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	<title>política científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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	<description>Science Arena - Ciências da saúde &#124; Para quem vê o mundo através da ciência</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Apr 2026 22:37:45 +0000</lastBuildDate>
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	<title>política científica | Artigos, Pesquisas e Estudos - Science Arena</title>
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		<title>Texas aprova US$ 3 bilhões para criar instituto de pesquisa sobre demência</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/texas-aprova-tres-bilhoes-dolares-para-pesquisa-sobre-demencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 22:37:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[#biomedicina]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Iniciativa replica modelo bem-sucedido de financiamento ao combate ao câncer e pode se tornar uma das maiores financiadoras mundiais de estudos sobre doenças neurodegenerativas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O estado norte-americano do <strong>Texas</strong> carrega a ideia de &#8220;Estado mínimo&#8221; em seu discurso político. Sua Assembleia Legislativa se reúne a cada dois anos — um arranjo deliberado para evitar a profissionalização da política.</p>



<p>Na última década, esse curto período legislativo foi suficiente para transformar o estado em laboratório de medidas que flexibilizam exigências de vacinação e impõem restrições severas ao acesso à saúde reprodutiva e materna. Mas esse ambiente político conservador esconde outra realidade. </p>



<p>Em novembro de 2025, eleitores texanos aprovaram, com 68,5% dos votos, a <a href="https://ballotpedia.org/Texas_Proposition_14,_Establish_Dementia_Prevention_and_Research_Institute_of_Texas_Amendment_(2025)" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Proposição 14</a> — que destina US$ 3 bilhões em recursos públicos à criação de um <strong>instituto de pesquisa sobre demência</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um modelo já testado contra o câncer</h2>



<p>O <em><a href="https://www.alz.org/yeson14" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dementia Prevention and Research Institute of Texas</a></em> (DPRIT) amplia uma política já consolidada de financiamento à pesquisa biomédica no estado, inaugurada em 2007 com o <em><a href="https://www.cprit.texas.gov/about-us" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cancer Prevention and Research Institute of Texas</a></em> (CPRIT). </p>



<p>O modelo do CPRIT firmou-se como uma das experiências mais bem-sucedidas de financiamento estadual à pesquisa nos Estados Unidos — desde sua criação, mais de 300 pesquisadores e seus laboratórios se transferiram para o Texas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O DPRIT distribuirá até US$ 300 milhões por ano pelos próximos dez anos, o que pode torná-lo uma das maiores financiadoras globais de estudos sobre doenças neurodegenerativas, atrás apenas dos <em><a href="https://www.nih.gov/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">National Institutes of Health</a></em> (NIH)</p></blockquote></figure>



<p>O instituto parte do <em><a href="https://www.txalzresearch.org/about-tarcc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Texas Alzheimer&#8217;s Research and Care Consortium</a></em> (TARCC), iniciativa estadual criada por lei em 1999 e em operação desde 2005, que reúne 11 instituições médicas do estado, compartilha bases de dados longitudinais para uso científico e posiciona o Texas na liderança nacional em pesquisa sobre transtornos neurocognitivos. </p>



<p>Desde 2005, o TARCC recebeu mais de US$ 60 milhões em financiamento estadual. Com o DPRIT, que utilizará a infraestrutura do consórcio e a rede de centros médicos do estado, esse volume de recursos deverá se multiplicar por cem.</p>



<p>Em termos de estrutura, o DPRIT é quase idêntico ao modelo do CPRIT, inclusive nos valores anuais de financiamento e nos mecanismos de governança e controle público. A principal diferença está na forma de alocação dos recursos. </p>



<p>Enquanto o Legislativo texano financia o CPRIT por meio de títulos públicos emitidos a cada dois anos, o DPRIT receberá uma dotação direta de US$ 3 bilhões transferida da receita geral do estado — já reservada para uso na próxima década.</p>



<p>Pesquisadores em todo o Texas já se preparam para disputar os recursos do DPRIT, mas questões centrais permanecem em aberto. A principal incógnita é quem assumirá a liderança do novo instituto — no caso do CPRIT, a direção foi decisiva para garantir a sustentabilidade da iniciativa no longo prazo. </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A nova liderança terá de definir como distribuirá os recursos entre pesquisa básica, translacional e clínica, além de traçar estratégias de recrutamento de talentos. </p></blockquote></figure>



<p>Também caberá a ela delimitar o escopo de atuação do instituto.</p>



<p>A <a href="https://www.texastribune.org/2025/11/04/texas-election-dementia-fund-dprit/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">legislação</a> não especifica o conceito de demência, limitando-se a dizer que o DPRIT se dedicará à &#8220;doença de Alzheimer, Parkinson e distúrbios relacionados&#8221;.</p>



<p>Resta saber quais linhas de pesquisa serão elegíveis ou prioritárias sob o amplo guarda-chuva dos &#8220;distúrbios relacionados&#8221;.</p>



<p></p>
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		<title>Guerra ameaça ciência da Ucrânia</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/noticias/guerra-ameaca-ciencia-da-ucrania/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Apr 2024 21:32:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[#guerra]]></category>
		<category><![CDATA[#refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[#Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[#Unesco]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relatório da Unesco calcula que conflito com a Rússia já gerou prejuízos de US$ 1,2 bilhão à pesquisa do país </p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/noticias/guerra-ameaca-ciencia-da-ucrania/">Guerra ameaça ciência da Ucrânia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Prédios destruídos, equipamentos danificados, cientistas refugiados, pesquisas perdidas, redução de verbas. Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388803" target="_blank" rel="noreferrer noopener">divulgado</a> recentemente calcula o tamanho do prejuízo que a guerra vem causando à ciência da Ucrânia desde que a Rússia invadiu o país, em fevereiro de 2022.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Segundo o levantamento, serão necessários US$ 1,26 bilhão para restaurar toda a infraestrutura pública ligada à produção científica do país, incluindo US$ 980 milhões para as universidades, responsáveis por 52% da pesquisa pública.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Até agora, 1.443 prédios de 177 instituições públicas ligadas à ciência foram destruídos. Outros não podem ser acessados por estarem sob domínio russo. A Unesco revela ainda que, por conta da queda pela metade nas verbas destinadas à ciência, os cientistas foram obrigados a se exilar ou se deslocar pelo país (12%). </p>



<p>Há também aqueles que trabalham de forma remota, sem acesso à universidade (30%). Sem contar os 1.518 que se voluntariaram para o combate.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O número de contratos com parceiros comerciais nacionais e estrangeiros também diminuiu drasticamente devido ao conflito, reduzindo ainda mais as receitas das instituições científicas. </p>



<p>As oportunidades para investigação conjunta foram restringidas pela migração de cientistas. Todos esses fatores somados levaram a uma queda na produtividade científica ucraniana – e internacional, se consideradas as parcerias com outros países.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/04/infografico-destruicao-cientifica-na-ucrania-guerra-ucrania-e-russia.png" alt="" class="wp-image-3493" width="568" height="846"></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Perda imaterial</strong>&nbsp;&nbsp;</h2>



<p>No entanto, mensurar quanto dinheiro será necessário para reerguer um prédio é mais fácil do que calcular o conhecimento perdido nestes dois anos de guerra. Em entrevista à <em>Science Business</em>, a pesquisadora Maria Moskovko, doutoranda na Universidade Lund, na Suécia, e que contribuiu para o relatório, lembrou que há um dano intangível feito à comunidade científica ucraniana que poderá levar décadas para ser sanado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Espero que o relatório da Unesco ajude a dar mais visibilidade a todos os tipos de atrocidades que se cometeram. É toda uma estrutura civil que vem sendo atacada. Mas é uma estratégia [da Rússia] para destruir o que faz da Ucrânia próspera e o que contribui para sua inovação”, disse Moskovko.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>A União Europeia tem criado iniciativas para dar suporte aos cientistas ucranianos, tanto aos que seguem no país quanto aos que foram obrigados a deixá-lo. </p></blockquote></figure>



<p>Em dezembro de 2023, o Conselho Europeu para Inovação forneceu € 20 milhões para startups. O Instituto Europeu para Inovação e Tecnologia abriu um <em>hub</em> para dar suporte às pequenas empresas inovadoras em Kiev.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Outras iniciativas depositaram outros milhões para ajudar pesquisadores de forma direta ou indireta, incluindo o recente pacote de € 50 bilhões da União Europeia, que prevê recursos para a reconstrução da infraestrutura.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para os pesquisadores ucranianos, a ajuda é mais que bem-vinda, mas ainda é esporádica. Na opinião de Moskovko, a situação poderia ser melhorada se houvesse mais diálogo entre a Ucrânia e a União Europeia sobre qual ajuda é mais necessária e qual pode ser fornecida.&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>Revisão por pares: o desafio de torná-la mais diversa </title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/revisao-por-pares-o-desafio-de-torna-la-mais-diversa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Clóvis Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 17:10:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#comunicação científica]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
		<category><![CDATA[#sistema de recompensas]]></category>
		<category><![CDATA[integridade científica]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Feetham-Walker, da editora britânica IOP Publishing, fala da importância de engajar pesquisadores jovens e mulheres na avaliação de manuscritos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por conta de seu trabalho dedicado a aperfeiçoar a formação e a certificação acadêmica em processos de revisão por pares , a britânica Laura Feetham-Walker, gerente de Engajamento de Revisores da IOP Publishing, uma das principais editoras científicas do mundo, com sede no Reino Unido, foi agraciada no início do ano com o Prêmio APE 2024 de Inovação em Comunicação Científica, durante a <a href="https://berlinstitute.org/ape-conference/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">19ª Conferência da Academic Publishing in Europe</a> (APE), em Berlim, na Alemanha.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Mestre em demografia e saúde pela London School of Hygiene &amp; Tropical Medicine e com passagens por periódicos como The British Medical Journal (BMJ) e The Lancet, Feetham-Walker hoje se dedica a iniciativas para aprimorar o processo de revisão por pares, em que pesquisadores avaliam a relevância e a exatidão do conteúdo de um estudo científico antes de ele ser aceito para publicação.</p>



<p>Na IOP Publishing, Feetham-Walker bota em prática estratégias para engajar revisores, incentivando pesquisadores em início de carreira e mulheres a fim de tornar o processo de revisão mais equitativo, diverso e inclusivo – uma vez que esta atividade ainda é exercida majoritariamente por homens e pesquisadores sêniores.</p>



<p>Para tanto, a especialista aposta na formação e na certificação de novos revisores, para que ganhem a confiança necessária e avaliem manuscritos de maneira responsável.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Laura Feetham-Walker reflete sobre o cenário atual da revisão por pares e o impacto potencial da inteligência artificial na formação das próximas gerações de revisores. Além disso, elenca os erros mais comuns que devem ser evitados por revisores, discutindo quais são os desafios para melhorar a revisão por pares em diversas áreas do conhecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena – Vivemos hoje uma crise global na revisão por pares? Se sim, em que nível?</strong></h2>



<p><strong>Laura Feetham-Walker</strong> &#8211; O sistema de revisão por pares não está em um ponto de crise, mas é verdade que tem enfrentado uma série de desafios dos quais nós, editores, juntamente com outros atores do segmento de publicações científicas, estamos cientes e trabalhando para enfrentá-los. Muitos dos problemas encarados pelo sistema de revisão por pares surgiram lentamente ao longo de vários anos, permitindo aos editores acadêmicos prever, preparar-se e ajustar-se a eles.&nbsp;</p>



<p>Outros desafios foram relativamente repentinos – como a chegada abrupta da inteligência artificial ​​generativa de código aberto. No entanto, como indústria de publicações, respondemos rapidamente, implementando políticas para orientar autores e revisores. O processo de revisão por pares é imperfeito, mas é resiliente.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os obstáculos para aumentar o número de revisores capazes de avaliar estudos de maneira responsável, diante da grande demanda de manuscritos submetidos? Como fazer para não sobrecarregar os revisores?</strong></h2>



<p>Para responder adequadamente a esta pergunta, nós precisamos analisar os vários motivos pelos quais alguns revisores estão sobrecarregados. É verdade que há um número crescente de manuscritos enviados para revisão por pares, e isso significa que os revisores estão, em média, recebendo mais convites para revisão. No entanto, outro fator que contribui é a histórica falta de diversidade na revisão por pares.&nbsp;</p>



<p>Até há relativamente pouco tempo, apenas uma minoria de investigadores qualificados era convidada a participar do processo de avaliação por pares, enquanto profissionais de determinadas regiões geográficas (como o Sul Global), mulheres e pesquisadores em início de carreira eram largamente excluídos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Há muitos especialistas perfeitamente qualificados para revisar manuscritos, mas que historicamente não são convidados para realizar esta tarefa.&nbsp;</p></blockquote></figure>



<p>Isto é algo que estamos mudando. Um elemento importante para aumentar o número de revisores é chegar a esses grupos sub-representados e convidá-los a participar. É o que temos feito ativamente há vários anos. É menos provável que fiquem sobrecarregados com convites e tendam a fornecer excelentes relatórios de revisão.</p>



<p>Porém, diversificar o conjunto de revisores não é a única solução. Também precisamos tornar o processo de revisão o mais simples e eficiente possível para nossos revisores. Fizemos isso simplificando nossas comunicações com os revisores e otimizando nossos sistemas de revisão por pares.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em que consiste o Programa de Engajamento de Revisores da IOP Publishing e quais foram as iniciativas adotadas?</strong></h2>



<p>O objetivo geral do Programa de Engajamento de Revisores de Publicações da IOP sempre foi melhorar a revisão por pares nas ciências físicas, como física, química e ciências da Terra. O ponto de partida foi entrevistar um grupo representativo de pesquisadores destas áreas e perguntar a eles o que queriam do processo de revisão.</p>



<p>Com base nas respostas, nasceu o programa <em>Peer Review Excellence</em>. Começamos por oferecer aos revisores um reconhecimento significativo pelas suas contribuições.</p>



<p>Nossa comunidade também solicitou treinamento abrangente e de alta qualidade em revisão por pares. Este pedido veio de pesquisadores em início de carreira que queriam obter capacitação em competências de revisão por pares. Uma parcela de pesquisadores sêniores também se mostrou interessada, revelando o desejo de que seus estudantes de doutorado e pós-doutorado recebessem formação de alta qualidade.&nbsp;</p>



<p>Nosso treinamento de revisão por pares é ministrado de forma flexível em diversas plataformas. Existem cursos on-line gratuitos e realizamos workshops interativos, tanto on-line quanto de forma presencial.</p>



<p>Finalmente, estamos constantemente buscando trazer inovações ao processo de revisão por pares. Isso inclui a criação de uma funcionalidade de co-revisão, que permite que duas ou mais pessoas colaborem em uma revisão, com ambas recebendo reconhecimento por isso, bem como nosso novo programa de feedback de revisores – o qual significa que todos os nossos revisores podem solicitar feedback do editor a respeito de seu trabalho.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="913" height="1099" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker.jpg" alt="Foto da Laura Feetham-Walker" class="wp-image-3437" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker.jpg 913w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker-665x800.jpg 665w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker-332x400.jpg 332w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker-768x924.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2024/03/foto-da-laura-feetham-walker-125x150.jpg 125w" sizes="(max-width: 913px) 100vw, 913px" /><figcaption class="wp-element-caption">Para Laura Feetham-Walker, da editora britânica IOP Publishing, um dos principais desafios da revisão por pares é recrutar mulheres e pesquisadores em início de carreira como revisores, a fim de tornar o processo de avaliação de manuscritos mais equitativo e diverso | Foto: Divulgação</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual é o tipo de reconhecimento aos revisores que vocês oferecem?</strong></h2>



<p>Nós lançamos o primeiro programa de reconhecimento para revisores que vincula a certificação à qualidade e pontualidade das revisões. Os revisores que enviam excelentes avaliações, ou que são consistentemente úteis e confiáveis, recebem a certificação formal IOP Trusted Reviewer. O limite para certificação é mais baixo, então nossos graduados (aqueles que concluíram nosso treinamento on-line ou um workshop interativo de Excelência em Revisão por Pares) tornam-se mais aptos a obter a certificação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os principais desafios para recrutar e formar novos revisores?</strong></h2>



<p>Pesquisadores acadêmicos estão sob enorme pressão em muitas frentes. Além de conduzirem suas pesquisas, espera-se que eles realizem todos os tipos de trabalho, incluindo ensino, solicitações de bolsas, networking, promoção de seu trabalho e, claro, revisão por pares.&nbsp;</p>



<p>O principal desafio para recrutar e treinar novos revisores é que, muitas vezes, eles sentem que não têm tempo para se familiarizar com o processo. Para superar esse problema, oferecemos treinamentos em diversos formatos, inclusive nosso curso on-line que pode ser feito aos poucos, em etapas.</p>



<p>Dar aos revisores um reconhecimento significativo pelo seu trabalho e uma certificação que eles podem colocar em seus currículos também ajuda no recrutamento e na retenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Novas tecnologias como inteligência artificial podem impactar a formação das próximas gerações de revisores?</strong></h2>



<p>A inteligência artificial generativa está se desenvolvendo tão rapidamente que é impossível ter a certeza do seu papel futuro na formação de revisão por pares. Vale a pena notar, porém, que treinar eficazmente a próxima geração de revisores por pares envolve muito mais do que apresentar-lhes os fatos.&nbsp;</p>



<p>A revisão por pares é uma habilidade prática – alguns até a chamam de “arte” – e nosso treinamento oferece experiência concreta, além de ser altamente interativo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Em nossos workshops, os participantes discutem pareceres reais de revisão por pares com editores especialistas, e muitos participantes nos dizem que esta é a parte mais impactante do treinamento.</p></blockquote></figure>



<p>Além disso, não apenas fornecemos competências aos formandos, como também lhes damos confiança. Muitas vezes, os investigadores em início de carreira têm todo o conhecimento necessário para fornecer um excelente parecer de revisão, mas o que falta a eles é confiança para se envolverem.&nbsp;</p>



<p>A nossa formação aumenta a sua confiança e permite-lhes saber que iremos apoiá-los durante o processo de envio do seu primeiro parecer. Acho improvável que a inteligência artificial seja capaz de cumprir todas essas funções em breve.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os erros mais comuns dos revisores e como eles podem ser evitados?</strong></h2>



<p>Um erro comum é não ter uma estrutura coerente para um parecer, o que pode significar a perda de elementos importantes do manuscrito. Uma estrutura boa e simples é feita da seguinte maneira:&nbsp;</p>



<p><strong>1)</strong> Comece com um breve resumo do manuscrito – isso ajuda a organizar seus pensamentos e mostra ao editor e aos autores que você entendeu os objetivos gerais e as descobertas da pesquisa; </p>



<p><strong>2)</strong> Liste as principais preocupações; </p>



<p><strong>3)</strong> Em seguida, liste as preocupações menores; </p>



<p><strong>4)</strong> Coloque um parágrafo final que resume os pontos fortes e fracos; </p>



<p><strong>5)</strong> Finalize expressando sua recomendação ao editor.</p>



<p>Outro erro comum é os revisores ficarem atolados na correção de pequenos erros gramaticais ou de linguagem. Valorizamos nossos revisores por sua experiência científica e não queremos que eles percam seu tempo editando textos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as qualidades esperadas de um revisor acadêmico e quais são os desafios para melhorar a avaliação por pares?</strong></h2>



<p>A qualidade mais importante é o conhecimento científico – é por isso que abordamos cada uma das milhares de pessoas que fazem revisões para nós todos os anos. Outra qualidade essencial é a honestidade e a integridade.&nbsp;</p>



<p>Felizmente, na grande maioria dos casos, nossos revisores por pares são incrivelmente honestos e conscienciosos. Eles realmente querem usar o seu tempo para impulsionar a ciência. A revisão por pares – e a própria ciência – depende muito do comportamento ético dos indivíduos envolvidos.&nbsp;</p>



<p>Isso significa declarar quaisquer conflitos de interesse dos quais o editor possa não ter conhecimento; fornecer avaliações imparciais; tentar enviar pareceres dentro de um prazo razoável; e ler o manuscrito completamente. Em outras palavras, fornecer o tipo de revisão por pares que eles próprios gostariam de receber em seus manuscritos.</p>
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		<title>O outro lado da fuga de cérebros</title>
		<link>https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-outro-lado-da-fuga-de-cerebros/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Oct 2023 22:26:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#colaborações]]></category>
		<category><![CDATA[#cooperação]]></category>
		<category><![CDATA[#diáspora]]></category>
		<category><![CDATA[#fuga de cérebros]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mobilidade de talentos pode ajudar na criação de redes de colaboração entre pesquisadores, afirma estudiosa da política científica brasileira</p>
<p>O post <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/o-outro-lado-da-fuga-de-cerebros/">O outro lado da fuga de cérebros</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sciencearena.org">Science Arena</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Entender a migração de pesquisadores brasileiros para outros países – a chamada diáspora científica – foi a proposta de um questionário aplicado recentemente pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que reuniu 1.200 respostas de brasileiros estudantes de graduação e pós-graduandos, pós-doutorandos, professores e pesquisadores atuantes no exterior.</p>



<p>A coordenação do projeto é da cientista social Ana Maria Alves Carneiro da Silva, doutora em Política Científica pela Unicamp, que em entrevista ao <strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Science Arena</mark></strong> mostra que a diáspora científica não deveria ser vista apenas como uma “fuga de cérebros”. Para ela, também há fatores que podem representar ganhos para a ciência brasileira, por meio de projetos de colaboração, partindo principalmente dos pesquisadores com posição consolidada no exterior.</p>



<p>Pegando como exemplo a contribuição de professores e pesquisadores brasileiros que atingiram o patamar de ter contrato permanente fora o Brasil, 62% deles mantêm contato frequente com pesquisadores que trabalham no país e 65% têm publicações em coautoria com colegas daqui.</p>



<p>Além disso, o levantamento do Nepp-Unicamp mostra que 63% dos respondentes colaboram em grupos de pesquisa com brasileiros, 60% participam eventualmente de eventos/bancas e 31% colaboram em atividades de comunicação, difusão e popularização da ciência com pesquisadores atuantes no Brasil. </p>



<p>Observou-se também que 28% receberam estudantes ou pesquisadores do Brasil para estágio de pesquisa, 24% compartilham boas práticas e 7% atuam no co-desenvolvimento de tecnologias.</p>



<p>Embora haja fatores positivos, a pesquisadora do Nepp reconhece que é extremamente importante entender o que faz cientistas deixarem o país e quais seriam as políticas capazes de criar um cenário mais propício para a sua permanência ou retorno ao Brasil. A pesquisa traz algumas possíveis respostas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena –</strong> <strong>A diáspora científica costuma ser vista negativamente como “fuga de cérebros”. Podemos também falar em efeitos positivos?</strong></h2>



<p><strong>Ana Maria Alves Carneiro da Silva –</strong> Vemos que a diáspora científica ajuda a estabelecer redes. Nosso estudo mostra que mais de 70% dos professores e pesquisadores com contrato permanente no exterior colaboraram com pelo menos um pesquisador brasileiro que está estabelecido no Brasil. Esse percentual cai para cerca de 60% entre os pesquisadores com contrato por tempo determinado e entre os pós-doutorandos.</p>



<p>Já entre os doutorandos, que ainda não têm redes de colaboração formadas, apenas quatro entre dez colaboraram com alguém aqui no país. No caso da competição internacional, esses brasileiros no exterior normalmente estão bem-posicionados e com acesso a recursos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;<em>Quanto mais a carreira está consolidada lá fora, mais laços são estabelecidos com o Brasil. Isso desconstrói algumas ideias, como a de que seria preciso trazer todo mundo de volta.</em>&#8220;</p></blockquote></figure>



<p>Outra vantagem é que eles conhecem a cultura de onde estão vivendo e a do Brasil.</p>



<p>Além disso, são diferentes os tipos de cooperação, indo de projetos bem pontuais, como protocolos de ideias e informações, até o co-desenvolvimento de tecnologias envolvendo questões de propriedade intelectual. </p>



<p>Outro ponto importante é que esses pesquisadores também estabelecem parcerias com brasileiros que estão em um país diferente do dele, mostrando nosso potencial de contribuir com a ciência mundial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando o Nepp-Unicamp começou a estudar a diáspora científica e qual metodologia vocês adotaram para atingir uma boa amostra de pesquisadores no exterior? </strong><strong></strong></h2>



<p>Começamos a estudar a diáspora científica brasileira em 2017, a partir de uma demanda da Embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos. Eles vinham desenvolvendo algumas atividades de engajamento com os membros da diáspora lá nos Estados Unidos e queriam conhecer um pouco melhor esse processo.</p>



<p>Depois, ampliamos o número de países e, agora em 2023, lançamos um questionário e enviamos para uma lista de e-mails e perfis na plataforma X (antigo Twitter), de pesquisadores brasileiros que sabidamente estavam no exterior. Checamos também em outras plataformas de mídias sociais e reportagens, verificamos os currículos na plataforma Lattes e tivemos a colaboração na divulgação de portais de instituições científicas e governamentais.</p>



<p>O questionário ficou disponível de 15 de março a 18 de julho. Com as perguntas que fizemos no <em>survey</em>, buscamos conhecer a diáspora brasileira, incluindo o perfil sociodemográfico, as motivações para deixar o Brasil e se o respondente já havia participado de projetos de cooperação internacional. Tivemos 1.200 respostas que se adequaram nos critérios de inclusão, de um total de mais de 1.800 acessos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="980" height="660" src="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314.jpg" alt="" class="wp-image-2907" srcset="https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314.jpg 980w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314-800x539.jpg 800w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314-400x269.jpg 400w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314-768x517.jpg 768w, https://www.sciencearena.org/wp-content/uploads/2023/10/img_DEST_diasporas_pesquisadora_ana-maria-carneiro_20190314-150x101.jpg 150w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ana Maria Alves Carneiro da Silva, da Unicamp: &#8220;a diáspora científica ajuda a estabelecer redes&#8221; | Foto: Antonio Perri/Jornal da Unicamp</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Caracterizar melhor esse fenômeno pode facilitar a criação de melhores políticas públicas para subsidiar a formação e a fixação de pesquisadores no Brasil?</strong></h2>



<p>O primeiro passo é conhecer as motivações por trás da diáspora científica, se ocorrem colaborações e como elas podem ser aperfeiçoadas. Além disso, saber se há intenção de voltar ao Brasil e o que seria decisivo para esse retorno ou para a permanência lá fora.</p>



<p>Entre os pós-doutorandos, cerca de 30% pretendem voltar em um período que vai de um a seis anos. Já entre os professores/pesquisadores com contrato permanente em instituições estrangeiras, 90% não têm qualquer previsão de voltar um dia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;<em>Quanto maior é a consolidação e a estrutura encontrada no exterior, menos os pesquisadores brasileiros querem retornar ao país. Entretanto, isso não significa que eles não se preocupam em criar vínculos com seus pares residentes no Brasil.</em>&#8220;</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os principais gargalos hoje no país que dificultam a manutenção de talentos hoje no Brasil?</strong></h2>



<p>Quando perguntamos quais foram as motivações para deixar o Brasil, as mais citadas foram, pela ordem, recebimento de oferta de trabalho ou pós-doutorado no exterior, busca por melhores condições de financiamento para pesquisa e outras atividades acadêmicas, melhor acesso à infraestrutura de pesquisa, melhor remuneração e qualidade de vida.</p>



<p>Os pontos de melhoria para reduzir os gargalos seriam o aumento do financiamento (com maior valor e a longo prazo). Não pode ser uma política restrita ao financiamento de curto prazo, sem a estabilidade que o pesquisador desfruta fora do país. Também é preciso valorizar mais a ciência e os pesquisadores (com melhor remuneração, plano de carreira e doutorado e pós-doutorado encarado como trabalho) e aumentar o valor e a qualidade das bolsas.</p>



<p>Ademais, cabe intensificar a internacionalização (com oportunidades de cooperação e acordos bilaterais e multilaterais), ampliar incentivos para publicação e preencher lacunas de educação relacionadas à fluência em inglês de estudantes e pesquisadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como você observa a movimentação da atual gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) diante do fenômeno da diáspora científica?</strong></h2>



<p>Tem havido uma mobilização conjunta do MCTI, do Ministério da Educação e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), incluindo a ampliação da remuneração de bolsas para projetos de pesquisa.</p>



<p>São movimentações bastante auspiciosas e interessantes. É a ideia de que a ciência voltou e que essa história sombria e recente, que a gente viveu, ficou para trás. Foi um momento de ameaça à ciência, ao financiamento e aos cientistas.&nbsp; Agora a ciência está sendo novamente valorizada e os cientistas estão sendo vistos com bons olhos e não com desconfiança, incluindo os membros da diáspora. Isso é fundamental.</p>
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		<title>Caminhos para repensar a avaliação de artigos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Pierro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Aug 2023 19:35:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[#acesso aberto]]></category>
		<category><![CDATA[#ciência aberta]]></category>
		<category><![CDATA[#cientometria]]></category>
		<category><![CDATA[#publicações]]></category>
		<category><![CDATA[#revisão por pares]]></category>
		<category><![CDATA[política científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudioso da comunicação científica, Peter Schulz, da Unicamp, fala dos desafios para tornar a revisão por pares mais aberta e transparente</p>
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<p>Manuscritos selecionados para publicação em revistas científicas geralmente são submetidos a um crivo de qualidade bastante rigoroso. Esse processo de avaliação é conduzido por cientistas que atuam na mesma área de pesquisa dos autores e, por isso, é chamado de revisão por pares. Nessa etapa, espera-se que cientistas detentores de um conhecimento robusto em determinado assunto façam sugestões tendo em vista melhorar a qualidade dos trabalhos avaliados.</p>



<p>A revisão por pares tem, portanto, potencial de ser instrumento de aprendizado e aprimoramento dos manuscritos, mas não é isso que vem ocorrendo, na visão do físico Peter Schulz, professor titular da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e estudioso da comunicação científica. “Hoje a revisão por pares se restringe a recusar ou aceitar manuscritos para publicação. O diálogo entre revisores e autores foi sufocado e isso é terrível”, afirma Schulz, que foi secretário de Comunicação da Unicamp entre 2017 e 2021.</p>



<p>Ex-professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp, onde lecionou por duas décadas, Schulz tem se dedicado à cientometria, área que analisa aspectos quantitativos da ciência, e a iniciativas de divulgação científica, como sua coluna no <em>Jornal da Unicamp</em>.</p>



<p>Em entrevista ao <strong>Science Arena</strong>, Schulz argumenta que melhorias no processo de revisão por pares deveriam se inspirar no movimento da ciência aberta, que busca conferir maior transparência na atividade científica. “Na prática, uma revisão mais transparente significaria abrir os pareceres dos revisores para toda a comunidade. Dessa forma, a própria revisão por pares ficaria submetida a um crivo de qualidade, permitindo identificar problemas relacionados à sua integridade.”</p>



<p>O pesquisador reconhece, no entanto, que tal proposta encontra resistência, especialmente por parte das grandes editoras científicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Science Arena –</strong> <strong>Qual é a origem do processo de revisão por pares?</strong></h2>



<p><strong>Peter Schulz –</strong> A publicação científica hoje, com revisão por pares, é uma construção que começou com a institucionalização da ciência moderna. Contudo, os primeiros artigos publicados em periódicos eram completamente diferentes do que há hoje. Havia muitos formatos de artigos que eram publicados em revistas consideradas científicas, como os <em>Anais</em> da Royal Society, do Reino Unido, ainda no século XVII.</p>



<p>Quem fazia as escolhas, as seleções, os comentários, aceitava e recusava manuscritos era exclusivamente o editor. Ocorre que, com o aumento do volume de artigos submetidos para publicação – e, consequentemente, do número de revistas –, foi se estabelecendo um corpo de editores a partir do final do século XVIII e início do XIX. Os membros desses grupos editoriais passaram a pedir ajuda e sugestões de colegas especialistas, a fim de auxiliar na curadoria dos manuscritos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando esse processo se tornou um marcador de qualidade e legitimidade de publicações científicas?</strong></h2>



<p>A revisão por pares se consolidou como uma verdadeira instituição, a ponto de ser condição fundamental para que uma revista científica seja indexada em bases de dados internacionais. Esse “amadurecimento” ocorreu em meados do século XX, é bem recente. Até a década de 1940 havia periódicos que não contavam com revisão por pares, ou seja, o editor-chefe era quem decidia o que seria publicado. &nbsp;</p>



<p>Cabe perguntar quais motivos levaram à institucionalização da revisão por pares. O principal argumento por trás disso é que esse processo asseguraria a qualidade técnica do que é publicado. Na prática, porém, tornou-se um mecanismo de expansão da publicação científica. A revisão por pares permitiu agilizar o processo de publicação de papers, consolidando o mercado das grandes editoras comerciais, conhecidas por suas margens de lucro elevadas. Vale frisar que a revisão por pares é majoritariamente terceirizada: na maioria das vezes os revisores atuam voluntariamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como a expansão quantitativa das publicações afetou a garantia de qualidade?</strong></h2>



<p>Um bom editor deve revisar as revisões feitas pelos pares. Isso significa verificar se a revisão teve rigor técnico, se foi consistente, se explicou de fato por que determinado manuscrito deve ou não ser aceito. Só que, como a quantidade de artigos não para de aumentar, o volume de trabalho também cresce. As decisões precisam ser rápidas, e isso afeta a qualidade da revisão. Então a decisão final, embora em tese ainda seja do editor, na prática cabe aos pareceristas fazer a seleção final dos manuscritos que serão publicados. Portanto, a questão central é: quem, agora, revisa a revisão por pares?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Poderia exemplificar?</strong></h2>



<p>No começo da minha carreira, era comum o revisor dar um parecer negativo. Eu rebatia a revisão defendendo meus argumentos e ele me respondia, e assim travávamos um diálogo. Essa dinâmica é cada vez mais rara. Recentemente, submeti um manuscrito e um revisor disse que o trabalho era “imprestável”, outro considerava o trabalho interessante, mas sugeria modificações. Respondi aos revisores, mas meu comentário não chegou a eles, parou no editor, que me alertou: “não é nossa política editorial alimentar discussões entre aqueles que submetem trabalhos e os revisores.” Esse tipo de coisa, cada vez mais comum, não ajuda a melhorar a qualidade da produção científica.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>No passado, os revisores cumpriam um papel importante, de contribuir no aprimoramento do manuscrito. Hoje, o mecanismo de revisão por pares tem cada vez mais se restringido à tarefa ‘mecânica’ de aceitar ou recusar o manuscrito, como apenas mais uma etapa da linha de produção industrial de papers</em>.</p></blockquote></figure>



<p>A revisão por pares poderia desempenhar uma função mais relevante na construção do conhecimento científico. Deixou de ser uma ferramenta de aprendizado para os autores, e isso é terrível. O diálogo entre revisores e autores foi sufocado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Virou linha de produção sem um “selo de qualidade”, então?</strong></h2>



<p>As justificativas colocadas por pesquisadores são na linha de “preciso publicar muito para justificar o financiamento que recebi”. Isso está entranhado mesmo entre pesquisadores jovens, em início de carreira. Pergunto a colegas: “por que você coloca dez ou mais alunos de iniciação científica ou de mestrado trabalhando nos artigos?” A resposta que geralmente recebo é que precisam fazer isso para manter um nível alto de produção, a fim de justificar o financiamento que recebem de agências de fomento. Essa é uma cultura que se enraizou e aí você acaba fazendo muito mais do mesmo.</p>



<p>Por exemplo, em algumas áreas do conhecimento você encontra trabalhos que precisam ser feitos, mas cujos papers na verdade nada mais são do que relatórios técnicos. Essas publicações acabam recebendo status de artigos científicos, pois são divulgadas em revistas de prestígio, passam por revisão e estão indexadas em bases de dados internacionais.</p>



<p>No entanto, muitos desses artigos são uma pequena fração de uma pesquisa mais ampla. A esse fenômeno costumamos dar o nome de produção “salame”, e ocorre quando achados de um projeto científico são “fatiados” em vários resultados menores, originando uma série de papers. Nesses casos, o artigo científico acaba se tornando um fim em si mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Há como resolver isso?</strong></h2>



<p>Um dos caminhos possíveis é a ciência aberta, no sentido de tornar públicos e acessíveis estudos e dados de pesquisa a todos os segmentos da sociedade e da comunidade científica. Isso pode se dar por meio de repositórios criados por universidades e plataformas de preprints, que são papers ainda não revisados pelos pares.</p>



<p>É perfeitamente viável uma cultura de compartilhamento em que seu trabalho seja colocado em uma plataforma de ciência aberta, ficando sob o escrutínio de outros pesquisadores, que poderiam fazer comentários, objeções e citações. Na verdade, já existem muitas iniciativas que caminham nesse sentido, de estabelecer uma revisão por pares aberta e transparente.</p>



<p>Isso não exclui o trabalho convencional de pareceristas, apenas amplia o escopo da revisão por pares, criando mais condições para uma cultura colaborativa de construção do conhecimento. Contudo, colocar em prática iniciativas desse tipo dá trabalho e incomoda grandes grupos editoriais que ainda lucram com a publicação de estudos em sistemas de acesso fechado ou híbrido.</p>
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