobre biologia, células, proteínas e envelhecimento, Cominetti espera conseguir preparar sua família para o que está por vir com o avanço do Alzheimer de Maria Ivone, sua mãe.</p></blockquote></figure>



<p>“Faço com ela tudo o que falo nos meus cursos que deve ser feito: <strong>atividade física</strong>, <strong>estimulação cognitiva</strong> – levei materiais de estimulação cognitiva que usamos no laboratório para ela – e digo para ela continuar indo ao supermercado”, diz a pesquisadora, que mora longe da mãe, mas se faz presente e divide o trabalho do cuidado com sua irmã.</p>



<p>“Acho que facilita as coisas, porque eu sei os próximos passos, mas também fica mais difícil porque eu sei”, reflete.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/carreiras/marcia-cominetti-ciencia-e-empatia-contra-o-alzheimer/">Márcia Cominetti: ciência e empatia contra o Alzheimer</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<item>
		<title>Esforço colaborativo para desvendar a síndrome de Down</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/sindrome-de-down-joaquin-espinosa-nih/</link>
					<comments>https://www.sciencearena.org/entrevistas/sindrome-de-down-joaquin-espinosa-nih/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 21:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[#NIH]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa translacional]]></category>
		<category><![CDATA[#síndrome de down]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com foco na medicina personalizada, biólogo argentino Joaquin Espinosa detalha como avanços na pesquisa podem antecipar riscos e melhorar a vida de pessoas com Down</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/sindrome-de-down-joaquin-espinosa-nih/">Esforço colaborativo para desvendar a síndrome de Down</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em encontro com pesquisadores brasileiros no Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – Campus Cecília e Abram Szajman –, em São Paulo, o biólogo argentino <strong>Joaquin Espinosa</strong> destacou as novas <strong>descobertas e oportunidades terapêuticas</strong> relacionadas à <strong>síndrome de Down</strong>.</p>



<p>Espinosa é diretor-executivo do&nbsp;<a href="https://medschool.cuanschutz.edu/linda-crnic-institute">Linda Crnic Institute for Down Syndrome</a>,&nbsp;um dos principais centros de pesquisa em Down do mundo, sediado na&nbsp;Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Fundado em 2008, o instituto é responsável por <strong>plataformas translacionais de pesquisa</strong>, abrangendo desde a pesquisa básica até a ciência aplicada, incluindo ensaios clínicos e assistência médica.</p>



<p>Durante a visita, foi oficializada a participação do Brasil, por meio do Einstein, no braço latino-americano do projeto global <strong><a href="https://www.trisome.org/">Human Trisome Project</a></strong>, liderado por Espinosa e vinculado ao programa INCLUDE, com apoio dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. O estudo é aberto, com dados disponíveis no site <em>TrisomExplorer</em>.</p>



<p>O objetivo do Human Trisome Project é melhorar a qualidade de vida de pessoas com Down, condição causada por uma cópia extra do cromossomo 21 (<strong>trissomia 21</strong>), abordando fenótipos comuns e condições associadas.</p>



<p>Apesar de alterações cromossômicas geralmente serem incompatíveis com a vida, a trissomia 21 permite que a maioria das pessoas tenha uma <strong>vida plena e autônoma</strong>, desde que receba estímulos e suporte clínico desde cedo.</p>



<p>O sequenciamento do cromossomo 21 em 2000 identificou 225 genes e revelou um <strong>perfil clínico único</strong>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Menor risco de câncer, aterosclerose e alergias;</li>



<li>Mas maior prevalência de doenças autoimunes, Alzheimer, infecções pulmonares, problemas cardíacos, de visão e audição, além de transtornos do espectro do autismo.</li>
</ul>



<p>De acordo com Espinosa, a cópia extra do cromossomo 21 modula a aparência e a gravidade das principais condições médicas.</p>



<p>“O entendimento desta condição resultará em uma <strong>abordagem médica personalizada</strong>, que incluirá terapias para as pessoas que são afetadas por qualquer uma das muitas condições médicas moduladas pela trissomia 21”, explica o pesquisador.</p>



<p>Entre os estudos em andamento, investiga-se o uso do medicamento <strong>tofacitinibe</strong> em doenças imunológicas de pele.</p>



<p>“A trissomia 21 causa sinalização hipersensível de <strong>interferon</strong> [um tipo de sinalizador químico que inibe a multiplicação de vírus e ativa células de defesa no organismo], o que leva à desregulação imunológica”, esclarece Espinosa.</p>



<p>A partir disso, o grupo liderado por ele testou um <strong>inibidor da Janus quinase</strong> (JAK) – uma proteína intracelular fundamental nos processos inflamatórios – para mitigar a resposta de interferon, agindo nas condições de pele causadas por desregulação imunológica e em outras condições comuns na síndrome de Down, como hipotireoidismo e comprometimento cognitivo.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Joaquin Espinosa falou sobre a amplitude do Human Trisome Project, a inclusão de países da América Latina e os avanços na medicina personalizada para a Síndrome de Down.</p>



<p class="has-black-color has-vivid-cyan-blue-background-color has-text-color has-background has-link-color has-medium-font-size wp-elements-5d6e52c795e6bd4c2236bab163415703"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Condições Autoimunes em Pessoas com Síndrome de Down</mark></strong></p>



<p><em><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Clique nos tópicos para saber mais:</mark></strong></em></p>



<div  class="custom-block acordeon-sa ">
    <dl class="acordeon-itens" aria-label="Clique no item para exibir sua definição">

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Prevalência Geral de Condições Autoimunes</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>60% dos adultos com Síndrome de Down têm pelo menos uma condição autoimune.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Doenças Autoimunes da Tireoide</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>50% apresentam doenças autoimunes da tireoide (AITD), como hipotireoidismo ou hipertireoidismo.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Condições Autoimunes da Pele</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>35% das pessoas têm condições autoimunes da pele.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Doença Celíaca</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <p>10% são diagnosticados com doença celíaca.</p>
            </dd>
        </div>

        
        <div class="ac-item">
            <dt class="ac-titulo" role="button">
                <h3>Outras Condições Autoimunes</h3>
            </dt>
            <dd class="ac-conteudo desc">
                <ol>
<li>Alopecia areata: 7,7%</li>
<li>Dermatite atópica: 27,9%</li>
<li>Psoríase: 6,1%</li>
<li>Vitiligo: 1,9%</li>
<li>Foliculite: 20,6%</li>
</ol>
            </dd>
        </div>

        
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<p class="has-small-font-size"><em>Fonte: Human Trisome Project</em></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – No campo das análises multiômicas, para quais perguntas o seu grupo está buscando respostas? </strong><strong></strong></h2>



<p><strong>Joaquin Espinosa –</strong> As análises multiômicas são muito importantes, pois permitem decifrar fenômenos. No nosso caso, queremos entender quais são as mudanças biológicas produzidas pelo cromossomo extra. Usamos o transcriptoma, proteoma, metaboloma, entre outras ferramentas ômicas, para analisar pessoas de diferentes sexos e idades. Com a multiômica, o processo de descoberta se acelera. Colecionamos os dados sem uma hipótese pré-definida, simplesmente buscando diferenças.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em que consiste o INCLUDE e quais são as principais contribuições na busca por marcadores associados ao cromossomo 21 e no entendimento da síndrome de Down a partir de análises com grandes coortes e pesquisa clínica?</strong></h2>



<p>O INCLUDE é um projeto financiado pelos National Institutes of Health [NIH], dos Estados Unidos, que investiga como ocorrem as condições que mais acometem, ao longo da vida, as pessoas com síndrome de Down.</p>



<p>No contexto do projeto INCLUDE, atuamos com o Human Trisome Project, que reúne cerca de 50 linhas de pesquisa voltadas para pesquisa clínica feita com grandes coortes de pacientes, para a identificação de marcadores que expliquem o comportamento biológico da síndrome de Down.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A síndrome de Down não é uma doença, e, portanto, não se fala em cura. Mas, ao pensar em melhorar a qualidade de vida das pessoas, quais são as descobertas e oportunidades terapêuticas mais recentes?</strong><strong></strong></h2>



<p>A expectativa de vida dos pacientes tem aumentado, graças aos cuidados médicos e à sua inserção na sociedade. Hoje, por exemplo, as cardiopatias congênitas podem ser corrigidas por cirurgia.</p>



<p>As pessoas com síndrome de Down crescem mais devagar e não alcançam o seu tamanho ideal por falta de hormônio do crescimento, que é produzido em menor quantidade, e a reposição surgiu como uma opção terapêutica.</p>



<p>Sabemos também que há transtornos do sono, como a apneia, que pode gerar falta de oxigênio e impedir o desenvolvimento, por exemplo, da capacidade cognitiva. Estamos buscando tratamento para essa condição. &nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que a inclusão de países da América Latina no Human Trisome Project é importante?</strong></h2>



<p>Na América Latina há uma variabilidade etnográfica, não somente de diferentes raças, como também de diferentes culturas, dietas e geografias climáticas. Pode haver muitos fatores capazes de modificar o efeito do cromossomo a mais da síndrome de Down nesta população.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Estamos muito entusiasmados em colaborar com os colegas do Brasil e de outros países para entender como é a síndrome de Down nestas nações e quais são os aspectos similares e os distintos aos que vemos nos Estados Unidos.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como se dará a parceria com o Brasil?</strong></h2>



<p>Teremos aqui uma equipe liderada pelas doutoras Ana Cláudia Brandão e Bruna Zampieri, ambas do Einstein, que irá contribuir com dados de 250 participantes com síndrome de Down.</p>



<p>Os dados vão compor um estudo que terá 1,5 mil participantes de toda a América Latina. Todas as amostras biológicas coletadas serão analisadas com um protocolo comum, o mesmo adotado nos Estados Unidos.</p>



<p>Há características peculiares. Por exemplo, no Brasil há certas doenças tropicais endêmicas que não se observam em outros países, como a dengue. Então, é muito importante a população brasileira estar incluída no projeto.</p>



<p>Poderemos fazer descobertas específicas para a população brasileira a partir dos dados clínicos, cognitivos, de imagem, cardiometabólicos e mutiômicos que compõe o projeto, cujo protocolo é único para todos os parceiros.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que há mais de expectativa em relação ao projeto?</strong></h2>



<p>A expectativa é que, na prática, as pessoas com síndrome de Down não tenham que ir tanto ao médico. Que elas tenham autonomia, mais saúde. Queremos oferecer diagnósticos baseados em biomarcadores que indiquem, por exemplo, se uma pessoa está em alto risco de doenças como tireoide, obesidade ou condições metabólicas.&nbsp;</p>



<p>Queremos fazer uma intervenção personalizada, entendendo quais fatores determinam o perfil específico de cada indivíduo e como a trissomia 21 se manifesta em cada caso.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/sindrome-de-down-joaquin-espinosa-nih/">Esforço colaborativo para desvendar a síndrome de Down</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Quando a desprescrição de remédios é necessária?</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#boas práticas]]></category>
		<category><![CDATA[#clínica médica]]></category>
		<category><![CDATA[#desprescrição]]></category>
		<category><![CDATA[#farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Médicos devem interromper prescrição de medicamentos cardiovasculares diante de potenciais danos ou quando houver melhores alternativas, alertam pesquisadores</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/">Quando a desprescrição de remédios é necessária?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma das bases da prática médica é a <strong>prescrição de medicamentos</strong>, baseada em evidências obtidas em <strong>estudos clínicos</strong>. Estes, porém, normalmente testam a adoção de <strong>novos medicamentos de uso contínuo</strong> em ensaios de curta duração.</p>



<p>Muito menos atenção é dada à questão da <strong>descontinuação de tratamentos farmacológicos</strong>, especialmente após um período de tratamento em que o paciente envelhece e as doenças podem progredir e novas condições podem surgir.</p>



<p>Dada a escassez de dados, as diretrizes da prática clínica oferecem pouca ou nenhuma orientação sobre quando e como <strong>desprescrever medicamentos</strong> para <strong>condições cardiovasculares</strong>.</p>



<p>As decisões são muitas vezes deixadas à critério dos clínicos que, junto com seus pacientes, decidem parar com algum tratamento por conta de efeitos colaterais.</p>



<p>“Mesmo na ausência de efeitos adversos, a continuação de medicamentos sem efeito comprovado pode causar prejuízo devido a <strong>interação medicamentosa</strong>, emergência da chamada <strong>polifarmácia</strong> e gastos adicionais que poderiam ser evitados para sistemas de saúde já sufocados”, defendem pesquisadores dos Estados Unidos e da Áustria <a href="https://academic.oup.com/eurheartj/article-abstract/45/23/2039/7688420" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em artigo no <em>European Heart Journal</em></a><em>,</em> da Sociedade Europeia de Cardiologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Tipos de medicamentos</mark></strong></h2>



<p>A publicação traz uma lista de tipos de medicamentos e as respectivas condições nas quais devem ser <strong>descontinuados </strong>por causar prejuízo ao paciente, não ter efeito comprovado ou pela existência de melhores opções.</p>



<p>Os autores trazem ainda uma abordagem a ser aplicada por clínicos para descontinuar certos tratamentos, levando em conta as <strong>expectativas dos pacientes</strong>.</p>



<p>Pacientes com <strong>insuficiência cardíaca avançada</strong>, por exemplo, muitas vezes expressam preferência por qualidade em vez de extensão de vida, o que chama a atenção para a potencial discrepância entre as expectativas do médico e do paciente, escrevem os autores.</p>



<p>“Além disso, cada um pode perceber a severidade dos efeitos colaterais de forma diferente, como fadiga e disfunção erétil.”</p>



<p>Entre os 11 tratamentos que podem causar prejuízo, os pesquisadores listam, por exemplo, <strong>antiplaquetários</strong> em pacientes com doença cardiovascular estável que já tomam anticoagulantes por via oral. Evidências mostram que a abordagem aumenta o risco de hemorragia, sem redução de eventos isquêmicos.</p>



<figure data-wp-context="{&quot;imageId&quot;:&quot;6a2a3ff5ee2c0&quot;}" data-wp-interactive="core/image" class="wp-block-image size-medium is-resized wp-lightbox-container"><img loading="lazy" decoding="async" width="503" height="800" data-wp-class--hide="state.isContentHidden" data-wp-class--show="state.isContentVisible" data-wp-init="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async--click="actions.showLightbox" data-wp-on-async--load="callbacks.setButtonStyles" data-wp-on-async-window--resize="callbacks.setButtonStyles" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-503x800.jpg" alt="" class="wp-image-4823" style="width:511px" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-503x800.jpg 503w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-755x1200.jpg 755w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-252x400.jpg 252w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-768x1221.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-966x1536.jpg 966w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao-94x150.jpg 94w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/11/Infografico-Desprescricao.jpg 1201w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><button
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		</button><figcaption class="wp-element-caption">Konstantin A Krychtiuk, Bernard J Gersh, Jeffrey B Washam, Christopher B Granger, When cardiovascular medicines should be discontinued, European Heart Journal, Volume 45, Issue 23, 14 June 2024, Pages 2039–2051, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehae302</figcaption></figure>



<p>Suplemento de <strong>óleo de peixe</strong> para redução do risco de doença cardiovascular é um dos sete tratamentos cuja descontinuação é recomendada pelos autores por falta de benefício comprovado. </p>



<p>Por sua vez, drogas que dispõem de melhores alternativas incluem a <strong>varfarina</strong> em casos de fibrilação atrial e <strong>clopidogrel</strong> após síndrome coronária aguda. Estes e mais quatro tratamentos podem, segundo os autores, ser substituídos por outros com mais benefícios.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>De acordo com os autores, uma grande barreira para a desprescrição de medicamentos é a falta de evidências de alta qualidade sobre o tema.</p></blockquote></figure>



<p>Isso inclui a falta de informações sobre o processo e o tempo da descontinuação, a estratégica correta (trocar por outro, parar parcial ou totalmente), ausência de dados sobre a eficácia de medicamentos em idosos com comorbidades e de informações sobre interação entre medicamentos.</p>



<p>Os autores advogam que os comitês para diretrizes de prática clínica devem incluir uma <strong>revisão estruturada regular dos medicamentos</strong> a serem utilizados, incluindo a desprescrição como uma diretriz a ser seguida.</p>



<p>Além disso, financiamento à pesquisa deve ser fornecido para investigar estratégias escaláveis para o procedimento.</p>



<p>Os pesquisadores afirmam, no artigo, que, como clínicos, é dever deles assegurar que seus pacientes sejam tratados com medicamentos atualizados e baseados em evidências, de forma a reduzir morbidade e mortalidade, além de melhorar a qualidade de vida. </p>



<p>Também afirmam que tão ou mais importante é prevenir danos desnecessários causados por drogas ou intervenções comprovadamente capazes de prejudicar os pacientes.</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/medicamentos-cardiovasculares-desprescricao-polifarmacia/">Quando a desprescrição de remédios é necessária?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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		<title>Novos usos para drogas conhecidas</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/novos-usos-para-drogas-conhecidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#indústria farmacêutica]]></category>
		<category><![CDATA[#off-label]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#políticas públicas]]></category>
		<category><![CDATA[#saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativas internacionais buscam criar tratamentos a partir de medicamentos já existentes, mas é necessário avaliar custos e benefícios</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma opção mais barata e menos incerta do que descobrir novas moléculas para tratar doenças é o <strong>reposicionamento de fármacos</strong>. A estratégia consiste em <strong>encontrar um novo uso para um medicamento que já está no mercado</strong>.</p>



<p>Estimativas sugerem que essa abordagem pode ser de 40% a 90% mais barata do que desenvolver novos compostos. Além disso, os estudos clínicos são geralmente mais seguros, uma vez que essas entidades químicas já tiveram testes iniciais de segurança realizados em humanos.</p>



<p>Duas barreiras consideráveis para o reposicionamento, porém, consistem no seguinte.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Falta de incentivo para as <strong>detentoras das patentes</strong> investirem em estudos para determinar um segundo uso dos medicamentos. Ainda que tratar uma nova doença, em tese, agregue valor à droga, as regras europeias, por exemplo, impedem que o preço seja alterado, acabando com as esperanças de aumento de lucro da empresa detentora da patente<em>.</em></li>



<li>O chamado <strong><em>cross-label</em></strong>, uma versão do <em>off-label</em>, em que o remédio é prescrito para uma indicação que não está descrita na bula. No caso do <em>cross-label</em>, o detentor da patente consegue que o novo uso esteja autorizado apenas para a sua versão da droga. No entanto, o genérico é prescrito pelo médico, mesmo que aquele novo uso não esteja descrito na sua bula, privando o inventor da droga de uma venda.</li>
</ul>



<p>“No longo prazo, isso corrói o incentivo para identificar, testar e autorizar novos usos”, escrevem pesquisadores de universidades da Inglaterra, Estados Unidos e da Dinamarca, <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/scitranslmed.adl0998" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em artigo publicado</a> na revista <em>Science Translational Medicine.</em></p>



<p>Na tentativa de superar essas barreiras, nos últimos anos foram criadas algumas <strong>iniciativas governamentais</strong> nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia.</p>



<p>O grupo de pesquisadores afirma que os primeiros resultados são promissores, embora ainda seja cedo para saber o tamanho do impacto das mudanças nos sistemas de saúde e no bem-estar dos pacientes.</p>



<p>Os autores listam sete programas, implementados entre 2018 e 2021, que “apresentam uma miríade de oportunidades para organizações participarem em ações de reposicionamento de fármacos”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Apoio para pesquisadores</mark></strong></h2>



<p>O <a href="https://www.gov.uk/guidance/innovative-licensing-and-access-pathway" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UK Innovative Licensing and Access Pathway</a>, do Reino Unido, de 2021, apoia qualquer tipo de organização por meio de um processo de seleção tanto de estudos pré-clínicos como de testes clínicos avançados, baseado nas <strong>necessidades dos pacientes</strong> e no potencial da droga de oferecer benefícios.</p>



<p>Os selecionados têm acesso a um time de especialistas que podem cuidar de questões regulatórias e de desenvolvimento.</p>



<p>Outro programa, financiado pelos <a href="https://ncats.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Institutos Nacionais de Saúde</a> (NIH) e conduzido pelo <a href="https://ncats.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Nacional para o Avanço de Estudos Translacionais</a> (NCATS), ambos dos Estados Unidos, visa justamente a realização de <strong>testes clínicos de fases 1 e 2</strong>, mas não de fase 3. Exceções são abertas para doenças raras ou negligenciadas.</p>



<p>A iniciativa da União Europeia também fornece apoio, mas apenas para estudos acadêmicos e de organizações sem fins lucrativos. O financiamento dos testes clínicos deve vir de outros parceiros, assim como as autorizações para novos usos deve ser feita em parceria com a indústria.</p>



<p>O programa <a href="https://c-path.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CURE Drug Repurposing Collaboratory</a> (CDRC) é uma parceria público-privada entre a agência reguladora dos Estados Unidos (<a href="https://www.fda.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FDA</a>), o NCATS e o <a href="https://c-path.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Critical Path Institute</a>. Iniciado para buscar drogas para covid-19, atualmente engloba outras doenças.</p>



<p>O programa se apoia em uma <strong>ferramenta on-line </strong>em que se pode buscar e reportar novos usos para drogas já aprovadas. O CDRC ainda coleta dados de saúde disponíveis, registros de doenças e revisões de literatura.</p>



<p>Em princípio, o objetivo é apenas <strong>atualizar diretrizes de tratamento</strong>, sem entrar na seara da regulação. No entanto, a iniciativa pode considerar patrocinar estudos clínicos e obter autorizações com os parceiros certos.</p>



<p>Entre todos os listados, apenas o <a href="https://www.nhs.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Medicines Repurposing Programme</a>, do <a href="https://www.nhs.uk/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Serviço Nacional de Saúde</a> (NHS) do Reino Unido, pretende conduzir estudos clínicos com o mínimo de colaboração de parceiros.</p>



<p>Estabelecida em 2021, a iniciativa procura por drogas para reposicionar por meio da <strong>busca de registros de testes clínicos</strong> e <strong>colhendo sugestões da comunidade médica</strong>, como empresas, grupos de pesquisa e clínicos.</p>



<p>Os projetos contemplados devem, preferencialmente, se basear em testes clínicos de fase 2 e no fato de a droga em questão poder melhorar o padrão existente de cuidado <strong>para uma doença debilitante ou que ameace a vida</strong>.</p>



<p>Grupos de trabalho desenham estudos clínicos de fase 3 para preencher quaisquer lacunas de conhecimento. Uma vez que há informações suficientes para autorizar o novo uso, o programa fornece os dados para o dono da patente ou fabricante de genéricos que queira buscar autorização.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-black-color">Cedo para avaliar</mark></strong></h2>



<p>O projeto <a href="https://www.fda.gov/about-fda/oncology-center-excellence/project-renewal" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Renewall</a>, da <a href="https://www.fda.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FDA</a>, busca apenas por <strong>novas drogas contra o câncer</strong>, sem conduzir testes clínicos. Em vez disso, obtém dados da literatura e, se houver o suficiente para uma nova autorização, contata o fabricante para continuar o processo, embora este não seja obrigado a fazê-lo.</p>



<p>O também norte-americano <a href="https://www.congress.gov/bill/116th-congress/house-bill/5668/text" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MODERN</a> busca reposicionar medicamentos baseado em <strong>dados da literatura</strong>, porém, para qualquer doença e apenas de <strong>drogas cujo inventor tenha abdicado da sua autorização de comercialização</strong>, desde que haja empresas de genéricos fabricando o medicamento. Uma vez que o novo uso é autorizado, porém, os fabricantes são obrigados a incluir a nova indicação na bula.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Os pesquisadores afirmam que, pelo fato de os programas serem relativamente novos, é cedo para determinar seu sucesso e longevidade.</p></blockquote></figure>



<p>Para ele, a iniciativa do NHS e as duas últimas da FDA representam verdadeiras mudanças de modelo de desenvolvimento de medicamentos.</p>



<p>O programa britânico obteve uma nova autorização e está em processo para uma segunda. O projeto Renewall da FDA, por sua vez, obteve duas novas em seis anos.</p>



<p>Não é possível dizer, ainda, se são casos isolados ou os primeiros de muitos novos usos com <strong>impacto na saúde pública</strong>.</p>



<p>Para os autores, indicadores de sucesso ajudarão a avaliar se os programas podem ser tomados como uma nova direção no desenvolvimento de fármacos e mesmo emulados em outros países.</p>



<p>Para determinar o sucesso, pelo menos cinco critérios devem ser levados em conta: número de novas autorizações, impacto clínico, número de pacientes tratados pelo novo uso, economia de gastos em saúde pública e redução de indicações “off-label”, especialmente se foi baseado em dados inadequados.</p>
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		<title>Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Punto Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 20:44:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#dengue]]></category>
		<category><![CDATA[#imaunização]]></category>
		<category><![CDATA[#pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[#pesquisa clínica]]></category>
		<category><![CDATA[#vacinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>País não investe o suficiente em tecnologia para desenvolver e produzir imunizantes contra as principais ameaças à saúde pública, avalia ex-diretor do Butantan</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/">Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No primeiro trimestre de 2020, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) convidou dois cientistas para coordenar pesquisas para o desenvolvimento de imunizantes contra o vírus Sars-CoV-2, causador da covid-19.</p>



<p>Um deles era o imunologista Ricardo Gazzinelli, coordenador do Centro de Tecnologia de Vacinas (<a href="http://www.ctvacinas.ufmg.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CTVacinas</a>) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável por comandar o desenvolvimento da SpiN-Tec-MCTI-UFMG, formulação candidata à vacina conta covid-19.</p>



<p>O outro pesquisador era o também imunologista <strong>Jorge Kalil</strong>, da Universidade de São Paulo (USP), que optou por fazer uma vacina nasal, aplicada em forma de spray.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Kalil – que dirigiu o Instituto Butantan entre 2011 e 2017 – detalhou como está o processo de desenvolvimento da vacina nasal, explicou as razões e salientou as dificuldades de fazer ciência no Brasil. Uma delas é a chamada “fuga de cérebros”, classificada por ele como “uma vergonha.”</p>



<p>“Temos que ter cientistas e tecnólogos capazes de atuar em toda a cadeia produtiva, da descoberta da molécula ao desenvolvimento do produto”, afirma Kalil, que é professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do laboratório de imunologia do Instituto do Coração (InCor) da mesma universidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Em maio, o senhor participou do evento </strong><a href="https://www.ted.com/tedx/events/54956" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>TEDxUSP</strong></a><strong>, no qual destacou desafios para criar uma vacina nasal contra a covid-19. Como este trabalho começou? </strong></h2>



<p><strong>Jorge Kalil</strong> – No início da pandemia de Covid-19, o MCTI escolheu a mim e o Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, para o desenvolvimento de imunizantes contra o Sars-CoV-2. Gazzinelli foi comandar os estudos da SpiN-TEC, enquanto meu grupo optou por fazer uma vacina nasal. Reuni pessoas que poderiam me ajudar e que trabalhavam comigo no Incor e na Faculdade de Medicina da USP, assim como pessoas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e da Universidade Federal de São Paulo [Unifesp].</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que o grupo escolheu este caminho, o de desenvolver uma vacina nasal? </strong><strong></strong></h2>



<p>Partimos de um conhecimento prévio com o vírus Sars-CoV-1, causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave [Sars], que emergiu em 2002 e que, apesar da alta letalidade, foi controlado na China.</p>



<p>Houve uma resposta importante de anticorpos, chamados de neutralizantes, que impediam o vírus de entrar na célula para se multiplicar. Com isso, soube-se que a ação dos anticorpos ocorria na proteína spike, usada pelo vírus para invadir células.</p>



<p>Portanto, sabíamos que, em grande parte, os estudos seriam diretamente voltados para uma vacina que inibisse essa proteína. O vírus começou a mutar e surgiram variantes. Também foi importante observar que a CoronaVac [produzida pela empresa chinesa Sinovac e embalada pelo Instituto Butantan], uma vacina de vírus completo e inativado, é um imunizante ruim, com eficácia de cerca de 50% e sem ter sido testada em indivíduos mais velhos, que são os mais suscetíveis à doença.</p>



<p>Fomos então para as vacinas de RNA, que eram bem melhores.&nbsp; Com esse conhecimento, ainda no começo da pandemia, pensamos em desenvolver uma vacina intranasal, porque o vírus entra pelo nosso nariz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Então foi o fato de o vírus entrar pelo nariz o principal motivador? </strong><strong></strong></h2>



<p>Sim. Com a nossa vacina, chegamos na célula da mucosa e induzimos a resposta, algo que não ocorre com as vacinas intramusculares. O segredo está, justamente, em inativar o vírus na entrada, antes que se multiplique na mucosa, que é algo que facilita a transmissão para outras pessoas. As vacinas intramusculares não impedem a infecção e a doença leve, justamente porque o vírus se multiplica.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como foi a evolução das etapas já cumpridas e em que momento pré-clínico ou clínico se encontra o desenvolvimento da vacina nasal? </strong><strong></strong></h2>



<p>Durante a fase a pré-clínica, injetamos o vírus na narina de modelos animais e, rapidamente, o vírus desapareceu, por conta da imunoglobulina IgA secretória (um tipo de anticorpo) que há ali. Agora, estamos preparando o antígeno.</p>



<p>No Brasil, ainda não temos empresas com capacidade industrial de desenvolvimento. Mas investimos US$ 4 milhões para contratar uma empresa no exterior, que vai pegar o antígeno e colocá-lo em célula. Poderemos iniciar a fase clínica de pesquisa, com testes em humanos, até o final de 2024.</p>


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		</button><figcaption class="wp-element-caption">MultiCovax, vacina em formato de spray nasal contra a covid-19, em desenvolvimento pela equipe de Jorge Kalil | Foto: Divulgação</figcaption></figure></div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Na fase pré-clínica, vocês descrevem que houve 100% de resposta. Há garantia de que o resultado se repetirá em humanos?</strong> </h2>



<p>Em camundongos, obtivemos 100% de resposta, mas, embora eles sejam geneticamente muito semelhantes aos humanos, há uma heterogeneidade genética, social, econômica e higiênica. São, portanto, muitos os fatores que podem alterar a resposta que iremos obter na fase clínica, com humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Além desta heterogeneidade, quais são outros obstáculos?</strong> </h2>



<p>Até o momento, as primeiras dificuldades que enfrentamos são relacionadas ao subfinanciamento, ou seja, bolsas de pesquisa com valores muito baixos.</p>



<div style="height:4px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>É difícil atrair estudantes e pesquisadores com pós-doutorado, pois o investimento em pesquisa no Brasil está defasado.</p>



<p>Outro agravante é que, como reflexo da pandemia, os países não estavam exportando insumos de laboratório. No Brasil, não há produção de insumos e eles estavam demorando muito para chegar do exterior, pois existia uma regra de favorecer os laboratórios locais, no país produtor.</p>



<p>Ao todo, incluindo produção e escala industrial, recebemos R$ 40 milhões, ou seja, cerca de US$ 8 milhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos, foi lançado um edital em que estão distribuindo, para cada grupo de pesquisa, aproximadamente US$ 500 milhões de dólares para desenvolver a vacina. É uma disputa de Davi contra Golias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Caso essas etapas sejam superadas e a vacina nasal se mostre eficaz, o que podemos esperar dela?</strong></h2>



<p>Nossa vacina será definitiva, porque é de facílima administração, as pessoas não são resistentes a ela e este imunizante protege contra a infecção e a transmissão. Com isso, vamos controlar a doença. Para tanto, precisamos convencer os políticos a investir.</p>



<p>No Brasil, não temos a cultura de que podemos resolver os nossos problemas. Sempre se acha que precisamos de alguém de fora para isso.</p>



<p>Nós estamos com uma vacina da dengue, que eu comecei a trabalhar quando era diretor do Instituto Butantan, em São Paulo. Fizemos todo o desenvolvimento industrial, desenvolvimento clínico de fase 2 e começamos a fase 3 em 2016.</p>



<p>Porém, não foi dada a celeridade necessária. Essa vacina tinha que já estar pronta. O [médico] Dimas Covas, que foi o diretor do Butantan, não deu a prioridade necessária para o teste desta vacina [contra a dengue].</p>



<p>O imunizante do Butantan já tinha que estar aí protegendo os milhões de brasileiros que tiveram dengue, com grande número de mortes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como está o Brasil no contexto mundial de produção de vacina? Quais são nossos pontos fortes e fracos?</strong> </h2>



<p>Ainda não temos a capacidade de desenvolver e produzir as vacinas para vírus que representam grandes ameaças. Enquanto isso não ocorre, ficamos extremamente dependentes dos outros países. O Brasil não investe suficientemente para que seja tecnologicamente independente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Temos que ter cientistas e tecnólogos capazes de atuar em toda a cadeia produtiva, da descoberta da molécula ao desenvolvimento do produto.</p></blockquote></figure>



<p>Nós fazemos muito poucos ensaios clínicos de fase 1 e 2. Todos os países desenvolvidos têm essa capacidade. Na China, não se desenvolve tecnologia porque a mão de obra é barata. Pensar isso é um erro que as pessoas cometem. O que tem na China é um eficiente sistema de educação e de capacitação de pessoal técnico-científico. Eles fazem qualquer coisa na China. E conseguem fazer ainda com preço barato, porque sabem utilizar direitinho os materiais.</p>



<p>O Brasil precisa aprender que um país grande – e que tem pretensões de ser uma grande nação – tem que ter ciência e desenvolvimento tecnológico.</p>



<p>Infelizmente, o que temos observado nos últimos tempos é que os nossos grandes cérebros cansaram do Brasil e foram embora. Eu tenho uma quantidade enorme de ex-alunos que estão concentrados em três lugares: região de Nova Iorque, região de Boston e no estado a Califórnia, especialmente em São Francisco e Los Angeles. É uma vergonha. Nós perdemos essas pessoas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os resultados preliminares do desenvolvimento da vacina nasal não foram publicados em revista científica? Em que momento isso vai ocorrer? </strong><strong></strong></h2>



<p>Não publicamos, porque queríamos que a vacina permanecesse brasileira. Se fossem dados fundamentais para que a gente pudesse conter a doença, teríamos divulgado.&nbsp; Porém, como existiam já outras vacinas, não era essencial apresentar os nossos resultados preliminares. Estamos terminando de fazer a patente para, assim, publicar o artigo científico, que está sendo escrito.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual precisa ser o olhar do mundo para a imunização de toda a população? </strong><strong></strong></h2>



<p>Existe um esforço mundial muito grande para que lugares na África e na Ásia também consigam produzir vacinas. O que se observou é que, na pandemia, pouco tempo depois de já existirem vacinas, nos países ricos tínhamos 90% da população imunizada com duas doses, enquanto nos países mais pobres esse percentual era de apenas 2%. E eram os 2% mais ricos daquela população.</p>



<p>Nós queremos que haja equidade na saúde. É fundamental que tenhamos várias plataformas de vacinas, que possam ser utilizadas com diferentes antígenos. Antígeno é superimportante, pois é o alvo da vacina. E somente se consegue isso fazendo pesquisa básica com vírus e entendendo como é a resposta protetora. Tem que haver continuidade nos investimentos de ciência e tecnologia, para que não caiamos no buraco de sempre.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/jorge-kalil-fazer-vacinas-no-brasil-e-luta-de-davi-contra-golias/">Jorge Kalil: fazer vacinas no Brasil é luta de Davi contra Golias</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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